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23/10/2014

às 14:08 \ Folhetinescas

Motivos para amar e (tentar) odiar o Comendador de ‘Império’

José Alfredo (Alexandre Nero) vê a novela do topo: comendador quebrou a rotina dos homens fracos das 9, como o Tufão (Murilo Benício) de 'Avenida Brasil', o Téo (Rodrigo Lombardi) de 'Salve Jorge' e o César (Antonio Fagundes) de 'Amor à Vida' (Divulgação)

José Alfredo (Alexandre Nero) vê a novela do topo: personagem quebrou a rotina dos homens fracos das 9, como o passivo Tufão (Murilo Benício) de ‘Avenida Brasil’, o certinho Téo (Rodrigo Lombardi) de ‘Salve Jorge’ e o surtado e manipulável César (Antonio Fagundes) de ‘Amor à Vida’ (Divulgação)

No verdadeiro “casamento vermelho” à moda de Game of Thrones (HBO) que tornou o não-enlace de Enrico (Joaquim Lopes) e Maria Clara (Andrea Horta) em Império (Globo, 21h10), sobram elogios para os protagonistas do episódio que domina a semana com recorde de audiência. Mas quase todos os suspiros nas redes sociais durante a exibição da novela de Aguinaldo Silva vão para o Comendador José Alfredo, sempre soberano, carismático e imperfeito nos mais diferentes furdunços que costumam tomar conta da trama.

Não há dúvida de que é o melhor personagem de Alexandre Nero e de que caminha para ser o rei entre os tipos masculinos criados por Aguinaldo que, note-se, é autor de homens arretados – lembremos do Osmar (José Mayer) de Tieta (1989), do Raimundo Flamel (Edson Celulari) de Fera Ferida (1993), do Marconi Ferraço (Dalton Vigh) e do Juvenal Antena (Antonio Fagundes) de Duas Caras (2007). Em comum, são personagens de uma humanidade que parece ser comandada pela virilidade, daí os erros e os acertos que refletem na história a ser contada. Um sujeito assim não pode ser perfeito, claro. Por isso, chama a atenção a habilidade do autor e do ator em transformarem os “defeitos” do comendador em idiossincrasias adoráveis. Abaixo, 5 motivos para amar José Alfredo e 5, para “odiar” – os 10 itens ajudam a explicar o sucesso do personagem:

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10/10/2014

às 17:10 \ Folhetinescas

7 olhares matadores de assassinos em série

Bruno Gagliasso em cena como o Edu, de 'Dupla Identidade': debochado, ele é do tipo que escolhe o batom para a vítima (Divulgação)

Bruno Gagliasso em cena como o Edu, de ‘Dupla Identidade’: debochado, ele é do tipo que escolhe o batom para a vítima (Divulgação)

Há, basicamente e tomando por determinado ponto de vista, dois tipos de assassinos seriais na ficção: os muito assustadores, como o Hannibal Lecter de Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (2001), e os sedutores que tentam se fazer de irresistíveis, como o Edu de Bruno Gagliasso em Dupla Identidade.

Nas entrevistas que precederam a estreia do seriado da Globo (sextas, 23h30), a autora Glória Perez explicou que seu texto procurava não vitimizar o serial killer, dando espaço para que se sentisse pena dele por causa de, por exemplo, um passado difícil ou quem sabe uma orfandade. “Ele é o mal em estado puro”, disse ela. Edu não é nada confiável, já deu para entender. Mas como estamos falando de entretenimento, se é para ver o mal de tão perto que seja nos olhos azuis de Gagliasso.

Bem no papel, se não tem a piedade do telespectador, poderá com certeza contar com sua torcida – até porque do outro lado está a “ulta profissional treinada no FBI” de Luana Piovani, Vera. E se chega a ser impossível se assustar com Gagliasso – ainda mais quando o vemos chorando no palco do Domingão do Faustão, como no último domingo –, resta então incluí-lo na lista dos psicopatas sanguinários mais charmosos de todos os tempos. Aqui, um dado precioso para a investigação da doutora Vera: todo serial killer da ficção capricha nos olhares enviesados para a câmera:

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07/10/2014

às 13:18 \ Folhetinescas

As lolitas inesquecíveis da ficção

Entre ninfeta, amante perfeita e prisioneira, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) ajudou a compor a figura do "comendador" José Alfredo (Alexandre nero). Agora, ela vai surpreender ao evoluir como mulher (Divulgação)

Entre ninfeta, amante perfeita e prisioneira, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) ajudou a compor a figura do “comendador” José Alfredo (Alexandre nero). Agora, ela vai surpreender ao evoluir como mulher (Divulgação)

Criticada no começo por ser um incentivo a isso e àquilo, a romântica Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) já não desfila mais de lingerie pela garçoniere de Jose Alfredo (Alexandre Nero) em Império (Globo, 21h15).

Na estrutura monárquica da trama de Aguinaldo Silva – na qual a joalheria Império seria um reino comandado pelo “comendador”, em meio a conspiradores, vassalos, bobos da corte e criados fofoqueiros –, a personagem primeiro ajudou a compor a figura do homem forte e tirano que sente no direito de prender uma jovem inexperiente numa torre, para estar com ela quando bem entender. É a própria cortesã predileta, que irrita a rainha má, Maria Marta (Lilia Cabral), numa onda meio medieval. Mas já faz uns dias que a moça iniciou uma mudança e, desde o capítulo de ontem (segunda, 6), está oficialmente num triângulo amoroso com João Lucas (Daniel Rocha), filho do seu “protetor”. Agora, começa uma disputa pela bela lolita ruiva. Dizem que ela até vai começar a trabalhar, o que será um bom cala-boca aos que andaram criticando o autor por incentivo à pedofilia.

Atriz e personagem são adultas e Maria Isis está ali por livre e espontânea vontade, como teúda e manteúda sinceramente apaixonada. Mas a citação à Dolores de Nabokov, a garota de 13 anos que se envolve com um cinquentão no clássico Lolita (1955) é óbvia – ainda que ninfeta de novela tenha de ser maior de idade. E, afinal, como o livro ensina, uma lolita não é feita apenas de camisolinhas e unhas do pé mal-pintadas de vermelho. A personagem se forma e acontece por meio do seu Humbert Humbert. Por isso, Isis dá um tempero ficcional interessante ao comendador. O que ele fará quando perceber que sua boneca começou a pensar? Talvez enlouqueça, como boa parte dos “tios” das novelas que sabem bem o que é conviver com esse tipo sedutor de personagem. Veja outras seis, das mais marcantes:

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Lolita, Anita. Manoel Carlos adaptou com grande sucesso em 2001 o livro Presença de Anita, de Mário Donato, numa minissérie homônima. Mel Lisboa viveu a jovem que enlouquecia Nando (José Mayer) um quarentão em busca de tranquilidade numa cidadezinha do interior de São Paulo.

 

 

 

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Em 1999, numa bela e soturna produção da Casa de Cinema de Porto Alegre de Jorge Furtado para a Globo, Ana Paula Tabalipa viveu uma garota que virava a vida de Ramiro (Paulo Betti), amigo de seus pais, pelo avesso na minissérie Luna Caliente.

 

 

 

 

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Um ano antes da marcante Presença de Anita, José Mayer deu vida a outro atormentado por uma bela jovem demais: Pedro, grosseirão charmoso por quem a ninfeta caipira Íris (Deborah Secco) era obcecada em Laços de Família, também de Manoel Carlos.

 

 

 

 

 

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25/09/2014

às 15:23 \ Folhetinescas

Na reta final, ‘Geração Brasil’ tenta ser ‘A Favorita’

Jonas Marra (Murilo Benício) tem momento serio-sincero com Herval (Ricardo Tozzi) no capítulo desta quinta (25): tomara que a cena termine com os dois cantando "Beijinho Doce" (Divulgação)

Jonas Marra (Murilo Benício) tem momento sério-sincero com Herval (Ricardo Tozzi) no capítulo desta quinta (25): tomara que a cena termine com os dois cantando “Beijinho Doce” (Divulgação)

Não há dúvida de que Jonas Marra é um personagem incrível e valioso para qualquer autor. O fato de o personagem ser interpretado por Murilo Benício só engrandece aquela figura ambiguamente charmosa que estrela a novela das 7 da Globo, Geração Brasil. Mas, da mesma forma, não se pode negar que é um pouco incômoda a tentativa de atrelar – para não dizer clonar – sua história da trajetória de vida à de Steve Jobs, Mark Zuckerberg e até Lex Luthor.

Quem acompanha o QUANTO DRAMA! sabe que eu adoro uma referência, quando o autor pinça algo de um seriado, filme icônico ou uma novela –  mesmo que seja uma novela sua, como Aguinaldo Silva e Silvio de Abreu costumam fazer tão bem.

Mas, depois de 120 capítulos, Geração Brasil passou do limite das referências bacaninhas. E a coisa anda feia – o que é uma pena para autores como Filipe Miguez e Isabel de Oliveira, que se mostraram tão talentosos quando escreveram Cheias de Charme em 2012.

A novela vive um momento A Favorita, sucesso de João Emanuel Carneiro de 2008, famosa por confundir o público com mistério em torno de quem era a mocinha e de quem a vilã – como se sabe, era a Flora (Patrícia Pillar). Na mesma forma, Jonas Marra passou o tempo todo meio “beijinho doce”, fazendo-se de mocinho que, ora bolas, precisava pisar em alguns desavisados para sobreviver no mundo competitivo do Vale do Sicílio. Herval (Ricardo Tozzi) foi retratado como o recalcado que não aceitava o sucesso do “Marra Man” – por um motivo misterioso.

Desde a semana passada, a coisa começou a se desenrolar. Jonas é a Flora – não só roubou a ideia do ex-amigo e a poupança da mãe, mas também seduziu uma jornalista um tanto ingênua para estar nesta profissão. Herval é um justiceiro, uma espécie de Donatella que vem minando a vida daquele que o passou para trás. Jonas descobrirá no capítulo desta quinta (25) que Herval é que aquele ex-amigo de 20 anos atrás. Mas não é a primeira vez que os dois personagens da novela se encontram. E, pergunta-se o noveleiro um tanto de má-vontade: como Jonas não reconheceu Herval?

A resposta só pode ter vindo de O Amor é Cego (Shallow Hall, 2001), talvez mais uma das tantas referências pop da novela: há 20 anos, Herval era gordo. Por isso, agora no estilo “gato levemente de esquerda” se tornou irreconhecível. Ah, agora deu para entender.

Leia também:

‘Geração Brasil’ junta casal fetiche de ‘Cheias de Charme’

‘Sexo e as Negas’ diverte e expõe ridículo do racismo

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20/09/2014

às 10:47 \ Folhetinescas

Bruno Gagliasso vai ao topo em ‘Dupla Identidade’

No papel do serial killer ambicioso Eduardo, Bruno Gagliasso se alterna entre o charme e a perversidade, e acerta ao estabelecer uma rara cumplicidade com o público (Reprodução)

No papel do serial killer ambicioso Eduardo, Bruno Gagliasso se alterna entre o charme e a perversidade, e acerta ao estabelecer uma rara cumplicidade com o público (Reprodução)

O serial killer costuma ser o tipo de personagem dos sonhos de qualquer autor: rico em composição, imprevisível e, com sorte, sedutor o suficiente para assustar e conquistar a plateia ao mesmo tempo. Não é uma figura frequente na nossa teledramaturgia, muito menos no cinema, uma vez que sempre foi associado às histórias policiais americanas – mas jamais vamos esquecer o Donato que Miguel Falabella interpretou em Noivas de Copacabana, minissérie que o grande Dias Gomes escreveu em 1992.

Com seu Eduardo Borges que apareceu pela primeira vez na noite desta sexta (19) em Dupla Identidade (Globo, sextas, 23h30), Gagliasso, ator dos mais dedicados de sua geração, conseguiu inscrever na TV brasileira o tipo que mata por matar a granel. Muito bem na estreia, o ator fez dos seus encantadores olhos azuis dois espelhos embaçados pela maldade. Esteve ótimo nas cenas e se é verdade que ele teve de lutar pelo papel, como andou contando as entrevistas que precederam a estreia, fez valer a escolha da autora Glória Perez e dos diretores Mauro Mendonça Filho e René Sampaio.

Com boa parte dos cacoetes mais batidos dos autores policiais americanos, cujos criadores exploram as mentes perturbadas desde antes de Conan Doyle e Agatha Christie, Dupla Identidade fez um belo primeiro episódio. Câmera viva na medida – nada daquele balanço vertiginoso e sem sentido andou sendo usado por aí –, fotografia perfeita para mostrar um Rio de Janeiro além do “purgatório da beleza e do caos”, trilha sonora vigorosa de Andreas Kisser, do Sepultura, e uma abertura matadora, ainda que com “leve”inspiração em Homeland e American Horror Story.

Em meio à onda de assassinatos, Dias (Marcello Novaes) espera ansiosamente a indicação para secretário de segurança, o que dá um tempero especial ao seriado, Já a Vera de Luana Piovani precisa de algum remédio anti-mononia, para poder burlar o tipo "fria e sexy" que é clichê na literatura policial (Divulgação)

Em meio à onda de assassinatos, Dias (Marcello Novaes) espera ansiosamente a indicação para secretário de segurança, o que dá um tempero especial ao seriado. Já a “caçadora de mentes” Vera de Luana Piovani precisa de algum veneno antimonotonia, para burlar o tipo “fria, sexy e determinada”, que é clichê na literatura policial (Divulgação)

Mas se o primeiro dos 13 episódios previstos deixou algum porém no ar, pode-se dizer que é a personagem Vera, de Luana Piovani. A “caçadora de mentes” que, em geral, mede forças com sua “caça” nunca está numa posição confortável perante o espectador. Vira e mexe é enganada, persegue pistas falsas e, não raro, tenta passar a imagem de concentrada, do tipo “missão dada é missão cumprida”. Há várias policiais como Vera nos CSI da vida.

Acontece que Vera, por enquanto, é fria demais, certinha além da conta. Mesmo com a beleza exuberante de Luana Piovani, não tem charme. E, pior, é ela que narra a série, a partir dos valiosos conhecimentos que obteve num tal estágio no FBI americano.

Não é à toa que, em meio aos tantos elogios que a série recebeu no Twitter durante a exibição, o nome de Luana tenha sido enxovalhado – muito mais do que a atriz merecia. O público tem uma implicância excessiva com ela. De  minha parte, confesso que prefiro vê-la em comédias, mas jamais se pode criticar um ator por arriscar algo novo, fora do que se espera dele.

E, sejamos justos, mais exposta do que o próprio protagonista Bruno, Luana segurou com afinco a sua Vera. Ela consegue imprimir em cena a sensualidade quase fria da investigadora clássica das histórias policiais. É dura porque é determinada, treinada pelos bambambãs do combate ao crime. Mas talvez falte à personagem – ou ainda virá a aparecer – alguma loucura particular a lhe temperar a personalidade, como uma Carrie Mathison (Claire Danes) de Homeland ou até mesmo uma Clarice Starling  (Josie Foster) de Hannibal. Esperemos.

De um modo geral, a série tem bons personagens, e seria impossível conhecer todos num primeiro episódio. Por falar em arriscar. Marisa Orth ainda deve arrasar como Sylvia Veiga, uma típica ex-mulher-raivosa-de-político-mulherengo, papel moldado por um humor fino misturado com tensão.

A Ray de Débora Falabella é um bom complemento para Bruno, e uma ótima sacada da autora. É uma jovem adulta à beira dos 30 anos, com uma filha pequena e um jeitinho alternativo e um pouco infantil, absolutamente perdida no campo afetivo. Doida para encontrar alguém, conhece um bonitão na praia e se entrega, sem saber que ele é um psicopata. O material de divulgação da série chega a dizer que ela é uma boderline, vocabulário que, na ficção, pode servir para uma criatura carente de algum carinho.

Outro acerto do seriado é o pano de fundo político. Glória Perez provoca com a ideia de que Brasília é um campo agradável para os psicopatas e o próprio Eduardo diz que será presidente da República um dia. Há ainda uma disputa pelo cargo de secretario de segurança, que Dias (Marcello Novaes) almeja, jogo que acaba se misturando com a série de assassinatos. É um recurso já muitas vezes usado nos roteiros americanos, mas não costuma cair mal.

Carente de tudo, Ray (Débora Falabella) conhece um bonitão atencioso e divertido na praia – nem passa pela cabeça dela que quando a esmola é muita o santo desconfia (Divulgação)

Carente de tudo, Ray (Débora Falabella) conhece um bonitão atencioso e divertido na praia – nem passa pela cabeça dela que quando a esmola é muita o santo desconfia (Divulgação)

Como se, dizem, não há crime perfeito na vida real, também não há história policial que consiga explicar o modus operandi de um assassino com verossimilhança a toda prova – em Dupla Identidade não é diferente. A autora optou, por exemplo, em mostrar o mínimo possível de sangue. Assim, o telespectador não consegue entender como Eduardo arrasta suas vítimas e o que faz, de fato, na “sessão de tortura” citada pela polícia. Da mesma forma, não se sabe qual a motivação do serial killer para cometer os assassinatos e o que une as vítimas – moças jovens e bonitas, por enquanto –, o que só faz enfraquecer o personagem. É que a “maldade em estado puro”, como diz Gagliasso, existe na vida real. Mas na ficção, certas justificativas são essenciais para garantir um bom programa.

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Leia também: Maldade ‘made in brazil’ conduz ‘Dupla Identidade’

17/09/2014

às 13:20 \ Folhetinescas

‘Sexo e as Negas’ diverte e expõe o ridículo do racismo

Num clima The Marvelettes, as protagonistas encerraram o episódio de estreia, que não fugiu da polêmica do racismo (Divulgação)

Num clima The Marvelettes, as protagonistas encerraram o episódio de estreia, que não fugiu da polêmica do racismo (Divulgação)

Nada como esperar a estreia de um programa para criticá-lo ou aplaudi-lo. Após um lançamento marcado pela tentativa de censura prévia sob acusação de racismo, o seriado Sexo e as Negas (Globo, 23h30) mostrou enfim a que veio: é um retrato positivo e franco da mulher batalhadora, bem-humorada e vaidosa, que tem orgulho de ser quem é.

Se Soraia (Maria Bia), Zulma (Karin Hills), Lia (Lilian Valeska) e Tilde (Corina Sabbas) representam as mulheres negras brasileiras ou não é um tema para páginas e páginas. Mas levemos em conta que a maioria das mulheres negras brasileiras está nas classes C e D. O programa é protagonizado, portanto, por tipos verossímeis, o que faz dele um acerto como entretenimento.

O autor escolheu pontos-chave do seriado americano que o inspirou, Sex and the City, e os transpôs com graça e inteligência de Manhattan para a Cidade Alta do Cordovil, complexo de favelas e conjuntos habitacionais na zona norte do Rio. Uma ao lado da outra, as meninas dão a mesma caminhada que foi a marca registrada de Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha durante as seis temporadas na HBO e são tão marrentas e levemente atrapalhadas quanto as personagens novaiorquinas. Outro ponto em comum – e não muito louvável – é a exaltação da mulher por meio da má conduta do homem. Mas quem nunca ouviu um sujeito dizer que “elas são doidas pra engravidar e garantir pensão” que atire a primeira pedra.

Também na cola de 'Sex and the City' e com pitadas de 'Desperate Housewives', o canal americano Lifetime exibe desde o ano passado 'Devious Maids', sobre domésticas latinas que trabalham para ricaços de Bervely Hills – todo poder as batalhadoras e tudo para agradar ao público-alvo (Divulgação)

Também na cola de ‘Sex and the City’ e com pitadas de ‘Desperate Housewives’, o canal americano Lifetime exibe desde o ano passado ‘Devious Maids’, sobre domésticas latinas e charmosas que trabalham para ricaços de Bervely Hills: todo poder às batalhadoras – e tudo para agradar ao público-alvo (Divulgação)

Faltou dar uns goles num Cosmopolitan, mas não a diversão no fim da noite – veja como, pelo menos na ficção, o Cordovil pode ser tão fervido quanto o Soho. E tem o seu Mr. Big. No original americano, o personagem de Chris Noth é o homem dos sonhos de Carrie (Sara Jessica Parker). Na versão de Falabella, ele é o paquera de Jesuína (Claudia Jimenez). “Big é grande em inglês”, explicou, dando ênfase ao duplo sentido.

Durante a discussão sobre racismo que envolveu o seriado na última semana, muito se falou sobre a função social da TV, que deveria educar e blablablá. Mas, digamos melhor, dar formação cultural não pode ser feito por meio de uma cartilha, com conceitos politicamente corretos mastigados. Quem deixou a crítica rabugenta de lado ontem e assistiu a Sexo e as Negas teve, logo na primeira cena, contato com a história da Cidade Alta de Cordovil, nascida na zona norte com a remoção dos moradores da Favela da Praia do Pinto, as margens da elegante Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, que sofreu um terrível incêndio em 1968. Nos dias de hoje, como revelou o Radar on-line, a equipe da Globo desistiu de gravar no lugar por causa da violência. Ambientar uma história no bairro é uma premissa interessante, que merecia atenção.

Leia também: Nova série de Falabella é acusada de racismo

Houve ainda uma crítica contundente às dificuldades de mobilidade dos trabalhadores que vão da periferia para o centro. O nó em pingo d’água que as amigas dão para comprar um carro usado é o “rir para não chorar” diante do crescimento no número de veículos. Na rádio comunitária, Jesuína diz questiona: “Como sua vida vai para a frente se te tiram o direito de ir e vir?” O alívio cômico vem do depoimento de Zulma: “Quando quase todo mundo mora longe de você, aí meu amor, fica difícil arrumar um homem”, diz para a câmera, levantando a questão da solteirice difícil de resolver nos tempos atuais.

Leia também: Falabella, “as negas” e a polêmica

No Twitter, entre muitos elogios, o seriado recebeu críticas sobre o perfil saliente das meninas – como se não fossem usuais os comentários sobre sexo entre amigas da vida real – e as pérolas mais clichês de todos os tempos ditas pelos personagens masculinos – como se os machistas de plantão não estivessem por aí, nas esquinas da vida.

Parte do público brasileiro ainda tende a confundir o que um autor escreve para um personagem e o que ele pensa realmente. Escrever ficção é criar conflito – impressionante estarmos discutindo isso após 60 anos de teledramaturgia, mas vá lá. Por isso, a série não poderia prescindir de diálogos machistas e racistas. Mas é claro que eles são espelho da realidade – é nesta que precisamos agir. O ridículo do racismo apareceu nas cenas, como parte do cotidiano das personagens e em suas conversas. “Quatro pretas dentro de um carro velho? Vamos ser paradas pela polícia”, debochou Zulma. Cenas depois, na churrascaria onde trabalha, Lia ouve do cliente: “Morena, avisa lá que eu gosto de carne bem passada. Bem passada mesmo, quase preta.”

Como não poderia ser diferente, Sexo e as Negas teve sexo, claro, porque faz parte da vida adulta e cabe bem num programa que vai ao ar depois das 23h30. Foi de bom gosto e com direito a muitos assobios para Rafael Zulu (Elder) nas redes sociais. De quebra, as moças cantam no final, num clima The Marvelettes – um charme.

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15/09/2014

às 15:23 \ Folhetinescas

Falabella, “as negas” e a polêmica

Miguel Falabella entre as protagonistas de 'Sexo e as Negas' – Maria Bia (Soraia), Karin Hils (Zulma), Lilian Valeska (Lia) e Corina Sabbas (Tilde): ao mesmo tempo em que cobra mais participação dos negros na TV, campanha tenta levar a censura prévia do seriado, estrelado por maioria negra (Divulgação)

Miguel Falabella entre as protagonistas de ‘Sexo e as Negas’ – Maria Bia (Soraia), Karin Hils (Zulma), Lilian Valeska (Lia) e Corina Sabbas (Tilde): ao mesmo tempo em que cobra mais participação dos negros na TV, campanha tenta levar à censura prévia do seriado, estrelado por maioria negra (Divulgação)

Até o telespectador mais acostumado as polêmicas que correm como fogo de palha na internet por causa de programas de televisão deve ter se surpreendido com a repercussão alcançada pelo bloco dos descontentes com o anúncio de Sexo e as Negas, seriado de Miguel Falabella que estreia amanhã na Globo.

Paródia com pano de fundo suburbano do seriado americano Sex and the City (HBO), vai mostrar a vida de quatro mulheres negras numa favela da zona norte do Rio. De antemão, seria o caso de festejar a abertura de um grande espaço para atores negros na TV, como protagonistas. E rir do trocadilho que o autor tirou da mistura do título original com uma gíria que circula no Rio da zona norte a zona sul – “as nêga”, dizem as cariocas, de negras para negras, de negras para brancas, de brancas para brancas.

Mas desde a semana passada cresce nas redes sociais uma campanha pelo boicote do seriado, com direito a denúncias por racismo na Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Começou com a implicância com o título – “Não somos suas negas, Falabella”, postam as incomodadas – e, agora, mira na profissão das personagens – cozinheira, recepcionista, camareira e operária desempregada –, que reforçariam a imagem da serviçal sensual.

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‘Sexo e as Negas’ diverte e expõe o ridículo do racismo

Todos os argumentos sobre as poucas oportunidades para atores negros na TV são fortes e é verdade que já demora demais uma solução que amplie a imagem do afrodescendente além do estereótipo. Mas não é um contrassenso pedir mais papéis para atores negros e, ao mesmo tempo, tentar impedir que vá ao ar um programa estrelado por maioria negra?

Precisamos ver negros protagonistas de suas histórias e é isso o que deve estar em primeiro lugar quando estamos no campo da ficção. A profissão é apenas um dos ingredientes, o que vale são os sentimentos envolvidos e a luz que se põe sobre a vida do personagem em questão.

Claro que  Soraia (Maria Bia), Zulma (Karin Hills), Lia (Lilian Valeska) e Tilde (Corina Sabbas) de Sexo e as Negas poderiam ser médicas, advogadas, esteticistas ou pertencer a qualquer profissão que não fosse configurada como serviçal. Mas por que, afinal, a doméstica não pode falar sobre sexualidade? Quem disse que as negras de Falabella são mulheres-objeto ou figuras com grande carga sensual?

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Vale dizer que, como em Sex And The City, as histórias não são sobre exatamente sobre sexo, mas sobre feminilidade na vida moderna. O primeiro episódio, por exemplo, trata da mobilidade urbana. Cansadas de pegar ônibus para chegar ao trabalho na zona sul, as personagens decidem para comprar um carro em conjunto. Elas são batalhadoras, não coitadinhas. Se bobear, vamos ver mulheres de mais garra do que as novaiorquinas da HBO. Mas se elas não forem é porque a ficção não precisa criar um tratado sociológico a cada vez que resolver passear por temas sensíveis para determinado grupo.

O mais irônico da situação é que Falabella sempre reservou espaço especial para personagens negros em suas novelas – e eles nunca passaram despercebidos. Veja abaixo uma amostra “das negas” do autor:

 

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Jacinta (Zezeh Barbosa), de ‘Salsa e Merengue’ (1996)

Quando a TV ainda nem sonhava com o fenômeno “empreguetes”, Miguel criou Jacinta para Salsa e Merengue, novela das 7 de 1996. Vivida por Zezeh Barbosa, foi um tipo bastante elogiado pela forte atitude em cena, espelhando a modernização dos empregados domésticos que explodiria nos nossos dias. Jacinta era governanta da ricaça Bárbara Amarante Paes (Rosamaria Murtinho) e ficou famosa por dizer o que pensa a patroa, que a tinha como braço direito e amiga.

 

 

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Latoya, (Zezeh Barbosa), de ‘A Lua Me Disse’ (2005)

“Não como chocolate, café nem feijão. Porque preteja”, dizia a Latoya de A Lua Me Disse, em 2005. Batizada Anastácia e utilizando-se de codinome inspirado pela irmã de Michael Jackson, a vilã tinha vergonha de sua negritude e gritava isso aos quatro ventos, ao mesmo tempo em que se metia em negociatas para tentar subir na vida.

 

 

 

 

 

 

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Tamanco (Mart’nália) e Marcão (Maurício Xavier), de ‘Pé na Cova’ (Mart’nália)

Mecânica lésbica, Tamanco fisgou Odete Roitman, a mulher mais bonita do Irajá de Pé na Cova, que estreou no ano passado. Não bastasse, num clima meio Modern Family tropicalista, casou-se com ela e adotou um garoto negro. Vale dizer que Odete era filha de Ruço, papel do próprio Falabella, que terminou o seriado ainda como avô de uma bebê oriental. Tamanco, não se pode esquecer, era irmã de Marcão (Maurício Xavier), mecânico durante o dia e travesti à noite.

13/09/2014

às 8:35 \ Folhetinescas

Ao final de um dia longo demais, ‘O Rebu’ volta a 1974

Que dia, meninas!: Duda (Sophie Charlotte) confronta Angela Mahler (Patrícia Pillar), que matou Bruno (Daniel de Oliveira) congelado, na delegacia (Divulgação)

Que dia, meninas!: Duda (Sophie Charlotte) confronta Angela Mahler (Patrícia Pillar), que matou Bruno (Daniel de Oliveira) congelado, na delegacia (Divulgação)

A Globo testou a paciência do telespectador fiel de O Rebu, que teve de esperar até as 23h40 para assistir ao último capítulo, exibido na noite desta sexta (12). Os que resistiram a um Globo Repórter sobre sono – que ironia – descobriam que não era Duda (Sophie Charlotte) a assassina de Bruno (Daniel de Oliveira), como o penúltimo capítulo fez supor, mas Angela Mahler (Patrícia Pilar).

A anfitriã da festa mais glamourosa e problemática da teledramaturgia teve chance de salvar a vida do namorado de sua protegida, mas aproveitou para dar um fim ao funcionário inconveniente derrubando a temperatura do freezer onde Duda o escondera, após a discussão que terminou com ela batendo na cabeça dele. Angela se livrou da polícia porque, ainda de olho na herança de sua protetora, Duda assumiu sozinha a culpa. Mas não chegou viva ao fim do mais longo dos seus dias: levou um tiro, que atravessou uma das vidraças da mansão, em cena épica – Severino (Claudio Jaborandy), que continuava escondido na mata, foi o autor do disparo. Um pouco antes, foi também genial o momento que uniu as duas pontas da história, quando as cúmplices jogaram o corpo da vítima na piscina e voltaram para a festa – direto para o belo plano-sequência que atravessou a pista de dança no início da trama. Aquele ar de Flora de A Favorita que Patrícia usou ao tomar um gole de champanhe parece agora a melhor dica de que era ela a vilã.

Quando o rebu acabou na mansão, a solitária Angela Mahler (Patrícia Pillar) foi assassinada pelo garçom Severino (Claudio Jaborandy): produção impecável prejudicada pela quantidade excessiva de capítulos, a novela não conseguiu envolver o telespectador no seu "quem matou?" (Divulgação)

Quando o rebu acabou na mansão, a solitária Angela Mahler (Patrícia Pillar) foi assassinada pelo garçom Severino (Claudio Jaborandy): produção impecável prejudicada pela quantidade excessiva de capítulos, a novela não conseguiu envolver o telespectador no seu “quem matou?” (Divulgação)

A revelação, portanto, não chegou a ser surpreendente. Pelo contrário, foi um desfecho próximo do que Bráulio Pedroso escreveu para a O Rebu original, em 1974: Angela é uma releitura do anfitrião Conrad Mahler (Ziembinski), que matou Silvia (Bete Mendes) por ciúme de seu protegido e amante, Cauê (Buza Ferraz).

Os autores George Moura e Sérgio Goldenberg mudaram o enredo, mas chegaram ao mesmo ponto de 40 anos atrás. Após um longo jogo de esconde-esconde pela posse do dossiê que incriminava Carlos Braga (Tony Ramos), o crime pareceu ter como motivo principal a vontade de Angela de afastar Duda e Bruno. Envolvido em negociatas que cercavam a exploração de uma plataforma do pré-sal, Braga terminou preso.

De certa forma, mesmo com um verniz de seriado americano, a novela teve um impacto semelhante ao de 1974, quando foi apresentada na faixa das 22h. Inovadora na narrativa, elogiada pela crítica e com grande influência do cinema, não conseguiu, entretanto, segurar o público ao longo da história, que se passou em 24 horas mas que foi contada em mais capítulos do que deveria. Antes, foram 112 e agora, 36. Quem sabe uma minissérie, em vez de uma novela, aproveitaria melhor a produção impecável, mais um biscoito fino da equipe do diretor José Luiz Villamarim (de O Canto da Sereia e Amores Roubados) que foi palco para atuações sempre notáveis de nomes como Tony Ramos, Patrícia Pillar, Cássia Kis Magro e Sophie Charlotte, no seu melhor trabalho na TV até aqui.

No fim das contas, a solução do mistério sobre quem matou Bruno estava o tempo todo numa mensagem de celular que a vítima mandou de dentro do freezer para Kiko (Pablo Sanabio), antes de morrer congelado. Tão malandro, o técnico de TI bem que poderia ter arriscado uma chamada para bom e velho 190 ou, se quisesse escapar em alto estilo, atualizado o status no Facebook, como fizeram os convidados da festa freneticamente. Em vez disso, mandou um SMS para o amigo da onça, a principal pista do mistério. E a sensação é de que a equipe do delegado Pedroso (Marcos Palmeira) poderia ter sido mais ligeira – mas, lembre-se, só se passaram 24 horas.

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12/09/2014

às 16:58 \ Folhetinescas

Xana vai casar, anuncia Aguinaldo Silva

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): manicure aceita pedido de casamento, desde que seja ela a se vestir de noiva (Divulgação)

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): manicure aceita pedido de casamento, desde que seja ela a se vestir de noiva (Divulgação)

Já deu para perceber que há algo mais entre o cabeleireiro travesti Xana Summer (Ailton Graça) e a manicure e melhor amiga Naná (Viviane Araújo). Mas em breve a desconfiança – e torcida – de parte do público de Império (Globo, 21h2) terá efeito prático na trama e o casal um tanto improvável vai rumar ao altar, segundo adiantou o próprio autor.

“Só uma noticiazinha, pra aguçar a curiosidade de vocês: Xana vai se declarar a Naná… E pedi-la em casamento!”, escreveu ele no seu site. “Naná aceitará, mas com uma condição: que seja ela a se vestir de noiva! Será que Xana aceitará botar paletó e gravata?… Tudo bem, ele pode até aceitar… Mas não dá pra usar um salto alto?”, provocou.

Divertido, lírico e o melhor caráter entre os personagens da novela, Xana Summer é uma verdadeira caixinha de surpresas criada por Aguinaldo, com mil possibilidades dramatúrgicas e provocativas. Seria Naná sua “cura gay”? Pode até ser. Mas quem falou que ele gay? Dilemas sobre sexualidade à parte, Xana deve querer formar uma família com Naná para poder adotar Luciano (Yago Machado).

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12/09/2014

às 11:10 \ Folhetinescas

Duda é a assassina de ‘O Rebu’. Ou não?

Duda (Sophie Xharlotte) esconde o Bruno (Daniel de Oliveira) dentro de um freezer no penúltimo capítulo de 'O Rebu': ele está apenas desacordado, mas pensa que o matou (Reprodução)

Duda (Sophie Charlotte) esconde o Bruno (Daniel de Oliveira) dentro de um freezer no penúltimo capítulo de ‘O Rebu’: ele está apenas desacordado, mas pensa que o matou (Reprodução)

Num penúltimo capítulo surpreendente, os autores George Moura e Sérgio Goldemberg revelaram a identidade do “quem matou?” de O Rebu (Globo, 23h) – ou melhor, parecem ter revelado. Duda (Sophie Charlotte) bateu com um troféu na nuca de Bruno (Daniel de Oliveira) e, sem que um pingo sequer de sangue respingasse no seu vestido deslumbrante – quanta força e destreza! – conseguiu escondê-lo dentro de um freezer. Ela pensa que o namorado estava morto mas, como já foi revelado anteriormente, ele morreu de hipotermia. E, antes de congelar de vez, teve chance de mandar um SMS para o amigo, Kiko (Pablo Sanabio).

A patricinha agrediu Bruno para defender sua protetora, Angela Mahler (Patrícia Pillar). Ele tentava convencê-la de que os dois deveriam pegar o dinheiro oferecido por Braga (Tony Ramos) pelo dossiê que movimenta a trama e fugir pelo mundo afora. Mas isso deixaria Angela com uma bomba nas mãos. Na discussão, o técnico de TI contou ainda que rastreou desvios da conta da ricaça para a de Duda (das desvantagens de se namorar um nerd) e ameaçou denunciá-la.

Tudo leva a crer, portanto, que é Duda a assassina da novela e que ela vem contando, desde o início, com a ajuda de Angela para se safar. As primeiras cenas do capítulo final, que vai ao ar nesta sexta, mostram Bruno se debatendo no freezer, o que demonstra que a história só acaba quando termina.

Por enquanto, o final é diferente, mas não muito distante daquele escrito por Bráulio Pedroso na O Rebu original, de 1974. Ali, foi Conrad Mahler (Ziembinski) – personagem que foi transformado na Angela Mahler de Patrícia Pillar – o assassino. Ele ordenou a morte de Silvia (Bete Mendes) por ciúme de seu protegido, Cauê (Buza Ferraz). A autoria do crime ficou, digamos, em casa.

Conrad e Cauê eram amantes, daí o fim trágico de Silvia, que andava namorando o moço. Os autores não quiseram repetir a relação homossexual, pelo menos até aqui. Em vez disso, investiram numa boa dose de interdependência para moldar as personagens de Patrícia Pillar e Sophie Charlotte, que encenaram uma parceria tão certeira que faz valer toda a novela.

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