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Miguel Falabella

09/12/2014

às 12:33 \ Fotonovela

Mudanças na reta final de ‘Sexo e as Negas’

No episódio desta terça (9), Zulma (Karin Hils) comemora o nascimento de José ao lado de Elder (Rafael Zulu)

No episódio desta terça (9), Zulma (Karin Hils) comemora o nascimento de José ao lado de Elder (Rafael Zulu) (Divulgação)

Massacrada na internet por uma campanha que a acusa de racismo, a série Sexo e as Negas chega nesta terça (9) ao penúltimo de seus 13 episódios com mudanças decisivas na vida das protagonistas. Em clima de “dias melhores virão” e depois de um namoro mais do que quente com Elder (Rafael Zulu), Zulma (Karin Hils) comemora o nascimento do primeiro filho, José.

Jesuína (Claudia Jimenez) também terá boas surpresas, como a chegada de um pretendente, Alfredo (Adriano Garib), que entra em sua vida por meio de um “site de relacionamentos maduros”. Em mais uma vitória em sua luta cotidiana para melhorar de vida, Tilde (Corina Sabbas) recebe do professor Nelson (Fernando Eiras) a notícia de que foi indicada para uma vaga de intercâmbio no exterior. De operária desempregada no começo da trama, ela poderá passar a acadêmica, o que prova que a dramaturgia precisa de espaço e conflitos para desenvolver a trajetória de um bom personagem. E haja conflito: agora, ela terá de decidir entre estudar matemática na Índia ou casar com Vinagre (Frank Borges).

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17/09/2014

às 13:20 \ Folhetinescas

‘Sexo e as Negas’ diverte e expõe o ridículo do racismo

Num clima The Marvelettes, as protagonistas encerraram o episódio de estreia, que não fugiu da polêmica do racismo (Divulgação)

Num clima The Marvelettes, as protagonistas encerraram o episódio de estreia, que não fugiu da polêmica do racismo (Divulgação)

Nada como esperar a estreia de um programa para criticá-lo ou aplaudi-lo. Após um lançamento marcado pela tentativa de censura prévia sob acusação de racismo, o seriado Sexo e as Negas (Globo, 23h30) mostrou enfim a que veio: é um retrato positivo e franco da mulher batalhadora, bem-humorada e vaidosa, que tem orgulho de ser quem é.

Se Soraia (Maria Bia), Zulma (Karin Hills), Lia (Lilian Valeska) e Tilde (Corina Sabbas) representam as mulheres negras brasileiras ou não é um tema para páginas e páginas. Mas levemos em conta que a maioria das mulheres negras brasileiras está nas classes C e D. O programa é protagonizado, portanto, por tipos verossímeis, o que faz dele um acerto como entretenimento.

O autor escolheu pontos-chave do seriado americano que o inspirou, Sex and the City, e os transpôs com graça e inteligência de Manhattan para a Cidade Alta do Cordovil, complexo de favelas e conjuntos habitacionais na zona norte do Rio. Uma ao lado da outra, as meninas dão a mesma caminhada que foi a marca registrada de Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha durante as seis temporadas na HBO e são tão marrentas e levemente atrapalhadas quanto as personagens novaiorquinas. Outro ponto em comum – e não muito louvável – é a exaltação da mulher por meio da má conduta do homem. Mas quem nunca ouviu um sujeito dizer que “elas são doidas pra engravidar e garantir pensão” que atire a primeira pedra.

Também na cola de 'Sex and the City' e com pitadas de 'Desperate Housewives', o canal americano Lifetime exibe desde o ano passado 'Devious Maids', sobre domésticas latinas que trabalham para ricaços de Bervely Hills – todo poder as batalhadoras e tudo para agradar ao público-alvo (Divulgação)

Também na cola de ‘Sex and the City’ e com pitadas de ‘Desperate Housewives’, o canal americano Lifetime exibe desde o ano passado ‘Devious Maids’, sobre domésticas latinas e charmosas que trabalham para ricaços de Bervely Hills: todo poder às batalhadoras – e tudo para agradar ao público-alvo (Divulgação)

Faltou dar uns goles num Cosmopolitan, mas não a diversão no fim da noite – veja como, pelo menos na ficção, o Cordovil pode ser tão fervido quanto o Soho. E tem o seu Mr. Big. No original americano, o personagem de Chris Noth é o homem dos sonhos de Carrie (Sara Jessica Parker). Na versão de Falabella, ele é o paquera de Jesuína (Claudia Jimenez). “Big é grande em inglês”, explicou, dando ênfase ao duplo sentido.

Durante a discussão sobre racismo que envolveu o seriado na última semana, muito se falou sobre a função social da TV, que deveria educar e blablablá. Mas, digamos melhor, dar formação cultural não pode ser feito por meio de uma cartilha, com conceitos politicamente corretos mastigados. Quem deixou a crítica rabugenta de lado ontem e assistiu a Sexo e as Negas teve, logo na primeira cena, contato com a história da Cidade Alta de Cordovil, nascida na zona norte com a remoção dos moradores da Favela da Praia do Pinto, as margens da elegante Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, que sofreu um terrível incêndio em 1968. Nos dias de hoje, como revelou o Radar on-line, a equipe da Globo desistiu de gravar no lugar por causa da violência. Ambientar uma história no bairro é uma premissa interessante, que merecia atenção.

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Houve ainda uma crítica contundente às dificuldades de mobilidade dos trabalhadores que vão da periferia para o centro. O nó em pingo d’água que as amigas dão para comprar um carro usado é o “rir para não chorar” diante do crescimento no número de veículos. Na rádio comunitária, Jesuína diz questiona: “Como sua vida vai para a frente se te tiram o direito de ir e vir?” O alívio cômico vem do depoimento de Zulma: “Quando quase todo mundo mora longe de você, aí meu amor, fica difícil arrumar um homem”, diz para a câmera, levantando a questão da solteirice difícil de resolver nos tempos atuais.

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No Twitter, entre muitos elogios, o seriado recebeu críticas sobre o perfil saliente das meninas – como se não fossem usuais os comentários sobre sexo entre amigas da vida real – e as pérolas mais clichês de todos os tempos ditas pelos personagens masculinos – como se os machistas de plantão não estivessem por aí, nas esquinas da vida.

Parte do público brasileiro ainda tende a confundir o que um autor escreve para um personagem e o que ele pensa realmente. Escrever ficção é criar conflito – impressionante estarmos discutindo isso após 60 anos de teledramaturgia, mas vá lá. Por isso, a série não poderia prescindir de diálogos machistas e racistas. Mas é claro que eles são espelho da realidade – é nesta que precisamos agir. O ridículo do racismo apareceu nas cenas, como parte do cotidiano das personagens e em suas conversas. “Quatro pretas dentro de um carro velho? Vamos ser paradas pela polícia”, debochou Zulma. Cenas depois, na churrascaria onde trabalha, Lia ouve do cliente: “Morena, avisa lá que eu gosto de carne bem passada. Bem passada mesmo, quase preta.”

Como não poderia ser diferente, Sexo e as Negas teve sexo, claro, porque faz parte da vida adulta e cabe bem num programa que vai ao ar depois das 23h30. Foi de bom gosto e com direito a muitos assobios para Rafael Zulu (Elder) nas redes sociais. De quebra, as moças cantam no final, num clima The Marvelettes – um charme.

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15/09/2014

às 15:23 \ Folhetinescas

Falabella, “as negas” e a polêmica

Miguel Falabella entre as protagonistas de 'Sexo e as Negas' – Maria Bia (Soraia), Karin Hils (Zulma), Lilian Valeska (Lia) e Corina Sabbas (Tilde): ao mesmo tempo em que cobra mais participação dos negros na TV, campanha tenta levar a censura prévia do seriado, estrelado por maioria negra (Divulgação)

Miguel Falabella entre as protagonistas de ‘Sexo e as Negas’ – Maria Bia (Soraia), Karin Hils (Zulma), Lilian Valeska (Lia) e Corina Sabbas (Tilde): ao mesmo tempo em que cobra mais participação dos negros na TV, campanha tenta levar à censura prévia do seriado, estrelado por maioria negra (Divulgação)

Até o telespectador mais acostumado as polêmicas que correm como fogo de palha na internet por causa de programas de televisão deve ter se surpreendido com a repercussão alcançada pelo bloco dos descontentes com o anúncio de Sexo e as Negas, seriado de Miguel Falabella que estreia amanhã na Globo.

Paródia com pano de fundo suburbano do seriado americano Sex and the City (HBO), vai mostrar a vida de quatro mulheres negras numa favela da zona norte do Rio. De antemão, seria o caso de festejar a abertura de um grande espaço para atores negros na TV, como protagonistas. E rir do trocadilho que o autor tirou da mistura do título original com uma gíria que circula no Rio da zona norte a zona sul – “as nêga”, dizem as cariocas, de negras para negras, de negras para brancas, de brancas para brancas.

Mas desde a semana passada cresce nas redes sociais uma campanha pelo boicote do seriado, com direito a denúncias por racismo na Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Começou com a implicância com o título – “Não somos suas negas, Falabella”, postam as incomodadas – e, agora, mira na profissão das personagens – cozinheira, recepcionista, camareira e operária desempregada –, que reforçariam a imagem da serviçal sensual.

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Todos os argumentos sobre as poucas oportunidades para atores negros na TV são fortes e é verdade que já demora demais uma solução que amplie a imagem do afrodescendente além do estereótipo. Mas não é um contrassenso pedir mais papéis para atores negros e, ao mesmo tempo, tentar impedir que vá ao ar um programa estrelado por maioria negra?

Precisamos ver negros protagonistas de suas histórias e é isso o que deve estar em primeiro lugar quando estamos no campo da ficção. A profissão é apenas um dos ingredientes, o que vale são os sentimentos envolvidos e a luz que se põe sobre a vida do personagem em questão.

Claro que  Soraia (Maria Bia), Zulma (Karin Hills), Lia (Lilian Valeska) e Tilde (Corina Sabbas) de Sexo e as Negas poderiam ser médicas, advogadas, esteticistas ou pertencer a qualquer profissão que não fosse configurada como serviçal. Mas por que, afinal, a doméstica não pode falar sobre sexualidade? Quem disse que as negras de Falabella são mulheres-objeto ou figuras com grande carga sensual?

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Vale dizer que, como em Sex And The City, as histórias não são sobre exatamente sobre sexo, mas sobre feminilidade na vida moderna. O primeiro episódio, por exemplo, trata da mobilidade urbana. Cansadas de pegar ônibus para chegar ao trabalho na zona sul, as personagens decidem para comprar um carro em conjunto. Elas são batalhadoras, não coitadinhas. Se bobear, vamos ver mulheres de mais garra do que as novaiorquinas da HBO. Mas se elas não forem é porque a ficção não precisa criar um tratado sociológico a cada vez que resolver passear por temas sensíveis para determinado grupo.

O mais irônico da situação é que Falabella sempre reservou espaço especial para personagens negros em suas novelas – e eles nunca passaram despercebidos. Veja abaixo uma amostra “das negas” do autor:

 

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Jacinta (Zezeh Barbosa), de ‘Salsa e Merengue’ (1996)

Quando a TV ainda nem sonhava com o fenômeno “empreguetes”, Miguel criou Jacinta para Salsa e Merengue, novela das 7 de 1996. Vivida por Zezeh Barbosa, foi um tipo bastante elogiado pela forte atitude em cena, espelhando a modernização dos empregados domésticos que explodiria nos nossos dias. Jacinta era governanta da ricaça Bárbara Amarante Paes (Rosamaria Murtinho) e ficou famosa por dizer o que pensa a patroa, que a tinha como braço direito e amiga.

 

 

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Latoya, (Zezeh Barbosa), de ‘A Lua Me Disse’ (2005)

“Não como chocolate, café nem feijão. Porque preteja”, dizia a Latoya de A Lua Me Disse, em 2005. Batizada Anastácia e utilizando-se de codinome inspirado pela irmã de Michael Jackson, a vilã tinha vergonha de sua negritude e gritava isso aos quatro ventos, ao mesmo tempo em que se metia em negociatas para tentar subir na vida.

 

 

 

 

 

 

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Tamanco (Mart’nália) e Marcão (Maurício Xavier), de ‘Pé na Cova’ (Mart’nália)

Mecânica lésbica, Tamanco fisgou Odete Roitman, a mulher mais bonita do Irajá de Pé na Cova, que estreou no ano passado. Não bastasse, num clima meio Modern Family tropicalista, casou-se com ela e adotou um garoto negro. Vale dizer que Odete era filha de Ruço, papel do próprio Falabella, que terminou o seriado ainda como avô de uma bebê oriental. Tamanco, não se pode esquecer, era irmã de Marcão (Maurício Xavier), mecânico durante o dia e travesti à noite.

09/09/2014

às 14:48 \ Entrevista

Falabella mistura ‘Sex and the City’ e Empreguetes em ‘Sexo e as Negas’

Miguel Falabella entre as protagonistas Maria Bia (Soraia), Karin Hils (Zulma), Lilian Valeska (Lia) e Corina Sabbas (Tilde): com mais humor e até mais atitude que suas correspondentes de Manhattan, elas enfrentam os problemas típicos da mulher moderna (Divulgação)

Miguel Falabella entre as protagonistas Maria Bia (Soraia), Karin Hils (Zulma), Lilian Valeska (Lia) e Corina Sabbas (Tilde): com mais humor e até mais atitude que suas correspondentes de Manhattan, elas enfrentam os problemas típicos da mulher moderna (Divulgação)

Com o mesmo olhar sensível que demonstrou ter sobre a vida no subúrbio e a morte em Pé na Cova, Miguel Falabella reflete agora sobre feminilidade e relacionamentos amorosos em Sexo e as Negas, seriado que estreia na Globo na próxima terça, dia 14, às 23h20 (ou “depois de Tapas & Beijos“).

Como o título já denuncia, é uma releitura de Sex And The City, série da HBO que contou, entre 1998 e 2004, as histórias de quatro solteiras de Manhattan. Na versão de Falabella, fã assumido de Carrie (Sarah Jessica Parker) e suas amigas, as protagonistas vivem na Cidade Alta de Cordovil, conjunto habitacional e de favelas localizado na zona norte do Rio, e batalham a vida com bem menos glamour que as correspondentes americanas – mas não com menos charme. “Estou falando de qualquer mulher. Mulheres que sonham. Sonham com um companheiro, em andar bem vestidas, em ajeitar os cabelos”, detalha o autor. “Só que elas são pobres, não têm condições. O tom da série, no entanto, é um tom divertido, amoroso, que é a minha linguagem de um modo geral.”

Cláudia Jimenez é Jesuína: ex-professora das protagonistas, ela é conselheira e narradora das aventuras (Divulgação)

Cláudia Jimenez é Jesuína: ex-professora das protagonistas, ela é conselheira e narradora das aventuras (Divulgação)

O formato “amigas diferentes entre si que se reúnem para falar da vida” vem sendo usado em diversas adaptações e paródias desde que produtor Daren Star resolveu levar o livro de Candace Bushnell para a TV no final dos anos 90. Podemos citar desde o filme Quatro amigas e um jeans viajante (2005), com protagonistas adolescentes, até Devious Maids, série da emissora ABC que tem um quarteto de domésticas latinas como heroínas. Mais ou menos nessa toada, o grupo de amigas de Sexo e as Negas é formado por trabalhadoras: Tilde (Corina Sabbas), operária que vive o drama do desemprego, Zulma (Karin Hils), camareira que resiste a firmar compromisso, Lia (Lilian Valeska), recepcionista de churrascaria que tem problemas com a filha e cria a neta, e Soraia (Maria Bia), cozinheira saliente em casa de família que tem um caso com o patrão. Num clima “empreguetes” de Cheias de Charme, ainda elas encenam uma espécie de delírio e se transformam em As Marvelettes, grupo vocal feminino de sucesso da mítica gravadora Motown no final dos anos 60.

Em vez de Carrie, quem narra as aventuras das amigas é Jesuína (Cláudia Jimenez), dona de um bar onde elas costumam se reunir. A personagem é uma criação muito feliz de Falabella por dois motivos: primeiro, porque conta-se que ela foi professora primária das quatro protagonistas, numa bela homenagem aos mestres das sofridas escolas do subúrbio; segundo, por ela representar os moradores pioneiros do conjunto habitacional popular do Cordovil, removidos para ali após um incêndio na Favela do Pinto, que ficava às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, em 1968. “Sempre fui fã de Sex and The City e queria fazer uma paródia brasileira”, explica o autor. Como sempre gostei da Cidade Alta de Cordovil, tenho amigos lá, frequento, minha camareira mora lá há anos, achei que seria engraçado fazer o seriado adaptado na Cidade Alta de Cordovil. Eu queria lançar um olhar lúdico sobre a comunidade.”

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06/05/2014

às 12:15 \ Fotonovela

‘Falabella pegador’ é sopro de frescor em ‘Pé na Cova’

No capítulo desta terça (6), Ruço (Miguel Falabella) seduz Luiziane (Laura Keller): abandonado, agente funerário sacudiu a poeira na nova temporada (Divulgação)

No capítulo desta terça (6), Ruço (Miguel Falabella) seduz Luiziane (Laura Keller): abandonado, agente funerário sacudiu a poeira na nova temporada (Divulgação)

No ano passado, Ruço (Miguel Falabella) começou Pé na Cova (Globo, terças, 23h) como o agente funerário que, ao completar 50 anos, passava a ser assombrado pelo medo da finitude. Essa melancolia marcou as duas temporadas do seriado e o lado doce do patriarca foi se acentuando até que ele se viu abandonado pela jovem esposa, Abigail (Lorena Comparato), no último capítulo. A rejeição, temperada com a retirada involuntária da adorável Darlene (Marília Pêra se recupera de um problema de saúde), modificou o homem. Agora, ele é bicho solto no Irajá.

Mesmo com a ausência de Darlene a se lamentar – lamento que, aliás, vem sendo muito bem usado no roteiro –, vale considerar que a nova fase de Ruço deu novo frescor à serie, acompanhado de uma gama de possibilidades. Ruço evoluiu como personagem, o que demonstra o depuramento de Falabella como roteirista. Não que alguém pudesse desconfiar da sua capacidade de criar humor depois de sucessos como Sai de Baixo (1996), Toma Lá, Dá Cá (2005), mas Pé na Cova é, sem dúvida, algo mais refinado – ainda que, curiosamente, o apelo popular esteja presente, coisa que não se via em A Vida Alheia (2010).

No episódio desta terça (6), além de uma recaída com a ex-mulher, ele vai conquistar Luiziane (Laura Keller), a stripper que anda cobrindo a licença-maternidade de Odete Roitman (Luma Costa).

As investidas românticas do protagonista acontecem no pano de fundo de um dos casos mais inusitados da funerária. O concurso Miss Irajá é abalado por um acidente trágico, que vitima duas candidatas. A organização, numa homenagem, decide continuar os trabalhos no cemitério – com Ruço e Clécio (Magno Bandarz) como jurados.

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19/03/2014

às 13:00 \ Eu faço drama

Miguel Falabella defende a “comédia da tolerância”

Na volta de 'Pé na Cova', Ruço (MIguel Falabella) vai passar pela histeria da juventude eterna. Terceira temporada estreia no dia 8 (Divulgação)

Na volta de ‘Pé na Cova’, Ruço (MIguel Falabella) vai passar pela histeria da juventude eterna. Terceira temporada estreia no dia 8 (Divulgação)

Para alguns, não é possível fazer comédia sem incomodar alguém. Mas a experiência de Miguel Falabella com a sua Pé na Cova, escrita e protagonizada por ele, demonstra o contrário. “Pé na Cova é a comédia da tolerância, por isso agrada tanto. Admite novas formas de amar e ser amado e eu acho que todos nós, no fundo, não gostamos da nossa intolerância e dos nossos preconceitos”, observou ele, durante o lançamento da terceira temporada, na noite desta terça (18), no Projac, no Rio. “Talvez isso faça com que o programa chegue tão forte nas pessoas.”

Sucesso quando surgiu, no começo do ano passado, o seriado perdeu um pouco o fôlego nos últimos episódios, mas mesmo assim ainda é um dos mais interessantes no opaco cenário dos humorísticos da emissora.

O programa recomeça no dia 8 de abril com os efeitos da separação de Abigail (Lorena Comparato) e Ruço (Miguel Falabella). Como se anunciou durante toda a segunda temporada, ela fugiu com Clécio (Magno Bandarz), a quem Ruço ajudara em clima de Os Miseráveis, de Victor Hugo. Agora, para piorar e porque em Pé na Cova desgraça pouca é bobagem, a ex-mulher vai usar o dinheiro que roubou de Alessanderson (Daniel Torres) para abrir a Santa Abigail, a funerária mais moderna do Irajá, potencial rival da F.U.I..

Entre ciúmes, brigas por causa dos negócios e a disputa pela guarda do pequeno Neymã, Ruço vai passar ainda por uma crise idade, mais uma vez influenciado pela morte – uma das boas sacadas do seriado é como a finitude se insere no cotidiano da família. “O Ruço vai começar a delirar com a idade eterna, quando um amigo que regula em idade com ele morre”, adiantou Falabella.

Nos braços da mulherada local, ainda mais após a partida de Darlene (Marília Pêra não participará da nova temporada), Ruço vai ser avô. Com Luma Costa grávida na vida real, a stripper Odete Roitman também terá um bebê no seriado.

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12/11/2013

às 19:22 \ Fotonovela

Médico cubano dá plantão no Irajá de ‘Pé na Cova’

Pablo (Alejandro Claveaux): perdido no Irajá o charmoso revolucionário detona uma greve de coveiros (Divulgação)

Pablo (Alejandro Claveaux): perdido no Irajá o charmoso revolucionário detona uma greve de coveiros (Divulgação)

Personagem do momento na vida real, em meio às discussões sobre o Programa Mais Médicos do governo federal, um médico cubano com pinta de amante latino aparece no episódio desta noite de Pé na Cova (Globo, 23h). Perdido no Irajá, Pablo (Alejandro Claveaux) pede abrigo na funerária de Ruço (Miguel Falabella) e acaba se envolvendo numa greve de coveiros.

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às 18:12 \ Fotonovela

Traição à vista em ‘Pé na Cova’

(Divulgação)

(Divulgação)

Enquanto, na cena acima, Tamanco (Mart’nália) tenta ensinar o serviço de mecânico a Clécio (Magno Bandarz), o ex-morador de rua só tem olhos para Abigail (Lorena Comparato) – justamente a mulher do boa praça que o acolheu, Ruço (Miguel Falabella). Vai ao ar no episódio de hoje do seriado, que a Globo exibe às 23 horas.

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às 17:58 \ Fotonovela

Em ‘Pé na Cova’, miséria pouca é bobagem

Com fome, Clécio (Bruno ) rouba um sanduíche e acaba amolecendo o coração de Ruço (Miguel Falabella) (Divulgação)

Com fome, Clécio (Magno Bandarz) rouba um sanduíche e acaba amolecendo o coração de Ruço (Miguel Falabella) (Divulgação)

Mais uma vez entre o popular e o refinado, Pé na Cova estreia sua segunda temporada nesta terça (1), às 23h, na Globo inspirada por um clássico da literatura mundial. Como um “Jean Valjean do Irajá”, Clécio (Magno Bandarz) é acolhido na casa de Ruço (Miguel Falabella) após ser pego tentando roubar um sanduíche das “cachorras quentes”, Soninja (Karin Hils) e Giussandra (Karina Marthin).

A referência a Os Miseráveis de Victor Hugo se confirma quando o recém-chegado tentar roubar algo muito mais valioso para Ruço do que talheres de prata: Abigail (Lorena Comparato), um tanto desiludida com a maternidade recente, vai se interessar por ele. O desequilíbrio na vida amorosa do casal é a oportunidade perfeita para a impagável Darlene (Marília Pêra) reconquistar o posto de primeira-dama, o que vai instalar um quadrilátero amoroso na funerária.

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Lésbicas adotam um filho no novo ‘Pé na Cova’

Tamanco (Mart'nália) e Odete Roitmann (Luma Costa): casadas, a mecânica e a stripper formam uma família moderna com Sermancino (Gabriel Lima) (AgNews)

Como se sabe, quem é vivo sempre aparece. E o pessoal da Funerária Unidos do Irajá vai reaparecer antes do que se imaginava. Com um tema bastante arriscado – a morte – e uma boa dose de tragicomédia, a ‘Família Addams suburbana’ criada por Miguel Falabella volta antes do ele mesmo poderia prever quando lançou a primeira temporada de Pé na Cova, no começo do ano – em 1º de outubro, uma terça-feira e não mais quinta, começa a ir ao ar a nova leva de episódios, no horário das 23h.

Mais à vontade para usar a receita que mistura humor negro e afeto familiar, o autor ousa um pouco mais: agora feliz e morando juntas, a stripper Odete Roitman (Luma Costa) e o mecânico Tamanco (Mart’nália) vão adotar um filho. A dica de que isso poderia acontecer, aliás, já havia aparecido em uma ou outra cena, quando o menino Sermancino (Gabriel Lima) se oferecia para carregar compras pelo bairro e dizia que sonhava ter uma família. Com isso, a personagem de Luma fica mais doce e menos mandona – mas continua muito sexy, já que tem de continuar botando pão na mesa. “A Odete é uma personagem muito imperativa. Agora, com o menino, ela mostra um lado maternal, fica mais calma. A maternidade traz isso pra ela”, conta a atriz.

Também em clima de maternidade, a jovem esposa de Ruço (Miguel Falabella), Abgail (Lorena Comparato) passará por uma tentação e tanto com a chegada de um novo personagem, Clecio (Magno Bandarz). Como no clássico Os Miseráveis, o sujeito é acolhido por Ruço em casa, mas acaba se tornando um problema. Darlene (Marília Pêra), que na primeira temporada andou tendo uma recaída de amor pelo ex-marido, aproveita a situação para, quem sabe, voltar ao posto de primeira-dama. “Ela é a primeira a defender o Ruço, pois logo percebe que Abgail está caidinha por Clecio”, adianta Marília.

Entre o absurdo que a maioria de nós jamais imaginaria acontecer e aquilo que se passa em qualquer lar onde esteja instalada uma família, Pé na Cova é a grande surpresa do ano na TV, ainda que tenha encerrado a primeira temporada com menos Ibope do que na estreia – passou de 17 a 13 pontos. Quando estreou, no final de janeiro, era uma incógnita até mesmo para o próprio Falabella, que chegou a dizer que, se o público não gostasse, passaria rápido porque seriam “só 20 e poucos episódios” – agora, lá vão mais 20 e poucos.

Embora a estrutura da família protagonista lembre sucessos anteriores do autor, como Sai de Baixo (1996) e Toma Lá, Dá Cá (2007), o seriado é um sopro de novidade na empoeirada estante de seriados da Globo, favorecido por um texto preciso, poético e, ao mesmo tempo, absurdo, além de belas atuações, a começar pela diva Marília Pêra – quem poderia imaginá-la como uma maquiadora bêbada de defuntos?

A maneira de apresentar a morte, como algo prosaico, humano e inevitável, é o que baixa o teor de humor e torna a série especial. “O programa não quer fazer graça pela graça em si, é uma família que existe aí pelo Brasil”, pontua Falabella. “O seriado é poético, e o contato com a morte traz uma humanidade muito grande para os personagens.”

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