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O Astro

29/10/2012

às 15:07 \ Folhetinescas

Gabriela é a Emanuelle da TV

Nacib (Humberto Martins) perdoa Gabriela (Juliana Paes): como dizem, fazer as pazes é sempre melhor (Reprodução)

Foi a Gabriela rebelde de 1975 que introduziu o nu feminino nas telenovelas quando os amantes Juca (Pedro Paulo Rangel) e Chiquinha (Cidinha Milan) são pegos em flagrante na cama e jogados na praça de Ilhéus sem roupas. Filmada de longe, entretanto, apenas sugeriu e quase nada revelou. Por coincidência, 37 anos depois é a mesma história de Jorge Amado que vem demonstrar o interesse do público pelo erotismo leve das novelas.

O último capítulo da adaptação escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Mendonça Filho alcançou respeitáveis 30 pontos, marca excelente se considerarmos que era uma sexta-feira e que o Ibope da novela das 21h, o programa de maior audiência no país, foi de 31 pontos naquele dia.

Mas são as redes sociais que dão a total dimensão desse escândalo positivo que foi o desfecho de Gabriela: numa cena bastante erótica e sensorial, digna do delírio de uma Emmanuelle, a protagonista Juliana Paes parecia deixar-se revelar mais do que nos outros 76 capítulos e instantaneamente subiu ao TT’s nacional do Twitter. “Coração apertado… Fico só lendo vocês! Foi um prazer! Adeus, Bié”, escreveu Juliana no seu perfil logo que a novela começou.

Anabela (Bruna Linzmeyer): nu frontal é raro na teledramaturgia (Reprodução)

Ela deve ter lido de tudo: desde elogios entusiasmados dos admiradores, cumprimentos de mulheres pela boa forma invejável e cantadas daquelas que se ouvem ao passar na frente de uma obra. Foi assim com todas as atrizes do elenco que apareceram nuas na novela, a começar por Leona Cavalli, a quenga Zarolha, com seios de fora logo na primeira cena, e Bruna Linzmeyer, a Anabela, que dançou no Bataclã com direito a nu frontal, coisa rara na telematurgia para mulheres e ainda inédita para homens.

Em quase quatro décadas de nu na teledramaturgia, muita coisa mudou na oferta  de gente pelada por aí. Depois da cena singela dirigida por Walter Avancini na Gabriela de 1975, a nudez virou arma de audiência na década de 1980 e começo dos anos 1990, com as produções recheadas de beldades da TV Manchete, como Dona Beija (1986), e os banhos de cachoeira de Maitê Proença, a primeira a de fato aparecer nua numa novela, e a ode à natureza de Pantanal (1991), entre tantos títulos.

A Globo contra-atacou, entre tantos exemplos, com a minissérie Boca do Lixo (1990), com a Isadora Ribeiro na abertura de Tieta (1989) e o traseiro do modelo Vinícius Mane na abertura de Brega & Chique (1987). Primeiro nu masculino, acabou coberto por uma folha de parreira e depois novamente liberado.

Com pornografia à vontade na internet e canais específicos na TV a cabo, não parecia ser mais novidade mostrar um naco a mais de pele na TV aberta – ou necessário, já que com a derrocada da Manchete em 1999, a emissora teve sossego na teledramaturgia. Outra barreira foi classificação indicativa. Em 1991, Patrícia Pillar mostrou os seios na novela das 18h Salomé, mas em 2008, Aguinaldo Silva teve de atear fogo no bordel de Duas Caras por causa das apresentações de Alzira (Flávia Alessandra) no poste, sob a ameaça de a novela ser classificada para depois das 22h – nas novelas das 21h, a nudez se tornou ingrediente de risco, nem sempre gerando polêmica positiva. Dessa forma, cenas picantes foram reservadas às minisséries e, mesmo assim, passaram a ser pouco frequentes.

Com a mão no bolso: em 1987, abertura de 'Brega & Chique' teve folha de parreira, retirada depois (Reprodução)

Com a criação da faixa das 23h, inaugurada no ano passado com o remake de O Astro, o erotismo voltou como experimentação do diretor Mauro Mendonça Filho.  O bafafá após a exibição das cenas mais ousadas denunciou um certo conservadorismo do público, mas também demonstrou que a curiosidade sobre a nudez e a sua capacidade de atrair atenção para uma trama não mudou – ainda mais quando se trata de estrelas como Alinne Moraes e Juliana Paes.

Um ano mais tarde, com o respaldo de Jorge Amado, autor de histórias reconhecidamente sensuais, o “sexo com história” voltou com tudo à TV. E a mesma Gabriela  que rendeu o primeiro nu feminino termina agora como a novela mais erótica de todas – os moradores da Araxá de Dona Beija (Maitê Proença) e os tuiuiús do Pantanal de Juma Marruá (Cristiana Oliveira) certamente não viram tanto Gabriela, as meninas do Bataclã e até as recatadas Malvina (Vanessa Giácomo) e Gerusa (Luiza Valdetaro) deixaram o povo de Ilhéus ver.

Abaixo, você revê a abertura de Brega & Chique (1987), sem censura. E a famosa cena sequência em que Maitê Proença cavalga nua pelas ruas de Araxá na novela Dona Beija (Manchete, 1986), erotismo inédito para a época.

 

08/10/2012

às 13:12 \ Bastidores

‘O Astro’ é indicada ao Emmy Internacional

Rodrigo Lombardi como Herculano Quintanilha em 'O Astro': pé quente (Divulgação/Globo)

Depois de vencer em 2009 com Caminho das Índias, a Rede Globo concorrerá mais uma vez na categoria telenovela no Internacional Emmy Awards, o mais prestigiado prêmio da TV mundial, com O Astro. O anúncio foi feito na manhã de hoje, durante o MIPCOM, feira dedicada ao mercado televisivo que ocorre anualmente na França.

Na 40º edição do prêmio, a emissora recebeu outras quatro indicações, entre elas Arts Programming, na qual vai concorrer com o especial Por Toda a Minha Vida, dedicado ao compositor Cartola. É a sexta vez consecutiva que o programa é indicado – antes, foram os dedicados a Elis Regina (2007); Nara Leão (2008); Mamonas Assassinas (2009); Cazuza (2010) e Adoniran Barbosa (2011).

O Emmy Internacional Awards premia anualmente produções não-americanas das mais variadas áreas. Os vencedores serão anunciados em uma cerimônia em Nova York, no dia 19 de novembro.

Remake da histórica novela de Janete Clair de 1978, O Astro, escrita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro e com direção-geral de Mauro Mendonça Filho, inaugurou a faixa das 23h de novelas na emissora e, curiosamente, teve Rodrigo Lombardi como protagonista, assim como a também vencedora Caminho das Índias, de Glória Perez. No ano passado, a Globo venceu ainda na categoria com a co-produção Laços de Sangre, levada ao ar em Portugal pela SIC, escrita pelo português Pedro Lopes com supervisão do brasileiro Aguinaldo Silva.

Veja abaixo as indicações:

- Categoria Arts Programming: ‘Por Toda a Minha Vida – Cartola’

- Categoria Comedy: ‘A Mulher Invisível’

- Categoria Non-scripted Entertainment: ‘Planeta Extremo’

- Categoria Telenovela: ‘O Astro’

- Categoria TV Movie: ‘Homens de Bem’

02/07/2012

às 12:59 \ Entrevista

“O brasileiro ainda é provinciano no sexo”, diz diretor de ‘Gabriela’

Gabriela (Juliana Paes) e Nacib (Humberto Martins): "Ela gosta de transar, e é preciso representar esse fogo", anota Mauro Mendonça Filho (Divulgação/TV Globo)

Não se pode dizer que toda a liberdade de Gabriela ainda choque alguém que, desavisado, assista à nova adaptação do romance de Jorge Amado, exibida no horário das 23h da Globo. Espanto mesmo é perceber que 37 anos depois da primeira Gabriela, 26 anos depois de Dona Beija e 22 anos depois de Pantanal, a nudez e o sexo na TV aberta ainda causam tanto barulho, curiosidade e piadas, especialmente nas redes sociais. “Acho que o brasileiro ainda é provinciano em assuntos de sexo”, diz o diretor Mauro Mendonça Filho em conversa com o blog.

Com obras que marcaram época no currículo, como Renascer (1993) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998), o diretor vem testando limites desde o ano passado, quando comandou o remake de O Astro, que inaugurou o horário das 23h como um espaço para “novelas adultas”. Com uma carga de sensualidade que não havia no original de 1978, não é exagero dizer que a novela acabou chamando mais atenção pelo desfile de beldades como Ellen Roche e Guilhermina Guinle do que pela história do protagonista Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi).  “Em O Astro, a gente testou os limites da ousadia – e há limite. Mas Gabriela é naturalmente mais ousada, a história pede essa sensualidade mais marcada”, observa.

A começar pela luz e a ambientação, O Astro e Gabriela são totalmente diferentes. Fora o horário, você vê uma identificação entre os dois projetos que comandou?

O Astro se aproxima mais de Gabriela do que o contrário. O Jorge Amado sempre foi um autor  adulto, que sempre desmascarou a hipocrisia, seja sexual, política ou de exploração da miséria. A primeira versão de Gabriela já foi uma novela das 22h. Jorge Amado tem sido pouco adaptado no cinema, e a televisão tem a vantagem de que tudo pode parecer muito novo, então ele pode ser novidade para muita gente. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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