Blogs e Colunistas

14/07/2014

às 14:16 \ Folhetinescas

‘O Rebu’ não vai tocar Raul

Ligações Perigosas: Em 'O Rebu", Daniel de Oliveira e  Sophie Charlotte formam o casal Bruno e Duda (Divulgação)

Ligações Perigosas: Em ‘O Rebu’, Daniel de Oliveira e Sophie Charlotte formam o casal Bruno e Duda (Divulgação)

Entre as muitas modificações promovidas pelo diretor José Luiz Villamarim na nova O Rebu, remake da lendária novela que Bráulio Pedroso escreveu em 1974, certamente o que chamará a atenção dos mais saudosos é a substituição da trilha original. Composto pela então jovem dupla de sucesso Raul Seixas e Paulo Coelho a pedido do diretor Walter Avancini, o LP da novela foi considerado um tanto demodê para embalar uma festa de ricaços nos dias atuais. O primeiro capítulo vai ao ar na noite desta segunda na Globo, às 22h25.

Com todo respeito à história do disco que lançou o hit Como Vovó Já Dizia – do “quem não tem colírio, usa óculos escuros” –, a decisão de Villamarim não é descabida. O diretor, aliás, vem de um caminho de sucessos nessa área: esteve entre os diretores de Avenida Brasil (2012), a do “oi, oi, oi”; pôs Isis Valverde para cantar – com pouca voz, mas muito charme – em O Canto da Sereia (2013); e acertou na escolha do grupo The xx para dramatizar Amores Roubados, no início do ano. Desta vez, as cenas trazem clássicos da ferveção em pista, como Bizarre Love Triangle, do New Order, e baladas elegantes e envolventes, como I Found You, do Alabama Shakes.

Leia também: Romance gay é cortado da nova ‘O Rebu’

De qualquer forma, vale lembrar aqui da trilha de Raul Seixas e Paulo Coelho, detalhe pitoresco de uma das novelas mais inventivas da nossa teledramaturgia. Driblando a censura aqui e ali, a trama policial contou a história de um crime – de motivação passional, como foi desvendado depois – ocorrido numa festa. Toda a ação se passa entre a noite e a manhã seguinte ao crime, e as sequências que compõem o quebra-cabeça são apresentadas sob os vários pontos de vista dos convidados. Difícil, como se pode imaginar, de executar, a produção não foi perfeita e não foi um grande sucesso, mas passou para a posteridade pela ousadia e criatividade.

Nessa toada, é histórico também o momento em que Raul Seixas chamou a atenção dos censores pela primeira vez. Dois versos de Como Vovó Já Dizia  –  “quem não tem papel dá recado pelo muro” e “quem não tem presente se conforma com o futuro”foram cortados e substituídos por “quem não tem filé come pão e osso duro” e “quem não tem visão bate a cara contra o muro”, como lembra o doutor em História Social Luiz Lima neste artigo.

Abaixo, você ouve Raul cantando ao vivo os versos originais da música. Nos comentários do vídeo, há quem diga que ele erra a letra, mas não – é a música original de O Rebu:

12/07/2014

às 13:17 \ Fotonovela

Huck e Angélica são a cara da riqueza em ‘Geração Brasil’

Em regabofe para poucos e bons – além de alguns bicões –, Jonas Marra (Murilo Benício) e Pamela Parker (Claudia Abreu) recebem os vips Luciano Huck e Angélica (Divulgação)

Em regabofe para poucos e bons – além de alguns bicões –, Jonas Marra (Murilo Benício) e Pamela Parker (Claudia Abreu) recebem os vips Luciano Huck e Angélica (Divulgação)

O casal de celebridades internacionais Pamela Parker (Claudia Abreu) e Jonas Marra (Murilo Benício) recebem seus correspondentes brasileiros, Luciano Huck e Angélica, numa festa de arromba em Geração Brasil (Globo, 21h15). Gravada no Projac na tarde desta sexta (12), a sequência vai ao ar no próximo dia 19.

Petit comité para poucos e bons, o evento será agitado pela presença indigesta da mãe de Jonas, Gláucia (Renata Sorrah), que não se contém ao saber pode encontrar os apresentadores de TV. A noite marcada por apresentação performática de Brian Benson (Lázaro Ramos), ataques de ciúme de Megan (Isabelle Drummond) e todo o tipo de rebuliço, terá, claro, espaço para uma selfie do anfitriões e seus convidados de honra. “O mais difícil foi esquecer que eram Murilo e Claudia ali, e pensar neles como os personagens”, comentou Huck.

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Laerte, o sincericida de ‘Em Família’

Viviane Araújo é musa inspiradora e atriz em ‘Império’

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Mais 5 mistérios de ‘Em Família’

11/07/2014

às 12:53 \ Folhetinescas

Laerte, o sincericida de ‘Em Família’

No capítulo desta sexta (11) de 'Em Família', Laerte (Gabriel Braga Nunes) tem mais um de seus rompantes, desta vez com a ex, Verônica (Helena Ranaldi): versão "flautista maluquinho" do personagem envenena a trama de Manoel Carlos (Divulgação)

No capítulo desta sexta (11) de ‘Em Família’, Laerte (Gabriel Braga Nunes) tem mais um de seus rompantes, desta vez com a ex, Verônica (Helena Ranaldi): versão “flautista maluquinho” do personagem envenena a trama de Manoel Carlos (Divulgação)

Não fosse sabido que a cena fora gravada antes que qualquer um pudesse prever o vexame do Brasil no Mineirão na última terça (8), seria o caso de supor que Laerte (Gabriel Braga Nunes) tratou de descontar em meio-mundo a frustração da derrota. Mas como o flautista não parece ser fã de futebol – e, na verdade, nada se comenta sobre a Copa no Leblon de Em Família (Globo, 21h15) – pode-se ter certeza que ele anda fora de si.

Fora o olhar vidrado, a mania de perseguição e os rompantes a cada cena em que aparece, corre a boca miúda que ele anda tomando quatro remédios psiquiátricos por dia – se é verdade, ainda não estão fazendo efeito, obviamente. Mas não é que o “Laerte meio maluquinho” é bem melhor que o “flautista charmoso e internacionalmente reconhecido” que a novela vinha apresentando até agora, uma verdadeira fonte de veneno salutar para quebrar aquela elegante monotonia do Leblon fictício?

“Sincericida” dos bons, ao que parece, o galã precisa ser absurdamente intragável para que Luiza (Bruna Marquezine) se toque de que não é uma boa ideia se casar com o ex-noivo da mãe que enterrou seu pai vivo 20 anos antes. Por isso, daqui até o fim da novela, na semana que vem, o personagem entra na rota irreversível da birutice, a ser marcada por frases mordazes – e hilariantes.

Veja uma seleção de sete pérolas do moço de fino trato:

Quanto mais maluco fica, mais sedutor Laerte (Gabriel Braga Nunes) parece para as moças da novela (Divulgação)

Quanto mais maluco fica, mais sedutor Laerte (Gabriel Braga Nunes) parece para as moças da novela (Divulgação)

1. “Não posso simplesmente querer ficar sem a sua companhia sofrida, repleta de auto-piedade?”

Para a mãe, Selma (Ana Beatriz Nogueira), que, doente da memória, virou seu alvo preferido.

2. “Daqui a pouco, você não vai servir para nada. Nem para fingir que trabalha aqui no Galpão Cultural.”

De novo para a mãe, por causa do sumiço de partituras importantes e provando que não é nada bom mimar um filho.

3. “Alguém te maltratou?”

Um dia depois de ter espinafrado a mãe na briga relatada acima.

4. “Eu mudo porque eu sou um artista. E você não sabe o que vai na alma de um artista inquieto, inconformado e intolerante com as coisas.”

Para Luiza, que só não sai correndo porque a novela ainda tem uma semana no ar.

5. “Parabéns ao casal que finalmente saiu do armário. Acho bom. Estavam os dois com dor-de-cotovelo, tinham mesmo que se unir.”

Para Cadu (Reynaldo Gianecchini) e Verônica (Helena Ranaldi), ao saber que sua ex-namorada está agora com o ex-marido de Clara (Giovanna Antonelli).

6. “Não estamos num museu da Europa. Tenho certeza que uma fotinho não vai prejudicar o seu conceito artístico.”

Para Marina (Tainá Müller), ao exigir que a fotógrafa tire de sua  exposição uma foto “de péssimo gosto” em que ele aparece brigando com Luiza.

7. “Vou assistir a esse concerto bem longe, porque você está numa vibração muito complicada.”

Para Shirley (Viviane Pasmanter), a eterna apaixonada que não faz outra coisa senão bajulá-lo.

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10/07/2014

às 13:06 \ Fotonovela

Viviane Araújo é musa inspiradora e atriz em ‘Império’

Em 'Império', que estreia no dia 21 na Globo, Viviane Araújo é a manicure Naná e contracena com Chris Vianna, que vive a madrinha de bateria Juju, cuja história foi inspirada em sua vida (Divulgação)

Em ‘Império’, que estreia no dia 21 na Globo, Viviane Araújo é a manicure Naná e contracena com Chris Vianna, que vive a madrinha de bateria Juju, cuja história foi inspirada em sua vida (Divulgação)

Aguinaldo Silva não esconde que se encantou com o carisma e desenvoltura de Viviane Araújo no reality show A Fazenda (Record), do qual a modelo saiu vencedora em 2012. “Eu sabia que ela sempre quis ser atriz e quis dar isso a ela”, lembra o autor, que estreia no dia 21 a sua Império, novela das nove que substituirá Em Família na Globo.

Ailton Graça caracterizado como a travesti Xana Summer, dona do salão onde a Naná de Viviane Araújo trabalha: segundo o autor, é uma dupla do barulho para arrancar risadas (Divulgação)

Ailton Graça caracterizado como a travesti Xana Summer, dona do salão onde a Naná de Viviane Araújo trabalha: segundo o autor, é uma dupla do barulho para arrancar risadas (Divulgação)

A ideia inicial era que ela encenasse uma história muito próxima da sua, de uma rainha de bateria que sofre com a prisão do namorado, mais ou menos como aconteceu com Viviane e o cantor Belo em 2004. Mas, no fim das contas, o papel da “melhor passista do pedaço”, Juju, ficou com a atriz Cris Vianna.”Eu e o Rogério Gomes (diretor-geral) chegamos à conclusão de que não ficaria bom Viviane representar algo tão parecido com sua própria história. Por isso, criei outro papel para ela, da manicure Naná”, explica Aguinaldo, em conversa com o blog, afastando os boatos de que o diretor teria barrado a escalação da modelo.

Fofocas à parte, a troca de papéis deve ser boa para novela e para a atriz novata. Cris Vianna é, sem dúvida, mais preparada para dar vida à uma personagem tão densa quanto promete ser a madrinha de bateria da Unidos de Santa Teresa. E Viviane formará uma dupla divertida com Ailton Graça, que surgirá irreconhecível como a travesti Xana Summer, dona do salão onde Naná trabalha. “O Aguinaldo me convidou há dois anos. Então, você pode imaginar como estou ansiosa”, disse a rainha de bateria da Acadêmicos do Salgueiro, acrescentando que batalha há “uns 15 anos” por uma chance.

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08/07/2014

às 15:51 \ Folhetinescas

A seleção que une futebol e novela

Cauã Reymond foi o jogador Jorginho em 'Avenida Brasil', 2012: ambientada num time carioca da segunda divisão, novela de João Emanuel Carneiro aproveitou todo o potencial ficcional do futebol (Divulgação)

Cauã Reymond foi o jogador Jorginho em ‘Avenida Brasil’, 2012: ambientada num time carioca da segunda divisão, novela de João Emanuel Carneiro aproveitou todo o potencial ficcional do futebol (Divulgação)

Todo brasileiro é técnico e autor de ocasião, mas raramente o futebol e a novela se misturam. De minha parte, acho curioso ver os que criticaram, por exemplo, a comoção em torno do final de Avenida Brasil em 2012 acompanharem com tanto fervor a novela da Copa de 2014, em enredo do tipo “sangue, suor e lágrimas”. O título desta novela poderia ser Copa das Copas – Lágrimas e Paixão, e Neymar seria, obviamente, o mocinho. Não poderia ser mais folhetinesco, até a protagonista da novela das nove ele namora.

É uma pena a ficção não use o futebol como tema frequentemente. A dificuldade na produção das cenas em estádios talvez explique a escassez de craques nas novelas. Há quem aposte, também, que os públicos do esporte e da ficção são diferentes – nem tanto.

Por tudo isso, o noveleiro passa aperto na hora de escalar 11 jogadores para a seleção das novelas – e quase não chega a tanto, não fosse o reforço dos meninos do Divino. Abaixo, os boleiros mais famosos da teledramaturgia nacional, com reforço estratégico de Pelé e Neymar.

 

Luca (Mário Gomes) com os jogadores da partida entre Corinthians e Vasco, em 1984 (Divulgação)

Luca (Mário Gomes) com os jogadores da partida entre Corinthians e Vasco, em 1984 (Divulgação)

Luca, de ‘Vereda Tropical’ (1984)

Criado por Carlos Lombardi e Silvio de Abreu, o protagonista de Vereda Tropical interpretado por Mário Gomes ainda é o maior craque das novelas. Era um charmoso centroavante do Cantareira Futebol Clube, time fictício da segunda divisão, que sonhava em jogar no Corinthians. É famosa a cena final em que Luca estreia no time, uma sequência gravada durante um jogo real entre Corinthians e Vasco, no Morumbi. A Fiel pediu que o personagem entrasse em campo, numa provocação ao Timão real.

Bertazzo (Nuno Leal Maia), de ‘Vereda Tropical’ (1984)

Na mesma novela de Carlos Lombardi, o santista Nuno Leal Maia deu vida a Bertazzo, amigo do protagonista Luca (Mário Gomes). O ator sabia mesmo o que estava fazendo na TV: jogador na vida real, ele chegou a se dividir entre as gravações de Pátria Minha e o cargo de técnico do São Cristovão em 1994.

 

Duda (Claudio Marzo), em 'Irmãos Coragem": a novela estreou poucos dias após a abertura da Copa do Mundo de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato (Divulgação)

Duda (Claudio Marzo), em ‘Irmãos Coragem”: a novela estreou poucos dias após a abertura da Copa do Mundo de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato (Divulgação)

Duda (Cláudio Marzo), de ‘Irmãos Coragem’ (1970)

Irmão mais novo de João (Tarcísio Meira) e Jerônimo Coragem (Claudio Cavalcanti), Duda deixa a família em Coroado, cidade fictícia do interior de Goiás onde se passa a novela de Janete Clair, para seguir o sonho de ser jogador. O drama do personagem foi construído com a consultoria do lendário João Saldanha. Não por acaso, a novela estreou poucos dias depois a abertura da Copa do Mundo de 1970, no México, da qual o Brasil saiu tricampeão.

 

 

Bruno Gissoni, Thiago Martins e Daniel Rocha, os jovens craques do Divino Futebol Clube (Divulgação)

Bruno Gissoni, Thiago Martins e Daniel Rocha, os jovens craques do Divino Futebol Clube (Divulgação)

Meninos do Divino, de ‘Avenida Brasil’ (2012)

Nunca uma novela teve tantos jogadores de futebol como personagens como Avenida Brasil (2012), de João Emanuel Carneiro. O autor aproveitou muito bem o potencial ficcional do esporte, e ambientou a história nos bastidores de um time de futebol da segunda divisão, localizado na zona norte carioca. A história tinha uma galeria invejável de boleiros: Jorginho (Cauã Reymond) era o aspirante a craque que vivia a sombra do pai, Tufão (Murilo Benício), sujeito humilde que enriqueceu como herói do Flamengo; Roni (Daniel Rocha) e sua atração pelo amigo, Leandro (Thiago Martins); Adauto (Juliano Cazarré), craque marcado por um erro cometido em campo.

 

Klebber Toledo, Rafael Cardoso, Caio Blat e Eunir XXX, em 'Lado a Lado': futebol vintage (Divulgação)

Klebber Toledo, Rafael Cardoso, Caio Blat e Daniel Dalcin, em ‘Lado a Lado’: futebol vintage (Divulgação)

Pioneiros da bola, de ‘Lado a Lado’ (2012)

Na novela das seis de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, ambientada no início do século 20, o futebol era coisa de gente chique, como os personagens de Rafael Cardoso (Albertinho), Caio Blat (Fernando), Klebber Toledo (Umberto) e Daniel Dalcin (Teodoro).

Juiz Juarez Gomes da Silva (Eucir de Souza), de ‘fdp’ (2012)

Muito bom poder se colocar na situação do sujeito mais xingado em campo, na perspectiva do Juarez da série fdp da HBO. Ele sonha apitar uma Copa, mas vive uma vida sem glamour, muito perigo e pouco dinheiro.

 

Maicon (Marcello Melo Jr.): goleiro simpático foi um hit de 'Malhação' em 2010 (Divulgação)

Maicon (Marcello Melo Jr.): goleiro simpático foi um hit de ‘Malhação’ em 2010 (Divulgação)

Maicon (Marcello Melo Jr.), de Malhação (2010)

Uma graça o goleiro interpretado por Marcello Melo Jr. na Malhação de 2010. Morador de uma favela carioca, o simpático Maicon conseguiu realizar o sonho de jogar Seleção Brasileira Sub-20, depois de muita batalha e com muito talento para administrar as mulheres que o perseguiram durante a temporada.

 

Pelé, ele mesmo, de ‘O Clone’ (2001)

Todo galante, Pelé mostrou em O Clone (2001) que, se for preciso, pode ser escalado como galã. O Rei foi um dos muitos famosos que passaram pelo Bar da Dona Jura (Solange Couto), onde jogou charme para Nazira (Eliane Giardini).

 

Valdirene (Tatá Werneck) ataca Neymar em 'Amor à Vida' (Divulgação)

Valdirene (Tatá Werneck) ataca Neymar em ‘Amor à Vida’ (Divulgação)

Neymar, ele mesmo, de ‘Amor à Vida’

Naquele tipo de coincidência que mostra por que certas pessoas são celebridades, no mesmo dia em que fechou o contrato com o Barcelona – 27 de maio do ano passado –, Neymar se tornou ator de novela, em Amor à Vida. Ele apareceu, ainda com uniforme do Santos, como uma das vítimas da periguete Valdirene (Tatá Werneck). Praticamente mudo, mostrou que como ator é um grande craque de futebol.

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E o que seria da novela sem o beijo?

Alexandre Nero vive o “sonho brasileiro” em ‘Império’

07/07/2014

às 13:09 \ Folhetinescas

Mais 5 mistérios de ‘Em Família’

Cabelo de lado, esmalte e batom da mesma cor, além do ar etéreo: Clara (Giovanna Antonelli) está se tornando um clone de Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

Cabelo de lado, esmalte e batom da mesma cor, além do ar “lesbian chic”: Clara (Giovanna Antonelli) está se tornando um clone de Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

A duas semanas do fim, Em Família (Globo, 21h15) guarda, como toda telenovela que se preze, um bocado de mistérios – alguns bem planejados e necessários à trama; outros, nem tanto. Dúvidas cruéis, como a paternidade de Bia (Bruna Faria), a morte de Gorete (Carol Macedo) e a loucura de Laerte (Gabriel Braga Nunes) já foram levantadas neste post.

Mas eis que a novela tem muito mais pontos obscuros. Confira abaixo mais cinco mistérios que, provavelmente, ficarão sem resposta quando a novela acabar, no dia 19:

1. Clara está virando Marina

No começo, Clara (Giovanna Antonelli) era uma mulher adulta que usava roupas e cabelo de adolescente. A personagem evoluiu, descobriu-se homossexual e apaixonada por Marina (Tainá Müller), e essa transformação reflete-se no figurino mais sofisticado que ela passou a usar. Mas a produção acabou errando a mão e, agora que está prestes a se casar, Clara parece um clone da namorada: elas usam a mesma cor de esmalte, o mesmo batom e até penteiam o cabelo para o lado. As “coincidências” na caracterização das personagens esbarram no velho clichê de que namoradas lésbicas costumam se transformar umas nas outras. O casal Clarina merecia mais do que isso.

 

O pequeno Artur, filho de Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) vai a um passeio na favela , onde faz mais sol do que no resto da cidade (Reprodução)

O pequeno Artur, filho de Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) vai a um passeio na favela , onde faz mais sol do que no resto da cidade (Reprodução)

2. Solarização da favela

É de se esperar que o Rio de Janeiro apareça lindo e maravilhoso nas novelas, ainda mais nas de Manoel Carlos, um dos grandes apaixonados pela cidade. Mas não dá para entender por que somente as cenas da favela onde vive Jairo (Marcello Melo Jr.) aparecem com um filtro amarelo e saturação exagerada das cores, como se o morro – e apenas ele – fosse banhado por uma luz completamente diferente da que se vê no Leblon e na Barra.

3. Desembucha, Guiomar!

Como uma boa trama e doida de pedra, Juliana (Vanessa Gerbelli) é sem dúvida uma das melhores personagens de Em Família. Mas, na reta final, algumas peças de sua história dão nó na cabeça do noveleiro. Ao que parece, o autor quer redimir e premiar o banana do pedaço, Nando (Leonardo Medeiros) que, sem a força e personalidade de Jairo (Marcello Melo Jr.) rirá por último, quando for revelado que ele é o verdadeiro pai da pequena Bia (Bruna Faria). Mas se a fiel escudeira de Juliana, Guiomar (Jessika Alves), sabia do caso de Nando e Gorete (Carol Macedo) e, ainda, a que menina poderia ser filha dele, por que deixou para contar só agora, mesmo tendo presenciado todo o sofrimento da patroa para ficar com a criança? Coisas de final de novela….

 

Antes ambientada na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, a faculdade onde estudam os personagens jovens da novela se resumiu a uma das escadas do Projac: coisas de fim de novela (Reprodução)

Antes ambientada na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, a faculdade onde estudam os personagens jovens da novela se resumiu a uma das escadas do Projac: coisas de fim de novela (Reprodução)

4. Encontro na escada

A produção de Em Família gravou durante meses a fio na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, as cenas de Luiza (Bruna Marquezine) na universidade, onde também estudam outros personagens, como André (Bruno Gissoni) e Leto (Ronny Kriwat). Mas agora que a protagonista abandonou o curso e a novela está na reta final, em vez da lanchonete, a turma da faculdade deu para aparecer invariavelmente apertada numa escada – que, quem conhece sabe, fica no Projac. Coisas de orçamento apertado.

 

 

Rejeitado pelas mulheres durante toda a novela, Nando (Leonardo Medeiros)  nem precisou sair do escritório – foi "atacado" ali mesmo pela secretária 'Mad Men', Isolda (Silvia Quadros) (Reprodução)

Rejeitado pelas mulheres durante toda a novela, Nando (Leonardo Medeiros) nem precisou sair do escritório – foi “atacado” ali mesmo pela secretária ‘Mad Men’, Isolda (Silvia Quadros) (Reprodução)

5. Dança da vassoura

Fim de novela muitas vezes lembra aquela “dança da vassoura” de antigamente, um momento em que todos os personagens parecem correr para se arranjar e não sobrar no final. Às solteiras da vida real que vagam pelas micaretas da Copa em busca de um benzinho, as moças de Em Família ensinam que o melhor lugar para encontrar um namorado é a firma: muitas delas – como Verônica (Helena Ranaldi), Neidinha (Elina de Souza), Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho), Dulce (Lica Oliveira) e até a “aspirante a policial durona traumatizada pelo estupro” Alice (Erika Januza) – pegaram a rota do altar acompanhadas por colegas de trabalho.

 

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E o que seria da novela sem o beijo

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Alexandre Nero vive o “sonho brasileiro” em ‘Império’

03/07/2014

às 16:33 \ Folhetinescas

E o que seria da novela sem o beijo?

Conhecido pelos personagens conquistadores, José Mayer viverá um gay enrustido em 'Império', Cláudio, apaixonado pelo personagem de Klebber Toledo, Leonardo (Divulgação)

Conhecido pelos personagens conquistadores, José Mayer viverá um homossexual em ‘Império’, Cláudio, apaixonado pelo personagem de Klebber Toledo, Leonardo: novo casal já alimenta especulações por mais um beijo gay na TV (Divulgação)

Nenhum beijo precisa ser igual ao outro, porque a telenovela é feita dos mais diversos tipos daquela manifestação de carinho que é a cara do folhetim. Tímido e mais discreto do que a ocasião exigia – um pedido apaixonado de casamento –, o beijo entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) no capítulo da última segunda (30) de Em Família (Globo, 21h30) foi bem mais comedido que o “beijo lésbico” antes apresentado pelo SBT em 2011, em Amor e Revolução, com Giselle Tigre e Luciana Vendramini. Mas não é por isso que deixou de representar uma evolução na representação dos personagens homossexuais, já que estar na emissora líder de audiência faz uma certa diferença.

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em 'Em Família': tímido, mas ruidoso (Divulgação)

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em ‘Em Família’: tímido, mas ruidoso (Divulgação)

Há três anos, o canal de Silvio Santos anunciou com grande alarde a cena de amor entre as duas jornalistas que se apaixonavam em meio aos acontecimentos do golpe de 1964, pano de fundo da novela de Tiago Santiago. Aquela experiência ajuda a explicar a candura do casal Clarina: a sequência, que entrou para a história como o primeiro beijo entre mulheres numa novela brasileira, não fez subir o Ibope da novela. Pelo contrário, a repercussão menos positiva do que se esperava levou a direção a desistir de exibir um segundo beijo entre as duas personagens – meu palpite é que a propaganda em torno da cena acabou tendo um efeito negativo.

Não podemos esquecer que a novela brasileira é um programa para o público mais heterogêneo que se possa imaginar. E que até o beijo pudico e heterossexual de Vida Alves e Walter Forster já chocou o público, lá por 1951, quando exibido em Sua vida me pertence (TV Tupi). Há que se ter nas novelas, portanto, beijos para todos os gostos. Assim, mesmo singelo e um tanto “coisinha da Hebe”, o carinho de Clara e Marina – que tem grande chance de se repetir numa cerimônia de casamento até o final de Em Família, no dia 19 – é mais um tipo de carinho que se soma aos tantos outros que compõem a nossa telenovela e marcam época.

Veja 7 tipos de beijos que são a cara da teledramaturgia nacional:

Tarcísio Meira e Glória Menezes em 'Rosa Rebelde', de 1969

Tarcísio Meira e Glória Menezes em ‘Rosa Rebelde’, de 1969

1. Beijo Tarcísio Meira

É aquele oferecido para a câmera, com o grudar de lábios, mas a boca respeitosamente fechada. É o beijo que Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) deram em Amor à Vida.

 

2. Beijo Vida Alves

Você pensa que é só um beijo inocente, mas a lembrança te persegue para sempre.

 

 

 

Fábio Jr. e Regina Duarte em 'Roque Santeiro', de 1985

Fábio Jr. e Regina Duarte em ‘Roque Santeiro’, de 1985

3. Beijo Fábio Jr.

É o tipo de beijo que faz o telespectador questionar o conceito “beijo técnico” ou, no mínimo, aplaudir a naturalidade do ator.

 

 

4. Beijo Clarina

Longe de ser um típico “beijo de novela” e também conhecido como “beijo da Hebe”, é uma coisinha à toa, mas que causa um rebuliço enorme.

 

 

José Mayer e Helena Ranaldi em 'Laços de Família', de 2000

José Mayer e Helena Ranaldi em ‘Laços de Família’, de 2000

5. Beijo José Mayer

É o famoso “beijo com pegada”. Literalmente, uma vez que o ator sempre pega no braço da parceira de cena, com força, antes de beijá-la. O estilo poderá ser posto a prova em breve e num novo contexto, uma vez que José Mayer viverá um homossexual em Império, que substitui Em Família no dia 21.

 

 

 

 

Cauã Reymond (Leandro) e Isis Valverde (Antonia) em cena de 'Amores Roubados' (2014) (Divulgação)

Cauã Reymond (Leandro) e Isis Valverde (Antonia) em cena de ‘Amores Roubados’ (2014) (Divulgação)

6. Beijo Cauã

É a evolução do “beijo Fábio Jr.” e o beijo mais valorizado das novelas na atualidade. Tão natural e verdadeiro, que dá margem a comentários que misturam ficção e realidade.

 

 

 

 

 

 

 

Em 2005, Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) ficaram juntos em 'América', mas sem beijo: gravada, cena não foi ao ar (Divulgação)

Em 2005, Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) ficaram juntos em ‘América’, mas sem beijo: gravada, cena não foi ao ar (Divulgação)

 

7. Beijo Júnior

É aquele beijo que é censurado, mas o noveleiro fica imaginando como teria sido. E ainda espera vê-lo um dia, quem sabe no canal Viva.

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Alexandre Nero vive o “sonho brasileiro” em ‘Império’

 

01/07/2014

às 17:16 \ Bastidores

Alexandre Nero vive o “sonho brasileiro” em ‘Império’

Em 'Império', Alexandre Nero é o protagonista José Alfredo, casado com Maria Marta (Lilia Cabral) e amante da ninfeta Maria Ísis, papel de Marina Ruy Barbosa (Divulgação)

Em ‘Império’, Alexandre Nero é o protagonista José Alfredo, casado com Maria Marta (Lilia Cabral) e amante da ninfeta Maria Ísis, papel de Marina Ruy Barbosa (Divulgação)

O protagonista que, em vez de mimimi, parte para o sacode a poeira e ascende socialmente é recorrente na obra de Aguinaldo Silva. De pronto, podemos lembrar da divina Maria do Carmo (Susana Vieira) de Senhora do Destino (2004), do controverso Ferraço (Dalton Vigh) de Duas Caras (2007) e da adorável Griselda (Lilia Cabral) de Fina Estampa (2011). Com Império, que estreia no dia 21 na faixa das nove da Globo, substituindo a Em Família de Manoel Carlos, o autor traz um novo personagem a viver essa espécie de “sonho brasileiro”. “Acho que o público brasileiro se identifica com esse tipo de personagem, que enfrenta as adversidades e vence por seus méritos”, justifica Aguinaldo em conversa com o blog, durante a entrevista coletiva que apresentou a novela na manhã desta terça (1), no Projac, na zona oeste do Rio.

Aguinaldo Silva, entre Drica Moraes, que interpreta a vilã Cora, e Leandra Leal, que vive a mocinha Cristina: "O público de novela quer ter por quem torcer" (Divulgação)

Aguinaldo Silva, entre Drica Moraes, que interpreta a vilã Cora, e Leandra Leal, que vive a mocinha Cristina: “O público de novela quer ter por quem torcer” (Divulgação)

Com ritmo acelerado e a promessa de personagens carismáticos, a novela contará a história de José Alfredo (Chay Suede na primeira fase, Alexandre Nero na segunda), pernambucano que chega ao Rio para batalhar o sustento e acaba se apaixonando pela cunhada, Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli). O ponto de partida está no final dos anos 80. Um plano de fuga dá errado e ele acaba como o braço direito de um contrabandista de pedras preciosas. Mais um golpe do destino, e lá está ele resgatando um diamante caríssimo na Suíça, onde conhece Maria Marta (Adriana Birolli/Lilia Cabral), uma aristocrata falida que se tornará sua mulher.

Maria Marta dá a José Alfredo o passaporte para o mundo dos endinheirados e três filhos – José Pedro (Caio Blat), Maria Clara (Andreia Horta), João Lucas (Daniel Rocha) –, que disputam poder dentro da empresa como num verdadeiro reinado. “Ele não sorri facilmente e só se veste de preto. E ele não é um vilão por estar de preto, mas um herói que não é solar, colorido, up”, detalhou Alexandre Nero, que verá seu reino ser abalado por ecos do passado. Com a morte de Eliane, Cristina (Leandra Leal) fica sabendo por sua tia, Cora (Drica Moraes), que José Alfredo é seu verdadeiro pai. Cora é uma criatura dissimulada, da mesma estirpe da Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) de Senhora do Destino. “Ela é uma autêntica ‘megera de Aguinaldo’, o que já diz muito sobre uma personagem”, observou Drica Moraes. “Ela tem o que todos nós temos, que é a luta pela sobrevivência. Mas é movida pelo rancor e pela relação de dependência da sobrinha.”

Promessa de humor na trama, Ailton Graça é a travesti Xana Summer, dona de um salão em Santa Teresa, e sua fiel escudeira, a manicure Naná (Viviane Araújo) (Divulgação)

Promessa de humor na trama, Ailton Graça é a travesti Xana Summer, dona de um salão em Santa Teresa, e sua fiel escudeira, a manicure Naná (Viviane Araújo) (Divulgação)

Identificação é a chave para o sucesso de uma novela, Aguinaldo bem sabe. Em resumo, o público precisa torcer por alguém e se envolver com as questões do personagem, sejam de amor, filosóficas ou monetárias, senão não há novela que aguente. Logo de cara, José Alfredo parece um personagem interessante, mas é em Leandra Leal que o autor aposta para fisgar o telespectador, que anda meio arredio com os rumos da novela das 9 atual, Em Família.  “Na primeira cena da Cristina, por exemplo, ela sai do Mercadão de Madureira (centro de comércio popular na zona norte do Rio) cheia de sacolas. Vai pegar o trem e é encoxada por um sujeito. E não tem dúvida: enche o cara de tapas!”, adianta o autor. “É o tipo de coisa que cria identificação, é uma mulher que você quer ver se dar bem, vencer.”

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Clara e Marina dão “selinho de Hebe” e fãs pedem mais

30/06/2014

às 23:32 \ Folhetinescas

Clara e Marina dão ‘selinho de Hebe’ e fãs pedem mais

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em 'Em Família': tímida, cena avançou pouco em relação ao romance de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em 'Mulheres Apaixonadas', novela que Manoel Carlos escreveu em 2003 (Divulgação)

Marina (Tainá Múller) e Clara (Giovanna Antonelli) se beijam em ‘Em Família’: tímida, cena avançou pouco em relação ao romance de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em ‘Mulheres Apaixonadas’, novela que Manoel Carlos escreveu em 2003 (Divulgação)

Não poderia ser mais cândido o esperado beijo entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller). Levada ao ar na noite desta segunda (30), a cena de Em Família (Globo, 21h15) frustrou os fãs que vinham pedindo ao autor Manoel Carlos um “algo mais” entre as personagens, apaixonadas desde o começo da novela. Um tanto envergonhada e solene, a demonstração de carinho das moças se resumiu a um rápido selinho que, não fosse o contexto do amor entre as duas, poderia ser comparado aos que Hebe Camargo distribuía toda semana no seu programa do SBT.

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em 'Mulheres Apaixonadas' (2003): beijo, só como Romeu e Julieta (Reprodução)

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003): beijo, só como Romeu e Julieta (Reprodução)

Como fora divulgado pela emissora no fim da semana passada, Marina surpreendeu Clara com um par de alianças e um pedido de casamento. Para apimentar um pouco as coisas, a insuportável Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho) apareceu para condenar o romantismo. “Estou presenciando uma das cenas mais cafonas de Marina Meirelles”, bradou, talvez canalizando o sentimento de uma parte dos telespectadores. Mas, megera posta de lado, as namoradas ficaram com lágrimas nos olhos e Marina beijou Clara – Giovanna Antonelli ficou um tanto estática. A cena foi exibida por volta das 22h, uma hora mais cedo, portanto, que o beijo entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em Amor à Vida, levado ao ar em janeiro.

A timidez fez parecer que se tratava do primeiro contato íntimo entre a fotógrafa e a dona de casa. Mas não. A trama dá a entender que elas já têm um namoro consistente desde o salto no tempo que acelerou a história, há duas semanas – só faltava aparecer o beijo que estava presumido. Embora fique claro que o autor pisa em ovos para lidar com a homossexualidade de suas charmosas personagens, uma vez que o casal enfrenta forte rejeição de uma parcela ruidosa do público, os admiradores das moças – não menos ruidosos – não deixaram de aplaudir a cena. E já pedem mais – quem sabe na cerimônia de casamento. “Todo um rebuliço por conta de um selinho muito mal dado? Ai, ai…”, escreveu o perfil @Swdezerbelles no Twitter. “Giovanna Antonelli e Tainá Muller fizeram uma linda cena, mas que o beijo do último capítulo seja melhor que esse aí, viu…”, sublinhou @zamenza.

Desde o começo da noite de ontem, os fãs do casal Clarina, como elas são chamadas nas redes sociais, mobilizaram-se para levar a hashtag “beijo Clarina vencendo o preconceito” aos Trending Topics do Twitter e não foram poucos os comentários que relacionaram a cena a um avanço da teledramaturgia na composição dos personagens homossexuais. Mas, entre a necessidade de espelhar a sociedade e o medo de irritar os mais conservadores e, quem sabe, perder audiência, os autores de novela caminham lentamente nesse terreno. Não se pode deixar de considerar que, no mesmo capítulo, o ex-marido de Clara, Cadu (Reynaldo Gianecchini) foi beijado duas vezes, por duas mulheres diferentes – beijos caprichados, daqueles “de novela”. É como se para liberar a felicidade de Clara e Marina o autor tivesse de garantir, antes, um lugar ao sol para o marido abandonado – nada mais do que um truque para não assustar parte da audiência.

Há mais de dez anos, vale lembrar, o próprio Maneco teve de inserir o beijo entre Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Alinne Moraes) numa montagem escolar de Romeu e Julieta, em Mulheres Apaixonadas (2003). Clara passou a novela toda tendo embates memoráveis com sua mãe, que não aceitava a homossexualidade da filha mas, no fim, apesar de toda a torcida que receberam, as duas namoradas adolescentes tiveram direito a apenas um selinho, um pouco mais pudico que o de Em Família, justamente por se tratar de uma ficção dentro da ficção. Com mais coragem – e bem menos público – o SBT exibiu em 2011 uma cena quente entre Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini) na novela Amor e Revolução, de Tiago Santiago. Precedido de grande alarde criado pela emissora de Silvio Santos, o beijo ainda é a cena mais contundente de amor entre duas mulheres já exibida pela teledramaturgia brasileira, num caminho que começou lá em 1964, quando Vida Alves e Georgia Gomide tocaram os lábios uma da outra em A Calúnia, teleteatro da Tupi que contava a história de duas colegiais que se tornavam namoradas.

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30/06/2014

às 10:15 \ Folhetinescas

‘Em Família’ vai redimir os bananas

Depois de humilhar o ex-marido durante toda a novela, Juliana (Vanessa Gerbelli) descobrirá que é ele, Nando (Leonardo Medeiros) o pai da filha da empregada, que ela tanto quer adotar (Reprodução)

Depois de humilhar o ex-marido durante toda a novela, Juliana (Vanessa Gerbelli) descobrirá que é ele, Nando (Leonardo Medeiros) o pai da filha da empregada, que ela tanto quer adotar (Reprodução)

Depois de Amor à Vida, desenvolvida em torno de personagens masculinos fortes, Em Família chamou a atenção por ter devolvido o protagonismo às mulheres. Mulheres fortes – e um tanto surtadas – como Helena (Júlia Lemmertz) dominam o Leblon de Manoel Carlos, num bom contraponto à pamonha Paloma, interpretada por Paolla Oliveira na novela anterior. Mas o telespectador deve ter notado que, por outro lado, sobrou homem banana por aquelas bandas. E são justamente eles que vão brilhar na reta final da novela, que termina no dia 18.

Cadu (Reynaldo Gianecchini) perdeu Clara (Giovanna Antonelli) para Marina (Tainá Müller), mas foi alçado ao posto de "bendito fruto" da novela pelo autor Manoel Carlos (Reprodução)

Cadu (Reynaldo Gianecchini) perdeu Clara (Giovanna Antonelli) para Marina (Tainá Müller), mas foi alçado ao posto de “bendito fruto” da novela pelo autor Manoel Carlos (Reprodução)

Depois de perder Clara (Giovanna Antonelli) para Marina (Tainá Müller), Cadu (Reynaldo Gianecchini) se tornou um alvo fácil para as solteiras da trama.  Folgado no começo da novela, o aspirante a chef melhorou com o passar dos capítulos, ainda mais depois do drama do transplante de coração. Mas a verdade é que o personagem só não é pior porque pode contar com o carisma de Gianecchini.

Sempre ponderado, Virgílio (Humberto Martins) andou sendo mais enérgico nos últimos tempos, mas continua sob o domínio das mulheres tiranas. No capítulo de sexta (27), por exemplo, tentou dar uma lição em Luiza (Bruna Marquezine), numa discussão por causa de Laerte (Gabriel Braga Nunes). Teve muito choro, mas pouco efeito prático, já que a moça segue com o plano de se casar com o psicopata. Até o fim da novela, o ex-peão vai se livrar da cicatriz que deu tanto trabalho à equipe de caracterização. Sem dúvida é um progresso mas, com tantos dermatologistas e clínicas de estética no Leblon, espanta dele ter demorado tanto a tomar uma atitude.

Nenhum personagem merece mais o troféu banana do que o Nando (Leonardo Medeiros). Mas, depois de ser humilhado por Juliana (Vanessa Gerbelli) em quase todas cenas que estrelou, o advogado revelerá que não é tão passivo quanto parece. Confirmando as suspeitas e as pistas que o autor vinha apresentando desde o começo, ele vai admitir que teve um caso com a doméstica Gorete (Carol Macedo). E o principal: vira à tona que ele é o pai da menina Bia (Bruna Faria). E repare, telespectador, como é a vida (ou a telenovela): será ele a rir por último na disputa com o machão Jairo (Marcello Melo Jr.).

Mas antes de Nando se tornar a última bolacha do pacote, Jairo terá de cair em desgraça. Mais do que rejeitar a vida “cheia de frescuras” da zona sul, ele vai se mostrar agressivo como nunca e espancar Juliana numa cena “aterrorizante”, conforme adiantou a jornalista Carla Bittencourt no jornal Extra, na semana passada. Pois é, durante a novela elas se divertem com os Jairos, mas são os Nandos que merecem o final feliz.

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