18/11/2012
às 11:40 \ FolhetinescasTeste de DNA virou arma na mão dos vilões

Sarmento (Tato Gabus) fingiu ser pai de Cida (Isabelle Drummond): mil possibilidades de golpe (Divulgação)
Nem mesmo um autor de imaginação fértil como João Emanuel Carneiro seria capaz de criar um roteiro policial com tantos detalhes sórdidos quanto o caso do goleiro Bruno, cujo julgamento pela morte de Eliza Samudio começa amanhã. Nas novelas, o final feliz é praticamente garantido para as “Elizas” que atravessam capítulos tentando provar a paternidade de seus rebentos, em geral com a intenção de subir na vida.
Surgido em meados dos anos 80 para desespero dos que tentam fugir das responsabilidades na vida real, o teste de DNA acabou com um dos maiores clichês do folhetim. Demorou a ser incorporado como elemento dramático e só passou a frequentar grande das tramas recentemente, depois que Glória Perez popularizou o termo e as pesquisas sobre clonagem na fantasiosa O Clone (2002). Hoje, peca o autor que resiste ao recurso, como em Avenida Brasil, quando Jorginho (Cauã Reymond) precisava provar a Tufão (Murilo Benício) que era filho de Max (Marcello Novaes).

Em ''Viver a Vida' (2009), Dora (Giovanna Antonelli) tinha dúvida sobre o pai do seu bebê. No final, venceu o argentino Maradona (Mario Jose Paz)
Depois de décadas arrastando novelas em torno de dúvidas sobre paternidade, os autores se viram obrigados a absorver a nova tecnologia e resolver esse tipo de mal-entendido em poucos capítulos. Ou não.
Os laboratórios da ficção são verdadeiras espeluncas, onde se pode comprar exames falsos ou alterar dados ao gosto do freguês. Assim, se por um lado já não pega bem postergar uma dúvida sobre paternidade, por outro criaram-se diversas maneiras de manipular informações. E falsificar teste de DNA se tornou um dos golpes preferidos dos vilões e periguetes em geral.
Aconteceu outro dia em Cheias de Charme, de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Primeiro, a empreguete Cida (Isabelle Drummond) descobriu que era filha de seu patrão, o inescrupuloso Sarmento (Tato Gabus). A revelação, não por acaso, aconteceu quando ela ficou rica e ele, amargava uma falência. Somente na última semana se revelou que o crápula falsificou o exame de DNA, para se aproveitar da moça.
Não há limites para os mal-entendidos que podem surgir de um exame falso de paternidade. Em Araguaia (2010), de Walter Negrão, os mocinhos Manoela (Milena Toscano) e Solano (Murilo Rosa) passaram pelo tormento da suspeita de incesto quando o pai dela, Max (Lima Duarte), tirou da manga um exame de DNA que dizia que os dois eram irmãos. Nesse caso, a nova tecnologia se aliou a outro dos maiores clichês das novelas, a relação incestuosa. Mas tudo era uma armação, claro.
Com ou sem tecnologia, entretanto, as suspeitas sobre paternidade sempre prenderam e vão continuar prendendo o público, porque despertam sentimentos comuns à grande maioria. Ainda que seja um clichê, poucas cenas são tão tocantes quanto a de Caminho das Índias (2009) em que Laksmi (Laura Cardoso) revela que os inimigos Shankar (Lima Duarte) e Opash (Tony Ramos) são pai e filho. Reveja abaixo (a partir de 6:00):
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Tags: Caminho das Índias, caso Bruno, Cheias de Charme, Cida, Eliza Samudio, Empreguetes, O Clone, teste de paternidade















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