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Juliana Paes

29/10/2012

às 15:07 \ Folhetinescas

Gabriela é a Emanuelle da TV

Nacib (Humberto Martins) perdoa Gabriela (Juliana Paes): como dizem, fazer as pazes é sempre melhor (Reprodução)

Foi a Gabriela rebelde de 1975 que introduziu o nu feminino nas telenovelas quando os amantes Juca (Pedro Paulo Rangel) e Chiquinha (Cidinha Milan) são pegos em flagrante na cama e jogados na praça de Ilhéus sem roupas. Filmada de longe, entretanto, apenas sugeriu e quase nada revelou. Por coincidência, 37 anos depois é a mesma história de Jorge Amado que vem demonstrar o interesse do público pelo erotismo leve das novelas.

O último capítulo da adaptação escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Mendonça Filho alcançou respeitáveis 30 pontos, marca excelente se considerarmos que era uma sexta-feira e que o Ibope da novela das 21h, o programa de maior audiência no país, foi de 31 pontos naquele dia.

Mas são as redes sociais que dão a total dimensão desse escândalo positivo que foi o desfecho de Gabriela: numa cena bastante erótica e sensorial, digna do delírio de uma Emmanuelle, a protagonista Juliana Paes parecia deixar-se revelar mais do que nos outros 76 capítulos e instantaneamente subiu ao TT’s nacional do Twitter. “Coração apertado… Fico só lendo vocês! Foi um prazer! Adeus, Bié”, escreveu Juliana no seu perfil logo que a novela começou.

Anabela (Bruna Linzmeyer): nu frontal é raro na teledramaturgia (Reprodução)

Ela deve ter lido de tudo: desde elogios entusiasmados dos admiradores, cumprimentos de mulheres pela boa forma invejável e cantadas daquelas que se ouvem ao passar na frente de uma obra. Foi assim com todas as atrizes do elenco que apareceram nuas na novela, a começar por Leona Cavalli, a quenga Zarolha, com seios de fora logo na primeira cena, e Bruna Linzmeyer, a Anabela, que dançou no Bataclã com direito a nu frontal, coisa rara na telematurgia para mulheres e ainda inédita para homens.

Em quase quatro décadas de nu na teledramaturgia, muita coisa mudou na oferta  de gente pelada por aí. Depois da cena singela dirigida por Walter Avancini na Gabriela de 1975, a nudez virou arma de audiência na década de 1980 e começo dos anos 1990, com as produções recheadas de beldades da TV Manchete, como Dona Beija (1986), e os banhos de cachoeira de Maitê Proença, a primeira a de fato aparecer nua numa novela, e a ode à natureza de Pantanal (1991), entre tantos títulos.

A Globo contra-atacou, entre tantos exemplos, com a minissérie Boca do Lixo (1990), com a Isadora Ribeiro na abertura de Tieta (1989) e o traseiro do modelo Vinícius Mane na abertura de Brega & Chique (1987). Primeiro nu masculino, acabou coberto por uma folha de parreira e depois novamente liberado.

Com pornografia à vontade na internet e canais específicos na TV a cabo, não parecia ser mais novidade mostrar um naco a mais de pele na TV aberta – ou necessário, já que com a derrocada da Manchete em 1999, a emissora teve sossego na teledramaturgia. Outra barreira foi classificação indicativa. Em 1991, Patrícia Pillar mostrou os seios na novela das 18h Salomé, mas em 2008, Aguinaldo Silva teve de atear fogo no bordel de Duas Caras por causa das apresentações de Alzira (Flávia Alessandra) no poste, sob a ameaça de a novela ser classificada para depois das 22h – nas novelas das 21h, a nudez se tornou ingrediente de risco, nem sempre gerando polêmica positiva. Dessa forma, cenas picantes foram reservadas às minisséries e, mesmo assim, passaram a ser pouco frequentes.

Com a mão no bolso: em 1987, abertura de 'Brega & Chique' teve folha de parreira, retirada depois (Reprodução)

Com a criação da faixa das 23h, inaugurada no ano passado com o remake de O Astro, o erotismo voltou como experimentação do diretor Mauro Mendonça Filho.  O bafafá após a exibição das cenas mais ousadas denunciou um certo conservadorismo do público, mas também demonstrou que a curiosidade sobre a nudez e a sua capacidade de atrair atenção para uma trama não mudou – ainda mais quando se trata de estrelas como Alinne Moraes e Juliana Paes.

Um ano mais tarde, com o respaldo de Jorge Amado, autor de histórias reconhecidamente sensuais, o “sexo com história” voltou com tudo à TV. E a mesma Gabriela  que rendeu o primeiro nu feminino termina agora como a novela mais erótica de todas – os moradores da Araxá de Dona Beija (Maitê Proença) e os tuiuiús do Pantanal de Juma Marruá (Cristiana Oliveira) certamente não viram tanto Gabriela, as meninas do Bataclã e até as recatadas Malvina (Vanessa Giácomo) e Gerusa (Luiza Valdetaro) deixaram o povo de Ilhéus ver.

Abaixo, você revê a abertura de Brega & Chique (1987), sem censura. E a famosa cena sequência em que Maitê Proença cavalga nua pelas ruas de Araxá na novela Dona Beija (Manchete, 1986), erotismo inédito para a época.

 

27/10/2012

às 10:56 \ Folhetinescas

Um final “bonito” para ‘Gabriela’

Gabriela (Juliana Paes) e Nacib (Humberto Martins): com bom gosto, sensualidade dela foi explorada ao máximo (Divulgação)

Juliana Paes falou tudo o que calou durante toda a Gabriela em seu último capítulo. A Bié moderna esteve mais bonita do que nunca, nas cenas de sexo bem conduzidas e na conversa com Nacib (Humberto Martins) sobre a cama, já no nascer do sol – a direção de Mauro Mendonça Filho esbanjou a sensualidade da atriz, em closes e sussurros.

Gabriela terminou como a mulher mais esperta de Ilhéus que, com jeitinho, dobrou seu homem. Nada de vestido de seda, sapato apertado e declamação de poesia. E viva o vestido de chita, a pipa no telhado e o amor com suor e preguiça. O desfecho do casal – incomum, entre sexy, bem-humorado e caricato – não deixou dúvidas de que a escalação de Humberto e Juliana foi um acerto.

O desfecho marcou 29 pontos da audiência, segundo o Ibope, mais do que antecessora O Astro – 27 pontos –, que inaugurou a faixa de novelas das 23h da Globo no ano passado e está indicada ao Emmy Internacional.

Ao longo da novela, não faltou quem comparasse duramente Juliana com a Gabriela mais famosa, Sônia Braga, imortalizada na novela de 1975 e no filme de 1983. Mas, oras, vamos ser menos ranzinzas e admitir que os tempos são outros e que a personagem é mais uma aparição de beleza do que uma figura que demanda profundidade dramática. E como resistir ao casal do remake depois daquele rolar na praia, antes do fim?

Doroteia (Laura Cardoso): passado de quenga que nem Jorge Amado imaginou (Divulgação)

A novela resgatou Jorge Amado, que andava um pouco perdido dentro da produção.  Não foram poucos os desvios do autor Walcyr Carrasco da obra original. As moças de Ilhéus, por exemplo, pareceram muito mais românticas e, consequentemente, bem menos feministas na novela do que livro.

No último capítulo, a política voltou ao primeiro plano, com a morte de Ramiro Bastos (Antonio Fagundes), substituído no poder por Mundinho Falcão (Mateus Solano). A cena emblemática do final de 1975, de Mundinho recebendo um “beija-mão” do povo nas ruas, não foi refeita. O novo Mundinho fez um discurso sobre o caixão enaltecendo Ramiro, seu inimigo político. É um recado, talvez menos impactante, de que a política não muda.

À maneira dos líderes populistas, com a população nas ruas, o velório do coronel encerrou bem a participação de Ivete Sangalo como Maria Machadão. O elenco foi o grande trunfo da produção, com destaque para o detestável Coronel Jesuíno de José Wilker e seu bordão “quero lhe usar”, a falsa moralista Doroteia de Laura Cardoso e a Zarolha de Leona Cavalli, que terminou como sonhou, senhora da sociedade e longe do bordel.

“Vida de quenga que era bom. E se tivesse alguém que me pagasse, eu ia. Com gosto”, disse Dona Doroteia às beatas na pracinha. Faz sentido. Uma vez naquela Ilhéus idealizada “por demais”, quem dispensaria a diversão entre música, plumas e brilhos do Bataclan?

Maria Machadão, que esteve prestes a abandonar o ofício por Ramiro Bastos, garantiu que o bordel continuará aberto enquanto ela viver. “Final bonito”, divagaria a Bié. Entre poréns e comparações, que bom que o universo de Jorge Amado voltou à TV e ao nosso imaginário, com um sopro de frescor.

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24/10/2012

às 13:09 \ Folhetinescas

Gabriela virou vítima e perdeu Jorge Amado

Gabriela (Juliana Paes) e Tonico (Marcelo Serrado): traição foi reduzida à consequência de uma armação da vilã (Divulgação)

A três capítulos do final, nesta sexta,  pouco restou de Jorge Amado na nova Gabriela. Uma adaptação pressupõe acréscimos e mudanças no enredo original, é claro, mas na reta final o autor  Walcyr Carrasco optou por caminhos mais folhetinescos do que o romance do escritor baiano poderia suportar.

O que há com a Gabriela de Juliana Paes não é culpa de Juliana Paes, que a interpreta graciosamente. É que o episódio da traição a Nacib (Humberto Martins), importante para definir o “jeito de ser Gabriela”, foi reduzido a uma consequência de uma tramoia planejada por Zarolha (Leona Cavalli), esta transformada em uma vilã típica de novela, capaz de tudo para ter o homem que a desprezou. Assim, como uma mulher que mais é empurrada para a cama do que parece ir por vontade própria, a personagem se torna vítima. E não tem as sutilezas que ajudaram a compor a figura libertária interpretada por Sônia Braga em 1975 e 1983, na novela de Walther George Durst e no filme de Bruno Barreto.

Entre a ingenuidade e a safadeza, Gabriela é uma mulher que gosta de homem pura e simplesmente, não apenas de Nacib. Numa das passagens do livro, ela chega a fantasiar que está com vários outros “moços bonitos”quando faz sexo com ele. Mas a Gabriela da novela precisou, como típica mocinha, ser enganada por uma vilã para cair nos braços de Tonico Bastos (Marcelo Serrado).

Zarolha (Leona Cavalli): vilã arrependida, a quenga casou de branco (Divulgação)

É uma leitura folhetinesca, da mesma forma que a trajetória da vilã, quenga arrependida que se casou no capítulo de sexta vestida de branco. É um desfecho que mais deve ter a ver com a simpatia do público pela personagem e atuação de Leona do que com a coerência.

Zarolha, personagem que mal existe no livro, poderia deixar essa coisa de amor romântico e substituir Maria Machadão (Ivete Sangalo) como  cafetina do Bataclan, já que até a quenga mais poderosa de Ilhéus quer terminar os dias como sinhá. Mas, no fim das contas, de Jerusa (Luiza Valdetaro) a Zarolha, de Gabriela a Malvina (Vanessa Giácomo), quase tudo se resume à idealização do amor, como numa novela das 18h.

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27/09/2012

às 16:26 \ Fotonovela

Nacib flagra Gabriela com Tonico Bastos

Gabriela (Juliana Paes) e Tonico (Marcelo Serrado): Nacib (Humberto martins) perde a esposa e o amigo de uma só vez (Divulgação/Globo)

Mesmo sem Facebook e provas digitais, Nacib (Humberto Martins) chegará em Gabriela na frente de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil: no capítulo que vai ao ar amanhã, ele descobrirá que o motivo de Gabriela (Juliana Paes) não ser mais a mesma do começo da novela não tem a ver só com a monotonia do casamento, mas com o caso amoroso que ela vem mantendo com Tonico Bastos (Marcelo Serrado).

Ele será alertado por Zarolha (Leona Cavalli) que, desprezada e ressentida, tem se dedicado a descobrir qualquer coisa que possa trazer o seu “turquinho” de volta. Disposto a tirar a prova, Nacib vai para casa e flagra Gabriela e Tonico em sua cama.

O episódio, que deve ecoar em toda a Ilhéus, resultará no fim do casamento dos protagonistas.

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14/09/2012

às 13:20 \ Folhetinescas

‘Gabriela’ trai por amor – e com muito gosto

Mundinho (Mateus Solano) e Jerusa (Luiza Valdetaro): amor impossível não existe no livro, mas é perfeito para a novela (Divulgação/Globo)

Foi Walter George Durst (1922-1997) quem melhor definiu o sentimento de um autor na aventura de transpor uma obra literária para a TV, teatro ou cinema. “Adaptar é trair por amor”, dizia ele, que levou ao ar grandes livros em forma de grandes novela, como Anarquistas, Graças a Deus (1984), Grande Sertão: Veredas (1985) e a tão famosa Gabriela de 1975.

É que toda adaptação nasce da admiração de um leitor que um dia imaginou personagens de papel andando em cena como gente de carne e osso. No processo, quase sempre sobram mortos, feridos e escombros porque, qualquer um há de entender, uma obra audiovisual não é capaz de alcançar a plenitude de um livro. Daí o grito dos leitores mais puristas, que raramente aprovam a transposição de seu livro preferido para as telas.

“Mas a personagem não era morena? Por que escalaram uma atriz loira?”; “Se o personagem era moço no livro, porque deram o papel para um cinquentão?”; “O escritor deve estar se revirando no caixão!” – é o tipo de coisa que se ouve.

Por isso, a tal “traição por amor” de Durst. Não há outra maneira de transpor uma história sem acrescentar, suprimir e criar a partir do que já foi escrito. No caso do longa-metragem, é preciso fazer um recorte que caiba em duas horas. No caso da novela, mais do que “esticar” os acontecimentos para escrever algumas dezenas de capítulos, deve-se dar a cara de folhetim, fermentando os romances e instigando as intrigas.

É isso que Walcyr Carrasco faz agora com sua Gabriela (Globo, 23h) que, agora adiantada no ar já deixa concluir, é uma nova interpretação da obra de Jorge Amado que não deixa de beber na fonte do que Durst imaginou nos anos 70.  Para quem leu o livro e prefere ver a novela como uma homenagem e não uma afronta ao autor no centenário de seu nascimento, um exercício de comparação pode ser muito interessante.

Como aquele povo todo de Ilhéus tem se comportado na TV?

Os protagonistas, Gabriela (Juliana Paes) e Nacib (Humnberto Martins), chegam preservados. Mas alguns ganham tintas jamais imaginadas por seu criador. Veja abaixo quem se deu bem e ampliou espaço na versão televisiva:

 

Maria Machadão (Ivete Sangalo) e Ramiro Bastos (Antonio Fagundes) (Divulgação)

Maria Machadão (Ivete Sangalo)

No papel, o chamego entre a dona do Bataclan e o coronel Ramiro Bastos (Antonio Fagundes) é coisa de poucas linhas, apenas sugerida. Na novela, onde quanto mais romance melhor, a personagem está a um passo de se tornar a sinhá mais polêmica de Ihéus, já que o coronel aguarda o fim das eleições para tomar-lhe como esposa.

Zarolha (Leona Cavalli)

Ela é a quenga mais arretada de Ilhéus somente na novela – no livro, é citada apenas como uma amante que Nacib teve antes de Gabriela chegar. Já a novela aproveita o potencial de intriga que uma mulher rejeitada pode ter para ampliar a participação da talentosa Leona Cavalli. Assim, Zarolha se tornou uma vilã que agora trama com Tonico Bastos (Marcelo Serrado) contra o casamento dos protagonistas.

Jerusa (Luiza Valdetaro) e Mundinho Falcão (Mateus Solano)

O romance entre a neta do coronel Ramiro Bastos e o seu maior opositor não passou de uma paquera no leilão da igreja, segundo o livro – foi mais uma provocação ao desafeto político do que um interesse amoroso . No livro, aliás, Mundinho é descrito como um homem atormentado por um romance malsucedido no passado. Mas, para uma novela, o amor quase impossível entre uma representante das oligarquias e um forasteiro progressista soa irresistível – tanto é que já marcara a versão de 1975.

 

Jesúíno (José Wilker) (Divulgação)

Coronel Jesuíno (José Wilker)

No livro, Gabriela chega a Ilhéus no dia do julgamento do coronel Jesuíno, assassino da mulher Sinhazinha (Maitê Proença) e o amante dela, Osmundo (Erik Marmo). Os dois acontecimentos representam a entrada da cidade em novos tempos. Na adaptação, a história dos personagens foi contada em detalhes e dominou a primeira metade da novela. O personagem de Wilker agradou tanto que arranjaram uma nova mulher para ele, assegurando que o “hoje eu vou lhe usar” continue no ar.

Miss Pirangi (Gero Camilo)

Chamado de “invertido”por Jorge Amado, Miss Pirangi é apenas citado no livro. Na novela, brilha de dar gosto – no momento, é protagonista de um mistério, sobre quem seria o coronel misterioso que vem lhe bancando.

Lindinalva (Giovanna Lancelotti)

O acidente com a marinete na estrada acontece mesmo no livro, mas a história para lá de trágica sobre a filha dos comerciantes que morrem no desastre é criação de Walcyr Carrasco.

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17/08/2012

às 9:28 \ Fotonovela

E a vida imita a arte – ou o contrário

Cena destacada pela coluna do Ricardo Setti, em foto de Monique Renne, do Correio Brazilienze. Andressa Mendonça, após exercer seu direito de permanecer calada, deixa a CPI do Cachoeira, que investiga seu marido. Faz lembrar de outra roda política, datada de 1925:

Na Ilhéus da novela Gabriela (Globo, 23h), na qual Juliana Paes é a protagonista, a turma de coronéis que frequenta o Bar Vesúvio demonstra que certos costumes são ancestrais.

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15/08/2012

às 11:46 \ É página virada

Primeira Gabriela tinha olhos azuis

Janete Vollu: primeira Gabriela, da novela de 1961 na Tupi, foi descoberta no teatro de revista (Divulgação)

Antes de Sônia Braga e Juliana Paes, houve uma primeira Gabriela, com muito menos canela e agora envolvida numa nuvem de mistério que o tempo tratou de criar. Do nome, só ficou o artístico.

Janete Vollu era uma certa corista que em 1961 desbancou estrelas que se engalfinharam pelo papel da protagonista da primeira adaptação de um romance de Jorge Amado para a incipiente televisão brasileira, na TV Tupi. “Ela era niteroiense, tinha algo como 21 anos. Trabalhava para pagar o curso de normalista”, lembra o diretor Maurício Sherman, procurado pelo blog para reconstruir a história dessa Gabriela esquecida.

Maurício Sherman dirigiu a primeira versão de 'Gabriela', na Tupi: "Ela só faz cozinhar e transar" (Divulgação)

Sherman, hoje diretor do humorístico Zorra Total, conta que o próprio Jorge Amado, então morador do bairro de Copacabana, supervisionou a produção. “Foi ele que ajudou a escolher a atriz. Ela tinha os olhos azuis!, mas não dava para ver na TV, que era em preto e branco”, acrescenta.

Parte da faixa Grandes Romances Richard Hudnut, patrocinada pela gigante americana de cosméticos, a novela foi uma produção esmerada, que despertou a atenção dos grandes nomes da época. “Tanto é que o Mundinho Falcão era o Paulo Autran, o Tuísca era o Grande Otelo, e a Malvina, a Suely Franco. O Nacib era o Renato Consorte, que era turco de verdade! – não entendo por que o Nacib de agora (Humberto Martins) fala com sotaque baiano. Era um elenco maravilhoso, figurinos e cenários grandiosos”, orgulha-se o diretor.

Para o posto de protagonista, entretanto, Jorge Amado pediu a Sherman e ao autor, Antônio Bulhões de Carvalho, que fosse escolhida uma moça capaz de transmitir a ingenuidade da personagem. “Diversas atrizes nos procuraram querendo o papel, algumas até meio coroas, sabe… Mas ele queria uma mulher desconhecida”, anota. “Na verdade, a Gabriela precisa ser gostosa e praticamente não tem falas… Ela não participa de nada importante que acontece no romance, só faz cozinhar e transar”, diverte-se. “Não pode ser sensual demais, porque é uma moça do interior da Bahia que foi criada na base da porrada.”

Janete Vollu foi encontrada entre as vedetes do show do produtor Carlos Machado. Foi seu primeiro e último papel. “Ela chegou a se animar com a carreira e adotar o nome de ‘Gabriela Vollu’, mas logo se casou. O marido não aprovava a carreira”, diz Sherman, acrescentando que a Gabriela pioneira morreu jovem, aos 34 anos, sem deixar imagens. É que as imagens da novela, um dos primeiros programas gravados em videoteipe, perderam-se no tempo.

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09/08/2012

às 11:16 \ Bastidores

Carolina Dieckmann será a Afrodite dos Jogos de 2016

Carolina Dieckmann: deusa olímpica com jeito de rainha de bateria (Divulgação/Globo)

A agenda de Juliana Paes, a primeira escalada para a função, estava cheia, e ficou com Carolina Dieckmann o posto de Afrodite no clipe da música Os Grandes Deuses do Olimpo Visitam o Rio de Janeiro, que vai embalar o início da contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de 2016.

Dirigida por Estevão Ciavatta, da Pindorama Filmes, a atriz aparecerá num belo vestido dourado, como uma rainha de bateria. As cenas foram gravadas ontem na quadra da Portela, em Madureira, na zona norte.

A música, de Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, fala sobre as impressões dos deuses gregos ao chegarem à cidade e foi uma encomenda da prefeitura do Rio. “Ficaram até de perna bamba de tanto sambar”, diz a letra.

A produção, gravada durante a última semana em diversos pontos turísticos do Rio, tem ainda como deuses Fernanda Montenegro, Nelida Piñon, Martinho da Vila, Rodrigo Santoro, Hélio de la Peña, Regina Casé, entre outros. No coro, de luxo e em clima de We Are The World, estão nomes como Roberta Sá, MC Catra, Sandra de Sá, Toni Garrido, Zeca Pagodinho, Pedro Luiz, Nina Becker, Zélia Duncan e Jorge Aragão.

Não é a primeira vez que Carolina se faz de Afrodite: em 2009, ela posou como a Vênus de Milo para a exposição Mitos & Ícones, na foto abaixo:

(Divulgação/Thiago Costa)

 

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06/08/2012

às 13:22 \ Eu faço drama

Jorge Amado e suas musas de carne e osso

Gabriela (Juliana Paes): audácia feminina é o traço mais marcante dos livros do autor a saltar das adaptações da TV (Divulgação/Globo)

À parte das comparações entre a primeira e a segunda adaptação de Gabriela, ou sobre quem é mais cravo e canela, se Sônia Braga ou Juliana Paes, é muito bom ter o universo de Jorge Amado de volta à TV. Ainda mais quando se comemora o centenário de nascimento do escritor, em 10 de agosto de 1912.

Antes da nova Gabriela, o mais adaptado dos autores brasileiros não era usado pela teledramaturgia desde 2002, um ano depois de sua morte, quando a Globo levou ao ar a microssérie Pastores da Noite, de Guel Arraes, Sérgio Machado e Cláudio Paiva.

Entre a crônica de costumes e a crítica política que emergem dos romances do autor, o papel da mulher na sociedade é o traço mais marcante das novelas e minisséries baseadas nas suas obras. A começar pela maior de todas, a própria Gabriela, Jorge brindou os leitores (e, consequentemente, telespectadores) com musas encantadoras – valentes, donas de si, transgressoras e, sobretudo, muito sensuais.

Relembre abaixo uma seleção das heroínas de Jorge na TV, um conjunto de adaptações que se completa com Terras do Sem Fim, novela de Walter George Durst de 1981, Tenda dos Milagres, minissérie de 1985, Capitães da Areia, minissérie de 1989 na Band, e Porto dos Milagres, novela que Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares escreveram em 2001 com base nos romances Mar Morto e A Descoberta da América pelos Turcos.

→ Gabriela, 1975

A melhor cozinheira de Ilhéus no começo dos anos 1920 é a primeira que vem à mente quando o assunto é Jorge Amado. Imortalizada por Sônia Braga na novela de 1975, ela é um dos sinônimos da mulher brasileira, mito que agora é reforçado com a nova versão estrelada por Juliana Paes. Antes das duas, mas com menos fama, houve uma primeira Gabriela, na TV Tupi: a corista Janete Vollu viveu a personagem numa adaptação de 1961. Nesta cena, Gabriela de Sônia parece um tanto inebriada demais debaixo da chuva.

→ Tieta, 1989

Tieta, uma mulher forte que volta rica, linda e poderosa para se vingar da cidade que a expulsou 25 anos antes num arroubo de moralismo, foi outra heroína porreta de Jorge Amado a render uma novela inesquecível, protagonizada por Betty Faria. Abaixo, ela dá um último passeio pelas dunas da praia de Mangue Seco, seu cenário preferido.

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03/08/2012

às 11:43 \ Folhetinescas

Traições de novela: um consolo para Robert Pattinson

Pattinson no tapete vermelho de Cannes (Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters)

Pattinson no tapete vermelho de Cannes (Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters)

Se passar por uma traição já é suficientemente constrangedor, imagine se a coisa acontece em escala planetária e com contornos de novela das 9. Pobre Robert Pattinson, que leva vida de personagem de folhetim desde que veio à tona o envolvimento de sua namorada, Kristen Stewart, com o diretor Rupert Sanders. Perseguido pelos paparazzi como o Edward de Crepúsculo é caçado pelos vampiros do Mal no filme, o ator, segundo consta, refugiou-se na casa de ninguém menos que Reese Witherspoon – será que é um sinal de que tudo pode terminar em clima de comédia romântica?

Pattinson não está sozinho neste drama, mas acompanhado de um sem-fim de tipos da ficção em geral, seja literatura, cinema, teatro e, claro, teledramaturgia. Trair é um dos verbos que mais se conjugam nas novelas – na comédia e na tragédia. Em Gabriela, há a tragédia do Coronel Jesuíno (José Wilker), que vai matar a mulher, Sinhazinha (Maitê Proença), e o amante dela, Osmundo (Erik Marmo). E o caso de Nacib (Humberto Martins) que, insistindo em casar com Gabriela (Juliana Paes), vai praticamente cair na comédia e pedir para ser o traído mais famoso de Ilhéus.

Abel (Anderson Muller) e sua Norminha (Dira Paes), de 'Caminho das Índias' (Divulgação)

O turco vai demorar para descobrir, e de certa forma passará por “corno manso”, como o Abel (Anderson Muller) de Caminho das Índias (2009). À noite, ele era dopado pela mulher, Norminha (Dira Paes), que fingia ser ótima esposa, mas vivia na esbórnia. Quando ele descobriu, a história deixou de ser comédia e virou um drama – mas eles se acertaram no final.

Mas o marido-enganado-sensação do momento é Tufão (Murilo Benício) de Avenida Brasil, que como o hollywoodiano Pattinson protagoniza um caso de traição com grande audiência. Honesto e gente fina, trata a mulher Carminha (Adriana Esteves) como uma rainha, sem saber que ela mantém, há anos, um romance com o cunhado Max (Marcello Novaes) embaixo do próprio teto.

Uma traição e, pronto, já se começa uma novela. Por isso, os protagonistas traídos são muitos, como o Totó (Tony Ramos) de Passione (2010), que deixou-se encantar e enganar por Clara (Marina Ximenes), pilantra que estava de olho na herança dele. Trair é uma coisa, trair e roubar é outra. Sem precisar de um embasamento científico, é possível afirmar que a maioria das adúlteras da ficção trai principalmente por dinheiro ou por estar com o traído apenas por interesse. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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