02/08/2012
às 11:48 \ FolhetinescasDecotes de ‘Gabriela’ desafiam a moda

Glória (Suzana Pires): "Os homens pecam até sem querer. Só de olhar", escreveu Jorge Amado (Divulgação)
Muito competente na reconstrução dos anos 1920, o figurino de Gabriela (Globo, 23h) faz uma concessão especial a mando do próprio Jorge Amado: o uso de decotes.
Banidos da moda recatada e retilínea da época e também pelo puritanismo vigente em Ilhéus, eles são permitidos apenas a duas personagens, Gabriela (Juliana Paes) e Glória (Suzana Pires). No caso delas, o que se vê na tela na TV, no trabalho da figurinista Labibe Simão, é puro reflexo dos tantos parágrafos e até de um poema que Jorge Amado dedicou a descrever seus seios.
Teúda e manteúda do Coronel Coriolano (Ary Fontoura), a “moça da janela” é como um enfeite na paisagem da praça da cidade e uma afronta à moral e aos bons costumes da sociedade local. “Glória debruçava-se à tarde na janela, os robustos seios empinados como uma oferenda aos passantes”, escreveu o autor.
Fora Gabriela, que tem os vestidos simples de cozinheira invariavelmente desabotoados no busto, nenhuma outra personagem feminina mereceu tantas linhas dedicadas aos seus atributos físicos como Glória, aquela que fazia os homens pecarem até sem querer – “só de olhar.”
Para compô-la como o autor descreveu, a figurinista recorreu a peças já fora de moda na época, como espartilhos que marcam a cintura, por exemplo. “Ela não quer esconder nada, pelo contrário, quer ser sensual”, diz Labibe, que reservou as cores quentes para a moça, com vermelho até nos sapatos – mas nos pés dela, com certeza, quase ninguém reparou.
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Tags: Gabriela, Glória novela Gabriela, Juliana Paes, Suzana Pires



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