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Glória Pires

13/02/2013

às 17:01 \ Folhetinescas

‘Guerra dos Sexos’ lança a “micareta de San Gennaro”

Nieta (Drica Moraes) e Dino (Fernando Eiras) fazem as pazes em 'Guerra dos Sexos': sob a bênção de San Gennaro (Divulgação)

Em pleno carnaval, houve quem preferisse se fartar numa bela macarronada com polpetone em Guerra dos Sexos (Globo, 19h). Se a “folia fora de época” é uma realidade que deve se arrastar até pelo menos domingo, a novela de Silvio de Abreu inventou o “San Gennaro fora de época”.

Nos últimos dias, a trama foi tomada pela tradicional comilança em homenagem ao santo italiano, que acontece há 40 anos na Mooca entre setembro e outubro. Durante a festa, Nieta (Drica Moraes) conseguiu amolecer o coração do marido, Dino (Fernando Eiras), depois de aparecer tristonha na sua barraca de macarronada – ele andava falando em separação depois que descobriu que ela recebeu dinheiro de Otávio (Tony Ramos) para prejudicar Roberta (Glória Pires).

O descompasso entre a data real e fictícia da festa ocorre porque o remake tem sofrido poucas alterações em relação à novela original que, em 1983, estreou no início de junho. Portanto, o momento em que Nieta e Dino se reconciliam foi ao ar em setembro em total sintonia com a comemoração real na Mooca. Na nova versão, aliás, a festa que tem recebido milhares de visitantes ávidos por mussarela todos os anos foi reproduzida num clima que só pode ser “de época” – perfeitamente transitável como talvez tenha sido há 30 anos.

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06/12/2012

às 17:20 \ Fotonovela

Mariana Ximenes é Audrey Hepburn em ‘Guerra dos Sexos’

Juliana (Mariana Ximenes): festa hollywoodiana (Divulgação/Globo)

Uma festa hollywoodiana vai agitar Guerra dos Sexos (Globo, 19h30) a partir de amanhã. Para a superprodução a fantasia, a equipe da figurinista Marília Carneiro escolheu a dedo um ícone do cinema para vestir cada um dos convidados de Charlô (Irene Ravache).

Roberta (Glória Pires), a homenageada da noite (Divulgação)

Juliana (Mariana Ximenes) aparecerá encantadora como Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (1961). Vânia (Luana Piovani) é outra que acertou no traje – é a própria Barbarella, do filme estrelado por Jane Fonda em 1968. A anfitriã Charlô será Mata Hari, vivida no cinema em 1931 por Greta Garbo, e a homenageada da noite, Roberta Leone (Glória Pires), aparece como uma Cleópatra mais ousada que a de Elizabeth Taylor – num glamouroso longo vermelho.

Na trama escrita por Silvio de Abreu, apreciador notório da época de ouro do cinema americano, a festa não vai transcorrer sem confusão. Vestido como Rodolfo Valentino em O Sheik (1921), Otávio (Tony Ramos) aparece acompanhado de uma ex-amante, Mirelle Darriex (Rosamaria Murtinho, em participação especial). Um acordo com a francesa estava nos planos do time feminino, o que daria larga vantagem sobre o time masculino na aposta que opõe Otávio e Charlô.

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02/10/2012

às 7:35 \ Folhetinescas

Gente rica vai à forra em ‘Guerra dos Sexos’

Leitura do testamento deu a largada na trama, como há 30 anos (Divulgação)

A mudança radical de cenário – do morro carioca para os jardins paulistanos – é o primeiro choque de Guerra dos Sexos, novela das 19h da Globo que estreou ontem. A elegância discreta das paulistanas da novela chega a ser uma ousadia nestes tempos de agrado explícito à nova classe C, que estrela sucessos como Cheias de Charme e Avenida Brasil tem disseminado a estética A Grande Família por toda a TV.

De volta ao horário que o consagrou, Silvio de Abreu fez um diálogo bem divertido entre a primeira e a nova versão da novela de 1983, com referências que desafiam os entendidos, além de citações de outras novelas e filmes.

Os personagens, pode-se dizer pelo primeiro capítulo, são interpretados com um pé na novela original. Irene Ravache, nossa Meryl Streep, imprime em Charlô o mesmo jeito prafrentex da personagem interpretada por Fernanda Montenegro, e Tony Ramos faz o novo Otávio com os trejeitos de Paulo Autran. É um recurso que serve bem ao argumento que, numa conspiração cósmica típica das chanchadas da Altântida, traz duas criaturas exatamente iguais aos protagonistas da primeira versão. Antes eram Bimbo e Cumbuca; agora são seus sobrinhos,  Bimbinho e Cumbuqueta – é tão maluco que só pode ser legal.

Nas redes sociais, os noveleiros, entre mais aplausos do que vaias, perguntavam se a discussão em torno da guerra entre homens e mulheres poderá render. Estampado de maneira bem didática pelas cenas do primeiro capítulo, o conceito da novela deve se diluir nos próximos dias – o principal da história não é eles contra elas, mas o time de Charlô contra o time de Otávio. É uma briga que tem tudo para ser boa.

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20/09/2012

às 11:34 \ Bastidores

Cinco vezes ‘Guerra dos Sexos’

Elenco da nova 'Guerra dos Sexos' na sala de Charlô: "Vai ser melhor", promete Silvio de Abreu (Divulgação)

Com a mesma música tema – aquela do “cheguei pra conquistar o mundo”, regravada pelo mesmo The Fevers – e o mesmo ponto de partida – a disputa entre homens e mulheres –, a nova Guerra dos Sexos estreia no dia 1º de outubro com a árdua missão de substituir Cheias de Charme, sucesso como há muito tempo a faixa das 19h da Globo não via. Grande elenco, elegância e o texto preciso de Silvio de Abreu, um dos autores mais bem-sucedidos e imitados da teledramaturgia nacional, são as armas da produção, a cargo do mesmo Jorge Fernando que dirigiu a novela original com Guel Arraes em 1983.

Abaixo, o blog destaca cinco pontos da nova novela:

Maria de Fátima e César

No papel de Roberta Leone, a maior aliada de Charlô, Glória Pires volta a contracenar com Carlos Alberto Riccelli. Os dois formaram o par histórico Maria de Fátima e César em Vale Tudo (1988). “Foi muito rápido – dez cenas apenas. Mas adorei!”, comemora a atriz. Hoje diretor de cinema e afastado das novelas desde A Indomada (1997), Riccelli será Vittorio, dono de uma marca de roupas esportivas que morre de infarto logo no começo da novela.Será a deixa para Roberta se envolver com Felipe, papel de Edson Celulari.

De mãe para filha

Na coletiva de imprensa que apresentou a novela ontem, no Projac, Glória Pires não economizou na corujice em torno da filha Antonia Morais, que estreia em novelas como Leda. “ Ela está empolgada, envolvida. É tão bonitinho!”, repetia ela, que divide o ofício também com Cléo Pires e contracenou em As Brasileiras com a caçula, Ana. Recém-chegada de Minas, Leda será a rival de Vânia na Charlô’s e terá um affair com Ronaldo, interpretado pelo também estreante Jesus Luz.

Repeteco

Com bom humor, o autor Silvio de Abreu aposta que a nova Guerra dos Sexos será melhor que a primeira, escrita por ele em 1983. “Quando a primeira estava no ar, parecia não haver cena ruim, porque a Fernanda Montenegro e o Paulo Autran tornavam qualquer texto excelente”, observou ele, citando os protagonistas originais. “Agora, relendo os capítulos, peguei cada coisa… Nada melhor do que a experiência”, completa ele, que desde então fez 11 novelas.

Glória Pires e Antonia: corujice típica de mãe (Divulgação)

Batalha de brioches

A cena de pastelão em que Charlô e Otávio atiram comida um no outro durante o café da manhã, marca maior da primeira Guerra dos Sexos, já foi gravada e começa ir ao ar no final capítulo 9. Mas será mostrada no domingo anterior no Fantástico, numa reportagem que vai mostra os bastidores da bagunça cênica. “Foi indolor por causa do humor que a cena precisava ter”, resumiu Tony Ramos, o novo Otávio, que teve lágrimas nos olhos todas as vezes em que alguém citava Paulo Autran (1922/2007).

Hogwarts

Charlô (Fernanda Montenegro) e Otávio (Paulo Autran), tios dos atuais protagonistas, estarão presentes durante toda a nova novela. Dois quadros dos personagens foram posicionados estrategicamente sobre a lareira da mansão dos Alcântara – e eles vêem tudo. Graças a efeitos de computação gráfica, as imagens se mexem mais ou menos como os retratos dos filmes de Harry Potter.

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23/07/2012

às 11:06 \ Folhetinescas

‘Avenida Brasil’ recorre a Eça de Queiroz

Marília Pêra foi a Juliana na adaptação para a TV de 'O Primo Basílio': Nina aprendeu com ela como domar uma patroa (Divulgação/Globo)

Se quando leu o livro presenteado por Nina (Débora Falabella), Tufão (Murilo Benício) não prestou muita atenção, ele terá nova oportunidade numa encenação particular de O Primo Basílio dentro de sua própria casa. Nos próximos capítulos de Avenida Brasil, a cozinheira vai repetir a personagem Juliana de Eça de Queiroz e fazer de Carminha (Adriana Esteves) sua Luísa.

Como visto na semana passada, Nina já estava pronta para dar fim à vingança contra a ex-madrasta. A intenção era entregar para o marido traído as fotos que fez da vilã em situação comprometedora em companhia do cunhado e capanga, Max (Marcello Novaes), mas Carminha estava um passo à frente e eis que Nina foi parar na cova de um cemitério. Diante dessa nova maldade, encerrar a vingança pra quê?

Nina (Débora Falabella): mocinha? (Reprodução)

No capítulo de hoje, Nina voltará à mansão e usará o trunfo das fotos para chantagear a madame, com requintes de crueldade – a ponto da família Tufão desconfiar de sua sanidade mental. Assim, num novo ponto alto do roteiro de João Emanuel Carneiro, estará mais próxima de uma vilã do que de uma mocinha. “Ela vai se arrepender de não ter me matado”, dirá Nina, com cara de quem não está para brincadeiras.

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Nina supera Cadinho em ‘Avenida Brasil’

Em O Primo Basílio, romance de 1878 que ajudou a fundar as bases dramáticas do que seria a telenovela, a empregada é a vilã e a senhora da casa, uma mocinha iludida e adúltera. Juliana, ressentida e invejosa, consegue interceptar cartas de amor da patroa e seu primo. Com chantagem, ameaçando contar tudo ao marido traído, consegue dinheiro e vantagens mil, como deixar de fazer o serviço da casa. A situação, entretanto, não acaba bem para nenhuma das duas, que morrem no final.

O livro, vale lembrar, foi adaptado por Gilberto Braga e Leonor Básseres, em 1988, em minissérie da Globo dirigida por Daniel Filho. Juliana foi interpretada por Marília Pêra, no que talvez seja o seu papel mais marcante na TV, e Luísa, por Giulia Gam. Em 2007, o mesmo Daniel Filho dirigiu uma adaptação do romance para o cinema – Juliana foi interpretada por Glória Pires e Luísa, coincidentemente, por Débora Falabella.

Na cena abaixo, da minissérie, veja como Luísa é a própria Carminha e Juliana tem um tudo de Nina. É o momento em que a empregada se recusa a trabalhar porque está com as tais cartas que comprometem a patroa e tem tudo a ver com o que vai ao ar hoje em Avenida Brasil:


29/06/2012

às 13:11 \ Folhetinescas

E tudo termina bem em ‘As Brasileiras’

Fernanda Montenegro (Mary Torres) e Paulo José (Rômulo): diálogo no carro foi ponto alto (Ique Esteves/Divulgação)

Em conversa com o blog publicada na última quarta, Fernanda Montenegro perguntou o que seria dela se, depois de 60 anos de carreira, não tivesse um tanto de bajulação ou alguém a passar-lhe a mão na cabeça. Mas não deve ser vista como bajulação a constatação de que Maria do Brasil foi o melhor episódio da temporada de As Brasileiras, que terminou ontem a primeira temporada na Globo.

A história da atriz veterana mas sem talento que se vê incapaz de agradar manteve equilíbrio delicado entre o cômico e o lírico, nos bons diálogos entre Mary Torres (Fernanda Montenegro) e seu camareiro Ney (Pedro Paulo Rangel). “Faltou um pouco de brilho, talento”, concluiu a personagem que, apesar da falta de aptidão, só queria atuar – de cortar o coração. Gracioso também o final reservado à personagem, que encontrou em RIomulo (Paulo José) um fã – toda estrela deve ter o seu. A cena dos dois dentro do carro antigo, ela aflita para decorar a única fala que teria na filmagem da novela, deve estar entre as mais belas do ano na TV.

Maria Ximenes foi A Adormecida de Foz do Iguaçu (Divulgação)

Mas nem todos os 22 episódios tiveram boa solução como o último. Alguns deram a impressão de apressar o final para caber nos 20 minutos, caso de A Viúva do Maranhão, com Patrícia Pillar. O formato, que voltará com algumas mudanças no ano que vem, é charmoso ao ancorar cada um dos episódios no carisma – e em alguns casos na sensualidade – de uma atriz. Nem todas, entretanto, deram sorte com seus enredos. Juliana Alves, A Mascarada do ABC, apareceu contando história para boi dormir, enganando o marido como uma stripper mascarada – mais inverossímil impossível e, pior, sem muita graça.

Entre as melhores, Ivete Sangalo, de veia cômica natural, divertiu como A Desastrada de Salvador; Letícia Sabatella revelou-se para a comédia em A Apaixonada de Niterói; Mariana Ximenes arrasou como A Adormecida de Foz do Iguaçu. Sandy foi bem como A Reacionária do Pantanal e Glória Pires também como A Mamãe da Barra, atuando ao lado das filhasNenhuma paulistana poderia aprovar o sotaque forçado da carioca Giovanna Antonelli como A Venenosa de Sampa, mas não é por isso que se deixa de reconhecer na perua interpretada por ela algumas de nossas conterrâneas.

Com gravações por todo o país numa produção grandiosa, o mosaico de beldades ficou interessante no fim das contas. E encerramento feito por Fernanda Montenegro deixou a sensação de que os acertos prevaleceram. É bem como disse Pedro Paulo Rangel na ultima cena: tudo bem quando termina bem.

E qual é sua “brasileira” favorita? Deixe seu comentário.

* Abaixo, veja um making-of da charmosa abertura, feito pela Lereby, a produtora do idealizador e narrador da série, Daniel Filho. “As pessoas veem todas essas mulheres juntas e pensa que é uma briga de egos, mas nada disso…”, diz Juliana Paes, A Justiceira de Olinda:

17/05/2012

às 18:40 \ Fotonovela

Glória contracena com as filhas em ‘As Brasileiras’

Glória e a filha Ana em cena: adolescência e excesso de proteção (Divulgacão/Ique Esteves)

A chegada dos filhos à adolescência é uma experiência pode ser ao mesmo tempo assustadora e cômica. Como As Brasileiras é uma série de humor, as roteiristas Thalita Rebouças (sim, a escritora best seller do segmento adolescente) e Ana Maria Moretzsohn aproveitam para extrair o que há de mais engraçado nessa passagem no episódio A Mamãe da Barra, que vai ao ar hoje, na Globo (23h25).

Com Glória Pires no papel da protagonista Ângela Cristina, o episódio conta a história de uma mãe que faz de tudo para continuar sendo uma amiga para a filha. Esta é Malu (Ana Pires de Morais), que, às portas da adolescência, morre de vergonha do excesso de proteção da família.

Glória e Antonia (Divulgação/Ique Esteves)

O charme do episódio é a participação de Ana, de 11 anos, e Antonia Morais, de 19, filhas de Glória que, como Cléo Pires, seguem os passos da mãe na carreira. As duas interpretam a mesma personagem – Antonia é como Malu será no futuro, na imaginação de Ângela. “A Ângela Cristina é o retrato de uma mãe extremamente comum a todas nós, com seus medos, alegrias, incertezas e dúvidas que assombram a cabeça em torno de tudo que se relaciona aos filhos”, observa Glória.

O episódio, vale lembrar, é mais uma parceria entre Glória Pires e o diretor-geral Daniel Filho, do sucesso Se Eu Fosse Você (2006) e Se Eu Fosse Você 2 (2009). Numa das cenas, aliás, Glória dança numa festa como fez nos dois longas-metragens. Uma boa história entre os dois é que o diretor reprovou a atriz num teste, quando ela tinha 6 anos. Mais tarde, já adolescente, ela acabou dirigida por ele em Dancyn’ Days, de 1978, novela na qual interpretou Marisa, a filha da protagonista Júlia Matos (Sônia Braga).

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06/05/2012

às 23:45 \ É página virada

Quando a literatura visita a telenovela

Tufão (Murilo Benício) lê 'Madame Bovary' – e a ficha do craque não cai (Divulgação/Globo)

Os livros não são somente inspiração para a teledramaturgia, seja nas adaptações ou citações. Muitas vezes, eles aparecem mesmo em cena, fazendo mera figuração, como uma dica de leitura para o telespectador ou até mesmo um recado do autor. João Emanuel Carneiro, no ar com Avenida Brasil, gosta do recurso e está sempre pondo seus personagens para ler – a Flora (Patrícia Pillar) de A Favorita (2008), por exemplo, teve bastante tempo para leitura nos 18 anos que passou na prisão. Por isso, era uma vilã culta, cheia de teatralidades e tão ardilosa.

Na atual novela das 21h, o autor dá livros a quem mais precisa: Tufão (Murilo Benício), que se diverte com as histórias sugeridas por Nina (Débora Falabella). Até agora foram A Metamorfose, de Franz Kafka, e Madame Bovary, de Gustave Flaubert, certamente duas tentativas da heroína de azeitar os neurônios do ex-craque do Divino Futebol Clube. Como o protagonista da novela de Kafka, Tufão sustenta uma família numerosa, que se acostumou a viver cercada de luxos graças ao seu trabalho. Espera-se que ele acorde um dia, como acordou Gregor Samsa – acordar para a vida e não como uma barata, claro. Carminha (Adriana Esteves) não chega a ser uma Emma Bovary, mas o caso de adultério do livro de Flaubert serviu como mensagem subliminar de Nina para o patrão. A piada é que se ele não consegue perceber as escapadas da mulher com o cunhado Max (Marcello Novaes) dentro da própria casa, imagine se terá perspicácia suficiente para se perceber um Charles Bovary. Não custa tentar.

Mãe Lucinda (Vera Holtz) também apareceu lendo Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, para as crianças do lixão, em cena muito graciosa. Mas usar a novela como vitrine não é exclusividade de João Emanuel, é algo presente na obra de quase todos os autores, como Manoel Carlos, Silvio de Abreu, Maria Adelaide Amaral, Walcyr Carrasco e Gilberto Braga. Deste último, podemos citar a personagem Norma (Glória Pires), de Insensato Coração(2010), que como Flora, aproveitou o tempo na cadeia para pôr a leitura em dia e arquitetar sua vingança contra Léo (Gabriel Braga Nunes), seu ex-amor traidor.

Norma (Glória Pires), em 'Insensato Coração' (Divulgação/Globo)

Entre os livros que apareceram na sua cela – como Crime e Castigo, de Dostoiévski, e O Vermelho e o Negro, de Stendhal –, o que mais chamou a atenção do público foi o best-seller O Outro Lado da Meia-Noite, de Sidney Sheldon. Na época, ele esteve em destaque na lista dos itens mais pedidos da Central de Atendimento ao Telespectador (CAT) da Globo, entre os batons mais desejados e vestidos mais bonitos da temporada. Outro que também aproveitou a prisão para crescer intelectualmente foi o Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi), do remake de O Astro (2011). Teve como mentor Ferragus (Francisco Cuoco), detento muito misterioso que o introduziu no ilusionismo e na arte da oratória – uma verdadeira universidade, sem sair da cela.

Mais do que leitores eventuais, há ainda os personagens que vivem no mundo da literatura. Miguel (Tony Ramos) era livreiro em Laços de Família (2000), de Manoel Carlos, com loja no Leblon, por onde passava boa parte do elenco da novela. Pedro (Bruno Garcia), da minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, era um escritor um tanto perturbado e em crise de criatividade. Sobre ele, uma curiosidade: os livros do cenário – títulos de escritores como Pablo Neruda, Eduardo Galeano e Gabriel García Márquez, entre outros – foram escolhidos pela própria autora.

25/04/2012

às 12:05 \ Bastidores

Saiba tudo sobre a nova ‘Guerra dos Sexos’

Irene Ravache será a combativa Charlô: guerra volta com elas por cima (Divulgação/Globo)

Basta uma olhada rápida nas novelas que estão no ar para concluir que as mulheres estão com tudo, na vida e na ficção. Espelho imediato do que acontece na sociedade, a novela se esmerou em deglutir e traduzir conceitos que dariam conteúdo para verdadeiras teses de estudo social mas que, nas mãos de um bom autor, tornaram-se comédias memoráveis.

Foi assim com Guerra dos Sexos, trama de 1983 que começa a ser regravada em julho para voltar  à TV no segundo semestre, substituindo Cheias de Charme na faixa das 19h da Globo. As gravações, sob a batuta do mesmo Jorge Fernando que dividiu a direção a original com Guel Arraes, começam pela mesma São Paulo da primeira novela, escrita por Silvio de Abreu na crista da onda – para usar um termo da época – que elevou as mulheres ao patamar de soberanas.

Nesse contexto, a Charlô (Fernanda Montenegro), que lutava com o primo Otávio (Paulo Autran, 1922-2007) pelo controle da rede de lojas de roupas da família, seria uma ancestral da Monalisa (Heloísa Périssé), de Avenida Brasil, que, dona de si, vive recusando os pedidos de casamento de Silas (Ailton Graça) e, melhor, costuma dizer aos quatro ventos que “com internet e televisão, ninguém precisa mais de homem”. O equilíbrio seria, sem dúvida, um caminho mais prudente, mas se as mulheres parecem ter ganho (será?) a guerra dos sexos da vida real, de que tratará o remake de Guerra dos Sexos, quase 30 anos depois?

Otávio (Paulo Autran) e Charlô (Fernanda Montenegro), em 1984 (Divulgação)

“A guerra será a mesma, com duas partes antagônicas lutando pelo poder. As mulheres estão por cima, então os homens serão a parte mais fraca nessa nova versão”, adianta o autor Silvio de Abreu, jogando conversa fora com o Quanto Drama!. “Mas toda a comédia será preservada e a novela não pretende ser, como também não foi (em 1984), nenhum estudo sociológico do comportamento masculino ou feminino. Vou, sim, usar o antagonismo eterno entre os dois sexos para fazer uma divertida comédia.”

Silvio vem tentando refazer Guerra dos Sexos há alguns anos. O primeiro projeto, que teve Jorge Fernando como capitão, era levar a história aos cinemas, mas a produção era caríssima e, somada à rotina do autor sempre envolvido entre novelas das 21h da Globo, mostrou-se inviável. O remake de Ti-Ti-Ti, novela de Cassiano Gabus Mendes repaginada com grande sucesso por Maria Adelaide Amaral em 2010, abriu caminho para a volta da história de Bimbo e Cumbuca, de novo como novela.

O elenco, principal preocupação quando se fala de remakes de novelas de grande sucesso como foi Guerra dos Sexos, está praticamente todo escalado – muito bem escalado, anote-se. Na cena da batalha de brioches no café da manhã, talvez a mais reprisada da história da TV (se não resistir, reveja aqui), estarão agora Irene Ravache e Tony Ramos, como Charlô e Otávio.

O atrapalhado Felipe, papel que mostrou um Tarcísio Meira diferente do que o público estava acostumado a ver, será agora de Edson Celulari. Relembrando: o personagem é o filho adotivo de Charlô, mas, como homem, passa para o lado de Otávio quando a guerra começa. Ele será seduzido pela inescrupulosa Carolina, vilã interpretada por Lucélia Santos no original e que agora será feito pela doce Bianca Bin – na época, como se sabe, Lucélia também era especialista em mocinhas doces e deu uma virada graças à ousadia de Silvio.

Bianca Bin será a vilã Carolina (Divulgação)

Roberta, braço-direito de Charlô e antes de Glória Menezes, será agora papel de Glória Pires. É ela que se envolve com o motorista bonitão Nando, que foi interpretado por Mário Gomes – o personagem continuará bonito, porque agora é de ninguém menos que Reynaldo Gianechinni. Na disputa pelo moço – que tinha uma tal tatuagem no peito que deixava a audiência louca – está também Juliana, filha de Felipe. No original, ela foi personagem de Maitê Proença; agora, volta como Mariana Ximenes.

Já confirmados no elenco ainda estão Drica Moraes, que será a noveleira Nieta, que é casada com Dinorah, antes Ary Fontoura, e agora Fernando Eiras; Mayana Moura será Veruska, a secretária de Roberta que é espiã de Otávio – o papel foi de  Sônia Clara na novela original; Ulisses, o boxer apaixonado por Carolina e que em 1984 foi interpretado por José Mayer será vivido por Eriberto Leão.

16/03/2012

às 10:13 \ Bastidores

‘Avenida Brasil’ testa um novo modelo de vilã

Débora Falabella, no lançamento de 'Avenida Brasil': Nina é heroína controversa (Divulgação/TV Globo)

Até mesmo depois do lançamento para imprensa e mercado publicitário, ontem à noite, a nova novela das nove da Globo, Avenida Brasil, segue cercada de mistério. Para preservar a surpresa em torno do enredo escrito por João Emanuel Carneiro, os atores entraram na quadra da Acadêmicos da Rocinha, no Rio, bastante atentos a qualquer pergunta que pudesse levar a conclusões sobre o desenrolar do enredo. A novela estreia dia 26, no lugar de Fina Estampa.

“Ela não vai medir esforços. É uma mulher que não vai conseguir se realizar, ser feliz e levar a vida adiante se não acertar as contas com o passado”, disse a atriz Débora Falabella, sobre a protagonista Nina e respondendo enigmaticamente se a personagem poderá parecer vilã em alguns momentos. “O grande barato é isso: não fazer a totalmente boa, nem a totalmente má.”

João Emanuel, entretanto, é mais enfático. “Às vezes, ela age como vilã, mas por uma causa nobre”, adiantou. O que ela fará? Por enquanto, falou-se que a heroína, abandonada num lixão pela madrasta após a morte do pai, é adotada por uma boa família argentina, e volta daquele país 13 anos depois. Quer reencontrar Carminha, a tal sem coração, interpretada por Adriana Esteves.

Por muitas vezes, tentou-se na festa de ontem induzir o autor e a atriz à comparação com a temida Flora, que Patrícia Pillar viveu em A Favorita, em 2008. Do mesmo João Emanuel, a trama começou explorando a dúvida sobre quem seria a vilã – se Flora ou Donatella (Claudia Raia). Por isso, muita gente torceu por Flora. E a vingança sem medir esforços também lembra a Norma (Glória Pires) de Insensato Coração (2011), que depois de ser presa injustamente, volta para se vingar do homem que a enganou, Léo (Gabriel Braga Nunes).

Será que, como ela, Nina vai deixar alguns corpos no caminho? “Olha, realmente eu não sei… Mas ela será capaz de tudo. É isso”, despistou Débora.

 

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