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18/03/2015

às 16:49 \ Entrevista

‘Na política, realidade supera a ficção’, diz Marcos Palmeira sobre personagem corrupto

Marcos Palmeira entra em 'Babilônia' como Aderbal Pimenta, prefeito de uma cidade do interior que finge ser humilde e honesto (Divulgação)

Marcos Palmeira entra em ‘Babilônia’ como Aderbal Pimenta, prefeito de uma cidade do interior que finge ser humilde e honesto (Reprodução)

Além de beijar boa parte dos homens que cruzam o seu caminho em Babilônia (Globo, 21h15), Beatriz (Glória Pires) tratará de tentar beneficiar a construtora do marido, Evandro (Cassio Gabus Mendes), de um clássico esquema de desvio de dinheiro de obras públicas. Presidente da Souza Rangel, a vilã vai se aliar em breve ao pitoresco Aderbal Pimenta, prefeito recém-eleito de Jatobá, cidade fictícia do interior fluminense. “Ele acaba de se tornar prefeito, mas está determinado a se tornar governador”, explica o ator Marcos Palmeira em entrevista a QUANTO DRAMA!.

A questão é o plano de poder do prefeito envolve dinheiro, muito dinheiro. E é a bucólica Jatobá, claro, que vai pagar a conta. Beatriz fica particularmente interessada numa licitação para a construção de uma rodoviária e fará de tudo para que a Souza Rangel consiga o contrato, usando a “muy amiga” Inês (Adriana Esteves) como intermediária.

“Quando a gente pensa que a ficção chegou ao limite, a realidade dá um jeito de ir além. Neste caso, quando o assunto é corrupção, digo que é infelizmente para o país”, observou Palmeira, quando questionado sobre a natureza do novo personagem e sua, não por acaso, atualidade. “Mas eu acho que se em 1988, o Marco Aurélio (Reginaldo Faria, em Vale Tudo) deu uma banana para o país, desta vez gente como o Aderbal deve ser punida.”

Conservador e defensor da moral e dos bons costumes, o político vive uma vida dupla que chega a ser cômica. Na vida pública, é um morador modesto de Jatobá, dono de um carro velho. Na vida privada, bem difernete, é dono de um apartamento de luxo na Barra da Tijuca, na capital, e tem um carro importado na garagem. Para todos os efeitos, entretanto, é honesto. “Não sei quanto ele pretende roubar, mas posso dizer que ele é bastante ambicioso. E não se pode assinar embaixo de nada do que ele diz”, brincou o ator.

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17/03/2015

às 22:42 \ Folhetinescas

Beatriz, por ela mesma

Beatriz reina na 'Babilônia' de Gilberto Braga: ela tem lastro, cai por cima e para matar (Reprodução)

Beatriz reina na ‘Babilônia’ de Gilberto Braga: ela tem lastro, cai por cima e para matar (Reprodução)

Poço de autoconfiança, a vilã Beatriz (Glória Pires) em Babilônia (Globo, 21h15) ganhou a plateia com seu texto cortante e debochado, o que a transforma numa espécie de Maria de Fátima de Vale Tudo (1988) formada no “curdo Odete Roitman para moças”. “A melhor qualidade da Beatriz é a sedução”, disse Tereza (Fernanda Montenegro) sobre a filha da companheira, Estela (Nathália Timberg).

Ninguém é melhor para definí-la, entretanto, do que ela mesma. A seguir, Beatriz por ela mesma – campeã de frases começadas com “eu” na nova novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga:

– “Estou vendo que as minhas palavras com você não funcionam, então vou ser européia: Não estou disposta!”

– “Eu não vou à praia no Rio há muitos anos.” 

– “Eu prometo que vou ser a esposa perfeita.” 

– “Eu caio por cima, e caio pra matar.”

– “Eu tenho lastro!”

– “Eu não sou como você, que não tem onde cair morta.” 

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16/03/2015

às 23:24 \ Folhetinescas

‘Babilônia’ começa com duelo de vilãs e beijaço de Fernanda e Nathália

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de 'Babilônia': sem suspense sobre beijo gay desta vez (Reprodução)

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de ‘Babilônia’: sem suspense sobre beijo gay desta vez (Reprodução)

Fernanda Montenegro foi discreta quanto aos carinhos que sua personagem, Tereza, trocaria com Estela, papel de Natália Thimberg durante Babilônia, que estreou na noite desta segunda (16) na Globo. “As cenas não são de erotismo didatizado. Mas há carinho ali”, disse ela ao blog na coletiva que apresentou a novela. Pois logo nas primeiras cenas, a trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga demonstrou que não está disposta a ir devagar ou, muito menos, criar uma expectativa que atravesse capítulos e capítulos: logo nas primeiras cenas, as duas personagens se beijaram apaixonadamente.

A sequência deu o que falar nas redes sociais e, em pouco tempo, a hashtag #Babiloniaestreia estava no topo da lista dos assuntos mais comentados do Twitter, acompanhada de outras tantas relacionadas à novela – em geral, cercada de elogios. Além do beijaço que pôs os holofotes sobre Fernanda e Natália ao som de Eu Te Desejo Amor, com Maria Bethânia, as cenas que apresentaram a rivalidade entre a “vilã pobre” Inês e a “vilã rica” Beatriz justificaram a expectativa pela estreia. Adriana Esteves abriu a novela com uma discussão ética com o marido honesto, Homero (Tuca Andrada) – ela não se conforma em viver num apartamento com vista para o Morro da Babilônia e quer que ele suba no emprego de qualquer jeito. Questionada por que não trabalha ela mesma, já que é advogada, respondeu: “Você sabe o que é ser advogada num país sem justiça?” Pronto, a novela chegou com tudo.

No topo da pirâmide social, mas nem tanto, uma vez que anda falida e procurando marido rico, Beatriz é a presença mais forte e luminosa da trama. Começou recorrendo a serviços extras de um improvável marceneiro descamisado e com tipo de anúncio da Calvin Klein, pouco antes de iniciar um caso com o motorista Cristovão (Val Perré) para chegar ao ricaço Evandro (Cássio Gabus Mendes). Quando passou a ser chantageada por ele, respondeu sem medo: “Você pode ser homem na cama. Fora dela, é um subalterno que vai passar a vida nos servindo.” Algumas cenas depois, deu tiro na cabeça do homem. E, de quebra, conseguiu envolver Inês, que também vinha tentando lhe arrancar uma pequena fortuna.

Lado negro da Força em Babilônia: placar do primeiro confronto deu vitória a Beatriz (Divulgação)

Lado negro da Força em Babilônia: placar do primeiro confronto deu vitória a Beatriz (Divulgação)

Com um núcleo forte no “lado negro da força”, a novela, entretanto, não quis fugir dos clchês românticos quando apresentou seus mocinhos. Regina repete o tipo das tantas mulheres batalhadoras que Camila Pitanga vem vivendo nos últimos tempos. Num clássico do folhetim, ela conheceu o namorado, Fernando (Gabriel Braga Nunes), quando ele a ajudou a recolher os livros do chão após um esbarrão com dois moleques. Ela se preparou para entrar na faculdade, mas teve de adiar o sonho ao engravidar do moço que, para piorar, é casado e já tem uma filha.

Sem as imagens de cartão postal que costumam rechear o primeiro capítulo das tramas das 9, mas com sequências dinâmicas próximas dos seriados americanos, Babilônia deixou claro que estará nas mãos da dupla de vilãs. A simbiose entre as duas, capazes de tudo por motivos difernetes, pode ser resumido pela frase final de Beatriz, cara a cara com Inês: “Nós vamos para o fundo do poço de mãozinhas dadas”, desafia ela, quando a tela congela como em Avenida Brasil (2012). Mária de Fátima 1 X Carminha 0.

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16/03/2015

às 15:40 \ Folhetinescas

‘Babilônia’ tenta ser a nova ‘Vale Tudo’

Regina (Camila Pitanga): 27 anos depois da Raquel de Regina Duarte em 'Vale Tudo', personagem repete a trabalhadora estridente das areias cariocas – o nome Regina não deve ser à toa (Divulgação)

Regina (Camila Pitanga): personagem repete o estilo da Raquel Accioli,  trabalhadora estridente das areias cariocas vivida por Regina Duarte em 1988 – o nome Regina não deve ser à toa (Divulgação)

Vinte e sete anos depois de Vale Tudo, escrita com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Gilberto Braga estreia nesta segunda (16) aquela que pode ser considerada a continuação da novela que marcou a reabertura política com a pergunta “vale a pena ser honesto no Brasil?’. Babilônia (Globo, 21h15), também assinada por Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, recupera o clima de desilusão e necessidade de mudança como pano de fundo para a história principal, mais uma vez sobre ambicão e limites da ética.

As duas novelas, vale dizer, têm Dennis Carvalho como diretor e alguns pontos em comum, obviamente, revistos do não tão longínquo 1988 para o nosso 2015. Abaixo, meia dúzia de correspondências entre Vale Tudo e Babilônia:

Pai que se vai

A trama de Vale Tudo começa com a morte de Salvador (Sebastião Vasconcelos), homem honesto e pai de Raquel. É quando a filha dela, Fátima, vende a casa da família no Paraná e foge com o dinheiro para o Rio, onde pretende se dar bem. Babilônia começa em 2005, com o assassinato de Cristovão (Val Ferré), motorista de Evandro e amante de Beatriz. A amiga de infância dela, Inês (Adriana Esteves), flagra os dois e faz chantagem. Ele mesmo faz outra chantagem. E Beatriz arma um plano para matá-lo e jogar a culpa em Inês. Cristovão é pai de Regina (Camila Pitanga), daí a trama ser entrelaçada pelas três personagens.

Batalhadora da areia

Em 1988, era Rachel (Regina Duarte), representante da classe média que convivia com a inflação galopante, que ganhava a vida nas areias de Copacabana, vendendo sanduíche natural. Desta vez, é Regina (Camila Pitanga), heroína igualmente estridente, mas da nova classe C, que vende coco para sustentar a filha, na praia do Leme. 

Fátima versus Beatriz

Mulher ambiciosa e sedutora que quer se dar bem por meio de um casamento. A idade separa a Maria de Fátima de Vale Tudo e a Beatriz de Babilônia. Mais experiente, é de se esperar que a nova vilã seja mais poderosa. 

Glória Pires e Cássio Gabus Mendes

Desta vez, o Evandro Rangel de Cássio Gabus Mendes não é nem um pouco ingênuo, como o Afonso Roitman de Vale Tudo. Mesmo assim, ele será enganado pela noiva, Beatriz, papel de Glória Pires. 

Ligações perigosas

Evandro é dono de uma constutora, que tem por costume as negociatas com políticos. Em Vale Tudo, a empresa de Marco Aurélio (Reginaldo Faria), do ramo da aviação, também dava um jeito de lucrar além do honesto, praticando a evasão de divisas.   

LGBT

Há 27 anos, a vida de Cecília Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska), que viviam um romance na trama, não era fácil. Irmã de Marco Aurélio, que nunca aceitou o romance, Cecília morre num acidente e deixa herança para Laís. E começa uma batalha dela com o cunhado. Em Babilônia, Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg) têm um casamento de 35 anos e uma família feliz, criando um neto juntas.

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14/03/2015

às 16:06 \ Eu vejo novela

8 frases do final de ‘Império’

José Alfredo (Alexandre Nero), Comendador e pai-herói (Divulgação)

José Alfredo (Alexandre Nero), Comendador e pai-herói em ‘Império’ (Divulgação)

Império (Globo, 21h15) terminou ontem (sexta, 13) deixando no ar se seu adorável Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) estava vivo ou morto e, ainda, uma coleção de frases bem cravadas e espirituosas, marca dos trabalhos de Aguinaldo Silva. Ainda que uns e outros torçam o nariz com algumas soluções do roteiro ou condenem a morte do protagonista, uma coisa não se pode negar: o texto da novela foi constantemente o seu melhor.

Aqui, uma seleção das frases mais marcantes do último capítulo:

1. ‘Só falta uma boa ópera para tornar isso apoteótico.’

Silviano (Othon Bastos), no covil dos vilões à espera do Comendador, antes de morrer de maneira épica – como convém a um mordomo refinado de novela.

2. ‘Pedro… Ou é uma baita coincidência ou aquele pavãozinho se entregou pela vaidade.’

Josué (Roberto Birindelli), protagonista de um curioso merchandising: ao entrar no galpão onde José Pedro (Caio Blat) prendia Cristina (Leandra Leal) e encontrar uma daquelas latinhas de refrigerantes com nomes.

3. ‘A gente tem de batalhar muito, antes de abrir a porta e dar de cara com a felicidade.’

Xana Summer (Ailton Graça), que terminou sua história casada com Naná (Viviane Araújo), criando o tão desejado filho e, ainda, com um agregado, namorado dela.

4. ‘Prometo que se ele voltar bem, eu paro de pintar o cabelo. Prometo, não! Eu juro.’

Duda (Josie Pessoa), usando o cabelo mais comentado da TV nos últimos meses como moeda de troca para proteger o marido, João Lucas (Daniel Rocha). Como ele voltou intacto do Monte Roraima, ela apareceu com as madeixas castanhas, oito anos depois, no final da novela.

5. ‘Há balas perdidas leves e soltas sobrevoando essa cidade, disputando mercado com o mosquito da dengue para ver quem faz mais vítimas.’

Téo Pereira (Paulo Betti), desprezando a notícia de que o comparsa de Maurílio (Carmo Dalla Vecchia) fora atingido em Santa Teresa, e aproveitando para criticar da segurança à saúde pública.

6. ‘O jornalismo é a arte de separar o joio do trigo. Daí você pega o joio e dá um “pu-bli-que-se”.’

Téo Pereira, ensinando a arte do jornalismo rasteiro para a estagiária Érika (Letícia Birkheuer).

7. ‘Todo dia vivo é um bom dia.’ 

Magnólia (Zezé Polessa), ex-trambiqueira e, de repente sábia, ao saber da doença do marido, Severo (Tato Gabus Mendes).

8. ‘Toda vez que eu quiser falar com o Zé, é pra lá que eu vou’

Maria Marta (Lilia Cabral), a grande frasista da novela, fazendo as pazes com o Monte Roraima.

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Todos querem ser o Comendador

Twitter: @patvillalba

14/03/2015

às 0:38 \ Folhetinescas

Morte cai bem ao Comendador no final de ‘Império’

Zé Alfredo (Alexandre Nero) aparece torcendo o bigode na última cena de 'Império': personagem maior do que morte (Divulgação)

Zé Alfredo (Alexandre Nero) aparece torcendo o bigode na última cena de ‘Império’: personagem maior do que morte (Divulgação)

Épica e com diversas referências ao universo shakespeariano, Império (Globo, 21h15) terminou na noite desta sexta (13) como começou, com um último capítulo tão bom quanto o primeiro. Apesar de muitos detalhes do desfecho terem sido divulgado pela emissora, o que poderia gerar um anticlímax, o experiente Aguinaldo Silva tinha boas cartas na manga para manter o suspense. O principal já era sabido: o Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) morreria no final. Mas como? Seria para valer desta vez?

Sim, foi uma morte matada, como o próprio Zé diria, e com direito a cremação. O homem de preto caiu morto ao levar um tiro do primogênito, José Pedro (Caio Blat) e passou desta para melhor ao som de Cartola. Grande vilão da história que se escondeu atrás da identidade de Fabrício Melgaço, Pedro chantageava o pai, querendo dinheiro em troca da vida da irmã bastarda, Cristina (Leandra Leal). Num simbolismo bonito, o Comendador morreu defendendo a vida da filha que teve com o grande amor da juventude, Eliane (Vanessa Giácomo).

Drástica, a morte do protagonista é coerente com sua trajetória e com o que o autor pretendeu ao criá-lo – que ele fosse um personagem maior que a morte. Talvez seja por isso que ele mesmo apareceu, oito anos depois, no canto da foto monárquica da família, cena que remeteu ao início da novela. Não se pode, entretanto, imaginar que ele ande vivo por aí, como quando fingiu estar morto. O Comendador deixou a vida para se tornar um mito – Alexandre Nero certamente terá bastante trabalho para se livrar dele. Eternizado nas páginas na biografia de sucesso que o venenoso Téo Pereira (Paulo Betty) lançou, O Inesquecível Homem de Preto. A sessão de autógrafos, vale anotar, teve a presença do próprio Aguinaldo Silva –que apareceu de azul e não com a roupa preta, a marca registrada que emprestou ao seu maior herói.

Nas tramas paralelas, foi surpreendente o final de Magnólia (ZezéPolessa) e Severo (Tato Gabus Mendes). Trambiqueiros de quinta categoria mas muito divertidos, eles encerraram a novela em clima de drama, com ele sendo diagnosticado com a doença de Alzheimer, algo bem diferente do que se espera de uma dupla cômica. Com menor rendimento do que prometia, certamente por causa da dificuldade de se lidar com o tema de um casal incomum, Cláudio (José Mayer) e Beatriz (Suzy Rêgo) politicamente correto e um tanto artificial. Ele voltou para os braços Leo (Klebber Toledo) e ela arrajou um amor para si. Os quatro, então, viveram felizes para sempre.

11/03/2015

às 16:20 \ Folhetinescas

Todos querem ser o Comendador

José Alfredo (Alexandre Nero) deve ser morto pelo filho, José Pedro (Caio Blat): protagonista arretado de 'Império' mexeu com o público e deixará saudades (Divulgação)

José Alfredo (Alexandre Nero) deve ser morto pelo filho, José Pedro (Caio Blat): protagonista arretado de ‘Império’ mexeu com o público e deixará saudades (Divulgação)

Desce sempre pela minha rua, sem periodicidade definida, um sujeito todo de preto, cabelo bem partido e grudado na cabeça levando uma carrocinha de amolador de facas e objetos cortantes em geral. Sei que ele passa porque começo a ouvir lá longe seu bordão: “chama a moça”. “Ô, moça! Chama a moça”, grita ele, para alguém que só pode ser fruto de imaginação, eu concluía. Para tirar a prova, juntei um alicate e uma faca de bifes e esperei.

Até que um dia lá estava eu, levando bronca do amolador pelo desleixo com o fio. “Olhe, madame… Vamos ver se dou um jeito aqui”, disse, desdenhando do serviço. “Certo, moço. Só não me chame de madame”, respondi, em tom de brincadeira. “E quem está em casa às três da tarde é o quê?”, devolveu ele, nos cascos. “Eu trabalho em casa, moço”, expliquei, surpresa com a autencidade da rispidez. “Ah, já sei!”, disse ele. “É ‘rome ófice’!”

Eu ri. Ele riu. E se gabou de saber “um pouco” de inglês. Questionei se ajuda nos negócios, e ele concordou com a cabeça. Mas gringo manda amolar faca? “Quase nunca, madame. Mas o inglês valoriza o cabra, sabe como é?” Respondi que sim, ô se sei. “É como o Comendador da novela”, brinquei. O rosto do homem se iluminou. “E não é, dona? A senhora sabe por quê?”, perguntou por cima dos óculos de lentes verdes, doido para dar a resposta. “O Comendador sou eu!”

Comendador. Há 8 meses, a gente mal ouvia esse termo. Hoje, depois do trabalho de Alexandre Nero como protagonista de Império (Globo, 21h15), todos querem ser o Comendador ou ter um Comendador para si – é a revanche do macho alfa no horário nobre, depois de um período de Tufões pacientes demais e Laertes doidos de pedra. Na próxima sexta, o “abominável homem de preto” vai deixar o posto de “divo” vago. Se bobear, fará muita gente chorar. Andam comentando que Aguinaldo Silva matará o personagem de verdade desta vez, pelas mãos do filho dele, José Pedro (Caio Blat).

“Lembra quando ele foi pro garimpo em Minas?”, continuou o amolador. “Pois então. Eu fui garimpeiro!”

Quis saber se houve um diamante cor-de-rosa e se ele é dono de um império como o da novela. “Catei umas pedrinhas boas. Mas não foi o caso de, vamos dizer assim, ficar rico”, respondeu ele, jurando que, apesar de “uma diferença ou outra”, tem para si que a novela das 9 é baseada na sua pessoa. “Desde que a novela começou eu só chamo a patroa lá em casa de Maria Marta. Ela odeia.”

E como Aguinaldo teria descoberto essa história? O cabra ficou um tanto sem paciência. “Olhe, conhecer o homem eu não conheço. Mas a madame não conhece a Teoria dos Seis Graus de Separação?”, desafiou, enquanto cobrava pelo serviço – e só me restou um “pois é, pode ser”.

Pus os cinco reais do troco no bolso pensando em como a novela é capaz de mexer com a imaginação do brasileiro, quando me dei conta de que não perguntei dela, a moça. Ele já ia ligeiro pela calçada, tomando fôlego para voltar a gritar o bordão. “Mas que moça é essa, afinal?”, interrompi. Como José Alfredo faria, ele deu um sorriso apaixonado e respondeu: “É a sweet child, dona! A madame não vê a novela?”

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10/03/2015

às 23:05 \ Maestro, uma nota

‘Mais um escândalo pra coleção’

Vicente (Rafael Cardoso) e Cristina (Leandra Leal): no altar – surpresa! – a noiva mudou (Divulgação)

Vicente (Rafael Cardoso) e Cristina (Leandra Leal): no altar – surpresa! – a noiva mudou (Divulgação)

Num dos casamentos mais malucos que a história dos folhetins já viu, Maria Clara (Andréa Horta) caiu em si e resolveu não ir para o altar com Vicente (Rafael Cardoso), o grande amor de sua meia-irmã, Cristina (Leandra Leal). No capítulo desta terça (10) de Império (Globo, 21h15), o noivo não foi, no entanto, abandonado na igreja – a irmã loira assumiu o lugar da irmã morena, que assim quis. E ninguém lembrou de consultar ou sequer avisar o noivo, que só descobriu que se casaria com uma e não com a outra em plena cerimônia.

“Mais um escândalo para a coleção”, resumiu a resignada Maria Marta (Lilia Cabral), que ainda teve de assistir ao novo casal dançar frevo em clima de Titanic.

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 Sensibilidade e testosterona em boa estreia às 6

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09/03/2015

às 20:20 \ Folhetinescas

Sensibilidade e testosterona em boa estreia às 6

Miguel (Domingos Montagner) e Lígida (Débora Bloch) em cena da estreia de 'Sete Vidas': ela queria formar uma família e nem imagina que ele tem uma meia dúzia de filhos espalhados por aí (Divulgação)

Miguel (Domingos Montagner) e Lígida (Débora Bloch) em cena da estreia de ‘Sete Vidas’: ela queria formar uma família e nem imagina que ele tem uma meia dúzia de filhos espalhados por aí (Divulgação)

Uma história despretensiosa contada com sensibilidade por meio das relações humanas. Lícia Manzo não deixa dúvida de que conseguiu imprimir um estilo, evidente logo no primeiro capítulo de Sete Vidas (Globo, 18h20), que estreou na noite desta segunda (9). A autora volta ao horário depois da estreia como autora principal de A Vida da Gente, de 2011, e do seriado Tudo Novo de Novo, de 2009, que criou com Maria Adelaide Amaral.

Crônica que fala sobre família e relacionamentos complexos, a novela dirigida por Jayme Monjardim acertou na exposição de seus personagens e conflitos principais. No centro da trama, estão os personagens de Débora Bloch e Domginos Montagner, casal que tem tudo para agradar – com, não por acaso, aconteceu em Cordel Encantado (2011).

Lígia, um tipo comum de mulher contemporânea, bem-sucedida profissionalmente mas aflita com o tique-taque do relógio biológico, é uma heroína simpática e bastante realista. Apaixonadíssima, chegou a pensar em não aceitar uma promoção no trabalho – a chefia da editoria de economia de um grande jornal – para não sobrecarregar a rotina e poder se dedicar à vida familiar. Só faltou combinar com o futuro marido. “Eu vejo nos olhos dele o quanto ele está dentro também”, disse ela em conversa com a irmã.

Miguel, que traz Domingos Montagner mais uma vez no papel de um sujeito um tanto rústico que não se deixa enlaçar, é incapaz de dizer o sente por ela – um “eu te amo”, então, nem pensar. Ecologista aventureiro, ele é do tipo que prefere se ver “nos olhos de um bicho do que na foto do RG”. “O que você quer, eu não posso te dar”, disse ele em momento sério-sincero, pouco antes de partir para a Antártica, sem avisá-la de que ficaria um ano fora.

Lígia não faz ideia, mas Miguel é também o “doador 251”. Na juventude, foi doador de um banco de sêmem e é pai biológico de uma meia dúzia de filhos. Em busca de sua origem, Julia (Isabelle Drummond) e Pedro (Jayme Matarazzo) fizeram contato pela internet e marcaram um encontro de meios-irmãos. Mas no caminho havia uma manifestação –  e o componente folhetinesco agiu rápido: eles acabaram se conhecendo antes, sem saber quem são – e, nos próximos capítulos,  viverão uma paixonite das mais doloridas.

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07/03/2015

às 16:20 \ Eu faço drama

Nostalgia venceu a trama em ‘Boogie Oogie’

Os mocinhos Sandra (Ísis Valverde) e Rafael (Marco Pigossi) terminaram a novela juntos – claro – e foram para Las Vegas: carisma do elenco e nostalgia se sobressaíram à trama (Divulgação)

Os mocinhos Sandra (Ísis Valverde) e Rafael (Marco Pigossi) terminaram a novela juntos – claro – e foram para Las Vegas: carisma do elenco e nostalgia se sobressaíram à trama (Divulgação)

Grande promessa com resultado um tanto questionável, Boogie Oogie (Globo, 18h20) terminou ontem (sexta, 7) sem deixar uma marca. Em sua estreia na TV brasileira, o português Rui Vilhena desprezou quase toda a efervescência social, política e até cultural da época em que se passava a trama, o ano de 1978, e fez da novela das 6 uma espécie de homenagem às novelas. O resultado, entre uma outra referência a Dancin’ Days O Astro, foi uma colcha de retalhos que fez os personagens soarem não a representação de pessoas reais, mas como uma espécie de clones dos tipos que povoam as próprias novelas. Foi, enfim, a novela dentro da novela, numa autorreferência além da conta.

Longe de ser plausível, a trama central promissora – a troca de duas bebês na maternidade – foi desenvolvida da maneira mais rocambolesca possível, à la Glória Magadan. Com conflitos simples demais ou até mesmo sem sentido, a história se alimentou na maioria dos capítulos de contraposições clássicas, como “loira versus morena”, “vilã patricinha versus mocinha hippie”, “militar rígido versus militante de esquerda pretensamente charmoso”.

Elogios cabem apenas para nomes do elenco. Como já demonstrado anteriormente, o carisma do elenco da emissora consegue sergurar o telespectador fiel mesmo quando o texto deixa a desejar. Ícone da TV nos anos 70, Betty Faria esteve deslumbrante como a avó prafrentex Madalena. Deborah Secco e Fabrício Boliveira formaram um par adorável – a aeromoça à la Farrah Fawcett Inês e o aspirante black power a advogado Tadeu –, mas prejudicado pela saída abrupta dela da trama. Famosa por papéis cômicos, Heloísa Périssé teve momentos emocionantes como a oprimida Beatriz – pena que a conclusão de sua trajetória tenha sido tão previsível. Merece destaque ainda a presença de Zezé Motta, um simbolismo bonito numa novela passada nos anos 70. A se lamentar, entretanto, que a personagem dela, a doméstica Sebastiana, tenha ficado de lado. Em apenas uma cena, Zezé pôde subir ao palco da boate Boogie Oogie e voltar aos tempos de diva pop – um dos muitos momentos em que a nostalgia fez valer a novela.

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