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segunda-feira, 26 de março de 2012

6:03 \ Brasil

Na mira da Procuradoria

"Cordialidade entre personalidades da política e da economia do DF"

Denúncia apresentada à Procuradoria da República no Distrito Federal recentemente pelo deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) tem como alvo uma licitação realizada durante o período em que Agnelo Queiroz foi dirigente da Anvisa, em 2008. O caso envolve o empresário Jamil Elias Suaiden, dono da FJ Produções, um velho conhecido de Agnelo (leia mais em Explica mais essa, Agnelo).

Em dezembro de 2008, a Anvisa contratou a FJ, figura presente nos escândalos de corrupção no DF no governo Arruda, para dar suporte a 260 eventos no órgão. O pregão eletrônico 32/2008 aconteceu na manhã de 1º de dezembro daquele ano e vinte empresas se apresentaram para a concorrência - tudo como manda o script.

Ao final de duas horas de leilão, porém, algo estranho ocorreu na oferta de preços da concorrência. A FJ foi a única a apresentar uma proposta com valor compatível com o projeto: 14 000 reais por evento. Todas as dezenove concorrentes foram desclassificadas por ofertarem preços incrivelmente baixos e, portanto, inexequíveis.

O valor máximo ofertado, por exemplo, foi apresentado pela Athos Eventos: 130 reais. As outras empresas figuraram com valores ainda mais baixos: Exemplus (99 reais), LA Viagens (97 reais),  Luma Consultoria (95 reais), A3 Brasil (23 reais) e assim por diante.

Diante de preços tão diferentes, um gestor habituado a concorrências públicas poderia ter suspeitado de combinação de preços na licitação da Anvisa. Mas ninguém na agência enxergou problemas em proceder com a contratação da FJ Produções.

Por meio de seu porta-voz, Agnelo argumentou que não fazia parte de suas atribuições na Anvisa rastrear a eventual combinação de preços entre as empresas e que, se tal fraude ocorreu, ele não teve responsabilidade sobre o caso, pois participava das decisões de comando da agência apenas por ser um de seus diretores. Disse o porta-voz:

- Agnelo sequer conhecia Jamil Suaiden, dono da FJ Produções, quando esta empresa venceu o pregão eletrônico realizado pela Anvisa, em dezembro de 2008. Veio a conhecê-lo depois, como um bem-sucedido empresário da cidade, com quem não tem nenhuma relação além da cordialidade entre personalidades da política e da economia do Distrito Federal.

Agnelo garante que não chamou sua atenção o fato de o nome de Jamil, “uma personalidade da economia do DF”, figurar entre os proprietários do terreno onde foi erguida sua mansão em Brasília. Segundo a escritura, Jamil passou sua parte para a irmã em 2005, antes que Agnelo comprasse a propriedade, em 2007.

Depois de fechar o contrato com a Anvisa, Jamil começou a se construir como verdadeira “personalidade da economia do DF”, vendo seus negócios decolarem de forma meteórica.

Levantamento dos contratos da FJ com órgãos federais mostra que a empresa saiu de um faturamento de 60 000 reais, em 2006, para 103 milhões de reais, em 2010. Esse sucesso chamou atenção de Francischini, que levou o caso à PR/DF e também ao TCU.

No meio policial, os negócios de Jamil são mais do que conhecidos: em junho do ano passado, agentes da Polícia Civil do DF cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da FJ. Os agentes buscavam evidências da existência de uma organização criminosa especializada em superfaturar eventos culturais e esportivos no DF. O conteúdo dos computadores apreendidos na FJ ainda é um mistério.

Por Lauro Jardim

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9 Comentários

  1. Fernando M.

    -

    28/03/2012 às 21:35

    APLAUSO EVENTOS NUNCA FOI PUNIDA E SEUS ‘FILHOTES’ FATURAM ALTO NO DF

    Regina Alvarez / O GLOBO

    No governo Lula, a empresa de eventos Aplauso reinou sem dar chance aos concorrentes. Entre 2003 e 2008, faturou R$110 milhões se valendo do sistema de compras governamentais que permite a multiplicação infinita de uma licitação, por meio da adesão de outros órgãos públicos à ata de registro de preços de um único pregão. Envolvida em processos na Justiça e condenações pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a empresa não vence mais licitações, mas continua a atuar por meio de seus filhotes: empresas em nome de parentes e ex-funcionárias que receberam nos últimos dois anos milhões dos cofres públicos.

    Enquanto a Aplauso recebeu apenas R$31 mil de órgãos federais entre 2010 e 2011, seu filhote mais bem criado, a A3 Brasil, faturou R$22 milhões. Em 2011, com a chegada do PT ao governo do Distrito Federal, a A3 Brasil viu seu caixa engordar ainda mais. Só este ano, já recebeu R$12 milhões do governo local com a realização de eventos, sem necessidade de licitação, pois utilizou o mesmo sistema de adesão à ata de registro de preços de um pregão realizado pelo Ministério da Reforma Agrária em 2010. Além disso, acaba de ganhar mais uma licitação, desta vez no Ministério das Cidades.

    O sistema de adesão à ata de registro de preços funciona assim: um órgão do governo realiza licitação na modalidade de pregão eletrônico usando como instrumento essa ata. Ou seja, lista itens que pretende comprar e faz o pregão, vencido pela empresa que oferecer o menor preço médio. Só que a soma desses itens é sempre muito maior do que as necessidades, porque o objetivo é que o pregão sirva de guarda-chuva para compras de outros órgãos, sem licitação.

    Na prática, a A3 é um clone da Aplauso, embora tenham nomes, sócios e registros diferentes. As duas empresas funcionam no mesmo conjunto de salas em um prédio comercial de Brasília. As sócias da A3 são ex-funcionárias da Aplauso e a diretora Érica Cavalcante aparece em uma certidão de junho de 2010 como sócia da Aplauso.

    Na porta da agência aparece apenas o nome da A3 Brasil e quando alguém procura pela Aplauso no prédio é informado que se trata da mesma agência, que mudou de nome.

    Em 2010, a A3 venceu licitação de R$17 milhões no Ministério do Desenvolvimento Agrário, e a partir daí garantiu contratos com outros 12 órgãos federais pelo sistema de adesão à ata de preço, incluindo a Presidência da República, o Ministério da Previdência, a Subsecretaria de Assuntos Federativos e a Agencia Espacial Brasileira.

    Contrato com ministério foi questionado por TCU

    O Tribunal de Contas da União aponta várias irregularidades no pregão que levou ao contrato do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) com a A3, que vigorou de abril de 2010 a abril de 2011. O TCU questiona o fato de o ministério ter firmado contrato pelo valor inicial de R$16,950 milhões, sem levar em conta a proposta oferecida pela agência no pregão, que representava 14,98% do valor estimado para a soma dos itens da ata.

    O TCU determinou ao MDA se abster de autorizar adesões à ata de registro de preços para celebração de contrato para “múltiplos e indefinidos eventos”. A consultoria jurídica do MDA entendeu que a restrição não impedia as adesões, e apenas criava critérios mais rígidos, como a definição dos eventos, segundo informou a assessoria do ministério. Os 14 contratos com órgãos federais e com o governo do DF que resultaram da adesão à ata do MDA têm data posterior à decisão do TCU.

    Além da A3, a Aplauso produziu outros filhotes. A Personaliza Cerimonial, Eventos e Turismo, por exemplo, registrada no nome de Michele Ronchi, marido de Andréa Corbucci, uma das sócias da Aplauso, venceu em outubro de 2009 um pregão no Ministério da Defesa, anulado pelo TCU.

    O marido de Andréa tem ainda a M. Ronchi – FotoSintesi, que atua com fotografia, agenciamento de modelos e eventos e recebeu R$2,6 milhões de órgãos públicos entre 2008 e 2009.

    Procurada pelo GLOBO, Andréa Corbucci negou que a A3 seja um clone da Aplauso. Segundo ela, a empresa “tem um contrato de prestação de serviços com a A3″. Ela também nega que as empresas do marido tenham relação comercial com a Aplauso e afirma que a Personaliza foi vendida.

    Já Natália da Silva Dias, que está nos registros da A3 como sócia, confirmou que era funcionária da Aplauso, mas nega que sua empresa seja de fachada.

  2. Anti petralha

    -

    26/03/2012 às 16:33

    Esse petralha Raimundo Sauim tentou, tentou, tentou e não deu uma explicacaozinha sequer acerca da matéria, ou seja, o ratus agnelius assaltou os cofres públicos, está assaltando, e o cara vem falar do maior lalau do Brasil, maior até do que o Sarney, o ratus lulus muluscus, e pior, tenta convencer alguém que tudo é culpa do FHC… Sr petralha, a única culpa do FHC foi ter consertado o Brasil e deixado uma caminha bem confortável, onde o ratus lullus muluscus se deitou por 8 anos, mas só fez isso mesmo, só se deitou, tanto é que agora a ratae vilmae dilmae já esta pagando pela falta de vontade de trabalhar do antecessor, o ratus lullus muluscus.

  3. Remindo Sauim

    -

    26/03/2012 às 12:36

    Pequena história da infâmia
    Por Remindo Sauim

    O apoio aos que assaltaram a pátria
    O golpe militar de 1964 foi louvado pela grande imprensa paulista e carioca. Os editoriais da época eram todos a favor dos usurpadores. As Organizações Globo e Grupo Folha, cresceram a sombra das torturas e assassinatos, a quem davam apoio editorial e emprestavam seu patrimônio.

    Saem os militares mas ficam seus órfãos
    Com o fim da ditadura, continuaram defendendo as idéias da extrema direita. Ignoraram as Diretas Já e seus editorias batiam diariamente contra os movimentos populares.

    União contra o PT
    Com o crescimento da esquerda, este grupo midiático apóia Collor contra Lula e Brizola. Com a queda Collor, a direita e a imprensa escolhem Fernando Henrique Cardoso como salvador de suas idéias. Depois de 8 anos, a política do PSDB coloca o Brasil no fundo do poço. José Serra e seus parentes promovem as Privatarias Tucanas

    União contra o PT
    Com o sucesso de Lula, a família Marinho, a família Frias e mais os Civitas tentam atacar de todas as formas a política petista e em concluo com o contraventor Carlinhos Cachoeira, deputados e senadores do DEM e PSDB criam o famoso Mensalão.

    O Mensalão
    Este esquema começou em Minas Gerais no ano de 1998, para financiar a campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo, ao governo de Minas Gerais. Era um caixa 2, método usado por todos os partidos brasileiros para financiarem suas campanhas. Em maio de 2005, para escapar de uma acusação de corrupção nos Correios, o deputado do PTB, Roberto Jefferson, denunciou um caixa 2 do PT.

    A mídia eloquece
    Aproveitando a deixa, as Organizações Globo, o Grupo Folhas e a Editora Abril criaram um esquema de colocarem notícias contra o PT em seus veículos e os políticos do DEM e PSDB repercutiam no Congresso, o que era colocado na imprensa como novas denúncias contra o PT. Quem a fonte por detrás destas denúncias era o contraventor Carlinhos Cachoeira.

    O PT dá a volta por cima
    O povo não entra no esquema midiático, reelege Lula e 4 anos depois elege Dilma sua sucessora, depois de uma feroz campanha da mídia a favor de José Serra. Com medo de acabar mal, Roberto Jefferson nega a veracidade de sua denúncia e grampos da Polícia Federal conseguem desvendar o esquema entre o Senador Demóstenes Torres, Carlinhos Cachoeira e o diretor da sucursal da Veja de Brasilia Policarpo Jr.

    Uma nova CPI
    Espera-se para os próximos dias uma CPI em Brasília para investigar essas associações entre deputados e senadores da oposição, jornalistas e contraventores.

  4. jorge

    -

    26/03/2012 às 11:21

    Incrivel a blindagem que estão fazendo sobre o Governador do Df, é porque a coisa deve ser muito grande, envolve autoridades do alto escalão, pouca vergonha poristo que o df ta esta porcaria.

  5. Maria

    -

    26/03/2012 às 10:50

    é lamentável o silêncio da Procuradoria em relação ao Governo Agnelo, nunca houve tantas denuncias como agora, por muito menos o Arruda foi preso e expulso do partido. Como explicar tanto silêncio?

  6. Anti petralha

    -

    26/03/2012 às 10:21

    O ratão do cerrado só não foi enjaulado ainda por ser blindado pela turma do PT, que já não sabe mais o que fazer com esse animal. Para quem não se recorda, o ratão é um neófito no PT e estranhamente derrubou uma outra figura proeminente do PT local, Geraldo Magela. Para um observador mais atento o fato desse ratão ter conseguido ser indicado o candidato do PT ao governo do DF só tem uma explicação: esse animal da família “ratus agnelius” estava com as burras cheias de dinheiro, e por essa razão deu uma rasteira nos outros postulantes ao cargo, inclusive com o aval do outrora presidente, um animal bem conhecido, “ratus lulus muluscus”. Só poderia dar nisso!

  7. duduvieira10

    -

    26/03/2012 às 8:17

    Prezado LJ;
    Os efecientes Procuradores e Promotores federais estão sofrendo de aminésia total, nesse país não existe alguém no poder mais enrolado do o governador do DF, ele está mais sujo do que pau de galinheiro, quando em fins os jovens promotores acordarem de seu sono profundo e bota a mão na massa pra valer vai ser titica pra todos lados.

  8. Osvaldo Aires

    -

    26/03/2012 às 8:03

    A Justiça na – OAB?

 

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