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Arquivo de janeiro de 2014

31/01/2014

às 8:00 \ Entrevista

‘A Linda me virou do avesso’, diz Bruna Linzmeyer

Imersa no processo de dar vida a Linda, Bruna evita responder sobre a polêmica envolvendo o beijo e o casamento da personagem: "A pergunta importa mais do que a resposta", diz (Divulgação)

Imersa no processo de dar vida a Linda, Bruna Linzmeyer evita responder sobre a polêmica envolvendo o beijo e o casamento da personagem: “A pergunta é que é maravilhosa, mais do que qualquer resposta”, diz (Divulgação)

Linda sobe hoje ao altar em Amor à Vida (Globo, 21h), atendendo aos apelos de boa parte do público, que se encantou com a história de amor puro e ingênuo entre uma jovem autista e um advogado. A decisão do autor Walcyr Carrasco é sem dúvida cercada por ressalvas de especialistas e pais de crianças autistas, mas há de se reconhecer o empenho da atriz Bruna Linzmeyer na condução da personagem, que foi de um nível acentuado a uma presença mais leve da síndrome durante os 221 capítulos da novela. “A Linda me virou do avesso”, define ela em conversa com o blog, já em Florianópolis para gravar o longa-metragem Celulares, de Jefferson De.

Logo depois de viver a primeira protagonista no cinema, ela volta ao Projac como a professora Juliana de Meu Pedacinho de Chão, novela de Benedito Ruy Barbosa de 1971 que voltará à Globo em abril como um remake dirigido por Luiz Fernando Carvalho para o horário das 6. Não por coincidência, foi o diretor que lançou Bruna na televisão, como a Tatiana Ravichencko do seriado Afinal, o que querem as mulheres?, de 2010.

Ainda sob o impacto da Linda e de toda a discussão que ela provocou, a atriz de 21 anos diz que ainda não parou para pensar sobre o posto de protagonista que acaba de conquistar. “Talvez seja melhor não pensar muito. Só trabalhar e sentir, viver esses trabalhos tão bonitos”, filosofa.

Na trajetória da Linda, chama a atenção o fato de o romance ter despertado a torcida do público desde o primeiro momento – especialmente entre os mais jovens. A aceitação de um namoro tão pouco convencional surpreendeu você? 

Não imaginava essa reação do público. É claro que há um desejo de que as pessoas se envolvam com a história que você está contando e talvez esse foi O grande desejo, poder falar de amor, e viver esse amor tão primordial, singelo e ao mesmo tempo profundo que é o amor da Linda e do Rafael, e também o amor da Linda, singularmente.

No ano passado, Bruna protagonizou uma comentada "dança dos leques" no Bataclã de 'Gabriela' (Reprodução)

Em 2012, Bruna protagonizou uma comentada “dança dos leques” no Bataclã de ‘Gabriela’ (Reprodução)

Você acaba de realizar um trabalho muito difícil e chega ao final com grande reconhecimento – até dos que não concordam com os rumos da personagem, note-se. Como foi esse caminho? O que te deu segurança para moldar a Linda como ela foi moldada?

Foi um caminho exatamente como você disse: difícil, muito difícil. Até a última cena, a cada segundo era preciso concentração e dedicação. Foi desafiador, um trabalho que me virou do avesso, mexeu com as minhas emoções como atriz e como ser humano. O que me deu segurança foram as pessoas que estavam à minha volta, envolvidas nesse trabalho: Mauro Mendonça Filho, Walcyr Carrasco, Sérgio Penna (nosso preparador de elenco), Laura Sarmento (artista e psicóloga que trabalhou conosco em todos os ensaios e gravações), André Barros (diretor que passou a dirigir as cenas da Linda). Tudo foi feito com afeto, com emoção e com muita seriedade e respeito. Só isso poderia nos dar segurança de que, pelo menos, demos o nosso melhor. A Linda não existiria sem o trabalho e compromisso dessas pessoas.

Como foi trabalhar com tão pouco texto? É algo que faz você trabalhar mais intuitivamente?

Foi maravilhoso. Sinto que meu trabalho é intuitivo, e no caso da Linda, sim, ainda mais. Há espaço para improvisos, há espaço para deixar-se afetar pelo que acontece em cena, deixar-se afetar por esses personagens, por esses atores maravilhosos com quem trabalhei.

Até a Linda, você havia feito personagens bastante sensuais. Como avalia a experiência de ter se despido de vaidade?

Foi incrível essa experiência. Assim como o contrário também o é. Eis o que sempre estará em primeiro lugar: o desafio. O desejo de fazer o que não se sabe, e assim, ter que trabalhar muito para descobrir o caminho.

Segundo Bruna, um dos momentos mais delicados de gravar foi o pedido de socorro de Linda, que foi ao ar na semana passada (Reprodução)

Linda pede socorro, a cena preferida de Bruna: “Sinto que meu trabalho é intuitivo e, no caso da Linda, ainda mais. Há espaço para improvisos, para deixar-se afetar pelo que acontece em cena, deixar-se afetar por esses personagens e por esses atores maravilhosos com quem trabalhei” (Reprodução)

Qual cena da Linda é sua preferida? Qual momento foi mais difícil/complicado de gravar?

Gosto muito da sequência que antecede o pedido de socorro. Quando a Linda está em crise constante, em estado de melancolia. E foram cenas incríveis de gravar. Especialmente por ter a Sandra (Corveloni) e a dona Nathália (Timberg) ao meu lado.

Não posso deixar de te perguntar: você, Bruna, acha que a Linda deveria namorar e até casar com o Rafael?

Acho que a pergunta é que é maravilhosa, muito mais do que qualquer resposta. Pois não estamos falando só da Linda, estamos falando de uma sociedade inteira.

Já teve tempo para se familiarizar com a Juliana, de Meu Pedacinho de Chão? Como está vivendo a expectativa de voltar a trabalhar com Luiz Fernando Carvalho e, para completar, interpretar sua primeira protagonista?  

Tenho plena admiração, paixão e confiança no Luiz e no trabalho que ele faz. Mas antes da novela ainda rodo um longa em Floripa, do Jeferson De. E ainda me despedindo da nossa querida Linda… Talvez seja melhor não pensar muito. Só trabalhar e sentir, viver esses trabalhos tão bonitos.

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30/01/2014

às 12:59 \ Folhetinescas

Globo alimenta expectativa pelo beijo do casal ‘Feliko’

Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em uma "cerimônia misteriosa", segundo o site de 'Amor à Vida' (Divulgação)

Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em uma “cerimônia misteriosa”, segundo o site de ‘Amor à Vida’ (Divulgação)

Como boa parte da audiência desejava, Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) já são um casal de fato desde o capítulo de ontem (quarta, 29), quando o ex-vilão aceitou o convite do “carneirinho” para pernoitar. Nos corredores do Projac, o beijo entre os dois, típico dos mocinhos em final de novela, é dado como certo. E tem mesmo grande chance de acontecer, teoria que é alimentada pela própria emissora.

O site oficial da novela amanheceu com uma intrigante chamada, sobre uma foto do casal ‘Feliko’, ambos de branco, numa tal “cerimônia misteriosa”. “O que será?”, pergunta o site. O casamento dos dois, talvez? Se for, é justo que tenha beijo.

Mas, alto lá, não é o casamento dos dois. O cenário parece ser o mesmo da cerimônia de Linda (Bruna Linzmeyer) e Rafael (Rainer Cadete). As cenas vão ao ar nesta quinta (30), no penúltimo capítulo.

Ainda sem negar de vez ou confirmar a esperada cena, o autor Walcyr Carrasco sempre se mostra favorável ao beijo gay. E embora façam questão de sublinhar que a história de amor entre Niko e Félix é o mais importante, Thiago Fragoso e Mateus Solano já se prontificaram a gravar. Até a mulher de Solano, Paula Braun, que interpreta a médica Rebeca, torce pelo beijo e já mandou seu recado na campanha #BeijaFelix que circula no Twitter. “Alô, @WalcyrCarrasco! Queremos o beijo do Félix e do Niko”, escreveu ela, um pedido que vem sendo repetido no Twitter desde segunda (27). Alguns tuiteiros chegaram a questionar Walcyr no momento da sequência apimentada entre Patrícia (Maria Casadevall) e Michel (Caio Castro). “Se pode uma cena de sexo tão ousada, por que não um beijo gay?”, perguntam.

Contra o beijo, vale considerar, estão as lideranças evangélicas ligadas à emissora, em especial o pastor Silas Malafaia, como mostrou o Radar on-line. Uma campanha contra a cena já circula pela internet, pregando o boicote à novela – embora, sem grande força. Mas a palavra final sobre a exibição é da direção da emissora que, lembremos, barrou a exibição de cena semelhante entre o Júnior (Bruno Gagliasso) e o Zeca (Eron Cordeiro) de América, em 2005. Naquela ocasião, a expectativa em torno fez o último capítulo da novela Glória Perez marcar 66 pontos no Ibope, com incríveis picos de 70 pontos.

Nove anos depois, cá estamos na mesma situação – e seria complicado recuar de novo. Mas estariam a família brasileira preparada para ver dois homens se beijando na novela das 9? Só exibindo a cena para descobrir.

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29/01/2014

às 17:39 \ Fotonovela

‘Amor à Vida’: Ainda há tempo para mais um strip de Michel

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Na reta final da novela, Michel (Caio Castro) reedita sua cena de maior destaque: de novo, ele usa o velho truque de aparecer na casa de Patrícia (Maria Casadevall) “vestindo” um buquê (Dilvulgação)

Um tanto esquecido nos últimos dias, o casal Michel (Caio castro) e Patrícia (Maria Casadevall) terá mais uma chance de brilhar antes do final de Amor à Vida (Globo, 21h) – e do jeito que os fãs do ator mais gostam. Caio Castro terá tempo para aparecer seminu ainda uma última vez, de novo usando o golpe de aparecer na porta da amada “vestindo” um buquê de flores.

A moça, como se sabe, anda chateada desde que os dois discutiram por causa da paternidade indeterminada do filho que ela carrega. Há a possibilidade de o pai ser Guto (Márcio Garcia) – mas já é bola cantada que o filho é de Michel.

Apaixonados incorrigíveis e com pouca história para contar além do “jogo de gata e rato”, os dois personagens tiveram a clara função de apimentar a trama. Na primeira cena do tipo, que foi ao ar em julho, Michel tentava se reconciliar com Patrícia, após ela descobrir o casamento dele com Silvia (Carol Castro). Conseguiu e, de quebra, fez tremendo sucesso nas redes sociais. Antes, ele já havia tirado a roupa no consultório, em outra surpresa para Patrícia – naquela ocasião, se cobriu com um pequeno travesseiro. Em dezembro, no Domingão do Faustão, Caio disse que gravou as cenas para valer, sem tapa-sexo, temperando ainda mais a situação.

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29/01/2014

às 10:06 \ Folhetinescas

Sete pérolas em uma noite de ‘Amor à Vida’

Já à beira da canonização, o ex-malvado Félix (Mateus Solano) vem colecionando grandes façanhas – no capítulo desta terça (28) conseguiu impedir a decolagem de um vôo internacional (Divulgação)

Já à beira da canonização, o ex-malvado Félix (Mateus Solano) vem colecionando grandes façanhas – no capítulo desta terça (28) conseguiu impedir a decolagem de um vôo internacional (Divulgação)

Com 1h20 de duração e diversas pendengas ainda por resolver na trama, o capítulo desta terça de Amor  à Vida (Globo 21h) apresentou uma coleção de frases desconcertantes. Verdadeiras pérolas da teledramaturgia, algumas são involuntariamente cômicas. Confira 7 delas:

1. “Sai daqui, vadia!”

De César (Antonio Fagundes) para Pilar (Susana Vieira), reeditando o bordão de Carminha (Adriana Esteves) em Avenida Brasil. O patriarca Khouri ficou chateado ao saber que a ex-mulher está numa “união estável” com o motorista.

2. “Eu faço um strip-tease!”

De Félix (Mateus Solano), para tentar – e conseguir – impedir o voo que levaria Aline (Vanessa Giácomo) para a Bélgica. Sem mandado ou acusação formal, os agentes da Polícia Federal não só seguraram o avião na pista como permitiram que Félix e Paloma entrassem na aeronave para resgatar a vilã fujona.

 

Rafael (Rainer Cadete) pediu Linda (Bruna Linzmeyer) em casamento: "O que é casamento?", perguntou ela (Divulgação)

Rafael (Rainer Cadete) pediu Linda (Bruna Linzmeyer) em casamento: “O que é casamento?”, perguntou ela (Divulgação)

3. “Não se assustem, a decoração é de péssimo gosto…”

De Félix, ao chegar com os investigadores – e uma verdadeira tropa de personagens – à casa de César. Palco de uma meia dúzia de maldades cometidas por Aline e Ninho (Juliano Cazarré), o local deveria ser preservado como cena de crime.

4. “Eles abrem uma cova e eu é que tenho de ser mais gentil. É o apocalipse!”

De Félix, ao ajudar a polícia – de novo, dando ordens aos agentes, como se fosse o próprio delegado – a encontrar a cova de Mariah (Lúcia Veríssimo) no quintal de César.

5. “O que vale é a lei de Deus.”

De Rafael (Rainer Cadete) que, ora, é advogado. Para convencer Neide (Sandra Corveloni) e Amadeu (Genézio de Barros) de que poderia pedir a jovem autista Linda (Bruna Linzmeyer) em casamento, ele disse ainda que “alguém traçou uma linha dividindo o que é certo do que é errado” – o que é bem estranho para quem segue os manuais do Direito.

6. “O que é casar?”

De Linda, fazendo a gente  pensar que talvez o casamento com Rafael não seja uma boa ideia.

 

Mal chegou ao San Magno, André (Eriberto Leão) chamou Eron (Marcello Antony) para tomar "uns drinques": a pressão do final da novela faz tudo acontecer mais rápido (Divulgação)

Mal chegou ao San Magno, André (Eriberto Leão) chamou Eron (Marcello Antony) para tomar “uns drinques”: a pressão do final da novela faz tudo acontecer mais rápido (Divulgação)

7. “Quem sabe a gente não possa tomar um drinque…”

De André (Eriberto Leão, com um corte de cabelo mais do que equivocado) que, mal chegou ao San Magno, já chamou Eron (Marcello Antony) para sair – é a pressão do final da novela.

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28/01/2014

às 14:06 \ Fotonovela

Clichês policiais compõem ‘A Teia’

Jorge Macedo em frente ao 'spidergram' que é objeto de cena de quase todas as séries de mistério da atualidade e que também dá o nome a 'A Teia' (Reprodução)

Jorge Macedo (João Miguel) em frente ao ‘spidergram’ que é objeto de cena de quase todas as séries de mistério da atualidade e que também dá o nome a ‘A Teia’ (Reprodução)

Você já conhece essa premissa: um policial obstinado, mas um tanto errante e desacreditado entre seus pares, passa os dias no encalço de um bandido/assassino charmoso, a quem persegue como um capitão Ahab em busca de sua Moby Dick. É um enredo que se repete em diversas versões na história da literatura, do cinema e dos seriados policiais americanos e, não por acaso, é também o estopim de A Teia.

Ryan Hardy (Kevin Bacon) em 'The Following', sucesso na americana Fox: qualquer semelhança com 'A Teia' não é mera coincidência (Reprodução)

Ryan Hardy (Kevin Bacon) em ‘The Following’, sucesso na americana Fox: qualquer semelhança com ‘A Teia’ não é mera coincidência (Reprodução)

Com 10 episódios, o seriado que estreia hoje, às 23h, é uma ambiciosa iniciativa da Globo no gênero ação e mistério, ainda pouco explorado na televisão brasileira. No roteiro de Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani, indicado ao Oscar por Cidade de Deus em 2004, o nome remete a um dos recursos cênicos mais usados na TV americana: o spidergram, quadro de investigação que ilustra o trabalho dos detetives mais populares do momento, de Ryan Hardy (Kevin Bacon) em The Following ao Hank Schrader (Dean Norris) de Breaking Bad, passando ainda pela agente Carrie Mathison (Claire Danes) de Homeland, a detetive Debra Morgan (Jennifer Carpenter) de Dexter e todos os chefes de polícia da franquia CSI.

Em A Teia, quem fica com cara de poucos amigos em frente ao quadro de provas é o delegado da Polícia Federal Jorge Macedo, interpretado pelo excelente João Miguel (lembre do bom trabalho que fez como o Só Love de O Canto da Sereia, no ano passado). Quando começa a história, ele está sofrendo um processo disciplinar, acusado de torturar um preso. Para limpar sua barra, começa a investigar um grande assalto ocorrido no aeroporto de Brasília – o episódio foi inspirado no roubo de 60 quilos de ouro que deixou a polícia de queixo caído no mesmo local, em 2000. Jorge Macedo é baseado na carreira do delegado Antonio Celso dos Santos, que conduziu as investigações na época.

O ponto fraco do bandido Baroni (Paulo Vilhena) é Celeste (Andreia Horta): romance rock'n'roll é embalado por bela trilha sonora e entremeado de cenas quentes e muita ação hollywoodiana (Divulgação)

O ponto fraco do bandido Baroni (Paulo Vilhena) é Celeste (Andreia Horta): romance rock’n'roll é embalado por bela trilha sonora e marcado por cenas quentes e muita ação hollywoodiana (Divulgação)

Como o anti-herói charmoso que é, afinal, mais um clichê da ficção policial, está Paulinho Vilhena. Ele é Marco Aurélio Baroni, ex-estudante de engenharia, ele é um filhinho de papai que esconde a frieza e a crueldade embaixo de uma camada de educação e gentileza. Seu ponto fraco é, claro, uma mulher. Celeste (Andreia Horta) é ex-mulher de um bandido com quem Baroni conviveu na prisão – sim, ele rouba ouro e a mulher dos outros.

As diversas referências e lugares-comuns, entretanto, não devem comprometer o bom resultado do seriado – o gênero policial, vale ressaltar, é bastante apegado aos seus clichês, presentes até mesmo nas produções mais elogiadas.

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27/01/2014

às 22:36 \ Eu faço drama

Árabes e judeus selam a paz em ‘Amor à Vida’

Ex-aspirante a homem-bomba, o palestino Pérsio (Mouhamed Harfouch) salvou a amada judia Rebeca (Paula Braun) do cativeiro (Divulgação)

Ex-aspirante a homem-bomba, o palestino Pérsio (Mouhamed Harfouch) salvou a amada judia Rebeca (Paula Braun) do cativeiro (Divulgação)

Tudo pode acontecer em novela, ainda mais na reta final. No capítulo desta noite (segunda, 27) de Amor à Vida (Globo, 21h), entre um flagrante de adultério, um esfaqueamento e o ingresso de Perséfone (Fabiana Karla) na carreira de modelo plus size, Walcyr Carrasco resolveu metaforicamente o conflito entre árabes e judeus.

Ao menos na Faixa de Gaza imaginária do Hospital San Magno, os dois povos se abraçaram quando os pais da judia Rebeca (Paula Braun) reconheceram o empenho do palestino Pérsio (Mouhamed Harfouch) no resgate da filha. Até então, eles se opunham ao romance.

Herói de guerra, o bonitão chegou a dizer no começo da trama que pretendia seguir a carreira de homem-bomba – quem sabe, querendo parecer o Nick Brody (Damian Lewis) de Homeland. Todo o treinamento que deve ter recebido em combate foi essencial para que ele derrubasse a porta do quartinho dos fundos onde Aline (Vanessa Giácomo) e Ninho (Juliano Cazarré) mantinham sua amada como refém.

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27/01/2014

às 12:46 \ Folhetinescas

Os 7 pecados capitais de Félix em ‘Amor à Vida’

Félix (Mateus Solano), foi de pecador a "quase santinho" em 'Amor à Vida': para fazer a novela andar, ele foi muito além do "salgar a Santa Ceia" (Reprodução)

Félix (Mateus Solano), foi de pecador a quase santinho em ‘Amor à Vida’: para fazer a novela andar, ele aprontou muito mais do que “salgar a Santa Ceia” (Reprodução)

A cinco capítulos do grand finale, já deu para perceber que Félix (Mateus Solano) não será punido pelas atrocidades que orquestrou em Amor à Vida (Globo, 21h). Personagem favorito do público na novela, ele ganhará um final feliz do autor Walcyr Carrasco, que não teve pudores em transformar completamente sua natureza, de coração gelado a alma boa, após um escandaloso calvário na Rua 25 de Março.

Ah, como o ex-vilão dos bordões bíblicos pecou… Mas, pensando bem, o que teria sido a novela sem os pecados capitais do nosso malvado favorito? – talvez um sem-fim de cenas de amor entre Paloma (Paolla Oliveira) e Bruno (Malvino Salvador). Relembre abaixo sete dos muitos pecados cometidos por Félix ao longo dos 221 capítulos da novela – e perceba como, num folhetim, errar é essencial.

1. IRA

Inconformado com a ideia de dividir a herança da família com mais um integrante, ele raptou e jogou o bebê recém-nascido da irmã, Paloma (Paolla Oliveira), numa caçamba de lixo. Na linha dos “males que vêm para bem”, é importante considerar que o crime salvou Paulinha (Klara Castanho) de ser criada por Ninho (Juliano Cazarré).

2. LUXÚRIA

Ainda dentro do armário, Félix traiu a mulher, Edith (Bárbara Paz), com um michê de codinome Anjinho (Lucas Malvacini), a quem vem sustentando desde o começo da novela.

Após um calvário que incluiu ônibus lotado e sanduíche de mortadela, F´lix (Mateus Solano) nunca mais recusou um bom prato de comida grátis (Divulgação)

Após um calvário que incluiu ônibus lotado e sanduíche de mortadela, F´lix (Mateus Solano) nunca mais recusou um bom prato de comida grátis (Divulgação)

3. AVAREZA

Para ter Eron (Marcello Antony) ao seu lado na disputa pelo controle do hospital, o que o ajudaria a encobrir os diversos desfalques, Félix – o mais persuasivo e inteligente personagem da novela – influenciou Amarilys (Danielle Winits) a aceitar o convite para ser a “barriga de aluguel” de Niko (Thiago Fragoso). Note que foi isso que acabou causando enorme dor de cabeça para Niko e Eron, que acabaram se separando por causa da falsa amiga.

4. INVEJA

De novo usando seu alto poder de persuasão, Félix convenceu a  sequestrar Paulinha. Naquele momento, o vilão se corroía com inveja da menina, que enchia o avô César (Antonio Fagundes) de alegria ao dizer que gostaria de ser médica quando crescer.

5. PREGUIÇA

Mesmo com inveja da maternidade da irmã, o intrigante Félix sempre teve uma enorme preguiça de ser pai. Durante toda vida e até outro dia, negligenciou o filho, Jonathan (Thales Cabral), que sonha ser arquiteto e, portanto, não lhe oferece nenhuma vantagem nos negócios da família.

6. SOBERBA

Só alguém muito vaidoso pode achar que duas vidas merecem ser eliminadas apenas para encobrir um passo em falso. De novo tentando mascarar o superfaturamento no hospital San Magno, Félix planejou um atentado contra Atílio (Luís Melo) e Vega (Crhtistiane Tricerri). O erro, vale considerar, levou o sisudo administrador a assumir a personalidade de Gentil, cafona amoroso que encontrou um grande amor, Márcia (Elizabeth Savalla).

7. GULA

Félix preza a silhueta esguia mas, desde os tempos de pobreza, não recusou nenhuma oportunidade de comer de graça, seja num jantar pago pela finada amiga Glauce (Leona Cavalli) ou numa boca-livre no restaurante do “carneirinho” Niko.

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‘Amor à Vida’ mais mortal que ‘A Próxima Vítima’

26/01/2014

às 13:31 \ Folhetinescas

Félix é a evolução do ‘gay de novela’

Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano): junto com Eron (Marcello Antony) eles encenam comédia romântica na reta final de 'Amor a Vida' (Divulgação)

Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano): com Eron (Marcello Antony), eles encenam comédia romântica na reta final de ‘Amor à Vida’ (Divulgação)

Na reta final da longa jornada que foi Amor à Vida (Globo, 21h), não é exagero dizer que Félix não só conduziu, mas também salvou a novela. Estreia de Walcyr Carrasco no almejado horário das 9, a trama certamente será lembrada a partir desta sexta-feira, quando vai ao ar o último capítulo, por meio do personagem homossexual que ousou ser vilão, mocinho, figura obscura e sofrida do Jardim Europa e palhaço solar da 25 de março – tudo junto e com uma credibilidade que só um ator de talento e carisma como Mateus Solano poderia alcançar.

Numa trama que tem histórias paralelas bastante frágeis, Félix teve uma trajetória singular. Foi dele o melhor texto da novela, notavelmente superior ao dos demais personagens, cheio de bordões certeiros e observações mordazes. Depois de encenar grandes dramas, como quando jogou o bebê recém-nascido da irmã numa caçamba de lixo ou quando teve a homossexualidade exposta numa briga de família, o personagem praticamente morreu na figura patética do vendedor de cachorro-quente e renasceu como protagonista da comédia romântica gay que se desenrola nos últimos capítulos, cercada de grande simpatia do público.

Rejeitadas pelo público, as lésbicas discretas Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni) morreram na explosão do shopping de 'Torre de Babel', em 1998 (Divulgacão)

Rejeitadas pelo público, as lésbicas discretas Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni) morreram na explosão do shopping de ‘Torre de Babel’, em 1998 (Divulgacão)

Walcyr quebrou alguns ovos para fazer essa omelete, é verdade. A dramaturgia foi um tanto sacrificada no processo de redenção do ex-vilão, mas não se pode negar que algo original e especial foi feito ali. E pensar que o público conservador brasileiro já causou a morte de Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni), o elegante casal lésbico de Torre de Babel, em 1998, e que André Gonçalves chegou a apanhar na rua nos tempos em que interpretava o Sandrinho, rapaz que descobria a homossexualidade em A Próxima Vítima (1995).

As duas novelas são de Silvio de Abreu, autor que evita o tipo gay caricato que sempre foi aceito nestes 60 anos de teledramaturgia. Durante anos, vimos figuras como o não-assumido mas bandeiroso Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) de O Bem-Amado (1973) e o Everaldo (Renato Pedrosa), o afeminado mordomo de Yolanda Pratini (Joana Fomm) em Dancin’Days (1978) se tornarem populares pela alta carga cômica – e quase só isso. Para eles, nada de amor, muito menos a insinuação de que praticam sexo.

Com uma boa história sobre aceitação, Sandrinho (André Gonçalves) viveu romance com Jefferson (Lui Mendes) em 'A Próxima Vítima', em 1995: André, que é heterossexual, foi vítima da homofobia que o personagem despertou (Divulgação)

Com uma boa história sobre aceitação, Sandrinho (André Gonçalves) viveu romance com Jefferson (Lui Mendes) em ‘A Próxima Vítima’, em 1995: André, que é heterossexual, foi vítima da homofobia que o personagem despertou (Divulgação)

Os gays menos espalhafatosos e sexuados, entretanto, enfrentaram grande resistência. Mário Liberato (Cecil Thiré) de Roda Fogo (1988) foi um pré-Félix sem concessões – quase nada de humor, muita vilania e referências ao romance com o mordomo. Era o personagem que fazia as mães mandarem as crianças mais cedo para cama e elevava a novela de Lauro César Muniz ao posto de programa adulto. Mas não foi uma experiência copiada nos anos seguintes.

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Antes de Mario Liberato, em 1975, Rubens de Falco já radicalizara como o crossdresser Agenor de O Grito. O perturbado personagem criado pelo autor Jorge Andrade andava travestido pela Avenida São Luís e ligava constantemente para o CVV. Os pais, Sebastião (Castro Gonzaga) e Branca (Ida Gomes) morriam de preocupação, como você nesta cena. “Ele sai vestido daquele jeito, para todo mundo ver? Aonde será que vai?”, diz Sebastião, incrédulo. “Ele gosta do mundo dos artistas. Deve ir lá…”, arrisca a mãe. Mais adiante, Agenor diz a ela: “Tenho 40 anos, mãe. Sei o que faço.” Um clássico.

Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) de 'O Bem-Amado' (1973): não-assumido, mas dando pinta (Divulgação)

Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) de ‘O Bem-Amado’ (1973): não-assumido, mas dando pinta (Divulgação)

O politicamente correto dos anos 90 tornou as ousadias mais esparsas, mas o tema conseguiu avançar, ainda que lentamente. Quando a discussão em torno dos direitos civis dos homossexuais se tornou acalorada, nos anos 2000, os personagens gays deixaram de ser coadjuvantes e passaram a experimentar os holofotes, muitas vezes sem o confortável escudo do humor.

Em Mulheres Apaixonadas, novela de Manoel Carlos de 2003, Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) viveram um simpático casal de adolescentes. Houve até um beijo entre as duas, durante uma encenação de Romeu e Julieta na escola, mas o mais importante foram os diálogos densos entre Clara e a mãe, que não aceitava o namoro da filha de jeito nenhum.

Na teledramaturgia, ser gay ainda é a grande questão dos personagens homossexuais, até mesmo para os que já começam a trama assumidos, como o Crô de Fina Estampa (2010). Por isso é possível dizer que não só Félix, mas também Niko (Thiago Fragoso) e Eron (Marcello Antony) ocupam bom lugar na história dos gays de novela. Mostraram um cotidiano de casal, depois de família, que passa pelos trancos e barrancos folhetinescos como dois héteros passariam – dando-se um desconto, claro, para as mudanças de comportamento de Eron e a bondade infinita do carneirinho Niko.

Os heróis gays já passaram por resgate de bebê, cena de barraco por causa de ciúme e até cantaram “carneirinho, carneirão” no carro. Até sexta, ainda podem se beijar, em cena inédita na longa trajetória dos gays na TV. Na verdade, já houve um beijo entre homens numa novela da Globo: em Um Sonho a Mais, de 1985, o Volpone (Ney Latorraca), usava sua identidade secreta de Anabela Freire quando deu um selinho no apaixonado Pedro Ernesto (Carlos Kroeber). Mas não valeu: Volpone era hétero e Pedro Ernesto pensava que ele era uma mulher.

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24/01/2014

às 11:51 \ Folhetinescas

Está provado: a Linda de ‘Amor à Vida’ não existe

Até então de poucas palavras, Linda (Bruna Linzmeyer) falou pelos cotovelos no capítulo de ontem (23) de 'Amor à Vida': longe de ser uma autista real, ela é uma princesa com uma síndrome misteriosa que só existe na cabeça do autor Walcyr Carrasco (Reprodução)

Até então de poucas palavras, Linda (Bruna Linzmeyer) falou pelos cotovelos no capítulo de ontem (23) de ‘Amor à Vida’: longe de ser uma autista real, ela é uma princesa com uma síndrome misteriosa, que só existe na cabeça do autor Walcyr Carrasco (Reprodução)

Desde os anos 90 que a novela brasileira, especialmente da Globo, incorporou o conceito de merchandising social as tramas. Nesse período, são inegáveis as contribuições de personagens como a Odaísa (Isadora Ribeiro) de Explode Coração, que em 1995 levou ao ar uma campanha sobre crianças desaparecidas, e a Camila (Carolina Dieckmann) de Laços de Família, com a qual Manoel Carlos ajudou a elevar o número de doações de medula óssea em 2000. Mas a parte das conquistas, não se pode deixar de notar que esse tipo de história resulta, em muitos casos, num prejuízo para a dramaturgia, que fica refém da vontade de interferir na realidade por meio da ficção.

Quem acompanha os bastidores da TV há algum tempo certamente percebe. Primeiro, durante o lançamento, é detalhado todo o trabalho de pesquisa da produção, em especial dos atores, que sempre contam ter passado por um “laboratório” a fim de levar o real para as cenas. Isso gera uma expectativa enorme no público e na imprensa. Mas eis que a novela avança, a história e a imaginação do autor se impõem, não raro chocando os profissionais que lidam com o assunto no dia-a-dia. Começa, então, uma enxurrada de críticas. A resposta do autor é sempre a mesma: gente, é ficção!

É o que acontece nestes momentos de finais de Amor a Vida (Globo, 21h), quando a autista Linda (Bruna Linzmeyer) se distancia totalmente do real em nome de um objetivo principal, o de contar uma história de amor em clima de conto-de-fadas. É certo que a trama dela teve um ritmo mais lento do que as demais, para deixar clara a evolução no seu desenvolvimento, até então prejudicado pela super proteção dos pais, Neide (Sandra Corveloni) e Amadeu (Genézio de Barros). Os especialistas do mundo real, entretanto, são categóricos na afirmação de que o que se vê na novela não é possível na vida real, como mostrou uma reportagem no site de VEJA.

O autismo, como vem sendo explicado, é uma síndrome que se manifesta de maneira única em cada portador. Linda seria, portanto, uma autista única. Mas o fato é que Linda só existe no texto de Walcyr Carrasco e na interpretação de Bruna, como bem definiu Sandra Corveloni em entrevista a Quanto Drama!, publicada na segunda. Se havia alguma dúvida, a prova definitiva veio da sequência apresentada no capítulo de ontem (quinta, 23), quando a jovem abriu o coração para a família, que vinha impedindo o contato com o advogado Rafael (Rainer Cadete).

“Socorro, eu tenho que falar. Dói, dói, dói… A vida toda presa, dentro do meu corpo. Barulho dói, luz forte dói, os cheiros me fazem mal. Presa dentro de mim. As vozes… tem uma parede de vidro entre eu e vocês. Eu ouvia vocês, mas as vozes não entravam dentro de mim. O sentido das coisas não entrava. Mas aí chegou o Rafael e o Rafael quebrou, quebrou, quebrou a parede. O Rafael deu tempo para a Linda, tempo que lateja, lateja… tempo para a Linda existir.”

O que se passou é da ordem dos milagres operados pelo amor. Há poucos capítulos, para dar apenas um exemplo, Linda não foi capaz de compreender a morte da irmã, Leila (Fernanda Machado). Como ela teria chegado ao raciocínio tão complexo e ao vocabulário tão incrementado, sem falar na metáfora da “parede de vidro”, como se viu na cena?

O telespectador fiel à novela dirá que foi Rafael o responsável por tirá-la da torre de castelo imaginário. Mas aí é que está: tanto Rafael quanto o castelo também só existem na ficção, o que faz Linda resultar não no retrato de uma autista, como se esperava, mas no de uma princesa portadora de uma síndrome que só existe na cabeça de Walcyr Carrasco. Já o autismo, longe ter sido elucidado pela novela como se propôs no início, segue como questão a ser enfrentada na vida real.

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23/01/2014

às 12:49 \ Entrevista

Tesão vale mais que beijo, diz Giovanna Antonelli sobre lésbica de ‘Em Família’

Na novela que estreia no dia 3, na Globo, Clara (Giovanna Antonelli) trocará o marido bonitão, Cadu (Reynaldo Gianecchini) pela fotógrafa Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

Na novela que estreia no dia 3, na Globo, Clara (Giovanna Antonelli) trocará o marido bonitão, Cadu (Reynaldo Gianecchini) pela fotógrafa Marina (Tainá Müller) (Divulgação)

Enquanto o público espera o desfecho de Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) em Amor à Vida (Globo, 21h), já começa o burburinho sobre o casal gay de Em Família, Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller). Na coletiva que a presentou a novela de Manoel Carlos à imprensa, ontem (quarta, 22) no Projac, as atrizes e o autor foram diversas vezes questionados sobre o que se chamou de “grande pauta da sociedade”: vai ou não ter beijo? “Nós vamos contar uma história de amor. Minha preocupação é que conseguir transmitir esse sentimento, não importa se com beijo ou não”, disse Giovanna, com certa impaciência. “Se o público se sentir beijado, sentir o tesão entre as duas, maravilha. É o mais importante.”

Diante da resistência que a emissora vem mostrando nos últimos tempos a exibir tal cena, é impossível incluir um personagem homossexual numa trama sem criar expectativa. “Os beijos estão incorporados no amor. Se couber na história, eu escreverei e o Jayme (Monjardim, diretor) gravará. Agora, se vai ao ar, não sei… não é comigo”, disparou Maneco, para gargalhada geral. Vamos lembrar que ele já criou um casal lésbico bastante sensual – as adolescentes Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) de Mulheres Apaixonadas, em 2003, que chegaram a dar um selinho inocente durante uma encenação de Romeu e Julieta na escola e até apareceram tomando banho juntas.

Na nova história, Clara – vale dizer, totalmente diferente da personagem de Alinne Moraes –, é casada com Cadu (Reynaldo Gianecchini) e mãe de um menino, quando se apaixonada perdidamente por Marina, uma fotógrafa charmosa. “Queria uma personagem que me tirasse o chão. Ela é uma artista, intensa e irracional. Poderia se apaixonar, por exemplo, pelo personagem do Giane, mas acontece de ser a Clara”, disse Tainá, também tentando evitar que o possível beijo entre as duas personagem ofusque a história. “Estamos vivendo um cataclisma climático, gente. Não dá para ficar se preocupando com isso (beijo gay na TV)”, exagerou.

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