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Arquivo da categoria Folhetinescas

19/11/2014

às 11:50 \ Folhetinescas

Tabefes no toilette

Após descontar a raiva que sente da rival Carmem (Ana Carolina Dias), Juju Popular (Cris Vianna) lavará as mãos: "Para não levar alguma sujeira sua nas minhas unhas", dirá (Divulgação)

Após descontar a raiva que sente da rival Carmem (Ana Carolina Dias), Juju Popular (Cris Vianna) lavará as mãos: “Para não levar sua sujeira nas minhas unhas”, dirá (Divulgação)

Figura das mais insuportáveis da novela, Carmem (Ana Carolina Dias) leva uns tabefes de Juju Popular (Cris Vianna) no capítulo desta quarta (19) de Império (Globo, 21h15). A confusão acontecerá quando a advogada de porta de cadeia provoca a ex-rainha de bateria em encontro casual no banheiro do restaurante de Vicente (Rafael Cardoso).

Carmem, como se sabe, armou contra Juju em passado recente: juntou-se com o marido dela, Orville (Paulo Rocha), e ainda tomou-lhe a casa.

A cena desta quarta, mais um dos barracos dos quais o público demonstra tanto gostar, é um caso clássico de “acerto de contas no banheiro feminino”, lugar que na teledramaturgia – e também na vida real – é propício a confissões, xingamentos, puxões de cabelo e até assassinatos. Abaixo uma lista com sete bafões no toilette feminino da ficção:

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12/11/2014

às 13:38 \ Folhetinescas

Novela angolana tenta ocupar espaço do negro na TV brasileira

Micaela Reis é Victoria em 'Windeck', a primeira novela africana a ser exibida no Brasil (Divulgação)

Micaela Reis é Victoria em ‘Windeck’, a primeira novela africana a ser exibida no Brasil (Divulgação)

A TV Brasil começou a exibir nesta segunda (10), às 23h, a primeira novela africana na terra do folhetim: Windeck, todos os tons de Angola. Transmitida TPA em 2012 e apresentada com sucesso em países como Cabo Verde, Moçambique e Portugal, a produção se tornou meramente conhecida aqui quando concorreu ao troféu de Melhor Novela com Avenida Brasil e Lado a Lado no Emmy Internacional, prêmio levado por esta última.

É uma boa produção, ainda que com um tanto dos vícios mexicanos e brasileiros, mas salva por atuações convincentes e tramas bem-estruturadas. Mas não é só a qualidade que justifica a exibição pela rede estatal brasileira – o discurso é ampliar o espaço dos negros na nossa televisão, num ação conjunta da Empresa Brasil de Comunicação e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Na prática, no entanto, a novela é tão africana quanto Uggly Betty poderia ser considerada colombiana. Ou seja, quanto mais o produto tenta parecer “internacional”, mais ele se afasta das raízes culturais. E, fora a eventual curiosidade pela “Luanda além dos estereótipos” que aparece como pano de fundo, pouco ou nada se aprende com a novela sobre afrodescendência – não é à toa que a produção perdeu o Emmy para Lado a Lado, que tratou com esmero da participação do negro na formação do Rio de Janeiro.

O brasileiro Rocco Pitanga participa da novela angolana como o publicitário Gabriel Castro (Divulgação)

O brasileiro Rocco Pitanga participa da novela angolana como o publicitário Gabriel Castro (Divulgação)

A trama é ambientada numa revista de moda, a Divo (qualquer semelhança com Celebridade, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares não pode ser mera coincidência). Ali, acontece todo tipo de confusão, entre ciúme, inveja e romances mal-resolvidos. A grande maioria dos atores é negra – embora os protagonistas tenham sido criticados pela imprensa angolana por serem “esbranquiçados demais”. Contam-se nos dedos os atores brancos em cena.

É, portanto, o inverso do que estamos acostumados a ver nas novelas nacionais. Mas é claro que é algo distante da nossa realidade. Não seria o caso de buscarmos uma escalação de elenco mais igualitária e representativa do Brasil contemporâneo? O tema, como se sabe, é delicado. Ainda outro dia, Miguel Falabella foi duramente criticado na internet, pelos setores ligados ao movimento negro, pela autoria do seriado Sexo e as Negas, estrelado por quatro atrizes negras na Globo.

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07/11/2014

às 9:51 \ Folhetinescas

7 coincidências entre ‘Dupla Identidade’ e ‘The Fall’

Como o Peter Spector de 'The Fall', Edu (Bruno Gagliasso) vai conviver com uma lolita insinuante: no capítulo desta sexta (7), ele se interessa por Tati (Brenda Sabryna), filha do Delegado Dias (Marcello Serrado) (Divulgação)

Como o Peter Spector de ‘The Fall’, Edu (Bruno Gagliasso) vai conviver com uma lolita insinuante: no capítulo desta sexta (7), ele se interessa por Tati (Brenda Sabryna), filha do Delegado Dias (Marcello Novaes) (Divulgação)

* atenção: spoilers da série ‘The Fall’

Já no sétimo de seus 13 episódios previstos, não há como negar: o roteiro de Dupla Identidade (Globo, sextas, 23h30), série policial de Glória Perez, tem uma boa dose de semelhanças com The Fall, produção irlandesa que foi ao ar na rede britânica BBC no ano passado (disponível no Netflix). Embora Bruno Gagliasso venha defendendo seu serial killer muito bem, Eduardo pode ser classificado como uma versão nacional do frio e impenetrável Paul Spector interpretado por Jamie Dornan no thriller irlândes. E não é só ele.

A “caçadora de mentes” Vera (Luana Piovani) é praticamente idêntica à especialista em assassinos seriais Stella Gibson, vivida pela excelente Gillian Anderson (conhecida aqui pela agente Dana Scully de Arquivo X). Loiras, frias e obstinadas, elas são o estereótipo da profissional que sacrifica a vida pessoal pela carreira, uma receita frequente na ficção policial. Mas além da base “policial americana treinada pelo FBI”, elas compartilham detalhes bem específicos da biografia, como o caso amoroso mal-resolvido com o colega de delegacia.

Há que se considerar que a série da Globo traz um pouco de cada um dos serial killers mais famosos de todos os tempos, reais e ficcionais. Mas, entre todos os personagens que ajudam a formar o retrato de Edu e dos que se relacionam com ele, Peter Spector parece ser a fonte mais  próxima. Confira abaixo, sete semelhanças entre os dois programas:

Peter Spector (Jamie Dornan), de 'The Fall' (Divulgação)

Peter Spector (Jamie Dornan), de ‘The Fall’ (Divulgação)

1. Pintura íntima

Nos primeiros episódios da série brasileira, Edu foi apresentado como um assassino meticuloso que monta cenas de crime com capricho e que se delicia colecionando “lembranças” das mulheres que matou, como documentos, bijuterias e mechas de cabelo, além de fazer desenhos num caderno. Paul Spector faz quase o mesmo: seu modus operandi inclui banho, arrumação do corpo, recolhimento de souvenires e fotografias das vítimas, que ele usa como base para desenhos macabros. Em outro ponto em comum, os dois guardam seus álbuns como se fossem tesouros, no forro de casa.

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04/11/2014

às 18:38 \ Folhetinescas

Aguinaldo Silva, um comendador legítimo

Aguinaldo Silva: além das manias, autor compartilha o título de legítimo comendador com o José Alfredo de Medeiros de 'Império' (Divulgação)

Aguinaldo Silva: além das manias e da personalidade arretada, autor compartilha o título de legítimo comendador com o José Alfredo de Medeiros de ‘Império’ (Divulgação)

Depois de pôr o termo na boca do povo, eis que Aguinaldo Silva vai se tornar um legítimo “comendador”, como o personagem criado por ele e vivido por Alexandre Nero em Império (Globo, 21h10). O autor recebe nesta quarta (5), em solenidade no Palácio do Planalto, a comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, que a Presidência da República oferece todos os anos a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da cultura brasileira.

A medalha foi originalmente oferecida em 2012, na classe Comendador (além dela, há a Grã-cruz e Cavaleiro), mas Aguinaldo não pôde comparecer à solenidade naquele ano. Em 2014, serão homenageados ainda nomes como o da atriz Patrícia Pillar e da cantora Marisa Monte.

Pernambucano de Carpina e jornalista, Aguinaldo é o autor que mais coleciona sucessos no terreno das telenovelas. Escreveu, por exemplo, Roque Santeiro, em 1985, uma das tramas mais queridas de todos os tempos, a partir dos 40 capítulos de Dias Gomes (e que não foram ao ar em 1975 por imposição da censura), e foi co-autor da novela-sensação Vale Tudo, ao lado de Gilberto Braga em 1988. Antes, em 1983, já chamara a atenção do público usando sua experiência como repórter de polícia para criar a minissérie Bandidos da Falange, ousada até para os padrões atuais ao contar a história da formação da facção criminosa Falange Vermelha. Mas caiu mesmo no gosto popular com tramas de regionalismo fantástico, como Tieta (1989), Pedra sobre Pedra (1992) e A Indomada (1997). Em 2004, o autor se desprendeu da fórmula que o consagrou e reinventou seu estilo no sucesso Senhora do Destino.

Agora, vive um terceiro ciclo como novelista, com a empolgante história do comendador arretado José Alfredo de Medeiros em Império, retirante sem eira nem beira que se torna o “imperador dos diamantes”. Sobre o personagem e suas manias, como se vestir sempre de preto e arrumar meticulosamente a própria cama, o autor escreveu recentemente em seu site, no melhor estilo Flaubert: “Sim, o comendador José Alfredo Medeiros sou eu… Mas, como todo bom personagem, é multifacetado, e é também vários outros. E são estes os que eu não revelo. É claro que já conheci várias criaturas reais parecidas com ele.”

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31/10/2014

às 17:27 \ Folhetinescas

Medo, delírio e riffs de guitarra

Edu (Bruno Gagliasso) e sua namorada iludida e surtada, Ray (Débora Falabella): nas cenas mais intensas, assassino passa de perturbado a assustador com a ajuda da marcação da trilha de Andreas Kisser (Divulgação)

Edu (Bruno Gagliasso) e sua namorada iludida e surtada, Ray (Débora Falabella): nas cenas mais intensas, assassino passa de perturbado a assustador com a ajuda da marcação da trilha de Andreas Kisser (Divulgação)

Em pelo menos 40 anos de parceria, o rock e o horror se juntaram em trilhas sonoras das mais marcantes, absolutamente necessárias na construção do clima soturno e de suspense que costumam rondar roteiros como o de Dupla Identidade (Globo, sextas, 23h).

A série de Glória Perez tem boa parte de suas ideias tiradas do cancioneiro do serial killer ficcional – em especial da irlandesa The Fall, da BBC –, o que poderia pôr tudo a perder. Mas a direção rica em detalhes de Mauro Mendonça Filho (em parceria com René Sampaio) e a atuação do protagonista Bruno Gagliasso têm salvado o programa, hoje no sexto episódio. Na lista de caprichos especiais, é destaque a trilha sonora composta pelo guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser. A pedido do diretor, como nos velhos tempos das novelas e minisséries, ele compôs dez músicas deliciosamente soturnas, perfeitas para conduzir um psicopata pelo Rio de Janeiro caótico do arrivista Eduardo – nos momentos mais sublimes de Gagliasso, o personagem vai de louco a assustador graças à marcação da trilha. Ouça a perturbadora Devil in Disguise aqui.

Abaixo, outras sete uniões felizes entre rock e horror:

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23/10/2014

às 14:08 \ Folhetinescas

Motivos para amar e (tentar) odiar o Comendador de ‘Império’

José Alfredo (Alexandre Nero) vê a novela do topo: comendador quebrou a rotina dos homens fracos das 9, como o Tufão (Murilo Benício) de 'Avenida Brasil', o Téo (Rodrigo Lombardi) de 'Salve Jorge' e o César (Antonio Fagundes) de 'Amor à Vida' (Divulgação)

José Alfredo (Alexandre Nero) vê a novela do topo: personagem quebrou a rotina dos homens fracos das 9, como o passivo Tufão (Murilo Benício) de ‘Avenida Brasil’, o certinho Téo (Rodrigo Lombardi) de ‘Salve Jorge’ e o surtado e manipulável César (Antonio Fagundes) de ‘Amor à Vida’ (Divulgação)

No verdadeiro “casamento vermelho” à moda de Game of Thrones (HBO) que tornou o não-enlace de Enrico (Joaquim Lopes) e Maria Clara (Andrea Horta) em Império (Globo, 21h10), sobram elogios para os protagonistas do episódio que domina a semana com recorde de audiência. Mas quase todos os suspiros nas redes sociais durante a exibição da novela de Aguinaldo Silva vão para o Comendador José Alfredo, sempre soberano, carismático e imperfeito nos mais diferentes furdunços que costumam tomar conta da trama.

Não há dúvida de que é o melhor personagem de Alexandre Nero e de que caminha para ser o rei entre os tipos masculinos criados por Aguinaldo que, note-se, é autor de homens arretados – lembremos do Osnar (José Mayer) de Tieta (1989), do Raimundo Flamel (Edson Celulari) de Fera Ferida (1993), do Marconi Ferraço (Dalton Vigh) e do Juvenal Antena (Antonio Fagundes) de Duas Caras (2007). Em comum, são personagens de uma humanidade que parece ser comandada pela virilidade, daí os erros e os acertos que refletem na história a ser contada. Um sujeito assim não pode ser perfeito, claro. Por isso, chama a atenção a habilidade do autor e do ator em transformarem os “defeitos” do comendador em idiossincrasias adoráveis. Abaixo, 5 motivos para amar José Alfredo e 5, para “odiar” – os 10 itens ajudam a explicar o sucesso do personagem:

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10/10/2014

às 17:10 \ Folhetinescas

7 olhares matadores de assassinos em série

Bruno Gagliasso em cena como o Edu, de 'Dupla Identidade': debochado, ele é do tipo que escolhe o batom para a vítima (Divulgação)

Bruno Gagliasso em cena como o Edu, de ‘Dupla Identidade’: debochado, ele é do tipo que escolhe o batom para a vítima (Divulgação)

Há, basicamente e tomando por determinado ponto de vista, dois tipos de assassinos seriais na ficção: os muito assustadores, como o Hannibal Lecter de Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (2001), e os sedutores que tentam se fazer de irresistíveis, como o Edu de Bruno Gagliasso em Dupla Identidade.

Nas entrevistas que precederam a estreia do seriado da Globo (sextas, 23h30), a autora Glória Perez explicou que seu texto procurava não vitimizar o serial killer, dando espaço para que se sentisse pena dele por causa de, por exemplo, um passado difícil ou quem sabe uma orfandade. “Ele é o mal em estado puro”, disse ela. Edu não é nada confiável, já deu para entender. Mas como estamos falando de entretenimento, se é para ver o mal de tão perto que seja nos olhos azuis de Gagliasso.

Bem no papel, se não tem a piedade do telespectador, poderá com certeza contar com sua torcida – até porque do outro lado está a “ulta profissional treinada no FBI” de Luana Piovani, Vera. E se chega a ser impossível se assustar com Gagliasso – ainda mais quando o vemos chorando no palco do Domingão do Faustão, como no último domingo –, resta então incluí-lo na lista dos psicopatas sanguinários mais charmosos de todos os tempos. Aqui, um dado precioso para a investigação da doutora Vera: todo serial killer da ficção capricha nos olhares enviesados para a câmera:

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07/10/2014

às 13:18 \ Folhetinescas

As lolitas inesquecíveis da ficção

Entre ninfeta, amante perfeita e prisioneira, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) ajudou a compor a figura do "comendador" José Alfredo (Alexandre nero). Agora, ela vai surpreender ao evoluir como mulher (Divulgação)

Entre ninfeta, amante perfeita e prisioneira, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) ajudou a compor a figura do “comendador” José Alfredo (Alexandre nero). Agora, ela vai surpreender ao evoluir como mulher (Divulgação)

Criticada no começo por ser um incentivo a isso e àquilo, a romântica Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) já não desfila mais de lingerie pela garçoniere de Jose Alfredo (Alexandre Nero) em Império (Globo, 21h15).

Na estrutura monárquica da trama de Aguinaldo Silva – na qual a joalheria Império seria um reino comandado pelo “comendador”, em meio a conspiradores, vassalos, bobos da corte e criados fofoqueiros –, a personagem primeiro ajudou a compor a figura do homem forte e tirano que sente no direito de prender uma jovem inexperiente numa torre, para estar com ela quando bem entender. É a própria cortesã predileta, que irrita a rainha má, Maria Marta (Lilia Cabral), numa onda meio medieval. Mas já faz uns dias que a moça iniciou uma mudança e, desde o capítulo de ontem (segunda, 6), está oficialmente num triângulo amoroso com João Lucas (Daniel Rocha), filho do seu “protetor”. Agora, começa uma disputa pela bela lolita ruiva. Dizem que ela até vai começar a trabalhar, o que será um bom cala-boca aos que andaram criticando o autor por incentivo à pedofilia.

Atriz e personagem são adultas e Maria Isis está ali por livre e espontânea vontade, como teúda e manteúda sinceramente apaixonada. Mas a citação à Dolores de Nabokov, a garota de 13 anos que se envolve com um cinquentão no clássico Lolita (1955) é óbvia – ainda que ninfeta de novela tenha de ser maior de idade. E, afinal, como o livro ensina, uma lolita não é feita apenas de camisolinhas e unhas do pé mal-pintadas de vermelho. A personagem se forma e acontece por meio do seu Humbert Humbert. Por isso, Isis dá um tempero ficcional interessante ao comendador. O que ele fará quando perceber que sua boneca começou a pensar? Talvez enlouqueça, como boa parte dos “tios” das novelas que sabem bem o que é conviver com esse tipo sedutor de personagem. Veja outras seis, das mais marcantes:

anita-conchitaAnita

Lolita, Anita. Manoel Carlos adaptou com grande sucesso em 2001 o livro Presença de Anita, de Mário Donato, numa minissérie homônima. Mel Lisboa viveu a jovem que enlouquecia Nando (José Mayer) um quarentão em busca de tranquilidade numa cidadezinha do interior de São Paulo.

 

 

 

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Em 1999, numa bela e soturna produção da Casa de Cinema de Porto Alegre de Jorge Furtado para a Globo, Ana Paula Tabalipa viveu uma garota que virava a vida de Ramiro (Paulo Betti), amigo de seus pais, pelo avesso na minissérie Luna Caliente.

 

 

 

 

irisIris

Um ano antes da marcante Presença de Anita, José Mayer deu vida a outro atormentado por uma bela jovem demais: Pedro, grosseirão charmoso por quem a ninfeta caipira Íris (Deborah Secco) era obcecada em Laços de Família, também de Manoel Carlos.

 

 

 

 

 

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25/09/2014

às 15:23 \ Folhetinescas

Na reta final, ‘Geração Brasil’ tenta ser ‘A Favorita’

Jonas Marra (Murilo Benício) tem momento serio-sincero com Herval (Ricardo Tozzi) no capítulo desta quinta (25): tomara que a cena termine com os dois cantando "Beijinho Doce" (Divulgação)

Jonas Marra (Murilo Benício) tem momento sério-sincero com Herval (Ricardo Tozzi) no capítulo desta quinta (25): tomara que a cena termine com os dois cantando “Beijinho Doce” (Divulgação)

Não há dúvida de que Jonas Marra é um personagem incrível e valioso para qualquer autor. O fato de o personagem ser interpretado por Murilo Benício só engrandece aquela figura ambiguamente charmosa que estrela a novela das 7 da Globo, Geração Brasil. Mas, da mesma forma, não se pode negar que é um pouco incômoda a tentativa de atrelar – para não dizer clonar – sua história da trajetória de vida à de Steve Jobs, Mark Zuckerberg e até Lex Luthor.

Quem acompanha o QUANTO DRAMA! sabe que eu adoro uma referência, quando o autor pinça algo de um seriado, filme icônico ou uma novela –  mesmo que seja uma novela sua, como Aguinaldo Silva e Silvio de Abreu costumam fazer tão bem.

Mas, depois de 120 capítulos, Geração Brasil passou do limite das referências bacaninhas. E a coisa anda feia – o que é uma pena para autores como Filipe Miguez e Isabel de Oliveira, que se mostraram tão talentosos quando escreveram Cheias de Charme em 2012.

A novela vive um momento A Favorita, sucesso de João Emanuel Carneiro de 2008, famosa por confundir o público com mistério em torno de quem era a mocinha e de quem a vilã – como se sabe, era a Flora (Patrícia Pillar). Na mesma forma, Jonas Marra passou o tempo todo meio “beijinho doce”, fazendo-se de mocinho que, ora bolas, precisava pisar em alguns desavisados para sobreviver no mundo competitivo do Vale do Sicílio. Herval (Ricardo Tozzi) foi retratado como o recalcado que não aceitava o sucesso do “Marra Man” – por um motivo misterioso.

Desde a semana passada, a coisa começou a se desenrolar. Jonas é a Flora – não só roubou a ideia do ex-amigo e a poupança da mãe, mas também seduziu uma jornalista um tanto ingênua para estar nesta profissão. Herval é um justiceiro, uma espécie de Donatella que vem minando a vida daquele que o passou para trás. Jonas descobrirá no capítulo desta quinta (25) que Herval é que aquele ex-amigo de 20 anos atrás. Mas não é a primeira vez que os dois personagens da novela se encontram. E, pergunta-se o noveleiro um tanto de má-vontade: como Jonas não reconheceu Herval?

A resposta só pode ter vindo de O Amor é Cego (Shallow Hall, 2001), talvez mais uma das tantas referências pop da novela: há 20 anos, Herval era gordo. Por isso, agora no estilo “gato levemente de esquerda” se tornou irreconhecível. Ah, agora deu para entender.

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20/09/2014

às 10:47 \ Folhetinescas

Bruno Gagliasso vai ao topo em ‘Dupla Identidade’

No papel do serial killer ambicioso Eduardo, Bruno Gagliasso se alterna entre o charme e a perversidade, e acerta ao estabelecer uma rara cumplicidade com o público (Reprodução)

No papel do serial killer ambicioso Eduardo, Bruno Gagliasso se alterna entre o charme e a perversidade, e acerta ao estabelecer uma rara cumplicidade com o público (Reprodução)

O serial killer costuma ser o tipo de personagem dos sonhos de qualquer autor: rico em composição, imprevisível e, com sorte, sedutor o suficiente para assustar e conquistar a plateia ao mesmo tempo. Não é uma figura frequente na nossa teledramaturgia, muito menos no cinema, uma vez que sempre foi associado às histórias policiais americanas – mas jamais vamos esquecer o Donato que Miguel Falabella interpretou em Noivas de Copacabana, minissérie que o grande Dias Gomes escreveu em 1992.

Com seu Eduardo Borges que apareceu pela primeira vez na noite desta sexta (19) em Dupla Identidade (Globo, sextas, 23h30), Gagliasso, ator dos mais dedicados de sua geração, conseguiu inscrever na TV brasileira o tipo que mata por matar a granel. Muito bem na estreia, o ator fez dos seus encantadores olhos azuis dois espelhos embaçados pela maldade. Esteve ótimo nas cenas e se é verdade que ele teve de lutar pelo papel, como andou contando as entrevistas que precederam a estreia, fez valer a escolha da autora Glória Perez e dos diretores Mauro Mendonça Filho e René Sampaio.

Com boa parte dos cacoetes mais batidos dos autores policiais americanos, cujos criadores exploram as mentes perturbadas desde antes de Conan Doyle e Agatha Christie, Dupla Identidade fez um belo primeiro episódio. Câmera viva na medida – nada daquele balanço vertiginoso e sem sentido andou sendo usado por aí –, fotografia perfeita para mostrar um Rio de Janeiro além do “purgatório da beleza e do caos”, trilha sonora vigorosa de Andreas Kisser, do Sepultura, e uma abertura matadora, ainda que com “leve”inspiração em Homeland e American Horror Story.

Em meio à onda de assassinatos, Dias (Marcello Novaes) espera ansiosamente a indicação para secretário de segurança, o que dá um tempero especial ao seriado, Já a Vera de Luana Piovani precisa de algum remédio anti-mononia, para poder burlar o tipo "fria e sexy" que é clichê na literatura policial (Divulgação)

Em meio à onda de assassinatos, Dias (Marcello Novaes) espera ansiosamente a indicação para secretário de segurança, o que dá um tempero especial ao seriado. Já a “caçadora de mentes” Vera de Luana Piovani precisa de algum veneno antimonotonia, para burlar o tipo “fria, sexy e determinada”, que é clichê na literatura policial (Divulgação)

Mas se o primeiro dos 13 episódios previstos deixou algum porém no ar, pode-se dizer que é a personagem Vera, de Luana Piovani. A “caçadora de mentes” que, em geral, mede forças com sua “caça” nunca está numa posição confortável perante o espectador. Vira e mexe é enganada, persegue pistas falsas e, não raro, tenta passar a imagem de concentrada, do tipo “missão dada é missão cumprida”. Há várias policiais como Vera nos CSI da vida.

Acontece que Vera, por enquanto, é fria demais, certinha além da conta. Mesmo com a beleza exuberante de Luana Piovani, não tem charme. E, pior, é ela que narra a série, a partir dos valiosos conhecimentos que obteve num tal estágio no FBI americano.

Não é à toa que, em meio aos tantos elogios que a série recebeu no Twitter durante a exibição, o nome de Luana tenha sido enxovalhado – muito mais do que a atriz merecia. O público tem uma implicância excessiva com ela. De  minha parte, confesso que prefiro vê-la em comédias, mas jamais se pode criticar um ator por arriscar algo novo, fora do que se espera dele.

E, sejamos justos, mais exposta do que o próprio protagonista Bruno, Luana segurou com afinco a sua Vera. Ela consegue imprimir em cena a sensualidade quase fria da investigadora clássica das histórias policiais. É dura porque é determinada, treinada pelos bambambãs do combate ao crime. Mas talvez falte à personagem – ou ainda virá a aparecer – alguma loucura particular a lhe temperar a personalidade, como uma Carrie Mathison (Claire Danes) de Homeland ou até mesmo uma Clarice Starling  (Josie Foster) de Hannibal. Esperemos.

De um modo geral, a série tem bons personagens, e seria impossível conhecer todos num primeiro episódio. Por falar em arriscar. Marisa Orth ainda deve arrasar como Sylvia Veiga, uma típica ex-mulher-raivosa-de-político-mulherengo, papel moldado por um humor fino misturado com tensão.

A Ray de Débora Falabella é um bom complemento para Bruno, e uma ótima sacada da autora. É uma jovem adulta à beira dos 30 anos, com uma filha pequena e um jeitinho alternativo e um pouco infantil, absolutamente perdida no campo afetivo. Doida para encontrar alguém, conhece um bonitão na praia e se entrega, sem saber que ele é um psicopata. O material de divulgação da série chega a dizer que ela é uma boderline, vocabulário que, na ficção, pode servir para uma criatura carente de algum carinho.

Outro acerto do seriado é o pano de fundo político. Glória Perez provoca com a ideia de que Brasília é um campo agradável para os psicopatas e o próprio Eduardo diz que será presidente da República um dia. Há ainda uma disputa pelo cargo de secretario de segurança, que Dias (Marcello Novaes) almeja, jogo que acaba se misturando com a série de assassinatos. É um recurso já muitas vezes usado nos roteiros americanos, mas não costuma cair mal.

Carente de tudo, Ray (Débora Falabella) conhece um bonitão atencioso e divertido na praia – nem passa pela cabeça dela que quando a esmola é muita o santo desconfia (Divulgação)

Carente de tudo, Ray (Débora Falabella) conhece um bonitão atencioso e divertido na praia – nem passa pela cabeça dela que quando a esmola é muita o santo desconfia (Divulgação)

Como se, dizem, não há crime perfeito na vida real, também não há história policial que consiga explicar o modus operandi de um assassino com verossimilhança a toda prova – em Dupla Identidade não é diferente. A autora optou, por exemplo, em mostrar o mínimo possível de sangue. Assim, o telespectador não consegue entender como Eduardo arrasta suas vítimas e o que faz, de fato, na “sessão de tortura” citada pela polícia. Da mesma forma, não se sabe qual a motivação do serial killer para cometer os assassinatos e o que une as vítimas – moças jovens e bonitas, por enquanto –, o que só faz enfraquecer o personagem. É que a “maldade em estado puro”, como diz Gagliasso, existe na vida real. Mas na ficção, certas justificativas são essenciais para garantir um bom programa.

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Leia também: Maldade ‘made in brazil’ conduz ‘Dupla Identidade’

 

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