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23/07/2014

às 16:38 \ Folhetinescas

Os 7 “aguinaldismos” de ‘Império’

José Alfredo (Chay Suede) leva um tiro no capítulo desta quarta (23): ganancioso, o protagonista de 'Império' sai do nada para a riqueza, uma constante na obra de Aguinaldo Silva

José Alfredo (Chay Suede) leva um tiro no capítulo desta quarta (23) de ‘Império’: ganancioso, o protagonista sai do nada para a riqueza, uma constante na obra de Aguinaldo Silva

Das tramas nordestinas ambientadas em cidades fictícias às sagas que focalizam os contrastes do país a partir do Rio de Janeiro, Aguinaldo Silva é um autor que sempre se reinventou. Jornalista desde os anos 60 e há quase 35 anos como autor de televisão, teve em suas mãos uma quantidade invejável de sucessos, resultado não só do bom texto e da imaginação fértil, mas também do dom de traduzir em folhetim o que o povo quer ver. “Certamente ninguém quer ver um filme do Bergman às nove da noite!”, brinca ele em conversa com QUANTO DRAMA!, ao falar do ritmo da narrativa de Império (Globo, 21h15), cuja estreia na última segunda (21) tem rendido muitos elogios.

Mas por mais que tenha transformado sua maneira de contar histórias, Aguinaldo tem suas marcas registradas, como todo autor com muitos anos de carreira,. Os “aguinaldismos” – ou seriam “aguinaldices”? – andam escondidos por enquanto, uma vez que Império se desenvolve como minissérie ambientada nos anos 80. Mas não tardam a aparecer, já a novela volta para os dias atuais no capítulo desta quinta (24). Confira abaixo uma lista com setes dos principais ingredientes que fazem uma novela de Aguinaldo Silva:

1. Sonho brasileiro

Aguinaldo adora os tipos humildes que dão nó em pingo d’água e conseguem enriquecer. Nem sempre a trajetória é limpa, como no caso do José Alfredo (Chay Suede/Alexandre nero) de Império, que ficará rico graças ao contrabando de diamantes. Podemos lembrar ainda da batalhadora Griselda (Lilia Cabral), de Fina Estampa (2011), da Maria do Carmo (Susana Vieira) de Senhora do Destino (2004) e o Valdomiro (José Wilker) de Suave Veneno (1999).

2. Disputas entre irmãos

A situação de irmãos brigando pela atenção e/ou herança do pai é um clássico da teledramaturgia e também representa Aguinaldo Silva. Disputas no estilo Rei Lear já temperaram o enredo de Suave Veneno (1999), Porto dos Milagres (2001) e Senhora do Destino (2004).

3. Pras cabeças!

Discreto, Aguinaldo Silva não é uma das personalidades que andam por aí nas feijoadas nas quadras cariocas. Mas adora inserir uma escola de samba em suas novelas – aproveitando, obviamente, o potencial dramaturgico e o apelo popular desse tipo de agremiação. Difícil de esquecer do hilariante Giovanni Improtta (José Wilker) de Senhora do Destino (2004), ex-bicheiro e presidente da Unidos de Vila São Miguel. Em Duas Caras (2007), Juvenal Antena era o manda-chuva da Escola de Samba Nascidos na Portelinha, entidade que se misturava com a milícia local. Desta vez, Império terá a Unidos de Santa Teresa, tocada com muito humor pelo presidente Seu Antoninho (Roberto Bonfim) e que tem como musa a passista Juliane Matos (CrisViana).

 

Amiga de Juliane (Cris Viana), a travesti Xana Summer (Ailton Graça) é uma das reservas de humor de 'Império' (Divulgação)

Amiga de Juliane (Cris Viana), a travesti Xana Summer (Ailton Graça) é uma das reservas de humor de ‘Império’ (Divulgação)

4. ‘Divo’

Depois do Crô (Marcelo Serrado), personagem de grande sucesso em Fina Estampa (2011), o autor criou mais dois gays cobertos de purpurina para Império: o travesti Xana Summer (Ailton Graça), dono de um salão de cabeleireiros em Santa Teresa, o blogueiro Téo Pereira (Paulo Betti), que vive de fazer fofoca na internet.

5. Novela paralela

O dia parece durar mais de 24 horas para o autor, uma vez que, além de escrever e coordenar a produção das cenas, ele consegue tempo para comentar sua própria novela nas redes sociais. Nos últimos anos, tornou-se uma das figuras mais provocativas e divertidas da web, um verdadeiro personagem de si mesmo.

6. Frasistas

Aguinaldo é, ele mesmo, um excelente frasista, o tipo de entrevistado que não deixa um jornalista sem título. Esse potencial é aproveitado em suas novelas, que sempre trazem personagens de língua afiada e com uma visão de mundo excêntrica ou controversa. A Maria Marta de Lilia Cabral deve cumprir esse papel em Império. Entre os mais marcantes frasistas do autor, podemos lembrar da Perpétua de Tieta (1989), o Sérgio Cabeleira (Osmar Prado), de Pedra sobre Pedra (1992), a Altiva (Eva Wilma) de A Indomada (1997) e a Gioconda (Marília Pêra) de Duas Caras (2007).

7. Musas

As novelas de Aguinaldo Silva têm sempre uma boa dose de sensualidade, um palco perfeito para musas – que, aliás, tratam de ajudar quando a audiência não está lá grande coisa. Entre as mais-mais podemos lembrar da Regininha (Maria Maya) e da “ninfa bebê” Danielle de Senhora do Destino (2004), da dançarina de pole dance Alzira (Flávia Alessandra), de Duas Caras (2007), e da cozinheira Dagmar (Cris Viana) e seus banhos no quintal em Fina Estampa (2011). Em Império, a candidata a musa é a Naná de Viviane Araújo, manicure ingênua que não percebe o quanto desconcerta os homens.

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22/07/2014

às 11:18 \ Folhetinescas

Vilã de Marjorie Estiano brilha na estreia de ‘Império’

Na estreia de 'Império', Aguinaldo Silva tratou de dar o que o público mais adora: Cora (Marjorie Estiano) uma vilã para amar odiar (Divulgação)

Na estreia de ‘Império’, Aguinaldo Silva tratou de dar o que o público mais adora: Cora (Marjorie Estiano) uma vilã para amar odiar (Divulgação)

Se faltou vilã à novela anterior, Em Família, o espaço destinado à maior megera do horário nobre foi muito bem preenchido antes que terminasse o primeiro bloco de Império, novela das nove que a Globo estreou nesta segunda (21). Interpretada de um jeito de que dá gosto de ver por Marjorie Estiano, atriz que ainda outro dia se destacou em Lado a Lado (2012), Cora não é Nazaré, não é Carminha, muito menos Tereza Cristina ou Odete Roitman. Em tão pouco tempo, mostrou ser única, comparável somente, quem sabe, à Perpétua (Joana Fomm) de Tieta (1989) – sem, é claro, o tom caricatural e as vestes de viúva.

Cora é a irmã recalcada, que vive uma relação de interdependência com a romântica Eliane (Vanessa Giácomo). Víbora suburbana, impediu, por maldade e também para não perder o teto na casa do cunhado, que a irmã fugisse com seu grande amor, José Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero). O disse-me-disse característico de folhetim – ou de “novelão”, como o autor Aguinaldo Silva vem chamando – acabou mudando o rumo do protagonista José Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero). Por causa do instinto de sobrevivência de Cora, o protagonista entrou na rota da riqueza e chegará rico ao quarto capítulo, quando a trama voltará dos anos 80 para os dias atuais. “Se isso é ser má, então eu sou”, disse ela, ao justificar que armação era a única maneira de proteger a irmã.

Chay Suede, revelado no reality Ídolos (Record) ex-integrante do grupo adolescente Rebelde, causou boa impressão como o protagonista José Alfredo, na juventude (Divulgação)

Chay Suede, revelado no reality ‘Ídolos’ (Record) e ex-integrante do grupo adolescente Rebelde (da novelinha homônima do SBT), causou boa impressão como o protagonista José Alfredo, na juventude (Divulgação)

Na segunda fase, a personagem será assumida por Drica Moraes, e o noveleiro certamente se surpreenderá com o quanto ela e Marjorie podem ser parecidas. Cora não poderia estar em mãos melhores, e a escalação repercutiu instantaneamente nas redes sociais – no Twitter, o aplauso para Cora foi geral.

Embalada por Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles na voz do cantor Dan Torres (participante do reality show Fama, de 2004), Império apresentou um primeiro capítulo promissor, com belas imagens do Monte Roraima, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, uma narrativa enxuta e um argumento que tem tudo para se tornar uma boa história. De certa forma e guardadas as diferenças entre as duas novelas, lembrou a estreia de Senhora do Destino, sucesso que Aguinaldo escreveu em 2004, e com um começo tão impactante quanto. Neste ponto, chama atenção ainda que a produção pareça um pouco diferente das novelas coloridas que o autor costuma fazer – mas não se iluda, o colorido e o tom popular virá após o prólogo.

Há que se considerar que as sagas envolvendo riqueza e disputas familiares estão longe de ser uma novidade na teledramaturgia. E é realmente interessante perceber o quanto as histórias envolvendo garimpo e pedras preciosas são caras aos autores, há décadas. Mas novela ainda é o gênero que acontece no dia a dia, de cena em cena, e no qual o bom aproveitamento dos clichês é o que separa o sucesso do fracasso. Por isso, a velha fantasia de estar cavando numa mina em algum lugar ermo do planeta e, de repente, encontrar o diamante que mudará sua vida pode, sim, transformar-se um roteiro irresistível. A senha foi dada foi Sebastião Feliciano, personagem adorável de Reginaldo Faria, que precisou durar somente um capítulo para mudar a vida de José Alfredo. Disse ele antes de morrer, num final épico: “Jogue por mim no time dos aventureiros. E ganhe!”

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18/07/2014

às 23:12 \ Folhetinescas

‘Em Família’ mata protagonista, e mesmo assim termina morna

Laerte (Gabriel Braga Nunes) levou um tiro no final de 'Em Família': personagem secundária tirou o flautista galã de circulação (Divulgação)

Laerte (Gabriel Braga Nunes) levou um tiro no final de ‘Em Família’: personagem secundária tirou o flautista galã de circulação (Divulgação)

“Desta vez, tudo vai ser diferente. Vai ter casamento!”, desejou Chica (Natália do Vale) quando, reunidas em torno da noiva, Luiza (Bruna Marquezine), as mulheres de Em Família (Globo, 21h15) lembraram da tragédia de 20 anos antes. Depois da repetição de quase tudo que ocorreu com sua mãe, Helena (Júlia Marquezine), e seu noivo, Laerte (Gabriel Braga Nunes), Luiza de fato se casou. Mas não chegou ao “felizes para sempre”: ainda a porta da igreja, Laerte teve de novo a felicidade interrompida, e levou um tiro de Lívia (Louise D’Tuani).

O final trágico chegou a ser antecipado na manhã desta sexta (18) pelo site oficial da novela, que propôs um “quem matou?” para o público, numa tentativa de criar alguma expectativa. Imerso num bizarro delírio, Laerte passou toda a cerimônia tendo flashs de memória dos tempos em que foi apaixonado pela mãe da noiva, sua prima Helena. Mas, diferentemente do que o autor Manoel Carlos fez parecer durante toda a trama, não foi a protagonista destemperada que tirou a vida do flautista, mas uma jovem pianista apaixonada e cuja maluquice pareceu coisa improvisada de uns dois ou três dias. Uma saída fria, sem grandes desdobramentos. Um final melancólico para uma novela que começou muito bem, com um argumento que poderia ter rendido bem, mas que se perdeu.

Laerte, que ensaiou virar psicopata, acabou pagando por uma bobagem sem tamanho: a incapacidade de resistir aos joguinhos de sedução – no filme de sua vida passaram uma porção de cenas dele com suas tantas mulheres. E a novela perdeu, pois a resolução da parte mais importante da trama ficou nas mãos de uma personagem sem nenhuma importância, interpretada por uma atriz que não conseguiu crescer em cena nem mesmo no momento mais decisivo. Pelo bem da coerência, Helena deveria concretizar o mau agouro que destilou por mais de 20 anos, e acabar de vez com o primo – em vez disso, deram a ela um tiro bobo, numa cena mal dirigida, levada ao ar na terça (15).

Com menos cuidado do que uma novela das nove pede, ainda mais aquela que foi proclamada como “a última de Manoel Carlos”, era de se esperar mais emoção no assassinato do protagonista. Mas a sequência foi cortada sem grande sensibilidade pela edição ruim – um mal que, aliás, prejudicou demais Em Família.

No capítulo morno demais para encerrar a dinastia das Helenas, da morte surreal do protagonista passou-se – acredite – para uma aula de salsa no Galpão Cultural. E a vida seguiu no Leblon.

Feliz com Clara (Giovanna Antonelli), Marina (Tainá Müller) deixou aquela vida de fotografar modelos nuas e passou a investir em modelos infantis. Shirley (Viviane Pasmanter) voltou a viajar pelo mundo. Depois de procurar durante toda a vida, André (Bruno Gissoni) descobriu que sua mãe biológica, a detestável Branca (Ângela Vieira) esteve perto o tempo todo – coincidências de folhetim. Surtada há tempos, Juliana (Vanessa Gerbelli) se acalmou e escolheu o malandro Jairo (Marcello Melo Jr.) como marido. O ex dela, Nando (Leonardo Medeiros), deu uma chance à secretária Isolda (Silvia Quadros). Em Paris, Luiza, já curada de todo aquele “amor imenso” que dizia sentir por Laerte, conheceu um pianista galante.

Ninguém ficou sem par e, mesmo depois de algumas dúzias de barracos, a família Fernandes terminou unida em torno de uma mesa de banquete, para comemorar o aniversário da matriarca Chica. Só para não deixar de fazer jus ao título, a mensagem é que tudo acontece mesmo em família ali. E, ao que parece, em ciclos. Na cena derradeira, Verônica (Helena Ranaldi) e Leto (Ronny Kriwat) surgiram no palco como se a vida se repetisse, quem sabe numa espécie de Matrix do Leblon. Vamos começar tudo de novo?

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15/07/2014

às 13:27 \ Folhetinescas

‘O Rebu’ é ótima. Mas não é novela

Angela Mahler (Patrícia Pillar) e Gilda Rezende (Cássia Kis Magro) deram um show no primeiro capítulo de 'O Rebu' e foram aplaudidas de pé nas redes sociais (Reprodução)

Angela Mahler (Patrícia Pillar) e Gilda Rezende (Cássia Kis Magro) deram um show no primeiro capítulo de ‘O Rebu’ e foram aplaudidas de pé nas redes sociais (Reprodução)

Entre todos os elogios que podem ser feitos à estreia de O Rebu, na noite desta segunda (14) na Globo, o maior é constatação de que a “nova novela das onze” não é uma novela. Pouco restou do folhetim sessentão brasileiro, que luta para se manter meramente interessante, no modelo proposto pelos autores George Moura e Sergio Goldenberg na releitura da história escrita por Bráulio Pedroso em 1974. Já revolucionária em sua época, graças à direção engajada de Walter Avancini, a trama volta a beber em fontes cinematográficas, agora sob o comando de José Luiz Villamarim.

Duda (Sophie Charlotte) canta Roberto Carlos num momento "bafônico" da festa de 'O Rebu' (Reprodução)

Duda (Sophie Charlotte) canta Roberto Carlos num momento “bafônico” da festa de ‘O Rebu’ (Reprodução)

A julgar pelo primeiro capítulo, o remake deve superar o original, o que não chega a ser surpreendente, uma vez que Bráulio foi um autor à frente de seu tempo. É evidente que a grande ideia que ele teve, de uma novela policial contada no período de 24 horas, dispõe de mais recursos para ser contada hoje em em dia, com toda a sofisticação que os convidados da ricaça Angela Mahler (Patrícia Pillar) merecem. Filmada com o que há de melhor no mercado audiovisual (o sistema 4K) numa locação suntuosa (o palácio Sans Souci, em Buenos Aires), a produção tem um elenco dos sonhos, figurinos belíssimos e trilha sonora envolvente. Ou seja: todo aquele ar folclórico e adorável – mas demodê – das novelas dos anos 70 ficou lá no século 20. Mas seu maior trunfo é, sem dúvida, a decisão da direção de contá-la em apenas 36 capítulos. A salvação das novelas é o encurtamento, não há como fugir disso. Se O Rebu é novela como a emissora anuncia, e não uma série quase diária – vai ao ar às segundas, terças, quintas e sextas –, tomara que se torne um padrão para que os bons argumentos deixem de se tornar novelas enfadonhas, esticadas além da conta.

O Rebu original, lembremos, durou longos 112 dias. Na trama concentrada em poucos personagens, não havia história para tanto tempo, e eis que, apesar do esforço da equipe, sobraram erros de continuidade. Quem acompanhou na época – não é o meu caso – conta, por exemplo, o caso divertido do pianista que tocava ao vivo na festa de Conrad Mahler (Ziembinski), mesmo o piano estando vazio em algumas cenas (pianista de plantão, Paulo César Oliveira não faltava a algumas gravações e Avancini tocava o barco sem ele). Há quem diga ainda que a novela chegava a ser chata, de tanto que se enrolou para desvendar o crime.

Desta vez, com bem menos minutos no ar para preencher, O Rebu entregou logo um dos seus grandes mistérios, sobre de quem é o cadáver boiando na piscina da mansão – Bruno (Daniel de Oliveira), ao que parece, um misterioso don juan.  Na primeira versão, a revelação foi feita no capítulo 50 – era Silvia (Bete Mendes), de cabelos curtos e vestida de homem para despistar. Em vez do didatismo usual para apresentar personagens, com aquele truque de repetir os nomes nas conversas para que até o telespectador mais desatento entenda quem é quem, a câmera de Walter Carvalho passou de uma figura a outra a perambular pela mansão, numa integração perfeita entre roteiro e edição. O ritmo deve diminuir um pouco nos próximos capítulos, mas espera-se que a trama continue ágil depois de um começo tão hipnótico.

Mesmo com Ibope de 23 pontos, abaixo das antecessoras, como informa o Radar on-line, o esmero da produção agradou aos noveleiros de plantão nas redes sociais. Os momentos mais comentados no Twitter foram a interpretação chorosa – com a ajudinha de um programa de correção de voz – de Sophia Charlotte (Duda) para Sua Estupidez de Roberto Carlos e a cena espetacular de Patrícia Pillar (Angela) e Cássia Kis Magro (Gilda) ao lado do cadáver de Bruno. Nas duas sequências, um “algo mais” entre as três – sim, entre as três – ficou no ar. Mas, não, é Bruno que está entre elas. Como o autor garantiu neste post, não há relação homossexual na novela, um traço importante da original. A insinuação lésbica deve ser, portanto, ingrediente de mistério ou mera provocação típica da alta madrugada.

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‘O Rebu’ não vai tocar Raul

Romance gay é cortado da nova ‘O Rebu’

14/07/2014

às 14:16 \ Folhetinescas

‘O Rebu’ não vai tocar Raul

Ligações Perigosas: Em 'O Rebu", Daniel de Oliveira e  Sophie Charlotte formam o casal Bruno e Duda (Divulgação)

Ligações Perigosas: Em ‘O Rebu’, Daniel de Oliveira e Sophie Charlotte formam o casal Bruno e Duda (Divulgação)

Entre as muitas modificações promovidas pelo diretor José Luiz Villamarim na nova O Rebu, remake da lendária novela que Bráulio Pedroso escreveu em 1974, certamente o que chamará a atenção dos mais saudosos é a substituição da trilha original. Composto pela então jovem dupla de sucesso Raul Seixas e Paulo Coelho a pedido do diretor Walter Avancini, o LP da novela foi considerado um tanto demodê para embalar uma festa de ricaços nos dias atuais. O primeiro capítulo vai ao ar na noite desta segunda na Globo, às 22h25.

Com todo respeito à história do disco que lançou o hit Como Vovó Já Dizia – do “quem não tem colírio, usa óculos escuros” –, a decisão de Villamarim não é descabida. O diretor, aliás, vem de um caminho de sucessos nessa área: esteve entre os diretores de Avenida Brasil (2012), a do “oi, oi, oi”; pôs Isis Valverde para cantar – com pouca voz, mas muito charme – em O Canto da Sereia (2013); e acertou na escolha do grupo The xx para dramatizar Amores Roubados, no início do ano. Desta vez, as cenas trazem clássicos da ferveção em pista, como Bizarre Love Triangle, do New Order, e baladas elegantes e envolventes, como I Found You, do Alabama Shakes.

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De qualquer forma, vale lembrar aqui da trilha de Raul Seixas e Paulo Coelho, detalhe pitoresco de uma das novelas mais inventivas da nossa teledramaturgia. Driblando a censura aqui e ali, a trama policial contou a história de um crime – de motivação passional, como foi desvendado depois – ocorrido numa festa. Toda a ação se passa entre a noite e a manhã seguinte ao crime, e as sequências que compõem o quebra-cabeça são apresentadas sob os vários pontos de vista dos convidados. Difícil, como se pode imaginar, de executar, a produção não foi perfeita e não foi um grande sucesso, mas passou para a posteridade pela ousadia e criatividade.

Nessa toada, é histórico também o momento em que Raul Seixas chamou a atenção dos censores pela primeira vez. Dois versos de Como Vovó Já Dizia  –  “quem não tem papel dá recado pelo muro” e “quem não tem presente se conforma com o futuro”foram cortados e substituídos por “quem não tem filé come pão e osso duro” e “quem não tem visão bate a cara contra o muro”, como lembra o doutor em História Social Luiz Lima neste artigo.

Abaixo, você ouve Raul cantando ao vivo os versos originais da música. Nos comentários do vídeo, há quem diga que ele erra a letra, mas não – é a música original de O Rebu:

11/07/2014

às 12:53 \ Folhetinescas

Laerte, o sincericida de ‘Em Família’

No capítulo desta sexta (11) de 'Em Família', Laerte (Gabriel Braga Nunes) tem mais um de seus rompantes, desta vez com a ex, Verônica (Helena Ranaldi): versão "flautista maluquinho" do personagem envenena a trama de Manoel Carlos (Divulgação)

No capítulo desta sexta (11) de ‘Em Família’, Laerte (Gabriel Braga Nunes) tem mais um de seus rompantes, desta vez com a ex, Verônica (Helena Ranaldi): versão “flautista maluquinho” do personagem envenena a trama de Manoel Carlos (Divulgação)

Não fosse sabido que a cena fora gravada antes que qualquer um pudesse prever o vexame do Brasil no Mineirão na última terça (8), seria o caso de supor que Laerte (Gabriel Braga Nunes) tratou de descontar em meio-mundo a frustração da derrota. Mas como o flautista não parece ser fã de futebol – e, na verdade, nada se comenta sobre a Copa no Leblon de Em Família (Globo, 21h15) – pode-se ter certeza que ele anda fora de si.

Fora o olhar vidrado, a mania de perseguição e os rompantes a cada cena em que aparece, corre a boca miúda que ele anda tomando quatro remédios psiquiátricos por dia – se é verdade, ainda não estão fazendo efeito, obviamente. Mas não é que o “Laerte meio maluquinho” é bem melhor que o “flautista charmoso e internacionalmente reconhecido” que a novela vinha apresentando até agora, uma verdadeira fonte de veneno salutar para quebrar aquela elegante monotonia do Leblon fictício?

“Sincericida” dos bons, ao que parece, o galã precisa ser absurdamente intragável para que Luiza (Bruna Marquezine) se toque de que não é uma boa ideia se casar com o ex-noivo da mãe que enterrou seu pai vivo 20 anos antes. Por isso, daqui até o fim da novela, na semana que vem, o personagem entra na rota irreversível da birutice, a ser marcada por frases mordazes – e hilariantes.

Veja uma seleção de sete pérolas do moço de fino trato:

Quanto mais maluco fica, mais sedutor Laerte (Gabriel Braga Nunes) parece para as moças da novela (Divulgação)

Quanto mais maluco fica, mais sedutor Laerte (Gabriel Braga Nunes) parece para as moças da novela (Divulgação)

1. “Não posso simplesmente querer ficar sem a sua companhia sofrida, repleta de auto-piedade?”

Para a mãe, Selma (Ana Beatriz Nogueira), que, doente da memória, virou seu alvo preferido.

2. “Daqui a pouco, você não vai servir para nada. Nem para fingir que trabalha aqui no Galpão Cultural.”

De novo para a mãe, por causa do sumiço de partituras importantes e provando que não é nada bom mimar um filho.

3. “Alguém te maltratou?”

Um dia depois de ter espinafrado a mãe na briga relatada acima.

4. “Eu mudo porque eu sou um artista. E você não sabe o que vai na alma de um artista inquieto, inconformado e intolerante com as coisas.”

Para Luiza, que só não sai correndo porque a novela ainda tem uma semana no ar.

5. “Parabéns ao casal que finalmente saiu do armário. Acho bom. Estavam os dois com dor-de-cotovelo, tinham mesmo que se unir.”

Para Cadu (Reynaldo Gianecchini) e Verônica (Helena Ranaldi), ao saber que sua ex-namorada está agora com o ex-marido de Clara (Giovanna Antonelli).

6. “Não estamos num museu da Europa. Tenho certeza que uma fotinho não vai prejudicar o seu conceito artístico.”

Para Marina (Tainá Müller), ao exigir que a fotógrafa tire de sua  exposição uma foto “de péssimo gosto” em que ele aparece brigando com Luiza.

7. “Vou assistir a esse concerto bem longe, porque você está numa vibração muito complicada.”

Para Shirley (Viviane Pasmanter), a eterna apaixonada que não faz outra coisa senão bajulá-lo.

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A seleção que une futebol e novela

Mais 5 mistérios de ‘Em Família’

08/07/2014

às 15:51 \ Folhetinescas

A seleção que une futebol e novela

Cauã Reymond foi o jogador Jorginho em 'Avenida Brasil', 2012: ambientada num time carioca da segunda divisão, novela de João Emanuel Carneiro aproveitou todo o potencial ficcional do futebol (Divulgação)

Cauã Reymond foi o jogador Jorginho em ‘Avenida Brasil’, 2012: ambientada num time carioca da segunda divisão, novela de João Emanuel Carneiro aproveitou todo o potencial ficcional do futebol (Divulgação)

Todo brasileiro é técnico e autor de ocasião, mas raramente o futebol e a novela se misturam. De minha parte, acho curioso ver os que criticaram, por exemplo, a comoção em torno do final de Avenida Brasil em 2012 acompanharem com tanto fervor a novela da Copa de 2014, em enredo do tipo “sangue, suor e lágrimas”. O título desta novela poderia ser Copa das Copas – Lágrimas e Paixão, e Neymar seria, obviamente, o mocinho. Não poderia ser mais folhetinesco, até a protagonista da novela das nove ele namora.

É uma pena a ficção não use o futebol como tema frequentemente. A dificuldade na produção das cenas em estádios talvez explique a escassez de craques nas novelas. Há quem aposte, também, que os públicos do esporte e da ficção são diferentes – nem tanto.

Por tudo isso, o noveleiro passa aperto na hora de escalar 11 jogadores para a seleção das novelas – e quase não chega a tanto, não fosse o reforço dos meninos do Divino. Abaixo, os boleiros mais famosos da teledramaturgia nacional, com reforço estratégico de Pelé e Neymar.

 

Luca (Mário Gomes) com os jogadores da partida entre Corinthians e Vasco, em 1984 (Divulgação)

Luca (Mário Gomes) com os jogadores da partida entre Corinthians e Vasco, em 1984 (Divulgação)

Luca, de ‘Vereda Tropical’ (1984)

Criado por Carlos Lombardi e Silvio de Abreu, o protagonista de Vereda Tropical interpretado por Mário Gomes ainda é o maior craque das novelas. Era um charmoso centroavante do Cantareira Futebol Clube, time fictício da segunda divisão, que sonhava em jogar no Corinthians. É famosa a cena final em que Luca estreia no time, uma sequência gravada durante um jogo real entre Corinthians e Vasco, no Morumbi. A Fiel pediu que o personagem entrasse em campo, numa provocação ao Timão real.

Bertazzo (Nuno Leal Maia), de ‘Vereda Tropical’ (1984)

Na mesma novela de Carlos Lombardi, o santista Nuno Leal Maia deu vida a Bertazzo, amigo do protagonista Luca (Mário Gomes). O ator sabia mesmo o que estava fazendo na TV: jogador na vida real, ele chegou a se dividir entre as gravações de Pátria Minha e o cargo de técnico do São Cristovão em 1994.

 

Duda (Claudio Marzo), em 'Irmãos Coragem": a novela estreou poucos dias após a abertura da Copa do Mundo de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato (Divulgação)

Duda (Claudio Marzo), em ‘Irmãos Coragem”: a novela estreou poucos dias após a abertura da Copa do Mundo de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato (Divulgação)

Duda (Cláudio Marzo), de ‘Irmãos Coragem’ (1970)

Irmão mais novo de João (Tarcísio Meira) e Jerônimo Coragem (Claudio Cavalcanti), Duda deixa a família em Coroado, cidade fictícia do interior de Goiás onde se passa a novela de Janete Clair, para seguir o sonho de ser jogador. O drama do personagem foi construído com a consultoria do lendário João Saldanha. Não por acaso, a novela estreou poucos dias depois a abertura da Copa do Mundo de 1970, no México, da qual o Brasil saiu tricampeão.

 

 

Bruno Gissoni, Thiago Martins e Daniel Rocha, os jovens craques do Divino Futebol Clube (Divulgação)

Bruno Gissoni, Thiago Martins e Daniel Rocha, os jovens craques do Divino Futebol Clube (Divulgação)

Meninos do Divino, de ‘Avenida Brasil’ (2012)

Nunca uma novela teve tantos jogadores de futebol como personagens como Avenida Brasil (2012), de João Emanuel Carneiro. O autor aproveitou muito bem o potencial ficcional do esporte, e ambientou a história nos bastidores de um time de futebol da segunda divisão, localizado na zona norte carioca. A história tinha uma galeria invejável de boleiros: Jorginho (Cauã Reymond) era o aspirante a craque que vivia a sombra do pai, Tufão (Murilo Benício), sujeito humilde que enriqueceu como herói do Flamengo; Roni (Daniel Rocha) e sua atração pelo amigo, Leandro (Thiago Martins); Adauto (Juliano Cazarré), craque marcado por um erro cometido em campo.

 

Klebber Toledo, Rafael Cardoso, Caio Blat e Eunir XXX, em 'Lado a Lado': futebol vintage (Divulgação)

Klebber Toledo, Rafael Cardoso, Caio Blat e Daniel Dalcin, em ‘Lado a Lado’: futebol vintage (Divulgação)

Pioneiros da bola, de ‘Lado a Lado’ (2012)

Na novela das seis de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, ambientada no início do século 20, o futebol era coisa de gente chique, como os personagens de Rafael Cardoso (Albertinho), Caio Blat (Fernando), Klebber Toledo (Umberto) e Daniel Dalcin (Teodoro).

Juiz Juarez Gomes da Silva (Eucir de Souza), de ‘fdp’ (2012)

Muito bom poder se colocar na situação do sujeito mais xingado em campo, na perspectiva do Juarez da série fdp da HBO. Ele sonha apitar uma Copa, mas vive uma vida sem glamour, muito perigo e pouco dinheiro.

 

Maicon (Marcello Melo Jr.): goleiro simpático foi um hit de 'Malhação' em 2010 (Divulgação)

Maicon (Marcello Melo Jr.): goleiro simpático foi um hit de ‘Malhação’ em 2010 (Divulgação)

Maicon (Marcello Melo Jr.), de Malhação (2010)

Uma graça o goleiro interpretado por Marcello Melo Jr. na Malhação de 2010. Morador de uma favela carioca, o simpático Maicon conseguiu realizar o sonho de jogar Seleção Brasileira Sub-20, depois de muita batalha e com muito talento para administrar as mulheres que o perseguiram durante a temporada.

 

Pelé, ele mesmo, de ‘O Clone’ (2001)

Todo galante, Pelé mostrou em O Clone (2001) que, se for preciso, pode ser escalado como galã. O Rei foi um dos muitos famosos que passaram pelo Bar da Dona Jura (Solange Couto), onde jogou charme para Nazira (Eliane Giardini).

 

Valdirene (Tatá Werneck) ataca Neymar em 'Amor à Vida' (Divulgação)

Valdirene (Tatá Werneck) ataca Neymar em ‘Amor à Vida’ (Divulgação)

Neymar, ele mesmo, de ‘Amor à Vida’

Naquele tipo de coincidência que mostra por que certas pessoas são celebridades, no mesmo dia em que fechou o contrato com o Barcelona – 27 de maio do ano passado –, Neymar se tornou ator de novela, em Amor à Vida. Ele apareceu, ainda com uniforme do Santos, como uma das vítimas da periguete Valdirene (Tatá Werneck). Praticamente mudo, mostrou que como ator é um grande craque de futebol.

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Mais 5 mistérios de ‘Em Família’

Cabelo de lado, esmalte e batom da mesma cor, além do ar etéreo: Clara (Giovanna Antonelli) está se tornando um clone de Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

Cabelo de lado, esmalte e batom da mesma cor, além do ar “lesbian chic”: Clara (Giovanna Antonelli) está se tornando um clone de Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

A duas semanas do fim, Em Família (Globo, 21h15) guarda, como toda telenovela que se preze, um bocado de mistérios – alguns bem planejados e necessários à trama; outros, nem tanto. Dúvidas cruéis, como a paternidade de Bia (Bruna Faria), a morte de Gorete (Carol Macedo) e a loucura de Laerte (Gabriel Braga Nunes) já foram levantadas neste post.

Mas eis que a novela tem muito mais pontos obscuros. Confira abaixo mais cinco mistérios que, provavelmente, ficarão sem resposta quando a novela acabar, no dia 19:

1. Clara está virando Marina

No começo, Clara (Giovanna Antonelli) era uma mulher adulta que usava roupas e cabelo de adolescente. A personagem evoluiu, descobriu-se homossexual e apaixonada por Marina (Tainá Müller), e essa transformação reflete-se no figurino mais sofisticado que ela passou a usar. Mas a produção acabou errando a mão e, agora que está prestes a se casar, Clara parece um clone da namorada: elas usam a mesma cor de esmalte, o mesmo batom e até penteiam o cabelo para o lado. As “coincidências” na caracterização das personagens esbarram no velho clichê de que namoradas lésbicas costumam se transformar umas nas outras. O casal Clarina merecia mais do que isso.

 

O pequeno Artur, filho de Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) vai a um passeio na favela , onde faz mais sol do que no resto da cidade (Reprodução)

O pequeno Artur, filho de Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) vai a um passeio na favela , onde faz mais sol do que no resto da cidade (Reprodução)

2. Solarização da favela

É de se esperar que o Rio de Janeiro apareça lindo e maravilhoso nas novelas, ainda mais nas de Manoel Carlos, um dos grandes apaixonados pela cidade. Mas não dá para entender por que somente as cenas da favela onde vive Jairo (Marcello Melo Jr.) aparecem com um filtro amarelo e saturação exagerada das cores, como se o morro – e apenas ele – fosse banhado por uma luz completamente diferente da que se vê no Leblon e na Barra.

3. Desembucha, Guiomar!

Como uma boa trama e doida de pedra, Juliana (Vanessa Gerbelli) é sem dúvida uma das melhores personagens de Em Família. Mas, na reta final, algumas peças de sua história dão nó na cabeça do noveleiro. Ao que parece, o autor quer redimir e premiar o banana do pedaço, Nando (Leonardo Medeiros) que, sem a força e personalidade de Jairo (Marcello Melo Jr.) rirá por último, quando for revelado que ele é o verdadeiro pai da pequena Bia (Bruna Faria). Mas se a fiel escudeira de Juliana, Guiomar (Jessika Alves), sabia do caso de Nando e Gorete (Carol Macedo) e, ainda, a que menina poderia ser filha dele, por que deixou para contar só agora, mesmo tendo presenciado todo o sofrimento da patroa para ficar com a criança? Coisas de final de novela….

 

Antes ambientada na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, a faculdade onde estudam os personagens jovens da novela se resumiu a uma das escadas do Projac: coisas de fim de novela (Reprodução)

Antes ambientada na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, a faculdade onde estudam os personagens jovens da novela se resumiu a uma das escadas do Projac: coisas de fim de novela (Reprodução)

4. Encontro na escada

A produção de Em Família gravou durante meses a fio na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, as cenas de Luiza (Bruna Marquezine) na universidade, onde também estudam outros personagens, como André (Bruno Gissoni) e Leto (Ronny Kriwat). Mas agora que a protagonista abandonou o curso e a novela está na reta final, em vez da lanchonete, a turma da faculdade deu para aparecer invariavelmente apertada numa escada – que, quem conhece sabe, fica no Projac. Coisas de orçamento apertado.

 

 

Rejeitado pelas mulheres durante toda a novela, Nando (Leonardo Medeiros)  nem precisou sair do escritório – foi "atacado" ali mesmo pela secretária 'Mad Men', Isolda (Silvia Quadros) (Reprodução)

Rejeitado pelas mulheres durante toda a novela, Nando (Leonardo Medeiros) nem precisou sair do escritório – foi “atacado” ali mesmo pela secretária ‘Mad Men’, Isolda (Silvia Quadros) (Reprodução)

5. Dança da vassoura

Fim de novela muitas vezes lembra aquela “dança da vassoura” de antigamente, um momento em que todos os personagens parecem correr para se arranjar e não sobrar no final. Às solteiras da vida real que vagam pelas micaretas da Copa em busca de um benzinho, as moças de Em Família ensinam que o melhor lugar para encontrar um namorado é a firma: muitas delas – como Verônica (Helena Ranaldi), Neidinha (Elina de Souza), Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho), Dulce (Lica Oliveira) e até a “aspirante a policial durona traumatizada pelo estupro” Alice (Erika Januza) – pegaram a rota do altar acompanhadas por colegas de trabalho.

 

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E o que seria da novela sem o beijo?

Conhecido pelos personagens conquistadores, José Mayer viverá um gay enrustido em 'Império', Cláudio, apaixonado pelo personagem de Klebber Toledo, Leonardo (Divulgação)

Conhecido pelos personagens conquistadores, José Mayer viverá um homossexual em ‘Império’, Cláudio, apaixonado pelo personagem de Klebber Toledo, Leonardo: novo casal já alimenta especulações por mais um beijo gay na TV (Divulgação)

Nenhum beijo precisa ser igual ao outro, porque a telenovela é feita dos mais diversos tipos daquela manifestação de carinho que é a cara do folhetim. Tímido e mais discreto do que a ocasião exigia – um pedido apaixonado de casamento –, o beijo entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) no capítulo da última segunda (30) de Em Família (Globo, 21h30) foi bem mais comedido que o “beijo lésbico” antes apresentado pelo SBT em 2011, em Amor e Revolução, com Giselle Tigre e Luciana Vendramini. Mas não é por isso que deixou de representar uma evolução na representação dos personagens homossexuais, já que estar na emissora líder de audiência faz uma certa diferença.

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em 'Em Família': tímido, mas ruidoso (Divulgação)

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em ‘Em Família’: tímido, mas ruidoso (Divulgação)

Há três anos, o canal de Silvio Santos anunciou com grande alarde a cena de amor entre as duas jornalistas que se apaixonavam em meio aos acontecimentos do golpe de 1964, pano de fundo da novela de Tiago Santiago. Aquela experiência ajuda a explicar a candura do casal Clarina: a sequência, que entrou para a história como o primeiro beijo entre mulheres numa novela brasileira, não fez subir o Ibope da novela. Pelo contrário, a repercussão menos positiva do que se esperava levou a direção a desistir de exibir um segundo beijo entre as duas personagens – meu palpite é que a propaganda em torno da cena acabou tendo um efeito negativo.

Não podemos esquecer que a novela brasileira é um programa para o público mais heterogêneo que se possa imaginar. E que até o beijo pudico e heterossexual de Vida Alves e Walter Forster já chocou o público, lá por 1951, quando exibido em Sua vida me pertence (TV Tupi). Há que se ter nas novelas, portanto, beijos para todos os gostos. Assim, mesmo singelo e um tanto “coisinha da Hebe”, o carinho de Clara e Marina – que tem grande chance de se repetir numa cerimônia de casamento até o final de Em Família, no dia 19 – é mais um tipo de carinho que se soma aos tantos outros que compõem a nossa telenovela e marcam época.

Veja 7 tipos de beijos que são a cara da teledramaturgia nacional:

Tarcísio Meira e Glória Menezes em 'Rosa Rebelde', de 1969

Tarcísio Meira e Glória Menezes em ‘Rosa Rebelde’, de 1969

1. Beijo Tarcísio Meira

É aquele oferecido para a câmera, com o grudar de lábios, mas a boca respeitosamente fechada. É o beijo que Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) deram em Amor à Vida.

 

2. Beijo Vida Alves

Você pensa que é só um beijo inocente, mas a lembrança te persegue para sempre.

 

 

 

Fábio Jr. e Regina Duarte em 'Roque Santeiro', de 1985

Fábio Jr. e Regina Duarte em ‘Roque Santeiro’, de 1985

3. Beijo Fábio Jr.

É o tipo de beijo que faz o telespectador questionar o conceito “beijo técnico” ou, no mínimo, aplaudir a naturalidade do ator.

 

 

4. Beijo Clarina

Longe de ser um típico “beijo de novela” e também conhecido como “beijo da Hebe”, é uma coisinha à toa, mas que causa um rebuliço enorme.

 

 

José Mayer e Helena Ranaldi em 'Laços de Família', de 2000

José Mayer e Helena Ranaldi em ‘Laços de Família’, de 2000

5. Beijo José Mayer

É o famoso “beijo com pegada”. Literalmente, uma vez que o ator sempre pega no braço da parceira de cena, com força, antes de beijá-la. O estilo poderá ser posto a prova em breve e num novo contexto, uma vez que José Mayer viverá um homossexual em Império, que substitui Em Família no dia 21.

 

 

 

 

Cauã Reymond (Leandro) e Isis Valverde (Antonia) em cena de 'Amores Roubados' (2014) (Divulgação)

Cauã Reymond (Leandro) e Isis Valverde (Antonia) em cena de ‘Amores Roubados’ (2014) (Divulgação)

6. Beijo Cauã

É a evolução do “beijo Fábio Jr.” e o beijo mais valorizado das novelas na atualidade. Tão natural e verdadeiro, que dá margem a comentários que misturam ficção e realidade.

 

 

 

 

 

 

 

Em 2005, Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) ficaram juntos em 'América', mas sem beijo: gravada, cena não foi ao ar (Divulgação)

Em 2005, Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) ficaram juntos em ‘América’, mas sem beijo: gravada, cena não foi ao ar (Divulgação)

 

7. Beijo Júnior

É aquele beijo que é censurado, mas o noveleiro fica imaginando como teria sido. E ainda espera vê-lo um dia, quem sabe no canal Viva.

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Clara e Marina dão ‘selinho de Hebe’ e fãs pedem mais

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em 'Em Família': tímida, cena avançou pouco em relação ao romance de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em 'Mulheres Apaixonadas', novela que Manoel Carlos escreveu em 2003 (Divulgação)

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em ‘Em Família’: tímida, cena avançou pouco em relação ao romance de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em ‘Mulheres Apaixonadas’, novela que Manoel Carlos escreveu em 2003 (Divulgação)

Não poderia ser mais cândido o esperado beijo entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller). Levada ao ar na noite desta segunda (30), a cena de Em Família (Globo, 21h15) frustrou os fãs que vinham pedindo ao autor Manoel Carlos um “algo mais” entre as personagens, apaixonadas desde o começo da novela. Um tanto envergonhada e solene, a demonstração de carinho das moças se resumiu a um rápido selinho que, não fosse o contexto do amor entre as duas, poderia ser comparado aos que Hebe Camargo distribuía toda semana no seu programa do SBT.

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em 'Mulheres Apaixonadas' (2003): beijo, só como Romeu e Julieta (Reprodução)

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003): beijo, só como Romeu e Julieta (Reprodução)

Como fora divulgado pela emissora no fim da semana passada, Marina surpreendeu Clara com um par de alianças e um pedido de casamento. Para apimentar um pouco as coisas, a insuportável Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho) apareceu para condenar o romantismo. “Estou presenciando uma das cenas mais cafonas de Marina Meirelles”, bradou, talvez canalizando o sentimento de uma parte dos telespectadores. Mas, megera posta de lado, as namoradas ficaram com lágrimas nos olhos e Marina beijou Clara – Giovanna Antonelli ficou um tanto estática. A cena foi exibida por volta das 22h, uma hora mais cedo, portanto, que o beijo entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em Amor à Vida, levado ao ar em janeiro.

A timidez fez parecer que se tratava do primeiro contato íntimo entre a fotógrafa e a dona de casa. Mas não. A trama dá a entender que elas já têm um namoro consistente desde o salto no tempo que acelerou a história, há duas semanas – só faltava aparecer o beijo que estava presumido. Embora fique claro que o autor pisa em ovos para lidar com a homossexualidade de suas charmosas personagens, uma vez que o casal enfrenta forte rejeição de uma parcela ruidosa do público, os admiradores das moças – não menos ruidosos – não deixaram de aplaudir a cena. E já pedem mais – quem sabe na cerimônia de casamento. “Todo um rebuliço por conta de um selinho muito mal dado? Ai, ai…”, escreveu o perfil @Swdezerbelles no Twitter. “Giovanna Antonelli e Tainá Muller fizeram uma linda cena, mas que o beijo do último capítulo seja melhor que esse aí, viu…”, sublinhou @zamenza.

Desde o começo da noite de ontem, os fãs do casal Clarina, como elas são chamadas nas redes sociais, mobilizaram-se para levar a hashtag “beijo Clarina vencendo o preconceito” aos Trending Topics do Twitter e não foram poucos os comentários que relacionaram a cena a um avanço da teledramaturgia na composição dos personagens homossexuais. Mas, entre a necessidade de espelhar a sociedade e o medo de irritar os mais conservadores e, quem sabe, perder audiência, os autores de novela caminham lentamente nesse terreno. Não se pode deixar de considerar que, no mesmo capítulo, o ex-marido de Clara, Cadu (Reynaldo Gianecchini) foi beijado duas vezes, por duas mulheres diferentes – beijos caprichados, daqueles “de novela”. É como se para liberar a felicidade de Clara e Marina o autor tivesse de garantir, antes, um lugar ao sol para o marido abandonado – nada mais do que um truque para não assustar parte da audiência.

Há mais de dez anos, vale lembrar, o próprio Maneco teve de inserir o beijo entre Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Alinne Moraes) numa montagem escolar de Romeu e Julieta, em Mulheres Apaixonadas (2003). Clara passou a novela toda tendo embates memoráveis com sua mãe, que não aceitava a homossexualidade da filha mas, no fim, apesar de toda a torcida que receberam, as duas namoradas adolescentes tiveram direito a apenas um selinho, um pouco mais pudico que o de Em Família, justamente por se tratar de uma ficção dentro da ficção. Com mais coragem – e bem menos público – o SBT exibiu em 2011 uma cena quente entre Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini) na novela Amor e Revolução, de Tiago Santiago. Precedido de grande alarde criado pela emissora de Silvio Santos, o beijo ainda é a cena mais contundente de amor entre duas mulheres já exibida pela teledramaturgia brasileira, num caminho que começou lá em 1964, quando Vida Alves e Georgia Gomide tocaram os lábios uma da outra em A Calúnia, teleteatro da Tupi que contava a história de duas colegiais que se tornavam namoradas.

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