09/01/2013
às 11:46 \ FolhetinescasUma sereia que não veio do mar
A maneira mais fácil de saber se um ator agarrou com toda força e talento um papel é tentar imaginar o personagem em outras mãos. Quando o ator está bem, é impossível dissociá-lo da figura e, no máximo, o que se consegue é pensar em nomes fisicamente parecidos com ele. Mineira e tímida, Isis Valverde não é a escolha mais óbvia para viver a cantora de axé que protagoniza O Canto da Sereia, mas depois da estreia de ontem só se pode pensar que ela nasceu sereia.
O elenco é, sem dúvida, o melhor da adaptação para a TV do romance policial de Nelson Motta. Embora boa parte dos atores tenha saído de Avenida Brasil direto para o noir baiano dirigido por Ricardo Waddington e José Luiz Villamarim, com um intervalo de apenas quatro dias, é elogiável como Isis, Marcos Caruso, Fabíula Nascimento e especialmente Camila Morgado se desvencilharam dos antigos papeis e agora aparecem confortáveis em personas tão distintas.
A câmera solta de cabos e literalmente empunhada pelo mestre Walter Carvalho é o que tira a produção da linha de montagem da TV e lhe confere status de arte, num estilo documental bem interessante. A se lamentar – e muito – que a direção tenha optado por tratar demais o áudio das cenas em que Sereia canta no trio elétrico. Cristalino, o som impediu que a sequência tivesse a pulsação característica e necessária do axé em pleno carnaval baiano. Mesmo com o auto-tune a todo vapor, Isis não parece cantar bem, muito menos tem a potência de uma Daniela Mercury ou uma Ivete Sangalo. Seria melhor, então, assumir o fato e preservar a ferveção do momento, ganhando pontos na reprodução do clima de “ao vivo”.
Vale ainda citar o bom trabalho dos autores George Moura e Patrícia Andrade na adaptação, bastante livre em relação à estrutura narrativa do romance original sem, entretanto, sacrificar sua alma. Recheado de ironias finas, o texto tem piadas afiadas e provocações divertidas. Não seria o marqueteiro Tuta Tavares (Marcelo Médici) um espelho de Duda Mendonça?
Com uma marca respeitável no Ibope – de 23 pontos, como informa o Radar on-line – apesar de ter ido ao ar depois do desgastado BBB, a minissérie repetiu o fenômeno Avenida Brasil nas redes sociais. Tão logo entrou no ar, a hashtag #ocantodasereia subiu feito foguete ao topo dos Trending Topics do Twitter, onde a associação com a novela de João Emanuel Carneiro foi o principal mote dos tuiteiros piadistas. “Eita, o Divino se mudou pra Salvador?”, perguntaram alguns, entre as tantas postagens dos que se deixaram fisgar pelo “quem matou Sereia?”, dos que avisavam a Ivete que ela “não é sereia, mas continua rainha” e dos que se desesperavam ao descobrir que a minissérie tem apenas quatro capítulos. Mas a melhor veio de um fã de imaginação fértil: “Suelen, Leleco, Olenka… Quem matou Sereia só pode ter sido a Carminha!”
Leia também:
Nos bastidores de ‘O Canto da Sereia’
“Foi difícil me livrar da Olenka”, diz Fabíula Nascimento
Nos bastidores de ‘O Canto da Sereia’
“Subi no trio e a cantora bateu”, diz Ísis Valverde
Tags: Avenida Brasil, Camila Morgado, Fabiula Nascimento, Ísis Valverde, Marcos Caruso, O Canto da Sereia









Número de inscritos no Enem passa de 5 milhões
Juiz que mandou prender Planet Hemp é afastado por receber propina de traficante
Google e Facebook brigam por programa de GPS social
Renan tem agenda oficial de 2h em seu dia de presidente
Justiça determina que venda de ingressos para o Cristo volte a ser feita na bilheteria







