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Arquivo da categoria Folhetinescas

29/08/2014

às 17:13 \ Folhetinescas

‘Geração Brasil’ pega fogo, mas não queima

No capítulo deste sábado (30), Pamela (Claudia Abreu) finalmente flagra Jonas (Murilo Benício) com Verônica (Taís Araújo) (Divulgação)

No capítulo deste sábado (30), Pamela (Claudia Abreu) finalmente flagra Jonas (Murilo Benício) com Verônica (Taís Araújo) (Divulgação)

Ontem houve um verdadeiro rebu, como bem classificou Dorothy (Luís Miranda), mas Geração Brasil (Globo, 19h) ainda não conseguiu empolgar. Já na virada do centésimo capítulo, a trama de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira mostrou ter boas ideias, em geral piadas com referências ao mundo pop e cibernético, mas se perde com frequência na velocidade de informações e reviravoltas.

A novela é assumidamente estapafúrdia, o que poderia ser bom mas que, neste caso, afasta uma parte considerável do público que não entende do que se fala ali. E quem entende não se sente atraído pelo roteiro principal. Há várias citações a seriados, filmes e modas das redes sociais, mas no fim das contas é a história de Steve Jobs contada a partir do bairro da Taquara, ali ao lado do Projac. Imagine se o criador do i-Pod fosse filho da Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) – é Jonas Marra (Murilo Benício).

O empresário bilionário com jeito de Tufão do Divino não conseguiu ser mais carismático que as Empreguetes de Cheias de Charme, sucesso da dupla de autores em 2012, apesar de estar acompanhado por parte daquele elenco. Prova de que não há receitas para o sucesso, mas uma regra fundamental: boa história.

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 5 mistérios de ‘Império’

28/08/2014

às 12:22 \ Folhetinescas

5 mistérios de ‘Império’

Daniel Rocha na sala de maquiagem do Projac: médicos que atenderam o playboy João Lucas na novela não parecem ser tão bons quanto a equipe de caracterização, que vem caprichando no "efeito zumbi" (Reprodução/Instagram)

Daniel Rocha na sala de maquiagem do Projac: médicos que atenderam o playboy João Lucas na novela não parecem ser tão bons quanto a equipe de caracterização, que vem caprichando no “efeito zumbi” (Reprodução/Instagram)

Como toda trama boa, Império (Globo, 21h20) deixa certas coisas no ar. Há pouco mais de um mês da estreia, Aguinaldo Silva parece ter ainda muitas cartas na manga para operar grandes reviravoltas, além da chegada de novos personagens – Adriana Birolli, por exemplo, voltará, como sobrinha da Maria Marta que viveu na primeira fase.

O barulho que ela vai causar é uma expectativa para daqui a mês, mas já há uma boa quantidade de incógnitas para intrigar o telespectador. Veja abaixo cinco  “mistéeeerios” da novela, como diria a Dona Milú (Miriam Pires) de Tieta (1989).

1. DNA

Será que Cristina (Leandra Leal) é mesmo filha de José Alfredo (Alexandre Nero)? Como o comendador não gosta “dessa coisa de DNA”, ficou para depois a prova do principal mistério da novela.

 

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): romance pode não ser tão improvável quanto parece (Divulgação)

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): romance pode não ser tão improvável quanto parece (Divulgação)

2. Preço de banana

De quanto foi o cheque de Maria Marta (Lilia Cabral) que fez Cristina desistir dos direitos de herdeira de José Alfredo? Numa estimativa, parece que foi mixaria: deu para comprar iogurte para o sobrinho, fez escova no salão da Xana (Ailton Graça) e reformou o camelódromo.

3. Walking Dead

É certo que, se tivesse curado rápido, a gente ia reclamar. Mas já não durou tempo suficiente o inchaço no olho de João Lucas (Daniel Rocha)? Na novela acontece tanta coisa, que a impressão é que foi há um ano a surra que o playboy levou de uns bandidos em Santa Teresa.

4. Vera Verão

Afinal, Xana é ou não é gay? Todo o glamour do travesti mais gente fina de Santa Teresa pode não passar de um disfarce – e neste caso, haveria espaço para um romance dele com Naná (Viviane Araújo), o que pode ser muito divertido.

Beatriz (Suzi Rego) encontra Léo (Klebber Toledo), o amante de seu marido: com esse figurino, amiga, fica difícil competir (Divulgação)

Beatriz (Suzi Rego) encontra Léo (Klebber Toledo), o amante de seu marido: com esse figurino, amiga, fica difícil competir (Divulgação)

5. Cosplay

Por que caracterizaram Suzy Rêgo no “estilo presidente Dilma”? O penteado e figurino de Beatriz, mulher de Cláudio Bolgari (José Mayer) é tão chocante quanto a compreensão que ela demonstra ter diante da homossexualidade reprimida do marido.

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Os 7 acertos de ‘Império’

Acontece na novela, repercute na vida real

22/08/2014

às 11:52 \ Folhetinescas

Os 7 acertos de ‘Império’

Entre charmoso e cafona, Alexandre Nero brilha como o protagonista José Alfredo (Divulgação)

Entre charmoso e cafona, Alexandre Nero brilha como o protagonista José Alfredo (Divulgação)

Sem rodeios: Império fez por merecer e pegou. Há um mês no ar, a trama de Aguinaldo Silva conseguiu recuperar parte da audiência na faixa das 9 e reconquistou os telespectadores que costumam se manifestar pelas redes socais. “Diante dessa unanimidade, eu me pergunto: onde foi que eu errei?”, brincou o autor, que mantém contato direto com os fãs e críticos pelo Twitter e Facebook.

Bem escrita, dirigida e interpretada, a novela não pode escapar de ser comparada a Avenida Brasil, o último grande sucesso de público e crítica da Globo. No primeiro mês, a trama de João Emanuel Carneiro marcou média de 36 pontos no Ibope. Império fecha o período com média de 34 pontos, marca ligeiramente menor, mas há que considerar que ela recebeu o horário de Em Família, de Manoel Carlos, com 30 pontos de média geral. Em 2012, vale lembrar, Avenida Brasil sucedeu Fina Estampa, também de Aguinaldo, que deixara 39 pontos de média.

É justificado, portanto, o entusiasmo que cerca a novela, uma reinvenção cuidadosa do autor, que tem muito a ver com os bons tempos de Tieta (1989) e Pedra sobre Pedra (1992). E já que está dando tudo certo, cabe falar dos sete acertos – em vez dos erros – da novela. Confira abaixo alguns pontos que fazem de Império um sucesso:

1. Trama de fases

Contar a novela em dois tempos é um recurso que vem sendo usado pelas tramas das 9 ininterruptamente desde Avenida Brasil, de 2012. Depois dela, vieram Salve Jorge, Amor à Vida, Em Família e, agora, Império. A estratégia é boa porque além de proporcionar quase um relançamento na passagem para os dias atuais, funda bases sólidas na composição dos personagens, como aconteceu agora com José Alfredo (Chay Sued/Alexandre Nero), Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli), Cora (Marjorie Estiano/Drica Moraes) e Maria Marta (Adriana Birolli/Lilia Cabral).

Maria Marta (Lilia Cabral)  dá as cartas em 'Império' (Reprodução)

Maria Marta (Lilia Cabral) dá as cartas em ‘Império’ (Reprodução)

2. Vilãs aos baldes

Um autor pode – e até deve – arriscar-se numa história sem vilão muito bem definido. Mas terá muito mais dificuldade para chegar ao coração do público. E com toda sua inspiração medieval, Império não poderia prescindir de um balde de maldades. Por isso, a novela abriu espaço para duas vilãs de grande porte: Cora (Drica Moraes), a pobre, e Maria Marta (Lilia Cabral), a milionária. Os encontros das duas são deliciosos de ver.

3. Xana Summer e Naná

Há uma galeria enorme de travestis que fizeram sucesso nas novelas. É o tipo de personagem que o público adora, quando é oportunidade para um ator mostrar seus recursos.  No caso de Xana Summer, defendido com leveza por Ailton Graça, o resultado não poderia ser melhor. E, para completar, foi muito acertada a escolha de Vivianne Araújo para companheira de cena dele, como a manicure Naná. Vale citar, ainda, as cenas dela com Juliane Popular (Cris Vianna), rainha de bateria que vive uma história inspirada no seu relacionamento com o cantor Belo. “Força amiga”, disse Naná para Juliane outro dia, diálogo entre ficção e realidade.

4. Imperador

No centro de uma trama simples, de reconhecimento de paternidade e disputa por herança, Alexandre Nero pegou o protagonista José Alfredo de jeito e consegue ser ao tempo charmoso e cafona.

5. Brokeback Mountain

Como já citei aqui, o romance entre o cerimonialista enrustido Cláudio (José Mayer) e o jovem aspirante a ator Leonardo (Klebber Toledo) é um bolero tragicômico bem temperado com a maldade do blogueiro língua-de-trapo Téo Pereira (Paulo Betti)

6. Desfrute

A novela não chega a ser das mais salientes.  Mas sabe sugerir. Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), amante de José Alfredo que vive enclausurada numa espécie de torre, dá show diário à la Victoria’s Secret. E, como é preciso agradar a todos, Robertão (Rômulo Arantes Neto) deu para se sustentar fazendo striptease em domicílio.

7. Dial

Uma trilha com músicas de respeito, e não sucessos grudentos, é um dos atalhos para cair no gosto do público. Desde a estreia, a playlist da novela só colhe elogios nas redes sociais, misturando de Beatles a Cartola.

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As mentiras mais esfarrapadas das novelas

Acontece na novela, repercute na vida real

14/08/2014

às 14:24 \ Folhetinescas

As mentiras mais esfarrapadas das novelas

Cláudio (José Mayer) se desespera ao ver o post maldoso no blog de Téo Pereira (Paulo Betti), em 'Império': tudo não passou de teatro, de acordo com a lorota contada por Beatriz (Suzy Rego) a Enrico (Joaquim Lopes) (Divulgação)

Cláudio (José Mayer) se desespera ao ver o post maldoso no blog de Téo Pereira (Paulo Betti), em ‘Império’: tudo não passou de teatro, de acordo com a lorota contada por Beatriz (Suzy Rego) a Enrico (Joaquim Lopes) (Divulgação)

Tem gente que mente bem e descaradamente, gente que mente mal por ter boa índole e, a partir do capítulo de ontem de Império (Globo, 21h15), gente que mente como o casal Beatriz (Suzi Rego) e Cláudio Bolgari (José Mayer), ou seja, do jeito mais canastrão possível.

Apanhados pelo filho Enrico (Joaquim Lopes) numa agitação danada, depois de Cláudio ter um chilique por causa do último post do fofoqueiro Téo Pereira (Paulo Betti), os dois se apressaram a inventar: “Era teatro. Estávamos lembrando uma peça que encenamos quando éramos jovens”, arriscou a mãe, quem sabe pensando que falava com o Enrico de cinco anos de idade.

Os pais tentavam esconder do filho que Cláudio fora flagrado beijando Leonardo (Klebber Toledo) num meio-fio qualquer de Copacabana, após uma briga no apartamento do jovem amante. Dizer que agitação toda por causa da bomba publicada pelo blogueiro venenoso não passava de uma encenação nostálgica é, obviamente, um gracejo do autor Aguinaldo Silva. Enrico fingiu acreditar – o que fez os noveleiros questionarem sua inteligência nas redes sociais – mas não deve demorar a descobrir a verdade. Será o pior crítico da homossexualidade de Cláudio.

A sequência de Império faz lembrar que Aguinaldo Silva é bom em desculpas esfarrapadas. A melhor da história das novelas é, sem dúvida, a que Perpétua (Joana Fomm) contou para se livrar de uma situação embaraçosa em Tieta (1989). Veja abaixo uma lista com cinco das mentiras mais deslavadas da teledramaturgia:

1. “Me acuda, estou cega!”

Determinada a descobrir a identidade do amante da irmã, Tieta (Betty Faria), Perpétua acaba surpreendendo seu filho, Ricardo (Cassio Gabus Mendes), na cama dela. Petrificada, pensa um segundo, e sai gritando “Não estou vendo nada! Não sei o que houve com as minhas vistas quando abri aquela porta!”

(* a partir de 6:56)

2. “Foi um assalto!”

Vítima de uma armação de Bebel (Camila Pitanga), Olavo (Wagner Moura) é algemado na cama do Hotel Duvivier por Betina (Deborah Secco), em Paraíso Tropical (Gilberto Braga e Ricardo Linhares, 2007). Flagrado pela noiva, Alice (Guilhermina Guinle), ele tenta fazer colar a hipótese de assalto.

 

Clara (Mariana Ximenes) e Totó (Tony Ramos), em 'Passione' (2010)

Clara (Mariana Ximenes) e Totó (Tony Ramos), em ‘Passione’ (2010)

3. “Eu só quero fazer um curso de artes…”

Só mesmo a paixão mais cega pode justificar a bananice de Totó (Tony Ramos) diante das mentiras de Clara (Mariana Ximenes) em Passione (Silvio de Abreu, 2010). Para convencê-lo a assinar uma procuração que dava poderes a Fred (Reynaldo Gianecchini) sobre sua herança no Brasil, a golpista disse que precisava do aval dele na matrícula de um curso de artes em Florença. Por que desconfiar, não é mesmo?

 

 

 

Théo (Ricardo Lombardi) e a seringa da discórdia em 'Salve Jorge' (2013)

Théo (Ricardo Lombardi) e a seringa da discórdia em ‘Salve Jorge’ (2013)

4. “Eu uso para misturar uns cremes…”

A seringa de conteúdo letal que Lívia (Cláudia Raia) usava em Salve Jorge (Glória Perez, 2013) foi quase um personagem da novela, tamanha a repercussão das cenas em que foi objeto central. Quando viu a arma na bolsa da vilã e quis saber do que se tratava, Théo (Ricardo Lombardi) ouviu a segunte lorota: “Eu uso para misturar uns cremes”, disse ela, valendo-se da pele de pêssego de Claudia Raia para validar a mentira.  (Veja aqui, na cena 15)

 

 

 

 

Novela mexicana contada por Carminha (Adriana Esteves) amoleceu o coração de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil (2012) (Divulgacão)

Novela mexicana contada por Carminha (Adriana Esteves) amoleceu o coração de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil (2012) (Divulgacão)

5. “Eu fui estuprada, Tufão”

Em Avenida Brasil (2012), quando veio à tona que ela abandonara o filho Jorginho (Cauã Reymond) no lixão da Mãe Lucinda (Vera Holtz), Carminha (Adriana Esteves) invetou uma verdadeira novela mexicana para convencer Tufão (Murilo Benício) de que a vítima era ela. “Cresci sentindo o cheiro do lixo, da pobreza, da necessidade! Eu fui estuprada, Tufão! Por um motorista de ônibus… Eu era virgem… Uma menina e virgem!””, relatou, numa interpretação digna de Gabriela Spanic em A Usurpadora. (Veja aqui, na cena 26)

 

 

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Pelo sim, pelo não, não veja a noiva

11/08/2014

às 16:48 \ Folhetinescas

7 duelos entre loiras e morenas

Vitória (Bianca Bin) e Sandra (Isis Valverde): loira e morena separadas na maternidade e – em breve – apaixonadas pelo mesmo mocinho em 'Boogie Oogie' (Divulgação)

Vitória (Bianca Bin) e Sandra (Isis Valverde): loira e morena separadas na maternidade e – em breve – apaixonadas pelo mesmo mocinho em ‘Boogie Oogie’ (Divulgação)

Novela vintage que é, Boogie Oogie (Globo, 18h20) reedita um clássico do folhetim: o embate entre loiras e morenas. Os dois biotipos vêm se enfrentando desde os primórdios das novelas, alternando raramente os papeis de mocinha e vilã. Em geral, as loiras são as más e as morenas, as boazinhas, como são Vitória (Bianca Bin) e Sandra (Isis Valverde) na trama de Rui Vilhena.

O antagonismo bem marcado nas madeixas de Bianca Bin, originalmente escuras e platinadas para a novela, tem a ver não só com o clichê, mas com a troca dos bebês de Carlota (Giulia Gam) e Beatriz (Heloísa Périssé) na maternidade. A primeira é mãe biológica da morena Sandra e, a segunda, da loira Vitória. E não bastasse essa espada do destino sobre suas cabeças, as duas ainda vão se interessar pelo mesmo mocinho.

Relembre abaixo outros sete embates entre loiras e morenas que marcaram época nas novelas:

flora-donatela1. Donatela (Cláudia Raia) X Flora (Patrícia Pillar)

Em A Favorita (João Emanuel Carneiro, 2008), a morena pareceu ser a vilã, até que a loira assumisse de vez o papel de psicopata. Quatro anos depois, em Avenida Brasil, o autor reeditaria o duelo “loira versus morena”, com Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella).

 

 

 

 

 

 

serena-cristina2. Serena (Priscila Fantin) X Cristina (Flávia Alessandra)

Em Alma Gêmea (Walcyr Carrasco, 2005), a loira platinada fazia o impossível para tentar separar o bonitão Rafael (Eeduardo Moscovis) de sua amada imortal – então encarnada como a indígena Serena.

 

 

 

 

 

 

mariadocarmo-nazare3. Maria do Carmo (Susana Vieira) X Nazaré Tedesco (Renata Sorrah)

Em Senhora do Destino (Aguinaldo Silva, 2004), o duelo entre a nordestina guerreira e a “raposa loira e felpuda” não terminou bem para loira – claro.

 

 

 

 

preta-barbara4. Preta (Taís Araújo) X Bárbara (Giovanna Antonelli)

Em Da Cor do Pecado (João Emanuel Carneiro, 2004), a cozinheira negra e trabalhadora era humilhada pela loira má e interesseira. Na disputa, o mocinho Paco (Reynaldo Gianecchini) – a primeira queria seu coração; a segunda, sua fortuna.

 

 

 

laura-mariaclara5. Maria Clara Diniz (Malu Mader) X Laura Cachora (Claudia Abreu)

Em Celebridade (Gilberto Braga, 2003), a produtora musical morena – e um tanto sem sal – levava um golpe da arrivista loira – e bastante apimentada. Depois de uma surra histórica no banheiro de uma festa, a morena virou o jogo e a loira, surpreendentemente, levou a pior.

 

 

 

esmeralda-livia6. Esmeralda (Camila Pitanga) X Lívia (Flávia Alessandra)

Em Porto dos Milagres (Aguinaldo Sivla/Ricardo Linhares, 2001), a negra determinada é que tentava passar a loira boazinha para trás – no caso, a disputa envolvia o coração do belo pescador Guma (Marcos Palmeira).

 

 

 

mariadocarmo-laurinha7. Maria do Carmo (Regina Duarte) X Laurinha Figueiroa (Glória Menezes)

Em Rainha da Sucata (Silvio de Abreu, 1990) a heroína sucateira passava por maus bocados nas mãos da madrasta de seu amor, Edu (Tony Ramos) – e até na hora do suicídio, a megera loira lhe deu trabalho.

 

 

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Pelo sim, pelo não, não veja a noiva

07/08/2014

às 16:38 \ Folhetinescas

Pelo sim, pelo não, não veja a noiva

Chore, Sandra (Isis Valverde), que a gente te entende. Após vê-la vestida de noiva na véspera, o noivo disse que "só a morte o impediria de casar". E assim foi  (Reprodução)

Chore, Sandra (Isis Valverde), que a gente te entende. Após vê-la vestida de noiva na véspera, o noivo disse que só a morte o impediria de casar. E fez-se a profecia (Reprodução)

De todas as superstições que ouço desde criança – de “não passar debaixo de escada” a “guardar a roupa usada em velório pelo avesso” –, a única que se mantém firme e forte como uma das leis que regem o universo é a recomendação de que o noivo não pode ver a futura esposa vestida de noiva antes do casamento.

Laerte (Gabriel Braga Nunes) viu Luiza (Bruna Marquezine) vestida de noiva, como já acontecera 20 anos antes, com Helena (Bruna Marquezine). Nos dois casos, terminou em tragédia (Divulgação)

Laerte (Gabriel Braga Nunes) viu Luiza (Bruna Marquezine) vestida de noiva, como já acontecera 20 anos antes, com Helena (Bruna Marquezine). Nos dois casos, terminou em tragédia (Divulgação)

Se há algum sentido no dito popular só pode ser o objetivo de preservar a surpresa. Afinal, um dos momentos mais emocionantes da cerimônia é quando o noivo avista a amada rumo ao altar. Os mais antigos dizem que tudo começou com a necessidade dos pais de fazerem dar certo os casamentos arranjados para seus filhos. Nem sempre a noiva era uma Juliana Paes – como a Maya de Caminho das Índias (2008) – e sair correndo ficaria mais fácil se tudo ficasse as claras de véspera.

Efeitos práticos à parte, seguimos não só escondendo as noivas de seus noivos, mas rogando praga em quem ouse contrariar essa lei. Não sei dizer se na vida real é possível fugir de tal agouro. Mesmo tendo acompanhado uma quantidade considerável de casamentos, nunca soube de um noivo que tivesse visto a noiva antes da hora. O que só pode levar à conclusão de que foi a ficção, especialmente as comédias românticas do cinema americano e as nossas novelas, que disseminou a superstição.

Em 'A Próxima Vítima' (1995), Diego (Marcos Frota) viu a noiva, Isabela (Cláudia Ohana) antes do casamento – e até que teve sorte, pois descobriu que ela o traía com o tio dele, Marcelo (José Wilker) (Reprodução)

Em ‘A Próxima Vítima’ (1995), Diego (Marcos Frota) viu a noiva, Isabela (Cláudia Ohana) antes do casamento – e até que teve sorte, pois descobriu que ela o traía com o tio dele, Marcelo (José Wilker) (Reprodução)

Em novela, se um noivo entra desavisado no quarto onde a noiva experimenta o vestido, é batata: algo vai dar errado, muito errado – quiçá virá desgraça por aí. Não raro, a mãe da noiva avisa que isso não vai trazer boa sorte e, sempre meio mané, o noivo duvida. Foi o que fez o Alex (Fernando Belo), de Boogie Ooogie. “Só morto eu não me caso”, disse ele. Pois é, Alex, morreu no primeiro capítulo, no dia do casamento. E o piloto que causou o acidente, para completar, vai ficar com sua noiva.

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Chega a surpreender o quanto o recurso é repetido nos roteiros. Mas não é o caso supor que os nossos autores sejam supersticiosos. É que, muitas vezes, trata-se de um atalho para explicar o inexplicável, como quando a bateria do seu carro falha no Viaduto da Perimetral, depois o pneu fura, você desce para consertar e um avião cai na sua cabeça – tudo no dia do seu casamento. Azar demais para um mocinho só, pensa o telespectador mais realista. Mas quem mandou ver a noiva antes da hora?, responde o noveleiro no sofá, que de tanto ouvir que esse tipo de coisa dá azar, já acredita. Pelo sim, pelo não.

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Os 7 “aguinaldismos” de ‘Império’

06/08/2014

às 15:59 \ Folhetinescas

Acontece na novela, repercute na vida real

José Pedro (Caio Blat) e Danielle (Maria Ribeiro), em cena de 'Império': filhinho da mamãe Maria Marta (Lilia Cabral), ele atropelou e matou um homem, depois simulou um roubo para se livrar do crime (Divulgação)

José Pedro (Caio Blat) e Danielle (Maria Ribeiro), em cena de ‘Império’: filhinho da mamãe Maria Marta (Lilia Cabral), ele atropelou e matou um homem, depois simulou um roubo para se livrar do crime (Divulgação)

Avançamos pela BR-101 pelo litoral potiguar com tempo para todo o tipo de conversa superficial sobre algumas das questões mais profundas da humanidade. Cinquenta quilômetros são o suficiente para que Emilielson, motorista simpático de pensamento um tanto caótico, lamente os gastos com a Copa, as distorções que vê no Bolsa Família, o Ebola e a dengue e o Felipão no Grêmio. Do famigerado 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil – “Cada gol custou uns 10 bi para o país”, calculou – , passamos, numa abrangência impressionante, ao que se chamou no carro de “tudo, no fim das contas, sempre é culpa da eduçação que se tem em casa”. “Todo corrupto tem um pai, dona”, lembre sempre disso.

Dance, Maria Marta, dance: maldizeres da personagem influenciam telespectadores desavisados na vida real

Dance, Maria Marta, dance

“A senhora veja uma história que me deixou doido outro dia no jornal. É como? Um sujeito – desses filhinhos de mamãe com jacarezinho no bolso, sabe? – atropelou e matou um cabra qualquer, um pobre coitado. Sabe o que a mãe dele fez quando ficou sabendo? Mandou que o filhote abandonasse o carro e desse queixa na delegacia! É como? Pra culpa cair  nas costas do suposto ladrão! Não é muito esperta essa madame, moça?”, contou ele, na narrativa mais cheia de perguntas que já se viu, enquanto eu decidia se avisava que a história que ele pensava ter visto no Jornal Nacional é, na verdade, uma das tramas de Império (Globo, 21h15). Na novela, a vilã Maria Marta (Lilia Cabral) tenta esconder o crime cometido por José Pedro (Caio Blat) com outro crime, e já sofre chantagem por causa disso.

Preferi não avisar simplesmente porque pareceu mais divertido. E também porque fiquei na dúvida se seria boa coisa interromper tamanha ira para falar de novela. Contei uns trinta coqueiros na janela enquanto ele discorreu sobre o que chamou de “fim dos tempos”, época em que “os pais que não comparecem” estão formando uma geração de “desmilinguidos de intelecto” – fiz uma anotação mental para usar o termo em breve. Limitei-me a um “que horror” e dois “é mesmo muito triste”, enquanto ele dividiu a culpa pela falência da sociedade entre os políticos, a igreja, a imprensa. “Mas sabe que é o principal culpado? As novelas da Globo, que mostram um monte de absurdos pro nosso povo! Novela é perigoso, dona. Porque eu sei, a senhora sabe, o que está se passando na realidade. Mas tem muita gente por aí que não sabe. Daí, fica é como?”, questionou, no momento em que eu já não sabia mais o que era ficção e o que era realidade dentro daquele carro.

Às vezes, a maneira como as pessoas  absorvem a novela é tão ou mais interessante do que a própria novela. Mesmo com toda a pulverização da audiência e toda a oferta de opções de audiovisual, uma novela das nove com os elementos certos pode ter uma estreia de força tão grande a ponto de estar no subconsciente até de quem não vê. É claro que uma novela malsucedida põe o gênero em xeque, uma vez que já foi mais do que decantada a necessidade de inovação. Mas uma boa história, principalmente com os atores certos e temperada com certa polêmica ainda tem uma capacidade única de mobilizar o brasileiro, comparável apenas ao frisson de um ou outro evento esportivo transmitido ao vivo.

Nas duas primeiras semanas no ar, a novela de Aguinaldo Silva monopolizou os Trending Topics do Twitter; no site Dicionário InFormal, o termo “comendador” – título do protagonista José Alfredo (Alexandre Nero) – está no topo dos mais buscados desde a estreia; há dias os leitores do QUANTO DRAMA! debatem as citações negativas a Roraima feitas a Maria Marta, que vive chamando o lugar de “fim do mundo”; e a repercussão já reflete positivamente na audiência do horário, que dá sinais de recuperação após o fiasco de Em Família, que teve média de 29 pontos bateu seu recorde no Rio no capítulo de ontem (5), com 39 pontos, e igualou sua melhor marca em São Paulo, de 35, como informa o Radar on-line.

“A minha mulher disse que vê novela porque gosta dos vestidos. Pode isso, dona? Eu brinquei com ela, que tem de vestir então aquelas roupas do ‘Pedacinho de coisinha’ – é como?”, continuou Emilielson, implicando até com Meu Pedacinho de Chão. “Já falei pra ela que a pessoa tem que ver um documentário, saber o que estão falando no Face. Não pode ficar para trás”, gabou-se, um quilômetro antes de cair na conversa sobre “a falácia da educação neste país”. De novo, culpou os políticos, a igreja, a imprensa. E permitiu-se filosofar, quando eu tentei livrar meu ofício de mais essa e ponderei que a imprensa está sempre destacando a importância dos estudos e condenando o descaso com as escolas. “Pois é, dona. É muita notícia ruim, não dá gosto de ler o jornal. Boa mesmo a vida do meu tio, que é analfabeto de pai e mãe – não sabe de nada desse mundo, e pronto.”

Dei um suspiro e voltei a contar coqueiros. O clima pesou e só se ouvia uma moeda perdida dentro do porta-luvas. Uns dez quilômetros depois, ele chegou a me dar um susto quando tentou – e conseguiu – quebrar o gelo: “Mas me conte: quem a senhora acha que matou o Cazuza no Rebu?”

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04/08/2014

às 20:48 \ Folhetinescas

Anos 70 garantem a diversão em ‘Boogie Oogie’

Herói com figurino de Tom Cruise em 'Top Gun' (1986), Rafael (Marco Pigossi) vive com os tios desde a morte dos pais, no incêndio do Edifício Joelma, em 1974, e, de casamento marcado com Vitória (BIanca Bin), envolve-se num acidente que termina com a morte de Alex (Fernando Belo). Adivinhe se ele não vai se apaixonar pela noiva do morto azarado, Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

Herói com figurino de Tom Cruise em ‘Top Gun’ (1986), Rafael (Marco Pigossi) vive com os tios desde a morte dos pais, no incêndio do Edifício Joelma, em 1974. De casamento marcado com Vitória (BIanca Bin), envolve-se num acidente que termina com a morte de Alex (Fernando Belo). Adivinhe se ele não vai se apaixonar pela noiva do morto azarado, Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

Elas foram trocadas na maternidade e vão disputar o mesmo homem. Com um enunciado rocambolesco e um certo abuso do conceito “coincidências da vida”, Boogie Oogie, novela de Rui Vilhena que substituiu Meu Pedacinho de Chão na faixa das seis da Globo, divertiu com as diversas referências ao final dos anos 70  no seu capítulo de estreia, exibido na noite desta segunda (4).

Pouco depois de 'Em Família', outra novela lança mão do recurso "noivo não pode ver a amada vestida de noiva antes do casamento": azarado além da conta, Alex (Fernando Belo) viu o carro quebrar a caminho da igreja e, quando tentava uma solução, foi atingido por um avião – antes, ele disse que "só a morte" o impediria de se casar com Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

Pouco depois de ‘Em Família’, outra novela lança mão do recurso “noivo não pode ver a amada vestida de noiva antes do casamento”: azarado além da conta, Alex (Fernando Belo) viu o carro quebrar a caminho da igreja e, quando tentava uma solução, foi atingido por um avião – antes, ele disse que “só a morte” o impediria de se casar com Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

O título Boogie Oogie vem da discoteca comandada por Amaury (Junno Andrade), e que vai reunir os personagens da trama em noites de basfond. A ação se passa em 1978, não por acaso o ano em que foi ao ar a lendária Dancin’Days, novela de Gilberto Braga cujo título, por sua vez, vinha da boate fictícia Frenetic Dancing Days.

Hits da música pop, máquinas de escrever, telefone de disco, orelhão, fusca, bombril na antena da TV, uma leve citação à ditadura militar e lurex, muito lurex. A reconstrução da época que ainda está fresca na memória de muita gente é o maior charme da novela, dirigida por Ricardo Waddington. A se lamentar que a produção tenha optado por uma fotografia contemporânea, em vez de apostar numa paleta de cores mais característica, como fez, por exemplo, o seriado americano That’ 70s Show (1998-2006).

Bem escalado e com os nomes de Avenida Brasil (2012) que estão na turma de Waddington desde então, o elenco tem bons personagens para desenvolver, como a Inês de Deboah Secco, aeromoça dos tempos de glamour da profissão e que complementa a renda vendendo artigos importados na era pré-abertura comercial, e o Tadeu de Fabrício Boliveira, tipo meio blaxploitation que estudou Direito e tenta ser diplomata, mas trabalha como motorista na casa de uma madame. Por meio deles, o autor deve refletir sobre o passado recente, num bom pano de fundo para a história de Sandra (Ísis Valverde) e Vitória (Bianca Bin), e deixar que o telespectador transite entre a nostalgia e a sensação de que caminhamos um tanto nos últimos 40 anos. Ao ouvir de Inês que Tadeu é formado, Susana (Alessandra Negrini), a vilã da história, duvida e diz : “É tão possível quanto um preto ser presidente dos Estados Unidos.”

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31/07/2014

às 16:17 \ Folhetinescas

Maria Marta, a frasista esnobe de ‘Império’

Em uma semana, Maria Marta (Lilia Cabral) mostrou que será a campeã de frases cortantes de 'Império' (Reprodução)

Em uma semana, Maria Marta (Lilia Cabral) mostrou que será a campeã de frases cortantes de ‘Império’ (Reprodução)

Uma boa vilã é imprescindível para qualquer novela, mas poder contar com uma megera de língua afiada é melhor ainda. Além da pérfida Cora (Drica Moraes), Império (Globo, 21h15) tem uma cota extra de maldades na figura de Maria Marta, madame ambiciosa e esnobe interpretada por Lilia Cabral.

Em tempos de memes, nada mais apropriado do que uma exímia frasista como a que ela demonstrou ser logo na primeira semana da novela de Aguinaldo Silva, autor que é especialista em tipos sem papas na língua. Veja abaixo uma seleção das frases mais cortantes da personagem:

– Eu nasci numa sexta-feira 13 de lua cheia. Ninguém pode me impedir de fazer o que eu quero, seu eu quiser de verdade.

Quando ela resolveu deixar Petrópolis determinada a reassumir seu lugar de esposa na casa de José Alfredo (Alexandre Nero).

– Tudo bem que levasse um tiro. Mas tinha que ser logo em Roraima?

Desesperada, quando soube do incidente envolvendo José Alfredo. Mas com uma certa preguiça de viajar do Rio de Janeiro até o norte do país.

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– Não é porque estamos na selva que vamos agir como os selvagens.

Quando pediu um jantar meramente refinado no alto do Monte Roraima.

– Deste monte eu não quero nem a poeira.

Dando uma de Odete Roitman ao deixar o Monte Roraima, lugar que ela gosta de achincalhar por guardar uma parte nebulosa do passado de José Alfredo.

– Quanto você quer para calar essa sua boca cheia de cáries para sempre?

Para Lorraine (Dani Barros), que faz chantagem sobre o acidente que terminou com a morte de seu irmão, atropelado por José Pedro (Caio Blat).

– Enquanto ela vai com a farinha, eu volto com o croissant.

Falando mal da própria filha, Maria Clara (Andreia Horta), de quem tem ciúmes por causa da ligação com José Alfredo.

– Eu rezaria por ela. E desejaria que tivesse melhor sorte da próxima vez.

Ao responder à incômoda pergunta de José Alfredo “e se eu te dissesse que tenho uma amante?”.

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30/07/2014

às 12:05 \ Folhetinescas

Os melhores momentos de ‘Meu Pedacinho de Chão’

No capítulo desta quarta (30), o solitário Giácomo (Antonio Fagundes) anuncia seu noivado com a espevitada Rosinha (Letícia Almeida) – para surpresa da própria (Divulgação)

No capítulo desta quarta (30), o solitário Giácomo (Antonio Fagundes) anuncia seu noivado com a espevitada Rosinha (Letícia Almeida) – para surpresa da própria (Divulgação)

O inverno já não anda mais tão gelado lá pelas bandas da Vila de Santa Fé e quando a primavera chegar de vez, também será o momento de se despedir da adorável Meu Pedacinho de Chão (Globo, 18h20), cujo o último capítulo será exibido nesta sexta (1).

Tradicional na história – afinal, é um remake de uma novela que Benedito Ruy Barbosa escreveu em 1971 – e ousada na estética e na narrativa impressas pela leitura do diretor Luiz Fernando Carvalho, a novela chega ao final com, como diria a Amância (Dani Ornellas), “uma porção” de bons momentos. Na produção sem preguiça, difícil seria apontar alguma cena desperdiçada, coisa comum em novelas, uma vez que até a prosa mais à toa é desculpa para um trejeito cômico, uma lágrima bem colocada ou uma edição surpreendente de imagens.

Diante de tanta lindeza, é capaz que a lista abaixo chegue um tanto defasada ao fechar de cortinas de sexta-feira. Mesmo assim, lá vão os – por enquanto – melhores momentos de Meu Pedacinho de Chão:

Zelão (Irandhir Santos) põe os olhos em Juliana (Bruna Linzmeyer)

O tempo parou em Santa Fé quando o jagunço bronco e analfabeto viu a “prefessora” de cabelos de algodão doce pela primeira vez.

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Catarina (Juliana Paes) fica de pileque

Nervosa com a chegada do enteado Ferdinando (Johnny Massaro), que estava prestes a provocar a ira do pai, o Coronel Epa (Osmar Prado), a madame tomou um cálice não identificado e saiu rodopiando pela casa. Guardado o devido valor do ícone Gabriela, que ela interpretou na novela de 2012, deve-se anotar que foi a melhor personagem da carreira de Juliana Paes.

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Elenco canta ‘Chuá, Chuá’

Num delicado número musical, os personagens cantaram, na íntegra, a moda de viola de Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão, um verdadeiro presente para o público (reveja a sequência aqui).

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Rodapé finge que escreve uma carta de amor

Foi lírica e muito divertida a sequência em que o atrapalhado Rodapé (Flávio Bauraqui) fingiu escrever a carta de amor que Zelão lhe ditou, com a intenção de se declarar para a professora Juliana. No fim das contas, tão analfabeto quanto o amigo, só fez encher uma página com rabiscos.

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A transformação de Zelão

Zelão não é um tipo novo em novelas. Pelo contrário, o grosseirão que se transforma por causa do amor é um personagem clássico não só da literatura, mas também do folhetim. Mas a interpretação de Irandhir Santos deu um contorno especial e mais do que original ao personagem vivido por Maurício Valle em 1971, com um jogo inteligente entre a aparência alegórica e a psique complexa e intensa. O momento em que o jagunço se deu conta de sua ignorância e decidiu se tornar um novo homem é uma das cenas mais bonitas da história da teledramaturgia.

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O primeiro parto do Dr. Renato

Meu Pedacinho de Chão transitou o tempo todo na oposição entre passado e futuro, progresso e tradição, tema sempre presente na obra de Benedito Ruy Barbosa. Um momento emblemático desse embate aconteceu quando Renato (Bruno Fagundes), jovem médico da cidade grande, foi obrigado a pedir ajuda à velha parteira e benzedeira Mãe Benta (Teuda Bara), para realizar primeiro parto de sua carreira.

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Zelão e Juliana se beijam

Após muitas trocas de olhares de tirar o fôlego, Zelão conseguiu beijar Juliana. Ou melhor, foi ela quem o beijou. E o tempo parou mais uma vez em Santa Fé.

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O inverno chega a Santa Fé

A mudança bem pontuada das estações climáticas foi um dos muitos recursos usados pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para incrementar a novela original. A troca do verão pelo outono foi linda, mas a produção se superou na chegada do inverno, com direito a Zelão desfilando pela neve à la Jon Snow de Game of Thrones.

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