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06/08/2014

às 15:59 \ Folhetinescas

Acontece na novela, repercute na vida real

José Pedro (Caio Blat) e Danielle (Maria Ribeiro), em cena de 'Império': filhinho da mamãe Maria Marta (Lilia Cabral), ele atropelou e matou um homem, depois simulou um roubo para se livrar do crime (Divulgação)

José Pedro (Caio Blat) e Danielle (Maria Ribeiro), em cena de ‘Império’: filhinho da mamãe Maria Marta (Lilia Cabral), ele atropelou e matou um homem, depois simulou um roubo para se livrar do crime (Divulgação)

Avançamos pela BR-101 pelo litoral potiguar com tempo para todo o tipo de conversa superficial sobre algumas das questões mais profundas da humanidade. Cinquenta quilômetros são o suficiente para que Emilielson, motorista simpático de pensamento um tanto caótico, lamente os gastos com a Copa, as distorções que vê no Bolsa Família, o Ebola e a dengue e o Felipão no Grêmio. Do famigerado 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil – “Cada gol custou uns 10 bi para o país”, calculou – , passamos, numa abrangência impressionante, ao que se chamou no carro de “tudo, no fim das contas, sempre é culpa da eduçação que se tem em casa”. “Todo corrupto tem um pai, dona”, lembre sempre disso.

Dance, Maria Marta, dance: maldizeres da personagem influenciam telespectadores desavisados na vida real

Dance, Maria Marta, dance

“A senhora veja uma história que me deixou doido outro dia no jornal. É como? Um sujeito – desses filhinhos de mamãe com jacarezinho no bolso, sabe? – atropelou e matou um cabra qualquer, um pobre coitado. Sabe o que a mãe dele fez quando ficou sabendo? Mandou que o filhote abandonasse o carro e desse queixa na delegacia! É como? Pra culpa cair  nas costas do suposto ladrão! Não é muito esperta essa madame, moça?”, contou ele, na narrativa mais cheia de perguntas que já se viu, enquanto eu decidia se avisava que a história que ele pensava ter visto no Jornal Nacional é, na verdade, uma das tramas de Império (Globo, 21h15). Na novela, a vilã Maria Marta (Lilia Cabral) tenta esconder o crime cometido por José Pedro (Caio Blat) com outro crime, e já sofre chantagem por causa disso.

Preferi não avisar simplesmente porque pareceu mais divertido. E também porque fiquei na dúvida se seria boa coisa interromper tamanha ira para falar de novela. Contei uns trinta coqueiros na janela enquanto ele discorreu sobre o que chamou de “fim dos tempos”, época em que “os pais que não comparecem” estão formando uma geração de “desmilinguidos de intelecto” – fiz uma anotação mental para usar o termo em breve. Limitei-me a um “que horror” e dois “é mesmo muito triste”, enquanto ele dividiu a culpa pela falência da sociedade entre os políticos, a igreja, a imprensa. “Mas sabe que é o principal culpado? As novelas da Globo, que mostram um monte de absurdos pro nosso povo! Novela é perigoso, dona. Porque eu sei, a senhora sabe, o que está se passando na realidade. Mas tem muita gente por aí que não sabe. Daí, fica é como?”, questionou, no momento em que eu já não sabia mais o que era ficção e o que era realidade dentro daquele carro.

Às vezes, a maneira como as pessoas  absorvem a novela é tão ou mais interessante do que a própria novela. Mesmo com toda a pulverização da audiência e toda a oferta de opções de audiovisual, uma novela das nove com os elementos certos pode ter uma estreia de força tão grande a ponto de estar no subconsciente até de quem não vê. É claro que uma novela malsucedida põe o gênero em xeque, uma vez que já foi mais do que decantada a necessidade de inovação. Mas uma boa história, principalmente com os atores certos e temperada com certa polêmica ainda tem uma capacidade única de mobilizar o brasileiro, comparável apenas ao frisson de um ou outro evento esportivo transmitido ao vivo.

Nas duas primeiras semanas no ar, a novela de Aguinaldo Silva monopolizou os Trending Topics do Twitter; no site Dicionário InFormal, o termo “comendador” – título do protagonista José Alfredo (Alexandre Nero) – está no topo dos mais buscados desde a estreia; há dias os leitores do QUANTO DRAMA! debatem as citações negativas a Roraima feitas a Maria Marta, que vive chamando o lugar de “fim do mundo”; e a repercussão já reflete positivamente na audiência do horário, que dá sinais de recuperação após o fiasco de Em Família, que teve média de 29 pontos bateu seu recorde no Rio no capítulo de ontem (5), com 39 pontos, e igualou sua melhor marca em São Paulo, de 35, como informa o Radar on-line.

“A minha mulher disse que vê novela porque gosta dos vestidos. Pode isso, dona? Eu brinquei com ela, que tem de vestir então aquelas roupas do ‘Pedacinho de coisinha’ – é como?”, continuou Emilielson, implicando até com Meu Pedacinho de Chão. “Já falei pra ela que a pessoa tem que ver um documentário, saber o que estão falando no Face. Não pode ficar para trás”, gabou-se, um quilômetro antes de cair na conversa sobre “a falácia da educação neste país”. De novo, culpou os políticos, a igreja, a imprensa. E permitiu-se filosofar, quando eu tentei livrar meu ofício de mais essa e ponderei que a imprensa está sempre destacando a importância dos estudos e condenando o descaso com as escolas. “Pois é, dona. É muita notícia ruim, não dá gosto de ler o jornal. Boa mesmo a vida do meu tio, que é analfabeto de pai e mãe – não sabe de nada desse mundo, e pronto.”

Dei um suspiro e voltei a contar coqueiros. O clima pesou e só se ouvia uma moeda perdida dentro do porta-luvas. Uns dez quilômetros depois, ele chegou a me dar um susto quando tentou – e conseguiu – quebrar o gelo: “Mas me conte: quem a senhora acha que matou o Cazuza no Rebu?”

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Alexandre Nero vive o “sonho brasileiro” em ‘Império’

05/08/2014

às 21:56 \ Maestro, uma nota

“Nem em novela isso existe mais!”

(Divulgação)

(Divulgação)

Em metalinguagem carregada de ironia, Maria Marta (Lilia Cabral) estranhou a revelação de que Cláudia (Leandra Leal) é filha de José Alfredo (Alexandre Nero), em sequência levada ao ar no capítulo desta terça (5) de Império (Globo, 21h15). Para esclarecer os fatos, a nova herdeira mostrou uma carta da mãe, Eliane (Malu Galli), morta há três dias. “Carta de uma morta?Minha filha, nem em novela isso existe mais!”, disse a vilã, que já apelidou a nova integrante da família de “songa-monga”, um dos xingamentos preferidos das megeras de folhetim.

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04/08/2014

às 20:48 \ Folhetinescas

Anos 70 garantem a diversão em ‘Boogie Oogie’

Herói com figurino de Tom Cruise em 'Top Gun' (1986), Rafael (Marco Pigossi) vive com os tios desde a morte dos pais, no incêndio do Edifício Joelma, em 1974, e, de casamento marcado com Vitória (BIanca Bin), envolve-se num acidente que termina com a morte de Alex (Fernando Belo). Adivinhe se ele não vai se apaixonar pela noiva do morto azarado, Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

Herói com figurino de Tom Cruise em ‘Top Gun’ (1986), Rafael (Marco Pigossi) vive com os tios desde a morte dos pais, no incêndio do Edifício Joelma, em 1974. De casamento marcado com Vitória (BIanca Bin), envolve-se num acidente que termina com a morte de Alex (Fernando Belo). Adivinhe se ele não vai se apaixonar pela noiva do morto azarado, Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

Elas foram trocadas na maternidade e vão disputar o mesmo homem. Com um enunciado rocambolesco e um certo abuso do conceito “coincidências da vida”, Boogie Oogie, novela de Rui Vilhena que substituiu Meu Pedacinho de Chão na faixa das seis da Globo, divertiu com as diversas referências ao final dos anos 70  no seu capítulo de estreia, exibido na noite desta segunda (4).

Pouco depois de 'Em Família', outra novela lança mão do recurso "noivo não pode ver a amada vestida de noiva antes do casamento": azarado além da conta, Alex (Fernando Belo) viu o carro quebrar a caminho da igreja e, quando tentava uma solução, foi atingido por um avião – antes, ele disse que "só a morte" o impediria de se casar com Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

Pouco depois de ‘Em Família’, outra novela lança mão do recurso “noivo não pode ver a amada vestida de noiva antes do casamento”: azarado além da conta, Alex (Fernando Belo) viu o carro quebrar a caminho da igreja e, quando tentava uma solução, foi atingido por um avião – antes, ele disse que “só a morte” o impediria de se casar com Sandra (Isis Valverde) (Divulgação)

O título Boogie Oogie vem da discoteca comandada por Amaury (Junno Andrade), e que vai reunir os personagens da trama em noites de basfond. A ação se passa em 1978, não por acaso o ano em que foi ao ar a lendária Dancin’Days, novela de Gilberto Braga cujo título, por sua vez, vinha da boate fictícia Frenetic Dancing Days.

Hits da música pop, máquinas de escrever, telefone de disco, orelhão, fusca, bombril na antena da TV, uma leve citação à ditadura militar e lurex, muito lurex. A reconstrução da época que ainda está fresca na memória de muita gente é o maior charme da novela, dirigida por Ricardo Waddington. A se lamentar que a produção tenha optado por uma fotografia contemporânea, em vez de apostar numa paleta de cores mais característica, como fez, por exemplo, o seriado americano That’ 70s Show (1998-2006).

Bem escalado e com os nomes de Avenida Brasil (2012) que estão na turma de Waddington desde então, o elenco tem bons personagens para desenvolver, como a Inês de Deboah Secco, aeromoça dos tempos de glamour da profissão e que complementa a renda vendendo artigos importados na era pré-abertura comercial, e o Tadeu de Fabrício Boliveira, tipo meio blaxploitation que estudou Direito e tenta ser diplomata, mas trabalha como motorista na casa de uma madame. Por meio deles, o autor deve refletir sobre o passado recente, num bom pano de fundo para a história de Sandra (Ísis Valverde) e Vitória (Bianca Bin), e deixar que o telespectador transite entre a nostalgia e a sensação de que caminhamos um tanto nos últimos 40 anos. Ao ouvir de Inês que Tadeu é formado, Susana (Alessandra Negrini), a vilã da história, duvida e diz : “É tão possível quanto um preto ser presidente dos Estados Unidos.”

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01/08/2014

às 23:43 \ Maestro, uma nota

“Eu não vou sair do armário nunca!”

(Divulgação)

(Divulgação)

Depois de um pouco de mistério e duas semanas de espera, foi ao ar nesta sexta (1) a primeira cena entre José Mayer e Klebber Toledo como os amantes Cláudio e Leonardo em Império (Globo, 21h15). Cláudio é casado, mas mais amigo do que marido de Beatriz (Suzy Rego), que faz vista grossa para suas escapadas noturnas. Leonardo, entretanto, que vive como “o outro” há 10 anos, pressiona para que ele saia do armário. “Eu não vou sair do armário nunca”, disse ele, encerrando a conversa típica “o que eu represento para você?”.

A escolha de José Mayer para o papel do cerimonialista homossexual é um dos detalhes saborosos com que Aguinaldo Silva tratou de rechear sua novela, sucesso de crítica e repercussão nas duas primeiras semanas. Além da óbvia competência do ator, há um sub-texto que torna tudo mais divertido, já que ele ficou conhecido por interpretar homens irresistíveis. Até mesmo quando apareceu meio ensebado em cena, como o Pereirinha de Fina Estampa, em 2010, ele acabou despertando paixões –  lembremos do tal robalo que ele costuma entregar em duplo sentido na casa da madame Tereza Cristina (Christiane Torloni).

No Twitter, o novo José Mayer em versão gay foi um dos assuntos mais comentados na noite de ontem. A piada mais frequente foi a de que após conquistar as mulheres mais bonitas do Projac, Zé resolveu partir para os homens. Muitos postaram que não é possível resistir a alguém tão bonito como Klebber. O pessoal do orgulho hétero pareceu um pouco tenso, acusando a Globo de tentar matar um mito. Já os noveleiros LGBT viram o contrário, que o mito ampliou poder. E os mais atentos não deixaram de reparar que ele mudou o gênero de suas conquistas, mas manteve a faixa etária jovem. “Zé Mayer provou mesmo que tem química com todos”, resumiu @isaaragao.

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31/07/2014

às 16:17 \ Folhetinescas

Maria Marta, a frasista esnobe de ‘Império’

Em uma semana, Maria Marta (Lilia Cabral) mostrou que será a campeã de frases cortantes de 'Império' (Reprodução)

Em uma semana, Maria Marta (Lilia Cabral) mostrou que será a campeã de frases cortantes de ‘Império’ (Reprodução)

Uma boa vilã é imprescindível para qualquer novela, mas poder contar com uma megera de língua afiada é melhor ainda. Além da pérfida Cora (Drica Moraes), Império (Globo, 21h15) tem uma cota extra de maldades na figura de Maria Marta, madame ambiciosa e esnobe interpretada por Lilia Cabral.

Em tempos de memes, nada mais apropriado do que uma exímia frasista como a que ela demonstrou ser logo na primeira semana da novela de Aguinaldo Silva, autor que é especialista em tipos sem papas na língua. Veja abaixo uma seleção das frases mais cortantes da personagem:

– Eu nasci numa sexta-feira 13 de lua cheia. Ninguém pode me impedir de fazer o que eu quero, seu eu quiser de verdade.

Quando ela resolveu deixar Petrópolis determinada a reassumir seu lugar de esposa na casa de José Alfredo (Alexandre Nero).

– Tudo bem que levasse um tiro. Mas tinha que ser logo em Roraima?

Desesperada, quando soube do incidente envolvendo José Alfredo. Mas com uma certa preguiça de viajar do Rio de Janeiro até o norte do país.

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– Não é porque estamos na selva que vamos agir como os selvagens.

Quando pediu um jantar meramente refinado no alto do Monte Roraima.

– Deste monte eu não quero nem a poeira.

Dando uma de Odete Roitman ao deixar o Monte Roraima, lugar que ela gosta de achincalhar por guardar uma parte nebulosa do passado de José Alfredo.

– Quanto você quer para calar essa sua boca cheia de cáries para sempre?

Para Lorraine (Dani Barros), que faz chantagem sobre o acidente que terminou com a morte de seu irmão, atropelado por José Pedro (Caio Blat).

– Enquanto ela vai com a farinha, eu volto com o croissant.

Falando mal da própria filha, Maria Clara (Andreia Horta), de quem tem ciúmes por causa da ligação com José Alfredo.

– Eu rezaria por ela. E desejaria que tivesse melhor sorte da próxima vez.

Ao responder à incômoda pergunta de José Alfredo “e se eu te dissesse que tenho uma amante?”.

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30/07/2014

às 12:05 \ Folhetinescas

Os melhores momentos de ‘Meu Pedacinho de Chão’

No capítulo desta quarta (30), o solitário Giácomo (Antonio Fagundes) anuncia seu noivado com a espevitada Rosinha (Letícia Almeida) – para surpresa da própria (Divulgação)

No capítulo desta quarta (30), o solitário Giácomo (Antonio Fagundes) anuncia seu noivado com a espevitada Rosinha (Letícia Almeida) – para surpresa da própria (Divulgação)

O inverno já não anda mais tão gelado lá pelas bandas da Vila de Santa Fé e quando a primavera chegar de vez, também será o momento de se despedir da adorável Meu Pedacinho de Chão (Globo, 18h20), cujo o último capítulo será exibido nesta sexta (1).

Tradicional na história – afinal, é um remake de uma novela que Benedito Ruy Barbosa escreveu em 1971 – e ousada na estética e na narrativa impressas pela leitura do diretor Luiz Fernando Carvalho, a novela chega ao final com, como diria a Amância (Dani Ornellas), “uma porção” de bons momentos. Na produção sem preguiça, difícil seria apontar alguma cena desperdiçada, coisa comum em novelas, uma vez que até a prosa mais à toa é desculpa para um trejeito cômico, uma lágrima bem colocada ou uma edição surpreendente de imagens.

Diante de tanta lindeza, é capaz que a lista abaixo chegue um tanto defasada ao fechar de cortinas de sexta-feira. Mesmo assim, lá vão os – por enquanto – melhores momentos de Meu Pedacinho de Chão:

Zelão (Irandhir Santos) põe os olhos em Juliana (Bruna Linzmeyer)

O tempo parou em Santa Fé quando o jagunço bronco e analfabeto viu a “prefessora” de cabelos de algodão doce pela primeira vez.

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Catarina (Juliana Paes) fica de pileque

Nervosa com a chegada do enteado Ferdinando (Johnny Massaro), que estava prestes a provocar a ira do pai, o Coronel Epa (Osmar Prado), a madame tomou um cálice não identificado e saiu rodopiando pela casa. Guardado o devido valor do ícone Gabriela, que ela interpretou na novela de 2012, deve-se anotar que foi a melhor personagem da carreira de Juliana Paes.

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Elenco canta ‘Chuá, Chuá’

Num delicado número musical, os personagens cantaram, na íntegra, a moda de viola de Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão, um verdadeiro presente para o público (reveja a sequência aqui).

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Rodapé finge que escreve uma carta de amor

Foi lírica e muito divertida a sequência em que o atrapalhado Rodapé (Flávio Bauraqui) fingiu escrever a carta de amor que Zelão lhe ditou, com a intenção de se declarar para a professora Juliana. No fim das contas, tão analfabeto quanto o amigo, só fez encher uma página com rabiscos.

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A transformação de Zelão

Zelão não é um tipo novo em novelas. Pelo contrário, o grosseirão que se transforma por causa do amor é um personagem clássico não só da literatura, mas também do folhetim. Mas a interpretação de Irandhir Santos deu um contorno especial e mais do que original ao personagem vivido por Maurício Valle em 1971, com um jogo inteligente entre a aparência alegórica e a psique complexa e intensa. O momento em que o jagunço se deu conta de sua ignorância e decidiu se tornar um novo homem é uma das cenas mais bonitas da história da teledramaturgia.

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O primeiro parto do Dr. Renato

Meu Pedacinho de Chão transitou o tempo todo na oposição entre passado e futuro, progresso e tradição, tema sempre presente na obra de Benedito Ruy Barbosa. Um momento emblemático desse embate aconteceu quando Renato (Bruno Fagundes), jovem médico da cidade grande, foi obrigado a pedir ajuda à velha parteira e benzedeira Mãe Benta (Teuda Bara), para realizar primeiro parto de sua carreira.

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Zelão e Juliana se beijam

Após muitas trocas de olhares de tirar o fôlego, Zelão conseguiu beijar Juliana. Ou melhor, foi ela quem o beijou. E o tempo parou mais uma vez em Santa Fé.

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O inverno chega a Santa Fé

A mudança bem pontuada das estações climáticas foi um dos muitos recursos usados pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para incrementar a novela original. A troca do verão pelo outono foi linda, mas a produção se superou na chegada do inverno, com direito a Zelão desfilando pela neve à la Jon Snow de Game of Thrones.

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28/07/2014

às 11:22 \ Folhetinescas

As grandes sofredoras da ficção

Eliane (Vanessa Giácomo) teve uma felicidade curta – de pouco mais de um bloco – e toda uma vida de sofrimento em 'Império': personagem morre no capítulo desta segunda (28) (Divulgação)

Eliane (Vanessa Giácomo) teve uma felicidade curta – de pouco mais de um bloco – e toda uma vida de sofrimento em ‘Império’: personagem morre no capítulo desta segunda (28) (Divulgação)

Algumas personagens de novela dão a impressão de terem vindo ao mundo apenas para sofrer. Que o diga a Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli) de Império (Globo, 21h15), que só teve direito a pouco mais de um bloco de felicidade – um caso com o cunhado José Alfredo (Chay Suede) que durou três meses em tempo de novela – e depois só fez chorar, numa trajetória à la mexicana que termina no capítulo desta segunda (28).

Primeiro, ela perdeu o grande amor de sua vida, por causa de uma armação da irmã Cora (Marjorie Estiano/Drica Moraes), e teve de aceitar o marido grosseirão. Mas os planos de família feliz naufragaram com a morte dele, e lá ficou ela com duas crianças para criar. Virou ambulante e até progrediu, comprando um box no camelódromo da Rua Uruguaiana. Mas jamais foi feliz no amor de novo.

Como se não bastasse, descobriu um câncer. E já que desgraça em novela nunca vem sozinha, antes de morrer ainda perderá a pequena loja num incêndio, cuja responsabilidade cairá no colo do filho. Elivaldo (Rafael Losso) vai preso pelo incidente, ao mesmo tempo em que ela descansará em paz, enfim. Sua tendência às lágrimas será como uma herança para a filha, Cristina (Leandra Leal).

Como se vê, uma semana foi suficiente para que Eliane entrasse para a galeria das personagens mais sofredoras da ficção, figuras essenciais à teledramaturgia, principalmente nas tramas que têm vilãs competentes. Relembre abaixo sete azaradas das novelas:

cristina-imperio11. Cristina (Leandra Leal), de ‘Império’

Com a morte a mãe, Eliane, passa para a batalhadora Cristina o bastão do sofrimento em Império. A heroína passará a sofrer horrores nas mãos da tia, Cora, sem falar no acolhimento nada caloroso que receberá da família do suposto pai, José Alfredo, e, principalmente, da mulher dele, Maria Marta (Lilia Cabral).

 

 

 

paloma2. Paloma (Paolla Oliveira), de ‘Amor à Vida’ (2013)

Boba de tudo, a médica patricinha comeu o pão que o Félix (Mateus Solano) amassou em Amor à Vida: ela deu à luz num bar pé sujo, teve a filha sequestrada e jogada numa caçamba, foi dopada, sequestrada, amarrada numa árvore de deixada para morrer, fez transplante de fígado, foi rejeitada pela mãe  e – ufa – caiu num golpe da falsa traição. Mas, como toda mocinha açucarada, conseguiu chegar a um final feliz.

 

 

dulce3. Dulce (Cássia Kis Magro), de ‘Morde & Assopra’ (2011)

Poucas personagens tiveram tantos desgostos na vida quanto Dulce, simplória faxineira que vendia cocadas na cidade de Preciosa para complementar a renda e pagar a faculdade do filho Guilherme (Klebber Toledo). Ela sonhava vê-lo médico, mas o ingrato gastava todo o dinheiro em farras com os amigos e nada de estudar. Depois de muito sofrimento e humilhação, a personagem morreu, de câncer, no último capítulo. A novela de Walcyr Carrasco era uma comédia leve, mas foi a história trágica de Dulce, reforçada pela interpretação da sempre irretocável Cássia, que mais fez sucesso – e salvou o Ibope.

 

donatela4. Donatella (Cláudia Raia), de ‘A Favorita’ (2008)

Por causa do jogo proposto pelo autor João Emanuel Carneiro, a pobre Donatella chegou a ser confundida com a verdadeira vilã, Flora (Patrícia Pillar). Mas depois que veio à tona que ela era a mocinha da novela, seu nariz nunca mais deixou de aparecer vermelho em cena, tantos foram os motivos para chorar – assassinatos aleatórios, incêndios criminosos, sequestros e até presa injustamente ela foi. No fim, valeu a pena: a favorita era ela.

 

Sol5. Sol (Deborah Secco), de ‘América’ (2005)

O que dizer de uma mocinha que é pega tentando entrar nos Estados Unidos dentro do painel de um carro? Ou que passa todo o tipo de perigo no deserto para atravessar a fronteira do México? E que, depois de ganhar a América dentro de uma caixa de papelão, sofre todo tipo de abuso ao batalhar o sustento dançando Chiquita, I Love You honestamente no balcão de uma boate? A vida da sonhadora Sol não foi fácil – e no final ela nem ficou com o mocinho Tião (Murilo Benício).

giuliana6. Giuliana (Ana Paula Arosio), de ‘Terra Nostra’ (1999)

Em novela, o sofrimento de época sempre parece muito pior do que o sofrimento contemporâneo. Ao fugir da pobreza na Itália, tentando uma nova chance no Brasil da virada do século 20, a bela Giuliana perdeu os pais ainda na viagem de navio. A tragédia foi só o começo dos baldes de lágrimas que ela choraria na emocionante trama escrita por Benedito Ruy Barbosa: ao desembarcar no que deveria ser uma terra de oportunidades, ela só teve desgostos. Primeiro, perdeu-se de Mateo (Tiago Lacerda), seu grande amor. Depois, descobriu-se grávida e sozinha. Pensou que o filho tinha morrido no parto, mas teve uma felicidade momentânea ao reencontrá-lo. Tudo isso para vê-lo morrer de difteria – um martírio de 221 capítulos.

escrava-isaura7. Isaura (Lucélia Santos), ‘Escrava Isaura’ (1976)

Escrava órfã e vítima de um senhor de engenho apaixonado, cruel e inescrupuloso, a pobre Isaura é sinônimo de sofrimento, embalado pelo inconfundível “lerê, lerê”. Criada como sinhá, a descendente de escravos começa a novela perdendo sua protetora, o que a leva às garras de Leôncio (Rubens de Falco), nada menos do o vilão mais sádico de todos os tempos. Em vingança ao desamor da protegida de sua mãe, além de provocar um incêndio criminoso que mata o mocinho Tobias (Roberto Pirillo), o sinhô confisca a carta de alforria de Isaura, impõe uma rotina de trabalhos forçados e aplica todos os castigos possíveis – até no tronco a mocinha vai parar.

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25/07/2014

às 13:39 \ Eu faço drama

Roraima de ‘Império’ causa revolta e piada nas redes sociais

Maria Marta (Adriana Birolli) se desesperou ao saber que o marido José Alfredo (Chay Suede) levou um tiro. E sobrou para os roraimenses: "Em Roraima? Que fim de mundo!" (Reprodução)

Maria Marta (Adriana Birolli) se desesperou ao saber que o marido José Alfredo (Chay Suede) levou um tiro. E sobrou para os roraimenses: “Em Roraima? Mas isso é o fim do mundo!” (Reprodução)

“Tudo bem que levasse um tiro. Mas tinha que ser logo em Roraima?”, perguntou a altiva Maria Marta (Adriana Birolli) a um quase moribundo José Alfredo (Chay Suede) no capítulo de quinta (24) de Império (Globo, 21h15). E acabou de vez a lua de mel dos roraimenses com a novela das nove, que vem encantando com imagens do imponente Monte Roraima, que guarda o começo da saga do protagonista de Aguinaldo Silva em busca de riqueza.

Embora forte e bem defendida por Adriana Birolli, Maria Marta não é, obviamente, uma personagem simpática. Pelo contrário, é uma figura refinada e esnobe com a função de contrastar com o jeito “humildão” de José Alfredo. Daí ela dizer sem qualquer pudor que Roraima é o fim do mundo – faz parte do seu show criticar a origem do marido, pernambucano meio perdido no mundo que, após conhecer um benfeitor no Rio, fez fortuna no garimpo e contrabando de pedras preciosas, de Roraima para a Europa.

Localizado na tríplice fronteira entre Brasil Venezuela e Guiana, o Monte Roraima tem 2.734 metros de altura e é praticamente um personagem da novela – mas as cenas com josé Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero) foram gravadas em Carrancas (MG) (Divulgação)

Localizado na tríplice fronteira entre Brasil Venezuela e Guiana, o Monte Roraima tem 2.734 metros de altura e é praticamente um personagem da novela – mas as cenas com josé Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero) foram gravadas em Carrancas (MG) (Divulgação)

No Twitter, os noveleiros se dividiram entre os que se divertiram com a cena e os que reprovaram a personagem. “Qual a diferença entre levar um tiro em Roraima pro resto do Brasil, kerida (sic)?”, questionou @taynae. No contexto, a diferença é que Maria Marta estava no Rio e o marido, distante da capital Boa Vista, acabou sendo cuidado por um curandeiro com cara de traficante. Mas o pessoal não quis saber – e sobrou até para a atriz. “Vá ajeitar tua sobrancelha e depois vem falar de Roraima”, lançou logo @izaxipitoski. “Só nesse capítulo Roraima foi citada como fim do mundo umas 918473792 vezes. Tá pouco ainda”, ironizou @karinafcarvalho. A hashtag #Roraima esteve entre os assuntos mais comentados na rede social, uma das muitas que a novela vem emplacando desde a estreia, na última segunda (21). Apesar das críticas, muitos elogiaram a pronúncia correta do nome do Estado – Roráima, enfatizaram os atores, como dizem os próprios roraimenses.

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Reações como as da última noite são comuns quando uma cidade fora do eixo Rio-São Paulo é palco de uma trama da Globo. Há pouco tempo, em 2012, muitos paraenses se revoltaram com o jeito que a Ilha de Marajó foi retratada em Amor Eterno Amor, por exemplo. Sem falar na Goiânia de Em Família, mostrada equivocadamente como uma cidade rural. “Isso com Roraima me fez lembrar que a eterna vilã Flora em um capítulo riu de um cara que se mudaria para Manaus: “Vai morar com os jacarés”, lembrou @rodriogs, em referência a A Favorita (2008). Maria Marta, não podemos deixar de notar, lembra nesse quesito a megera suprema Odete Roitman, de Vale Tudo, novela que Gilberto Braga escreveu com Aguinaldo Silva. “Eu gosto do Brasil de longe, no cartão postal”, dizia ela (veja a cena aqui).

Como curiosidade, vale contar que os atores de Império não chegaram a pôr os pés em Roraima. As cenas em volta do túmulo de Sebastião (Reginaldo Faria), em algum ponto no alto do Monte Roraima, foram gravadas na cidade de Carrancas, Minas Gerais. A Globo justifica a escolha da locação informando que a montanha real, de 2.734 metros de altura, só seria acessível para escaladores experientes. Entretanto, leitores roraimenses do QUANTO DRAMA! sustentam nos comentários aqui embaixo que com bom preparo físico para dois dias de caminhada e companhia de um guia é possível vencer o monte. De qualquer forma, a subida de uma equipe de filmagem não é um passeio, é uma operação mais complexa. Mesmo assim, o monte marca presença nas imagens aéreas deslumbrantes e nos truques de edição da equipe do diretor Rogério Gomes, como um verdadeiro personagem da novela.

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24/07/2014

às 17:30 \ Entrevista

‘A Cora é má e realista’, diz Marjorie Estiano

Cora (Marjorie Estiano) deu nó em pingo d'água para dissuadir a irmã Eliane (Vanessa Giácomo) de fugir com José Alfredo (Chay Suede): "Fugir? Você não sabe em para que lado!", zombou a vilã (Reprodução)

Cora (Marjorie Estiano) deu nó em pingo d’água para dissuadir a irmã Eliane (Vanessa Giácomo) de fugir com José Alfredo (Chay Suede): “Fugir? Você não sabe nem para que lado!”, zombou a vilã (Reprodução)

Aguinaldo Silva proporcionou dois momentos fortes e opostos a Marjorie Estiano. Em 2007, quando ela apareceu como a ingênua Maria Paula de Duas Caras, a primeira protagonista das nove na sua carreira, foi um tanto rejeitada logo de cara, muito porque precisava parecer uma mocinha essencialmente ingênua, vítima perfeita para um golpe. Sete anos depois, é o mesmo autor que lhe proporciona a fama de novo instantânea, mas desta vez muito boa e com uma avalanche de elogios nas redes sociais, com a vilã Cora de Império (Globo, 21h15).

Já na estreia de 'Império', na última segunda (21), Cora (Marjorie Estiano) foi compara a Carminha (Adriana Esteves), a vilã diva de 'Avenida Brasil' (Reprodução)

Já na estreia de ‘Império’, na última segunda (21), Cora (Marjorie Estiano) foi comparada a Carminha (Adriana Esteves), a vilã diva de ‘Avenida Brasil’ (Reprodução)

Não foi preciso mais do que meia dúzia de cenas para que a personagem se mostrasse uma vilã da linhagem de Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), também cria de Aguinaldo. O autor, vale comparar, acertou de novo na escalação de sua megera: em Senhora do Destino (2004), foi Adriana Esteves (que não por acaso viveria a Carminha de Avenida Brasil em 2012) que moldou a Nazaré jovem, para entregar a Renata Sorrah na segunda fase da novela. Depois de Marjorie, a partir do capítulo desta quinta (24), Cora será de Drica Moraes. “Sinto, sim, um aperto no peito ao deixá-la. Mas breve ou não, grande ou pequeno, acho que a relevância de um trabalho está na transformação que ele promove em mim e no outro. E me excita quase na mesma proporção saber que vou assistir à Drica se deleitar com ela!”, diz a atriz, em conversa com QUANTO DRAMA! sobre a repercussão da personagem.

À primeira vista, Marjorie e Drica não se parecem fisicamente. Mas os telespectadores mais atentos ficarão surpresos ao ver como as atrizes conseguiram unificar o trabalho em torno da personagem. “Tivemos um workshop ministrado pelo (diretor e preparador de elenco argentino) Eduardo Milewicz, e assim tivemos a oportunidade de nos conhecer, saber e trocar ideias sobre o encaminhamento e a visão que cada uma tinha sobre a personagem e suas relações. Também buscar através de exercícios uma linha condutora subjetiva, que se reflete no corpo, no olhar. Foi um experiência bastante interessante e que resulta de forma muito concreta”, detalha a atriz.

Depois de viver a idealista e combativa Laura de Lado a Lado, novela das seis de João Ximenes Braga e Cláudia Lage que venceu o Emmy Internacional no ano passado, Marjorie vinha se dedicando ao cinema e à música. Rodou o país cantando Beatles no projeto Banco do Brasil Covers de Monique Gardemberg, lançou um single do novo disco no início do mês e participou de dois longas-metragens, Beatriz, entre a dor e o nada (Alberto Graça) e Apneia (Maurício Eça). No primeiro, aparece às voltas com um drama existencial movido a ciúme e, no segundo, mergulha no mundo de jovens ricas e imprudentes. São dois universos bem distintos do proletariado folhetinesco e oitentista de Império. “Acho que o que mais me cativa nos personagens enquanto atriz e espectadora, de uma maneira geral, é a contradição. Ver as virtudes e os defeitos deles. É o branco e o preto fazendo parte do mesmo desenho, e tudo que tem entre uma cor e outra”, observa.

A entrada de Drica Moraes em 'Império' é aguardada nas redes sociais: a Cora dos dias atuais entra em cena nesta quinta (23) (Reprodução)

A entrada de Drica Moraes em ‘Império’ é aguardada nas redes sociais: a Cora dos dias atuais entra em cena nesta quinta (23) (Reprodução)

São as nuances e a maldade que não vem de uma maluquice qualquer, mas de uma maneira de ver a vida que pode fazer algum sentido, garantiram à personagem o tipo de empatia que é preciosa para uma vilã de novela. Afinal, como condenar Cora, se impedir a fuga da romântica Eliane (Vanessa Giácomo) com o cunhado José Alfredo (Chay Suede) – nada leal com o irmão, diga-se de passagem – parece ser o mais sensato a fazer? A situação é um deleite para qualquer ator. “A Cora é muito coerente com ela mesma, e tem o respaldo do contexto. Pra mim, a maior vilania dela está em fazer as escolhas pela irmã, considerando que, seja por permissividade, vulnerabilidade, medo de tomar as próprias decisões ou não, a Eliane permitiu”, pontua Marjorie. “Se trata de uma pessoa egocêntrica, inteligente, ágil, e que tem seus afetos, seu senso de humor…sua ternura torta. A Cora é má e realista.”

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23/07/2014

às 16:38 \ Folhetinescas

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José Alfredo (Chay Suede) leva um tiro no capítulo desta quarta (23): ganancioso, o protagonista de 'Império' sai do nada para a riqueza, uma constante na obra de Aguinaldo Silva

José Alfredo (Chay Suede) leva um tiro no capítulo desta quarta (23) de ‘Império’: ganancioso, o protagonista sai do nada para a riqueza, uma constante na obra de Aguinaldo Silva

Das tramas nordestinas ambientadas em cidades fictícias às sagas que focalizam os contrastes do país a partir do Rio de Janeiro, Aguinaldo Silva é um autor que sempre se reinventou. Jornalista desde os anos 60 e há quase 35 anos como autor de televisão, teve em suas mãos uma quantidade invejável de sucessos, resultado não só do bom texto e da imaginação fértil, mas também do dom de traduzir em folhetim o que o povo quer ver. “Certamente ninguém quer ver um filme do Bergman às nove da noite!”, brinca ele em conversa com QUANTO DRAMA!, ao falar do ritmo da narrativa de Império (Globo, 21h15), cuja estreia na última segunda (21) tem rendido muitos elogios.

Mas por mais que tenha transformado sua maneira de contar histórias, Aguinaldo tem suas marcas registradas, como todo autor com muitos anos de carreira,. Os “aguinaldismos” – ou seriam “aguinaldices”? – andam escondidos por enquanto, uma vez que Império se desenvolve como minissérie ambientada nos anos 80. Mas não tardam a aparecer, já a novela volta para os dias atuais no capítulo desta quinta (24). Confira abaixo uma lista com setes dos principais ingredientes que fazem uma novela de Aguinaldo Silva:

1. Sonho brasileiro

Aguinaldo adora os tipos humildes que dão nó em pingo d’água e conseguem enriquecer. Nem sempre a trajetória é limpa, como no caso do José Alfredo (Chay Suede/Alexandre nero) de Império, que ficará rico graças ao contrabando de diamantes. Podemos lembrar ainda da batalhadora Griselda (Lilia Cabral), de Fina Estampa (2011), da Maria do Carmo (Susana Vieira) de Senhora do Destino (2004) e o Valdomiro (José Wilker) de Suave Veneno (1999).

2. Disputas entre irmãos

A situação de irmãos brigando pela atenção e/ou herança do pai é um clássico da teledramaturgia e também representa Aguinaldo Silva. Disputas no estilo Rei Lear já temperaram o enredo de Suave Veneno (1999), Porto dos Milagres (2001) e Senhora do Destino (2004).

3. Pras cabeças!

Discreto, Aguinaldo Silva não é uma das personalidades que andam por aí nas feijoadas nas quadras cariocas. Mas adora inserir uma escola de samba em suas novelas – aproveitando, obviamente, o potencial dramaturgico e o apelo popular desse tipo de agremiação. Difícil de esquecer do hilariante Giovanni Improtta (José Wilker) de Senhora do Destino (2004), ex-bicheiro e presidente da Unidos de Vila São Miguel. Em Duas Caras (2007), Juvenal Antena era o manda-chuva da Escola de Samba Nascidos na Portelinha, entidade que se misturava com a milícia local. Desta vez, Império terá a Unidos de Santa Teresa, tocada com muito humor pelo presidente Seu Antoninho (Roberto Bonfim) e que tem como musa a passista Juliane Matos (CrisViana).

 

Amiga de Juliane (Cris Viana), a travesti Xana Summer (Ailton Graça) é uma das reservas de humor de 'Império' (Divulgação)

Amiga de Juliane (Cris Viana), a travesti Xana Summer (Ailton Graça) é uma das reservas de humor de ‘Império’ (Divulgação)

4. ‘Divo’

Depois do Crô (Marcelo Serrado), personagem de grande sucesso em Fina Estampa (2011), o autor criou mais dois gays cobertos de purpurina para Império: o travesti Xana Summer (Ailton Graça), dono de um salão de cabeleireiros em Santa Teresa, o blogueiro Téo Pereira (Paulo Betti), que vive de fazer fofoca na internet.

5. Novela paralela

O dia parece durar mais de 24 horas para o autor, uma vez que, além de escrever e coordenar a produção das cenas, ele consegue tempo para comentar sua própria novela nas redes sociais. Nos últimos anos, tornou-se uma das figuras mais provocativas e divertidas da web, um verdadeiro personagem de si mesmo.

6. Frasistas

Aguinaldo é, ele mesmo, um excelente frasista, o tipo de entrevistado que não deixa um jornalista sem título. Esse potencial é aproveitado em suas novelas, que sempre trazem personagens de língua afiada e com uma visão de mundo excêntrica ou controversa. A Maria Marta de Lilia Cabral deve cumprir esse papel em Império. Entre os mais marcantes frasistas do autor, podemos lembrar da Perpétua de Tieta (1989), o Sérgio Cabeleira (Osmar Prado), de Pedra sobre Pedra (1992), a Altiva (Eva Wilma) de A Indomada (1997) e a Gioconda (Marília Pêra) de Duas Caras (2007).

7. Musas

As novelas de Aguinaldo Silva têm sempre uma boa dose de sensualidade, um palco perfeito para musas – que, aliás, tratam de ajudar quando a audiência não está lá grande coisa. Entre as mais-mais podemos lembrar da Regininha (Maria Maya) e da “ninfa bebê” Danielle de Senhora do Destino (2004), da dançarina de pole dance Alzira (Flávia Alessandra), de Duas Caras (2007), e da cozinheira Dagmar (Cris Viana) e seus banhos no quintal em Fina Estampa (2011). Em Império, a candidata a musa é a Naná de Viviane Araújo, manicure ingênua que não percebe o quanto desconcerta os homens.

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