Blogs e Colunistas

segunda-feira, 30 de maio de 2011

12:21 \ Congresso

Contra-ataque pelas MPs

A base aliada no Senado movimenta-se para tentar manter nas mãos do Executivo o poder de legislar por meio de medidas provisórias. Walter Pinheiro apresentou uma emenda ao parecer de Aécio Neves sobre o novo rito de tramitação das MPs. O petista quer derrubar o artigo que criaria uma comissão para analisar a admissibilidade das MPs.

Por Lauro Jardim

domingo, 22 de maio de 2011

O PSDB antes da guerra

A menos de uma semana da convenção nacional do PSDB, que se realizará no sábado que vem, o clima entre aecistas e serristas é o pior possível. Os tucanos brigam por tudo. Enquanto o nascente governo Dilma passa pela sua pior crise até aqui, com o seu virtual primeiro-ministro nu (mas rico) em praça pública, o PSDB se consome. Que tipo de entendimento os tucanos podem alcançar até o dia 28?

Nos últimos dias, Aécio Neves e sua turma deixaram patente que vão para convenção para tomar conta do partido. Aparentemente, têm votos de sobra para fazê-lo. A questão, porém, é como fazê-lo sem humilhar José Serra. Não é uma equação simples.

Os serristas reivindicaram, inicialmente, a presidência do partido. Não tiveram cacife. Desistiram. Foi o início da fricção neste processo que se arrasta desde o final do ano passado. Agora, os serristas ainda insistem em ficar com a importante secretaria-geral, onde alojariam Alberto Goldman. Os aecistas não abrem mão de manter o mineiro Rodrigo Castro no posto. No início da semana passada, Geraldo Alckimin lançou o nome de Serra para presidir o Instituto Teotônio Vilella. Numa manobra rápida, Sérgio Guerra lembrou que para o centro de pesquisas e estudos tucano o nome teria que ser o de Tasso Jereissati. Alckmin recuou e não se falou mais nisso.

Nenhum dos dois lados negociou de fato até agora. Aliás, registre-se que Aécio Neves e José Serra não tiveram uma mísera conversa a sós desde o fim do processo eleitoral do ano passado. Isso dá bem uma medida de como anda o clima entre os dois. Neste jogo de xadrez, FHC tem feito cara de paisagem. É uma postura que evidentemente não favorece José Serra.

Aécio pretende tomar conta do PSDB agora. Tem jogado até aqui mostrando que não quer abrir mão de nada de relevante no partido. O PSDB estaria, assim, definindo com três anos de antecedência seu candidato a presidência. É um passo importante, mas que não tem o poder de mandar Serra para o espaço. Serra pensa de fato numa terceria chance em 2014. E será sempre uma sombra poderosa para as ambições de Aécio. É só encomendar uma pesquisa de opinião pública nacional que isso será constatado.

Pela estratégia do grupo de Aécio a ideia é esticar a corda ao máximo e sentar-se à mesa de conversas na última hora. Em resumo, primeiro mostraram força. Depois, com o adversário enfraquecido, negocia-se. Ou seja, lá pelo meio da semana, por essa estratégia, abrirão-se as possibilidades reais de negociação.

Aí, sim, oferecerão alguns cargos como moeda de troca. Para Alberto Goldman estaria reservada a primeira vice-presidência. Outro serrista ficaria no comando da primeira-secretaria. Pensa-se também em ressuscitar uma ideia que circulou nas últimas semanas – a criação de um conselho político integrado pelas cabeças coroadas do partido: Aécio, Serra, Tasso, Sergio Guerra e, claro, FHC. Serra rechaça essa solução. Desdenha o conselho.

Ainda assim, nos próximos dias a posisbilidade voltará a ser discutida. Será levantada, claro, pelos aecistas. Estes são, pelo menos, os planos da turma do Aécio. É com essa linha e essa agulha que Aécio Neves tentará costurar um acordo. O maior desafio é fazê-lo sem esgarçar de vez o fino tecido que ainda une o partido.

Por Lauro Jardim

quarta-feira, 18 de maio de 2011

20:38 \ Congresso

Emenda da discórdia

O governo está esbravejando por conta de uma PEC apresentada hoje pelo governista Clésio Andrade. Com o apoio do oposicionista Aécio Neves, e uma semana após uma romaria de prefeitos no Congresso cobrando mais verbas, Clésio apresentou nesta quarta uma proposta para aumentar de 22,5% para 26% o repasse obrigatório da União para o Fundo de Participação dos Municípios. Seria um aumento de 7 bilhões de reais nos repasses do ano passado, caso a medida já estivesse valendo – em 2010, o FPM amealhou 43 bilhões de reais.

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 13 de maio de 2011

9:28 \ Partidos

Mais tranquilo?

A ida nesta semana de José Serra a Brasília ajudou a melhorar o clima no PSDB em meio às conversas sobre a composição da próxima Executiva Nacional do partido. A ala ligada a Aécio Neves, no entanto, ainda espera para ver se Serra exigirá a secretaria-geral da sigla para um aliado. Dependendo do desenrolar das negociações, as relações entre os dois grupos têm tudo para voltar a ficar mais tensas.

Por Lauro Jardim

quarta-feira, 11 de maio de 2011

19:55 \ Congresso

Meio a meio

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um relatório de Aécio Neves sobre o projeto que muda o rito de tramitação das medidas provisórias, dando maior poder para o Senado. Mas a base governista buscou um acordo para evitar que o Executivo perdesse um de seus principais instrumentos legislativos.

Inicialmente, o relatório previa que as MPs só teriam força de lei depois de analisadas por uma comissão de parlamentares. Agora, se essa comissão ou o plenário do Congresso não admitirem os argumentos de urgência e relevância dados pelo Executivo, as MPs perderão a eficácia e se transformarão em projetos de lei em regime de urgência. A proposta, que também tenta obrigar que as MPs só tratem de um assunto por vez, precisará ainda passar pelo plenário do Senado antes de ser enviada à Câmara.

Por Lauro Jardim
8:33 \ Congresso

Quem entende

Senadores governistas localizaram a impressão digital de Mozart Vianna de Paiva no relatório de Aécio Neves para o projeto que tenta dar mais poderes ao Senado na apreciação de medidas provisórias.

A proposta original é de José Sarney, mas Aécio apresentou um parecer na Comissão de Constituição e Justiça dando poder a um colegiado de deputados e senadores para decidir se as MPs devem ter força de lei desde o dia em que forem editadas.

Um integrante da base aliada, para quem a mudança prejudicaria a governabilidade, diz que só um “papa do regimento” poderia ter redigido tal projeto. Mozart deixou a Secretaria-Geral da Câmara para ser o chefe de gabinete de Aécio.

Por Lauro Jardim

quarta-feira, 4 de maio de 2011

20:04 \ Brasil

Aécio vai à OAB

Aécio Neves entrega amanhã a Ophir Cavalcante na sede da OAB uma cópia do seu projeto que muda o rito da tramitação das medidas provisórias. Aécio será acompanhado de Demóstenes Torres, Pedro Taques e Pedro Simon. A propósito, o governo é frontalmente contrário à proposta de Aécio.

Por Lauro Jardim
7:23 \ Congresso

Marina articula 1

Em Brasília com a missão de tentar adiar a votação do Código Florestal, Marina Silva procurou o apoio do governo e da oposição. Além de reunir-se com Antonio Palocci, Marina telefonou para FHC e Aécio Neves.

Por Lauro Jardim

terça-feira, 19 de abril de 2011

6:03 \ Brasil

Lula irá?

Paulo Pereira da Silva e a cúpula da Força Sindical devem ir nesta semana ao apartamento de Lula convidá-lo para as comemorações do Dia do Trabalho. Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin e Aécio Neves já foram chamados para a festa a ser promovida pela central sindical no 1º de maio.

Por Lauro Jardim

sábado, 16 de abril de 2011

1:30 \ Economia

Sem luz para ele

KEINY ANDRADE/AE

Roger Agnelli - Aécio gostaria de ver o superexecutivo na Cemig, Anastasia não

A probabilidade de Roger Agnelli presidir a Cemig é zero. A saída, defendida pelo senador mineiro Aécio Neves, foi vetada por seu sucessor no governo estadual, Antonio Anastasia. Há sessenta dias, ele confirmou Djalma Morais na elétrica e não quer voltar atrás. É a primeira discordância entre o criador (Aécio) e sua criatura (Anastasia).

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 8 de abril de 2011

18:33 \ Partidos

Assim, não

Aliados de José Serra não estão gostando nada da ideia de setores do PSDB de ampliar o conselho político, que antes seria integrado apenas por FHC, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e o próprio Serra, com a inclusão dos governadores do partido. Acham que a proposta tem como objetivo diluir a influência de Serra na legenda.

Por Lauro Jardim

quarta-feira, 6 de abril de 2011

19:24 \ Congresso

Aécio, o aparteador…

Após o esperado discurso que comentou os cem dias de governo Dilma, iniciado às quatro da tarde, Aécio Neves já concedeu ou está para conceder 23 apartes para os senadores comentarem sua fala.

(Atualização às 20h24: Em mais de quatro horas de fala, Aécio Neves foi aparteado por 35 senadores)

Por Lauro Jardim
19:23 \ Congresso

…e Itamar, o citado

A propósito, Itamar Franco, colega de bancada de Aécio Neves, foi o ex-presidente mais citado na fala e nos comentários que fez aos apartes. Foram sete citações a Itamar, duas a Lula e uma a Fernando Henrique e José Sarney cada.

Por Lauro Jardim

quinta-feira, 24 de março de 2011

9:54 \ Partidos

Água e azeite

Um título no alta da página onze do Valor Econômico de hoje afirma que “Serra e Aécio divergem sobre sistema eleitoral”. Um prefere a adoção do sistema distrital puro; o outro, o misto. Melhor seria dizer logo de uma vez que Serra e Aécio divergem em tudo.

Por Lauro Jardim

segunda-feira, 21 de março de 2011

10:21 \ Partidos

PSDB sindical

A palavra de ordem no PSDB é manter o esforço para fortalecer as pontes com o movimento sindical.

O partido dialogará com o setor quando surgirem no Congresso projetos de interesse do trabalhador, como mudanças no fator previdenciário ou a desoneração da folha de pagamento.

Em outra frente, todos os governadores do partido trabalharão para se aproximar dos líderes sindicais locais.

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 18 de março de 2011

17:32 \ Partidos

Tudo menos Guerra

José Serra tem feito circular entre tucanos a mensagem de que gostaria de ver qualquer correligionário presidindo o PSDB, menos Sérgio Guerra. O grupo de Aécio Neves, no entanto, permanece firme na disposição de apoiar a manutenção de Guerra à frente do partido.

Por Lauro Jardim

quinta-feira, 17 de março de 2011

13:23 \ Congresso

Page not found

Dos 81 senadores, 34 não têm páginas eletrônicas. A bancada de Minas – incluída aí o ex-governador Aécio Neves e o ex-presidente Itamar Franco – é a única na qual nenhum de seus representantes têm endereços virtuais.

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 4 de março de 2011

4:04 \ Partidos

A engenharia para unir o PSDB, por FHC

Cachimbo da paz - Aécio, Serra e FHC: tentativa de unir o partido

É de FHC a fórmula que pode apaziguar os ânimos nada serenos dos tucanos. Numa tentativa de arranjar uma solução que agrade tanto a José Serra quanto a Aécio Neves, FHC vai propor a criação de um conselho político para o PSDB. O conselho não teria funções administrativas, mas seria uma instância que pairaria acima da direção formal do partido. Seria integrado pelo próprio FHC, Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin. FHC acha que assim pode mandar para o espaço a disputa pela presidência do partido, que, por essa engenharia, conti-nuaria nas mãos de Sérgio Guerra. Daria também a Serra um status no partido igual ao de Aécio e Alckmin, algo importante para que ele rode o país como líder oposicionista. Resta saber se as partes topam a ideia.

Por Lauro Jardim

quinta-feira, 3 de março de 2011

19:59 \ Brasil

A volta de Lula, a chegada de Aécio

Dois atores de peso do meio político prometem voltar à cena depois do Carnaval. Lula diz que sua “quarentena” acabará na quarta-feira de cinzas. Do lado da oposição, é aguardado para o fim do mês o primeiro discurso de Aécio Neves na tribuna do Senado, no qual o tucano fará uma avaliação dos primeiros meses de governo e apresentará uma plano de ação para o PSDB, DEM e PPS.

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

17:35 \ Partidos

Serra e Agripino

José Agripino e José Serra conversaram por telefone nesta semana pela primeira vez desde que o senador potiguar foi escolhido, com o apoio de Aécio Neves, para comandar o DEM. Agripino tenta agora aparar as arestas que possam ter surgido entre as diversas alas da oposição em meio à crise enfrentada pelo DEM.

Por Lauro Jardim

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

14:37 \ Partidos

Aécio e o DEM

Aécio começa a reconstruir as pontes com a ala da bancada do DEM na Câmara que disputou a liderança e a vaga do partido na Mesa Diretora da Casa contra o grupo de ACM Neto e Rodrigo Maia.

O mineiro Marcos Montes, que chegou a ensaiar uma candidatura a líder do DEM apoiado por Paulo Bornhausen e será o próximo secretário-geral do partido, intermediará um encontro do tucano com Eduardo Sciarra e Cláudio Cajado.

Sciarra substituiu Montes e foi derrotado por ACM Neto na disputa pela liderança. Já Cajado perdeu a Segunda Secretaria da Câmara para Jorge Tadeu Mudalen. Na conversa, os deputados argumentarão a Aécio que suas posturas deveram-se à disputa interna do DEM, e não à rivalidade entre aecistas e serristas.

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

7:26 \ Economia

Anastasia na Light

Antonio Anastasia desembarca hoje no Rio de Janeiro. Vai direto para a sede da Light e se reunirá com o alto comando da companhia. O contrato da diretoria vence em abril.

A propósito, justamente ontem faltou luz no prédio onde Aécio Neves mora no Rio de Janeiro – e Aécio teve que subir seis andares de escada para chegar em casa . Foi na gestão Aécio que a Light foi comprada pela Cemig.

Por Lauro Jardim

sábado, 12 de fevereiro de 2011

4:01 \ Brasil

Serra, serra, serrador…

Cautela - Serra: essa novela ainda vai se estender pelas próximas semanas

Afinal, José Serra é candidato à presidência do PSDB? A eleição é em maio, mas Serra não responde diretamente a essa pergunta. Nunca. Segundo um dos seus mais fiéis escudeiros, o senador Aloysio Nunes Ferreira, “Serra vai pôr sua candidatura em banho-maria”. Se assumi-la, entrará numa eleição na qual não poderá perder. Nesse sentido, o mais provável é que, embora queira ser presidente do PSDB, não se arrisque. O desafio maior do partido, no entanto, é se unir. Se não houver entendimento entre os grupos de Serra e Aécio Neves, será uma legenda de perna quebrada, que não conseguirá chegar a lugar algum.

Por Lauro Jardim

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

14:36 \ Partidos

Pax tucana

Deve ocorrer em São Paulo até sexta-feira uma reunião de parte da cúpula tucana para tratar da briga interna do partido. FHC, Aécio Neves e Tasso Jereissati participam da conversa. José Serra, não. A ideia do trio, porém, é baixar a fervura da sopa de intrigas.

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

20:27 \ Partidos

Telefone sem fio

Um aliado de Aécio Neves na Câmara reconhece que não foi oportuno o momento escolhido para a bancada tucana assinar um documento apoiando a permanência de Sérgio Guerra no comando do PSDB. Mas assegura que a iniciativa não teve como objetivo isolar José Serra.

Prova disso, argumenta, é que aliados de Serra subscreveram o abaixo assinado porque nunca tinham recebido do tucano um pedido para que fosse trabalhada a sua eleição à presidência do partido.

Por Lauro Jardim
20:03 \ Congresso

Disputa silenciosa 1

A saída de Mozart Vianna de Paiva do comando da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara para a chefia do gabinete de Aécio Neves no Senado deu início a uma guerra silenciosa na Câmara. No cargo desde 1991, Mozart preparou Fernando Sabóia, chefe da assessoria jurídica da própria Secretaria-Geral da Mesa, para a sua sucessão. No entanto, corre por fora o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, cuja nomeação abriria uma vaga administrativamente poderosa para o próximo presidente da Casa.

Por Lauro Jardim

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

19:24 \ Congresso

Entre o DEM e Aécio

Candidato à liderança do DEM na Câmara, o mineiro Marcos Montes calibra o discurso. Ressalta ser do grupo da família Bornhausen e Gilberto Kassab no DEM. Pondera, por outro lado, que não representará um obstáculo à caminhada de Aécio Neves rumo à Presidência da República em 2014. Diz Montes:

- Se eu sentir que isso (candidatura à liderança) pode atrapalhar o projeto nacional do Aécio, eu vou rever e conversar com ele. O Aécio é a prioridade. Sou do projeto do Aécio.

Por Lauro Jardim

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

18:02 \ Partidos

Segura a porteira

Alvaro Dias defende que o PSDB não leve ao ar nenhum dos presidenciáveis – Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra – no primeiro programa após a eleição, marcado para o dia 10 de fevereiro. Dias diz por quê:

– Em política quatro anos é uma eternidade. Não se pode já no início sinalizar o nome de quem quer que seja.

A propósito, o PSDB ainda não se reuniu para discutir o que apresentar na propaganda partidária.

Por Lauro Jardim

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

12:26 \ Congresso

Bandeira branca

Clésio Andrade assume a cadeira no Senado de Eliseu Resende acenando para Antonio Anastasia, com quem mantém péssimas relações. Diz Andrade:

- Eles (Anastasia e Aécio Neves) inviabilizaram a minha candidatura. Na eleição ficamos em posições divergentes, mas me coloco à disposição do governador de Minas. Mas não para fazer oposição à Dilma.

Por Lauro Jardim

domingo, 12 de dezembro de 2010

Disputa silenciosa

Entre o início e o meio da semana passada, Aécio Neves fez um tour político de respeito. Recebeu um prêmio no Rio de Janeiro. Almoçou com Geraldo Alckmin, em São Paulo. Foi ao Roda Viva. Esteve com FHC. Visitou José Alencar no hospital. Fez uma visita de cortesia ao comando do DEM, na sede do partido em Brasília. Circulou pelo Congresso. Parecia estar em todos os lugares.

Foi uma espécie de volta oficial à cena política, depois de suas férias pós-eleitorais. Nas conversas, botou algumas de suas cartas na mesa, mas sem pressa. Quer ser candidato a presidente em 2014, mas seu jogo é de longo prazo.

Ficou claro, porém, em várias das conversas, sobretudo com os tucanos, que o “até logo” que José Serra proclamou com ênfase na noite de sua derrota para Dilma Rousseff é para valer.

Serra de fato não pensa em se aposentar. Muito mais do que isso: nutre esperanças de disputar a presidência pela terceira vez, na esteira de um eventual fracasso do governo Dilma. E, na cabeça de Serra, ele, do alto dos seus 44 milhões de votos, seria novamente a melhor opção da oposição para o embate. Serra tem falado isso mais próximos.

Mesmo considerando que não é hora de bater de frente com Serra, Aécio sabe que em algum momento — nem que seja dentro de dois ou três anos — um confronto entre os dois acontecerá. Tal e qual aconteceu nas eleições de 2010.

Desta vez, no entanto, Aécio terá ao seu lado parte expressiva de tucanos importantes que, em 2010, esteve todo tempo apoiando Serra – FHC à frente. Outros, como Geraldo Alckmin, Aécio terá que conquistar.

De qualquer forma, assim como Aécio era fundamental para Serra sonhar com algum triunfo em 2010, é importante para Aécio ter, em 2014, o partido unido se quiser candidatar-se à presidência com alguma chance. Aécio percebeu, contudo, que Serra não lhe facilitará os passos. E que era conversa para boi dormir a que tiveram o final do ano passado, em Belo Horizonte. Serra, na ocasião, pedia o apoio do ainda pré-candidato tucano Aécio Neves com o seguinte argumento: aos 68 anos, aquela seria sua última oportunidade para tentar ser presidente da República; Aécio tinha idade para esperar.

Nos próximos meses, Serra e Aécio disputarão um silencioso jogo de xadrez. O novo governo ainda nem tomou posse, mas no PSDB o fogo (ainda que brando) continua aceso, opondo os mesmos personagens. Vale a pena prestar atenção nos próximos lances.

Por Lauro Jardim

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados