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Arquivo da categoria Folhetinescas

20/05/2015

às 16:56 \ Folhetinescas

Modelos de novela

Grazi Massafera, Rhaisa Batista, Yasmin Brunet e Jéssica Córes nos bastidores de 'Verdades Secretas': novela mostrará o submundo da moda (Divulgação/ Zé Paulo Cardeal)

Grazi Massafera, Rhaisa Batista, Yasmin Brunet e Jéssica Córes estão em ‘Verdades Secretas’: novela mostrará o submundo da moda (Divulgação/ Zé Paulo Cardeal)

Uma jovem ingênua, o sonho de ser modelo e uma mãe superprotetora estiveram no centro de Sex Appeal, que Antonio Calmon escreveu para a Globo em 1989. Com um concurso de ninfetas como pano de fundo, a minissérie marcou época ao juntar um time de belas e jovens atrizes, entre elas Carolina Dieckmann, Danielle Winits, Camila Pitanga e a protagonista, Luana Piovani. Luana viveu a despreparada Angel, que se deixava enganar pelos donos de uma agência de modelos, a Sex Appeal – pensando bem, não era um bom nome para um agência.

XXX, Carolina Dieckmann, Danielle Winits, Camila Pitanga e Luana Piovani em  'Sex Appeal', de 1989 (Divulgação)

Claudia Rangel, Carolina Dieckmann, Danielle Winits, Camila Pitanga e Luana Piovani em ‘Sex Appeal’, de 1989 (Divulgação)

Menos óbvia do que Edgar (Walmor Chagas) e Cecília (Cleyde Yáconis), mas talvez tão inescrupulosa quanto, a Fanny que Marieta Severo viverá em Verdades Secretas também usa uma agência como fachada para a prostituição de luxo. Escrita por Walcyr Carrasco, a novela estreia dia 8 de junho, na faixa das 11 da Globo, com uma história sobre cobiça ambientada no meio fashion além do glamour – o submundo da moda, digamos. Como Luana Piovani em 1989, a estreante Camila Queiroz se chamará Angel – um nome artístico a ser criado por Fanny – e terá uma mãe a tiracolo, Carolina (Drica Moraes). Na ansiedade de conseguir dinheiro, ela será usada por Fanny, que mantém um tal “book rosa” com as modelos que fazem além do desfilar e posar.

Um celeiro para personagens excêntricos e envernizados pelo glamour, o “mundinho da moda” é sempre revisitado pela ficção. Relembre abaixo 7 novelas que, como Verdades Secretas, desenvolveram suas histórias em meio a muita pluma, paetê e mexerico:

1. Plumas e Paetês (1980)

Com o mundo da moda como pano de fundo, Cassiano Gabus Mendes e Silvio de Abreu contaram a história de uma impostora, Marcela (Elizabeth Savala) que toma o lugar da noiva de um jovem rico quando ele morre num acidente de carro.

André Spina (Reginaldo Faria) e Ariclenes Martins, o Victor Valentim (Luis Gustavo) de 'Ti-Ti-Ti' (Divulgação)

André (Reginaldo Faria) e Ariclenes, em ‘Ti-Ti-Ti’ (Divulgação)

2. Ti-Ti-Ti (1986)

Quando o assunto é o mundo da moda, a primeira novela a ser lembrada sempre será Ti-Ti-Ti, ded Cassiano Gabus Mendes. A divertida história dos estilistas rivais André Spina (Reginaldo faria) e Ariclenes Martins, o Victor Valentim (Luis Gustavo) voltou ainda e mais uma vez como sucesso em 2010, numa divertida releitura de Maria Adelaide Amaral. 

3. Sassaricando (1987)

Na comédia escrita por Silvio de Abreu, um observador atento do mundo da moda, Tônia Carrero interpretou Rebecca, elegante estilista que disputava o coração de Aparício Varella (Paulo Autran) com Leonora (Irene Ravache) e Penélope (Eva Wilma)

A aspirante a modelo Duda (Malu Mader) e seu namorado, Lucas (Taumaturgo Ferreira) brilharam em 'Top Model' (Divulgação)

A aspirante a modelo Duda (Malu Mader) e seu namorado, Lucas (Taumaturgo Ferreira), em ‘Top Model’ (Divulgação)

4. Top Model (1989)

Na época toda moderninha, a trama de Walther Negrão e Antonio Calmon se desenvolvia numa confecção e agência de modelos, a Covery. Contratada como garota-propaganda, Duda (Malu Mader) despertava o interesse do dono, Alex (Cecil Thiré), mas só queria saber mesmo de Lucas (Taumaturgo Ferreira) – ao som de Oceano, de Djavan, o casal fez história na TV.  

5. Sex Appeal (1993)

No embalo dos concursos de “new faces” que faziam sucesso em meados dos anos 90, Antonio Calmon voltou ao universo da moda e contou a trajetória de Angel (Luana Piovani), jovem tímida que participa de um concurso promovido pelos donos da agência Sex Appeal, Edgar (Walmor Chagas) e Cecília (Cleyde Yáconis). 

6. Belíssima (2005)

Com um pé em São Paulo e outro em Atenas, Silvio de Abreu contou uma história sobre disputa de poder numa empresa familiar. O mundo da moda apareceu de um jeito bastante original, uma vez que a novela era ambientada numa grande fábrica de lingerie. Filha de uma modelo belíssima, a protagonista Júlia (Glória Pires), não tão exuberante quanto a mãe, tentava lidar com a rejeição da avó, a megera Bia Falcão (Fernanda Montenegro), numa discussão sobre o valor que damos às aparências.

A Helena de 'Viver a Vida' era uma top model interpretada por Taís Araújo (Divulgação)

A Helena de ‘Viver a Vida’ era uma top model interpretada por Taís Araújo (Divulgação)

7. Viver a Vida (2009)

A Helena de Manoel Carlos vivida por Taís Araújo era uma top model internacional que deixava a carreira de lado por causa de um marido um tanto infiel, Marcos (José Mayer).

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13/05/2015

às 13:38 \ Folhetinescas

As borralheiras mais gatas da ficção

Presa no elevador da firma e com muito calor, a faxineira Mari (Bruna Marquezine) tratou logo de ficar à vontade: já no segundo capítulo de I Love Paraisópolis, ela conquistou o príncipe Benjamin (Maurício Destri) e a audiência (Divulgação)

Presa no elevador da firma e com muito calor, a faxineira Mari (Bruna Marquezine) ficou logo à vontade: já no segundo capítulo de ‘I Love Paraisópolis’, conquistou o príncipe Benjamin (Maurício Destri) e a audiência (Divulgação)

Ele é rico, ela é pobre – ou vice-versa. A luta de classes no registro folhetinesco é o conflito que quase sempre se mistura com o amor para, não raro, resultar numa releitura de Cinderela. Com mais ou menos originalidade, é uma história que conquista plateias há tempos, levando a crer que o espectador não resiste a uma heroína de uniforme.

Bruna Marquezine, por exemplo, ajudou a consolidar o sucesso da estreia de I Love Paraisópolis (Globo, 19h50) ao aparecer no segundo capítulo, exibido na noite de ontem (terça, 12) vestida como uma sensual faxineira. É um emprego passageiro para Mari, a garota batalhadora que quer comprar uma casa própria, mas perfeito para agradar nas redes sociais. Mais desinibida do que a maioria das protagonistas de comédias românticas, a personagem teve uma onda súbita de calor e – ops! – ficou com sutiã à mostra em cena, presa no elevador com Benjamin – para completar a química, Maurício Destri também se despiu.

Abaixo, outras seis belas mocinhas que conservam o charme mesmo durante a faxina pesada:

Lena (Arianne Botelho) e Gabriel (Johnny Massaro), em 'Amorteamo' (Divulgação)

Lena (Arianne Botelho) e Gabriel (Johnny Massaro), em ‘Amorteamo’ (Divulgação)

1. Lena (Arianne Botelho), de Amorteamo (2015)

Na série que estreou na última sexta na Globo, Lena é protagonista de um episódio tipicamente romântico. Filha da empregada da casa, ela é apaixonada por Gabriel (Johnny Massaro), o filho dos patrões, desde pequena. Quando pensa que terá um “felizes para sempre” com o mocinho sensível, será surpreendida por uma relação cruel do pai dele, Aragão (Jackson Antunes): os dois amantes são irmãos. É uma mentira deslavada, mas que acabará jogando Gabriel nos braços de outra.

2. Alice (Sophie Charlotte), de Babilônia (2015)

Não estava nos planos que Alice teria um coração tão grande como o que vem sendo mostrado nos últimos capítulos de Babilônia (Globo, 21h15). Para tentar salvar a novela, a personagem interesseira em vias de se tornar prostituta mudou radicalmente de rumo, e foi transformada numa mocinha apaixonada por Evandro (Cássio Gabus Mendes) – um cliente de quem, lembremos, ela teve nojo de beijar. Para pagar os pecados e as contas, a moça passou um tempo como empreguete no Bar do Cavalão, sendo maltratada pelo personagem de Roberto Bonfim numa espécie de purgatório.

3. Scarlet (Mônica Iozzi), de Alto Astral (2015)

Patricinha vazia em Nova York, Scarlet se deu bem mesmo como faxineira e atendente de lanchonete em Nova Alvorada. Como uma Bela, a Feia ao contrário, ela teve de se enfeiar para conquistar o príncipe nadador Ricardo (Nando Rodrigues).

Rose (Camila Pitanga) em 'Cama de Gato', de 2009 (Divulgação)

Rose (Camila Pitanga) em ‘Cama de Gato’, de 2009 (Divulgação)

4. Rose (Camila Pitanga), de Cama de Gato (2009)

Faxineira no começo da novela, Rose era uma batalhadora mãe de cinco filhos que se apaixonava por Gustavo (Marcos Palmeira) um milionário ao conhecê-lo como mendigo.

5. Marisa (Jennifer Lopez), de Encontro em Manhattan (2002)

J.Lo vestiu o uniforme com graça para protagonizar o longa-metragem que conta a história da arrumadeira de um grande hotel em Nova York que é confundida com uma hóspede grã-fina. No meio da confusão, ela conhece o bonitão Christopher (Ralph Fiennes) e vive um conto-de-fadas digno de uma cinderela moderna e latina.

6. Cida (Isabelle Drummond), de Cheias de Charme (2012)

Um amor de menina, Cida foi criada pelos patrões quando a mãe morreu. Em troca de toda essa aparente bondade, sempre trabalhou como uma verdadeira borralheira. Quando ficou famosa com o trio Empreguetes, acabou vítima de um golpe do patrão, Ernani (Tato Gabus Mendes), que fingiu ser seu pai para arrancar-lhe dinheiro.

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Mocinhos vivem luta de classes romântica em ‘I Love Paraisópolis’

11/05/2015

às 13:37 \ Folhetinescas

Mocinhos vivem luta de classes romântica em ‘I Love Paraisópolis’

Mari (Bruna Marquezine) mostra o lado positivo da favela em 'I Love Paraisópolis': reurbanização está no pano de fundo da novela de Alcides Nogueira e Mário Teixeira (Divulgação)

Mari (Bruna Marquezine) mostra o lado positivo da favela em ‘I Love Paraisópolis’: reurbanização está no pano de fundo da novela de Alcides Nogueira e Mário Teixeira (Divulgação)

I Love Paraisópolis estreia nesta segunda (11), às 20h, na Globo com uma proposta de entretenimento leve, romântico e moderninho, apesar de reeditar uma das situações mais manjadas do folhetim: o amor que sobrevive às barreiras da luta de classes. Escrita por Alcides Nogueira e Mário Teixeira, a novela tem Bruna Marquezine e Tatá Werneck nos papéis principais, como as duas irmãs de criação Mari e Danda, moradoras da favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Num acaso típico de comédia romântica, Mari vai se envolver com Benjamin (Maurício Destri), jovem arquiteto que vive logo ali, no bairro do Morumbi – tão perto e tão longe.

Tão caricata quanto uma "mulher rica" de reality show, Soraya (Letícia Spiller) tem horror a pobre (Divulgação)

Tão caricata quanto uma “mulher rica” de reality show, Soraya (Letícia Spiller) tem horror a pobre (Divulgação)

Benjamin é amigo da comunidade, e inclusive tem um projeto de reurbanização da favela. Mas a mãe dele, Soraya (Letícia Spiller), uma perua caricata como as do reality Mulheres Ricas, não só tem horror aos vizinhos pobres como planeja promover uma especulação imobiliária no local – vale lembrar que não faz muito tempo, uma situação parecida foi vista no início de Sangue Bom, que Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari escreveram para o mesmo horário, em 2013.

Com um mocinho tão idealista quanto o Bento vivido por Marco Pigossi, I Love Paraisópolis está, podemos esperar, recheada de mensagens positivas sobre um futuro melhor, criadas sob medida para tentar fisgar a juventude que ainda está disposta a acompanhar uma novela. É um modelo de história que vem rendendo bons resultados nos últimos anos, principalmente por ser sempre combinada com a escalação de atores populares nas redes sociais. Por isso que não será à toa se o espectador mais influenciável sentir vontade de viver na Paraisópolis da novela, montada numa área de 10 mil metros do Projac na sua faceta mais colorida, festiva e de fervilhante produção cultural – que os problemas da favela real fiquem com o SPTV.

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30/04/2015

às 15:45 \ Folhetinescas

Duelo de vilãs terá maratona de rounds em ‘Babilônia’

Vaso ruim não quebra em 'Babilônia': Inês ainda vai dar muito trabalho a Beatriz (Reprodução)

Vaso ruim não quebra em ‘Babilônia’: Inês ainda vai dar muito trabalho a Beatriz (Reprodução)

As mudanças operadas pela equipe de Babilônia (Globo, 21h15) tentam dar mais agilidade à trama, como vem ficando evidente desde o começo da semana. Em apenas três capítulos, Inês (Adriana Esteves) tirou da manga, após 10 anos, o vídeo que comprova a traição de Beatriz (Glória Pires) com o motorista do então noivo, as imagens bombaram na internet e a empresária acabou expulsa de casa pelo marido, Evandro (Cássio Gabus Mendes). Em troca, e após conseguir ludibriar Inês mais uma vez, Beatriz deu um tiro na “muy amiga”.

Como vaso ruim de novela não quebra fácil, Inês sobreviveu para mandar a outra para a cadeia, numa sequência que vai ao ar nesta quinta (30). É apenas um dos muitos rounds que as duas terão pela frente, agora que a trama pisou no acelerador. E nessa guerra entre megeras, o noveleiro deverá notar que a heroína Regina (Camila Pitanga) seguirá parecendo mera coadjuvante, reagindo às mentiras de um lado e de outro.

Caso não se incomode com spoilers, confira 5 embates entre a “Inês Carminha” e a “Beatriz de Fátima”, que marcarão a próxima semana da novela de Gilberto Braga – pelo menos por enquanto, a personagem de Adriana Esteves levará a melhor:

1. Inês conseguirá amolecer o coração da filha, Alice (Sophie Charlotte) e cooptá-la para o plano de se tornar a “senhora Evandro Rangel”.

2. Fora da cadeia, graças aos serviços competentes de Teresa, Beatriz convencerá Regina de que Inês tinha um caso com o pai dela, Cristovão. O objetivo é jogar a culpa pelo assassinato do motorista no colo da ex-amiga.

3. Sedução em pessoa, Beatriz fará de Diogo (Thiago Martins) um grande aliado – mesmo ele sabendo que ela foi amante do seu pai e pode estar envolvida no assassinato dele. Em conversa com Regina, ele vai confirmar o caso entre Cristovão e Inês.

4. Sempre indisposta para miúras, Beatriz armará um esquema para deixar o país, rumo à Suiça. Mas Guto contará para Alice, que contará para Inês, que contará para Regina que – ufa! – convocará Vinicius (Thiago Fragoso) para impedir a fuga. De quebra, Beatriz terá ouvir um sermão de Teresa (Fernanda Montenegro) sobre os riscos que querer enganar a Justiça.

5. Preocupada com a movimentação de Beatriz, Inês deixará o hospital antes da alta médica. Sem perder tempo, procurará Evandro, a quem contará sobre o envolvimento de seu pai com a “Beatriz adolescente”. O empresário – que, note-se, foi retratado no começo como um apreciador de jovens prostitutas – ficará sensibilizado. O resultado será uma grande vitória para Inês: ele resolverá se declarar para Alice. Ponto para Inês.

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27/04/2015

às 18:18 \ Folhetinescas

Inês, uma Nina do mal em ‘Babilônia’

Um dia da caça, outro do caçador: Adriana Esteves gravou no último sábado (25) a cena em que Inês leva um tiro de Beatriz (Glória Pires) (Divulgação)

Um dia da caça, outro do caçador: Adriana Esteves gravou no último sábado (25) a cena em que Inês leva um tiro de Beatriz (Glória Pires) (Divulgação)

A estreia de Babilônia foi cercada de expectativa não só por se tratar de uma novela da grife Gilberto Braga, mas também por trazer Adriana Esteves de volta à vilania, três anos depois da querida Carminha de Avenida Brasil. Consagrada por uma megera que já nasceu clássica, a atriz contava com a torcida dos noveleiros para que Inês fosse uma personagem tão ou mais empolgante do que aquela criada para ela por João Emanuel Carneiro. Mas que nada.

Adriana vive – com o reconhecido talento, anote-se – uma pobre criatura sem atrativos, massacrada, ressentida e, pior do que tudo isso, com um objetivo bem questionável na vida e na trama. De acordo com o que foi revelado recentemente, Inês é obcecada pela “muy amiga” Beatriz (Glória Pires) porque, além de ter sofrido bullying na adolescência, perdeu o pai por causa dela. O sujeito ficou apaixonado pela Beatriz de 15 anos, acabou preso por se envolver com ela e se matou na cadeia, deixando um bilhete suicida de amor.

Carminha (Adriana Esteves) enterra Nina (Débora Falabella) viva em 'Avenida Brasil' (Divulgação)

Carminha (Adriana Esteves) enterra Nina (Débora Falabella) viva em ‘Avenida Brasil’ (Divulgação)

O motivo, apesar da alta dose folhetinesca, não põe a personagem no campo das heroínas com sangue nos olhos. Afinal, um pai que se envolve com a amiga adolescente da filha não merece ser vingado. Genésio, pai da Rita/Nina de Débora Falabella em Avenida Brasil, era um santo homem, enganado por Carminha, a madrasta manipuladora. Não por acaso, ele era interpretado por Tony Ramos e foi atropelado numa cena de grande emoção. Assim, não foi tão difícil conquistar o público, que ficou com coração apertado quando viu Mel Maia sendo abandonada num lixão após a morte do pai.

Pela Inês de Babilônia não vale a pena sentir compaixão, muito menos torcer. Que ela e Beatriz se matem! – nos próximos capítulos, aliás, a executiva vai tentar matar a advogada. Elas se merecem. Ao optar por essa estrutura, a equipe de autores correu risco.

A vingança em nome do pai, a chantagem envolvendo um vídeo que prova traição e um atentado. O enredo da nova trama, que sofre para alcançar o patamar de audiência do horário, usa os mesmos elementos da novela mais novidadeira dos últimos anos. A resposta do público não é a mesma provavelmente porque a trama atual despreza um dos mandamentos fundamentais da telenovela, que diz que o público precisa torcer por alguém. Apegando-se a um personagem – por exemplo, o Comendador de Império – é mais fácil topar assistir aos 200 capítulos. E com quem o público de Babilônia pode se identificar? Não é com Inês, que mesmo presa a uma cama de hospital vai continuar a atazanar a vida de Beatriz – que a vilã-mor e o público estejam dispostos.

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‘Malhação’ chega aos 20, mas mantém espírito teen

24/04/2015

às 14:03 \ Folhetinescas

‘Malhação’ chega aos 20, mas mantém espírito teen

Carolina Dieckmann, a vilã Juli da primeira temporada, aparece na abertura especial de 'Malhação', no ar nesta sexta (24) (Divulgação)

Carolina Dieckmann, a vilã Juli da primeira temporada, aparece na abertura especial de ‘Malhação’, no ar nesta sexta (24) (Divulgação)

Sempre criticada, mas com mais momentos de sucesso do que de fracassos, Malhação (Globo, 17h45) completa 20 anos no ar nesta sexta (24) em alta, valendo-se da boa sacada de voltar às origens e construir seu roteiro com base na oposição entre a “galera dos esportes” e a “galera das artes”.

Com 20 anos de idade, como a própria Malhação, os atores isabella Santoni e  Rafael Vitti conquistaram os adolescentes como Karina e Pedro, o casal Perina: oposição entre arte marcial e arte dramática deu novo fôlego à novelinha (Divulgação)

Com 20 anos de idade, como a própria Malhação, os atores Isabella Santoni e Rafael Vitti conquistaram os adolescentes como Karina e Pedro, o casal Perina: oposição entre arte marcial e arte dramática deu novo fôlego à novelinha (Divulgação)

Única opção dirigida aos jovens na TV aberta nacional, a novelinha nunca foi um suprassumo da teledramaturgia. Mas, verdade seja dita, mesmo restrita ao mundinho da zona sul carioca, conseguiu estabelecer conexão com seu público, ano após ano, apresentando basicamente os mesmos temas, típicos da faixa etária que mais lhe interessa – ou seja, gravidez na adolescência, uso de drogas, conflitos familiares e afirmação de personalidade. E é isso o que importa.

Para comemorar, a equipe do diretor de núcleo José Alvarenga Jr. preparou uma abertura que reúne os personagens mais marcantes das 22 temporadas do seriado, do malandro Mocotó de André Marques à espevitada Fatinha de Juliana Paiva, passando pela Juli de Carolina Dieckman, a Patrícia de Luana Piovani e o Mau-Mau de Cauã Reymond – o que demonstra como o programa também é vitorioso na tarefa de fabricar estrelas da TV.

Nesta toada, QUANTO DRAMA! aproveita para enumerar as cinco aberturas mais marcantes da nossa soap opera mais longeva:

→ 1997:

Assim caminha a humanidade, de Lulu Santos, faz parte da história da televisão brasileira por causa de Malhação. Tema de abertura entre 1995 e 1999, a música estará na vinheta especial programa para o capítulo de hoje. Em 1997, ela embalava uma sequência de cenas recheadas de gente bonita, entre shortinhos e bíceps sarados.

→ 1999:

Em 1999, o conceito “geração saúde”” já não agradava tanto, por isso a Academia Malhação deu lugar ao Colégio Múltipla Escolha. E o seriado, naquele momento estrelado pelos então iniciantes Giovanna Antonelli, Daniel de Oliveira e Priscilla Fantin, lançou mais uma abertura que confirmaria um hit – Te levar daqui, do Charlie Brown Jr.

→ 2011:

Com o objetivo principal de criar uma ponte entre televisão e redes sociais, além de uma boa dose de ousadia na construção do roteiro, a temporada de 2011 não conseguiu, infelizmente, cativar o público. Mas a abertura, ao som de Todos, de Macaco e Marcelo D, foi com certeza uma das melhores:

→ 2012:

Por causa do fiasco da temporada 2011, o seriado se reinventou no ano seguinte e apareceu com uma vinheta linda, embalada por Tempos Modernos, de Lulu Santos na interpretação do Jota Quest:

→ 2015:

A mistura de arte marcial e arte dramática da temporada atual do programa deu um caldo bom no roteiro e também na abertura – ao som de Agora Só Falta Você, com Pitty cantando Rita Lee, é uma das mais bonitas destes 20 anos. 

Twitter: @patvillalba

21/04/2015

às 12:06 \ Folhetinescas

Globo escala Cauã para ajudar ‘Babilônia’

Cauã Reymond é Leandro, um don juan sertanejo, e Isis Valverde é Antônia, filha de um coronel dos vinhedos em 'Amores Roubados': cenas quentes e fofocas de bastidores incrementaram o interesse pela minissérie (Divulgação)

Cauã Reymond é Leandro, um don juan sertanejo, e Isis Valverde é Antônia, filha de um coronel dos vinhedos em ‘Amores Roubados’: cenas quentes e fofocas de bastidores incrementaram o interesse pela minissérie (Divulgação)

Com a audiência do horário nobre comprometida pelo desempenho da novela das 9, Babilônia, a Globo tira hoje da gaveta seu último sucesso retumbante para reabrir a programação especial pelo aniversário da emissora, que completa 50 anos no domingo: pouco mais de um ano após a exibição original, Amores Roubados volta ao ar em duas partes, nesta terça (21) e quinta (23), às 23h30 – ou, como se diz, “depois de Tapas & Beijos e Chapa Quente). 

O festival Luz, Câmera… 50 anos vem apresentando desde janeiro as minisséries que marcaram a história da emissora, entre elas Lampião e Maria Bonita (1982), O Pagador de Promessas (1988), Presença de Anita (2001) e Maysa, quando fala o coração (2009). Na nova leva de reprises, estão A Justiceira (1997), A Cura (2010), Subúrbia (2012) e o clássico Carga Pesada (1979-1981 e 2003-2008), seriado estrelado por Antonio Fagundes e Stênio Garcia, como os adoráveis caminhoneiros Pedro e Bino.

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A expectativa é que a minissérie escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg a partir do romance A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela, consiga incrementar o Ibope das noites da emissora, como aconteceu no ano passado, quando chegou a marcar 32 pontos – na última sexta (17), Babilônia obteve 24 pontos em São Paulo, o mesmo da novela das 7, Alto Astral.

Além do enredo instigante, das belas imagens captadas pelo diretor José Villamarim e pelo fotógrafo Walter Carvalho e das interpretações notáveis de Patrícia Pillar (Isabel), Cássia Kis Magro (Carolina), Osmar Prado (Roberto), Irandhir Santos (João) e Murilo Benício (Jaime), a minissérie chamou atenção pelas cenas quentes protagonizadas por Cauã Reymond, que interpreta o don juan sertanejo Leandro Dantas, um especialista em vinhos que enlouquece as mulheres do pedaço, em especial a fogosa Celeste de Dira Paes e a instável Antônia de Isis Valverde. Para completar, como o leitor deve bem se lembrar, um burburinho sobre um susposto relacionamento amoroso entre o galã e Isis durante as filmagens no Vale do São Francisco ajudou a atiçar a curiosidade do público – a história, infelizmente para os envolvidos, que nunca assumiram romance algum, deve voltar a causar frisson nas redes sociais.

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13/04/2015

às 15:11 \ Folhetinescas

“Alice Surfistinha” vira mocinha em ‘Babilônia’

Alice (Sophie Charlotte) : agora, personagem terá valores inabaláveis (Reprodução)

Alice (Sophie Charlotte) : agora, personagem terá valores inabaláveis (Reprodução)

Depois de cuspir na cara da mãe que, a bem da verdade, não é das melhores, Alice vai se transformar numa mocinha romântica em Babilônia (Globo, 21h15). Em ritmo da reforma imposta pelo Ibope aquém do esperado, a novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga passa a apresentar nesta semana uma nova história para Sophie Charlotte, cuja personagem deixará o caminho da prostituição, antes nos planos dos autores, para ficar “divididinha feito uma laranja” entre o cafetão Murilo (Bruno Gagliasso) e o empresário cafajeste Evandro (Cássio Gabus Mendes). O novo perfil já é apresentado nas chamadas da novela durante a programação da emissora.

Com isso, a problemática trama das 9, que não vem agradando ao público, terá mais uma personagem “do bem” resumida a um caso amoroso – já contava com Regina (Camila Pitanga) e Laís (Luisa Arraes). É uma das medidas emergenciais para tentar reverter o quadro preocupante no Ibope – na última quarta (8), a média foi de 25 pontos na Grande São Paulo, um a menos que a trama das 7, Alto Astral.

Não fosse a audiência, Alice teria uma trajetória bem diferente. Pressionada por Inês (Adriana Esteves) a fazer algo rentável na vida e influenciada por Murilo, ela se tornaria uma prostituta de luxo, por quem Evandro ficaria encantado. Com isso, ficaria no caminho da mãe, que busca uma maneira de acabar com a boa vida de Beatriz (Glória Pires), tomando o marido dela.

Agora, tudo acontecerá de maneira mais suave e romantizada, com Evandro posando como o Edward Lewis (Richard Gere) em Uma Linda Mulher (1990) ou, melhor ainda, como o Huldson de Bruna Surfistinha – por acaso, o próprio Cássio Gabus Mendes viveu o cliente protetor que se torna um príncipe encantado para a personagem de Deborah Secco no longa-metragem de 2011. No caminho do possível casal, estará Murilo, o playboy cafetão. Antes um tanto desvairada, fruto da união de um pai omisso e uma mãe rancorosa, Alice terá embates morais com o namorado.

É, obviamente, uma história mais palatável do que a planejada. Já no capítulo do último sábado (10), por exemplo, os mais conservadores foram poupados de uma sequência ousada: em troca de aceitar entrar no esquema de prostituição, Alice exigiu uma noite com o bonitão Gustavo (Bruno Gissoni) para aceitar fazer um programa – Murilo assistiria a tudo no quarto ao lado. Mas na hora H, ela recuou, dizendo que nada daquilo tem a ver com sua índole – como uma perfeita mocinha de novela faria.

Na queda-de-braço entre os que rejeitaram o conteúdo dito mais pesado da história e os autores, que pretenderam fugir dos clichês folhetinescos e temas provocativos, venceu quem tem o controle remoto na mão – como era de se esperar. Família brasileira em segurança, resta esperar pelos reflexos no Ibope e contar com a habilidade da equipe de roteitistas para manter a alma da trama, apesar das mudanças. A seu favor, a produção tem a própria essência da telenovela, gênero mutável que só acaba quando termina – e Babilônia, vale observar, ainda nem chegou ao 30º dos seus quase 200 capítulos.

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31/03/2015

às 15:55 \ Folhetinescas

Julieta conservadora e o Romeu moderno, a nova aposta de ‘Babilônia’

Rafael (Chay Suede) é recebido com rispidez pela família de Laís (Luisa Arraes): mocinho terá de lidar com os valores morais da namorada (Divulgação)

Rafael (Chay Suede) é recebido com rispidez pela família de Laís (Luisa Arraes): mocinho terá de lidar com os valores morais da namorada (Divulgação)

Depois de apresentar, sem boa recepção, sua história central, Babilônia (Globo, 21h15) se volta para tramas paralelas, como o romance adolescente de Rafael, papel do jovem galã Chay Suede, e Laís (Luisa Arraes). O jovem casal é uma das apostas dos autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga para fisgar os noveleiros mais românticos, que vêm reclamando da falta de amor no coração da maioria dos personagens.

A mocinha tem um desafio e tanto pela frente: ser aceita pelos fãs do “jovem Comendador” de Império. Um tanto confusa, entre o choque da chegada na cidade grande e a educação religiosa que recebeu no interior, ela nunca havia consumido álcool e ficou toda soltinha depois de umas quatro doses de tequila. De maneira surpreendente, chegou inteira em casa, depois de se jogar na pista do Viaduto de Madureira, deixando a Barra para se aventurar na zona norte. Deu sorte, porque o desconhecido era Rafael, o menino de ouro.

Verdadeiro cavalheiro, Rafael cuidou bem da maluca, que ele conheceu ao atropelar – quantos namoros começam assim nas novelas! Mas acabou levando bronca do pai dela, Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira) e, em casa, de suas duas mães, Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg).

Nesta espécie de Romeu e Julieta do fim do mundo, os dois apaixonados estão opostos ideologicamente. Ele é um rapaz educado e equilibrado, fruto do lar amoroso de duas militantes da igualdade de direitos civis. Ela é filha de um prefeito corrupto, religioso e de família moralista, mas desajustada. Rafael certamente vai ensinar muito à namorada daqui até o fim, mas o casal tende a aumentar a polêmica em torno da novela – Laís está longe de ser a nora que Teresa e Estela merecem.

Como unir pacificamente homossexuais e homofóbicos numa mesma família?

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Twitter: @patvillalba

28/03/2015

às 22:19 \ Folhetinescas

Globo muda abertura de ‘Babilônia’

Em vez de vermelho e do fundo soturno, abertura apresentou cores claras (Reprodução)

Em vez de vermelho e do fundo soturno, abertura apresentou cores claras (Reprodução)

Como já era esperado, a Globo começou a pôr mudanças em prática para tentar recuperar a audiência da novela das 9, em queda desde que Babilônia substituiu Império, há duas semanas. No capítulo deste sábado (28), foi ao ar uma abertura reformulada, mais clara do que a original. O título também mudou de cor – de vermelho, com fundo cinza-chumbo para amarelo, com sobre um desenho colorido. A música, Pra que chorar, de Matin’ália permanece. 

A abertura antiga de 'Babilônia', mais adequada ao clima da novela (Reprodução)

A abertura antiga de ‘Babilônia’, mais adequada ao clima da novela (Reprodução)

A fotografia escura, que ajuda a compor o clima de “salve-se quem puder” da trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, é uma das características mais criticadas da novela no Twitter. Mas uma mudança além da abertura, se ocorrer, não pode ser feita de uma hora para outra: a novela estreou com 20 capítulos gravados.

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