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12/12/2014

às 16:40 \ Folhetinescas

Militar vira chato de galochas em ‘Boogie Oogie’

O enérgico Elísio (Daniel Dantas) e a sofrida Beatriz (Heloísa Périssé): novela das 6 se restringe à vida privada do "homem de quartel" e se esquece a ditadura militar (Divulgação)

O enérgico Elísio (Daniel Dantas) e a sofrida Beatriz (Heloísa Périssé): novela das 6 se restringe à vida privada do “homem de quartel” e se esquece a ditadura militar (Divulgação)

Bem-sucedida na reconstrução de época em quesitos como figurino, música e estilo de vida, Boogie Oogie (Globo, 18h20) ignora solenemente e de maneira curiosa o momento político em que está ambientada sua história, em 1978. 

Não que se deva esperar uma tese acadêmica em plena faixa das 6, a das novelas mais românticas. Mas há bons exemplos de como os autores conseguem pinceladas da vida real em cenas de novelas como Joia Rara (2013), que conseguiu ligar o budismo ao comunismo no ano passado, e Lado a Lado, que se valeu com sucesso das profundas transformações ocorridas nos primeiros anos da República em 2012.

Boogie Oogie, no ar desde agosto, parece fazer questão de esquecer que está ancorada no governo Geisel (1974-1979), marcado pelo início da abertura política que se tornaria realidade em 1988, com a nova Constituição. Em cena, há dois militares. Pedro (José Loreto) é um soldado cuja farda, usada esporadicamente, funciona apenas como alegoria – se aparecer vestido de médico, não fará diferença na trama, uma vez que dedica a vida a destruir a felicidade de Sandra (Isis Valverde). O verde-oliva fica todo, portanto, com o Coronel Elísio, mais uma interpretação forte de Daniel Dantas.

Mas longe de propor alguma reflexão sobre o período da ditadura – assunto, como se sabe, bastante atual –, o autor Rui Vilhena optou por transformá-lo no chato de plantão, que impõe uma rotina de quartel aos filhos e oprime a mulher, Beatriz (Heloísa Périssé). Não que Elísio deixe de representar bem, sim, o cotidiano de certo tipo de família de militar daquela época. Pena que o personagem seja visto apenas por esse ângulo.

O jeito sisudo de Elísio tem lhe custado caro e não será surpresa se ele chegar muito mais amigável ao final da novela – o primeiro passo foi perdoar a mulher. Beatriz, coitada, passou metade da vida lamentando umas poucas idas ao cinema com o vizinho. Só queria alguém para conversar, já que o marido não é de muita gentileza. Não por acaso, o tal amigo é Paulo (Caco Ciocler), um intelectual de esquerda que voltou ao país depois de uns tempos no exílio – faz jus ao propagado (e folclórico) charme dos subversivos, mas ideologia que é bom… ainda não demonstrou claramente ter alguma.

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11/12/2014

às 14:47 \ Folhetinescas

7 momentos surreais de ‘Império’

Se fosse possível na vida real, o "véu rejuvenescedor" da novela das 9 seria o presente mais pedido do Natal (Divulgação)

Se fosse possível na vida real, o “véu rejuvenescedor” da novela das 9 seria o presente mais pedido do Natal (Divulgação)

Na última vez em que estive com Aguinaldo Silva, há dez dias, perguntei qual a coisa mais doida que ele já fizera em novelas até então. O autor pensou um momento, provavelmente repassando em sua cabeça cenas como a morte de Jorge Tadeu de Pedra sobre Pedra (1992) ou o incêndio que transformou Altiva numa bruxa assustadora em A Indomada (1997), e respondeu: “Foi a ventania que varreu Santana do Agreste do mapa em Tieta.” Explicou que o roteiro do último capítulo da novela de 1989 continha uma artimanha dele e do diretor Paulo Ubiratan (1947-1998) para evitar que fosse feito um seriado com os personagens, muito populares na época. Depois da última semana, pode-se imaginar que a resposta do autor de Império (Globo, 21h10) seria outra.

A “nova Cora”, que surgiu com o que vem sendo chamado nas redes sociais de “véu rejunescedor”, é uma das maiores ousadias com verniz surrealista da teledramaturgia nacional. Foi uma solução encontrada às pressas, como se sabe, porque Drica Moraes, que vinha interpretando a personagem na fase madura, precisou de uma licença médica. No seu lugar, Marjorie Estiano, que viveu a megera na primeira fase, reassumiu o posto – para deixar os demais personagens e o público de queixo caído.

Muitos foram à internet criticar a saída escolhida pelo autor. Ele poderia, é verdade, matar Cora de vez – mas não seria muito ruim perder a vilã mais manipuladora da novela? Outra alternativa seria trazer uma atriz de idade compatível com Drica e fingir que nada aconteceu – mas não seria bem menos divertido do que convidar Marjorie a voltar? E, sobretudo, a repercussão da “Cora jovem” não atrai muito mais olhares para a novela do que qualquer outro recurso dramatúrgico conseguiria atrair?

Poucos autores poderiam tomar tal liberdade numa novela das 9. No registro realista de Gilberto Braga e Manoel Carlos, por exemplo, seria impensável algo do tipo. Já Silvio de Abreu, que mistura o realismo com um humor fantasioso peculiar, bem que poderia se aventurar em algo parecido. Mas, entre todos, Aguinaldo Silva é o dono da trajetória que o credencia a tal birutice deliciosa. Ainda que desde Senhora do Destino (2004) ele estivesse tentando se distanciar da inventividade surrealista que o consagrou, como um verdadeiro herdeiro de Dias Gomes (1922-1999), Império vem demonstrando que o autor pode até sair do realismo mágico, mas o realismo mágico não sairá dele tão fácil. É que a novela engana os que pensam se tratar de uma obra realista e contemporânea. Com estrutura medieval, ela vem fincando os pés no absurdo aos poucos e muito antes de Cora mudar de cara.

Confira 7 momentos da novela que desafiam a realidade:

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05/12/2014

às 14:33 \ Folhetinescas

5 cenas que prometem agitar ‘Império’

Chora, Zé!: depois da lorota contada por Magnólia (Zezeh Polessa) para sabotar o romance da filha, o comendador passará meses longe da "sweet child" Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) (Divulgação)

Chora, Zé!: depois da lorota contada por Magnólia (Zezeh Polessa) para sabotar o romance da filha, o comendador passará meses longe da “sweet child” Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) (Divulgação)

Prevista para durar 202 capítulos, Império (Globo, 21h15) ainda tem muita lenha para queimar nos próximos dias, principalmente a partir do plano de escape do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) que, como já se sabe, vai forjar a própria morte. A sequência começa a ir ao ar no dia 22.

Antes, porém, no capítulo que vai ao ar nesta sexta (5), o homem de preto vai romper com a “sweet child” Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa). “Quando todos pensarem que ele morreu, ela vai entrar em desespero, porque eles estarão separados então”, adianta o autor Aguinaldo Silva em conversa com QUANTO DRAMA. 

Confira abaixo 5 cenas do tipo “fortes emoções” que vêm por aí na novela:

(* atualizado às 22h)

1. Cora do caritó

É esperado o retorno de Cora à trama, novamente interpretada por Marjorie Estiano. Drica Moraes, que passou uma semana se recuperando de uma indisposição, foi definitivamente afastada da novela nesta sexta (5). Cora, que sumiu sem deixar rastro, reaparecerá toda trabalhada na máscara facial de pepino, depois de uma temporada num spa – daí o rejuvenescimento. As cenas estão previstas para o capítulo deste sábado (6). A vilã passou um tempo se preparando para a noite amor que planeja ter com o Comendador, em troca do diamante cor-de-rosa. Mas ele dará um jeito de enganá-la, deixando-a, sem piedade, no caritó.

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01/12/2014

às 11:44 \ Folhetinescas

Labirintite de Drica Moraes manda Cora para o spa

Cora (Drica Moraes): personagem sumirá no capítulo desta segunda (1), após uma briga com a sobrinha, Cristina (Leandra Leal) (Divulgação)

Cora (Drica Moraes): personagem sumirá no capítulo desta segunda (1), após uma briga com a sobrinha, Cristina (Leandra Leal) (Divulgação)

A crise de labirintite que tirou Drica Moraes gravações de Império (Globo, 21h10) na semana passada dará uma pausa dramática na transação que envolve os cacos do diamante cor de rosa de José Alfredo (Alexandre Nero) e a virgindade da vilã Cora.

“Ela vai para um spa se preparar para a noite de amor com o comendador”, adiantou o autor Aguinaldo Silva em seu perfil no Facebook, contando que a última cena gravada pela atriz é de uma briga com a sobrinha Cristina (Leandra Leal) que vai ao ar no capítulo desta segunda (1). “Depois disso, ela some. Tivemos que tirar Drica de todas as cenas até a próxima sexta”, explicou.

O pior até as bocas de Matilde já comentam: o Comendador dará um jeito de enganar a vilã, que ficará sem o diamante e ainda com a virgindade. Muito presente na trama, Cora fará falta até a volta que promete ser retumbante: renovada no tal spa, a pobre coitada será feita de boba por José Alfredo – desde 1987 que ela tem encruada uma paixonite por ele.

A ida da personagem para um spa é o segundo “incêndio” do tipo que o autor tem de apagar na novela. Antes de Drica, no fim de agosto, Othon Bastos teve de se afastar do trabalho para tratar uma infecção cutânea, justamente no momento em que o mordomo Silviano precisava providenciar a ida da madame Maria Marta (Lília Cabral) para o Monte Roraima. O remanejamento da trama resultou numa boa piada, já que o mordomo parecia negociar um visto para a patroa – para Roraima.

Os imprevistos e os desvios que os autores são obrigados a fazer na ausência de determinados atores são comuns e muitas vezes deixam boas histórias. É famoso o caso de Guerra dos Sexos (1983), quando Paulo Autran ficou afastado das gravações por causa de um enfarte. Para contornar a ausência do protagonista, o autor Silvio de Abreu fez seu personagem, Otávio, simular o próprio sequestro para atormentar a prima, Charlô (Fernanda Montenegro). Da adversidade, fez-se um grande sucesso.

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25/11/2014

às 12:46 \ Folhetinescas

Vem aí a biografia não-autorizada do Comendador de ‘Império’

É a glória, Téo Pereira: personagem de Paulo Betti poderá, enfim, mostrar que é uma fera da pena, ao lançar o maior sucesso editoral do ano em 'Império' – a biografia não-autorizada de José Alfredo (Alexandre Nero) (Divulgação)

É a glória, Téo Pereira!: personagem de Paulo Betti poderá, enfim, mostrar que é uma fera da pena, ao lançar o maior sucesso editoral do ano – a biografia não-autorizada de José Alfredo (Alexandre Nero) (Divulgação)

Embora adore se vangloriar dos “milhares de cliques” que diz obter com o veneno destilado diariamente em seu blog, não é difícil concluir que Téo Pereira (Paulo Betti) não é exatamente bem-sucedido como jornalista. Num subtexto muito interessante e contemporâneo de Império (Globo, 21h15), o personagem demonstrou que vive num embate interno regado a uísque e rancor, uma vez que não é um fofoqueiro vazio, mas um homem com boa bagagem cultural e que, no passado, já teve aspirações mais elevadas na profissão.

Nos próximos capítulos, como o jornalista investigativo que sempre quis ser, municiado pelas informações do seu “garganta profunda” Maurílio (Carmo Dalla Vecchia), ele vai ajudar a deflagrar a série de acontecimentos que levarão à morte fingida do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero). Ganhará um tanto de reconhecimento, mas não sairá daí a sua maior glória.

Com o comendador aparentemente morto e enterrado, Téo finalmente poderá desfilar entre os grandes nomes do jornalismo nacional, ao lançar a “biografia não-autorizada” de José Alfredo de Medeiros. Pense num livro bombástico.

Quem conta o spoiler ao QUANTO DRAMA é o próprio autor Aguinaldo Silva que, como jornalista que é, sente-se incomodado com as limitações que vêm sendo impostas pela Justiça à publicação de biografias no Brasil. “É uma vergonha para o país, um limite à liberdade de expressão”, opina ele que, digamos, corrigirá a realidade na sua ficção. “Téo conseguirá o que quer, que é ser reconhecido como jornalista. O livro será um sucesso!”, adianta, às gargalhadas.

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19/11/2014

às 11:50 \ Folhetinescas

Tabefes no toilette

Após descontar a raiva que sente da rival Carmem (Ana Carolina Dias), Juju Popular (Cris Vianna) lavará as mãos: "Para não levar alguma sujeira sua nas minhas unhas", dirá (Divulgação)

Após descontar a raiva que sente da rival Carmem (Ana Carolina Dias), Juju Popular (Cris Vianna) lavará as mãos: “Para não levar sua sujeira nas minhas unhas”, dirá (Divulgação)

Figura das mais insuportáveis da novela, Carmem (Ana Carolina Dias) leva uns tabefes de Juju Popular (Cris Vianna) no capítulo desta quarta (19) de Império (Globo, 21h15). A confusão acontecerá quando a advogada de porta de cadeia provoca a ex-rainha de bateria em encontro casual no banheiro do restaurante de Vicente (Rafael Cardoso).

Carmem, como se sabe, armou contra Juju em passado recente: juntou-se com o marido dela, Orville (Paulo Rocha), e ainda tomou-lhe a casa.

A cena desta quarta, mais um dos barracos dos quais o público demonstra tanto gostar, é um caso clássico de “acerto de contas no banheiro feminino”, lugar que na teledramaturgia – e também na vida real – é propício a confissões, xingamentos, puxões de cabelo e até assassinatos. Abaixo uma lista com sete bafões no toilette feminino da ficção:

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12/11/2014

às 13:38 \ Folhetinescas

Novela angolana tenta ocupar espaço do negro na TV brasileira

Micaela Reis é Victoria em 'Windeck', a primeira novela africana a ser exibida no Brasil (Divulgação)

Micaela Reis é Victoria em ‘Windeck’, a primeira novela africana a ser exibida no Brasil (Divulgação)

A TV Brasil começou a exibir nesta segunda (10), às 23h, a primeira novela africana na terra do folhetim: Windeck, todos os tons de Angola. Transmitida TPA em 2012 e apresentada com sucesso em países como Cabo Verde, Moçambique e Portugal, a produção se tornou meramente conhecida aqui quando concorreu ao troféu de Melhor Novela com Avenida Brasil e Lado a Lado no Emmy Internacional, prêmio levado por esta última.

É uma boa produção, ainda que com um tanto dos vícios mexicanos e brasileiros, mas salva por atuações convincentes e tramas bem-estruturadas. Mas não é só a qualidade que justifica a exibição pela rede estatal brasileira – o discurso é ampliar o espaço dos negros na nossa televisão, num ação conjunta da Empresa Brasil de Comunicação e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Na prática, no entanto, a novela é tão africana quanto Uggly Betty poderia ser considerada colombiana. Ou seja, quanto mais o produto tenta parecer “internacional”, mais ele se afasta das raízes culturais. E, fora a eventual curiosidade pela “Luanda além dos estereótipos” que aparece como pano de fundo, pouco ou nada se aprende com a novela sobre afrodescendência – não é à toa que a produção perdeu o Emmy para Lado a Lado, que tratou com esmero da participação do negro na formação do Rio de Janeiro.

O brasileiro Rocco Pitanga participa da novela angolana como o publicitário Gabriel Castro (Divulgação)

O brasileiro Rocco Pitanga participa da novela angolana como o publicitário Gabriel Castro (Divulgação)

A trama é ambientada numa revista de moda, a Divo (qualquer semelhança com Celebridade, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares não pode ser mera coincidência). Ali, acontece todo tipo de confusão, entre ciúme, inveja e romances mal-resolvidos. A grande maioria dos atores é negra – embora os protagonistas tenham sido criticados pela imprensa angolana por serem “esbranquiçados demais”. Contam-se nos dedos os atores brancos em cena.

É, portanto, o inverso do que estamos acostumados a ver nas novelas nacionais. Mas é claro que é algo distante da nossa realidade. Não seria o caso de buscarmos uma escalação de elenco mais igualitária e representativa do Brasil contemporâneo? O tema, como se sabe, é delicado. Ainda outro dia, Miguel Falabella foi duramente criticado na internet, pelos setores ligados ao movimento negro, pela autoria do seriado Sexo e as Negas, estrelado por quatro atrizes negras na Globo.

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07/11/2014

às 9:51 \ Folhetinescas

7 coincidências entre ‘Dupla Identidade’ e ‘The Fall’

Como o Peter Spector de 'The Fall', Edu (Bruno Gagliasso) vai conviver com uma lolita insinuante: no capítulo desta sexta (7), ele se interessa por Tati (Brenda Sabryna), filha do Delegado Dias (Marcello Serrado) (Divulgação)

Como o Peter Spector de ‘The Fall’, Edu (Bruno Gagliasso) vai conviver com uma lolita insinuante: no capítulo desta sexta (7), ele se interessa por Tati (Brenda Sabryna), filha do Delegado Dias (Marcello Novaes) (Divulgação)

* atenção: spoilers da série ‘The Fall’

Já no sétimo de seus 13 episódios previstos, não há como negar: o roteiro de Dupla Identidade (Globo, sextas, 23h30), série policial de Glória Perez, tem uma boa dose de semelhanças com The Fall, produção irlandesa que foi ao ar na rede britânica BBC no ano passado (disponível no Netflix). Embora Bruno Gagliasso venha defendendo seu serial killer muito bem, Eduardo pode ser classificado como uma versão nacional do frio e impenetrável Paul Spector interpretado por Jamie Dornan no thriller irlândes. E não é só ele.

A “caçadora de mentes” Vera (Luana Piovani) é praticamente idêntica à especialista em assassinos seriais Stella Gibson, vivida pela excelente Gillian Anderson (conhecida aqui pela agente Dana Scully de Arquivo X). Loiras, frias e obstinadas, elas são o estereótipo da profissional que sacrifica a vida pessoal pela carreira, uma receita frequente na ficção policial. Mas além da base “policial americana treinada pelo FBI”, elas compartilham detalhes bem específicos da biografia, como o caso amoroso mal-resolvido com o colega de delegacia.

Há que se considerar que a série da Globo traz um pouco de cada um dos serial killers mais famosos de todos os tempos, reais e ficcionais. Mas, entre todos os personagens que ajudam a formar o retrato de Edu e dos que se relacionam com ele, Peter Spector parece ser a fonte mais  próxima. Confira abaixo, sete semelhanças entre os dois programas:

Peter Spector (Jamie Dornan), de 'The Fall' (Divulgação)

Peter Spector (Jamie Dornan), de ‘The Fall’ (Divulgação)

1. Pintura íntima

Nos primeiros episódios da série brasileira, Edu foi apresentado como um assassino meticuloso que monta cenas de crime com capricho e que se delicia colecionando “lembranças” das mulheres que matou, como documentos, bijuterias e mechas de cabelo, além de fazer desenhos num caderno. Paul Spector faz quase o mesmo: seu modus operandi inclui banho, arrumação do corpo, recolhimento de souvenires e fotografias das vítimas, que ele usa como base para desenhos macabros. Em outro ponto em comum, os dois guardam seus álbuns como se fossem tesouros, no forro de casa.

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04/11/2014

às 18:38 \ Folhetinescas

Aguinaldo Silva, um comendador legítimo

Aguinaldo Silva: além das manias, autor compartilha o título de legítimo comendador com o José Alfredo de Medeiros de 'Império' (Divulgação)

Aguinaldo Silva: além das manias e da personalidade arretada, autor compartilha o título de legítimo comendador com o José Alfredo de Medeiros de ‘Império’ (Divulgação)

Depois de pôr o termo na boca do povo, eis que Aguinaldo Silva vai se tornar um legítimo “comendador”, como o personagem criado por ele e vivido por Alexandre Nero em Império (Globo, 21h10). O autor recebe nesta quarta (5), em solenidade no Palácio do Planalto, a comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, que a Presidência da República oferece todos os anos a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da cultura brasileira.

A medalha foi originalmente oferecida em 2012, na classe Comendador (além dela, há a Grã-cruz e Cavaleiro), mas Aguinaldo não pôde comparecer à solenidade naquele ano. Em 2014, serão homenageados ainda nomes como o da atriz Patrícia Pillar e da cantora Marisa Monte.

Pernambucano de Carpina e jornalista, Aguinaldo é o autor que mais coleciona sucessos no terreno das telenovelas. Escreveu, por exemplo, Roque Santeiro, em 1985, uma das tramas mais queridas de todos os tempos, a partir dos 40 capítulos de Dias Gomes (e que não foram ao ar em 1975 por imposição da censura), e foi co-autor da novela-sensação Vale Tudo, ao lado de Gilberto Braga em 1988. Antes, em 1983, já chamara a atenção do público usando sua experiência como repórter de polícia para criar a minissérie Bandidos da Falange, ousada até para os padrões atuais ao contar a história da formação da facção criminosa Falange Vermelha. Mas caiu mesmo no gosto popular com tramas de regionalismo fantástico, como Tieta (1989), Pedra sobre Pedra (1992) e A Indomada (1997). Em 2004, o autor se desprendeu da fórmula que o consagrou e reinventou seu estilo no sucesso Senhora do Destino.

Agora, vive um terceiro ciclo como novelista, com a empolgante história do comendador arretado José Alfredo de Medeiros em Império, retirante sem eira nem beira que se torna o “imperador dos diamantes”. Sobre o personagem e suas manias, como se vestir sempre de preto e arrumar meticulosamente a própria cama, o autor escreveu recentemente em seu site, no melhor estilo Flaubert: “Sim, o comendador José Alfredo Medeiros sou eu… Mas, como todo bom personagem, é multifacetado, e é também vários outros. E são estes os que eu não revelo. É claro que já conheci várias criaturas reais parecidas com ele.”

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Klebber Toledo será “mendigo gato” em ‘Império’

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31/10/2014

às 17:27 \ Folhetinescas

Medo, delírio e riffs de guitarra

Edu (Bruno Gagliasso) e sua namorada iludida e surtada, Ray (Débora Falabella): nas cenas mais intensas, assassino passa de perturbado a assustador com a ajuda da marcação da trilha de Andreas Kisser (Divulgação)

Edu (Bruno Gagliasso) e sua namorada iludida e surtada, Ray (Débora Falabella): nas cenas mais intensas, assassino passa de perturbado a assustador com a ajuda da marcação da trilha de Andreas Kisser (Divulgação)

Em pelo menos 40 anos de parceria, o rock e o horror se juntaram em trilhas sonoras das mais marcantes, absolutamente necessárias na construção do clima soturno e de suspense que costumam rondar roteiros como o de Dupla Identidade (Globo, sextas, 23h).

A série de Glória Perez tem boa parte de suas ideias tiradas do cancioneiro do serial killer ficcional – em especial da irlandesa The Fall, da BBC –, o que poderia pôr tudo a perder. Mas a direção rica em detalhes de Mauro Mendonça Filho (em parceria com René Sampaio) e a atuação do protagonista Bruno Gagliasso têm salvado o programa, hoje no sexto episódio. Na lista de caprichos especiais, é destaque a trilha sonora composta pelo guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser. A pedido do diretor, como nos velhos tempos das novelas e minisséries, ele compôs dez músicas deliciosamente soturnas, perfeitas para conduzir um psicopata pelo Rio de Janeiro caótico do arrivista Eduardo – nos momentos mais sublimes de Gagliasso, o personagem vai de louco a assustador graças à marcação da trilha. Ouça a perturbadora Devil in Disguise aqui.

Abaixo, outras sete uniões felizes entre rock e horror:

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