30/04/2012
às 0:07 \ FolhetinescasMais que roupa, figurino às vezes é uniforme
Em cena, roupa não é apenas roupa, é figurino. E figurino não é vestir, é ser, portanto nunca é aleatório e, no caso das novelas, jamais pode estar fora de contexto. É um recurso que, muito mais do que lançar moda, transmite informações sobre o personagem além do que o texto pode dar. Na teledramaturgia, que precisa prender a atenção do espectador à mercê de todo tipo de interferência enquanto a obra está no ar, o figurino serve também para marcar um personagem.
É por isso, por exemplo, que em Celebridade (2003), a heroína Maria Clara (Malu Mader) vestia roupas claras, muitas vezes brancas, e a vilã maldita, Laura (Cláudia Abreu), estava quase sempre de preto. Na famosa cena em que Maria Clara dá uma surra em Laura num banheiro, a associação entre cor e caráter é óbvia.
Em alguns casos, entretanto, a vontade de marcar passa um pouco do limite. Veja a Débora (Nathália Dill) em Avenida Brasil. Quando ela vai botar aquele top de renda para lavar, gente? A peça é linda e estilosa, usada sob a roupa para aparecer mesmo, mas ocorre que a moça aparece acordando com ela, depois indo ao cinema, em jantar na casa do namorado, enfim, não tira do corpo. Divertido imaginá-la como uma pessoa real, sempre com o mesmo sutiã. Já pensou?
Outra que parece ter gostado demais de um mesmo modelo é a médica Beatriz, personagem de Carolina Kasting em Amor Eterno Amor. Até agora, ela praticamente só desfilou vestidos longos, de tecidos fluidos, na novela das 6.
Em A Vida da Gente, antecessora de Amor Eterno Amor no horário, as irmãs Manu (Marjorie Estiano) e Ana (Fernanda Vasconcellos) variaram o tempo todo sobre o mesmo tema. A primeira, vestiu quase sempre o conjunto vestidinho-casaquinho-cintinho. A segunda, fora o tempo que passou em coma no hospital, obviamente de camisola branca, vestiu pelo menos uma peça vermelha em todas as cenas em que apareceu. Assim, imagino que ficava mais fácil identificá-las.
Num diálogo imaginário entre noveleiros:
– De qual irmã você está falando, daquela que sempre está de vestidinho-casaquinho-cintinho?
– Não, da outra… A que está de sempre de vermelho…
Esse tipo de personagem é como a Mônica do Mauricio de Sousa, que tem um guarda-roupa só de vestidinhos vermelhos. O Olavo (Wagner Moura) de Paraíso Tropical (2007) tinha um armário todo preto e cinza, e recheado de ternos risca-de-giz, como manda a cartilha do vilão. Em Caminho das Índias (2009), em que várias mulheres conviviam sob o teto de Opash (Tony Ramos), Surya (Cléo Pires), a cunhada invejosa e ressentida, vestia sempre sáris em tons de azul, bem mais apagados se comparados à cartela de cores de que dispunha a heroína Maya (Juliana Paes), que usava modelos deslumbrantes e acesos em vermelho, amarelo e rosa.
Mesmo com toda a elegância, a Vitória (Cláudia Abreu) passou a novela Belíssima (2005) de cabo a rabo usando vestidos longos – um mais bonito que o outro, é verdade.
Chegou o inverno no mundo real, e quando a gente pensava que ela vestiria uma calça jeans, pelo menos, que nada – puseram casaquinhos em cima dos vestidos longos, e assim foi até o último capítulo. O caso é que os modelos fizeram muito sucesso entre as telespectadoras, ficando conhecidos no comércio como “vestidos Vitória”. E, veja como é curioso, é capaz que a gente esqueça qual a história da personagem na novela, mas vamos sempre lembrar daqueles vestidões lindos.
Mal comparando, porque o efeito na prática foi o contrário, é o que acontece com o “terno Mário Fofoca”, eternizado pelo personagem de Luís Gustavo em Elas por Elas (1982). O modelo quadriculado roxo foi uniforme durante toda a novela e, depois, ainda participou do seriado criado para o detetive, com grande sucesso, no ano seguinte. Inesquecível, é citado até hoje como exemplo de mau gosto pelas esposas que querem interferir no guarda-roupa dos maridos.
Veja também:
Giovanna Antonelli inspira sonhos de consumo
Tags: A Vida da Gente, Amor Eterno Amor, Avenida Brasil, Belíssima, Carolina Kasting, Cláudia Abreu, figurino Avenida Brasil, Luís Gustavo, Mário Fofoca, Nathalia Dill

















Google e Nasa compram computador quântico
PM apreende oito menores por arrastão na saída de boate
'Star Trek' lidera bilheterias nos Estados Unidos
Após Fonte Nova, cervejaria fecha com Arena Pernambuco
Cannes: após roubo de joias, outro hotel é alvo de ladrões







