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Senhora do Destino

13/05/2012

às 11:32 \ É página virada

Mãe de novela não é “tudo igual”

Se o clichê “mãe é tudo igual, só muda o endereço” não se confirma na vida real, que dirá nas novelas, gênero no qual a criatividade dos autores já deu origem a todo tipo de mãe – das dedicadas às relapsas, das amorosas às cruéis, das sábias às tresloucadas. Mãe que é mãe é capaz de sustentar uma trama sozinha, porque basta um nascimento para – como em Bebê a Bordo (1988) e Barriga de Aluguel (1991) – uma história se desenvolver e emocionar.

E já que as mães não são todas iguais, o Quanto Drama! aproveita o segundo domingo de maio para deixar aqui registrada uma pequena porção do que é a “mãe brasileira de novela”, em toda sua diversidade.

→ Mãe coragem

Um filho perdido, uma mãe corajosa e, pronto, já se tem uma novela. A Maria do Carmo (Susana Vieira) de Senhora do Destino (2004), tinha o pesar da filha que lhe fora roubada, mas o alto astral de uma mãe brasileira típica. Como ela, mas muito mais chique, lembre-se de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro), de Passione (2010), que levou 50 anos para reencontrar o filho Totó (Tony Ramos), e da Verbena (Ana Lúcia Torre), da atual novela das 6, Amor Eterno Amor, que esperou 30 anos por Rodrigo (Gabriel Braga Nunes).

Na cena abaixo, o reencontro de Maria do Carmo e Lindalva (Carolina Dieckmann), a filha que lhe foi tirada e criada pela temível Nazaré Tedesco (Renata Sorrah):

→ Mãe de filho ingrato

Pelo nome da novela – Meus Filhos Minha Vida (1984,SBT) – já dá para imaginar parte do sofrimento pelo qual a protagonista passa. Interpretada de maneira emocionante por Miriam Pires, a faxineira Luzia Santos Silva era uma viúva batalhadora que não media esforços para criar os três filhos – três trastes, para desespero da heroína. Antes dela, houve a Dona Xepa (Yara Cortes), da novela homônima de 1977, feirante e mãe de dois filhos que sentiam vergonha dela. No ano passado, duas novelas trouxeram esse tipo de trama: Morde & Assopra, com a Dulce (Cássia Kis Magro), e Fina Estampa, com a Griselda (Lilia Cabral).

Nesta cena, Luzia recebe uma carta frustrante do filho Pedro (Carlo Briani):

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12/03/2012

às 11:30 \ Bastidores

‘Avenida Brasil’: Adriana Esteves revisita Nazaré

Adriana Esteves como Caminha: a vilã de 'Avenida Brasil' promete (Divulgação/TV Globo)

Prestes a voltar à TV em Avenida Brasil, Adriana Esteves tem repetido nos bastidores que  a vilã Carminha deve ser a personagem mais difícil de toda a sua carreira, que já soma 20 anos. A expectativa em torno da novela de João Emanuel Carneiro que substituirá Fina Estampa no dia 26 e da personagem da atriz, descrita como “dissimulada, amoral e sexy”, é grande.

Mas, por enquanto e pelo que se vê nas chamadas, Carminha lembra – e muito – a jovem Nazaré Tedesco, que Adriana interpretou na primeira fase de Senhora do Destino, em 2004. Fora o visual e o fato das duas personagens serem dissimuladas, amorais e sexy, há mais coincidências.

Adriana Esteves foi Nazaré Tedesco na primeira fase de 'Senhora do Destino', em 2004 (Divulgação/TV Globo)

Para prender o amante (Zé Carlos/Tarcísio Filho), Nazaré forja uma gravidez e sequestra um bebê, que cria como filha dos dois. Anos depois, descoberta a farsa, ela dá um jeito de provocar a morte do marido.

Mesmo sem sequestrar ninguém, é o que Carminha acabará fazendo em Avenida Brasil: vai enganar o marido Genésio (Tony Ramos) – “honesto e trabalhador” como o Zé Carlos de Senhora do Destino – e provocará morte dele. E, como Nazaré fez com a enteada Cláudia (Leandra Leal), Carminha também será malévola com a filha de Genésio, a pequena Rita (Mel Maia): vai abandoná-la num lixão, sem piedade.

A partir daí, as tramas seguem rumos diferentes, claro. Num salto no tempo, Rita voltará como Nina (Débora Falabella), e o fio condutor da novela passa a ser a vingança.

11/03/2012

às 10:00 \ Folhetinescas

Tereza Cristina: ela não existe

Tereza Cristina atira Fred (Marcos Vieira) escada abaixo, para desespero de Crô (Marcelo Serrado): aprendeu com a a Nazaré (Renata Sorrah) (Divulgação)

Quando Tereza Cristina (Christiane Torloni) serviu um rato morto numa bandeja de prata para a filha Patrícia (Adriana Birolli) em Fina Estampa, cheguei a me perguntar: “Onde ela conseguiu um rato, credo?”, pensando no lado operacional da maldade. Porque mesmo se eu quisesse server um rato morto a alguém, jamais saberia onde encontrar um. Mas, que nada. Tereza Cristina não é real – os ratos mortos, as camisolas de seda e os robalos saltam de uma cena para a outra, de maneira que só pode ser deliberadamente inverossímil.

Antes da novela começar, o autor Aguinaldo Silva me disse que seria uma história absolutamente ficcional. E que Tereza Cristina superaria em maldade até mesmo a mais querida das vilãs, Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), que ele criou para Senhora do Destino em 2004. Na reta final da novela, pode-se dizer que, sim, Tereza é mais cruel que Nazaré. Mas, talvez por isso, é menos humana.

Nazaré (Renata Sorrah): ecos da "raposa loira e felpuda) (Divulgação)

Nazaré fez tudo o que fez com a “anta nordestina” (Maria do Carmo/Suzana Vieira), porque ela louca pela filha que sequestrou dela, Isabel (Carolina Dieckmann). E por que afinal Tereza Cristina odeia Griselda (Lilia Cabral)? Por que ela tem bigode?

Tereza é uma mulher sem razão e uma sucessão de exageros que, pensando bem, combina com estes tempos de Mulheres Ricas. O que mais pode chocar e chamar a atenção senão a alegoria? É justamente o exagero que a aproxima do publico, somado ao texto cortante de Aguinaldo, a presença exuberante de Christiane Torloni e a parceria divertida com Marcelo Serrado, o mordomo Crô.

O alardeado “segredo de Tereza Cristina” há de trazer alguma resposta sobre a alma enigmática da “pitonisa de Tebas”. De onde veio essa mulher, gente?

 

Tereza Cristina traz vários elementos das vilãs mais marcantes da carreira de Aguinaldo. Ela é esnobe, surtada e elegante como a Maria Regina (Letícia Spiller) de Suave Veneno (1999) e a Altiva (Eva Wilma) de A Indomada(1997). E liberta, sexy e imprevisível como a Nazaré de Renata Sorrah.

Maria Regina (Letícia Spiller), em 'Suave Veneno': suicida

Todas elas, sinto dizer, pagaram com a morte os crimes que cometeram durante suas novelas: numa tentativa de matar a mocinha, Altiva acabou queimada; cercada pela polícia, Maria Regina atirou o carro no precipício; Nazaré, em grand finale, atirou-se de uma ponte. Será que Tereza Cristina terá um final digno de “rainha do Nilo”?

 

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