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Miguel Falabella

16/03/2013

às 14:53 \ Maestro, uma nota

“Meus neurônios falam comigo”

(Divulgação)

É comovente, sem deixar de ser engraçada, a situação da pobre Luz Divina (Eliana Rocha) de Pé na Cova (Globo, quintas): com rendimentos quase zero e diagnosticada esquizofrênica, a vizinha de Ruço (Miguel Falabella) não tem dinheiro para o dispendioso tratamento – por isso, vive em surto. “Meus neurônios falam comigo”, garante ela, que vive a alegria dos loucos, mas incrementa a renda chorando em velório. “É só lembrar que a aposentadoria não dá pros remédios”, ensina a diva louca do subúrbio.

 

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28/02/2013

às 15:08 \ Fotonovela

Quem é vivo sempre aparece

Webson (Bernardo Mendes), o amigo nerd de Odete Roitman (Luma Costa) (Divulgação)

Depois de fazer sucesso entre as adolescentes como o Bodão de Malhação, na temporada de 2007, o ator Bernardo Mendes aparece hoje irreconhecível em Pé na Cova (Globo 23h20) como Webson, amigo nerd de Odete Roitman (Luma Costa) que vem ajudar Ruço (Miguel Falabella) a desvendar um mistério.

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Em ‘Pé na Cova’, um divertido elogio ao caos do subúrbio

O dono da Funerária Unidos do Irajá quer saber quem anda rabiscando mensagens nada simpáticas na porta do banheiro, que dão conta de que ele vem sendo traído. Webson vai instalar câmeras de vigilância no local – e em se tratando da FUI, dá para imaginar as bizarrices que o equipamento vai flagrar.

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15/02/2013

às 15:45 \ Folhetinescas

Em ‘Pé na Cova’, um divertido elogio ao caos do subúrbio

Ruço (Miguel Falabella) e seus agregados em 'Pé na Cova': retrato bizarro tem humor fino, apesar dos tipos populares (Divulgação)

A tentativa apressada de definir uma obra logo na estreia quase sempre passa pela comparação. Foi ela que levou à ideia de que Pé na Cova (Globo, quintas, 23h25) seria apenas uma versão de seriados anteriores de Miguel Falabella, como Toma Lá, Dá Cá, de 2007. Mas depois de quatro episódios, é certo dizer que o seriado é original, recheado de um humor inteligente que sobrevive ao apelo popular e, principalmente, consegue espelhar em pouco tempo o entrosamento dos atores e o amor que brota apesar da bizarrice dos personagens.

Apesar da morte que está no pano de fundo graças ao cenário da Funerária Unidos do Irajá (FUI), Falabella disse ao blog, pouco antes da estreia, que os laços da família de Ruço, seu personagem, estavam no plano principal. “A linha de afeto que os une  é apocalíptica – a filha se mostra na internet, o filho é um projeto de corrupto, é tudo do avesso. Mas eles se amam, e isso é provado o tempo todo. Mas não é um programa fofo”, observou.

Outras tantas famílias amalucadas já apareceram aos montes na TV. Dos Silva de A Grande Família de 1972 aos Tufões de Avenida Brasil no ano passado, a disfuncionalidade usada com a ideia de que “de perto ninguém é normal” é um recurso que não sai de moda. O pessoal do Irajá, no entanto, ousa dentro do que poderia ser mais do mesmo.

Luz Divina (Eliana Rocha): no episódio da semana que vem de 'Pé na Cova', Ruço (Miguel Falabella) vai parar dentro do caixão depois que Abigail (Lorena Comparato) inventa o "velório drive thru" (Divulgação)

Claro que isso tem a ver com o cenário da funerária e a morte que aparece como parte do cotidiano. A dureza da classe C completa a receita do seriado, e proporciona situações mais desconcertantes do que as de Toma Lá Dá Cá, por exemplo, ambientando na mais abastada Barra da Tijuca.

Luz Divina (Eliana Rocha), personagem inspirada numa vizinha que Falabella teve nos tempos em que morou na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, é uma esquizofrênica que vive em surto porque não tem dinheiro para comprar os remédios. Juscelino (Alexandre Zachia), o motorista do carro funerário, usa uma peruca deixada como herança pelo pai – sabe que é ridícula, mas quer manter o laço afetivo. Os irmãos mecânicos Tamanco (Martin’ália) e Marcão (Mauricio Xavier) são invertidos – ela é lésbica e ele, travesti.

O programa, é fato, tira onda com o povão, mas sem ridicularizá-lo, porque todos os personagens, dentro de suas maluquices, parecem pessoas boas, de valor – o que não deixa de ser um elogio ao subúrbio dentro do caos.

Dentro de casa, Ruço tem a ex-mulher, mais velha do que ele, Darlene (Marília Pêra) e a atual mulher, mais nova, Abigail (Lorena Comparato). Seria um caminho óbvio se as duas vivessem às turras e Darlene fosse uma megera a atrapalhar o novo casal, mas não. Elas convivem numa harmonia que, mesmo talvez impossível na vida real, não parece forçada.

Marília, não é surpresa, faz de Darlene uma boa figura. Ela não é uma bêbada de cair pelas calçadas, mas aquele tipo de gente que está sempre a dois palmos do chão, o que lhe dá uma aura que só mesmo uma atriz como Marília para carregar. Mas não há quem esteja mal em cena, valendo destacar ainda a bela Luma Costa como a intrigante Odete Roitman.

Pé na Cova, apesar de manter o Ibope do horário, não é uma série para agradar a todos. Mas é ruído na certa. E na TV cada vez mais presa a fórmulas ditas de sucesso, ruído do tipo que ela provoca deve ser sempre bem-vindo.

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31/01/2013

às 17:52 \ Eu faço drama

‘Pé na Cova’ tem ‘defunta’ ilustre

Laura Cardoso como a Tia Mozica de 'Pé na Cova': visita a funerária termina de maneira tragicômica (Divulgação/Estevan Avellar)

Se o centro da história está numa funerária, aparecer como o defunto da vez é posto de honra. Pouco depois de deixar a terrível e adorável Dona Dorotéia de Gabriela, que terminou em outubro, Laura Cardoso volta à TV como a Tia Mozica de Ruço (Miguel Falabella) no segundo episódio de Pé na Cova, nesta quinta-feira (23h25) na Globo.

A personagem, acompanhada da filha Vera Lúcia (Ângela Dip, também em participação especial), vem visitar o sobrinho na sua festa de 50 anos. Na noite anterior, Ruço sonha com dente, o que no seu ofício não pode ser considerado exatamente como um mau presságio, mas nem imagina que uma morte acontecerá dentro da própria família – Tia Mozica não deve chegar viva ao segundo bloco do programa.

A série, escrita e estrelada por Falabella, é como A Grande Família vista pelo avesso. Com humor negro, acompanha o balanço de vida de um sujeito que tira o sustento de uma funerária no subúrbio do Rio, rodeado por tipos perfeitos para povoar um  pós-apocalipse.

 

 

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24/01/2013

às 12:11 \ Entrevista

‘A gente ainda está com o tacape na mão’, alfineta Falabella

Miguel Falabella, como o Ruço de 'Pé na Cova': "O verdadeiro pano de fundo do programa é a tragédia da educação brasileira, que determina o que a gente pode falar na TV" (Divulgação)

Depois de domar a língua afiada e conseguir até ser fofo em Aquele Beijo, novela das 19h que escreveu em 2011, Miguel Falabella aproveita o horário de Pé na Cova – 23h20 – para se esbaldar no humor negro e na acidez. No seriado que estreia hoje na Globo, ele é o autor e o protagonista, Ruço, o dono de uma funerária no bairro do Irajá, zona norte do Rio, que tenta sobreviver em meio a uma família disfuncional que é o próprio espelho “deste nosso mundo apocalíptico”, como explica o autor.

Ignorantes e desvalidos, os personagens tiram graça – muita graça, pelo que se viu no clipe apresentado à imprensa – do que deveria fazer chorar. Não se trata de sadismo, mas da perspicácia do autor em pinçar e traduzir nossas bizarrices cotidianas, no melhor estilo “de perto ninguém é normal”.

Vistos pela lente de aumento do humor, entretanto, os personagens de Pé na Cova são anormais já de longe. A filha, Odete Roitman (Luma Costa) anda bancando o sustento da casa se exibindo numa webcam pela internet. O filho, Alessanderson (Daniel Torres), é um iletrado que quer ser vereador corrupto. Darlene (Marília Pêra), a ex-mulher, é alcoólatra e maquiadora de defuntos. Odete namora Tamanco, mecânica lésbica interpretada pela cantora Mart’nália, que divide o trabalho na oficina com o irmão Marcão (Maurício Xavier), travesti nas horas vagas.

Apesar dos absurdos, Falabella garante que esses tipos estão por aí na vida real. “Eu não acredito nas famílias de comercial de margarina – mas neles eu acredito”, diz, na conversa a seguir com o blog.

Marília é Darlene, a maquiadora de defuntos: "Eles são da 'nova classe média'", define Falabella (Divulgação)

A Fernanda Montenegro me disse outro dia que falta classe média na TV (leia aqui). A classe média deixou de ser engraçada?

Não. Toma Lá Dá Cá (2007), por exemplo, era classe média (o seriado era ambientado na Barra). Os personagens de Pé na Cova são classe média baixa, eu acho.

Você os identifica como classe C?


Sim. Tanto é que, no aniversário do Ruço, a Marília (Darlene) dá uma passagem de ponte aérea que compra na promoção e diz: “A classe média agora viaja de avião. Se você não anda de avião, não pode ser considerado classe média.”

E por que sair da Barra rumo ao Irajá?

Nesse seriado, volto para as minhas raízes. Claro que num universo bizarro, porque é uma família fora dos padrões, a começar pelo negócio de que tentam viver. Eles nunca sabem nada, confundem Arca de Noé com Papai Noel. Não sabem quem descobriu o Brasil, mas seguem em frente. São os desvalidos vistos com humor. Não têm saúde, educação, dinheiro, nem futuro, mas não sabem disso, porque continuam lutando pela sobrevivência. Claro que há uma linha de afeto que os une, mas é apocalíptica. Não é um programa fofo.

Falta reflexão na comédia feita na TV?

Não vejo muito TV aberta, gosto de ver Dexter. Mas o Pé na Cova tem a reflexão não só da morte, que está no pano de fundo, mas com um homem que depois dos 50 passa a encarar a finitude. Ele está fazendo um balanço do que é a sua vida.

O humor é o melhor caminho para tocar em assuntos desse tipo?

O humor é uma maneira mais direta de dizer as coisas. Você vai rindo e de repente se toca das coisas. Imagina, a Abigail (Lorena Comparato, mulher de Ruço) é uma ignorante total, não sabe que o homem pisou na Lua. Acho que o verdadeiro pano de fundo do programa é a tragédia da educação brasileira. É trágico, violento e determina o que a gente fala na TV. Durante A Lua Me Disse (2005), acompanhei um grupo de discussão e, numa das cenas exibidas, uma personagem que queria comprar várias bolsas, dizia “Mulheres são coletoras, está no nosso DNA”. Percebi que as telespectadoras do grupo não estavam entendendo, fiquei tão triste… Para fazer novela, você tem de usar um vocabulário de seis palavras. Pé na Cova é uma coisa nova, não sei como as pessoas vão receber. Se não der certo, tudo bem, são só 23 episódios.

Falabella: "Não tenho medo da morte. É como um tobogã, e faz parte de todos nós" (Divulgação)

E você, tem medo da morte?

Nenhuma. É como um tobogã, e faz parte de todos nós. Na Suécia, eles se preparam para morrer. Aqui, a gente finge que não é com a gente, e larga uma confusão danada pra trás quando morre.

Como vai lidar com a homossexualidade, vai ter o tal “beijo gay”?

Claro que não, né?! É tudo muito light. A gente ainda está com uma pena na cabeça e um tacape na mão. É um milagre que a gente tenha computador neste país, porque aeroporto a gente não tem. O Galeão é uma favela, dá vergonha. Você acha que vai ter beijo gay na TV num país onde as pessoas mal sabem ler? Como vai ser explicado isso?

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11/04/2012

às 21:11 \ Maestro, uma nota

“Agenor não é seu filho!”

Damiana (Bia Nunnes): frase-bomba

de Damiana (Bia Nunnes) para Felizardo (Diogo Vilela) em Aquele Beijo. No capítulo desta quarta, o personagem que de felizardo não tem nada descobriu que aquela que ele pensava ser sua irmã é uma farsante, que ele não é pai de Agenor (Fiuk) e que, de quebra, levou uma facada. A frase, um clássico da teledramaturgia que se compara a “eu te amo”, fez parte de uma boa sequência da trama das 19h, que termina nesta sexta. Desde 2001 sem fazer novela, Diogo esteve ótimo como o nordestino que prosperou no Rio.

O empresário, vale lembrar, não é flor que se cheire, mas talvez não merecesse todo o infortúnio que lhe caiu sobre a cabeça durante a novela. O pior, diz um boato que se espalhou na web, o autor Miguel Falabella reservou para o final: Locanda (Stella Miranda) vai revelar que o pai de Agenor é o cantor Fábio Jr, pai de Fiuk na vida real.

02/04/2012

às 15:59 \ Fotonovela

‘Aquele Beijo’: Grace Kelly manda matar a mãe

Deusa (Zezeh Barbosa) leva um tiro em 'Aquele Beijo' (Divulgação/TV Globo)

Anunciada no começo da novela como uma “grande vilã”, Grace Kelly (Leilah Moreno) só agora, na reta final, agita Aquele Beijo com maldades. Hoje, para chocar de vez, ela vai mandar executar um atentado contra a própria mãe, Deusa (Zezeh Barbosa).

O matricídio é motivado, claro, pelo dinheiro – Grace Kelly quer a herança da mãe que, por sua vez, é herdeira de um tal conde europeu. A insensibilidade da vilã – quem acompanha a trama das 19h de Miguel Falabella sabe – tem a ver com o fato de que Deusa abandonou Grace Kelly num orfanato, para poder tentar a vida como passista em shows na Europa.

Grace Kelly (Leilah Moreno)

De volta ao Brasil, a mãe vem tentando, em vão, se reaproximar da filha, que cresceu revoltada por ser pobre. Alguns milhões de euros já rolaram pra lá e pra cá, mas como veremos no capítulo desta segunda, a ambição da personagem não tem limite.

22/03/2012

às 19:46 \ Maestro, uma nota

“Agora, me dá aquele beijo, vai…”

(Divulgação/TV Globo)

de Vicente (Ricardo Pereira) para Cláudia (Giovanna Antonelli), dando todo sentido ao título da novela Aquele Beijo, ao saber que voltará a andar, no capítulo de hoje. A recuperação do herói, que levou um tiro e esteve preso por alguns capítulos a uma cadeira-de-rodas (e alguém teve dúvida de que ele voltaria a andar?), abre caminho para a reconciliação com a mocinha, e novela de Miguel Falabella entra na reta final.

14/03/2012

às 16:30 \ Entrevista

Luis Salém: “A Ana Girafa existe”

Luis Salém como Ana Girafa: faxineira de Curicica inspirou composição (Divulgação/TV Globo)

Em flerte com Pedro Almodóvar e as neo-mulheres que atraem a atenção da mídia, o autor Miguel Falabella pôs holofote e saia-justa na personagem Ana Girafa, a simpática travesti interpretada por Luis Salém em Aquele Beijo. Cabeleireira da comunidade Covil do Bagre, ela foi abandonada ainda bebê no orfanato. Há poucos capítulos, descobriu-se que ele é José Rubens, filho de Maruschka (Marília Pêra), a esnobe e sonegadora dona de uma loja de artigos de luxo.

A ricaça quase morre de susto, e a situação tem rendido boas cenas porque busca ao mesmo tempo o choro e o riso. A situação é engraçada porque a perua leva um sacode da vida ao se deparar com o filho travesti e favelado. E triste, porque a Ana Girafa sofre horrores com mais uma rejeição da mãe. Nesta entrevista ao blog, Luis Salém fala do que tem tirado da personagem e confessa apostar que será ela corrigir a vilã. “Para Ana, o grande barato seria o reencontro com a mãe. Até porque a Maruschka precisa se repensar como ser humano. O caminho para a redenção dela poderia ser a Ana.”

A Ana Girafa foge do estereótipo da travesti porque vive como uma mulher comum, leve, inserida na comunidade. Como foi a composição da personagem?

Fiquei preocupado no início, porque fazer um travesti é muito difícil. Mas guardo uma coisa que o Miguel (Falabella) me disse logo de cara: “A Ana Girafa é solar!” Ela é uma mulher do dia. E quando você pensa em travesti, tem uma imagem lunar, da noite. Na minha cabeça, resolvi que estaria interpretando uma mulher. Até porque é assim que essas pessoas se sentem.

Conheceu alguém como ela?

Até a novela, conhecia duas pessoas. Mas elas não poderiam ser uma referência, porque são do meio artístico – uma é a Rogéria e a outra também trabalha no meio. E a Ana Girafa esse tipo de pessoa que a gente conhece que teve uma vida difícil e conseguiu superar – independentemente o sexo. Queria conhecer uma pessoa que vivesse essa realidade, e que buscasse essa vida comum da personagem. Durante a preparação, fomos a uma comunidade em Curicica (na zona oeste do Rio) e eu conheci a Renata, uma travesti que é faxineira e casada com um rapaz. Ela tem uma relação cordial com os vizinhos na comunidade como a Ana, mas também sofreu preconceito – me inspirou muito. A Ana Girafa pode parecer estranha para alguns telespectadores, mas o fato é que ela existe. No sambódromo, um casal me abordou e ela agradeceu, contando que vive com o rapaz uma vida comum, de dona de casa.

Do público só vem retorno bacana?

Claro que há abordagens preconceituosas, mas nada agressivo. É que as pessoas sabem separar o ator do personagem. Espero que elas pensem no que o outro querer ser o que é pode incomodar. No fundo no fundo, a gente sempre tem algum preconceito. Mas o esperto da vida é ir crescendo e superando esses preconceitos. Antes, eu tinha dificuldade de entender quem toma a atitude de mudar de sexo. E fazer a Ana Girafa me deu a possibilidade de entender que, mais do querer ser outra coisa, é de fato ser. Elas não querem ser mulher, elas são.  » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

09/03/2012

às 10:08 \ Entrevista

Promotor Cembranelli inspirou personagem de Ricardo Pereira em ‘Aquele Beijo’

Ricardo Pereira, como o Vicente de 'Aquele Beijo': "O objetivo agora é fazer todos os diferentes sotaques do Brasil" (Divulgação/TV Globo)

O horário das 7 e a assinatura de Miguel Falabella não deixam dúvidas: Aquele Beijo é uma comédia rasgada. Mas como nem tudo pode ser alegria em novela, até mesmo nas cômicas, alguém tem de ir para o sacrifício. E se é inevitável, que seja o herói, no caso o procurador Vicente, protagonista de Ricardo Pereira que acaba de ficar paralítico. Levou um tiro ao salvar Lucena das garras do ex-marido Juan (Manolo Cardono), situação armada para que Grazi Massafera deixasse a novela, por causa da gravidez avançada.

Ricardo adorou a reviravolta. “Pude compor um personagem mais denso. Ator adora isso”, conta ele ao blog. Nesta entrevista, ele fala sobre o heroico procurador que vive na novela, de como escolheu o nome do filho – Vicente – e do sotaque português – ou, agora, a ausência dele.

Aquele Beijo é uma comédia, e sobrou justamente para você o maior drama da história?

É engraçado você dizer isso, mas verdadeiramente a vida tem tragédia e comédia, e as novelas acabam por espelhar a vida. Sobrou a tragédia para mim sim, mas com muito prazer. A situação põe em prova tudo o que o Vicente. Como ator, de certa forma, fiquei feliz com essa reviravolta, porque pude compor um personagem mais denso. Ator gosta disso.

O Vicente é procurador da República, um cargo de aura heroica. A composição do personagem passou por essa imagem que o cargo carrega?

Na preparação que fizemos com o Pedro Penna antes da novela começar, eu fui servir mesas na Lapa, porque a família tem um restaurante, e fiz um trabalho intenso no Fórum do Rio, acompanhando a rotina dos procuradores e promotores – para saber do que se está a falar, de forma correta. São duas profissões nobres porque são a balança, o equilíbrio da sociedade. Criou-se a ideia de que eles resolvem coisas. Tanto é que os moradores da comunidade que corre risco de ser expulsa do terreno vão pedir ajuda ao Vicente, porque ele entende de leis não porque seja trabalho dele resolver. Estudei a vida de alguns deles, inclusive do (promotor) Francisco Cembranelli, e posso te dizer: eles são heróis mesmo. E, como a vida real não é novela, nem sempre eles ganham.

A premissa da novela é muito boa: um beijo e, pronto, a vida muda para sempre. Mas agora, com o Vicente preso à cadeira-de-rodas, dá pra dizer que aquele beijo na Cláudia (Giovanna Antonelli) valeu a pena?

Vicente (Ricardo Pereira): o beijo saiu caro (Divulgação/TV Globo)

Ah, claro que valeu! É uma coisa que eu acredito também na vida real, um beijo pode mesmo mudar a vida das pessoas. Depois de todo o tempo que passou, o Vicente, que é um cara sempre envolvido em batalhas, fica leve quando vê a Cláudia, porque viveu aquele acaso com ela, na Colômbia, com salsa, clima de paixão… É quando ele não consegue se controlar, como estava acostumado a fazer. Todo dia você tem a oportunidade de se reinventar, a vida te dá esse prazer.

Seu filho (de três meses) se chama Vicente como o personagem. Quem homenageia quem?

Foi um montão de coincidências. Quando o Miguel começou a escrever a novela, a gente nem sabia que ia ter filho. Ele falou no nome Vicente. Depois, a gente descobriu a gravidez na Clínica São Vicente (no Rio). Viajamos para contar à família em Portugal, e no aeroporto tinha uma placa “Todos os caminhos levam a São Vicente”, em Cabo Verde. Acho que ele escolheu se chamar Vicente. E o Vicente da novela é um dos personagens mais importantes da minha carreira – meu primeiro protagonista com sotaque integral do Brasil. É um ano de Vicente, mesmo.

A maneira como você neutralizou o sotaque é assunto desde Insensato Coração

Se você soubesse o tanto que estudo para aparecer assim em cena… Mas, como ator, tenho de mostrar essa versatilidade. Não queria ser “o português da novela”, e abrir o leque para poder trabalhar com todo tipo de história, dos mais variados autores.

Mas o Vicente tem mãe (Amália/Marina Mora) e tia (Brites/Maria Vieira) portuguesas. Fica mais difícil controlar o sotaque quando está contracenando com elas?

Agora, não. Mas confesso que no começo, sim, me confundida. Hoje em dia é automático: posso falar com uma pessoa com sotaque do Brasil, virar e falar com outra com sotaque de Portugal, sai imediatamente. Essa coisa de todo mundo comentar me deixa muito feliz. Dizem “você é nosso agora!”. Meu novo objetivo é fazer os diversos sotaques, dependendo de onde for contada a história. É muito importante ter essa ferramenta.

Pode, de repente, aparecer como baiano?

Não tenha dúvida. Nesse momento, não há limite.

 

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