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terça-feira, 14 de agosto de 2012

15:29 \ Congresso

Remessas milionárias

Andrea: ex do Cachoeira e dona do laboratório

Os dados enviados pelo Banco Central à CPI mista do Cachoeira mostram que o laboratório Vitapan, o mais robusto dos negócios aparentemente lícitos do bicheiro Carlinhos Cachoeira (que hoje está no nome de sua ex-mulher Andrea Aprígio), mandou para fora do país cerca de 3,8 milhões de dólares, entre 2002 e 2012.

São 557 operações de remessa e ingresso de recursos no período, sendo a grande maioria de remessas e apenas 185 000 dólares em ingresso de divisas. Pelos dados em poder da CPI, o laboratório ligado ao bicheiro enviou recursos para uma infinidade de países. Os principais destinos dos recursos foram os Estados Unidos, Alemanha e a… Índia.

O laboratório também mandou remessas para as Ilhas Virgens, Suíça, Israel, Noruega, China, República Tcheca e Itália.

Por Lauro Jardim

terça-feira, 12 de junho de 2012

6:04 \ Congresso

Dados incompletos

Dados bancários não revelam origem de créditos e destino de débitos nas contas do esquema

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal foram até agora os bancos mais céleres no envio dos dados das movimentações bancárias do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira à CPI mista do Cachoeira. O problema, no caso dos extratos, é a falta de informações sobre a natureza das transações realizadas pelos comparsas do bicheiro.

Nas contas do laboratório Vitapan, por exemplo, estão registradas uma série de operações identificadas apenas pelo termo “documento exige recuperação manual”. Os parlamentares avaliam que terão de solicitar aos bancos um detalhamento maior sobre as operações de crédito e débito de determinadas contas das empresas de Cachoeira.

Por Lauro Jardim

quinta-feira, 29 de março de 2012

23:17 \ Congresso

Influência a serviço de Cachoeira

Influência para conseguir audiência

Demóstenes Torres ainda era um respeitado e influente senador da República quando solicitou à Anvisa, no começo de setembro do ano passado, um encontro com seu diretor-presidente, Dirceu Barbano. A conversa, dizia o pedido de audiência, serviria para tratar de um certo “protocolo de câncer de próstata”. Diante do pedido de um senador e da relevância do tema, Barbano encaminhou a solicitação com prioridade, marcando a conversa para 21 de setembro.

Com a audiência confirmada, Demóstenes apresentou então o real motivo da conversa com o comandante da Anvisa: discutir a liberação de registros da agência para medicamentos genéricos e similares do laboratório Vitapan, um dos braços de Carlinhos Cachoeira na indústria farmacêutica, localizado na cidade do bicheiro, Anápolis (GO).

A inclusão do tema foi realizada a partir de um e-mail enviado na véspera do encontro pela assessoria de Demóstenes à Anvisa. No dia 21, às 14h, como registra a ata do encontro, Demóstenes apareceu na Anvisa acompanhado de dois representantes do Vitapan para conversar com Barbano e deixou que eles apresentassem os pleitos de Cachoeira.

A mediação do encontro dos representantes do Vitapan com o chefe da Anvisa é uma das primeiras evidências diretas de que Demóstenes usava a influência do mandato para tratar dos interesses de Cachoeira junto a órgãos do governo.

Sem a interferência de Demóstenes, os representantes do Vitapan dificilmente teriam conseguido uma audiência fechada com o comandante da Anvisa para tratar de interesses comerciais do laboratório.

Assuntos dessa natureza (obtenção de registro) costumam ter uma longa tramitação na agência e são tratados em audiências públicas, com conteúdo integralmente gravado em vídeo.

O privilégio ao Vitapan só foi possível após a intermediação de Demóstenes. Apesar do empurrãozinho, a Anvisa garante que os pleitos comerciais do laboratório não foram levados adiante.

(Atualização, às 11h23: a defesa de Demóstenes  entrou em contato para afirmar que o senador foi a Anvisa tratar de questões de “vários laboratórios de Goiás”. O.k., mas o empurrãozinho no Vitapan é inegável)

Por Lauro Jardim

 

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