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Giovanna Antonelli

07/07/2014

às 13:09 \ Folhetinescas

Mais 5 mistérios de ‘Em Família’

Cabelo de lado, esmalte e batom da mesma cor, além do ar etéreo: Clara (Giovanna Antonelli) está se tornando um clone de Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

Cabelo de lado, esmalte e batom da mesma cor, além do ar “lesbian chic”: Clara (Giovanna Antonelli) está se tornando um clone de Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

A duas semanas do fim, Em Família (Globo, 21h15) guarda, como toda telenovela que se preze, um bocado de mistérios – alguns bem planejados e necessários à trama; outros, nem tanto. Dúvidas cruéis, como a paternidade de Bia (Bruna Faria), a morte de Gorete (Carol Macedo) e a loucura de Laerte (Gabriel Braga Nunes) já foram levantadas neste post.

Mas eis que a novela tem muito mais pontos obscuros. Confira abaixo mais cinco mistérios que, provavelmente, ficarão sem resposta quando a novela acabar, no dia 19:

1. Clara está virando Marina

No começo, Clara (Giovanna Antonelli) era uma mulher adulta que usava roupas e cabelo de adolescente. A personagem evoluiu, descobriu-se homossexual e apaixonada por Marina (Tainá Müller), e essa transformação reflete-se no figurino mais sofisticado que ela passou a usar. Mas a produção acabou errando a mão e, agora que está prestes a se casar, Clara parece um clone da namorada: elas usam a mesma cor de esmalte, o mesmo batom e até penteiam o cabelo para o lado. As “coincidências” na caracterização das personagens esbarram no velho clichê de que namoradas lésbicas costumam se transformar umas nas outras. O casal Clarina merecia mais do que isso.

 

O pequeno Artur, filho de Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) vai a um passeio na favela , onde faz mais sol do que no resto da cidade (Reprodução)

O pequeno Artur, filho de Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) vai a um passeio na favela , onde faz mais sol do que no resto da cidade (Reprodução)

2. Solarização da favela

É de se esperar que o Rio de Janeiro apareça lindo e maravilhoso nas novelas, ainda mais nas de Manoel Carlos, um dos grandes apaixonados pela cidade. Mas não dá para entender por que somente as cenas da favela onde vive Jairo (Marcello Melo Jr.) aparecem com um filtro amarelo e saturação exagerada das cores, como se o morro – e apenas ele – fosse banhado por uma luz completamente diferente da que se vê no Leblon e na Barra.

3. Desembucha, Guiomar!

Como uma boa trama e doida de pedra, Juliana (Vanessa Gerbelli) é sem dúvida uma das melhores personagens de Em Família. Mas, na reta final, algumas peças de sua história dão nó na cabeça do noveleiro. Ao que parece, o autor quer redimir e premiar o banana do pedaço, Nando (Leonardo Medeiros) que, sem a força e personalidade de Jairo (Marcello Melo Jr.) rirá por último, quando for revelado que ele é o verdadeiro pai da pequena Bia (Bruna Faria). Mas se a fiel escudeira de Juliana, Guiomar (Jessika Alves), sabia do caso de Nando e Gorete (Carol Macedo) e, ainda, a que menina poderia ser filha dele, por que deixou para contar só agora, mesmo tendo presenciado todo o sofrimento da patroa para ficar com a criança? Coisas de final de novela….

 

Antes ambientada na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, a faculdade onde estudam os personagens jovens da novela se resumiu a uma das escadas do Projac: coisas de fim de novela (Reprodução)

Antes ambientada na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, a faculdade onde estudam os personagens jovens da novela se resumiu a uma das escadas do Projac: coisas de fim de novela (Reprodução)

4. Encontro na escada

A produção de Em Família gravou durante meses a fio na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, as cenas de Luiza (Bruna Marquezine) na universidade, onde também estudam outros personagens, como André (Bruno Gissoni) e Leto (Ronny Kriwat). Mas agora que a protagonista abandonou o curso e a novela está na reta final, em vez da lanchonete, a turma da faculdade deu para aparecer invariavelmente apertada numa escada – que, quem conhece sabe, fica no Projac. Coisas de orçamento apertado.

 

 

Rejeitado pelas mulheres durante toda a novela, Nando (Leonardo Medeiros)  nem precisou sair do escritório – foi "atacado" ali mesmo pela secretária 'Mad Men', Isolda (Silvia Quadros) (Reprodução)

Rejeitado pelas mulheres durante toda a novela, Nando (Leonardo Medeiros) nem precisou sair do escritório – foi “atacado” ali mesmo pela secretária ‘Mad Men’, Isolda (Silvia Quadros) (Reprodução)

5. Dança da vassoura

Fim de novela muitas vezes lembra aquela “dança da vassoura” de antigamente, um momento em que todos os personagens parecem correr para se arranjar e não sobrar no final. Às solteiras da vida real que vagam pelas micaretas da Copa em busca de um benzinho, as moças de Em Família ensinam que o melhor lugar para encontrar um namorado é a firma: muitas delas – como Verônica (Helena Ranaldi), Neidinha (Elina de Souza), Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho), Dulce (Lica Oliveira) e até a “aspirante a policial durona traumatizada pelo estupro” Alice (Erika Januza) – pegaram a rota do altar acompanhadas por colegas de trabalho.

 

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Clara e Marina dão ‘selinho de Hebe’ e fãs pedem mais

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em 'Em Família': tímida, cena avançou pouco em relação ao romance de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em 'Mulheres Apaixonadas', novela que Manoel Carlos escreveu em 2003 (Divulgação)

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em ‘Em Família’: tímida, cena avançou pouco em relação ao romance de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em ‘Mulheres Apaixonadas’, novela que Manoel Carlos escreveu em 2003 (Divulgação)

Não poderia ser mais cândido o esperado beijo entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller). Levada ao ar na noite desta segunda (30), a cena de Em Família (Globo, 21h15) frustrou os fãs que vinham pedindo ao autor Manoel Carlos um “algo mais” entre as personagens, apaixonadas desde o começo da novela. Um tanto envergonhada e solene, a demonstração de carinho das moças se resumiu a um rápido selinho que, não fosse o contexto do amor entre as duas, poderia ser comparado aos que Hebe Camargo distribuía toda semana no seu programa do SBT.

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em 'Mulheres Apaixonadas' (2003): beijo, só como Romeu e Julieta (Reprodução)

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003): beijo, só como Romeu e Julieta (Reprodução)

Como fora divulgado pela emissora no fim da semana passada, Marina surpreendeu Clara com um par de alianças e um pedido de casamento. Para apimentar um pouco as coisas, a insuportável Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho) apareceu para condenar o romantismo. “Estou presenciando uma das cenas mais cafonas de Marina Meirelles”, bradou, talvez canalizando o sentimento de uma parte dos telespectadores. Mas, megera posta de lado, as namoradas ficaram com lágrimas nos olhos e Marina beijou Clara – Giovanna Antonelli ficou um tanto estática. A cena foi exibida por volta das 22h, uma hora mais cedo, portanto, que o beijo entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em Amor à Vida, levado ao ar em janeiro.

A timidez fez parecer que se tratava do primeiro contato íntimo entre a fotógrafa e a dona de casa. Mas não. A trama dá a entender que elas já têm um namoro consistente desde o salto no tempo que acelerou a história, há duas semanas – só faltava aparecer o beijo que estava presumido. Embora fique claro que o autor pisa em ovos para lidar com a homossexualidade de suas charmosas personagens, uma vez que o casal enfrenta forte rejeição de uma parcela ruidosa do público, os admiradores das moças – não menos ruidosos – não deixaram de aplaudir a cena. E já pedem mais – quem sabe na cerimônia de casamento. “Todo um rebuliço por conta de um selinho muito mal dado? Ai, ai…”, escreveu o perfil @Swdezerbelles no Twitter. “Giovanna Antonelli e Tainá Muller fizeram uma linda cena, mas que o beijo do último capítulo seja melhor que esse aí, viu…”, sublinhou @zamenza.

Desde o começo da noite de ontem, os fãs do casal Clarina, como elas são chamadas nas redes sociais, mobilizaram-se para levar a hashtag “beijo Clarina vencendo o preconceito” aos Trending Topics do Twitter e não foram poucos os comentários que relacionaram a cena a um avanço da teledramaturgia na composição dos personagens homossexuais. Mas, entre a necessidade de espelhar a sociedade e o medo de irritar os mais conservadores e, quem sabe, perder audiência, os autores de novela caminham lentamente nesse terreno. Não se pode deixar de considerar que, no mesmo capítulo, o ex-marido de Clara, Cadu (Reynaldo Gianecchini) foi beijado duas vezes, por duas mulheres diferentes – beijos caprichados, daqueles “de novela”. É como se para liberar a felicidade de Clara e Marina o autor tivesse de garantir, antes, um lugar ao sol para o marido abandonado – nada mais do que um truque para não assustar parte da audiência.

Há mais de dez anos, vale lembrar, o próprio Maneco teve de inserir o beijo entre Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Alinne Moraes) numa montagem escolar de Romeu e Julieta, em Mulheres Apaixonadas (2003). Clara passou a novela toda tendo embates memoráveis com sua mãe, que não aceitava a homossexualidade da filha mas, no fim, apesar de toda a torcida que receberam, as duas namoradas adolescentes tiveram direito a apenas um selinho, um pouco mais pudico que o de Em Família, justamente por se tratar de uma ficção dentro da ficção. Com mais coragem – e bem menos público – o SBT exibiu em 2011 uma cena quente entre Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini) na novela Amor e Revolução, de Tiago Santiago. Precedido de grande alarde criado pela emissora de Silvio Santos, o beijo ainda é a cena mais contundente de amor entre duas mulheres já exibida pela teledramaturgia brasileira, num caminho que começou lá em 1964, quando Vida Alves e Georgia Gomide tocaram os lábios uma da outra em A Calúnia, teleteatro da Tupi que contava a história de duas colegiais que se tornavam namoradas.

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‘Em Família’: Clara e Marina se beijam

Marina (Tainá Múller) pede Clara (Giovanna Antonelli) em casamento: beijo vai ao ar no capítulo de segunda (30) de 'Em Família' (Divulgação)

Marina (Tainá Múller) pede Clara (Giovanna Antonelli) em casamento: beijo vai ao ar no capítulo de segunda (30) de ‘Em Família’ (Divulgação)

Ao contrário do que se imaginava, os fãs do casal Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Múller) não vão ter de esperar até o final de Em Família (Globo, 21h30): as personagens vão se beijar, enfim, em cena que vai ao ar na segunda (30). A foto do momento em que as duas “transbordam de tanto amor” foi publicada nesta sexta (27) no site oficial da novela de Manoel Carlos.

Tudo acontecerá quando Marina presentear Clara com uma aliança, num romântico pedido de casamento.

Chamado de “Clarina” pelos fãs, o casal deu motivo para muito ti-ti-ti nas redes sociais, entre os que torciam pelo amor da dona de casa que se separa do marido ao se apaixonar pela amiga e os que desaprovaram a maneira como ela fez isso. Na tentativa de contentar a todos, o autor procurou fazer do preterido Cadu (Reynado Gianecchini) o sujeito mais paquerado do Leblon para, daí sim, liberar o final feliz das moças. Coisas de novela.

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Clara e Marina já namoram. E você não viu

Meses depois...: o tempo deu um salto na novela, e  Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) já planejam morar juntas (Reprodução)

Meses depois…: o tempo deu um salto na novela, e Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) planejam morar juntas (Reprodução)

É bem provável que Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) tenham dado o tão aguardado beijo, mas o público de Em Família (Globo, 21h15) não viu. Mesmo cercado por grande expectativa dos fãs que torcem pelo casal, um salto no tempo escondeu o início do romance das personagens – que foi acontecer bem no dia da abertura da Copa.

Por enquanto, só o tocar de sapatos marca o romance de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

Por enquanto, só o tocar de sapatos marca o romance de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

Antes de correrem alguns meses no capítulo de ontem (quinta, 12), o marido de Clara, Cadu (Reynaldo Gianecchini) saiu de casa, com direito a conversa pra lá de triste com o filho deles, Ivan (Vitor Figueiredo). Notou-se que Clara saiu da cena coberta de culpa, coroada pela frase “eu vou ficar bem”, dita por Cadu com o olhar triste que Gianecchini sabe fazer tão bem.

Naquele momento, o noveleiro certamente pensou que Clara sairia correndo para os braços de Marina, mas que nada. Tempos depois, as duas – Amigas? Namoradas? – já falavam sobre morar juntas e contar do namoro para o pequeno Ivan. E, por enquanto, nada de beijo – só o roçar de sapatos que apareceu em cena do capítulo de segunda (9).

O autor Manoel Carlos faz o possível para contar a história da dona de casa que troca o marido por uma fotógrafa. Mas há uma notável rejeição por grande parte da audiência, que não perdoa Clara por deixar um marido tão bom quanto Cadu. Lésbica ou não, a personagem deveria ter o direito de se separar. Mas com tanta gente dando pitaco no namoro das moças – e o fantasma do baixo Ibope a perseguir a novela –, a história anda se desenvolvendo de um jeito meio acanhado, quem sabe com receio de mostrar o que se propôs no início.

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O romance de Clara e Marina começa, enfim. Pelos pés

Por enquanto, só o tocar de sapatos marcará o romance de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller): fãs andam impacientes com a lentidão da história (Divulgação)

Por enquanto, só o tocar de sapatos marcará o romance de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller): fãs andam impacientes com a lentidão da história (Divulgação)

Depois de diversas cenas sensuais no estilo chove-não-molha, Clara e Marina começarão a trocar carícias mais, digamos, específicas nos próximos capítulos de Em Família (Globo, 21h15). Nesta sexta, em jantar no restaurante de um shopping, as duas vão enganchar os pés debaixo da mesa e fazer juras de amor como namoradas apaixonadas. Mas nada de beijo, por enquanto.

A história da dona de casa que separa do marido ao se apaixonar por uma fotógrafa charmosa é a de maior repercussão na novela de Manoel Carlos, atraindo os holofotes como o casal Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) de Amor à Vida. Os fãs das personagens vêm pedindo insistentemente nas redes sociais que o autor apresse o namoro, com direito a cena de beijo. Mas para não fazer de Clara uma “traidora que abandona o filho e o marido” aos olhos de parte dos telespectadores e também para incrementar a expectativa, Maneco tem levado a história com cautela.

A pouco mais de 30 capítulos do final, tudo indica que a novela vai apostar num “vai ou não ter beijo gay?” para a reta final, como fez a antecessora.

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Com separação de Clara, ‘Em Família’ revive ‘Malu Mulher’

Após comunicar a Cadu (Reynaldo Gianecchini) que quer se separar, Clara (Giovanna Antonelli) lançou um "quer jantar?": "Faça uma marmita e leve para Santa Tereza", respondeu ele, ironizando a relação dela com Marina (Tainá Múller) (Reprodução)

Após comunicar a Cadu (Reynaldo Gianecchini) que quer se separar, Clara (Giovanna Antonelli) lançou um “quer jantar?”: “Faça uma marmita e leve para Santa Tereza”, respondeu ele, ironizando a relação dela com Marina (Tainá Múller) (Reprodução)

“Eu amo vocês dois”, confessou Clara (Giovanna Antonelli) ao final da conversa definitiva com o marido, Cadu (Reynaldo Gianecchini), levada ao ar entre os capítulos de sexta (30) e sábado (31) de Em Família (Globo, 21h15). Um dos melhores momentos da novela de Manoel Carlos, a sequência marcou a tomada de posição da personagem sobre o casamento que, embora aparentemente feliz, já não a satisfazia mais. “Eu quero me separar”, disse ela, com todas as letras, anotando ainda que está apaixonada por Marina (Tainá Múller).

Clara é a nova Malu Mulher, tão bem conduzida por Maneco quanto a personagem que ele ajudou a criar em 1979, protagonista da série que Daniel Filho fez para a Globo ao lado de Euclydes Marinho (a equipe de roteiristas tinha ainda Armando Costa, Lenita Plonczynski e Renata Palottini). Símbolo da mulher que surgia após a aprovação da Lei do Divórcio dois anos antes, Malu (Regina Duarte), socióloga e mãe de uma adolescente, dava um basta ao marido grosseirão, Pedro Henrique (Dennis Carvalho), com quem vivera 13 anos, logo no primeiro capítulo. “Falar tudo Pedro Henrique”, anotou ela na agenda naquele dia, em letras maiúsculas, quem sabe para inspirar a coragem.

Pouco mais de 30 anos mais tarde, a separação de Clara e Cadu ocorre não pela insatisfação com a rotina em si ou, como no caso de Malu, também pela ameaça de violência do marido, mas pela descoberta interior da mulher, e aceitação de sua bissexualidade. Por isso, é tão difícil para parte dos telespectadores da novela aceitar a decisão da personagem de deixar um, digamos, maridão charmoso e educado, com quem tem um filho lindo, por causa de outra mulher – mas é aí que está a grande sacada do autor. Afinal, deixar um beberrão egoísta como o Pedro Henrique de Malu Mulher não seria lá muito difícil nos dias de hoje. Não por acaso, a discussão de Clara e Cadu começou com uma inversão de papeis que tenta espelhar a sociedade atual, quando ele deu falta da aliança de casamento no dedo dela. “Não estou falando em traição, mas em falta de lealdade”, cobrou o marido, com um texto tipicamente feminino, cansado de assistir de camarote à mulher se distanciar dele ao mesmo tempo em que se aproxima cada vez mais de Marina.

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Longe de ser um barraco, mas tão dolorida quanto se poderia esperar, a briga terminou em fina ironia, em vez do caminho fácil do barraco. “Ainda quer jantar?”, perguntou Clara sem jeito. “Faça uma marmita e leve para Santa Tereza”, respondeu Cadu, referindo-se ao bairro onde Marina mora.

Abaixo, você revê a cena que faz Malu “começar de novo”, como diz a música, em Malu Mulher:

30/05/2014

às 15:19 \ Folhetinescas

Após noite com Marina, Clara decide se separar

Marina (Tainá Müller) e Clara (Giovanna Antonelli): com torcida organizada nas redes sociais e a menos de 50 capítulos do final, personagens chegam à "hora do vamos ver" (Divulgação)

Marina (Tainá Müller) e Clara (Giovanna Antonelli): com torcida organizada nas redes sociais e a menos de 50 capítulos do final, personagens chegam à “hora do vamos ver” (Divulgação)

Depois de um tempo em compasso de espera, o que na trama é justificado pela recuperação de Cadu (Reynaldo Gianecchini), o romance de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) voltará a andar a partir do capítulo desta sexta de Em Família (Globo, 21h15).

Um passo importante será dado com a decisão de Clara de se separar de Cadu. Vai acontecer depois que ela passar a noite na casa da fotógrafa e perder a aliança de casamento – repare na ironia do clichê masculino.

Em conversa com o cunhado Virgílio (Humberto Martins), no mesmo capítulo, Clara vai assumir que gosta de mulheres e reclamar do preconceito.

Nas últimas semanas, quando o transplante de Cadu quase monopolizou o núcleo das personagens, os fãs passaram a temer pelo casal Clarina. As reclamações surgiram em avalanches nas redes sociais, com pedidos exaltados para que o autor Manoel Carlos junte as duas o quanto antes – e não apenas no final feliz, como foi com Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em Amor à Vida.

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às 15:43 \ Folhetinescas

História de Clara e Marina é o caminho, não o fim

No capítulo desta quinta (1), Clara (Giovanna Antonelli) terá conversa séria-sincera com Marina (Tainá Müller): Não quero que você pense que estou brincando com você, Marina. Tudo o que a gente viveu até aqui foi verdadeiro e muito importante para mim. Fez eu me redescobrir como mulher." (Divulgação)

No capítulo desta quinta (1), Clara (Giovanna Antonelli) terá conversa séria-sincera com Marina (Tainá Müller): “Não quero que você pense que estou brincando com você, Marina. Tudo o que a gente viveu até aqui foi verdadeiro e muito importante para mim. Fez eu me redescobrir como mulher.” (Divulgação)

Logo que Em Família começou, não bastasse o que fora alardeado pela imprensa, ficou evidente que Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) seriam um casal. Mas ainda que Marina parecesse determinada a conquistar a dona de casa – heterossexual, segundo consta –, não estava nos planos do autor Manoel Carlos juntar as duas em tempo recorde. “Clara tem muito a perder”, me alertou ele em março, quando comentamos sobre a aceitação das personagens nas redes sociais, ferramenta moderna que transforma a mínima polêmica na mais urgente das discussões.

Cuidadoso com a psique de suas criaturas, Maneco não quer transformar Clara em homossexual num passe de mágica. Se o fizesse de improviso, para surfar na popularidade do Clarina – Clara + Marina, como é chamado o casal na internet –, certamente seria criticado. É preciso que ela pense, fique em dúvida, passe pelas dificuldades do transplante do marido, Cadu (Reynaldo Gianecchini). O processo de escolha é, enfim, a história. Ficar com Marina, se assim for, é coisa para o final da novela, como aliás costuma acontecer com os amores tipicamente românticos.

Mas a espera, que passaria despercebida num romance entre heterossexuais, instalou um incômodo disse-que-disse nas redes sociais. A base é a ideia (errada) de que o romance ficou em suspenso, quiçá correndo risco de não ir adiante. Por causa dessa “ameaça”, há, acredite, quem esteja passando o dia todo tuitando, com o objetivo de pressionar o autor a jogar Clara de vez nos braços de Marina. Os ânimos andam tão exaltados que até as atitudes mais despretensiosas andam provocando debate. Se Marina não aparece num capítulo, por exemplo, lá vão os fãs – auto-intitulados “clarináticos” – puxar a orelha de Maneco. Não só as personagens, mas atrizes também têm os passos virtuais vigiados de perto. Há dois dias, Giovanna postou uma foto ao lado de Reynaldo Gianecchini (o marido de Clara, Cadu) e Vitor Figueiredo (o Ivan, filho dos dois), com a legenda “Família em Família!”. A imagem, que teve mais de 37 mil likes, provocou uma chuva de críticas, mal-criações e incertezas. “O que será que ela quis dizer com isso?”, perguntou uma, entre tantas que repetiram a hashtag #clarina nos comentários.  “E daí que isso é chato? Também torço por Clarina, mas também sei separar o real da ficção”, ponderou outra.

No capítulo desta quarta (30) de 'Em Família', Clara (Giovanna Antonelli) se desespera ao ver Cadu (Reynaldo Gianecchini) passando mal: ele ainda está no páreo (Divulgação)

No capítulo desta quarta (30) de ‘Em Família’, Clara (Giovanna Antonelli) se desespera ao ver Cadu (Reynaldo Gianecchini) passando mal: ele ainda está no páreo (Divulgação)

Numa novela que repercute menos do que se esperava, o casal de lésbicas tem provocado as mais acaloradas discussões na internet. Mesmo após o tão aguardado e comentado beijo gay de Amor à Vida, muitos têm tentado transformar as personagens de Em Família em símbolos contra o preconceito ou musas da causa LGBT. Mas será que é o caso de dizer que o preconceito é que atrapalha o romance das duas?

Não, não é. Quando o beijo entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) foi levado ao ar, diante da tamanha torcida pelo casal, questionei se a novela conseguira mesmo acabar com o preconceito ou se, mais provável, o público fora levado a gostar especificamente daquele casal – o que já é muito, mas é importante considerar que são coisas bem diferentes. Neste sentido, a polêmica que cercava Félix tinha a ver apenas com a exibição ou não de um beijo que já estava presumido, e não de uma escolha drástica. Walcyr Carrasco construiu a trama de tal maneira a não deixar dúvidas sobre a verdade e importância do romance. Qualquer um que estivesse acompanhando a novela deveria supor que o melhor para o nosso malvado favorito era ficar com Niko “Carneirinho” – lembremos que Félix era casado com uma tremenda mau-caráter, Edith (Bárbara Paz).  O amor foi a salvação, com o bônus de uma família digna de comercial de margarina.

O caso de Clara e Marina é outro, e pode ser visto como um passo além daquele de Walcyr. Desta vez, o amor não é de salvação, o que o que o tornaria mais fácil de ser aceito pelo público, mas de perdição, de transformação. O amor vem para chacoalhar uma vida pacata – e feliz! –, não para acalmar um temperamento ruim. Maneco poderia ter, simplesmente, criado um marido bronco para Clara, que a empurrasse para os braços de uma mulher – como foi com a Catarina (Lilia Cabral) de A Favorita (2008) –, mas não. Preferiu, de caso mais que pensado, instalar a dúvida na cabeça do telespectador, dando à personagem um parceiro educado, amoroso e, para completar, com grave doença. Palmas para o autor.

Com isso, Maneco ainda se distanciou da história da cantora Daniela Mercury que, segundo o próprio autor, foi sua inspiração. Daniela, como se sabe, assumiu publicamente o relacionamento com a jornalista Malu Versoça, em abril do ano passado. Na ocasião livre, desimpedida e mãe de filhos adultos, a cantora teve um caminho aparentemente tranquilo ao “sair do armário”. Clara, cuja trajetória na novela é bem diferente da estrela, vive situação dramaturgicamente mais interessante na sua vida mais que prosaica. Para falar a verdade, até o momento, nem deu para entender se ela é ou não lésbica, se ama mesmo Marina e, mais, se deixou de amar Cadu. A decisão será pavimentada aos poucos pelo autor, ainda que haja beijo e tudo o que “as duas têm direito”, como vêm pregando as moças no tuíter. Mas se, no fim, elas não ficarem juntas apesar de todo o encantamento que uma sente pela outra, não terá sido ruim – muito pelo contrário, seria bem verossímil. Ou será que caímos na armadilha de pensar que todo romance homossexual de novela tem obrigatoriamente que vingar agora?

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A batalha dos celulares na ficção

Chica (Natália do Vale) namora pelo celular: Samsung é a marca preferida dos personagens de 'Em Família' (Reprodução)

Chica (Natália do Vale) namora pelo celular: Samsung é a marca preferida dos personagens de ‘Em Família’ (Reprodução)

Depois de anos como objeto de desejo dos mais charmosos personagens, os celulares Apple ganharam um rival de peso também dentro da ficção – e não é só na cerimônia do Oscar. Como na vida real, fala-se muito ao telefone em Em Família, na maior parte das vezes em aparelhos da Samsung.

Carrie (Sarah Jessica Parker) perde a paciência com um iPhone em 'Sex And The City 2": se ela tivesse simplesmente feito a ligação, não seria tão marcante  (Reprodução)

Carrie (Sarah Jessica Parker) perde a paciência com um iPhone em ‘Sex And The City”: se ela tivesse simplesmente feito a ligação, não seria tão marcante (Reprodução)

No capítulo de quarta (12), aparelhos da gigante coreana tiveram destaque em nada menos do que três sequências. Primeiro, Chica (Natália do Vale) apareceu namorando Ricardo (Herson Capri) por meio de um Note 3 de capa rosa. Depois, a vilã diva Shirley (Vivianne Pasmanter) falou com o filho num aparelho do mesmo modelo, preto. Por fim, Fernando (Leonardo Medeiros) começou uma cena falando num S4. Não se tratou, entretanto, de uma ação de merchandising – que, no mesmo capítulo, aliás, foi feita pela operadora Nextel.

Imprescindíveis na vida real, os smartphones se tornaram mais do que necessários na ficção, ajudando a criar situações e a compor personagens. Na disputa para fazer parte do life style dos tipos mais populares dos seriados americanos, a Apple sempre pareceu levar vantagem, apesar de não admitir pagar para aparecer. É famoso o episódio de Sex and the City em que Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) tem sérios problemas com seu iMac, praticamente um personagem do seriado. Anos depois, em 2008, no longa-metragem baseado na série, ela reclamou por não saber fazer uma ligação num iPhone, nervosa que estava com o sumiço de Mr. Big na porta da igreja. A cena se tornou mais marcante do que se, simplesmente, ela fizesse a ligação de uma vez, o que ensina muito sobre como vender produtos usando dramaturgia. Mas todo o amor entre Carrie e seu fiel escudeiro Apple acabou no segundo filme da franquia, de 2010, já que a personagem passou a usar um HP, graças a um acordo comercial entre a marca e os produtores.

Frank Underwood (Kevin Spacey) deu status às mensagens de texto em 'House of Cards' (Reprodução)

Frank Underwood (Kevin Spacey) deu status às mensagens de texto em ‘House of Cards’ (Reprodução)

Mestres no assunto, os americanos poderiam dividir seus seriados pelas marcas dos gadgets de seus personagens. As patricinhas de Gossip Girl, por exemplo, tramavam intrigas por meio de seus BlackBerry; os nerds de The Big Bang Theory já se meteram em tramas envolvendo seus iPhones; em Pretty Little Liars, o vilão misterioso A. envia mensagens ameaçadoras para os celulares das protagonistas, um de cada marca; Walter White (Bryan Cranston) usava sempre aparelhos de 50 dólares em Breaking Bad; House of Cards transformou as mensagens de texto em objeto de cena, com as conspirações que o deputado Francis Underwood (Kevin Spacey) trama na tela do seu Blackberry, reforçando a ideia de segurança de dados que a marca adora vender; e não se pode esquecer da boa sacada de i-Carly, que criou um “perafone” baseado na maçã de Steve Jobs.

Na novela das 9, além dos já citados, faz sucesso – mais uma vez – a capa do iPhone da personagem de Giovanna Antonelli, Clara. A atriz, que teve um aparelho vestido de coelho em Aquele Beijo (2011) e outro fingindo ser soco inglês quando foi a “delegata” Helô de Salve Jorge (2013), já popularizou uma cobertura em formato de boca. Outra no clube Apple, Marina (Tainá Müller) também tem um iPhone – que, aliás, atendeu de cabeça para baixo outro dia.

Clara (Giovanna Antonelli) e sua capinha em formato de boca (Reprodução)

Clara (Giovanna Antonelli) e sua capinha em formato de boca (Reprodução)

 

 

 

 

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05/03/2014

às 15:03 \ Folhetinescas

O carnaval acabou, mas o topless continua em ‘Em Família’

Enquanto Clara (Giovanna Antonelli) reclama do jeito sossegado de Cadu (Reynaldo Gianecchini), Marina (Tainá Múller) – ops! – tira a parte de cima do biquíni (Divulgação)

Enquanto Clara (Giovanna Antonelli) reclama do jeito sossegado de Cadu (Reynaldo Gianecchini), Marina (Tainá Múller) – ops! – tira a parte de cima do biquíni (Divulgação)

Nos últimos dias, Em Família contrariou o clima festivo do país e, sem uma cena sequer de carnaval, teve dramas aos baldes: para resumir, no momento mais intenso, Helena (Júlia Lemmertz) esbofeteou Laerte (Gabriel Braga Nunes), logo após o velório do pai dele, e levou o troco na mesma moeda.

Mas, agora que a folia na vida real (quase) acabou, o autor Manoel Carlos preparou uma cena quase carnavalesca, que certamente não passará despercebida no capítulo desta quarta (5). Marina (Tainá Müller) – sempre ela – fará topless na praia, em mais uma ousadia para chocar, e quem sabe apaixonar, Clara (Giovanna Antonelli).

Os tempos e as intenções, obviamente, são outros, mas os que guardam memória da teledramaturgia com certeza lembrarão de um outro topless notável – não por acaso escrito por Gilberto Braga em parceria com Manoel Carlos. Em 1980, em Água Viva, que atualmente é reprisada pelo canal Viva (seg a sábado, 0h e 13h30), Stella Simpson, personagem prafrentex de Tônia Carrero tirou a parte de cima do biquíni em plena praia de São Conrado, causando tremenda confusão.

Naquele tempo, Monique Evans ainda não tinha desfilado pela Sapucaí com os seios de fora, mas a prática já aparecera nas praias cariocas nos 70. O que não impediu que Stella e suas amigas – Beth (Maria Padilha) e Gilda (Maria Zilda Bethlem), além da adolescente Sandra (Glória Pires) – fossem abordadas por um policial. “Ah, vá te catar!”, diz a milionária ao guarda. Apesar da pouca roupa vista nos últimos dias, o excelente texto da cena continua bastante atual, uma vez que descartar o sutiã do biquíni é coisa que segue causando alvoroço no Rio. Em novembro, na Praia do Arpoador, a atriz Cristina Flores tentou posar para uma foto com os seios à mostra e foi interpelada por três policiais. “Tinha mais de um policial para cada seio”, disse ela na época ao jornal O Globo.

Será que a Mariana de Em Família conseguirá ser libertária em paz?

Enquanto isso, veja a cena emblemática e divertida de Água Viva:

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