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Arquivo da categoria Folhetinescas

31/03/2015

às 15:55 \ Folhetinescas

Julieta conservadora e o Romeu moderno, a nova aposta de ‘Babilônia’

Rafael (Chay Suede) é recebido com rispidez pela família de Laís (Luisa Arraes): mocinho terá de lidar com os valores morais da namorada (Divulgação)

Rafael (Chay Suede) é recebido com rispidez pela família de Laís (Luisa Arraes): mocinho terá de lidar com os valores morais da namorada (Divulgação)

Depois de apresentar, sem boa recepção, sua história central, Babilônia (Globo, 21h15) se volta para tramas paralelas, como o romance adolescente de Rafael, papel do jovem galã Chay Suede, e Laís (Luisa Arraes). O jovem casal é uma das apostas dos autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga para fisgar os noveleiros mais românticos, que vêm reclamando da falta de amor no coração da maioria dos personagens.

A mocinha tem um desafio e tanto pela frente: ser aceita pelos fãs do “jovem Comendador” de Império. Um tanto confusa, entre o choque da chegada na cidade grande e a educação religiosa que recebeu no interior, ela nunca havia consumido álcool e ficou toda soltinha depois de umas quatro doses de tequila. De maneira surpreendente, chegou inteira em casa, depois de se jogar na pista do Viaduto de Madureira, deixando a Barra para se aventurar na zona norte. Deu sorte, porque o desconhecido era Rafael, o menino de ouro.

Verdadeiro cavalheiro, Rafael cuidou bem da maluca, que ele conheceu ao atropelar – quantos namoros começam assim nas novelas! Mas acabou levando bronca do pai dela, Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira) e, em casa, de suas duas mães, Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg).

Nesta espécie de Romeu e Julieta do fim do mundo, os dois apaixonados estão opostos ideologicamente. Ele é um rapaz educado e equilibrado, fruto do lar amoroso de duas militantes da igualdade de direitos civis. Ela é filha de um prefeito corrupto, religioso e de família moralista, mas desajustada. Rafael certamente vai ensinar muito à namorada daqui até o fim, mas o casal tende a aumentar a polêmica em torno da novela – Laís está longe de ser a nora que Teresa e Estela merecem.

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Twitter: @patvillalba

28/03/2015

às 22:19 \ Folhetinescas

Globo muda abertura de ‘Babilônia’

Em vez de vermelho e do fundo soturno, abertura apresentou cores claras (Reprodução)

Em vez de vermelho e do fundo soturno, abertura apresentou cores claras (Reprodução)

Como já era esperado, a Globo começou a pôr mudanças em prática para tentar recuperar a audiência da novela das 9, em queda desde que Babilônia substituiu Império, há duas semanas. No capítulo deste sábado (28), foi ao ar uma abertura reformulada, mais clara do que a original. O título também mudou de cor – de vermelho, com fundo cinza-chumbo para amarelo, com sobre um desenho colorido. A música, Pra que chorar, de Matin’ália permanece. 

A abertura antiga de 'Babilônia', mais adequada ao clima da novela (Reprodução)

A abertura antiga de ‘Babilônia’, mais adequada ao clima da novela (Reprodução)

A fotografia escura, que ajuda a compor o clima de “salve-se quem puder” da trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, é uma das características mais criticadas da novela no Twitter. Mas uma mudança além da abertura, se ocorrer, não pode ser feita de uma hora para outra: a novela estreou com 20 capítulos gravados.

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25/03/2015

às 14:59 \ Folhetinescas

7 Polêmicas de Gilberto Braga

O casal sem escrúpulos Evandro (Cássio Gabus Mendes) e Beatriz (Glória Pires) estão no centro de 'Babilônia', mais uma novela polêmica de Gilberto Braga (Divulgação)

O casal sem escrúpulos Evandro (Cássio Gabus Mendes) e Beatriz (Glória Pires) estão no centro de ‘Babilônia’, mais uma novela polêmica de Gilberto Braga (Divulgação)

Como a própria arte e, e com um alcance nacional, a telenovela tem contribuição inegável na discussão dos costumes da sociedade. Neste contexto, não é exagero dizer que Gilberto Braga é o autor que mais tem desafiado o público ao longo de sua carreira de 40 anos na televisão, sem pudores na decisão de substituir alguns dos clichês folhetinescos por situações mais cruas e atuais.

Não só sua mais famosa obra, Vale Tudo, de 1988, e agora a ruidosa Babilônia, que estreou há uma semana, causaram furor entre os mais conservadores. Relembre abaixo 7 das maiores polêmicas levadas ao ar pelo autor:

Em cena emblemática de  'Água Vida', Stella Simpson (Tonia Carrero) e  Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

Em cena emblemática de ‘Água Vida’, Stella Simpson (Tonia Carrero) e Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

1. Água Viva (1980)

Todo o esplendor solar do Rio de Janeiro serviu como pano de fundo para uma história de disputa familiar em  Água Viva, que Gilberto escreveu com Manoel Carlos. Numa bela crônica da sociedade de então, entrou para a história a sequência em que Stella Simpson, personagem da diva Tônia Carrero, faz um topless na praia e causa tumulto e, ainda, a cena em que um cigarro de maconha apareceu pela primeira vez na televisão brasileira – sendo enrolado por Alfredo, personagem de Fernando Eiras. 

2. Brilhante (1981)

Como Fernanda Montenegro lembrou em entrevista a QUANTO DRAMA! no último domingo, Brilhante discutiu a aceitação da homossexualidade. A atriz era a prepotente Chica Newman, que fazia questão de não perceber a orientação sexual do filho, Inácio, uma corajosa interpretaçãod o do hoje diretor Dennis Carvalho, que vivia o auge dos tempos como galã. Depois de tentar promover uma espécie de “cura gay”, armando seu casamento com Luiza (Vera Fischer) e, depois, com a ambiciosa Leonor (Renata Sorrah), a ricaça foi obrigada a ver o filho ir embora, com seu namorado – para todos os efeitos, “amigo”.

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20/03/2015

às 14:38 \ Folhetinescas

Amor em ‘Babilônia’ choca mais do que ódio em ‘Império’

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de 'Babilônia': demonstração contundente de afeto, trabalho das atrizes é irretocável (Reprodução)

Estela (Natália Timberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de ‘Babilônia’: demonstração contundente de afeto, trabalho das atrizes é irretocável (Reprodução)

“Os que acharem estranho vão tolerar”, me disse Fernanda Montenegro há duas semanas, falando do romance que sua personagem, a advogada Teresa viveria com a Estela de Natália Timberg em Babilônia (Globo, 21h20), de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga que estrearia dali a alguns dias. Novela no ar, logo no primeiro bloco as duas atrizes, ambas de 85 anos, beijaram-se apaixonadamente, mais do que os noveleiros poderiam esperar, depois dos selinhos doces de Niko e Félix, de Amor à Vida, e Clara e Marina de Em Família.

Fernanda Montenegro também não escapa da zoeira da internet: meme lembra a Nossa Senhora de 'O Auto da Compadecida' (Reprodução)

Fernanda Montenegro também não escapa da zoeira da internet: meme lembra a Nossa Senhora de ‘O Auto da Compadecida’ (Reprodução)

Em poucas horas, uma acalorada discussão tomou as redes sociais, até então dividida entre os críticos e defensores do governo Dilma Rousseff. Logo ficaria claro que Fernanda estava errada: muitos não estão tolerando.

Num primeiro momento, os que aplaudiram a cena tentaram diminuir sua intensidade, uma ideia de que o beijo homossexual na televisão deve ser recebido com naturalidade. Houve também, como sempre, os que se escandalizaram com a polêmica em si – é o pessoal do bordão-conselho “vão ler um livro!”. E houve, claro, os que viram na representação de uma história de amor o sinal de que o apocalipse se aproxima. A incitá-los, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, que divulgou nesta quinta (19) uma nota de repúdio a Fernanda e Natália. A Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira faz uma campanha pelo boicote nas redes sociais. A novela estreou com 33 pontos e chegou a cair a uma média de 27 pontos nesta quinta (19), segundo dados do Ibope em São Paulo.

Muitos dirão que a nota não deixa de ser uma forma de expressão. Mas é de se espantar como parte do país consome a ficção de maneira torta, a ponto de sair curtindo e compartilhando iniciativas de parlamentares que se ocupam de um programa de televisão. E por que, afinal, se ocupar de uma história de amor? Por que o José Alfredo (Caio Blat) de Império não chocou mais do que o beijaço de Teresa e Estela quando matou o pai com um tiro nas costas, na última sexta (13)?

A discussão é de desanimar qualquer um. Cá estamos nós dizendo o óbvio: que o controle remoto soberano – só não vale mudar para as entrevistas com assassinos pop stars do Gugu na Record. Mas diante da discussão que só cresce a cada capítulo, é preciso anotar que veio das duas atrizes veteranas o mais contundente e sincero carinho homossexual já apresentado na ficção nacional. Elas se beijaram com verdade, impossível não notar. Fernanda e Natália são amigas há 60 anos, por isso parecem tão à vontade em cena. É um trabalho lindo e, sim, provocador, como a arte deve ser. Não foi pensado para passar em branco, nem poderia.

Embora por enquanto muito dedicadas a falar da própria relação, Teresa e Estela são uma das poucas reservas de integridade da novela. Em Babilônia, o mal da ganância, reforçado pela corrupção, está vencendo – há duas vilãs e uma mocinha. Lembremos que, antes dela, Império terminou com um filho matando um pai por dinheiro e rancor. Mas o pessoal por aí deu para encasquetar com as lésbicas da novela, que estão ali para mostrar que a vida vale a pena – não só pelas personagens, mas pelo exemplo pessoal das duas atrizes. O que não vale é a campanha de ódio que chega a assustar ao invocar a Babel da Bíblia, o exagero e o ataque rasteiro.

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‘Babilônia’ começa com duelo de vilãs e beijaço de Fernanda e Natália

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17/03/2015

às 22:42 \ Folhetinescas

Beatriz, por ela mesma

Beatriz reina na 'Babilônia' de Gilberto Braga: ela tem lastro, cai por cima e para matar (Reprodução)

Beatriz reina na ‘Babilônia’ de Gilberto Braga: ela tem lastro, cai por cima e para matar (Reprodução)

Poço de autoconfiança, a vilã Beatriz (Glória Pires) em Babilônia (Globo, 21h15) ganhou a plateia com seu texto cortante e debochado, o que a transforma numa espécie de Maria de Fátima de Vale Tudo (1988) formada no “curdo Odete Roitman para moças”. “A melhor qualidade da Beatriz é a sedução”, disse Tereza (Fernanda Montenegro) sobre a filha da companheira, Estela (Nathália Timberg).

Ninguém é melhor para definí-la, entretanto, do que ela mesma. A seguir, Beatriz por ela mesma – campeã de frases começadas com “eu” na nova novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga:

– “Estou vendo que as minhas palavras com você não funcionam, então vou ser européia: Não estou disposta!”

– “Eu não vou à praia no Rio há muitos anos.” 

– “Eu prometo que vou ser a esposa perfeita.” 

– “Eu caio por cima, e caio pra matar.”

– “Eu tenho lastro!”

– “Eu não sou como você, que não tem onde cair morta.” 

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16/03/2015

às 23:24 \ Folhetinescas

‘Babilônia’ começa com duelo de vilãs e beijaço de Fernanda e Nathália

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de 'Babilônia': sem suspense sobre beijo gay desta vez (Reprodução)

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de ‘Babilônia’: sem suspense sobre beijo gay desta vez (Reprodução)

Fernanda Montenegro foi discreta quanto aos carinhos que sua personagem, Tereza, trocaria com Estela, papel de Natália Thimberg durante Babilônia, que estreou na noite desta segunda (16) na Globo. “As cenas não são de erotismo didatizado. Mas há carinho ali”, disse ela ao blog na coletiva que apresentou a novela. Pois logo nas primeiras cenas, a trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga demonstrou que não está disposta a ir devagar ou, muito menos, criar uma expectativa que atravesse capítulos e capítulos: logo nas primeiras cenas, as duas personagens se beijaram apaixonadamente.

A sequência deu o que falar nas redes sociais e, em pouco tempo, a hashtag #Babiloniaestreia estava no topo da lista dos assuntos mais comentados do Twitter, acompanhada de outras tantas relacionadas à novela – em geral, cercada de elogios. Além do beijaço que pôs os holofotes sobre Fernanda e Natália ao som de Eu Te Desejo Amor, com Maria Bethânia, as cenas que apresentaram a rivalidade entre a “vilã pobre” Inês e a “vilã rica” Beatriz justificaram a expectativa pela estreia. Adriana Esteves abriu a novela com uma discussão ética com o marido honesto, Homero (Tuca Andrada) – ela não se conforma em viver num apartamento com vista para o Morro da Babilônia e quer que ele suba no emprego de qualquer jeito. Questionada por que não trabalha ela mesma, já que é advogada, respondeu: “Você sabe o que é ser advogada num país sem justiça?” Pronto, a novela chegou com tudo.

No topo da pirâmide social, mas nem tanto, uma vez que anda falida e procurando marido rico, Beatriz é a presença mais forte e luminosa da trama. Começou recorrendo a serviços extras de um improvável marceneiro descamisado e com tipo de anúncio da Calvin Klein, pouco antes de iniciar um caso com o motorista Cristovão (Val Perré) para chegar ao ricaço Evandro (Cássio Gabus Mendes). Quando passou a ser chantageada por ele, respondeu sem medo: “Você pode ser homem na cama. Fora dela, é um subalterno que vai passar a vida nos servindo.” Algumas cenas depois, deu tiro na cabeça do homem. E, de quebra, conseguiu envolver Inês, que também vinha tentando lhe arrancar uma pequena fortuna.

Lado negro da Força em Babilônia: placar do primeiro confronto deu vitória a Beatriz (Divulgação)

Lado negro da Força em Babilônia: placar do primeiro confronto deu vitória a Beatriz (Divulgação)

Com um núcleo forte no “lado negro da força”, a novela, entretanto, não quis fugir dos clchês românticos quando apresentou seus mocinhos. Regina repete o tipo das tantas mulheres batalhadoras que Camila Pitanga vem vivendo nos últimos tempos. Num clássico do folhetim, ela conheceu o namorado, Fernando (Gabriel Braga Nunes), quando ele a ajudou a recolher os livros do chão após um esbarrão com dois moleques. Ela se preparou para entrar na faculdade, mas teve de adiar o sonho ao engravidar do moço que, para piorar, é casado e já tem uma filha.

Sem as imagens de cartão postal que costumam rechear o primeiro capítulo das tramas das 9, mas com sequências dinâmicas próximas dos seriados americanos, Babilônia deixou claro que estará nas mãos da dupla de vilãs. A simbiose entre as duas, capazes de tudo por motivos difernetes, pode ser resumido pela frase final de Beatriz, cara a cara com Inês: “Nós vamos para o fundo do poço de mãozinhas dadas”, desafia ela, quando a tela congela como em Avenida Brasil (2012). Mária de Fátima 1 X Carminha 0.

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16/03/2015

às 15:40 \ Folhetinescas

‘Babilônia’ tenta ser a nova ‘Vale Tudo’

Regina (Camila Pitanga): 27 anos depois da Raquel de Regina Duarte em 'Vale Tudo', personagem repete a trabalhadora estridente das areias cariocas – o nome Regina não deve ser à toa (Divulgação)

Regina (Camila Pitanga): personagem repete o estilo da Raquel Accioli,  trabalhadora estridente das areias cariocas vivida por Regina Duarte em 1988 – o nome Regina não deve ser à toa (Divulgação)

Vinte e sete anos depois de Vale Tudo, escrita com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Gilberto Braga estreia nesta segunda (16) aquela que pode ser considerada a continuação da novela que marcou a reabertura política com a pergunta “vale a pena ser honesto no Brasil?’. Babilônia (Globo, 21h15), também assinada por Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, recupera o clima de desilusão e necessidade de mudança como pano de fundo para a história principal, mais uma vez sobre ambicão e limites da ética.

As duas novelas, vale dizer, têm Dennis Carvalho como diretor e alguns pontos em comum, obviamente, revistos do não tão longínquo 1988 para o nosso 2015. Abaixo, meia dúzia de correspondências entre Vale Tudo e Babilônia:

Pai que se vai

A trama de Vale Tudo começa com a morte de Salvador (Sebastião Vasconcelos), homem honesto e pai de Raquel. É quando a filha dela, Fátima, vende a casa da família no Paraná e foge com o dinheiro para o Rio, onde pretende se dar bem. Babilônia começa em 2005, com o assassinato de Cristovão (Val Ferré), motorista de Evandro e amante de Beatriz. A amiga de infância dela, Inês (Adriana Esteves), flagra os dois e faz chantagem. Ele mesmo faz outra chantagem. E Beatriz arma um plano para matá-lo e jogar a culpa em Inês. Cristovão é pai de Regina (Camila Pitanga), daí a trama ser entrelaçada pelas três personagens.

Batalhadora da areia

Em 1988, era Rachel (Regina Duarte), representante da classe média que convivia com a inflação galopante, que ganhava a vida nas areias de Copacabana, vendendo sanduíche natural. Desta vez, é Regina (Camila Pitanga), heroína igualmente estridente, mas da nova classe C, que vende coco para sustentar a filha, na praia do Leme. 

Fátima versus Beatriz

Mulher ambiciosa e sedutora que quer se dar bem por meio de um casamento. A idade separa a Maria de Fátima de Vale Tudo e a Beatriz de Babilônia. Mais experiente, é de se esperar que a nova vilã seja mais poderosa. 

Glória Pires e Cássio Gabus Mendes

Desta vez, o Evandro Rangel de Cássio Gabus Mendes não é nem um pouco ingênuo, como o Afonso Roitman de Vale Tudo. Mesmo assim, ele será enganado pela noiva, Beatriz, papel de Glória Pires. 

Ligações perigosas

Evandro é dono de uma constutora, que tem por costume as negociatas com políticos. Em Vale Tudo, a empresa de Marco Aurélio (Reginaldo Faria), do ramo da aviação, também dava um jeito de lucrar além do honesto, praticando a evasão de divisas.   

LGBT

Há 27 anos, a vida de Cecília Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska), que viviam um romance na trama, não era fácil. Irmã de Marco Aurélio, que nunca aceitou o romance, Cecília morre num acidente e deixa herança para Laís. E começa uma batalha dela com o cunhado. Em Babilônia, Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg) têm um casamento de 35 anos e uma família feliz, criando um neto juntas.

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14/03/2015

às 0:38 \ Folhetinescas

Morte cai bem ao Comendador no final de ‘Império’

Zé Alfredo (Alexandre Nero) aparece torcendo o bigode na última cena de 'Império': personagem maior do que morte (Divulgação)

Zé Alfredo (Alexandre Nero) aparece torcendo o bigode na última cena de ‘Império’: personagem maior do que morte (Divulgação)

Épica e com diversas referências ao universo shakespeariano, Império (Globo, 21h15) terminou na noite desta sexta (13) como começou, com um último capítulo tão bom quanto o primeiro. Apesar de muitos detalhes do desfecho terem sido divulgado pela emissora, o que poderia gerar um anticlímax, o experiente Aguinaldo Silva tinha boas cartas na manga para manter o suspense. O principal já era sabido: o Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) morreria no final. Mas como? Seria para valer desta vez?

Sim, foi uma morte matada, como o próprio Zé diria, e com direito a cremação. O homem de preto caiu morto ao levar um tiro do primogênito, José Pedro (Caio Blat) e passou desta para melhor ao som de Cartola. Grande vilão da história que se escondeu atrás da identidade de Fabrício Melgaço, Pedro chantageava o pai, querendo dinheiro em troca da vida da irmã bastarda, Cristina (Leandra Leal). Num simbolismo bonito, o Comendador morreu defendendo a vida da filha que teve com o grande amor da juventude, Eliane (Vanessa Giácomo).

Drástica, a morte do protagonista é coerente com sua trajetória e com o que o autor pretendeu ao criá-lo – que ele fosse um personagem maior que a morte. Talvez seja por isso que ele mesmo apareceu, oito anos depois, no canto da foto monárquica da família, cena que remeteu ao início da novela. Não se pode, entretanto, imaginar que ele ande vivo por aí, como quando fingiu estar morto. O Comendador deixou a vida para se tornar um mito – Alexandre Nero certamente terá bastante trabalho para se livrar dele. Eternizado nas páginas na biografia de sucesso que o venenoso Téo Pereira (Paulo Betty) lançou, O Inesquecível Homem de Preto. A sessão de autógrafos, vale anotar, teve a presença do próprio Aguinaldo Silva –que apareceu de azul e não com a roupa preta, a marca registrada que emprestou ao seu maior herói.

Nas tramas paralelas, foi surpreendente o final de Magnólia (ZezéPolessa) e Severo (Tato Gabus Mendes). Trambiqueiros de quinta categoria mas muito divertidos, eles encerraram a novela em clima de drama, com ele sendo diagnosticado com a doença de Alzheimer, algo bem diferente do que se espera de uma dupla cômica. Com menor rendimento do que prometia, certamente por causa da dificuldade de se lidar com o tema de um casal incomum, Cláudio (José Mayer) e Beatriz (Suzy Rêgo) politicamente correto e um tanto artificial. Ele voltou para os braços Leo (Klebber Toledo) e ela arrajou um amor para si. Os quatro, então, viveram felizes para sempre.

11/03/2015

às 16:20 \ Folhetinescas

Todos querem ser o Comendador

José Alfredo (Alexandre Nero) deve ser morto pelo filho, José Pedro (Caio Blat): protagonista arretado de 'Império' mexeu com o público e deixará saudades (Divulgação)

José Alfredo (Alexandre Nero) deve ser morto pelo filho, José Pedro (Caio Blat): protagonista arretado de ‘Império’ mexeu com o público e deixará saudades (Divulgação)

Desce sempre pela minha rua, sem periodicidade definida, um sujeito todo de preto, cabelo bem partido e grudado na cabeça levando uma carrocinha de amolador de facas e objetos cortantes em geral. Sei que ele passa porque começo a ouvir lá longe seu bordão: “chama a moça”. “Ô, moça! Chama a moça”, grita ele, para alguém que só pode ser fruto de imaginação, eu concluía. Para tirar a prova, juntei um alicate e uma faca de bifes e esperei.

Até que um dia lá estava eu, levando bronca do amolador pelo desleixo com o fio. “Olhe, madame… Vamos ver se dou um jeito aqui”, disse, desdenhando do serviço. “Certo, moço. Só não me chame de madame”, respondi, em tom de brincadeira. “E quem está em casa às três da tarde é o quê?”, devolveu ele, nos cascos. “Eu trabalho em casa, moço”, expliquei, surpresa com a autencidade da rispidez. “Ah, já sei!”, disse ele. “É ‘rome ófice’!”

Eu ri. Ele riu. E se gabou de saber “um pouco” de inglês. Questionei se ajuda nos negócios, e ele concordou com a cabeça. Mas gringo manda amolar faca? “Quase nunca, madame. Mas o inglês valoriza o cabra, sabe como é?” Respondi que sim, ô se sei. “É como o Comendador da novela”, brinquei. O rosto do homem se iluminou. “E não é, dona? A senhora sabe por quê?”, perguntou por cima dos óculos de lentes verdes, doido para dar a resposta. “O Comendador sou eu!”

Comendador. Há 8 meses, a gente mal ouvia esse termo. Hoje, depois do trabalho de Alexandre Nero como protagonista de Império (Globo, 21h15), todos querem ser o Comendador ou ter um Comendador para si – é a revanche do macho alfa no horário nobre, depois de um período de Tufões pacientes demais e Laertes doidos de pedra. Na próxima sexta, o “abominável homem de preto” vai deixar o posto de “divo” vago. Se bobear, fará muita gente chorar. Andam comentando que Aguinaldo Silva matará o personagem de verdade desta vez, pelas mãos do filho dele, José Pedro (Caio Blat).

“Lembra quando ele foi pro garimpo em Minas?”, continuou o amolador. “Pois então. Eu fui garimpeiro!”

Quis saber se houve um diamante cor-de-rosa e se ele é dono de um império como o da novela. “Catei umas pedrinhas boas. Mas não foi o caso de, vamos dizer assim, ficar rico”, respondeu ele, jurando que, apesar de “uma diferença ou outra”, tem para si que a novela das 9 é baseada na sua pessoa. “Desde que a novela começou eu só chamo a patroa lá em casa de Maria Marta. Ela odeia.”

E como Aguinaldo teria descoberto essa história? O cabra ficou um tanto sem paciência. “Olhe, conhecer o homem eu não conheço. Mas a madame não conhece a Teoria dos Seis Graus de Separação?”, desafiou, enquanto cobrava pelo serviço – e só me restou um “pois é, pode ser”.

Pus os cinco reais do troco no bolso pensando em como a novela é capaz de mexer com a imaginação do brasileiro, quando me dei conta de que não perguntei dela, a moça. Ele já ia ligeiro pela calçada, tomando fôlego para voltar a gritar o bordão. “Mas que moça é essa, afinal?”, interrompi. Como José Alfredo faria, ele deu um sorriso apaixonado e respondeu: “É a sweet child, dona! A madame não vê a novela?”

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Twitter: @patvillalba

09/03/2015

às 20:20 \ Folhetinescas

Sensibilidade e testosterona em boa estreia às 6

Miguel (Domingos Montagner) e Lígida (Débora Bloch) em cena da estreia de 'Sete Vidas': ela queria formar uma família e nem imagina que ele tem uma meia dúzia de filhos espalhados por aí (Divulgação)

Miguel (Domingos Montagner) e Lígida (Débora Bloch) em cena da estreia de ‘Sete Vidas’: ela queria formar uma família e nem imagina que ele tem uma meia dúzia de filhos espalhados por aí (Divulgação)

Uma história despretensiosa contada com sensibilidade por meio das relações humanas. Lícia Manzo não deixa dúvida de que conseguiu imprimir um estilo, evidente logo no primeiro capítulo de Sete Vidas (Globo, 18h20), que estreou na noite desta segunda (9). A autora volta ao horário depois da estreia como autora principal de A Vida da Gente, de 2011, e do seriado Tudo Novo de Novo, de 2009, que criou com Maria Adelaide Amaral.

Crônica que fala sobre família e relacionamentos complexos, a novela dirigida por Jayme Monjardim acertou na exposição de seus personagens e conflitos principais. No centro da trama, estão os personagens de Débora Bloch e Domginos Montagner, casal que tem tudo para agradar – com, não por acaso, aconteceu em Cordel Encantado (2011).

Lígia, um tipo comum de mulher contemporânea, bem-sucedida profissionalmente mas aflita com o tique-taque do relógio biológico, é uma heroína simpática e bastante realista. Apaixonadíssima, chegou a pensar em não aceitar uma promoção no trabalho – a chefia da editoria de economia de um grande jornal – para não sobrecarregar a rotina e poder se dedicar à vida familiar. Só faltou combinar com o futuro marido. “Eu vejo nos olhos dele o quanto ele está dentro também”, disse ela em conversa com a irmã.

Miguel, que traz Domingos Montagner mais uma vez no papel de um sujeito um tanto rústico que não se deixa enlaçar, é incapaz de dizer o sente por ela – um “eu te amo”, então, nem pensar. Ecologista aventureiro, ele é do tipo que prefere se ver “nos olhos de um bicho do que na foto do RG”. “O que você quer, eu não posso te dar”, disse ele em momento sério-sincero, pouco antes de partir para a Antártica, sem avisá-la de que ficaria um ano fora.

Lígia não faz ideia, mas Miguel é também o “doador 251”. Na juventude, foi doador de um banco de sêmem e é pai biológico de uma meia dúzia de filhos. Em busca de sua origem, Julia (Isabelle Drummond) e Pedro (Jayme Matarazzo) fizeram contato pela internet e marcaram um encontro de meios-irmãos. Mas no caminho havia uma manifestação –  e o componente folhetinesco agiu rápido: eles acabaram se conhecendo antes, sem saber quem são – e, nos próximos capítulos,  viverão uma paixonite das mais doloridas.

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