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Fernanda Montenegro

20/04/2015

às 22:54 \ Fotonovela

O sim das damas polêmicas de ‘Babilônia’

Estela (Nathália Timberg) sela sua união de quatro décadas com Teresa (Fernanda Montenegro):  para não chocar os críticos da novvela, cena não deve ter beijo (Alex Carvalho/ Divulgação)

Estela (Nathália Timberg) sela sua união de quatro décadas com Teresa (Fernanda Montenegro): para não chocar os críticos da novvela, cena não deve ter beijo (Alex Carvalho/ Divulgação)

Depois de quase 40 anos de relacionamento e muitos percalços – dentro e fora da ficção –, Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg) dirão o tão esperado “sim” oficial em Babilônia (Globo, 21h15). A sequência em que as personagens oficializam sua união, uma festa que reunirá boa parte do elenco da novela, começa ir ao ar no capítulo desta terça (21).

Mais comedida do que o planejado pelos autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, a cerimônia não deve apresentar mais um beijo entre as duas personagens, uma vez que a trama tenta se adequar ao gosto dos espectadores mais conservadores. Mas terá muita emoção e até uma tragédia. Teresa será surpreendida pela presença do filho,  Lauro (Dennis Carvalho), que nunca aceitou a homossexualidade da mãe. Poderia ser um final feliz, mas que nada – Lauro está gravemente doente e morrerá em seus braços.

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22/03/2015

às 12:01 \ Entrevista

‘É uma caça às bruxas’, diz Fernanda Montenegro sobre boicote a ‘Babilônia’

Fernanda Montenegro e Nathália Timberg contam a longa história de amor de Teresa e Estela em 'Babilônia': "Até agora não fizemos e não vamos fazer nada que ultrapasse a lisura", espanta-se Fernanda diante da polêmica (Divulgação)

Fernanda Montenegro e Nathália Timberg contam a longa história de amor de Teresa e Estela em ‘Babilônia’: “Até agora não fizemos e não vamos fazer nada que ultrapasse a lisura”, espanta-se Fernanda diante da polêmica (Divulgação)

Na abertura de uma longa conversa ao telefone na manhã deste sábado (21), Fernanda Montenegro cita versos do poeta dos escravos. “Enfrentando mares revoltos, como diria Castro Alves”, diz, ao explicar como vem se sentindo desde a estreia de Babilônia, há uma semana. Na trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, ela é Teresa, uma das mais respeitadas advogadas do país que vive uma relação de quase 40 anos com Estela, papel de Nathália Timberg.

Após uma cena de um beijo apaixonado, logo no primeiro capítulo, o trabalho das atrizes de 85 anos se tornou o principal alvo de uma campanha que prega o boicote à novela, articulada pela Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira. Na quinta (19), a Frente Parlamentar Evangélica divulgou uma nota de repúdio a Fernanda e Nathália. O texto, assinado pelo deputado João Campos (PSDB-GO) acusa a novela de trazer “de forma impositiva, para quase toda a sociedade brasileira, o modismo denominado por eles de ‘outra forma de amar’, contrariando nossos costumes, usos e tradições”.

“Não esperávamos essa reação. A situação toda do país está muito extremada, na discussão política e sobre comportamento”, espanta-se Fernanda. “Todos temos o direito de se posicionar. Não tiro o direito de ninguém. O problema é a radicalização desse pensar e no que ele pode se transformar. É caça as bruxas, de todos os lados.”

Na trama envolvente, crua e ambientada num Rio de Janeiro babilônico no qual a cobiça dá as cartas, Teresa e Estela são o exemplo de sabedoria, cidadania e honestidade, em oposiçã a personagens de caráter duvidoso, como o corrupto Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira). Numa cena do primeiro capítulo, ainda na fase passada em 2005, Teresa foi convocada pela escola de Rafael, neto de Estela, que andava contando aos coleguinhas sobre suas duas mães. “A cena já estava gravada quando, uma semana antes, um menino foi morto pelos amigos da escola por ser adotado por um casal gay”, pontua a atriz, em referência ao caso ocorrido no início do mês em Ferraz de Vasconcelos (SP). “Não vi ninguém escandalizado, não vi ninguém contestar e buscar culpados para a formação daquelas crianças, que mataram um colega de escola. E vão se escandalizar com o beijo casto de duas atrizes experimentadas de quase cem anos de idade?”, questiona a atriz do alto dos seus 60 anos de carreira em conversa com QUANTO DRAMA!:

Antes da estreia de Babilônia, a senhora disse que “os que acharem estranho vão tolerar”. A campanha contra a novela lhe surpreendeu?

Sim. A situação toda esta muito radicalizada na política, no comportamento. Tudo está muito extremado, e as coisas estão se radicalizando de uma forma muito desesperada. A reação ao beijo é moral, e a cena é julgada com a verdade divina, absoluta. Todos temos o direito de se posicionar. O problema é a radicalização desse pensar e no que ele pode se transformar. Não pertenço aos exércitos que estão se formando por aí. Não precisamos desses exércitos. É uma caça às bruxas o que estão propondo, de todos os lados.

Os defensores da novela comparam a tentativa de boicote com a censura imposta pela ditadura militar. A senhora concorda?

Não, é diferente. Naquela época, nós tinhamos duas posturas. A adesão ou a rejeição a uma postura de comportamento herdada da contracultura e dos movimentos de 68. As coisas eram mais claras e menos pulverizadas. Hoje em dia, a gente tem muitos caminhos. Temos a internet, o que é maravilhoso, porque cada um pode ir lá se posicionar. Mas, ao mesmo tempo, o embate é muito mais diversificado.

Antes de Teresa e Estela, outros personagens homossexuais apareceram se beijando em cena. A senhora acha que a idade das personagens contribuiu para o choque?

Pode ser. Sinceramente, não sei o que deu nesse fenômeno de revisão do comportamento. Até agora não fizemos e não vamos fazer nada que ultrapasse a lisura. Nada. E são duas personagens que ainda não se apresentaram totalmente. Ainda vai ser mostrado a vida dura que elas tiveram, até chegarem a esse encontro de vida comum. O beijo que está dando essa confusão toda é um beijo casto, amoroso, sem desafio erótico ou didática. É uma demonstração de carinho. Por isso, digo que não tenho capacidade de analisar esse momento. Percebo que temos problemas muito mais graves. O país está enfrentando uma crise bastante vívida e sentida, e tem gente disposta a se voltar contra o beijo de duas atrizes de quase cem anos de idade dado dentro de uma relação sacramentada pela vida afora.

Meme junta duas das muitas faces de Fernanda Montenegro: Graças a Deus eu posso ir de Nossa Senhora à Teresa", diz ela (Reprodução)

Meme junta duas das muitas faces de Fernanda Montenegro: Graças a Deus eu posso ir de Nossa Senhora à Teresa”, diz ela (Reprodução)

Pela história de vida das senhoras, era de se esperar que as personagens fossem respeitadas. Mas, pelo contrário, os insatisfeitos com a novela lamentam que duas atrizes deste porte tenham sido escaladas para os papéis. 

Mas a Globo não me colocou ali, não fui obrigada a ser a Teresa. Não sou uma escrava de ninguém. Estou fazendo o papel com todo meu empenho, adesão e entendimento humano da causa, que é a da pessoa que quer viver sua natureza sem disfarce. Essas personagens são um esclarecimento aos mais bloqueados de razão. É claro que aceitei o papel por isso. Graças a Deus eu posso ir de Nossa Senhora à Teresa. Há um toque desse aí pela internet, já viu?

Sim, é muito bom! Talvez Teresa e Estela incomodem justamente por serem exemplos de vida e honradez.

São mulheres que alcançaram uma idade em que as coisas são avaliadas de uma maneira até contemplativa. As energias brutais e destemperadas que fazem parte da juventude vão embora, e no fim da vida a gente reavalia tudo. Não sei como não entendem que a união das duas é o lado sadio da novela. Contar a história delas é um ato de coragem dos três autores, do elenco e de uma produção com tanta qualidade artística e técnica. A gente está só fazendo o trabalho da gente. A resposta é o próprio fazer. A ação é mais importante do que ficar falastrando. Já que estamos todos na Bíblia, digo que mesmo o sopro divino foi uma ação.

Como a senhora vê o espaço dos personagens homossexuais nas novelas?

Já faz tempo que a telenovela se apropria do tema da aceitação dos homossexuais. Veja, há 34 anos eu fiz Brilhante (de Gilberto Braga). Dennis Carvalho (diretor-geral de ‘Babilônia’) fazia meu filho, que tinha um caso gay e a mãe nunca percebia. No fim da novela, ele vai embora com seu namorado – estamos falando de 1981. A homossexualidade sempre esteve presente nas novelas da Globo. E esteve presente na vida real também, não é mesmo? Hoje em dia existe o casamento, a lei permite que casais homossexuais adotem crianças. Está aí, para todo mundo ver. Estou inventando isso? Não! Por isso, vai haver um casamento sim das duas senhorinhas da novela, que estão juntas há 40 anos. É algo extremamente delicado e amoroso. Jamais teve a intenção de ser algo agressivo.  

Se os homossexuais já estão inseridos há tempos nas novelas, o que ‘Babilônia’ tem de diferente?

Ela não tem aqueles panos quentes do folhetim, que impedem que se chegue ao fundo do poço. Essa novela resolveu ir até o fundo do poço. Não é a primeira que uma novela fala de ambição, , mau-caratismo, corrupção e é povoada pelos vendilhões que a gente conhece bem. A diferença é que esta conseguiu fugir do folhetim, do melado, o máximo possível. Até hoje não vi nenhuma novela que tivesse essa limpeza de dramaturgia, que eliminasse as gorduras do folhetim. Não sei se é melhor ou pior, mas como audácia de dramaturgia, é o máximo.

A senhora acha que o resultado no Ibope pode levar a mudanças na trama?

Sempre vejo a vida pela minha vivência no teatro. E toda novela que começa é como uma peça de teatro. A segunda semana pode ser melhor do que a primeira e a terceira melhor do que a segunda. Estamos na primeira semana, imagine. Uma mudança seria uma decisão da direção da emissora. Eu sou uma intérprete, e estou agindo de acordo com o que os autores me propuseram, fazendo o que está dentro da minha vocação de atriz. Se não tivessem me chamado e eu lesse esse roteiro, eu teria me oferecido. De qualquer forma, mesmo que a novela mudasse, uma coisa é irreversível: o que foi apresentado até aqui já faz parte da história e da cultura e dos movimentos políticos do país. 

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20/03/2015

às 14:38 \ Folhetinescas

Amor em ‘Babilônia’ choca mais do que ódio em ‘Império’

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de 'Babilônia': demonstração contundente de afeto, trabalho das atrizes é irretocável (Reprodução)

Estela (Natália Timberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de ‘Babilônia’: demonstração contundente de afeto, trabalho das atrizes é irretocável (Reprodução)

“Os que acharem estranho vão tolerar”, me disse Fernanda Montenegro há duas semanas, falando do romance que sua personagem, a advogada Teresa viveria com a Estela de Natália Timberg em Babilônia (Globo, 21h20), de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga que estrearia dali a alguns dias. Novela no ar, logo no primeiro bloco as duas atrizes, ambas de 85 anos, beijaram-se apaixonadamente, mais do que os noveleiros poderiam esperar, depois dos selinhos doces de Niko e Félix, de Amor à Vida, e Clara e Marina de Em Família.

Fernanda Montenegro também não escapa da zoeira da internet: meme lembra a Nossa Senhora de 'O Auto da Compadecida' (Reprodução)

Fernanda Montenegro também não escapa da zoeira da internet: meme lembra a Nossa Senhora de ‘O Auto da Compadecida’ (Reprodução)

Em poucas horas, uma acalorada discussão tomou as redes sociais, até então dividida entre os críticos e defensores do governo Dilma Rousseff. Logo ficaria claro que Fernanda estava errada: muitos não estão tolerando.

Num primeiro momento, os que aplaudiram a cena tentaram diminuir sua intensidade, uma ideia de que o beijo homossexual na televisão deve ser recebido com naturalidade. Houve também, como sempre, os que se escandalizaram com a polêmica em si – é o pessoal do bordão-conselho “vão ler um livro!”. E houve, claro, os que viram na representação de uma história de amor o sinal de que o apocalipse se aproxima. A incitá-los, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, que divulgou nesta quinta (19) uma nota de repúdio a Fernanda e Natália. A Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira faz uma campanha pelo boicote nas redes sociais. A novela estreou com 33 pontos e chegou a cair a uma média de 27 pontos nesta quinta (19), segundo dados do Ibope em São Paulo.

Muitos dirão que a nota não deixa de ser uma forma de expressão. Mas é de se espantar como parte do país consome a ficção de maneira torta, a ponto de sair curtindo e compartilhando iniciativas de parlamentares que se ocupam de um programa de televisão. E por que, afinal, se ocupar de uma história de amor? Por que o José Alfredo (Caio Blat) de Império não chocou mais do que o beijaço de Teresa e Estela quando matou o pai com um tiro nas costas, na última sexta (13)?

A discussão é de desanimar qualquer um. Cá estamos nós dizendo o óbvio: que o controle remoto soberano – só não vale mudar para as entrevistas com assassinos pop stars do Gugu na Record. Mas diante da discussão que só cresce a cada capítulo, é preciso anotar que veio das duas atrizes veteranas o mais contundente e sincero carinho homossexual já apresentado na ficção nacional. Elas se beijaram com verdade, impossível não notar. Fernanda e Natália são amigas há 60 anos, por isso parecem tão à vontade em cena. É um trabalho lindo e, sim, provocador, como a arte deve ser. Não foi pensado para passar em branco, nem poderia.

Embora por enquanto muito dedicadas a falar da própria relação, Teresa e Estela são uma das poucas reservas de integridade da novela. Em Babilônia, o mal da ganância, reforçado pela corrupção, está vencendo – há duas vilãs e uma mocinha. Lembremos que, antes dela, Império terminou com um filho matando um pai por dinheiro e rancor. Mas o pessoal por aí deu para encasquetar com as lésbicas da novela, que estão ali para mostrar que a vida vale a pena – não só pelas personagens, mas pelo exemplo pessoal das duas atrizes. O que não vale é a campanha de ódio que chega a assustar ao invocar a Babel da Bíblia, o exagero e o ataque rasteiro.

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16/03/2015

às 23:24 \ Folhetinescas

‘Babilônia’ começa com duelo de vilãs e beijaço de Fernanda e Nathália

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de 'Babilônia': sem suspense sobre beijo gay desta vez (Reprodução)

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de ‘Babilônia’: sem suspense sobre beijo gay desta vez (Reprodução)

Fernanda Montenegro foi discreta quanto aos carinhos que sua personagem, Tereza, trocaria com Estela, papel de Natália Thimberg durante Babilônia, que estreou na noite desta segunda (16) na Globo. “As cenas não são de erotismo didatizado. Mas há carinho ali”, disse ela ao blog na coletiva que apresentou a novela. Pois logo nas primeiras cenas, a trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga demonstrou que não está disposta a ir devagar ou, muito menos, criar uma expectativa que atravesse capítulos e capítulos: logo nas primeiras cenas, as duas personagens se beijaram apaixonadamente.

A sequência deu o que falar nas redes sociais e, em pouco tempo, a hashtag #Babiloniaestreia estava no topo da lista dos assuntos mais comentados do Twitter, acompanhada de outras tantas relacionadas à novela – em geral, cercada de elogios. Além do beijaço que pôs os holofotes sobre Fernanda e Natália ao som de Eu Te Desejo Amor, com Maria Bethânia, as cenas que apresentaram a rivalidade entre a “vilã pobre” Inês e a “vilã rica” Beatriz justificaram a expectativa pela estreia. Adriana Esteves abriu a novela com uma discussão ética com o marido honesto, Homero (Tuca Andrada) – ela não se conforma em viver num apartamento com vista para o Morro da Babilônia e quer que ele suba no emprego de qualquer jeito. Questionada por que não trabalha ela mesma, já que é advogada, respondeu: “Você sabe o que é ser advogada num país sem justiça?” Pronto, a novela chegou com tudo.

No topo da pirâmide social, mas nem tanto, uma vez que anda falida e procurando marido rico, Beatriz é a presença mais forte e luminosa da trama. Começou recorrendo a serviços extras de um improvável marceneiro descamisado e com tipo de anúncio da Calvin Klein, pouco antes de iniciar um caso com o motorista Cristovão (Val Perré) para chegar ao ricaço Evandro (Cássio Gabus Mendes). Quando passou a ser chantageada por ele, respondeu sem medo: “Você pode ser homem na cama. Fora dela, é um subalterno que vai passar a vida nos servindo.” Algumas cenas depois, deu tiro na cabeça do homem. E, de quebra, conseguiu envolver Inês, que também vinha tentando lhe arrancar uma pequena fortuna.

Lado negro da Força em Babilônia: placar do primeiro confronto deu vitória a Beatriz (Divulgação)

Lado negro da Força em Babilônia: placar do primeiro confronto deu vitória a Beatriz (Divulgação)

Com um núcleo forte no “lado negro da força”, a novela, entretanto, não quis fugir dos clchês românticos quando apresentou seus mocinhos. Regina repete o tipo das tantas mulheres batalhadoras que Camila Pitanga vem vivendo nos últimos tempos. Num clássico do folhetim, ela conheceu o namorado, Fernando (Gabriel Braga Nunes), quando ele a ajudou a recolher os livros do chão após um esbarrão com dois moleques. Ela se preparou para entrar na faculdade, mas teve de adiar o sonho ao engravidar do moço que, para piorar, é casado e já tem uma filha.

Sem as imagens de cartão postal que costumam rechear o primeiro capítulo das tramas das 9, mas com sequências dinâmicas próximas dos seriados americanos, Babilônia deixou claro que estará nas mãos da dupla de vilãs. A simbiose entre as duas, capazes de tudo por motivos difernetes, pode ser resumido pela frase final de Beatriz, cara a cara com Inês: “Nós vamos para o fundo do poço de mãozinhas dadas”, desafia ela, quando a tela congela como em Avenida Brasil (2012). Mária de Fátima 1 X Carminha 0.

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27/02/2015

às 16:11 \ Entrevista

‘Os que acharem estranho vão tolerar. Já está bom’, diz Fernanda sobre papel gay em ‘Babilônia’ 

Aos 85 anos e após diversos encontros nos palcos da vida, Fernanda Montenegro e Nathália Timberg vivem o casal Teresa e Estela em 'Babilônia': "A gente se toca em cena. Mas não há, obviamente, o erotismo didatizado de que  a televisão vem abusando ultimamente", anota a atriz (Raphael Dias/Divulgação)

Aos 85 anos e após inúmeros encontros nos palcos da vida, Fernanda Montenegro e Nathália Timberg vivem o casal Teresa e Estela em ‘Babilônia’: “A gente se toca em cena. Mas não há, obviamente, o erotismo didatizado do qual a televisão vem abusando ultimamente”, anota a atriz (Raphael Dias/Divulgação)

“A sociedade às vezes tenta mudar, esconder, pessoas como eu. Não conseguem, não vão conseguir. Tenho certeza que pessoas como a Estela e como eu ainda vão mudar a sociedade”, diz Teresa, personagem de Fernanda Montenegro logo no começo de Babilônia, ainda em 2005. A novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga substituirá Império a partir de 16 de março na faixa das 9 da Globo. Por “como eu”, entenda-se homossexual e protagonista da trama mais surpreendente a novela: advogada renomada e pioneira na militância pelos direitos civis, Teresa mantém um relacionamento de mais de 30 anos com Estela, interpretada por Nathália Timberg.

Quem teve a ideia de juntar duas das mais renomadas atrizes brasileiras como um casal foi Gilberto Braga. “Ele nos conhece há mais de 50 anos, nos viu inúmeras vezes quando era crítico de teatro”, lembra Fernanda em conversa com QUANTO DRAMA!, durante a coletiva que apresentou a novela à imprensa na última quarta (25), no Projac. “Ele nos vê não como duas atrizes da mesma geração, mas que são, vocacionalmente, do palco. Temos trajetórias parecidas, as mesmas referências. Não é, portanto, um encontro de passado, mas de sobrevivência”, observa Fernanda sobre convivência com a colega – as duas têm 85 anos.

Estela (Nathália Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) caminham pela orla de mãos dadas em cena de 'Babilônia': felizes e bem-resolvidas há mais de 30 anos (Reprodução)

Estela (Nathália Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) caminham pela orla de mãos dadas em cena de ‘Babilônia’: felizes e bem-resolvidas há mais de 30 anos (Reprodução)

Estela é mãe de Beatriz, a grande vilã vivida por Glória Pires, e criou Rafael (Chay Suede), neto deixado por uma outra filha, já morta. O rapaz chama Teresa e Estela de mãe. É uma família feliz, embora a bondosa Estela não faça ideia de que Beatriz é dissimulada e, pior, assassina. “É uma bandida e a minha personagem desconfia bastante disso. Mas vai tentando escamotear os defeitos da filha da companheira”, adianta. “A relação delas é de muito cuidado, uma tentando salvar a outra dos males da vida.”

Para Fernanda, um casal de mulheres da terceira idade é um caminho natural escolhido pelos autores. “Neste tema dos duplos já foi feito de tudo na ficção – teve a descoberta da homossexualidade, a dificuldade de assumir, homem com homem, mulher com mulher, expectativa sobre beijo, sobre beijo de língua, essas coisas todas. Este é um novo caminho e mais: uma demonstração de que esses pares existem na sociedade. Apenas isso”, reflete. “O que eu vejo é que os héteros se separam cada vez mais e os gays só pensam em se casar”, diverte-se a grande dama da dramaturgia. “Para eles, é um ato de afeto e um ato político.”

Numa das cenas exibidas aos jornalistas, Teresa e Estela caminham pelo calçadão de Ipanema de mãos dadas – é uma relação feliz, bem-resolvida, sem rompantes. “As cenas não são, obviamente, de erotismo, muito menos daquele erotismo didatizado do qual a televisão vem até abusando ultimamente”, anotou ela. “Mas a gente se toca, há carinho ali.”

Segura com o papel e com a história que pretende contar, Fernanda não alimenta ilusões sobre a reação dos espectadores mais conservadores. Mas, do alto dos mais de 60 anos de carreira, não se deixa abalar. “Todo mundo já sabe que os personagens homossexuais fazem parte da sociedade e devem, por isso, estar presentes em todas as manifestações artísticas. É claro que há os mais conservadores, os religiosos, os homofóbicos, todos os que são contra. Mas os que acharem estranho vão tolerar. Já está bom assim.”

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08/05/2014

às 8:00 \ Eu faço drama

Uma despedida lírica para Picucha no final de ‘Doce de Mãe’

Picucha se despede do público no episódio desta quinta (8): série não terá uma nova temporada (Divulgação)

Picucha se despede do público no episódio desta quinta (8): série não terá uma nova temporada (Divulgação)

Uma última dança, como se não houvesse amanhã. É assim, feliz e faceira, que a adorável Picucha de Fernanda Montenegro se despede do público nesta quinta (8), no último episódio de Doce de Mãe (23h).

Bem-sucedida na ideia de fazer humor com a “dor e a delícia” da terceira idade sem, no entanto, parecer limitada a esse público, a série criada por Jorge Furtado não terá uma nova temporada. O principal motivo é que Fernanda – vencedora do Emmy Internacional pelo papel – está comprometida com a novela das nove que Gilberto Braga prepara para o ano que vem.

Furtado, que assina o roteiro e a direção ao lado de Ana Luiza Azevedo, numa coprodução da Globo com a Casa de Cinema de Porto Alegre, preparou o caminho que levará Picucha à dança derradeira com sutileza e poesia. De repente, ela se dará conta de que os filhos estão bem encaminhados, apaixonados e felizes – um equilíbrio que, quem acompanha a série sabe, foi conquistado com a doce interferência dela. É quando a viúva terá a ideia de comprar um piano.

O instrumento, os filhos logo se darão conta, tem grande simbolismo na família – foi por causa dele que Picucha conheceu seu grande amor, Fortunato (Francisco Cuoco). Para ela, ele voltará quando vê-la sentada ao piano novamente, como aconteceu da primeira vez, em meio à tristeza da derrota do Brasil pelo Uruguai na Copa de 1950.

Piano, Copa, Fortunato – e um grave problema no coração. Terá chegado o momento de fechar o ciclo? É o que a personagem terá de decidir.

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07/03/2014

às 11:33 \ Folhetinescas

Sem alarde, Globo exibe mais um beijo gay

Fernando (Matheus Nachtergaele) e Roberto (Evandro Soldatelli) seguem os passos de Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Matehsu Solano) em 'Doce de Mãe' (Reprodução)

Fernando (Matheus Nachtergaele) e Roberto (Evandro Soldatelli) seguem os passos de Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) em ‘Doce de Mãe’ (Reprodução)

Depois de todo o frisson causado pelo casal Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano), que conseguiu, enfim, selar seu relacionamento com um beijo de Amor à Vida, é capaz que cenas de afeto entre homossexuais se tornem corriqueiras na teledramaturgia da Globo. Cerca de um mês depois do final da trama de Walcyr Carrasco, Fernando (Matheus Nachtergaele) encerrou o episódio de ontem (quinta, 6) de Doce de Mãe (quintas, 23h30) beijando o namorado, Roberto (Evandro Soldatelli).

Com um humor singular, ao mesmo tempo lírico e politicamente incorreto, o seriado do diretor Jorge Furtado vem se superando a cada semana, ao mostrar um lado nada óbvio da terceira idade e da relação que nós, filhos e netos, estabelecemos com ela. No seu sexto episódio, contou como a adorável Dona Picucha se envolveu com um suposto professor de tango, Jamón (Fabrício Belsoff) – que, na verdade, fazia horas extras como garoto de programa no lar de idosos.

Picucha não chega a recorrer aos serviços do moço, mas a confusão põe o assunto sexo em discussão na família. Entre empadinhas, numa das cenas mais engraçadas, a protagonista perguntou à queima-roupa para a filha Elaine (Louise Cardoso): “Há quanto tempo você não faz sexo?”, disse, logo após pedir o pote de canela. “Mamãe, como a senhora foi da canela para o sexo?”, espantou-se a outra. “Mulher quando fica burra assim, é falta de sexo”, justificou Picucha, um tanto sem jeito, mas querendo dizer que o marasmo na cama pode desconcentrar qualquer criatura no dia-a-dia.

Em paralelo ao tango, Fernando seguiu tentando fazer dar certo o seu “bar para amantes de Frank Sinatra que gostam de futebol”. Para os irmãos, era melhor que ele abrisse um bar gay. “Só por que eu sou gay, tenho de abrir um bar gay?”, questionou.

No fim, ao som de La Cumparsita, todo mundo dançou, sensualizou e beijou – até quem há tempos não o fazia, como Elaine, e quem não podia beijar na TV, como Fernando, apesar de ter sido bem rápido, discreto e filmado em plano aberto. Picucha não beijou ninguém, mas comemorou o grand finale com O Fole Roncou, de Baby Consuelo. Muito apropriado, aliás.

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27/12/2012

às 12:20 \ Folhetinescas

Fernanda Montenegro pede mais classe média na TV

Fernanda Montenegro como Picucha: "Acho que está na hora da gente se ver do jeito que a gente é" (Divulgação)

Sempre  chamada de “grande dama do teatro”, Fernanda Montenegro construiu uma carreira igualmente respeitável na televisão. Ela já foi chiquérrima como a Charlô, da Guerra dos Sexos (1983) original; trambiqueira como a Naná de Cambalacho (1986); cafetina e sábia, como a Jacutinga de Renascer (1993); pérfida como a Bia Falcão de Belíssima (2005); e crédula como a Bete Gouveia de Passione (2010). Mas depois de tantos papeis, a Picucha de Doce de Mãe que a leva ao ar novamente hoje na Globo (22h15), é a figura que aproxima a estrela Fernanda da verdadeira Arlette que ela é na vida real.

Com 83 anos, a atriz conserva uma vitalidade tão admirável quanto a de Picucha, apenas dois anos mais velha. Serelepe e faceira, a personagem tenta convencer os quatro filhos – Silvio (Marco Ricca), Fernando (Matheus Nachtergaele), Elaine (Louise Cardoso) e Suzana (Mariana Lima) – de que pode continuar vivendo sozinha, mesmo tendo perdido a empregada Zaida (Mirna Spritzer), até então companheira de todas as horas. “Ela tem uma identificação com a vida”, diz Fernanda ao blog, admitindo que tem pensado com frequência nas mesmas questões que rondam a personagem. “Já imaginei várias vezes se estarei sempre com saúde para continuar vivendo sozinha.”

Mas no telefilme escrito e dirigido por Jorge Furtado, a ideia da finitude não é coisa para atingir apenas a atriz ou os que já vivem a terceira idade. “É uma história de gente como a gente”, define Fernanda, de um jeito que resume a própria obra do diretor gaúcho, que fez filmes como O Homem que Copiava (2003), Meu Tio Matou um Cara (2004) e Saneamento Básico (2007).

Doce de Mãe é de fato um respiro na tão falada tentativa da TV de espelhar a “nova classe C”, que na visão de Fernanda passou dos limites. “A classe média perdeu lugar na ficção. Sinceramente, não aguento mais”, diz ela, sem meias-palavras. “Parece que, hoje em dia, a história precisa abordar os extremos, o doentio e os estereótipos para poder chamar a atenção. Acho que está na hora da gente se ver do jeito que a gente é.”

Já que se tocou no assunto, Furtado, que é mestre em atingir sentimentos profundos por meio do que há de mais simples no cotidiano, conta uma história divertida sobre os caminhos tortuosos do mercado do entretenimento. “Quando Saneamento Básico estreou, estive num cinema em São Paulo. Para minha surpresa, das cinco salas, ele era o único filme estrelado por seres humanos”, diverte-se. “O humanismo precisa resistir.”

Comédia lírica, Doce de Mãe é um telefilme de 1h20, formato que rendeu no ano passado o excelente Homens de Bem, também de Furtado, com Rodrigo Santoro e indicado ao Emmy Internacional. A produção já tem tudo para se desdobrar num seriado em 2013, no núcleo de Guel Arraes.

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29/06/2012

às 13:11 \ Folhetinescas

E tudo termina bem em ‘As Brasileiras’

Fernanda Montenegro (Mary Torres) e Paulo José (Rômulo): diálogo no carro foi ponto alto (Ique Esteves/Divulgação)

Em conversa com o blog publicada na última quarta, Fernanda Montenegro perguntou o que seria dela se, depois de 60 anos de carreira, não tivesse um tanto de bajulação ou alguém a passar-lhe a mão na cabeça. Mas não deve ser vista como bajulação a constatação de que Maria do Brasil foi o melhor episódio da temporada de As Brasileiras, que terminou ontem a primeira temporada na Globo.

A história da atriz veterana mas sem talento que se vê incapaz de agradar manteve equilíbrio delicado entre o cômico e o lírico, nos bons diálogos entre Mary Torres (Fernanda Montenegro) e seu camareiro Ney (Pedro Paulo Rangel). “Faltou um pouco de brilho, talento”, concluiu a personagem que, apesar da falta de aptidão, só queria atuar – de cortar o coração. Gracioso também o final reservado à personagem, que encontrou em RIomulo (Paulo José) um fã – toda estrela deve ter o seu. A cena dos dois dentro do carro antigo, ela aflita para decorar a única fala que teria na filmagem da novela, deve estar entre as mais belas do ano na TV.

Maria Ximenes foi A Adormecida de Foz do Iguaçu (Divulgação)

Mas nem todos os 22 episódios tiveram boa solução como o último. Alguns deram a impressão de apressar o final para caber nos 20 minutos, caso de A Viúva do Maranhão, com Patrícia Pillar. O formato, que voltará com algumas mudanças no ano que vem, é charmoso ao ancorar cada um dos episódios no carisma – e em alguns casos na sensualidade – de uma atriz. Nem todas, entretanto, deram sorte com seus enredos. Juliana Alves, A Mascarada do ABC, apareceu contando história para boi dormir, enganando o marido como uma stripper mascarada – mais inverossímil impossível e, pior, sem muita graça.

Entre as melhores, Ivete Sangalo, de veia cômica natural, divertiu como A Desastrada de Salvador; Letícia Sabatella revelou-se para a comédia em A Apaixonada de Niterói; Mariana Ximenes arrasou como A Adormecida de Foz do Iguaçu. Sandy foi bem como A Reacionária do Pantanal e Glória Pires também como A Mamãe da Barra, atuando ao lado das filhasNenhuma paulistana poderia aprovar o sotaque forçado da carioca Giovanna Antonelli como A Venenosa de Sampa, mas não é por isso que se deixa de reconhecer na perua interpretada por ela algumas de nossas conterrâneas.

Com gravações por todo o país numa produção grandiosa, o mosaico de beldades ficou interessante no fim das contas. E encerramento feito por Fernanda Montenegro deixou a sensação de que os acertos prevaleceram. É bem como disse Pedro Paulo Rangel na ultima cena: tudo bem quando termina bem.

E qual é sua “brasileira” favorita? Deixe seu comentário.

* Abaixo, veja um making-of da charmosa abertura, feito pela Lereby, a produtora do idealizador e narrador da série, Daniel Filho. “As pessoas veem todas essas mulheres juntas e pensa que é uma briga de egos, mas nada disso…”, diz Juliana Paes, A Justiceira de Olinda:

27/06/2012

às 12:34 \ Entrevista

Fernanda Montenegro vive o insucesso em ‘As Brasileiras’

Fernanda Montenegro como Mary Torres: personagem homenageia a mãe de Daniel Filho, Mary Daniel, e o marido da atriz, Fernando Torres (Ique Esteves/Divulgação)

Sempre com termos elogiosos como “diva” e “maior atriz do país” a preceder o seu nome, Fernanda Montenegro experimenta o outro lado da moeda de seu ofício como a protagonista de Maria do Brasil, episódio que encerra a temporada de As Brasileiras amanhã (Globo, 23h50). “É um episódio muito diferente dos outros da série, que foge dos cânones e da tônica dos anteriores”, explica a atriz, em conversa ao telefone com o blog. “É uma homenagem do Daniel (Filho, diretor) aos que ficam na periferia, digamos, dos meios teatrais. É uma modesta, mas quente e amorosa homenagem ao teatro.”

Coquete de tudo, Mary Torres é um atriz que não decolou, apesar de ter passado toda a vida na ribalta. “Ela é uma daquelas que envelhecem fazendo sempre os mesmos papeis, muitas vezes fora de sua idade. O episódio mostra o mundo do teatro que está na sombra – mas nada pesado, claro”, detalha Fernanda.

Carregado de simbolismo, Maria do Brasil faz várias homenagens, a começar pelo nome da protagonista. Mary vem de Mary Daniel, a mãe de Daniel Filho, de origem circense e atriz de sucesso do teatro de revista; e Torres vem do ator Fernando Torres (1927-2008), o marido de Fernanda. “Isso ganhou uma sensibilização maior porque Mary faleceu na semana passada, aos 101 anos. Triste que tenha acontecido justamente na semana em que Daniel vai apresentar uma homenagem à mãe dele”, observa Fernanda.

Entre a atriz e a personagem, diz Fernanda, a única semelhança é a vocação. De trajetória bem diferente dela, Mary nunca alcançou o estrelato, mas terá, de repente, uma oportunidade de atuar na TV – quem sabe daí não virá o sucesso? “Ela sabe que terá de lutar muito ainda, e embora já seja uma senhorinha ela vai atrás da chance dela”, conta a protagonista, que vê com a graça a sua escalação para o papel, já que reconhecimento profissional nunca lhe faltou. “A segurança para mim veio cedo. Mas nunca pensei que seria a pessoa tão reconhecida, e até adulada, que sou hoje”, diz ela. “Calhou que a alquimia da vida me deu uma chance boa. Mas se não tivesse dado, eu seria como a Mary do Brasil, e estaria fazendo o teatro que pudesse fazer.”

E se o aplauso unânime não é condição essencial para exercer seu ofício, Fernanda diz, por outro lado e com franqueza, que ele é muito bem-vindo. “E quem é que não quer ser adulado?”, pergunta ela, rindo. “E outra: depois de 60 anos de carreira, se alguém não me passasse a mão na cabeça, imagina que tristeza…”

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