29/06/2012
às 13:11 \ FolhetinescasE tudo termina bem em ‘As Brasileiras’

Fernanda Montenegro (Mary Torres) e Paulo José (Rômulo): diálogo no carro foi ponto alto (Ique Esteves/Divulgação)
Em conversa com o blog publicada na última quarta, Fernanda Montenegro perguntou o que seria dela se, depois de 60 anos de carreira, não tivesse um tanto de bajulação ou alguém a passar-lhe a mão na cabeça. Mas não deve ser vista como bajulação a constatação de que Maria do Brasil foi o melhor episódio da temporada de As Brasileiras, que terminou ontem a primeira temporada na Globo.
A história da atriz veterana mas sem talento que se vê incapaz de agradar manteve equilíbrio delicado entre o cômico e o lírico, nos bons diálogos entre Mary Torres (Fernanda Montenegro) e seu camareiro Ney (Pedro Paulo Rangel). “Faltou um pouco de brilho, talento”, concluiu a personagem que, apesar da falta de aptidão, só queria atuar – de cortar o coração. Gracioso também o final reservado à personagem, que encontrou em RIomulo (Paulo José) um fã – toda estrela deve ter o seu. A cena dos dois dentro do carro antigo, ela aflita para decorar a única fala que teria na filmagem da novela, deve estar entre as mais belas do ano na TV.
Mas nem todos os 22 episódios tiveram boa solução como o último. Alguns deram a impressão de apressar o final para caber nos 20 minutos, caso de A Viúva do Maranhão, com Patrícia Pillar. O formato, que voltará com algumas mudanças no ano que vem, é charmoso ao ancorar cada um dos episódios no carisma – e em alguns casos na sensualidade – de uma atriz. Nem todas, entretanto, deram sorte com seus enredos. Juliana Alves, A Mascarada do ABC, apareceu contando história para boi dormir, enganando o marido como uma stripper mascarada – mais inverossímil impossível e, pior, sem muita graça.
Entre as melhores, Ivete Sangalo, de veia cômica natural, divertiu como A Desastrada de Salvador; Letícia Sabatella revelou-se para a comédia em A Apaixonada de Niterói; Mariana Ximenes arrasou como A Adormecida de Foz do Iguaçu. Sandy foi bem como A Reacionária do Pantanal e Glória Pires também como A Mamãe da Barra, atuando ao lado das filhas. Nenhuma paulistana poderia aprovar o sotaque forçado da carioca Giovanna Antonelli como A Venenosa de Sampa, mas não é por isso que se deixa de reconhecer na perua interpretada por ela algumas de nossas conterrâneas.
Com gravações por todo o país numa produção grandiosa, o mosaico de beldades ficou interessante no fim das contas. E encerramento feito por Fernanda Montenegro deixou a sensação de que os acertos prevaleceram. É bem como disse Pedro Paulo Rangel na ultima cena: tudo bem quando termina bem.
E qual é sua “brasileira” favorita? Deixe seu comentário.
* Abaixo, veja um making-of da charmosa abertura, feito pela Lereby, a produtora do idealizador e narrador da série, Daniel Filho. “As pessoas veem todas essas mulheres juntas e pensa que é uma briga de egos, mas nada disso…”, diz Juliana Paes, A Justiceira de Olinda:
Tags: As Brasileiras, Daniel Filho, Fernanda Montenegro, Giovanna Antonelli, Glória Pires, Ivete Sangalo, Mariana Ximenes, Sandy




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