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22/04/2014

às 11:37 \ Folhetinescas

‘Em Família’ abre temporada de barracos

No capítulo desta terça (22), André (Bruno Gissoni) não aguenta mais assistir ao revirar de olhinhos de Luiza (Bruna Marquezine) para Laerte (Gabriel Braga Nunes) e os dois rompem o namoro (Divulgação)

No capítulo desta terça (22), André (Bruno Gissoni) não aguenta mais assistir ao revirar de olhinhos de Luiza (Bruna Marquezine) para Laerte (Gabriel Braga Nunes) e os dois rompem o namoro (Divulgação)

Quando a Helena de Vera Fischer percebeu o interesse de Camila (Carolina Dieckmann) pelo seu belo e jovem namorado, Edu (Reynaldo Gianecchini) em Laços de Família (2000), a solução foi surpreendentemente suave – quase sem sofrimento, a mãe abriu mão do homem pela felicidade da filha. Desta vez, pelo bem da audiência de Em Família (Globo, 21h15) que anda aquém das expectativas e também porque o contexto agora é muito mais emaranhado de sentimentos, o autor Manoel Carlos fará a Helena de Júlia Lemmertz chorar alguns baldes de lágrimas, quando Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) se assumirem namorados.

O romance abrirá uma série de barracos, atípicos na obra de Maneco, que começa nesta terça (22) com o rompimento de Luiza e André (Bruno Gissoni), por causa do interesse dela por Laerte. Mas nada será comparável às explosões entre mãe e filha, que vão ao ar já nos próximos capítulos. Antes que alguém se prontifique a criticar o autor por adotar tal recurso, vale considerar que as últimas tramas das nove têm conseguido recordes de audiência quase exclusivamente em capítulos de brigas ruidosas. Portanto, a previsão é que todos os personagens comecem a se desentender .

No horizonte da Helena (Júlia Lemmertz) de 'Em Família', baldes de lágrimas: ela vai romper com a filha por causa de Laerte (Gabriel Braga Nunes) (Reprodução)

No horizonte da Helena (Júlia Lemmertz) de ‘Em Família’, baldes de lágrimas: ela vai romper com a filha por causa de Laerte (Gabriel Braga Nunes) (Reprodução)

No caso da até agora classuda Em Família, entretanto, o romance que vai semear a discórdia a despertar a audiência deve ter mais um efeito colateral. Se é verdade que os noveleiros esperam um “romance para torcer”, não será o namoro de Luiza e Laerte que salvará a novela do naufrágio.

Longe de parecer amor, a atração dos dois soa mais como algo motivado pela sensação de proibido. Maneco evita – com muita sabedoria, aliás – os maniqueísmos típicos do gênero, mas o fato é que, ao se deixar seduzir pelo ex-namorado da mãe que enterrou seu pai vivo e provocou a morte de seu avô, a moça beira a vilania. Dissimulada, mente para a família e soa como uma patricinha mimada quando avisa que vai se mudar para ter seu espaço – num apartamento bancado… pelos pais. É uma típica “filha de Helena”, egoísta e nada amiga da mãe, como foram a Joyce (Carla Marins) de História de Amor (1995) e a própria Camila de Laços de Família – ou seja, um tipo nada popular.

Já Laerte, que deveria personificar a figura do flautista encantador dos contos de fada, só tem a seu favor a bela estampa de Gabriel Braga Nunes. Fora isso, é tão mimado quanto Luiza, desleal com a mulher, Verônica (Helena Ranaldi), arrogante e com uma queda especial por obsessões – sem falar que só veste azul, o que só pode ter a ver com algum transtorno compulsivo. Juntemos esses ingredientes ao seu passado, e o resultado definitivamente não será o “herói para amar”. A não ser que você tenha 18 anos – ou que, ora, seja personagem de novela.

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Nerds vão à forra em ‘Geração Brasil’

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15/04/2014

às 18:47 \ Folhetinescas

Nerds vão à forra em ‘Geração Brasil’

A primeira virtude que salta de Geração Brasil, novela das sete que estreia no dia 5 no lugar de Além do Horizonte na Globo, é que desta vez a busca pelo sucesso não tem a ver com se tornar uma estrela da música, do rebolado ou de algum reality show, mas com o esforço intelectual. Pela primeira vez em novelas, os nerds não são personificados em figuras com óculos de aros grossos e pouco traquejo social, mas na charmosa e batalhadora Manuela Yanes (Chandelly Braz), engenheira da computação recém-formada e hacker autodidata, que sonha fazer a vida no Vale do Silício, a meca da tecnologia da Califórnia.

A “geração Brasil” de que fala o título da novela, apresentada na manhã desta terça (15) à imprensa no Projac, no Rio, é aquela cresceu absorvendo as inovações desenvolvidas por figuras emblemáticas como Bill Gates e Steve Jobs, este último óbvia inspiração de Murilo Benício na criação do protagonista Jonas Marra. “É a geração sem manual, que absorve rapidamente a tecnologia e está usando essas inovações para mudar o mundo – o que pode ser feito de São Francisco, do Rio, de Recife ou de qualquer lugar onde se consiga uma conexão com internet”, explicou Filipe Miguez, que escreve a novela com Izabel de Oliveira.  “A ideia surgiu da constatação de que tudo de importante e interessante que se discute hoje em dia envolve a tecnologia. A partir disso, fomos pesquisar e descobrimos personagens maravilhosos e totalmente novos em novelas.”

A dupla de autores volta à TV pouco tempo depois de Cheias de Charme, consagrada em 2012 como um bem-sucedido caso de transmídia capaz de atrair a atenção dos jovens, público que vem fugindo das novelas ano após ano.  “Cheias de Charme foi o começo de um caminho, que vamos desenvolver melhor agora. Teremos muitas novidades em transmídia, muita coisa especial para segunda tela e novidades de interação com o público”, prometeu Miguez, ciente de que é grande a expectativa em torno da novela, ainda mais depois do fracasso de Além do Horizonte, proposta de ficção científica que não vingou.

Além dos autores e da direção de Denise Saraceni, a nova novela traz boa parte do elenco da trama das Empreguetes. Isabelle Drummond, que antes foi a simplória sonhadora Cida, agora é a vaporosa Megan Marra, uma espécie de Paris Hilton – bem mais bonita, note-se. A patricinha é filha de Jonas e Pamela Parker, estrela de cinema americana interpretada por Cláudia Abreu, que antes foi a histriônica Chayene. Ricardo Tozzi, ídolo brega Fabian, agora é o nerd-galanteador Herval, amante de Pamela – ao que parece, ele mantém o olhar enviesado da novela anterior. Taís Araújo, antes a doméstica batalhadora Penha, agora é a jornalista batalhadora Verônica Monteiro, que entra para a cobertura de tecnologia sem querer, apesar de mal conhecer o sistema Windows. Há ainda a divertida Titina Medeiros que, após ser revelada na TV como a picareta Socorro, está de volta como Marisa, e Luís Henrique Nogueira, que foi Laércio, o capacho de Chayene em Cheias de Charme, e reaparece como Sílvio, filho-capacho de Gláucia Beatriz, a vilã vivida por Renata Sorrah.

A repetição dos atores, entretanto, não parece comprometer o enredo. Desta vez, o centro da ação é o empresário bilionário Jonas Marra, que ficou mundialmente conhecido aos 18 anos, quando revolucionou o mercado ao vender o projeto de um computador popular para os tecnocratas da Califórnia. Com isso, tornou-se ídolo dos jovens nerds que procuram aquele “pulo do gato” que pode mudar radicalmente uma trajetória. Quando a novela começa, ele anuncia que voltará ao Brasil, após 20 anos, em busca de um sucessor para o posto de “mente criativa” da Marra, empresa que tem uma identidade semelhante à da Apple. Numa cena do clipe de divulgação, Jonas aparece apresentando o “Marras Phone” com uma mise-en-scène à la Steve Jobs.

Geração Brasil tem, portanto, um apelo bem moderno. Mas, como toda novela, tentará agradar a todos. Por isso, entre toda a exaltação do mundo admirável mundo novo que se ouviu nesta manhã, a experiente Denise Saraceni fez questão de citar as velhas bases do folhetim: “A maior novidade é o pano de fundo, mas é uma história também para quem não entende nada de tecnologia, uma trama de relações humanas, cheia de paixão e amor.”

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14/04/2014

às 19:26 \ Folhetinescas

Depois daquele beijo

Teimosa, Luiza (Bruna Marquezine) beija Laerte (Gabriel Braga Nunes) no capítulo desta segunda (14) de 'Em Família'

Teimosa, Luiza (Bruna Marquezine) beija Laerte (Gabriel Braga Nunes) no capítulo desta segunda (14) de ‘Em Família’

A Globo age para reverter o quadro insatisfatório de audiência do seu principal programa, a novela das nove Em Família, que no último sábado marcou minguados 22 pontos. No capítulo desta segunda (14), um beijo quente entre Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) deve inaugurar uma nova fase na trama de Manoel Carlos, trazendo algo de sensual e também muito conflito.

Tio de Luiza em segundo grau, ele é, como se sabe, ex-quase-marido da mãe dela, Helena (Júlia Lemmertz). Ao engatar o romance com o músico, a estudante vai afrontar a família, já que Laerte – vamos lembrar – tentou enterrar o pai dela vivo. Mas antes do beijo, o autor ainda deixará claro que não há possibilidade – como esteve até agora no ar – de Luiza ser filha de Laerte. Em cena de flashback, Helena recordará o dia fatídico em que sofreu um aborto espontâneo do filho que carregava na época em que toda a tragédia se abateu sobre a família Fernandes.

Para tentar criar expectativa, além de levar Bruna e Júlia ao Encontro com Fátima Bernardes nesta amanhã para falar sobre a “aguardada cena”, a emissora preparou uma chamada especial sobre o capítulo. Luiza aparece em clima de confissão, falando diretamente para câmera sobre a “grande atração” que sente por Laerte. “Eu gosto de estar com ele”, diz. A questão é se o público será capaz de torcer pelo casal, já que os dois não parecem apaixonados, mas sim atraídos justamente pelo clima proibido que a relação carrega.

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‘G3R4ÇÃO’ o quê?

14/04/2014

às 11:46 \ Folhetinescas

‘G3R4ÇÃO’ o quê?

Em 'Geração Brasil' – ou 'G3R4ÇÃO BR4S1L' – Lázaro Ramos é Brian e Murilo Benício, o gênio da informática Jonas Marra (Divulgação)

Em ‘Geração Brasil’ – ou ‘G3R4ÇÃO BR4S1L’ – Lázaro Ramos é Brian e Murilo Benício, o gênio da informática Jonas (Divulgação)

Na tentativa de repetir o sucesso de Cheias de Charme e, oportunamente, reverter o desastre causado por Além do Horizonte na faixa das sete, a Globo volta a apostar numa trama com um pé na cybercultura – a começar pelo título. Geração Brasil, novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, os pais das empreguetes que fizeram sucesso na TV e na internet em 2012, vem sendo divulgada pela Globo com a intrigante grafia “G3R4ÇÃO BR4S1L”.

A jogada com números e letras é inspirada no alfabeto Leet – ou L33t –, uma linguagem codificada dos hackers que surgiu nos anos 80, ainda no sistema BBS, e que se popularizou na comunicação online. A intenção dos autores é, claro, aproximar o público dos aspectos tecnológicos da trama, e ainda reforçar “a geração de jovens brasileiros que pode mudar o mundo com o apoio das tecnologias, sem esquecer que o verdadeiro chip da vida são os amores e as paixões”.

A novela vai contar a história de Jonas Marra (Murilo Benício), um gênio brasileiro da informática que fez fortuna nos Estados Unidos e, ao regressar ao Brasil, será alvo de jovens talentos que buscam um lugar ao sol – de preferência no Vale do Silício. A estreia é prevista para o início de maio.

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09/04/2014

às 10:22 \ Folhetinescas

‘Meu Pedacinho de Chão’ dá vez às crianças na Globo

Santa Fé é vista pelo olhar das crianças, Serelepe (Tomás Sampaio) e Pituca (Geytsa Garcia) (Divulgação)

Santa Fé é vista pelo olhar das crianças, Serelepe (Tomás Sampaio) e Pituca (Geytsa Garcia) (Divulgação)

A criança que é exposta à TV aberta andava meio abandonada nos últimos tempos, desde que a Globo desistiu de investir nessa fatia do público. Foi embora o Sítio do Pica-Pau Amarelo, pouco depois de ser transformado numa “novelinha”, a TV Globinho, que cedeu o espaço para Fátima Bernardes bancar a Oprah Winfrey brasileira, e já vão longe os tempos da Fada Bela que Angélica interpretada no seriado Caça Talentos. E lá foram os pequenos para o SBT, que aproveitou o espaço para requentar os mexicanos hipnóticos que fizeram sucesso na década anterior, como Carrossel e Chiquititas, refeitos com o que há mais pobre na teledramaturgia – e com espaço, claro, para todo tipo de ação comercial.

Criança não deve ver novela, não há como discordar. Mas isso não significa que a teledramaturgia não possa ser usada para entreter e dar formação cultural aos pequenos, como já fizeram o Sítio do Picapau Amarelo e os adoráveis programas da TV Cultura da década passada, como Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó. Muito mais perto destes do que das melodramáticas novelinhas do SBT, Meu Pedacinho de Chão, novela das seis que estreou nesta segunda na Globo, é televisão para crianças como há muito tempo não se via.

Madame Catarina (Juliana Paes): a novela trata com sutileza de "assuntos de adulto", como a atração que o enteado Ferdinando (Johnny Massaro) tem pela bela madrasta (Divulgação)

Madame Catarina (Juliana Paes): a novela trata com sutileza de “assuntos de adulto”, como a atração que o enteado Ferdinando (Johnny Massaro) tem pela bela madrasta (Divulgação)

A bem da verdade, a novela, uma releitura do diretor Luiz Fernando Carvalho para a obra de Benedito Ruy Barbosa  de 1971, não é um produto feito exclusivamente para crianças. Há alguns assuntos adultos ali, como o olhar de soslaio do enteado Ferdinando (Jhonny Massaro) para a madrastra Maria Catarina (Juliana Paes) e a macheza mal-resolvida da filha de Pedro Falcão (Rodrigo Lombardi), Gina (Paula Barbosa). Mas tudo é contado através do olhar de uma criança, o gracioso Serelepe (Tomás Sampaio). Daí, a Vila de Santa Fé parecer uma cidade de brinquedo, os animais se moverem como num carrossel, o trem surgir projetado na parede das casas como num teatro de sombras, o patrão sair da estação carregando o empregado num carrinho de mão.

É, portanto, uma novela para adultos e crianças, porque não se pode perder a chance de ver aquele esplendor de figurinos e cenários – não só bonitos, mas surpreendentes na sua composição – a originalidade dos planos de filmagem e a da edição de imagens – uma experiência cinematográfica nunca vista em novelas –, a sutileza da trilha sonora criada por Tim Rescala – que usa referências de Villa-Lobos a Nino Rota em O Poderoso Chefão – e a delicadeza das interpretações do elenco enxuto de 20 atores. É um prazer ver Osmar Prado (mais uma vez maravilhoso, como o Coronel Epa), Ricardo Blat (Prefeito das Antas) e Emiliano Queiroz (Padre Santo) juntos em cena, sem falar das divertidas atuações de Juliana Paes, muito bem na cena em que Maria Catarina bebeu além da conta, e Rodrigo Lombardi, tão diferente do chatíssimo Théo de Salve Jorge.

Os dois primeiros capítulos apresentaram sequências deslumbrantes, como aquela em que a professora Juliana (Bruna Linzmeyer) toma banho debaixo de uma luz azulada ou quando Ferdinando chega à estação de trem da vila e na festa em que Epa expulsa o filho de casa. Em Santa Fé, até o leite fervendo no fogão é de extrema beleza e os gatos de madeira que repousam sobre os telhados das casinhas de lata ganham expressão dramática através da câmera mágica do diretor. Luiz Fernando filma pela cidadezinha que mandou construir no Projac sem nenhum compromisso com a estética que costumamos ver em novelas e ainda em seus trabalhos anteriores, como seria de se esperar. Ele se reiventa a cada trabalho e, ainda que Meu Pedacinho de Chão tenha um parentesco óbvio com Hoje É Dia de Maria, minissérie que dirigiu em 2005, o que se vê agora é um mundo totalmente novo. E olhe que “totalmente novo” é o tipo de expressão que não se pode usar com frequência quando o assunto é televisão.

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03/04/2014

às 12:47 \ Folhetinescas

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Na nova novela das seis, o herói Zelão (Irandhir Santos) monta um cavalo de madeira animado graças a horas e horas de pós-produção (Divulgação)

Na nova novela das seis, o herói Zelão (Irandhir Santos) monta um cavalo de madeira animado graças a horas e horas de pós-produção (Divulgação)

Demorou um tanto, mas a telenovela entrará, enfim, na onda da fantasia forjada por efeitos especiais dignos de cinema, um dos filões mais rentáveis da televisão americana desde 2011, quando estrearam Game of Thrones (HBO) e Once Upon a Time (ABC). Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, numa releitura da obra que  Benedito Ruy Barbosa escreveu em 1971, Meu Pedacinho de Chão começa nesta segunda (7) na faixa das 18h da Globo com alta dose lúdica e a intenção de encantar crianças e adultos com seu “mundo algodão doce”.

Juliana (Bruna Linzmeyer): professorinha encantada vive num mundo de algodão doce que pretende encantar crianças e adultos (Divulgação)

Juliana (Bruna Linzmeyer): professorinha com jeito de boneca, ela vive num mundo de algodão doce que pretende encantar crianças e adultos (Divulgação)

Como em produções do gênero, seja no esquemão americano ou na nossa bem mais modesta indústria audiovisual, o esforço da equipe da novela é imenso. O curioso das obras de fantasia é que, apesar dos animais e criaturas fantásticas, o objetivo é tornar tudo o mais verossímil possível. Na criação da Vila de Santa Fé, por exemplo, ergueu-se no Projac uma cidade quase de verdade, com 28 edificações que permitem tomadas internas e que, portanto, praticamente dispensam as filmagens em estúdio.

Só há dois cenários fixos para a novela, algo impensável para as produções convencionais, cujas equipes se desdobram para montar e desmontar diariamente dezenas de ambientes. “A estrutura tradicional da novela oprime o processo criativo”, sentencia Luiz Fernando, que encomendou ao artista plástico Raimundo Rodriguez uma cidade cenográfica que pudesse ser filmada por todos os lados, e nos mínimos detalhes. Para se ter uma ideia do capricho, os jardins de Santa Fé têm mais de 120 mil flores de papel, coladas uma a uma, e as árvores, altíssimas, foram recobertas com enormes mantas de crochê.

Mas apesar do ambiente rural, Meu Pedacinho de Chão não terá animais de verdade. Se Game of Thrones tem dragões e lobos gigantes, a novela das seis será povoada por cavalos e vacas de madeira, como peças de um carrossel, além de um gracioso galo de telhado aparentemente de lata. Todos se mexem, claro, graças a horas e horas de pós-produção. “Não faço distinção entre minissérie, novela das seis ou das nove”, observa o diretor, afastado das novelas desde Esperança (2002) e, neste período, dedicado a projetos de menor duração, como Hoje É Dia de Maria (2005) e Alexandre e Outros Heróis (2013). “Mas, para mim e acho que também para a televisão, uma novela como essa é um refresco, um cruzamento de gêneros – tem drama, romance, comédia, tragédia e até faroeste.”

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31/03/2014

às 11:22 \ Folhetinescas

E até Helena se irritou com pesquisa do Ipea

Virgílio (Humberto Martins) ficou chocado com os dados do Ipea: Maneco levou para a ficção o assunto mais quente do dia (Reprodução)

Virgílio (Humberto Martins) ficou chocado com os dados do Ipea: Manoel Carlos levou para a ficção o assunto mais quente do dia (Reprodução)

No capítulo de sábado de Em Família (Globo, 21h15), Virgílio (Humberto Martins) desviou o caminho do banco e apareceu indignado na casa de leilões da mulher, Helena (Júlia Lemmertz). “Precisava vir aqui porque quero que você veja a notícia absurda que eu li”, disse logo, com um exemplar do Globo nas mãos um tanto trêmulas. Numa de suas marcas registradas, o autor Manoel Carlos precisou de apenas um dia para transformar em dramaturgia uma notícia que repercutira na vida real.

Arrastões na praia, balas perdidas no Leblon e até os preços altos da feira livre já foram incorporados as novelas de Maneco, o grande cronista entre os maiores escritores de telenovela do país.

Na cena de cerca de dois minutos de duração, Virgílio se mostrava incrédulo e irritado diante da polêmica pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (PEA), divulgada na última quinta (27) e segundo a qual, para 65% dos entrevistados, “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. “Pelo amor de Deus, isso é coisa da Idade da Pedra!”, espantou-se Helena, quando o marido leu a reportagem. “Quer dizer que o homem não consegue controlar o seu furor sexual quando vê uma perna de fora?”

O casal de personagens lembrou, ainda, que a irmã de Virgílio, Neidinha (Elina de Souza) foi vítima de estupro quando jovem. Na segunda fase da trama, ela foi atacada ao entrar numa falsa van de passageiros, como no caso real da turista americana estuprada no Rio em março do ano passado. Grávida após a violência, Neidinha decidiu ter o bebê e, agora, tenta driblar a insistência da filha, Alice (Érika Januza), que quer saber quem é seu pai. Levada ao ar em 10 de fevereiro e reduzida para não chocar (tanto), a cena do estupro, veja que coisa, foi duramente criticada nas redes sociais – muitos tuítes, a maioria de perfis femininos, classificaram como “desnecessário”. “Nós sabemos o trauma que algo assim ocasiona na família. Vergonhoso!”, encerrou Virgílio.

Oportuna e contundente, a cena de indignação dos personagens – diante, claro, das limitações de uma novela que afinal não é um fórum de debates – reduziu a pesquisa à manchete que mais repercutiu nas redes sociais e provocou o movimento “eu não mereço ser estuprada”. “A Luiza (Bruna Marquezine) já tinha lido a notícia na internet e me disse que há um grande movimento on line de mulheres dizendo que não merecem ser atacadas”, completou Virgílio.

Só faltou observar – e quem sabe não seria interessante se a novela o fizesse – que entre os 3.810 ouvidos no estudo pelo Ipea, 66,5% eram mulheres.

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26/03/2014

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Seja refletindo, chorando na chuva, tocando flauta ou tentando fazer as pazes com Verônica (Helena Ranaldi), Laerte (Gabriel Braga Nunes) está na mesma paleta de cores

Seja refletindo, chorando na chuva, tocando flauta ou tentando fazer as pazes com Verônica (Helena Ranaldi), Laerte (Gabriel Braga Nunes) está na mesma paleta de cores

Com a novela ainda no começo, muita água deve rolar debaixo da ponte do Laerte (Gabriel Braga Nunes) de Em Família (Globo, 21h15) daqui em diante. Há por vir uma mãe doente para cuidar, concertos para executar, ONG para erguer e, sobretudo, mulheres exaltadas para administrar. Mas, aconteça o que acontecer com o vaidoso, indócil e introspectivo mocinho, é grande a chance de que ele esteja vestindo uma camisa azul.

Como o “rei” Roberto Carlos, Laerte prefere o azul há pelo menos 30 anos, desde quando ainda era interpretado por Eike Duarte e Guiherme Leicam. Ele raramente veste outra cor, em geral, só em dias de meio-fraque ou, como costuma dizer, quando quer parecer imprevisível. Essa quase onipresença do azul tem a ver, obviamente, com a cor dos olhos de Gabriel Braga Nunes, mas não só com ela. Deve ser, também, um jeito de marcar a identidade do personagem em cena – como se as frases desconcertantes dele não fossem o suficiente.

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25/03/2014

às 18:40 \ Folhetinescas

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Virgílio (Humberto Martins) chora no túmulo da mãe, Maria (Cyria Coentro): mas ela não estava doente? (Reprodução)

Virgílio (Humberto Martins) chora no túmulo da mãe, Maria (Cyria Coentro): mas ela não estava doente? (Reprodução)

Interpretada por Cyria Coentro, Maria, a mãe do Virgílio de Em Família (Globo, 21h15), não deu as caras na terceira fase da novela. Com papel de bom destaque na primeira e segunda fases, a personagem fora citada no capítulo exibido em 12 de fevereiro como “muito doente”, quando não apareceu entre os convidados da festa de aniversário do filho. “Eu convidei, mas não teve jeito de tirá-la de lá de Goiânia”, justificou a nora Helena (Júlia Lemmertz). “Mamãe está muito doente, não sai de Goiânia”, lamentou Virgílio.

Maria (Cyria Coentro) (Divulgação)

Maria (Cyria Coentro) (Divulgação)

Nunca mais se falou em Maria. Mas eis que no capítulo da última quinta (20), como alerta Antonia, leitora do Quanto Drama!, Vírgílio visitou Goiânia, a propósito de montar sua exposição de esculturas. Foi, claro, visitar a mãe – no cemitério!

Teria Maria morrido sem merecer sequer uma cena de velório? Parece que sim, coitada.

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25/03/2014

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Fórmula do ‘TV Pirata’ inspira Adnet e Melhem em ‘Tá no Ar’

Marcelo Adnet e Marcius Melhem brincam de ‘o magro e o magro’: novo humorístico faz graça com as idiossincrasias da televisão (Divulgação)

Novos parceiros, Marcelo Adnet e Marcius Melhem brincam de ‘o magro e o magro’: novo humorístico faz graça com as idiossincrasias da televisão (Divulgação)

Como no caso dos técnicos de futebol de ocasião, há no Brasil milhares de “críticos de TV”, sempre prontos a emitir opiniões assertivas baseadas no mais puro achismo. É deles que a nova dupla Marcius Melhem e Marcelo Adnet esperam as mais entusiasmadas risadas durante o novo humorístico Tá no Ar: a TV na TV, que estreia na Globo em 10 de abril.

É o quinto projeto de Adnet desde a sua contratação pela emissora, no final de 2012, depois de ter saído da MTV com grande alarde. A ideia partiu de Melhem, que nos últimos anos conquistou grande público com uma parceria bem-sucedida com Leandro Hassum, algo como “o gordo e o magro brasileiros”. Pois agora, como “o magro e o magro”, os dois vão tentar reeditar uma das fórmulas mais manjadas da TV: a de fazer graça com a própria televisão.

A principal referência é o inesquecível TV Pirata, programa transgressor que o diretor Guel Arraes criou em 1988, famoso por personagens como o Barbosa (Ney Latorraca) e Tonhão (Claudia Raia) e por uma acidez até então inédita na TV brasileira. Mas o fato é o modelo que reúne esquetes que satirizam os  diversos formatos de programas, as manias, frescuras e absurdos que nos acostumamos a ver no ar pode remeter a todo tipo de sucesso anterior – do americano Saturday Night Live ao brasileiríssimo Os Trapalhões, passando ainda pelo recém-aposentado Casseta & Planeta e o atualmente exibido Zorra Total!.

Dirigido por Maurício Farias (de A Grande Família e Tapas & Beijos), o programa terá nada menos do que 28 esquetes por episódio. Estarão lá satirizadas atrações como reality show, telejornal, videoclipe, seriado policial, discurso eleitoral e comerciais (lembre-se dos comerciais das Organizações Tabajara no Casseta & Planeta e dos anúncios absurdos do Saturday Night Live). Como o TV Pirata, Tá no Ar terá quadros fixos, entre eles o Sexy Indecisa, que abordará as questões que atormentam a mulher moderna e Dr. Sus, sobre o cotidiano de um médico brasileiro, numa paródia aos seriados hospitalares americanos. Ainda como faziam os cassetas, Melhem e Adnet já escalaram nomes do elenco global para participações especiais – a apresentadora Fátima Bernardes é uma das primeiras.

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