Hoje à tarde, num intervalo de poucas horas, Paulo Octávio fez dois gestos que deram por encerrado seu curto protagonismo político no Distrito Federal: renunciou ao sonhado mandato de governador e se desfiliou de seu partido, o DEM, para evitar a expulsão. Principal empresário do ramo imobiliário de Brasília, PO, como é conhecido, foi mais um varrido pelo panetonegate. No entanto, há pouco, em uma conversa reservada, negou que este seja o fim definitivo. PO quer voltar à vida pública em 2014 e assegurou que já foi procurado por três partidos.
Ainda na conversa, o empresário qualificou como um “erro terrível” não ter renunciado na quinta-feira passada. Segundo PO, até cinco minutos antes de dar a coletiva de imprensa, ele estava decidido a renunciar, mas dois telefonemas - cujos interlocutores ele não quis revelar - o fizeram mudar de ideia: “Até então, o governo já estava perdido, mas acabei perdendo também o partido”, disse em tom de mea-culpa.
Quando anunciou que ficaria no cargo, a disposição era de aguardar a decisão do Supremo que poderia reconduzir José Roberto Arruda ao cargo, afastando o vice da crise.
Mas diante dos ataques initerruptos que sofreu desde quinta-feira - a começar pelos pedidos de impeachment na Câmara - e da avaliação de seus advogados de que dificilmente o STF libertaria Arruda, PO resolveu antecipar a renúncia.
O empresário se diz magoado com seu partido, que o teria abandonado, e não poupa os deputados distritais, que abriram os processos de impeachment tornando inviável qualquer governabilidade.
Segundo ele, ainda na quinta-feira, antes mesmo de anunciar que ficaria no cargo, deputados distritais ligados a José Roberto Arruda já exigiam cargos e participação no governo: “Eu não tinha como governar com a faca no pescoço”, contou.