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03/09/2014

às 15:30 \ Eu vejo novela

Quando ela é má, é melhor ainda

Silviano (Othon Bastos) entra para a galeria dos mordomos de Aguinaldo Silva, que tem desde o discreto Alfred (Ítalo Rossi) ao espalhafatoso Crô (Marcelo Serrado) (Reprodução)

Silviano (Othon Bastos) entra para a galeria dos mordomos de Aguinaldo Silva, que tem desde o discreto Alfred (Ítalo Rossi) ao espalhafatoso Crô (Marcelo Serrado) (Reprodução)

Cúmplices como os personagens Maria Marta e Silviano, Lilia Cabral e Othon Bastos saíram por um momento de seus papéis numa cena de Império (Globo, 21h20) que foi ao ar no capítulo de ontem (terça, 2). A madame se divertia no quarto em conversa com o mordomo, após dar um jeito de atrapalhar a vida da nora, Danielle (Maria Ribeiro), com o objetivo final de fazer da vida do comendador José Alfredo (Alexandre Nero) um inferno. “Como disse a outra: quando sou boa, eu sou ótima. Agora, quando eu sou…”, dizia Marta Marta, quando Lilia se desconcentrou com a risada contida do colega, e caiu na gargalhada, tornando a cena duplamente engraçada. “Que foi Silviano? Para, deixa eu terminar… Quando eu sou má sou melhor ainda.”

“A outra” a que a megera se referia é a vilã Branca Letícia de Barros Motta, interpretada por Susana Vieira em Por Amor, novela que Manoel Carlos escreveu em 1997. Ou, talvez, ela estivesse citando a autora original da provocação, Tira, personagem de Mãe West no clássico Não Sou Santa (I’m No Angel), de 1933, grande inspiradora das frasistas  contemporâneas – “When I’m good I’m very, very good, but when I’m bad I’m better.”

No início em participação discreta, como convém a um mordomo de novela, o tradicional Silviano não demora a fazer jus à escola de serviçais marcantes de Aguinaldo Silva, que criou desde o austero Alfredo (Itália Rossi) de Senhora do Destino (2004) até os espalhafatosos Venâncio (Tadeu Mello) de Porto dos Milagres (2001) e, claro, o Crô (Marcelo Serrado) de Fina Estampa (2011).

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02/09/2014

às 11:39 \ Eu vejo novela

Cora de ‘Império’ é a Perpétua 2.0

Em visita à casa de Magnólia (Zezé Polessa) para bisbilhotar, Cora (Drica Moraes) conquistou um souvenir: a cueca de Robertão (Rômulo Neto) (Divulgação)

Em visita à casa de Magnólia (Zezé Polessa) para bisbilhotar, Cora (Drica Moraes) conquistou um souvenir: a cueca de Robertão (Rômulo Neto) (Divulgação)

Se havia alguma dúvida, ela foi dirimida no capítulo de ontem (1) de Império (Globo, 21h15): a Cora de Drica Moraes é a encarnação moderna e urbana da inesquecível Perpétua que Joana Fomm interpretou em Tieta, novela que Aguinaldo Silva escreveu em 1989 a partir do romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado. Numa atitude cômica e típica da beata mais agourenta de Santana do Agreste, Cora deu para roubar roupa íntima em visita suspeita à casa de Magnólia (Zezé Polessa).

Sempre tentando descobrir segredos de alcova que lhe rendam alguma vantagem, ela viu uma oportunidade de colher informações sobre a amante de José Alfredo (Alexandre Nero), fazendo-se passar como nova melhor amiga da mãe falastrona dela Magnólia. Com uma dose extra de coincidência, descobriu que Isis é também irmã do bonitão que ela tentou agarrar outro dia em Santa Teresa e, depois, acusou de tentativa de estupro: Robertão (Rômulo Neto). E não teve pensou duas vezes antes de meter na bolsa a cueca do sujeito, que viu perdida entre as almofadas do sofá – sabe-se lá em que estado. No elevador, cheirou a peça – algo tão Perpétua!

Lembrar de Tieta é involuntário ao noveleiro, mas não é o caso de acusar o autor de repetição, pelo contrário. Recalcadas e más por causa disso, as personagens fazem rir do rancor e não negam a estirpe. Mas são bem plantadas em contextos absolutamente distintos. Para completar, Aguinaldo deixa na cara uma crítica pertinente: a hipócrita Santana do Agreste imaginada por Jorge Amado pode estar no interior nordestino dos anos 70 ou agora, logo ali em Santa Teresa.

Abaixo, os principais pontos entre Cora e Perpétua:

Perpétua (Joana Fomm) e sua caixa branca misteriosa: recalcada, puritana e mexeriqueira, ela vive nos contornos que Aguinaldo Silva e Drica Moraes dão a Cora em 'Império' (Dilvugação)

Perpétua (Joana Fomm) e sua caixa branca misteriosa: recalcada, puritana e mexeriqueira, ela vive nos contornos que Aguinaldo Silva e Drica Moraes dão a Cora em ‘Império’ (Dilvugação)

Irmã da onça

A inveja que sente da irmã bela e faceira, Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli), transferida para a sobrinha, Cristina (Leandra Leal), é a maior semelhança de Cora com Perpétua, que não suportava o estilo libertário de Tieta (Betty Faria). O recalque da vilã teve consequências importantes nas duas tramas: em Tieta, foi Perpétua que levou o pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos), a expulsar a filha de casa; em Império, Cora tramou para separar Eliane de José Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero).

Defensora da moral

Cora não parece tão carola quanto Perpétua, mas é igualmente defensora dos “bons costumes”, sempre a criticar os que “se dão ao desfrute”. Desfrute, aliás, é um termo típico de Perpétua.

Fetiche

A beata Perpétua passou a novela toda enaltecendo a memória do marido morto, o “major”, e remexendo uma misteriosa caixa branca, guardada com capricho no guarda-roupa. O público só descobriu o que havia ali no final: nada menos que o órgão sexual do major, embalsamado. Cora não é viúva, mas garante que é casta. E como Perpétua, tem lá os seus fetiches, como cheirar a roupa íntima de garotões.

Fala que eu te escuto

Ouvir atrás da porta é uma habilidade que faz toda a diferença na trajetória de uma vilã de novela. Como se dizia nos tempos de Perpétua, Cora tem o “ouvido de tísico” típico megeras. O que, para as duas, rende muito mexerico e também cenas de humor.

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Os 7 acertos de ‘Império’

01/09/2014

às 13:08 \ Fotonovela

Xana será mãe em ‘Império’

Xana (Ailton Graça) recebe um pedido especial de uma amiga a beira da morte: cuidar do garoto Luciano (Yago Machado) (Divulgação)

Xana (Ailton Graça) recebe um pedido especial de uma amiga a beira da morte: cuidar do garoto Luciano (Yago Machado) (Divulgação)

Mãezona do pedaço e uma das personagens mais carismáticas da novela, Xana Summer (Ailton Graça) deve adotar um garoto nos próximos capítulos de Império (Globo, 21h15). Em cena que vai ao ar hoje (1), o travesti recebe um apelo emocionante de uma amiga com pouco tempo de vida, Teresa (Kelzy Ecard): que o cabeleireiro cuide do filho dela, Luciano (Yago Machado). “É o pedido de uma mãe desesperada!”, dirá.

Claro que, com seu perfil solidário, Xana não deixará o garoto desamparado. E começará uma família, ao lado da amiga e fiel escudeira Naná (Viviane Araújo).

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29/08/2014

às 17:13 \ Folhetinescas

‘Geração Brasil’ pega fogo, mas não queima

No capítulo deste sábado (30), Pamela (Claudia Abreu) finalmente flagra Jonas (Murilo Benício) com Verônica (Taís Araújo) (Divulgação)

No capítulo deste sábado (30), Pamela (Claudia Abreu) finalmente flagra Jonas (Murilo Benício) com Verônica (Taís Araújo) (Divulgação)

Ontem houve um verdadeiro rebu, como bem classificou Dorothy (Luís Miranda), mas Geração Brasil (Globo, 19h) ainda não conseguiu empolgar. Já na virada do centésimo capítulo, a trama de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira mostrou ter boas ideias, em geral piadas com referências ao mundo pop e cibernético, mas se perde com frequência na velocidade de informações e reviravoltas.

A novela é assumidamente estapafúrdia, o que poderia ser bom mas que, neste caso, afasta uma parte considerável do público que não entende do que se fala ali. E quem entende não se sente atraído pelo roteiro principal. Há várias citações a seriados, filmes e modas das redes sociais, mas no fim das contas é a história de Steve Jobs contada a partir do bairro da Taquara, ali ao lado do Projac. Imagine se o criador do i-Pod fosse filho da Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) – é Jonas Marra (Murilo Benício).

O empresário bilionário com jeito de Tufão do Divino não conseguiu ser mais carismático que as Empreguetes de Cheias de Charme, sucesso da dupla de autores em 2012, apesar de estar acompanhado por parte daquele elenco. Prova de que não há receitas para o sucesso, mas uma regra fundamental: boa história.

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 5 mistérios de ‘Império’

28/08/2014

às 12:22 \ Folhetinescas

5 mistérios de ‘Império’

Daniel Rocha na sala de maquiagem do Projac: médicos que atenderam o playboy João Lucas na novela não parecem ser tão bons quanto a equipe de caracterização, que vem caprichando no "efeito zumbi" (Reprodução/Instagram)

Daniel Rocha na sala de maquiagem do Projac: médicos que atenderam o playboy João Lucas na novela não parecem ser tão bons quanto a equipe de caracterização, que vem caprichando no “efeito zumbi” (Reprodução/Instagram)

Como toda trama boa, Império (Globo, 21h20) deixa certas coisas no ar. Há pouco mais de um mês da estreia, Aguinaldo Silva parece ter ainda muitas cartas na manga para operar grandes reviravoltas, além da chegada de novos personagens – Adriana Birolli, por exemplo, voltará, como sobrinha da Maria Marta que viveu na primeira fase.

O barulho que ela vai causar é uma expectativa para daqui a mês, mas já há uma boa quantidade de incógnitas para intrigar o telespectador. Veja abaixo cinco  “mistéeeerios” da novela, como diria a Dona Milú (Miriam Pires) de Tieta (1989).

1. DNA

Será que Cristina (Leandra Leal) é mesmo filha de José Alfredo (Alexandre Nero)? Como o comendador não gosta “dessa coisa de DNA”, ficou para depois a prova do principal mistério da novela.

 

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): romance pode não ser tão improvável quanto parece (Divulgação)

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): romance pode não ser tão improvável quanto parece (Divulgação)

2. Preço de banana

De quanto foi o cheque de Maria Marta (Lilia Cabral) que fez Cristina desistir dos direitos de herdeira de José Alfredo? Numa estimativa, parece que foi mixaria: deu para comprar iogurte para o sobrinho, fez escova no salão da Xana (Ailton Graça) e reformou o camelódromo.

3. Walking Dead

É certo que, se tivesse curado rápido, a gente ia reclamar. Mas já não durou tempo suficiente o inchaço no olho de João Lucas (Daniel Rocha)? Na novela acontece tanta coisa, que a impressão é que foi há um ano a surra que o playboy levou de uns bandidos em Santa Teresa.

4. Vera Verão

Afinal, Xana é ou não é gay? Todo o glamour do travesti mais gente fina de Santa Teresa pode não passar de um disfarce – e neste caso, haveria espaço para um romance dele com Naná (Viviane Araújo), o que pode ser muito divertido.

Beatriz (Suzi Rego) encontra Léo (Klebber Toledo), o amante de seu marido: com esse figurino, amiga, fica difícil competir (Divulgação)

Beatriz (Suzi Rego) encontra Léo (Klebber Toledo), o amante de seu marido: com esse figurino, amiga, fica difícil competir (Divulgação)

5. Cosplay

Por que caracterizaram Suzy Rêgo no “estilo presidente Dilma”? O penteado e figurino de Beatriz, mulher de Cláudio Bolgari (José Mayer) é tão chocante quanto a compreensão que ela demonstra ter diante da homossexualidade reprimida do marido.

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27/08/2014

às 13:02 \ Eu faço drama

Dar ou não dar pinta, eis a questão

Leonardo (Klebber Toledo) rompe acordo com Téo Pereira (Paulo Betti) e diz que não vai entregar provas do relacionamento com Cláudio (José Mayer)

Leonardo (Klebber Toledo) rompe acordo com Téo Pereira (Paulo Betti) e diz que não vai entregar provas do relacionamento com Cláudio (José Mayer)

Todas as noites, nos sofás espalhados pelo país, os noveleiros que acompanham Império (Globo, 21h15) se dividem entre os que acham que Paulo Betti exagera na composição desmunhecada do blogueiro fofoqueiro Téo Pereira e os que sabem há mesmo gays por aí tão, digamos, performáticos quanto ele.

Os que não concordam podem, claro, argumentar que não é possível que alguém passe o dia todo destilando veneno com tamanha frescura. Mas quem disse que o que vemos na novela são as 24 horas de vida de alguém? Há que se considerar que nas cenas, Téo tem sempre uma plateia – de pelo menos uma criatura que seja, a foca-capacho Érika (Letícia Birkheuer) –, que está lá para justificar o show, sempre recheado de frases de efeito, muito bico e o dedilhar com a ponta dos dedos no teclado. O leitor deve conhecer pelo menos um tipo como esse, que parece fazer de sua existência um musical de Bibi Ferreira.

A mando de Téo Pereira (Paulo Betti), Robertão (Rômulo Neto) se aproxima de Léo (Klebber Toledo) em busca de provas contra Cláudio (José Mayer)  (Divulgação)

A mando de Téo Pereira (Paulo Betti), Robertão (Rômulo Neto) se aproxima de Léo (Klebber Toledo) em busca de provas contra Cláudio (José Mayer) (Divulgação)

A discussão em torno do personagem é pertinente não exatamente por ele ser ou não um retrato fiel de algum gay real, mas porque está inserido numa trama que se move a partir de uma dúvida moderna cruel: dar ou não dar pinta?

Neste sentido, há algo especial na composição de Téo Pereira: no que diz respeito  à homossexualidade, ele é o mais verdadeiro entre os tantos gays da novela de Aguinaldo Silva, mesmo tendo um caráter duvidoso e ser, sim, um estereótipo. A divina Xana Summer (Ailton graça) é, sem dúvida, uma heroína, mas ainda tem uma sexualidade misteriosa para o público – se bobear, é um malandro escondido sob a purpurina da cabeleireira e ainda vai ter um caso com Naná (Viviane Araújo).

Já o fofoqueiro ressentido é uma espécie de “vilão com razão” que se opõe ao “mocinho” Cláudio Bolgari. O personagem de José Mayer finge ser heterossexual, com o apoio da mulher, Beatriz (Suzi Rego) – outra que intriga os telespectadores, com sua conduta mais do que compreensiva. Discreto, Cláudio tem o refinamento que a profissão de cerimonialista exige, e mesmo tendo mantido um caso com Leonardo (Klebber Toledo) durante dez anos, diz com todas as letras que não é gay. Téo não aguenta tamanha desfaçatez, consome-se em faniquitos. Certo, vá lá, Cláudio não está. Mas a vida é assim: dá pinta e sai do armário quem quer.

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25/08/2014

às 22:35 \ Eu vejo novela

Maria Marta se apodera do hit de Porcina em ‘Império’

Dona de quê?: Depois de chorar de felicidade durante a noite, Maria Marta (Lilia Cabral) ouviu José Alfredo (Alexandre Nero) chamar pela amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) (Divulgação)

Dona de quê?: Depois de chorar de felicidade durante a noite, Maria Marta (Lilia Cabral) ouviu José Alfredo (Alexandre Nero) chamar pela amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) (Divulgação)

Sucesso como tema da Viúva Porcina (Regina Duarte) de Roque Santeiro em 1985, Dona, da dupla Sá & Guarabira, em nova versão do grupo Roupa Nova, volta a embalar um amor exagerado  numa novela das 9. No capítulo de Império exibido nesta segunda (25), a música tocou pela primeira vez para o casal Maria Marta (Lilia Cabral) e José Alfredo (Alexandre Nero), que tiveram uma noite de amor improvisada após ele chegar bêbado em casa.

Com uma letra que fala sobre uma mulher poderosa e conquistadora de corações, a canção não trouxe, entretanto, sorte para a vilã, cujo ponto fraco é o amor que sente pelo marido. Ao acordar pela manhã, ela foi obrigada a ouvi-lo balbuciar “my sweet child”, o apelido da jovem amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa). “Eu vou comer sua sweet child viva”, ameaçou ela, já especulando sobre uma eventual acne na pele da ninfeta.”Morra, que 50% da sua fortuna virá para o meu bolso”, tripudiou, quando ele disse que estava passando mal.

Depois de falar o que quis, ela ouviu o que mal poderia aguentar: o ex-marido admitiu que está apaixonado pela amante. E não cabia mais tocar Dona – o que se ouviu a seguir foi apenas um piano discreto para a melancólica Over The Rainbow.

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25/08/2014

às 14:29 \ É página virada

Lucinha e Carlão se reencontram em ‘Boogie Oogie’

Como Carlão e Lucinha, Francisco Cuoco e Betty Faria formavam o casal sensação da TV nos tempos retratados em 'Boogie Oogie' (Divulgação)

Como Carlão e Lucinha, Francisco Cuoco e Betty Faria formavam o casal sensação da TV nos tempos retratados em ‘Boogie Oogie’ (Divulgação)

Uma cena aparentemente despretensiosa, mas carregada de simbolismo foi ao ar na última quinta (21) em Boogie Oogie: a madame pra frentex Madalena tocou, por engano, a campainha da casa do personagem mais rabugento da novela, Vicente. Cheio de resmungos e com boa dose de humor, o encontro é uma homenagem do autor Rui Vilhena ao casal ícone da telenovela dos anos 70, Betty Faria e Francisco Cuoco, e a única conclusão possível é que os personagens ainda terão um romance.

Ao tocar a campainha errada, Madalena (Betty faria), conheceu Vicente (Francisco Cuoco): Lucinha e Carlão de 'Pecado Capital' mandam lembranças (Reprodução)

Ao tocar a campainha errada, Madalena (Betty faria), conheceu Vicente (Francisco Cuoco): Lucinha e Carlão de ‘Pecado Capital’ mandam lembranças (Reprodução)

A sequência remete ao casal Lucinha e Carlão de Pecado Capital, sucesso que Janete Clair escreveu em 1975 – três anos, portanto, antes do momento em que se passa Boogie Oogie. Atrevidos e charmosos, os personagens destoavam dos “namoradinhos do Brasil” que costumavam estrelar as novelas. Lucinha era uma operária ambiciosa e muito bonita, que ascendia socialmente ao se tornar modelo. Noiva de Carlão, taxista suburbano e ciumento, ela quase enlouqueceu o homem ao bater na tecla de que precisava mudar de vida, ainda mais quando se envolveu com o viúvo rico  Salviano Lisboa (Lima Duarte). Nesse contexto, embalada por Paulinho da Viola cantando que “dinheiro na mão é vendaval”, a história começava com um assalto a banco e uma mala cheia de notas esquecida no banco do táxi.

E pensar que um dos maiores sucessos da teledramaturgia nacional foi produzido às pressas. Naquele ano, a censura deixou a Globo em maus lençóis quando proibiu integralmente Roque Santeiro, de Dias Gomes, que teria Betty como Viúva Porcina e, veja que coisa, Couco como Roque. Janete correu e tirou Pecado Capital da cartola, mantendo boa parte do elenco da produção censurada. Cuoco ganhou, então, mais um grande personagem da autora de Selva de Pedra (1972), da qual ele foi o protagonista Cristiano. Mais tarde, em 1978, ela voltaria a escrever um sucesso para o seu ator preferido, o Herculano Quintanilha de O Astro.

Abaixo, antes das muitas cenas que ainda virão de Betty e Cuoco em Boogie Oogie, um momento especial de Pecado Capital: Lucinha volta para casa de carona com o bonitão Nélio Porto Rico (Dennis Carvalho) e provoca a ira de Carlão. “Volta aqui, seu bochecha mole!”, diz ele, após dar uns sopapos no oponente, que foge a mil no fusquinha.

 

22/08/2014

às 11:52 \ Folhetinescas

Os 7 acertos de ‘Império’

Entre charmoso e cafona, Alexandre Nero brilha como o protagonista José Alfredo (Divulgação)

Entre charmoso e cafona, Alexandre Nero brilha como o protagonista José Alfredo (Divulgação)

Sem rodeios: Império fez por merecer e pegou. Há um mês no ar, a trama de Aguinaldo Silva conseguiu recuperar parte da audiência na faixa das 9 e reconquistou os telespectadores que costumam se manifestar pelas redes socais. “Diante dessa unanimidade, eu me pergunto: onde foi que eu errei?”, brincou o autor, que mantém contato direto com os fãs e críticos pelo Twitter e Facebook.

Bem escrita, dirigida e interpretada, a novela não pode escapar de ser comparada a Avenida Brasil, o último grande sucesso de público e crítica da Globo. No primeiro mês, a trama de João Emanuel Carneiro marcou média de 36 pontos no Ibope. Império fecha o período com média de 34 pontos, marca ligeiramente menor, mas há que considerar que ela recebeu o horário de Em Família, de Manoel Carlos, com 30 pontos de média geral. Em 2012, vale lembrar, Avenida Brasil sucedeu Fina Estampa, também de Aguinaldo, que deixara 39 pontos de média.

É justificado, portanto, o entusiasmo que cerca a novela, uma reinvenção cuidadosa do autor, que tem muito a ver com os bons tempos de Tieta (1989) e Pedra sobre Pedra (1992). E já que está dando tudo certo, cabe falar dos sete acertos – em vez dos erros – da novela. Confira abaixo alguns pontos que fazem de Império um sucesso:

1. Trama de fases

Contar a novela em dois tempos é um recurso que vem sendo usado pelas tramas das 9 ininterruptamente desde Avenida Brasil, de 2012. Depois dela, vieram Salve Jorge, Amor à Vida, Em Família e, agora, Império. A estratégia é boa porque além de proporcionar quase um relançamento na passagem para os dias atuais, funda bases sólidas na composição dos personagens, como aconteceu agora com José Alfredo (Chay Sued/Alexandre Nero), Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli), Cora (Marjorie Estiano/Drica Moraes) e Maria Marta (Adriana Birolli/Lilia Cabral).

Maria Marta (Lilia Cabral)  dá as cartas em 'Império' (Reprodução)

Maria Marta (Lilia Cabral) dá as cartas em ‘Império’ (Reprodução)

2. Vilãs aos baldes

Um autor pode – e até deve – arriscar-se numa história sem vilão muito bem definido. Mas terá muito mais dificuldade para chegar ao coração do público. E com toda sua inspiração medieval, Império não poderia prescindir de um balde de maldades. Por isso, a novela abriu espaço para duas vilãs de grande porte: Cora (Drica Moraes), a pobre, e Maria Marta (Lilia Cabral), a milionária. Os encontros das duas são deliciosos de ver.

3. Xana Summer e Naná

Há uma galeria enorme de travestis que fizeram sucesso nas novelas. É o tipo de personagem que o público adora, quando é oportunidade para um ator mostrar seus recursos.  No caso de Xana Summer, defendido com leveza por Ailton Graça, o resultado não poderia ser melhor. E, para completar, foi muito acertada a escolha de Vivianne Araújo para companheira de cena dele, como a manicure Naná. Vale citar, ainda, as cenas dela com Juliane Popular (Cris Vianna), rainha de bateria que vive uma história inspirada no seu relacionamento com o cantor Belo. “Força amiga”, disse Naná para Juliane outro dia, diálogo entre ficção e realidade.

4. Imperador

No centro de uma trama simples, de reconhecimento de paternidade e disputa por herança, Alexandre Nero pegou o protagonista José Alfredo de jeito e consegue ser ao tempo charmoso e cafona.

5. Brokeback Mountain

Como já citei aqui, o romance entre o cerimonialista enrustido Cláudio (José Mayer) e o jovem aspirante a ator Leonardo (Klebber Toledo) é um bolero tragicômico bem temperado com a maldade do blogueiro língua-de-trapo Téo Pereira (Paulo Betti)

6. Desfrute

A novela não chega a ser das mais salientes.  Mas sabe sugerir. Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), amante de José Alfredo que vive enclausurada numa espécie de torre, dá show diário à la Victoria’s Secret. E, como é preciso agradar a todos, Robertão (Rômulo Arantes Neto) deu para se sustentar fazendo striptease em domicílio.

7. Dial

Uma trilha com músicas de respeito, e não sucessos grudentos, é um dos atalhos para cair no gosto do público. Desde a estreia, a playlist da novela só colhe elogios nas redes sociais, misturando de Beatles a Cartola.

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20/08/2014

às 15:47 \ Eu faço drama

Cheio de mimimi, mocinho prejudica ‘Boogie Oogie’

No capítulo desta quarta (20), Rafael (Marco Pigossi) dá carona a Márcia (Christiana Guinle), após saber que a enfermeira trocou Vitória (Bianca Bin) na maternidade (Divulgação)

No capítulo desta quarta (20), Rafael (Marco Pigossi) dá carona a Márcia (Christiana Guinle), após saber que a enfermeira trocou Vitória (Bianca Bin) na maternidade (Divulgação)

Em 1978 ainda não havia o termo, mas é cheia de mimimi a história de Rafael (Marco Pigossi) em Boogie Oogie. Há três semanas no ar, a novela das seis da Globo mostrou que tem como pontos fortes a boa reconstrução de época, figurinos e personagens promissores, além da deliciosa trilha sonora, mas é enfraquecida por um trio de protagonistas pouco carismáticos.

Isso nada tem a ver com atores escalados, mas com o que move os jovens personagens naqueles anos difíceis da virada para os anos 80. Vitória, interpretada por Bianca Bin, é o estereótipo da patricinha – ou, melhor, coquete – e tem a função de ser quase insuportável. Sandra (Isis Valverde), que poderia ser a heroína batalhadora, derrapou em alguns momentos decisivos, e tem argumentos fracos para suas reivindicações, como quando cobra indenização pela morte do noivo, Alex (Fernando Belo), a Fernando (Marco Ricca). Se o empresário é pai da noiva do piloto do avião que atingiu Alex, como responsabilizá-lo pelo acidente?

Alex, aliás, parecia ser o verdadeiro herói da novela, mas morreu logo no primeiro capítulo, tentando salvar o mocinho romântico, Rafael (Marco Pigossi). Confuso, o piloto é o protagonista, mas só faz lamentar uma série de infortúnios. A melancolia dele começou bem antes, quando seus pais morreram no incêndio do Edifício Joelma, em 1974 no centro de São Paulo. A tragédia o levou a morar no Rio, e o afastou de uma tal namorada, cuja lembrança ele guarda numa caixa cheia de cartas, fotos e tais.

Com esse amor todo no fundo de uma gaveta, ele começou a história prestes a ficar noivo de Bianca, a pedido de sua tia, Cristina (Fabíula Nascimento). Um dia antes do acidente,porém, deu de cara com Sandra na rua, vestida de noiva, e declarou-se apaixonado pela desconhecida: “Desista do seu casamento”, arriscou. Seria um rompante romântico adorável não tivesse ele cedido à pressão da tia. Ela vê no casamento com Bianca uma oportunidade de melhorar de vida, e exigiu que ele oficializasse o pedido de casamento porque já havia feito o carnê para a compra das alianças. Como acreditar num mocinho que cede a um argumento desse tipo?

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