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02/03/2015

às 11:54 \ Folhetinescas

Quem merece ser Fabrício Melgaço?

Maria Marta (Lilia Cabral) e Silviano (Othon Bastos): parceiros de vida e de golpes? (Divulgação)

Maria Marta (Lilia Cabral) e Silviano (Othon Bastos): parceiros de vida e de golpes? (Divulgação)

Depois de fazer um cancioneiro com alguns ícones de sua carreira, como a “morte escada abaixo” que sempre evoca a Nazaré de Senhora do Destino, o Aguinaldo Silva vai encerrar Império (Globo, 21h15) na próxima semana de um jeito diferente. Em vez de um “quem matou?” ou “quem morreu?” ou “quem vai ficar com quem?”, a pergunta no ar é “quem é Fabrício Melgaço?”, o inimigo oculto número um do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero). Do ex-mordomo e ex-marido da ex-mulher Silviano (Othon Bastos) à antes filha preferida Maria Clara (Andreia Horta), havia muitos suspeitos na semana passada.

Até que, na tarde da última sexta (27), o site oficial da novela alardeou ter desvendado o mistério: mal o autor entregara o texto que – aparentemente – revela ser José Pedro (Caio Blat) a pedra no sapato preto do comendador, lá estava toda a história publicada, no melhor estilo “fogo amigo”. As cenas estão previstas para o capítulo desta terça (3) e prometem – até a palavra “regicida” será proferida quando o Comendador encontrar o diamante cor-de-rosa no cofre do filho.

Ao QUANTO DRAMA!, o autor Aguinaldo Silva se disse “bege” com o spoiler. “Agora fico eu aqui, com cara de tacho… E tentando achar um jeito de reverter a situação nos dois últimos capítulos que ainda falta escrever, desativando José Pedro e achando um novo Fabrício Melgaço. Tarefa quase impossível, mas enfim…”, disse ele, que ainda escreve os dois últimos capítulos, a serem exibidos nos dias 12 e 13.

Como espectadora, embora entenda a busca dos colegas pelo furo de reportagem, digo que é uma pena. O José Pedro de Caio Blat seria o Fabrício Melgaço perfeito. Quem sabe ainda não venha a ser.

O noveleiro experiente sabe que, nesses casos, não é incomum que, na tentativa de manter o suspense ao máximo, os autores apareçam com as soluções menos prováveis e, justamente por isso, menos apoteóticas. Numa dessas, a batata quente pode parar nas mãos de algum personagem que não merece tal projeção – como se, de repente, o jornaleiro ali da pracinha revelasse ser o grande vilão da história.

Com Fabrício Melgaço não pode ser assim. O homem (ou mulher) precisa ser tinhoso, para ter esticado tanto a corda com o Comendador que reinou na TV nestes últimos meses. É um posto, portanto, de merecimento. E Caio e o seu José Pedro mais do que mereciam esse posto. Mas, alto lá. E se a dita cena divulgada for falsa? E se tudo não passar de uma cortina de fumaça criada pelo autor?

Por tudo isso, as apostas do blog são poucas, ainda na espera de um Melgaço osso duro de roer:

Maria Marta (Lilia Cabral)

A Madonna da novela vem apanhando de José Alfredo com uma dignidade monárquica, porém suspeita. Como aceitar ser trocada por Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) – lembremos a cena em que a pobre imperatriz quando viu a ruiva pela primeira vez – e, agora, ver o Comendador receber a amante dentro de sua própria casa? Amor? – não pode ser. E a humilhação do teste de DNA? “Ela é uma pilantra, mas a Lilia é tão boa, que todo mundo fica com pena da Marta!”, brincou Alexandre Nero em entrevista no Domingão do Faustão. Além da personagem em si, Lilia Cabral merece pôr cartas de sangue na mesa do  urubu-rei – que, vamos fazer as contas, já enterrou duas mulheres apaixonadas para o túmulo. Enterrará uma terceira? 

José Pedro (Caio Blat): primogênito maltratado pelo pai, ele era o Fabrício Melgaço perfeito – até o site da novela divulgar a informação e o autor decidir mudar de vilão (Divulgação)

José Pedro (Caio Blat): primogênito maltratado pelo pai, ele era o Fabrício Melgaço perfeito – até o site da novela divulgar a informação e o autor decidir mudar de vilão (Divulgação)

José Pedro (Caio Blat)

Seria épico e, portanto, condizente com a estrutura imperial da novela, se o maior inimigo de José Alfredo fosse o filho rejeitado, José Pedro. Nesta reta final, o primogênito – que, vá lá, não é bom caráter – foi bastante humilhado pelo pai e quase se revela que ele é filho do mordomo. Como no caso de Lilia, Caio Blat – sempre bom, de monge a crápula –, acumulou mérito durante a novela para uma sequência matadora de embate entre pai e filho. Mesmo após a divulgação da aparente resolução do mistério pelo site oficial de Império, podemos apostar que José Pedro ainda está no páreo.

Silviano (Othon Bastos)

A vida é um clichê e a telenovela, que imita a vida, não vive sem eles. Portanto, não seria absurdo se a culpa fosse – como sempre se repete na ficção policial – do mordomo. Ainda mais um mordomo como Silviano, que é ex-marido da ex-mulher do protagonista. Está certo que, não só por isso, mas pelo ódio que o serviçal vem demonstrando sentir do Comendador nos últimos tempos, seu nome é o mais óbvio de todos – mas não deixa de ser uma solução lógica e interessante. Sem falar que Othon Bastos, maravilhoso no papel, parece ter muita lenha para queimar até a sexta-feira 13 do último capítulo.  

Josué (Roberto Birindelli)

Depois de uma série de boas, porém discretas participações em novelas, o ótimo Roberto Birindelli teve destaque à altura em Império e fez de Josué um capanga na medida certa para o Comendador. Após duzentos capítulos de dedicação deveríamos confiar nele cegamente, mas será? O que sabemos de sua vida privada? Nada. Por isso, tudo pode acontecer. Além do mais, a traição do mais fiel serviçal é outra alternativa que combina com uma novela ambientada num reino de diamantes. 

Sebastião Ferreira (Reginaldo Faria): Fabrício Melgaço pode ter saído do mundo dos mortos para atazanar José Alfredo (Alexandre Nero) (Divulgação)

Sebastião Ferreira (Reginaldo Faria): Fabrício Melgaço pode ter saído do mundo dos mortos para atazanar José Alfredo (Alexandre Nero) (Divulgação)

Sebastinão Ferreira (Reginaldo Faria)

Em novela, todo mundo sabe, até os mortos se levantam das tumbas se for preciso. Por isso, Sebastião Ferreira, o benfeitor que deu a oportunidade de ouro para o jovem José Alfredo (Chay Suede) levando-o para Roraima, pode muito bem não ter morrido e ser Fabrício Melgaço – afinal, veio dele toda a fortuna do Comendador. Um detalhe reforça a tese: em sua participação, no início da novela, Reginaldo Faria teve cabelo e bigode escurecidos. Portanto, 30 anos depois, se vivo estivesse, ele teria a aparência do ator de 77 anos – que, aliás, andou desfilando pelo Projac na semana passada.

Obs.: A Maria Joaquina que Regina Duarte interpretou na primeira fase da novela não pode ser levada em conta porque, em 1987, já era uma senhora. E mais: Regina estreia na próxima segunda (9) como a Esther de ‘Sete Vidas’. 

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01/03/2015

às 10:51 \ Folhetinescas

Aquele Rio da novela

Sophie Charlotte e a equipe de 'Babilônia' gravam nas areias do Leme, um dos cenários principais da novela da 9 que estreia no dia 16 (Divulgação)

Sophie Charlotte e a equipe de ‘Babilônia’ gravam nas areias do Leme, um dos cenários principais da novela da 9 que estreia no dia 16 (Divulgação)

Em quatro anos no Rio de Janeiro, esta paulistana aqui recebe com certa frequência amigos animados em conhecer a maravilha de cidade, que nasceu há 450 anos com vocação para cenário – e que cenário. Foi digno de nota um casal que, depois de passar uns três dias aproveitando a Prainha e o Grumari, duas belezas com tons de Caribe que estão logo ali, a 50 quilômetros do centro, insistiram em passar pelo menos um dia “nas areias de Copacabana”. Até então um tanto fria, minha amiga estampou uma expressão memorável quando pôs os olhos e os pés na areia não tão imaculada quanto aquela das cercanias do Pontal. “Agora, sim!”, suspirou. “Este é o Rio que eu vejo nas novelas!”

O diretor-geral Dennis Carvalho ensaia com os atores Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinícius) na praia do Leme:   com o Rio como uma espécie de personagem, 'Babilônia' chega com a promessa de muitas cenas externas (Divulgação)

O diretor-geral Dennis Carvalho ensaia com os atores Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinícius) na praia do Leme: com o Rio como uma espécie de personagem, ‘Babilônia’ chega com a promessa de muitas cenas externas (Divulgação)

Hollywood brasileira, bossa nova, purgatório da beleza e do caos, Hell de Janeiro – seja qual for a visão da cidade que se imagine, pode procurar, ela já terá sido espelhada numa de nossas telenovelas. Houve, obviamente, Tom Jobim, Carmem Miranda, Walt Disney e todos os fotógrafos e cineastas que, encantados com a cidade, trataram de fazê-la uma das mais filmadas do mundo. Mas há de se dar crédito especial às milhares de cenas – contemplativas ou puramente folhetinescas – que ajudaram a consolidar o “jeito carioca de ser”, algo entre o andar elegante das moças de Ipanema e os passinhos dos dançarinos das favelas.

Depois das novelas da Tupi, dos tempos em que não se faziam externas, e de uma onda de tramas nordestinas de grande sucesso da Globo, o Rio se tornou cenário natural das tramas das 9 a partir dos anos 80, logo depois que Dancin’ Days (1978) ambientou a ferveção das discotecas da época na cidade. Ali, o Rio já mereceu grande destaque. Mas foi mesmo com Água Vida (1980), que esmiuçou o estilo carioca em rede nacional por meio de externas deslumbrantes, que a cidade se tornou o cenário preferido da ficção nacional – não por acaso, o Projac, maior conjunto de estúdios da América Latina, é aqui.

Em homenagem aos 450 anos da cidade que já ambientou tantas cenas inesquecíveis da nossa teledramaturgia, QUANTO DRAMA! lembra 7 novelas carioquíssimas:

Em cena emblemática de  'Água Vida', Stella Simpson (Tonia Carreiro) e  Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

Em cena emblemática de ‘Água Viva’, Stella Simpson (Tonia Carreiro) e Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

1. Água Viva (1980)

Escrita por Gilberto Braga com colaboração de Manoel Carlos, os dois autores da nossa teledramaturgia mais reconhecidamente apaixonados pelo Rio, a novela talvez seja a mais carioca de todos os tempos. Por meio da história de dois irmãos rivais – Nelson (Reginaldo Faria) e Miguel (Raul Cortez), que disputavam Lígia (Betty Faria) –, a trama usou o quanto pôde as paisagens, modas e personagens típicos da cidade. Um estilo que, de tanto agradar, é copiado até os dias de hoje. 

Marco Aurélio (Reginaldo Faria) e a "banana" histórica de 'Vale Tudo' (1988) (Reprodução)

Marco Aurélio (Reginaldo Faria) e a “banana” histórica de ‘Vale Tudo’ (1988) (Reprodução)

2. Vale Tudo (1988)

“Olha o sanduíche natural!”, gritava a batalhadora Raquel (Regina Duarte), heroína que refazia a vida com total dignidade como vendedora ambulante nas areias cariocas, após levar um golpe da filha inescrupulosa, Maria de Fátima (Glória Pires). De maneira brilhante, os autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères resumiram o país por meio do microcosmos do seu maior cartão postal – tanto que, ao dar uma “banana” para o Cristo Redentor no desfecho da trama, o empresário picareta Marco Aurélio (Reginaldo Faria) estava, simbolicamente, afrontando o próprio Brasil. 

3. Mulheres Apaixonadas (2003)

Manoel Carlos, não é segredo para o noveleiro com memória, é um grande cronista carioca disfarçado de novelista paulistano – nascido em São Paulo, ele é, como se sabe, o morador mais célebre do Leblon. Entre tantas novelas ambientadas no bairro onde vive – no melhor estilo Tolstói de falar sobre a própria aldeia –, vale o destaque para Mulheres Apaixonadas. Além de mostrar a beleza da cidade, o autor levou para a ficção as mazelas enfrentadas pelos cariocas, como a violência urbana. A ser lembrada, por exemplo, a sequência em que os personagens Téo (Tony Ramos) e Fernanda (Vanessa Gerbelli) são atingidos por balas perdidas num tiroteio em plena luz do dia. 

4. Senhora do Destino (2004)

Primeira novela urbana e carioca Aguinaldo Silva, pernambucano radicado no Rio, após vários sucessos ambientados em pequenas cidades fictícias nordestinas, Senhora do Destino se dividia entre o charmoso Bairro Peixoto, localizado no coração de Copacabana e a baixada fliuminense, mostrando de uma só vez diversos aspectos da cidade. Vale lembrar ainda que a trama, que começava em 1968, teve uma bela sequência inicial de repressão a militantes políticos em pleno centro do Rio, episódio tirado das memórias do próprio autor. Na confusão, a protagonista Maria do Carmo (Carolina Dieckmann) tem a filha bebê, Lindalva, sequestrada pela vilã Nazaré (Adriana Esteves) e, para piorar, acaba presa. 

Ousda, 'Vidas Opostas', da Record, mostrou a vida dos marginais dos morros da cidade (Divulgação)

Ousda, ‘Vidas Opostas’, da Record, mostrou a vida dos marginais dos morros da cidade (Divulgação)

5. Vidas Opostas (2006)

Escrita por Marcílio Moraes, a novela da Record inovou ao mostrar uma história de amor em meio a uma guerra do tráfico de drogas num dos morros cariocas, na trilha do sucesso Cidade de Deus (2002). Acelerada, com a fotografia soturna que é típica da ficção policial e marcada pela participação de Marcelo Serrado como o delegado Denis Nogueira e pelo retrato detalhado dos personagens marginais, representou uma ousadia da teledramaturgia da Record, em oposição ao Rio de cartão postal que as novelas globais costumavam estampar até então. 

Caniço (Marcello Melo Jr.) e Berenice (Sharon Menezes) em 'Lado a Lado', que mostrou a formação das favelas inspirada pelo Morro da Providência (Divulgação)

Caniço (Marcello Melo Jr.) e Berenice (Sharon Menezes) na favela de ‘Lado a Lado’ (Divulgação)

6. Lado a Lado (2012)

A bela história de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, vencedora do Emmy Internacional de melhor novela, foi ambientada na virada do século 20, período pouco explorado pelas tramas de época. Por meio de dois casais de origens sociais bem diferentes – os descendentes de ex-escravos Isabel (Camila Pitanga) e Zé Maria (Lázaro Ramos), e os aristocratas Laura (Marjorie Estiano) e Edgar (Tiago Fragoso) –  mostrou a formação do Rio de Janeiro como conhecemos hoje, com o advento da República e a ocupação dos morros pelas favelas após a expulsão dos moradores de cortiços no centro da cidade. 

Suelen (Isis Valverde) e Darkson (José Loreto) em cena de 'Avenida Brasil', que mostrou a zona norte carioca por meio do fictício Divino (Divulgação)

Suelen (Isis Valverde) e Darkson (José Loreto) em cena de no bairro do Divino de ‘Avenida Brasil’(Divulgação)

7. Avenida Brasil (2012)

Uma história de vingança universal, que poderia ser ambientada em qualquer grande cidade do mundo, a novela do carioca João Emanuel Carneiro teve um personagem especial: o bairro do Divino, lugar fictício com jeito de Madureira, que deslocou o folhetim das 9 da zona sul para a zona norte, além de repassar o protagonismo dos ricos elegantes da orla para os autênticos e não tão elegantes abastados que moram para além do Túnel Rebouças. 

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24/02/2015

às 17:12 \ Folhetinescas

Cora e as velhas virgens

Um beijo – e um cheiro? – antes de morrer: o que importa é que, para Cora (Marjorie Estiano), a noite de amor com José Alfredo (Alexandre Nero) aconteceu (Reprodução)

Um beijo – e um cheiro? – antes de morrer: o que importa é que, para Cora (Marjorie Estiano), a noite de amor com José Alfredo (Alexandre Nero) aconteceu (Reprodução)

Poucos assuntos são tão folhetinescos quanto o caminho de uma mulher, jovem ou avançada na idade, até o que se costumava chamar de “deixar de ser donzela”. Tanto se pode fantasiar sobre a iniciação sexual feminina que as novelas têm um apego especial pelas virgens, é fácil reparar. Basta rever a Márcia de O Dono do Mundo novela de 1991, em reprise no canal Viva, que gira em torno da virgindade da protagonista de Malu Mader, ou ainda lembrar do vai-não-vai da Edwiges que Carolina Dieckman interpretou em Mulheres Apaixonadas em 2003 ou, ainda, dos tremeliques da Cinira de Rosane Gofman em Tieta, de 1989.

Em Malhação, pela faixa etária do público, o início da vida sexual é tema obrigatório, e que se espalha esporadicamente pelas novelas das 6, das 7, das 9, em séries nacionais e até americanas – chama atenção nos EUA o seriado Jane, The Virgin, baseado numa novela venezuelana sobre uma jovem virgem que é inseminada e engravida por engano.

Felipe (Antonio Fagundes)  faz uma aposta pela virgindade de Márcia (Malu Mader) em 'O Dono do Mundo', de 1991 e em reprise no Viva (Divulgação)

Felipe (Antonio Fagundes) faz uma aposta pela virgindade de Márcia (Malu Mader) em ‘O Dono do Mundo’, de 1991 e em reprise no Viva (Divulgação)

Há basicamente dois tipos de virgem de novela, em geral mulheres românticas demais ou, com mais frequência, desesperadas cômicas. Cora, que passou desta para melhor no capítuo de ontem (segunda, 23) no encerramento da ótima participação de Marjorie Estiano em Império (Globo, 21h15), é diferente de todas elas. Encruada, como era conhecida em Santa Teresa, ela não tinha a virgindade em primeiro plano, mas uma obsessão que pôs toda a trama de Aguinaldo Silva para andar (como escrevi logo no começo, aqui).  

Cora fez o Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) – simples assim. Se não fosse ela armar contra o romance dele com a irmã Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli), o moço ficaria rodopiando para sempre em cenas de beijinhos na Quinta da Boa Vista. Foi a decepção amorosa, não dá para esquecer, que levou Zé a partir do Rio para o Monte Roraima, de onde ele acabou tirando a sua fortuna.

Vários motivos, como o próprio autor explicou ao blog, levaram à decisão de matar a personagem bem antes do fim da novela, em 13 de março. Foi um fim digno do realismo fantástico que trouxe Marjorie Estiano de volta ao elenco para substituir Drica Moraes e, com 32 anos, viver uma mulher de 55 (conforme informação de sua lápide). Parecia que, de fato, ela não morreria donzela,  coisa mais injusta ainda mais depois de ela levar um tiro no lugar do homem para quem ela – doida de pedra – se guardou.

Na bela cena, na cama do hospital, até um “eu te amo” Zé teria lhe dito ao pé do ouvido. Mas eis que quase ao fim do jogo apareceu a enfermeira de plantão para tirar todas as ilusões, jurando que não viu homem nenhum naquela noite. E o que importa? Que, para Cora e para os fãs da novela que ousaram torcer pelo torto casal, ela foi – ainda que não tenha sido. Pelo sim, pelo não, acabou enterrada num caixão branco, mantendo a fama. E, para finalizar, sua pureza rendeu uma melhores piadas da novela. “A Dona Cora vai conseguir um monte de homens lá no além – aqueles homens-bombas não se explodem para encontrar com as virgens lá no céu?”, bem observou Lorraine (Dani Barros). 

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19/02/2015

às 14:23 \ Folhetinescas

Réquiem por Cora dos Anjos

Cora (Marjorie Estiano) leva um tiro para defender José Alfredo (Alexandre Nero): ainda a se lamentar, uma saída de cena impecável (Reprodução)

Cora (Marjorie Estiano) leva um tiro para defender José Alfredo (Alexandre Nero): ainda a se lamentar, uma saída de cena impecável (Reprodução)

Quando estive com Aguinaldo Silva conversando sobre Império (Globo, 21h15), ele confidenciou que, inicialmente, não tinha pensado em Cora como uma vilã cruel e diabólica. “Era uma personagem mais sutil, de perfil manipulador”, explicou. Mas, penso eu, o público estava órfão da Carminha (Adriana Esteves) de Avenida Brasil e logo começou a achar que Cora precisava subir o tom da maldade. “Se é o que querem, decidi, então vamos lá trasnformá-la em assassina”, resignou-se o autor.

Acontece que por vários motivos – da competência de Aguinaldo e sua equipe para lidar com o imponderável, como a saída de Drica Moraes do elenco –, Cora se transformou capítulo a capítulo. Ela é dramática, rancorosa, fofoqueira, aproveitadora, carola, Mas também é divertida, despudorada de um jeito especial e capaz de um tipo bem peculiar de lealdade, com relação a José Alfredo (Alexandre Nero) – e apenas ele.

A história das novelas demonstra que as melhores vilãs são aquelas que têm alguma razão. Não basta ser má e ponto. Não que ter sofrido no passado seja desculpa para sair tocando terror pelo mundo da ficção, mas o sofrimento prévio humaniza. Cora é louca de pedra, não há dúvida. Mas no dia em que se anuncia sua morte, voltemos ao começo.

Ela morava com a irmã, Eliane (Vanessa Giácomo) e o cunhado, Evaldo (Thiago Martins). De repente, chega um irmão de Evaldo, José Alfredo (Chay Suede). Duas irmãs para dois irmãos – o filme está pronto na cabeça de Cora. Mas que nada. Zé e Eliane começam um caso – pense no estrago que isso faria num Casos de Família da vida. A situação poderia ser tão mal vista pelo público que Aguinaldo teve de usar uma de suas saídas de mestre: numa das cenas, Evaldo transa com Eliane na rede, sem um pingo de carinho. Pronto, justificou-se a traição da esposa. E ainda sobrou para Cora: ao querer separar os dois, por puro recalque, ela virou de vez a vilã da novela – grande vilã, seja com Drica Moraes ou com Marjorie Estiano.

Em certos momentos, ela me pareceu mais vítima do que algoz. O Comendador deu-lhe um “boa noite, Cinderela” e lambuzou-a de sangue de galinha para fingir que tinha passado a noite com ela – pense na humilhação. E Reginaldo (Flávio Galvão) tentou desvirginá-la depois de tomar uma daquelas pílulas azuis – estupro em si, já é horrível… mas, digamos, patrocinados pela indústria farmacêutica, ninguém merece. Quem teria a fibra que Cora teve?

A vida e o mau-caráter levaram a personagem a um caminho sem volta, é verdade. No capítulo de ontem, quarta (18), ela pagou seus pecados levando um tiro para defender José Alfredo. “Me beija, Zé”, implorou. Uma cena impecável, de um desfile lindo – melhor do que muitos que passaram pela Sapucaí de verdade, diga-se de passagem –, e que ainda teve uma bela homenagem a José Wilker, o querido Giovanni Improtta de Senhora do Destino (2004). Na comparação com a realidade, vale ainda uma pergunta: mesmo com alguém atingido por um tiro no alto do carro abre-alas, o desfile deveria ter continuado? É, amigo, como diria o Improtta, o tempo ruge e a Sapucaí é grande.

Abaixo, num réquiem do QUANTO DRAMA! para a querida Cora, sete das melhores cenas da personagem:

cora-no-hospital1. Xô, Satanás

Unha e cutícula, Cora e Téo Pereira (Paulo Betti) arrasaram na cena em que planejavam divulgar o sexame de DNA do Comendador e de Cristina (Leandra Leal). Como Lilith e próprio Satanás, eles deliram sobre o fim do império de José Alfredo (Alexandre Nero) – um show de texto e interpretação. “Gemidos, sussuros, lamentações… gente clamando por ajuda. E a gente pisoteando todos eles”, diz Cora. “Se me der a honra, quero jogar o fósforo.”

Veja aqui.

Cora (Drica Moraes) surpreendeu ao beijar o Comendador. E surpreendeu de novo ao desmaiar na sequência (Divulgação)

Cora (Drica Moraes) surpreendeu ao beijar o Comendador. E surpreendeu de novo ao desmaiar na sequência (Divulgação)

2. Pernas bambas

É surpreendente que Cora tenha desmaiado ao beijar um enfurecido José Alfredo. Mas mais surpreendente foi quando ela abriu um dos olhos e o público pôde perceber que  tudo não passava de fingimento.

Veja aqui.

3. Parente é serpente

Quando a gente ainda mal conhecia a personagem e ela se desenhava capítulo a capítulo, a cena da morte da irmã Eliane (Malu Galli) deu boas informações do que Cora seria capaz.. Não por ser assassina em potencial, mas por não ter compaixão e um pingo de amor no coração pela família. “Não adianta me olhar com essa cara de peixe morto”, disse ela à irmã, que agonizava com câncer.

Veja aqui.

Cora tira o Comendador do sério, a ponto de ele querer quebrar o pescoço dela – e ela bem que gosta (Divulgação)

Cora tira o Comendador do sério, a ponto de ele querer quebrar o pescoço dela – e ela bem que gosta (Divulgação)

4. Cinquenta tons de preto

Raiva e amor – ou atração sexual, que seja – andam juntos. Foi de um humor fetichista muito interessante a sequência em que o Comendador tenta esganar Cora – e é impedido pelos demais persoangens em cena. “Poderia ter dado mais uma esganadinha”, disse ela, com notável prazer.

Veja aqui.

5. De castigo

Num aspecto, Cora é como a maioria de nós, mulheres. Podemos tanto ser dramáticas à la mexicana como figuras engraçadas das esquetes do Porta dos Fundos. Nesta cena, em que José Alfredo prende a megera na sala do pessoal da limpeza na empresa – pobrezinha – chegou a dar pena. “Meu sobrinho depende da tia-avó, que sou eu!”, apelou, como se realmente se preocupasse com o filho de Elivaldo.

Veja aqui.

6. Crônica de uma morte fingida

A perda de um ente querido sem dúvida muito dolorosa. Mas a morte de um objeto de obsessão pode realmente ultrapassar qualquer entendimento, é coisa que leva mesmo ao fim da racionalidade. Na morte fingida do Comendador, o sentimento estava estampado na expressão de Marjorie Estiano que, há de se dizer, substituiu Drica de maneira gentil e conseguiu fazê-la presente o tempo todo, como se uma fosse realmente a outra. 

Veja aqui.

7. A fome e a vontade de comer

Os tuiteiros que acompanham Império passaram a novela toda “shipando” esse com aquele persoangem, e escolhendo casais para torcer (alguns com certo exagero, vamos admitir). Mas a pobre Cora, tão necessitada no caritó eterno, parecia só ter torcida desta colunista – por mim, ela teria a tão desejada noite com José Alfredo. Um amor encruado desde 1987, minha gente! Não é de admirar que ela não ande saltitando pelas ladeiras de Santa Teresa. Mas houve um dia que o destino sorriu para ela. José Pedro (Caio Blat), com o objetivo de conseguir um dos pedaços do diamante cor de rosa, deu-lhe um beijo – a pedra fora escondida por Cristina (Leandra Leal) numa imagem de São Jorge. “Ela desrespeitou minha fé”, disse Cora, que realmente precisava de algumas aulas de sedução – o romance com José Pedro foi só uma fagulha momentânea. 

Veja aqui.

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10/02/2015

às 16:23 \ Folhetinescas

Paternidade volta a ser tema das 6 em ‘Sete Vidas’

Débora Bloch e Domingos Montagner voltam a ser um casal em 'Sete Vidas': oceanógrafo aventureiro, ele será procurado por quatro filhos gerados a partir de doação a um banco de sêmem (Divulgação)

Débora Bloch e Domingos Montagner voltam a ser um casal em ‘Sete Vidas’, Lígia e Miguel: oceanógrafo aventureiro, ele será procurado por cinco filhos gerados a partir de doação a um banco de sêmem (Divulgação)

Depois de bebês trocados na maternidade, centro da trama de Boogie Oogie, mais uma novela das 6 da Globo vai explorar a revelação de paternidade, um dos grandes pilares dos folhetins. Sete Vidas estreia em 9 de março com a história de Miguel (Domingos Montagner), um oceanógrafo aventureiro que, na juventude, foi se curar de uma tragédia nos Estados Unidos, onde fez algumas doações para um banco de sêmem.

Anos e anos depois, ele se apaixona por Lígia (Débora Bloch) mas, incapaz de estabelecer laços, parte numa expedição para a Antártica. Lá, sofre um acidente e é dado como morto no Brasil.

Jayme Matarazzo e Isabelle Drummond são Júlia e Pedro, meios-irmãos que se vão se apaixonar (Divulgação)

Jayme Matarazzo e Isabelle Drummond são Júlia e Pedro, meios-irmãos que se vão se apaixonar (Divulgação)

Ao mesmo tempo em que sofre com a morte do amado, a jornalista descobre que está grávida. E é procurada por (Júlia) Isabelle Drummond e Pedro (Jayme Matarazzo), filhos de Miguel gerados por meio de inseminação artificial. Em busca de seu pai, eles fazem contato pela internet e resolvem se encontrar. Mas acabam se esbarrando antes, sem saber que são meios-irmãos – e claro que vão se apaixonar. A mais do que complicada família de Miguel cresce ainda com a chegada de outros filhos: o problemático Bernardo (Guilherme Lobo) e os gêmeos Laila (Maria Eduarda Carvalho) e Luís (Thiago Rodrigues).

Bem contemporânea e com a proposta de refletir sobre os avanços da medicina e a convivência familiar, a novela de Lícia Manzo, que em 2011 escreveu a bela A Vida da Gente, repete nos papéis principais o charmoso casal Domingos Montagner, mais uma vez no tipo “viril e vulnerável”, e Débora Bloch – os dois fizeram os noveleiros mais românticos suspirarem quando viveram o Capitão Herculano e a Princesa Úrsula de Cordel Encantado (2011).

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PF faz hora extra na ficção

06/02/2015

às 13:11 \ Folhetinescas

PF faz hora extra na ficção

Em meia dúzia de cenas, o Comendador (Alexandre Nero) foi pego pelos agentes, prestou depoimento, acertou as contas com Maria Marta (Lilia Cabral) e foi direto para a cadeia: protagonista é acusado de lavagem de dinheiro, contrabando e falsidade ideológica (Divulgação)

Em meia dúzia de cenas, o Comendador (Alexandre Nero) foi capturado pelos agentes da PF, prestou depoimento, acertou as contas com Maria Marta (Lilia Cabral) e foi direto para a cadeia: protagonista é acusado de lavagem de dinheiro, contrabando e falsidade ideológica (Divulgação)

Não bastasse o trabalho na vida real com a Operação Lava Jato, que investiga desvios de recursos em contratos da Petrobras, a Polícia Federal se desdobra para dar conta das irregularidades da ficção nacional – só ontem, dois protagonistas foram presos.

Em Império, o ambíguo José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero), heróico mas não muito, apareceu algemado em imagem da dar pena. Depois de forjar a própria morte, fugir durante seis meses e ficar dando bandeira por vários capítulos em Santa Teresa e Copacabana, o Comendador foi pego em dois tempos escondido na quadra da escola de samba, dica passada ao delegado por ninguém menos que Maria Marta (Lilia Cabral). Agora, o homem de preto deve pagar pelo crime de contrabando de diamantes. Foi uma operação de extrema eficência dos agentes ficcionais. Em tempo recorde, o protagonista foi da mesa de interrogatório para o presídio, uma verdeira moralização no reino de mentirinha de Aguinaldo Silva.

Claudio Drummond (Enrique Diaz), de 'Felizes para Sempre?': vai pra Papuda ou não vai? (Divulgação)

Claudio Drummond (Enrique Diaz), de ‘Felizes para Sempre?’: vai pra Papuda ou não vai? (Divulgação)

Tarde da noite, as investigações seguem em Felizes para Sempre?. A Operação E agora, Drummond?, que investiga os contratos fraudulentos da empreiteira de Cláudio (Enrique Diaz) com o governo federal também avança rápido, mas não é certo que terá êxito. Afinal, o cafajeste do momento não tem o caráter forte do Comendador da novela das 9 e, mais real e cru do que ele, não é o tipo que esquenta lugar na cadeia. Tanto é, que não durou um bloco sequer preso. O capítulo de ontem (quinta, 5), aliás, terminou com a pergunta “O crime compensa?”. Descobriremos no desfecho da minissérie de Euclydes Marinho, que vai ao ar nesta sexta (6) – Drummond vai para a Papuda ou não vai?

Entre os intrépidos investigadores das novelas, vale citar ainda que Pepita Rodrigues anda dando expediente como delegada no longínquo 1978 da novela das 6, Boogie Oogie. Bandida misteriosa chamada de “o Corvo” por Carlota (Giulia Gam), Ágata foi reveleda como policial no começo da semana – em curso, há uma investigação sobre um rocambolesco roubo de diamantes e o sumiço do ex-marido da vilã. 

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05/02/2015

às 17:00 \ Folhetinescas

Cláudio Drummond é o nosso Frank Underwood

Frank Underwood (Kevin Spacey) e Cláudio Drummond (Enrique Diaz): manipuladores, inescrupulosos e com acesso irrestrito aos bastidores do poder (Divulgação)

Frank Underwood (Kevin Spacey), de ‘House of Cards’ e Cláudio Drummond (Enrique Diaz), de ‘Felizes para Sempre?’: manipuladores, inescrupulosos e com acesso irrestrito aos bastidores do poder (Divulgação)

Não é preciso uma segunda olhada para concluir que o Cláudio Drummond (Enrique Diaz) de Felizes para Sempre? (Globo, 23h) e o Frank Underwood (Kevin Spacey) de House of Cards (Netflix) são farinha do mesmo saco. Embora estrelas de tramas diferentes entre si, mas fundamentalmente manipuladores, corruptos, vingativos e, pior, bastante críveis, os dois personagens flutuam pelos corredores dos governos brasileiro e americano dando as cartas que põem suas histórias para funcionar – e que histórias.

Confira 7 semelhanças que fazem do detestável Cláudio Drummond o nosso Frank Underwood:

1. Os dois são personagens típicos de uma capital federal: Frank Underwood é protagonista de House of Cards, que se passa em Washington; Cláudio Drummond, de Felizes para Sempre?, apronta suas falcatruas em Brasília.

Cláudio Drummond (Enrique Diaz) e sua amante, a prostituta Denise (Paolla Oliveira): personagem é o centro de uma trama de poder e sedução (Reprodução)

Cláudio Drummond (Enrique Diaz) e sua amante, a prostituta Denise (Paolla Oliveira): personagem é o centro de uma trama de poder e sedução (Reprodução)

2. Como figuras ligadas ao poder, os dois fazem de tudo para se dar bem. Underwood é um deputado que tenta subir na hierarquia do governo, à custa de tráfico de influência e corrupção. Drummond é o dono de uma construtora que obtém contratos por meio de fraudes em licitações, superfaturamento de obras públicas e pagamentos de propina.

3. Homens poderosos precisam parecer bem casados, por isso Frank e Cláudio têm esposas belas e refinadas – respectivamente, a engajada Claire (Robin Wright) e a etérea Marília (Maria Fernanda Cândido) –, mas vivem metidos em relacionamentos extraconjugais irresponsáveis.

4. Onde há poder, há sedução e, mesmo não sendo, digamos, fisicamente privilegiados, Frank e Cláudio sabem de cor e salteado a cartilha da conquista.

5. Os dois poderosos são aficionados por remo: Cláudio pratica o esporte no Lago Paranoá e Frank, no porão de casa.

6. Impiedosos e perigosos: Frank lança jornalistas investigativas na frente do trem e Cláudio atira na cabeça de quem ousar chamar Denise (Paolla Oliveira) de prostituta.

7. No centro de tramas inteligentes e bem-estuturadas, os dois são exímios frasistas. Frank é conhecido por suas tiradas ácidas e mordazes, as “Underwood’s quotes” que fazem sucesso na internet – “A democracia é superestimada”, costuma dizer. Entre cínico e grosseiro, Cláudio diverte pela falta de classe – “Não tem um rabo que não seja preso neste país”, ensinou ele, logo no primeiro capítulo.

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04/02/2015

às 13:04 \ Folhetinescas

As melhores frases de ‘Felizes para Sempre?’

No capítulo de ontem (terça, 3), Daniela (Martha Nowill) descobriu que sua charmosa namorada, Denise (Paolla Oliveira) é garota de programa: "Eu vendo o que é meu!", rebateu  Danny Bond (Divulgação)

No capítulo de ontem (terça, 3), Daniela (Martha Nowill) descobriu que sua charmosa namorada, Denise (Paolla Oliveira), é garota de programa: “Eu vendo o que é meu!”, rebateu Danny Bond (Divulgação)

Veterano da crônica de costumes e com obras no currículo do porte de Malu Mulher (1979) e Capitu (2008), Euclydes Marinho fez uma releitura certeira da sua Quem Ama Não Mata, minissérie de 1982 que voltou totalmente repaginada como Felizes para Sempre? na Globo. Não só por Paolla Oliveira – sucesso como a prostituta Danny Bond – e pelo despudor em cena, mas pelo texto afiado e a narrativa fluída, a minissérie tem conseguido aumentar a expectativa a cada capítulo, corroendo mais e mais a casca perfeita da família Drummond.

“Cláudio está em tudo o que é jornal, Joel bateu na mulher, papai está infartado e eu não tenho nem casa. Rir de quê?”, perguntou Hugo (João Miguel) à mãe numa reunião familiar no hospital, no capítulo desta terça (3). “É… a família está na m…”, respondeu Norma (Selma Egrei) – e todos caíram na gargalhada, até mesmo o “pai infartado”.

Densos e envolvidos nas mais complicadas situações que o Planalto Central já presenciou, os personagens da minissérie não abrem a boca à toda. Confira abaixo uma compilação das frases mais mordazes, estapafúrdias ou sincericidas de Felizes para Sempre? – por enquanto:

“Casamento é burrinho atrás de cavalinho.”

De Dionísio (Perfeito Fortuna), dando a receita de uma união estável aos filhos. 

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02/02/2015

às 14:30 \ Folhetinescas

Paolla Oliveira e a resenha do derrière

Tapa na cara da sociedade: com bons personagens no currículo, mas marcada pela insossa Paloma de 'Amor à Vida', Paolla Oliveira se reinventou em 'Felizes para Sempre?' – e engoliu a minissérie (Reprodução)

Tapa na cara da sociedade: com bons personagens no currículo, mas marcada pela insossa Paloma de ‘Amor à Vida’, Paolla Oliveira se reinventou em ‘Felizes para Sempre?’ – e engoliu a minissérie (Reprodução)

Não deixa de ser surpreendente, mas mesmo assim compreensível, todo o frisson em torno de Paolla Oliveira desde a terça passada, quando foi ao ar a tal cena em que ela desfila de fio-dental na minissérie Felizes para Sempre? (Globo, 23h). O bafafá se justifica porque, primeiro, o corpo da atriz é realmente bonito. Segundo, qualquer assunto vira grande polêmica nestes tempos de Twitter – afinal, #somostodoszoeiros. E terceiro, talvez principalmente, quando um diretor de cinema como Fernando Meirelles quiser causar impacto com um derrière, assim será.

Filmada com uma inteligência de planos e um ritmo de narrativa além do que já conhecemos como “padrão caprichado das minisséries”, ancorada em personagens de mil camadas e em interpretações não menos do que excelentes, Felizes para Sempre? é, definitivamente, um entretenimento para adultos. Os temas em discussão, a profundidade dos diálogos e, ah, o texto de Euclydes Marinho põem o programa, de fato, num padrão internacional – ou americano.

É interessante perceber como o autor estruturou a trama, releitura de uma obra sua de 1982, Quem Ama Não Mata. Da afirmação – tirada de pichações que apareciam nos muros do Rio naquela época, em resposta a crimes passionais –, passamos às dúvidas que começam no título – Felizes para Sempre? – e permeiam os capítulos – “Onde colocar o desejo?”, “Aqui se faz, aqui se paga?”. É como se,  30 anos depois, os filhos de 1968 tivessem muito mais dúvidas no campo amoroso do que certezas. Bem representativa de tudo o que se transmite ali, a cena em que Marília reclama que o marido, Cláudio (Enrique Diaz), não milita com afinco nas trincheiras do sexo oral foi de uma verdade raramente vista na nossa televisão – e Maria Fernanda Cândido esteve esplêndida.

Há ainda o pano de fundo da construtora Drummond, tocada pelo detestável Cláudio e seus problemáticos irmãos, Hugo (João Miguel) e Joel (João Baldasserini) – em uma ótima passagem, eles são chamados de “os irmãos Metralhas”. Negociatas que rendem milhões a serem gastos com tudo o que há de mais supérfluo – prostitutas de luxo em suítes de onde se “vê do Oiapoque ao Chuí”, inclusive – são matéria-prima que um roteirista só encontra com riqueza de detalhes em Brasília. Daí, a sábia decisão de transportar a história origial de Niterói para a capital da República, abalada na série pela operação “E agora, Drummond?”, que esmiuça os contratos da construtora com o governo e o pagamento de propina a parlamentares – qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Marília (Maria Fernanda Cândido): discussão sobre sexo oral é uma das melhores cenas da carreira da atriz (Divulgação)

Marília (Maria Fernanda Cândido): discussão sobre sexo oral é uma das melhores cenas da carreira da atriz (Divulgação)

Paira sobre os personagens a ideia lançada numa das primeiras cenas, de que aquela boa família é fruto do casamento de 46 anos entre Dionísio (Perfeito Fortuna) e Norma (Selma Egrei). Na comemoração das “bodas de alabastro”, Cláudio anotou que a melhor coisa que os pais lhe deram foram os valores – quanta ironia.

A se lamentar, entretanto, que num nível ainda mais acima do conteúdo esteja o fato de que o sucesso e a repercussão da série se amparem, não há como negar, na anatomia da prostituta Danny Bond. Hedonista, linda, inteligente e culta, ela é uma personagem divertida e recorrente na cultura pop, da Bree Daniels de Jane Fonda em Klute (1971) às moças despudoradas do Crepax. Paolla merece todos os elogios pelo trabalho, talvez o melhor desde que ela esteve em Afinal, o querem as mulheres?, de Luiz Fernando Carvalho, em 2010. Pena que seja vista basicamente por aquele caminhar de alguns segundos com fio-dental, cena eternizada no gif viralizado que, convenhamos, tirou toda a poesia e – por que não? – a verdadeira sacanagem da cena. “Já viu a vista?”, perguntou ela a Cláudio. “Linda vista”, respondeu ele depois de vê-la tirar o vestido.

Em loop, o bumbum indo e voltando, já foi objeto de todo tipo de ação e teoria. As mais recalcadas dizem que “é levemente caído, vai…”. As com baixa auto-estima tuítam logo que seu bumbum é “igual ao da Paolla segundo a margem de erro”. Os mais otimistas dizem que é um alívio para o estresse da crise hídrica e a lama da Operação Lava Jato. Os politizados rebatem que é o velho pão e circo. Os salientes pedem doações para juntar os R$ 4 mil e ter hora com Danny Bond. As mais desesperadas se comparam à atriz e, concluindo que o verão 2015 já está perdido, prometem abalar as praias por aí em 2016. Os que têm menos o que fazer na vida organizam eventos de mentirinha no Facebook. Há até os intelectualizados, que dão ar filosófico à predileção nacional pelos bumbuns e os alienados, que juram não entender nada da história. Por fim, os ávidos por rotular classificam a série como “soft porn”, como se ela chegasse perto disso – veja só o estrago que um fio-dental pode fazer neste país.

Na tentativa de resenhar o derrière e ter voz na última maior polêmica de todos os tempos, sobram bobagens. E fica uma pergunta à moda daquelas que dividem os capítulos: “Não estamos bobos demais?”

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29/01/2015

às 13:37 \ Folhetinescas

Perto do fogo

Josie Pessoa, a Eduarda de 'Império': com o cabelo mais desejado e formando par perfeito com João Lucas (Daniel Rocha), personagem ganha espaço na trama (Reprodução/Instagram)

Josie Pessoa, a Eduarda de ‘Império’: com o cabelo mais desejado e formando par perfeito com João Lucas (Daniel Rocha), personagem ganha espaço na trama (Reprodução/Instagram)

Há tempos não se via nada parecido entre as modas de novela: em pouco mais de 24 horas, do Rio ao interior de Minas, deparei-me com nada menos do que cinco mulheres com os cabelos em fogo, num tom idêntico ao que a atriz Josie Pessoa usa para compor a sua Du em Império (Globo, 21h10). Vermelho-escândalo, as madeixas da moça são um item forte da caracterização da personagem, que começou como “doidinha rebelde” e agora tenta ser a mãe dedicada de dois bebês.

Se o objetivo era chamar a atenção, deu mais do que certo: Du e seu par, João Lucas (Daniel Rocha), juntaram uma legião de fãs incansáveis na tarefa de encher os ouvidos do autor Aguinaldo Silva com pedidos por mais cenas do casal Lucadu  – tanto é, que no capítulo desta quarta (29) os dois protagonizaram uma espécie de videoclipe de namoro.

E já que não se pode copiar o “ruivo de nascença” de Marina Ruy Barbosa, a “sweet child” Maria Isis, as noveleiras vêm tentando descobrir como aderir ao cabelo fantasia de Du. Esse é o questionamento número 1 da Central de Atendimento ao Telespectador (CAT), que não indica marcas.

Há, por sorte, uma grande variedade de colorações no mercado que prometem um vermelho intenso, mas o processo para chegar a ele não é simples: é preciso, antes, deixar o cabelo loiro e, para mantê-lo brilhante, retocar a tintura de 15 em 15 dias – e olhe que a mãe de gêmeos recém-nascidos vive dizendo que não tem tempo nem mesmo para um banho. Toda novela traz esse tipo de semente, algo que possa ganhar as ruas – todos tentam, mas poucos conseguem. Neste sentido, os cabelos são peça fundamental, não apenas para ajudar na composição de um personagem, mas também para demonstrar que a trama está na boca – ou na cabeça – do povo. Por isso, a história da teledramaturgia está repleta de exemplos de cabelos de novela que ganharam as ruas. Relembre 7 dos mais marcantes:

(*) o blog Ruiva Diva tem boas dicas sobre como aderir ao look da atriz.

jo_agatacomeu

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1. Jô, de A Gata Comeu (1985) Em formato de asa-delta e todo armadão, muito antes das “escovas progressivas”, o penteado da mimada Jô (Christiane Torloni) de A Gata Comeu fez a cabeça de muitas moderninhas nos anos 80.

 

 

 

 

 

 

 

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2. Ninon, de Roque Santeiro (1985) Ah, o corte pigmaleão… Também chamado de penteado “poodle de madame”, o cabelo da dançarina Ninon (Cláudia Raia) não foi criado especialmente para a novela – já andava fazendo sucesso por aí, mas virou uma febre com o sucesso de Roque Santeiro.

 

 

 

 

 

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3. Solange Duprat, de Vale Tudo (1988) Antes das práticas chapinhas, teve gente – acredite – passando a franja a ferro para ficar com o cabelo como o da intrépida Solange Duprat (Lídia Brondi) em 1988.

 

 

 

 

 

 

 

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4. Maria do Carmo, de Rainha da Sucata (1990) Como a batalhadora protagonista da novela de Silvio de Abreu, Regina Duarte popularizou não apenas um corte de cabelo, mas um penteado bem específico: franja e coque, arrematado por um laçarote. A personagem, curiosamente, era brega, mas de tão forte, impôs seu estilo.

 

 

 

 

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5. Rachel Green, de Friends (1994-2004) Em escala mundial, o cabelo mais comentado da televisão ainda é o da Rachel de Friends. No auge de popularidade do seriado, chegou a ser o mais pedido nos salões americanos. Repicado nas laterais e liso toda vida, era, sem dúvida muito bonito, mas nada que justificasse o frisson – o fato de atriz ser casada com Brad Pitt talvez fosse a melhor explicação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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6. Bárbara, de Da Cor do Pecado (2004) Giovanna Antonelli é boa em lançar modas – de capinhas de celular ao look pijama da “delegata” Helô. Nem mesmo o mau caráter da Bárbara de Da Cor do Pecado conseguiu impedir a mulherada de correr aos salões para imitar o curtinho pontudo e platinado da vilã.

 

 

 

 

 

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7. Roberta, de Rebelde (2004-2006) Muito antes da Du de Império, a mexicana Dulce Maria inspirou ruivas de toda a América Latina como a Roberta da novela adolescente Rebelde (Televisa).

 

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