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01/07/2015

às 16:57 \ Folhetinescas, Sem categoria

Aderbal Pimenta, o canalha de muitas faces

Beatriz (Glória Pires) e Aderbal (Marcos Palmeira) assinam contrato para construção de um elefante branco na modesta Jatobá: prefeito vai de vilão homofóbico e corrupto a herói romântico leal (Divulgação)

Figura que parece ter saído das manchetes políticas diretamente para a novela, Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira) leva ao extremo a ideia de que os personagens ambíguos são os mais ricos. Corrupto e populista, ele ainda dá expediente como homofóbico e marido infiel desde os primeiros capítulos de Babilônia (Globo, 21h15). Nos últimos tempos, entretanto, demonstra que no peito do fundamentalista cristão também bate um coração.

O prefeito de Jatobá andava vivendo uma relação clichê com uma cidadã simpatizante de sua administração, quando foi fisgado por Inês (Adriana Esteves). O que começou como uma manobra dela para negociar contratos, evoluiu para um chamego divertido e sincero. Palmeira e Adriana formam um par já testado e aprovado em outros carnavais – em Renascer (1993) e Torre de Babel (1998) – e a novela precisa mesmo do carisma do casal. Talvez seja por isso que, presa por um crime que não cometeu e vivendo uma espécie de Orange Is The New Black (Netflix), a vilã aparece agora como uma mocinha apaixonada, a esperar que o amado venha lhe salvar – difícil acompanhar as mudanças de personalidade na novela.

Também apaixonado e – que surpresa! – fiel, Aderbal corresponde à altura, e age como um perfeito cavalheiro, que não teme o ônus político que uma visita à prisão poderia lhe causar. Sem medo do perigo, aliás, o prefeito vai assinar o contrato com a empreiteira Souza Rangel para a construção de um grande estádio em Jatobá, cuja licitação é uma fraude. A aliança nas negociatas não significa, entretanto, que ele está do mesmo lado que Beatriz (Glória Pires). “Você me serve por enquanto. Mas não pense que eu esqueci ou abandonei a Inês. Nisso, você está muito enganada”, avisará ele, em cena que vai ao ar no capítulo desta quinta (2).

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20/06/2015

às 14:24 \ Folhetinescas

Argentino desbanca mocinho, mas é exilado em ‘Sete Vidas’

Júlia (Isabelle Drummond) e Felipe (Michel Noher): casal conquistou o público, mas autora abre espaço para o protagonista Pedro (Jayme Matarazzo) (Divulgação)

Júlia (Isabelle Drummond) e Felipe (Michel Noher): casal conquistou o público, mas autora abre espaço para o protagonista Pedro (Jayme Matarazzo) (Divulgação)

Falta pouco para Sete Vidas (Globo, 18h20) acabar e já vai sendo preparado o caminho que leva Pedro (Jayme Matarazzo) de volta para Júlia (Isabelle Drummond). Apaixonados desde o primeiro capítulo, os mocinhos, como se sabe, nunca puderam namorar em paz. Primeiro, acharam que eram irmãos. Desfeito o mal-entendido, foi ele se tornou um chato de galochas, ao engravidar Taís (Maria Flor) sem querer e passar a sofrer horrores com a revelação de que Miguel (Domingos Montagner) é seu pai.

Mesmo com todos os problemas, é de se esperar que Júlia dê mais uma chance para o garoto-enxaqueca. Afinal, estamos falando de uma novela das 6. Mas acontece que Júlia se encantou por um argentino – não só ela, mas também o público . Felipe, hermano que, como o próprio Pedro, foi gerado a partir de uma doação de Miguel para um banco de sêmem, mal parece carregar o DNA dos ecologistas arredios – é bem resolvido, engajado, divertido e alto astral. Com esse perfil carismático, formou um casal adorável com Júlia.

O personagem de Michel Noher foi tão acolhido pelo público que será difícil para a autora Lícia Manzo convencer o noveleiro de que Pedro merece a disputa pelo coração da simpática mocinha. No Twitter, muitos confessam que deixaram de torcer pelo casal original por causa do argentino e apelam à autora que escreva um felizes para sempre entre Felipe e Júlia. Para os fãs do casal, uma péssima notícia: no capítulo deste sábado (20), Felipe vai seguir o estilo do pai biológico e sair numa aventura pela África, como voluntário em Uganda. O guapo ficará um mês fora, o que obviamente abre espaço para Pedro reconquistar a mocinha.

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Entre ’50 Tons’ e ‘Cinderela’, Camila Queiroz brilha em ‘Verdades Secretas’

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17/06/2015

às 15:03 \ Folhetinescas

Entre ’50 Tons’ e ‘Cinderela’, Camila Queiroz brilha em ‘Verdades Secretas’

Camila Queiroz em cena de 'Verdades Secretas': desfile deslumbrante marcou a passagem da interiorana Arlete para a aspirante a top model Angel (Divulgação)

Desfile deslumbrante marcou a passagem da interiorana Arlete para a aspirante a top model Angel em ‘Verdades Secretas’: a estrela sobe (Divulgação)

Enredos sobre modelos são difíceis de produzir porque pedem um tipo muito específico de elenco. É preciso ter um psysique du rôle capaz de dar credibilidade ao papel e, ao mesmo tempo, convencer como atriz. Somemos a isso o fato de que boa parte dos personagens é bem jovem, e teremos uma ideia do quanto é complicado encontrar uma atriz para viver a Arlete/Angel de Verdades Secretas (Globo, 23h).

A estreante Camila Queiroz, modelo de 21 anos que usa a experiência nas passarelas para criar, vem dando conta do recado – como a própria Angel, é um achado. A personagem criada por Walcyr Carrasco representa uma grande responsabilidade não só por ser protagonista, mas trajetória intensa que vai modificar seu caráter. É um papel bem construído e de muitas nuances, que em cinco capítulos foi da “menina na janela” na primeira cena ao furacão que apareceu em momentos quentes com o Alex de Rodrigo Lombardi ontem (terca, 16)  – da interiorana Arlete à aspirante a top model Angel. 

Por enquanto, Arlete escapa com louvor da categoria de mocinhas que o público ama odiar. É educada, inteligente e boa filha, e consegue transmitir uma dose preciosa de ingenuidade sem parecer boba. Nos episódios em que sofreu bullying na escola, por exemplo, por ser bolsista e recém-chegada do interior, ela chorou o suficiente para conquistar o telespectador sem cair na vitimização fácil.   

Empurrada para um programa com o patrocinador do desfile, Angel (Camila Queiroz) cedeu mais pelo charme de Alex (Rodrigo Lombardi) do que pelo cachê (Reprodução)

Empurrada para um programa com o patrocinador do desfile, Angel (Camila Queiroz) cedeu mais pelo charme de Alex (Rodrigo Lombardi) do que pelo cachê (Reprodução)

Entre 50 Tons de Cinza e Cinderela, a novela apresentou no capítulo de ontem uma visão aparentemente romantizada da exploração sexual de menores. Angel, lembremos, tem apenas 16 anos, mas um respeito familiar que a leva, num impulso, a querer fazer de tudo para ajudar em casa. Recém-chegada a São Paulo, ela tem como referência duas gerações de mulheres derrotadas pela vida – a avó é professora aposentada, com uma renda deficiente e apartamento à beira do confisco judicial, e a mãe é uma criatura que largou tudo para ser dona de casa e foi trocada por outra. Não é à toa que dinheiro seja um ponto de tensão para a heroína da história. 

“Dinheiro? Não quero que você faça nada que não queira. Não quero que você me olhe como um cara com quem tem que ficar por dinheiro”, disse Alex, seduzinho personagem e público na sequência em que a menina se entregou mais pelo charme do empresário do que pelo dinheiro que ele pagou à cafetina Fanny (Marieta Severo). Doce ilusão. No capítulo desta sexta (19), ela perguntará se ele pretende se casar com ela. A resposta não será boa de ouvir. 

Confundir o sujeito que escolhe mulheres num cardápio com um príncipe encantado será um grande erro da personagem. Disse muito sobre ele a sequência anterior ao desfile que lançou Angel: pouco antes de ir ao evento do qual sairia com a ninfeta, Alex foi ao quarto do filho adolescente e pregou sobre o uso da camisinha, aproveitando para oferercer uma prostituta, caso ele queria se livrar da virgindade. Alívio moral ou flagrante machismo? Não demora muito, Arlete descobrirá.    

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12/06/2015

às 15:42 \ Folhetinescas

Para salvar mocinha, ’Babilônia’ usa fórmula de ‘Império’

No capítulo desta sexta (12), Regina (Camila Pitanga) perde a licença da barraca: protagonista vai sofrer nas mãos de vilã misteriosa para tentar sensibilizar o público (Divulgação)

No capítulo desta sexta (12), Regina (Camila Pitanga) perde a licença da barraca: protagonista vai sofrer nas mãos de vilã misteriosa, na esparança de sensibilizar o público (Divulgação)

Não faz muito tempo, o público a grande questão do público que acompanha a novela das 9 era saber a verdadeira identidade de Fabrício Melgaço, inimigo oculto de José Alfredo em Império. Depois de algumas pistas falsas, como é a praxe, soube-se que o vilão era José Pedro (Caio Blat), nada menos do que o próprio filho do Comendador, que acabou por matar o pai no drama épico de Aguinaldo Silva.

Apenas três meses depois, cá estão os noveleiros diante de mais um inimigo oculto, desta vez a atormentar a vida da Regina (Camila Pitanga) de Babilônia (Globo, 21h30). Pelas poucas pistas lançadas, trata-se de uma madame, que anda pagando o malandro adolescente Wolnei (Peter Brandão) para plantar provas falsas de que a comerciante é uma fora da lei. Beatriz (Glória Pires), Inês (Adriana Esteves), Karen (Maria Clara Gueiros) e Cris (Tainá Muller), que volta em breve da viagem interminável pela Tailândia, são as suspeitas mais óbvias.

O mistério, além de movimentar a trama, tenta provocar a empatia do público pela protagonista, que é massacrada todos os dias nas redes sociais. Não são poucos os tuítes dos que ameaçam mudar de canal quando a barraqueira – no sentido “vendedora de praia” e também de “quem arma barraco” – entra em cena. Quase ninguém torce pela felicidade dela com Vinícius (Thiago Fragoso) e, em vez disso, os mais zoeiros recomendam que ele volte para o Félix de Amor à Vida, relembrando o romance do Niko “Carneirinho” com a bicha má regenerada de Mateus Solano.

Não se pode culpar o público. Honesta e batalhadora, mas ao mesmo tempo estridente e exageradamente vitimizada, Regina não parece mesmo ter sido criada para agradar. É um tanto difícil torcer para o casal que ela forma com Vinícius, pobre advogado que não tem feito outra coisa senão cuidar das diversas demandas jurídicas da namorada. Com Carlos Alberto (Marcos Pasquim), o retrato não muda muito: o treinador deixou de ser gay para surgir ocupar um posto de pretendente, mas anda sem moral na“zona da amizade”, mais um para socorrê-la dos tantos infortúnios.

Agora, com uma série de eventos desagradáveis pela frente, entre problemas com a polícia e episódios de preconceito, heroína que pôs o carisma de Camila Pitanga à prova tem nova chance de cativar.

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11/06/2015

às 13:37 \ Folhetinescas

De novo, Miguel?

Miguel (Domingos Montagner) comunica a Lígia (Débora Bloch) que partirá em nova expedição: milésima e última vez? (Divulgação)

Miguel (Domingos Montagner) comunica a Lígia (Débora Bloch) que partirá em nova expedição: ela dirá que é a milésima e última vez – será? (Divulgação)

É possível compreender que o que poderia parecer pura frescura em outros sujeitos por aí nada mais do que parte do charme d0 Miguel (Domingos Montagner) de Sete Vidas (Globo, 18h20). Explorador acostumado à liberdade, arredio à ideia de formar família e, pior, traumatizado pela morte da mãe, ele é daquele tipo de homem que o bom senso manda a gente desprezar. Mas quem tem coragem? Lígia (Débora Bloch) não tem.

Lígia (Débora Bloch) passou a novela toda tentando mudar o amado (Divulgação)

Lígia (Débora Bloch) passou a novela toda tentando mudar o amado (Divulgação)

Depois de dar mais uma chance para o amor e desfazer o casamento com o adorável Vicente (Ângelo Antonio), a heroína ainda verá Miguel partir mais uma vez antes do fim da novela, daqui a um mês. No capítulo desta quinta (11), o aventureiro hesitante confessará que não consegue superar o sumiço do filho, Joaquim. Nos últimos dias, o casal vinha tentando estabelecer uma convivência familiar, mas passou por um susto quando Miguel se descuidou e perdeu o bebê na praia. A criança não sofreu nada, mas será o sufiente para o bonitão imaturo renunciar de novo ao papel de pai.

Quanto drama!

Lígia dirá que esta é a milésima e a última vez. Miguel não acatará o aviso, e partirá de novo numa expedição do tipo “curar mágoas observando leões marinhos”. Será que a gente deve acreditar? Não, porque se trata de uma novela das 6. A previsibilidade do final feliz para o casal não deve, entretanto, nos impedir de perceber o quanto Lígia, uma mulher crédula e de boa índole, passou toda a trama tentando forçar o amado a fazer o que ele claramente não quer. Na vida real, acho que valeria a pena deixar esse cara tão pouco preocupado com os sentimentos alheios viver o trauma dele lá com os pinguins.

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09/06/2015

às 14:35 \ Folhetinescas

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Rodrigo Lombardi e Alessandra Ambrósio em cena de 'Verdades Secretas': novela tem direção ousada para história de argumento pouco original (Reprodução)

Rodrigo Lombardi e Alessandra Ambrósio em cena de ‘Verdades Secretas’: novela tem direção ousada para história de argumento pouco original (Reprodução)

“As histórias de ninfetas são todas iguais”, diz o produtor Larsen (Stephan Nercessian) numa das cenas de Magnífica 70, da HBO. Não podemos discordar – afinal, o dueto “cara de anjo e demônio no corpo” vem servindo a dramaturgia há tempos. Mas há muitas maneiras de contar uma mesma história, daí Verdades Secretas, novela de Walcyr Carrasco que estreou ontem (segunda, 8) na faixa das 11 da Globo, ter atributos suficientes para prender o público que espera uma trama sem a interferência da patrulha da novela das 9, ainda que originalidade não seja um dos seus fortes.

A julgar pelo primeiro capítulo, é uma novela de diretor – no caso, Mauro Mendonça Filho. Um belo e longo plano de abertura apresentou com bossa de cinema a fotografia natural e o tempo da narrativa, com silêncios preciosos e espaço para atrizes como Drica Moraes e Marieta Severo brilharem. A suavidade deste começo, ainda que a história seja, na verdade, sobre o lado negro da moda, é uma boa estratégia para conquistar o público nestes tempos em que Babilônia anda sendo rejeitada.

Com poucos personagens em cena, a novela apresentou principalmente a história da protagonista Arlete (Camila Queiroz), que de uma ponta a outra do capítulo passou de menina do interior a aspirante a top model. Estreante, a atriz está bem o suficiente para contracenar com Drica e passar credibilidade como modelo e filha de mãe traída. Apesar de ser a jovem a protagonista, é Carolina, a mãe dela, que parece dominar a história. Vale esperar para ver como o autor juntará a dona de casa e o milionário pensativo interpretado por Rodrigo Lombardi. Alexandre Ticiano, que poderia ser um Christian Grey de 50 Tons de Cinza, se apaixonará por Arlete, mas se casará com Carolina – vai dar o que falar.

Antes disso, já na largada, o ator chacoalhou as redes sociais ao aparecer nu numa cena de sexo com a modelo Alessandra Ambrósio – que, como atriz é, digamos, linda. Perfeita na plasticidade, mas posada como uma sessão de fotos, a sequência cai como uma luva para o tema da novela, um mergulho limpinho na sarjeta glamourizada.

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Barracos de Gilberto

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02/06/2015

às 22:19 \ Folhetinescas

Barracos de Gilberto

Beatriz (Glória Pires) dá um tapa em Inês (Adriana Esteves): vestidos rasgados e puxões de cabelo (Reprodução)

Beatriz (Glória Pires) dá um tapa em Inês (Adriana Esteves): vestidos rasgados e puxões de cabelo (Reprodução)

Teve um tapa um tanto oco e muito puxão de cabelo o barraco entre as vilãs Inês (Adriana Esteves) e Beatriz (Glória Pires), anunciado como a cena do século desta semana em Babilônia (Globo, 21h15). “Ele está bêbado? Você está maluca?”, reagiu Beatriz ao comunicado da inimiga, que tentou subir ao placo de uma tal premiação no lugar da outra.

Vestidos rasgados, as megeras foram rapidamente apartadas por Evandro (Cassio Gabus Mendes), que passou um pito nas duas, desmoralizadas por um barraco tão fora do padrão Gilberto Braga. 

Abaixo, aproveitando a briga de comadres do capítulo desta terça (2), o blog relembra três embates memoráveis escritos pelo autor:

1. Julia e Yolanda, em ‘Dancin’ Days’ (1978)

2. Solange e Maria de Fátima, em ‘Vale Tudo’ (1988) 

3. Maria Clara e Laura, em ‘Celebridade’ (2003)

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‘Babilônia’ e a vitória do ator-objeto

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01/06/2015

às 17:07 \ Folhetinescas

‘Babilônia’ e a vitória do ator-objeto

Marcos Pasquim tinha um grande desafio como o Carlos Alberto de 'Babilônia', mas foi tolhido pelas fãs possessivas (Divulgação)

Marcos Pasquim tinha um grande desafio como o Carlos Alberto de ‘Babilônia’, mas foi tolhido pelas fãs possessivas (Divulgação)

Cercada de muita expectativa na estréia, Babilônia (21h15) não deve passar para a história das novelas como uma grande obra de Gilberto Braga. Mais do que uma grife da Globo, o autor é conhecido por acertar até mesmo quando erra, ou seja, por sempre apresentar uma trama ousada e contestadora acima de qualquer resultado no Ibope. Desta vez, porém, houve uma dose extra de ousadia que em vez de instigar, afastou o público, provocando uma reação que diz muito sobre quem somos.

Não creio, entretanto, que a novela sofra rejeição apenas por causa do conservadorismo do público – que, sim, é inegável. Babilônia não fez sucesso porque, em resumo, não é uma trama concebida para conquistar, como foi Império, por exemplo. Fernanda Montenegro deixou isso claro quando me disse, nesta entrevista, a novela se desprendeu das amarras do folhetim. Aonde os autores chegariam com esse modelo, nunca vamos saber. Resta esperar para ver aonde chegarão depois das mudanças água-com-açúcar operadas para tornar a novela mais palatável.

Um dos remendos que mais merecem atenção é a “desistência gay” do treinador Carlos Alberto. Interpretado por Marcos Pasquim, o personagem já andara paquerando Ivan (Marcello Melo) nos primeiros capítulos, mas acabou deslocado para um triângulo amoroso com Regina (Camila Pitanga) e Vinicius (Thiago Fragoso). Poderia parecer uma diminuição da participação dos personagens homossexuais na trama, mas não – Ivan ganhará em breve um novo namorado. Em entrevista ao jornalista Zeon Bravo, publicada no último domingo (31) pelo Globo (leia aqui), Gilberto Braga deu detalhes saborosos e reveladores sobre o plano de salvamento da novela.

Segundo ele, as paulistanas que participaram dos grupos de discussão da novela têm “tesão pelo Pasquim”, e não aceitam vê-lo num papel gay. “Eu fiquei com pena das mulheres e botei ele para ser hetero”, afirmou.

Há muito conservadorismo, obviamente, na lamentação das moças. Mas há também muita imaturidade nas nossas plateias, uma relação quase infantil com o que significa contar uma história e interpretar um personagem. Lá vamos nós rompendo os 60 anos da telenovela e os atores que vivem vilões ainda esperam “ser xingados na rua” pelo que aprontam em cena. E, ao que parece, um reconhecido galã não pode viver um homossexual, senão o sex appeal ir pelo ralo.

Não deveria ser o contrário? Pasquim, numa rápida análise, defende com sucesso o tipo “desamisado de novela das 7” há duas décadas. Vê-lo expandir o repertório, arriscando-se num personagem diferente não só por ser homossexual, mas por ser mais denso que os anteriores, é ótimo, é sexy. Lamentável é assistir agora o “Cazalberto”, como é chamado no Twitter, bancando  o intruso para o casal principal, numa disputa que todo mundo sabe como vai terminar.

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‘Magnífica 70′ é o nosso ‘Mad Men’

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28/05/2015

às 22:50 \ Folhetinescas

Nos alfarrabios de ‘Babilônia’

Regina (Camila Pitanga) e Vinícius (Thiago Fragoso) encontram a arma enviada por Beatriz (Glória Pires): crime da novela não tem mistério (Divulgação)

Regina (Camila Pitanga) e Vinícius (Thiago Fragoso) encontram a arma enviada por Beatriz (Glória Pires): crime da novela não tem mistério (Divulgação)

O roteiro de Babilônia (Globo, 21h15) tenta prender o telespectador – que já não anda disposto – à história de um crime cuja autor todo mundo sabe quem é. Como não há o que desvendar, a trama se concentra no jogo de empurra entre a grande vilã Beatriz (Glória Pires) e sua amiga de infância obcecada, Inês (Adriana Esteves).

Em mais um dos embates diários entre as duas, Beatriz levou a melhor no capítulo desta quinta (28) com uma onda e tanto de sorte: mais de 10 anos depois, a arma que matou Cristovão (Val Perré) conserva uma digital de Inês. Com a prova, forjada num descuido da advogada, a vilã vai conseguir enganar Regina (Camila Pitanga) mais uma vez e incrimar a rival. “Essa vai entrar para os meus alfarrabios”, exclamou o perito que examinou o revólver, talvez incrédulo com o próprio roteiro.

A novela das 9, vale anotar, vem sendo apresentada cada vez mais tarde – nesta quinta (28), foram 20 minutos de atraso. Longe de alcançar a meta de audiêcia para o horário, a Globo evita o confronto direto com Os Dez Mandamentos, da mesma forma a cada dia mais esticada pela Record.

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Margot, a ex

‘Magnífica 70′ é o nosso ‘Mad Men’

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25/05/2015

às 13:31 \ Folhetinescas

‘Magnífica 70′ é o nosso ‘Mad Men’

Na série da HBO, Marcos Winter é um censor que se envolve com uma atriz pornô e um produtor da Boca do Lixo (Divulgação)

Na série da HBO, Marcos Winter é Vicente, um censor que se envolve com uma atriz pornô e um produtor da Boca do Lixo, vividos por Adriano Garib e Simone Spoladore (Divulgação)

Toda a falta de glamour e expertise que resultaram em alguns dos roteiros mais doidos que o cinema nacional já foi capaz de produzir dão o tom certeiro a Magnífica 70, produção original no país que a HBO estreou na noite deste domingo (24) em parceria com a Conspiração Filmes, do Rio. Dirigida por Claudio Torres (de A Mulher Invisível) e escrita por ele, Renato Fagundes e Leandro Assis, a série conta em 13 episódios uma história de mistério e sedução ambientada nos bastidores da Boca do Lixo, região do centro de São Paulo conhecida por abrigar produtoras de cinema entre os anos 60 e 90, em especial as especializadas em pornochanchadas.

Um produtor de filmes eróticos impotente, uma mulher que aceita protagonizar de A Devassa da Estudante para colher informações valiosas e um censor de vida sexual mal resolvida são os personagens centrais do roteiro, inventivo à moda dos enredos das próprias ponochanchadas. Entre o drama e a inevitável veia cômica, a trama acompanha o que acontece quando um filme erótico é censurado no escritório da Dra Sueli – uma alusão óbvia e divertida à famosa Dona Solange, diretora do Departamento de Censura Federal.

Como é de se esperar de uma produção com a grife HBO, a reconstrução da época é perfeita por não ceder ao cafonismo que costuma marcar as histórias ambientadas nos 70. A aventura dos produtores reais daquela época em filmes como O Mulherengo, de 1977, citado em uma das cenas da série, daria por si só um roteiro recheado de passagens saborosas. Mas Magnífica 70 torna-se mais interessante do que isso ao se aproveitar da discussão sobre moralidade para criar um enredo sagaz com personagens ricos e cheios de verdade. Com elementos de Nelson Rodrigues e um encadeamento ágil de acontecimentos, a estreia deu a impressão de que a TV brasileira tem o seu Mad Men – da Madison Avenue para a Rua do Triunfo. 

Marcos Winter interpreta Vicente, um censor que vive de passar a tesoura no trabalho alheio, o que soa como uma compensação pelo sexo sem graça que ele pratica em casa. Casado com Isabel (Maria Luísa Mendonça), é atormentado pela lembrança da provocativa cunhada adolescente, Ângela (Bella Camero), que foi brutalmente assassinada – terá ele algo a ver com isso? Para ficar mais confuso, o pai das moças é um general do Exército – numa ótima piada, o papel é de Paulo César Peréio, grande nome do cinema marginal.

Levado pela obsessão, Vicente censura sem dó a fita de A Devassa da Estudante, produção em que a estreante Dora Dumar encarna uma jovem, digamos, transgressora que passa por todo o tipo de apuro num colégio de freiras. Dora, na verdade, é Vera, mulher misteriosa que se uniu a Manolo Mattos (Adriano Garib) para bisbilhotar. Na melhor cena do primeiro episódio, ela passa com louvor no teste para o papel. “Dizer a fala qualquer uma diz. Duro é dizer pelada”, ensina Manolo. Caminhoneiro que virou produtor de cinema para fugir de um feitiço que o deixou impotente, ele fica à beira da falência quando o filme é censurado. E, por causa de detalhes preciosos que não fica bem revelar aqui, Vicente se torna uma espécie de agente duplo, um cineasta que aproveita seus conhecimentos de censor para diblar a própria censura. É o tipo de ironia que faz o espectador esperar pelo segundo episódio – vai ao ar no próximo domingo às 21h.

Abaixo, você vê o trailer do fictício A Devassa da Estudante (para maiores de 18 anos):

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