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Mauro Mendonça Filho

05/09/2014

às 11:22 \ Entrevista

Maldade ‘made in Brazil’ conduz ‘Dupla Identidade’

Tudo de bom – só que não: assessor de um senador, Eduardo (Bruno Gagliasso) mata por prazer durante a noite e planeja fazer carreira política durante o dia em 'Dupla Identidade', que estreia na Globo no dia 19 (Divulgação)

Tudo de bom – só que não: assessor de um senador, Eduardo (Bruno Gagliasso) mata por prazer durante a noite e planeja fazer carreira política durante o dia em ‘Dupla Identidade’, que estreia na Globo no dia 19 (Divulgação)

“Não existe serial killer no Brasil.”

A frase, que bem poderia ser de um telespectador desavisado, aparece na boca do delegado Dias (Marcello Novaes), diante da investigação sobre um homem misterioso que ataca mulheres brutalmente e depois abandona os corpos na Floresta da Tijuca, no Rio. Com a fotografia certa, é um lugar dos mais assustadores.

Glória Perez, com Bruno Gagliasso (Eduardo), Débora Falabella (Kay) e o diretor Mauro Mendonça Filho, em entrevista coletiva no Rio: "Não haverá vitimização do assassino, nem uma desculpa para justificar as mortes" (Divulgação)

Glória Perez, com Bruno Gagliasso (Eduardo), Débora Falabella (Kay) e o diretor Mauro Mendonça Filho, em entrevista coletiva no Rio: “Não haverá vitimização do assassino, nem uma desculpa para justificar as mortes” (Divulgação)

Deve haver assassinos frios e metódicos em todos os cantos do mundo, mas a ficção americana tomou o tipo para si, e tratou de repeti-lo à exaustão na literatura policial. Nos últimos anos, assassinatos em série renderam bons roteiros na televisão, como o de Dexter (Showtime), estrelado durante oito temporadas pelo “serial killer que mata serial killer” vivido por Michael C. Hall. “Por que não contar uma história assim em português?”, questionou-se a autora Glória Perez, pouco antes de criar Eduardo, protagonista perturbado de Dupla Identidade. Com 13 episódios, a série foi apresentada num cinema na zona oeste do Rio na noite desta quinta (4). Estreia no dia 19, com exibição às sextas, sob a direção de Mauro Mendonça Filho, que ganhou o Emmy Internacional por O Astro em 2012, e René Sampaio, que estreou no cinema no ano passado com o ótimo Faroeste Caboclo.

O papel do jovem advogado e estudante de psicologia que parece ser “tudo de bom”, mas é frio e violento, ficou com o ator Bruno Gagliasso, parceiro da autora em novelas como América (2005), na qual foi o homossexual Júnior, e Caminho das Índias (2008), quando  foi o esquizofrênico Tarso. “Ele é o mal em estado puro. No começo, você resiste a acreditar que alguém possa ser assim, mas o fato é que existe gente sem sentimento, sem compaixão”, observa o ator, conhecido por mergulhar de cabeça na composição dos personagens. “(A psicologia forense) É um mundo fascinante, só penso nisso. Minha mulher (a também atriz Giovanna Ewbank) está apavorada, meu quarto está cheio de fotos de gente morta”, exagerou.

Eduardo (Bruno Gagliasso): determinado, o assassino planeja altos voos na política (Divulgação)

Eduardo (Bruno Gagliasso): determinado, o assassino planeja altos voos na política (Divulgação)

Glória não esconde suas referências para contar a história, que fala de poder e dominação tendo como pano de fundo uma disputa política. Com o serial killer, trouxe o também emblemático “caçador de mentes”, personificado na bela figura da psicóloga forense Vera, papel de Luana Piovani. Com estágio no FBI, nos Estados Unidos, a personagem – claro! – teve um caso amoroso no passado com o delegado Dias de Marcello Novaes. Honesto, mas um tanto carreirista, ele vive a expectativa de uma promoção a secretário de segurança, mas a série de assassinatos atrapalha seus planos – e a obstinação de Vera em resolver o crime, mais ainda. O quadro é completado por um senador mulherengo, Oto Veiga (interpretado pelo diretor de teatro Aderbal Freire Filho), para quem Eduardo trabalha, a mulher bomba dele, Sylvia (Marisa Orth), e a namorada carente do assassino, Ray (Débora Falabella). “Não queremos fazer um tratado sobre psicopatia. A série é sobre o jogo de gato e rato entre a caçadora de mentes e o serial killer, sobre como ela fará para encontrá-lo”, explica a autora, que avisa não buscar desculpas para as atitudes do seu personagem.

dias-veraÉ comum que as histórias envolvendo assassinos em série justifiquem a maldade com traumas de infância. Dexter, um exemplo muito citado na noite de ontem, viu a mãe ser assassinada por um psicopata, daí o hábito de sair por aí picando malfeitores em pedacinhos. O recurso do autor Jeff Lindsay, da série de livros que deu origem à série, leva a uma inevitável torcida pelo protagonista. “Não há vitimização do assassino, nem desculpa. Ele não é mal porque apanhou da mãe quando era criança. Não haverá um porquê para as mortes”, adianta Glória.

Quase toda gravada em locações – em especial no bairro de Copacabana, tradicional reduto de histórias policiais -, Dupla Identidade é a primeira produção da Globo no sistema 4K, tecnologia com quatro vezes mais definição que o HD. Só vai perceber quem tiver um televisor de ultra-alta definição. Mas, pelo que se vê no primeiro episódio, projetado numa sala especial na Barra da Tijuca, pouco importa: a fotografia (que há de resistir no HD), a escolha caprichada de planos e o clima macabro, com suspense bem marcado pela trilha do Sepultura, farão o programa valer a pena para os exigentes fãs do gênero. “Estamos propondo uma coisa nova em muitos sentidos: na tecnologia da captação, ritmo, tema, na maneira de contar a história. O Brasil é reconhecido no campo da teledramaturgia, e chegou a hora de quebrar um pouco a cultura da telenovela, avançando no campo do seriado, que se tornou um híbrido de cinema e televisão”, anotou o diretor Mauro Mendonça Filho.

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02/07/2012

às 12:59 \ Entrevista

“O brasileiro ainda é provinciano no sexo”, diz diretor de ‘Gabriela’

Gabriela (Juliana Paes) e Nacib (Humberto Martins): "Ela gosta de transar, e é preciso representar esse fogo", anota Mauro Mendonça Filho (Divulgação/TV Globo)

Não se pode dizer que toda a liberdade de Gabriela ainda choque alguém que, desavisado, assista à nova adaptação do romance de Jorge Amado, exibida no horário das 23h da Globo. Espanto mesmo é perceber que 37 anos depois da primeira Gabriela, 26 anos depois de Dona Beija e 22 anos depois de Pantanal, a nudez e o sexo na TV aberta ainda causam tanto barulho, curiosidade e piadas, especialmente nas redes sociais. “Acho que o brasileiro ainda é provinciano em assuntos de sexo”, diz o diretor Mauro Mendonça Filho em conversa com o blog.

Com obras que marcaram época no currículo, como Renascer (1993) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998), o diretor vem testando limites desde o ano passado, quando comandou o remake de O Astro, que inaugurou o horário das 23h como um espaço para “novelas adultas”. Com uma carga de sensualidade que não havia no original de 1978, não é exagero dizer que a novela acabou chamando mais atenção pelo desfile de beldades como Ellen Roche e Guilhermina Guinle do que pela história do protagonista Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi).  “Em O Astro, a gente testou os limites da ousadia – e há limite. Mas Gabriela é naturalmente mais ousada, a história pede essa sensualidade mais marcada”, observa.

A começar pela luz e a ambientação, O Astro e Gabriela são totalmente diferentes. Fora o horário, você vê uma identificação entre os dois projetos que comandou?

O Astro se aproxima mais de Gabriela do que o contrário. O Jorge Amado sempre foi um autor  adulto, que sempre desmascarou a hipocrisia, seja sexual, política ou de exploração da miséria. A primeira versão de Gabriela já foi uma novela das 22h. Jorge Amado tem sido pouco adaptado no cinema, e a televisão tem a vantagem de que tudo pode parecer muito novo, então ele pode ser novidade para muita gente. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

05/06/2012

às 12:01 \ Entrevista

Humberto Martins, de descamisado a sortudo

Humberto Martins: "O Nacib é um cara solar, um estrangeiro que teve a sorte de estar na Bahia dos anos 1920" (Divulgação/Globo)

A trajetória de Humberto Martins como ator vem passando por uma grande, mas discreta transformação nos últimos anos. Bonitão que muitas vezes se valeu – com sucesso – do sex appeal, até ser estigmatizado como um “descamisado das novelas da 7”, ele chega à maturidade como um ator dos mais elogiados. E não pode haver reconhecimento melhor do que a escolha de seu nome para o papel de Nacib, protagonista do remake de Gabriela, que estreia no dia 18 (Globo, às 22h15), e que também tem a ver com sua performance como o detestável Neco da releitura de O Astro, no ano passado.

“É uma honra tão grande que nem tenho palavras para descrever”, diz ele ao blog, ao lembrar de Armando Bogus, o Nacib da primeira adaptação do romance de Jorge Amado para a TV, em 1975. “Fiz Tereza Batista (1992)que também é Jorge Amado, mas Gabriela é uma obra acima de qualquer outra.”

A maturidade também deu ao ator a sensibilidade para perceber a importância de Gabriela. Em 1975, ele admite, o adolescente Humberto Martins nem quis saber da tal novela. “Eu tinha 15 anos, imagine! Andava de skate, jogava tênis e futebol, estudava inglês… Não tinha tempo…”, justifica-se, contando que correu para ver na internet as poucas cenas disponíveis. “Me vinha o Nacib em dois ou três flashes, apenas. Eu quis ver porque, é claro que vamos fazer o nosso, mas de alguma forma a essência do Nacib feito pelo Armando Bogus tem de estar presente.”

A seguir, o ator fala sobre o “baiano das arábias” que dá emprego e abrigo a uma certa moça com “cheiro de cravo e cor de canela”, apaixona-se e casa-se com ela para espanto da Ilhéus dos anos 1920, para sofrer depois com a traição inevitável.

Como você decifra o Nacib, quem ele é pra você?

Ele é um cara solar, que se sente um sortudo como um estrangeiro vivendo na Bahia dos anos 1920, uma época de prosperidade local. Assim, é um turco baiano e um baiano das arábias, que vive ali desde muito jovem. Tanto é que fala com sotaque baiano.

Viu a novela em 1975?

Interessante, mas não foi uma coisa que me chamou a atenção na época. Eu era adolescente, jogava tênis e futebol, estudava inglês, tinha a escola também… Não tinha tempo. Engraçado me envolver agora com algo que não me chamou a atenção anos atrás. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

08/05/2012

às 0:00 \ Bastidores

Globo lançará ‘Gabriela’ em Salvador

Juliana Paes como Gabriela: visita à terra da personagem (Divulgação/Globo)

Está marcada para o próximo dia 21, uma segunda-feira, a coletiva de imprensa para o lançamento de Gabriela, o remake da novela de 1975 que a Globo exibe a partir de meados de junho. Será em Salvador – num restaurante à beira-mar, o mais próximo possível de Jorge Amado e com Ivete Sangalo, que viverá a cafetina Maria Machadão, como anfitriã.

A nova adaptação de Gabriela, Cravo e Canela, de 1958, é uma homenagem da emissora ao centenário do autor, que será comemorado no próximo 10 de agosto. Juliana Paes, a protagonista, elenco, o autor Walcyr Carrasco e toda a equipe do diretor Mauro Mendonça Filho estão confirmados.

Veja também:

 Galochas para Juliana Paes em ‘Gabriela’

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02/05/2012

às 16:29 \ Fotonovela

Veja o encontro entre Nacib e Gabriela

 

Juliana Paes e Humberto Martins em cena gravada em Canavieiras, na Bahia (Divulgação/Globo)

Aí está a nova Gabriela, Juliana Paes, largada à própria sorte num “mercado de escravos” e no momento do encontro com Nacib (Humberto Martins), em cena mais que importante do remake da novela de 1975 que a Globo prepara para junho.

O local que recebia retirantes da seca como ela é a primeira parada da heroína na próspera Ilhéus de 1925, depois de uma caminhada extenuante pelo sertão – está em busca de um trabalho como cozinheira ou doméstica. Ainda sem saber do seu poder “cravo e canela”, o árabe resiste a contratá-la mas, como se sabe, acabará cedendo.

Com 150 figurantes, a cena foi gravada em Canavieiras, cidade do sul da Bahia que fará as vezes de Ilhéus, onde de fato se desenvolve a história. “O centro histórico de Canavieiras preserva a arquitetura típica local do início do século 20. É o cenário perfeito para representar a Ilhéus dos anos 20, uma cidade em pleno crescimento”, explica o diretor Mauro Mendonça Filho, que passou ainda com sua equipe, numa viagem de 15 dias de gravações, pelo sertão do Piauí e Ilhéus.

Abaixo, reveja a cena em que Nacib decide contratar Gabriela na novela original – e com Sônia Braga e Armando Bogus como protagonistas.

 

16/04/2012

às 20:29 \ Bastidores

Juliana Paes posa como ‘Gabriela’

Juliana Paes, em versão cravo e canela durante gravações no sertão da Bahia (Divulgação/Globo)

Depois de muita expectativa e das gravações no sertão da Bahia, foram divulgadas hoje pela Globo as primeiras imagens de Juliana Paes como a protagonista de Gabriela. Homenagem ao centenário de nascimento do escritor Jorge Amado, a novela deve estrear em junho, na faixa das 23h – que no ano passado foi ocupada por O Astro. Não se trata de um remake daquela levada ao ar em 1975, de autoria de Walter George Durst, mas uma nova adaptação a partir do livro, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Mauro Mendonça Filho.

Na imagem acima, Gabriela está no seu momento retirante, em viagem a pé do sertão para Ilhéus. Juliana, como se pode perceber, abandonou a pinça no fundo da gaveta, e deixou as sobrancelhas crescerem à vontade.

19/03/2012

às 10:25 \ Bastidores

Galochas para Juliana Paes em ‘Gabriela’

Juliana Paes: medo de cobra nos bastidores de 'Gabriela' (Divulgação/Ique Esteves)

A  equipe do diretor Mauro Mendonça Filho viaja na próxima sexta-feira para a primeira etapa de gravações da novela Gabriela, que começarão pelo Junco do Salitre, na região de Juazeiro, na Bahia.

Lá, gravam as cenas que contam o passado da protagonista vivida por Juliana Paes, antes de sua chegada a Ilhéus, para onde vai fugindo da seca. Na bagagem, além dos vestidos simples e sensuais que farão parte do figurino, vai um item inusitado: galochas até os joelhos, que foram encomendadas aos montes, para todos da equipe. A intenção é proteger as canelas do mato e das picadas de cobra.

Com texto de Walcyr Carrasco a partir do livro de Jorge Amado, a novela é segundo título que a Globo produz para a faixa das 23 horas, inaugurada com O Astro, no ano passado. Entre os nomes confirmados no elenco, além de Juliana, estão Humberto Martins, que será o novo Nacib , Mateus Solano, o novo Mundinho Falcão, e Ivete Sangalo, a nova Maria Machadão – personagens interpretados, respectivamente, por Armando Bogus, José Wilker e Eloísa Mafalda no original de 1975.

 

05/03/2012

às 7:00 \ Bastidores

‘Gabriela’ na estrada

Juliana Paes (na foto, em As Brasileiras) será a nova Gabriela (Divulgação/TV Globo)

O diretor Mauro Mendonça Filho e a gerente de produção Verônica Esteves acabam de iniciar uma viagem pelo sertão para escolher as locações da novela Gabriela. Entre muitos lugares, vão passar pelo Junco do Salitre, na região de Juazeiro (BA), e Serra da Capivara (PI). Mas é claro que Ilhéus (BA) e a cena de Juliana Paes no telhado à moda de Sônia Braga estão garantidos no roteiro.

Antes, na segunda, a equipe esteve reunida com o diretor-geral de Entretenimento da Globo, Manoel Martins, para apresentação dos cenários a serem construídos no Projac, figurinos e o próprio conceito da novela.

Com previsão de ir ao ar ainda no primeiro semestre, a produção não é um remake da novela que foi ao ar em 1975, mas uma nova adaptação do livro de Jorge Amado. Feita por Walcyr Carrasco, vai homenagear o centenário do escritor.

 

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