Blogs e Colunistas

16/04/2014

às 11:05 \ Bastidores

Por personagem de Aguinaldo Silva, Marina Ruy Barbosa cortará as madeixas

Na novela que substitui 'Em Família' no começo do segundo semestre, Marina será uma jovem do interior que tem um caso com um homem bem mais velho, interpretado por Alexandre Nero (Divulgação)

Na novela que substitui ‘Em Família’ no começo do segundo semestre, Marina será uma lolita do interior que tem um caso com um homem bem mais velho, interpretado por Alexandre Nero (Divulgação)

Provocador dos mais divertidos da TV, Aguinaldo Silva adotou a bela Marina Ruy Barbosa como musa no mesmo instante em que a atriz se envolveu na polêmica do “raspa ou não raspa o cabelo”, instalada durante Amor à Vida, no ano passado. “Eu quero Marina na minha próxima novela!”, lançou ele no Twitter na ocasião.

Recapitulando: o autor Walcyr Carrasco exigiu que a atriz, dona das madeixas ruivas mais admiradas da TV, aparecesse careca em cena, por causa do tratamento contra o câncer que vitimava a personagem dela, Nicole. Marina tentou uma conciliação porque, afinal, estava previsto um salto no tempo da trama, de nove meses – ou seja, ela rasparia o cabelo para aparecer de peruca, logo adiante. Mas Walcyr não gostou e, como todo mundo viu, resolveu matar Nicole, o que quase anulou a participação da atriz na trama.

Pois eis que Marina voltará às novelas em Falso Brilhante, título por enquanto falso da trama que Aguinaldo escreve para substituir Em Família, no começo do segundo semestre. Ela será Maria Isis, amante com ares de lolita do protagonista José Alfredo de Medeiros, interpretado por Alexandre Nero. Como vem fazendo com outros nomes do elenco, como Nero e Lilia Cabral, o autor publicou uma entrevista com a atriz no seu site, o Aguinaldo Silva Digital, na qual ela contou detalhes sobre o novo trabalho à jornalista Simone Magalhães. Uma das revelações – que tem sabor especial justamente pelo passado recente – é que Maria Isis surgirá no quarto capítulo da novela com os tão cobiçados cabelos cortados na altura dos ombros.

Maria Isis é uma menina pobre do interior do Rio que conhece o poderoso José Alfredo aos 18 anos. Quando a novela começa, ela já tem 22 anos, e tenta a vida como modelo na capital. A posição de amante ajuda a sustentar os pais aproveitadores, Magnólia (Zezé Polessa) e Severo (Tato Gabus). “Acho que no começo ela está satisfeita com o que ele proporciona, mas com o tempo vai querer mais daquele relacionamento”, observou a atriz de 18 anos e nove de carreira.

Leia também:

Nerds vão à forra em ‘Geração Brasil’

Depois daquele beijo

15/04/2014

às 18:47 \ Folhetinescas

Nerds vão à forra em ‘Geração Brasil’

A primeira virtude que salta de Geração Brasil, novela das sete que estreia no dia 5 no lugar de Além do Horizonte na Globo, é que desta vez a busca pelo sucesso não tem a ver com se tornar uma estrela da música, do rebolado ou de algum reality show, mas com o esforço intelectual. Pela primeira vez em novelas, os nerds não são personificados em figuras com óculos de aros grossos e pouco traquejo social, mas na charmosa e batalhadora Manuela Yanes (Chandelly Braz), engenheira da computação recém-formada e hacker autodidata, que sonha fazer a vida no Vale do Silício, a meca da tecnologia da Califórnia.

A “geração Brasil” de que fala o título da novela, apresentada na manhã desta terça (15) à imprensa no Projac, no Rio, é aquela cresceu absorvendo as inovações desenvolvidas por figuras emblemáticas como Bill Gates e Steve Jobs, este último óbvia inspiração de Murilo Benício na criação do protagonista Jonas Marra. “É a geração sem manual, que absorve rapidamente a tecnologia e está usando essas inovações para mudar o mundo – o que pode ser feito de São Francisco, do Rio, de Recife ou de qualquer lugar onde se consiga uma conexão com internet”, explicou Filipe Miguez, que escreve a novela com Izabel de Oliveira.  “A ideia surgiu da constatação de que tudo de importante e interessante que se discute hoje em dia envolve a tecnologia. A partir disso, fomos pesquisar e descobrimos personagens maravilhosos e totalmente novos em novelas.”

A dupla de autores volta à TV pouco tempo depois de Cheias de Charme, consagrada em 2012 como um bem-sucedido caso de transmídia capaz de atrair a atenção dos jovens, público que vem fugindo das novelas ano após ano.  “Cheias de Charme foi o começo de um caminho, que vamos desenvolver melhor agora. Teremos muitas novidades em transmídia, muita coisa especial para segunda tela e novidades de interação com o público”, prometeu Miguez, ciente de que é grande a expectativa em torno da novela, ainda mais depois do fracasso de Além do Horizonte, proposta de ficção científica que não vingou.

Além dos autores e da direção de Denise Saraceni, a nova novela traz boa parte do elenco da trama das Empreguetes. Isabelle Drummond, que antes foi a simplória sonhadora Cida, agora é a vaporosa Megan Marra, uma espécie de Paris Hilton – bem mais bonita, note-se. A patricinha é filha de Jonas e Pamela Parker, estrela de cinema americana interpretada por Cláudia Abreu, que antes foi a histriônica Chayene. Ricardo Tozzi, ídolo brega Fabian, agora é o nerd-galanteador Herval, amante de Pamela – ao que parece, ele mantém o olhar enviesado da novela anterior. Taís Araújo, antes a doméstica batalhadora Penha, agora é a jornalista batalhadora Verônica Monteiro, que entra para a cobertura de tecnologia sem querer, apesar de mal conhecer o sistema Windows. Há ainda a divertida Titina Medeiros que, após ser revelada na TV como a picareta Socorro, está de volta como Marisa, e Luís Henrique Nogueira, que foi Laércio, o capacho de Chayene em Cheias de Charme, e reaparece como Sílvio, filho-capacho de Gláucia Beatriz, a vilã vivida por Renata Sorrah.

A repetição dos atores, entretanto, não parece comprometer o enredo. Desta vez, o centro da ação é o empresário bilionário Jonas Marra, que ficou mundialmente conhecido aos 18 anos, quando revolucionou o mercado ao vender o projeto de um computador popular para os tecnocratas da Califórnia. Com isso, tornou-se ídolo dos jovens nerds que procuram aquele “pulo do gato” que pode mudar radicalmente uma trajetória. Quando a novela começa, ele anuncia que voltará ao Brasil, após 20 anos, em busca de um sucessor para o posto de “mente criativa” da Marra, empresa que tem uma identidade semelhante à da Apple. Numa cena do clipe de divulgação, Jonas aparece apresentando o “Marras Phone” com uma mise-en-scène à la Steve Jobs.

Geração Brasil tem, portanto, um apelo bem moderno. Mas, como toda novela, tentará agradar a todos. Por isso, entre toda a exaltação do mundo admirável mundo novo que se ouviu nesta manhã, a experiente Denise Saraceni fez questão de citar as velhas bases do folhetim: “A maior novidade é o pano de fundo, mas é uma história também para quem não entende nada de tecnologia, uma trama de relações humanas, cheia de paixão e amor.”

Leia também:

‘G3R4ÇÃO’ o quê?

Benício volta a ser bonito em ‘Geração Brasil’

Murilo Benício será ‘Steve Jobs brasileiro’ em ‘Geração Brasil’

14/04/2014

às 19:26 \ Folhetinescas

Depois daquele beijo

Teimosa, Luiza (Bruna Marquezine) beija Laerte (Gabriel Braga Nunes) no capítulo desta segunda (14) de 'Em Família'

Teimosa, Luiza (Bruna Marquezine) beija Laerte (Gabriel Braga Nunes) no capítulo desta segunda (14) de ‘Em Família’

A Globo age para reverter o quadro insatisfatório de audiência do seu principal programa, a novela das nove Em Família, que no último sábado marcou minguados 22 pontos. No capítulo desta segunda (14), um beijo quente entre Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) deve inaugurar uma nova fase na trama de Manoel Carlos, trazendo algo de sensual e também muito conflito.

Tio de Luiza em segundo grau, ele é, como se sabe, ex-quase-marido da mãe dela, Helena (Júlia Lemmertz). Ao engatar o romance com o músico, a estudante vai afrontar a família, já que Laerte – vamos lembrar – tentou enterrar o pai dela vivo. Mas antes do beijo, o autor ainda deixará claro que não há possibilidade – como esteve até agora no ar – de Luiza ser filha de Laerte. Em cena de flashback, Helena recordará o dia fatídico em que sofreu um aborto espontâneo do filho que carregava na época em que toda a tragédia se abateu sobre a família Fernandes.

Para tentar criar expectativa, além de levar Bruna e Júlia ao Encontro com Fátima Bernardes nesta amanhã para falar sobre a “aguardada cena”, a emissora preparou uma chamada especial sobre o capítulo. Luiza aparece em clima de confissão, falando diretamente para câmera sobre a “grande atração” que sente por Laerte. “Eu gosto de estar com ele”, diz. A questão é se o público será capaz de torcer pelo casal, já que os dois não parecem apaixonados, mas sim atraídos justamente pelo clima proibido que a relação carrega.

Leia também:

Azul é a cor mais quente de ‘Em Família’ 

‘G3R4ÇÃO’ o quê?

14/04/2014

às 11:46 \ Folhetinescas

‘G3R4ÇÃO’ o quê?

Em 'Geração Brasil' – ou 'G3R4ÇÃO BR4S1L' – Lázaro Ramos é Brian e Murilo Benício, o gênio da informática Jonas Marra (Divulgação)

Em ‘Geração Brasil’ – ou ‘G3R4ÇÃO BR4S1L’ – Lázaro Ramos é Brian e Murilo Benício, o gênio da informática Jonas (Divulgação)

Na tentativa de repetir o sucesso de Cheias de Charme e, oportunamente, reverter o desastre causado por Além do Horizonte na faixa das sete, a Globo volta a apostar numa trama com um pé na cybercultura – a começar pelo título. Geração Brasil, novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, os pais das empreguetes que fizeram sucesso na TV e na internet em 2012, vem sendo divulgada pela Globo com a intrigante grafia “G3R4ÇÃO BR4S1L”.

A jogada com números e letras é inspirada no alfabeto Leet – ou L33t –, uma linguagem codificada dos hackers que surgiu nos anos 80, ainda no sistema BBS, e que se popularizou na comunicação online. A intenção dos autores é, claro, aproximar o público dos aspectos tecnológicos da trama, e ainda reforçar “a geração de jovens brasileiros que pode mudar o mundo com o apoio das tecnologias, sem esquecer que o verdadeiro chip da vida são os amores e as paixões”.

A novela vai contar a história de Jonas Marra (Murilo Benício), um gênio brasileiro da informática que fez fortuna nos Estados Unidos e, ao regressar ao Brasil, será alvo de jovens talentos que buscam um lugar ao sol – de preferência no Vale do Silício. A estreia é prevista para o início de maio.

Leia também:

Benício volta a ser bonito em ‘Geração Brasil’

Murilo Benício será ‘Steve Jobs brasileiro’ em ‘Geração Brasil’

11/04/2014

às 11:35 \ Fotonovela

Grazi aparece sensual em ‘A Grande Família’

Chegada de Rose (Grazi Massafera) vai preocupar Dona Nenê (Marieta Severo) (Divulgação)

Chegada de Rose (Grazi Massafera) vai preocupar Dona Nenê (Marieta Severo) (Divulgação)

Acostumada a viver mulheres doces e heroínas românticas, Grazi Massafera aparecerá quase irreconhecível no terceiro episódio da nova temporada de A Grande Família (Globo, quintas, 22h30). De peruca preta e figurino-escândalo, ela será Rose, a mãe biológica do bebê adotado por Nenê (Marieta Severo) e Lineu (Marco Nanini).

Dançarina leva vida sofrida no palco da Boate Perdição (Divulgação)

Dançarina leva vida sofrida no palco da Boate Perdição (Divulgação)

Rose trabalha como dançarina na boate Perdição e leva uma vida sofrida. Sua aparição vai preocupar Nenê, que teme perder a guarda de Lineuzinho. Vai ao ar no dia 24.

Afastada das novelas desde Flor do Caribe, que foi ao ar no passado, Grazi atualmente apresenta o Super Bonita no GNT.

Leia também:

Cauã Reymond reedita o ‘mito José Mayer’

Benício volta a ser bonito em ‘Geração Brasil’

Murilo Benício será ‘Steve Jobs brasileiro’ em ‘Geração Brasil’

‘Não tenho paciência para ciúme’, diz Juliana Paes

 

10/04/2014

às 10:22 \ Fotonovela

Benício volta a ser bonito em ‘Geração Brasil’

Bambambã do Vale do Sicílio, Jonas (Murilo Benício) é casado com a perua Pamela Parker (Cláudia Abreu) na novela que substituirá 'Além do Horizonte' em maio (Divulgação)

Bambambã do Vale do Sicílio, Jonas (Murilo Benício) é casado com a perua Pamela Parker (Cláudia Abreu) na novela que substituirá ‘Além do Horizonte’ em maio (Divulgação)

Sempre disposto a ficar gordo, careca, loiro e mais o que for preciso por um personagem, Murilo Benício andou bem longe do tipo galã nos últimos tempos. Mas depois de emendar dois papeis sem um pingo de vaidade – o adorável Tufão de Avenida Brasil, que vivia metido em roupas de ginástica nada atraentes, e o carrancudo e violento Jaime de Amores Roubados –, o ator ressurgirá charmoso e um tanto egocêntrico em Geração Brasil, novela das sete que substituirá Além do Horizonte no início de maio. Na trama de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira (de Cheias de Charme), ele será uma espécie de Steve Jobs brasileiro, empresário bem-sucedido do mundo da tecnologia.

Numa referência clara à diva Sarah Jessica Parker, Claudia Abreu será Pamela Parker. Na sua órbita, gravitam Dorothy (Luis Miranda) e Brian (Lázaro Ramos) (Divulgação)

Numa referência clara à diva Sarah Jessica Parker, Claudia Abreu será Pamela Parker. Na sua órbita, gravitam Dorothy (Luis Miranda) e Brian (Lázaro Ramos) (Divulgação)

Quando a novela começa, Jonas Marra está com a vida ganha nos Estados Unidos, casado com uma estrela de cinema excêntrica – a americana Pamela Parker, interpretada por Cláudia Abreu –, mas resolve voltar ao Brasil por causa do burburinho em torno da Copa do Mundo e para ajudar jovens talentos da informática.

Entre fevereiro e março, a equipe da diretora Denise Saraceni gravou em cartões postais de São Francisco, na Califórnia, como a Ponte Golden Gate, o Golden Gate Park e a Academy of Science. Além do Vale do Silício, a novela terá um pé em outro pólo tecnológico, Recife. Na capital pernambucana, atores do núcleo jovem da novela, como Humberto Carrão, Joaquim Lopes, Chandelly Braz, Samuel Vieira, e os estreantes Johny Hoocker e Júlia Konrad gravaram cenas no Porto Digital, referência para os nerds locais, além de paisagens tradicionais, como o Centro de Artesanato e a Ponte de Ferro sobre o Rio Capibaribe.

Leia também:

Murilo Benício será ‘Steve Jobs brasileiro’ em ‘Geração Brasil’

09/04/2014

às 10:22 \ Folhetinescas

‘Meu Pedacinho de Chão’ dá vez às crianças na Globo

Santa Fé é vista pelo olhar das crianças, Serelepe (Tomás Sampaio) e Pituca (Geytsa Garcia) (Divulgação)

Santa Fé é vista pelo olhar das crianças, Serelepe (Tomás Sampaio) e Pituca (Geytsa Garcia) (Divulgação)

A criança que é exposta à TV aberta andava meio abandonada nos últimos tempos, desde que a Globo desistiu de investir nessa fatia do público. Foi embora o Sítio do Pica-Pau Amarelo, pouco depois de ser transformado numa “novelinha”, a TV Globinho, que cedeu o espaço para Fátima Bernardes bancar a Oprah Winfrey brasileira, e já vão longe os tempos da Fada Bela que Angélica interpretada no seriado Caça Talentos. E lá foram os pequenos para o SBT, que aproveitou o espaço para requentar os mexicanos hipnóticos que fizeram sucesso na década anterior, como Carrossel e Chiquititas, refeitos com o que há mais pobre na teledramaturgia – e com espaço, claro, para todo tipo de ação comercial.

Criança não deve ver novela, não há como discordar. Mas isso não significa que a teledramaturgia não possa ser usada para entreter e dar formação cultural aos pequenos, como já fizeram o Sítio do Picapau Amarelo e os adoráveis programas da TV Cultura da década passada, como Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó. Muito mais perto destes do que das melodramáticas novelinhas do SBT, Meu Pedacinho de Chão, novela das seis que estreou nesta segunda na Globo, é televisão para crianças como há muito tempo não se via.

Madame Catarina (Juliana Paes): a novela trata com sutileza de "assuntos de adulto", como a atração que o enteado Ferdinando (Johnny Massaro) tem pela bela madrasta (Divulgação)

Madame Catarina (Juliana Paes): a novela trata com sutileza de “assuntos de adulto”, como a atração que o enteado Ferdinando (Johnny Massaro) tem pela bela madrasta (Divulgação)

A bem da verdade, a novela, uma releitura do diretor Luiz Fernando Carvalho para a obra de Benedito Ruy Barbosa  de 1971, não é um produto feito exclusivamente para crianças. Há alguns assuntos adultos ali, como o olhar de soslaio do enteado Ferdinando (Jhonny Massaro) para a madrastra Maria Catarina (Juliana Paes) e a macheza mal-resolvida da filha de Pedro Falcão (Rodrigo Lombardi), Gina (Paula Barbosa). Mas tudo é contado através do olhar de uma criança, o gracioso Serelepe (Tomás Sampaio). Daí, a Vila de Santa Fé parecer uma cidade de brinquedo, os animais se moverem como num carrossel, o trem surgir projetado na parede das casas como num teatro de sombras, o patrão sair da estação carregando o empregado num carrinho de mão.

É, portanto, uma novela para adultos e crianças, porque não se pode perder a chance de ver aquele esplendor de figurinos e cenários – não só bonitos, mas surpreendentes na sua composição – a originalidade dos planos de filmagem e a da edição de imagens – uma experiência cinematográfica nunca vista em novelas –, a sutileza da trilha sonora criada por Tim Rescala – que usa referências de Villa-Lobos a Nino Rota em O Poderoso Chefão – e a delicadeza das interpretações do elenco enxuto de 20 atores. É um prazer ver Osmar Prado (mais uma vez maravilhoso, como o Coronel Epa), Ricardo Blat (Prefeito das Antas) e Emiliano Queiroz (Padre Santo) juntos em cena, sem falar das divertidas atuações de Juliana Paes, muito bem na cena em que Maria Catarina bebeu além da conta, e Rodrigo Lombardi, tão diferente do chatíssimo Théo de Salve Jorge.

Os dois primeiros capítulos apresentaram sequências deslumbrantes, como aquela em que a professora Juliana (Bruna Linzmeyer) toma banho debaixo de uma luz azulada ou quando Ferdinando chega à estação de trem da vila e na festa em que Epa expulsa o filho de casa. Em Santa Fé, até o leite fervendo no fogão é de extrema beleza e os gatos de madeira que repousam sobre os telhados das casinhas de lata ganham expressão dramática através da câmera mágica do diretor. Luiz Fernando filma pela cidadezinha que mandou construir no Projac sem nenhum compromisso com a estética que costumamos ver em novelas e ainda em seus trabalhos anteriores, como seria de se esperar. Ele se reiventa a cada trabalho e, ainda que Meu Pedacinho de Chão tenha um parentesco óbvio com Hoje É Dia de Maria, minissérie que dirigiu em 2005, o que se vê agora é um mundo totalmente novo. E olhe que “totalmente novo” é o tipo de expressão que não se pode usar com frequência quando o assunto é televisão.

Leia também:

‘Briguei para estar aqui’, Diz Fagundes sobre ‘Meu Pedacinho de Chão’

 ’Meu Pedacinho de Chão’ põe novela na era da fantasia

‘Meu Pedacinho de Chão’ é o Brasil, diz Luiz Fernando Carvalho

‘Não tenho paciência para ciúme’, diz Juliana Paes

Galãs herdeiros estreiam em ‘Meu Pedacinho de Chão’

07/04/2014

às 11:47 \ Entrevista

‘Briguei para estar aqui’, diz Fagundes sobre ‘Meu Pedacinho de Chão’

Fagundes como o italiano Giácomo: "Só em português não é 'jogar' – em inglês é 'to play', em francês é 'à  jouer', 'jugar' em espanhol. E em português é 'interpretar' – que coisa mais chata! Você está jogando com o público. Esse é o grande prazer da profissão, jogar, brincar. Tenho certeza de que o público vai brincar com a gente" (Divulgação)

Fagundes como o italiano Giácomo: “Só em português não é ‘jogar’ – em inglês é ‘to play’, em francês é ‘à jouer’, ‘jugar’ em espanhol. E em português é ‘interpretar’ – que coisa mais chata! Você está jogando com o público. Esse é o grande prazer da profissão, jogar, brincar. Tenho certeza de que o público vai brincar com a gente” (Divulgação)

O público nem sequer desconfiava, mas quando o Brasil deitava e rolava na repercussão do beijo gay de Amor à Vida, Antonio Fagundes já havia deixado o homofóbico e carrancudo Doutor César para trás e calibrava o sotaque italiano para dar vida ao histriônico Giácomo de Meu Pedacinho de Chão, novela de Benedito Ruy Barbosa que estreia nesta segunda (7) na Globo, às 18h20. Fazendo jus à fama de trabalhador incansável, o ator de 64 anos vinha de uma maratona e tanto, que antes teve ainda o Coronel Ramiro Bastos de Gabriela (2012) e duas peças de teatro, Vermelho (2012) e Tribos, em cartaz até julho no TUCA, em São Paulo. Por isso, chegou aquela situação quase inédita em que o patrão pede para o funcionário ir para casa descansar. “A Globo não queria que eu fizesse e fui lá brigar com eles dizendo ‘pô, estão me proibindo de trabalhar?’. Daí, deixaram”, diz ele a QUANTO DRAMA!, às gargalhadas.

São muitos os motivos que levaram Fagundes a abdicar das merecidas férias. Para começar, a releitura que o diretor Luiz Fernando Carvalho propõe para a novela que Benedito escreveu em 1971 promete ser um sopro de novidade na TV. Em segundo, há a oportunidade de fazer comédia, rara para ele, quase sempre associado aos tipos densos e dramáticos. Ele ainda dividirá a cena com o filho Bruno, parceiro no teatro que estreia em novelas como o Doutor Renato – Giácomo tentará casar a filha, Milita (Cíntia Dicker) com o “bom partido”. E, como se não bastasse, há o texto de Benedito, que lhe deu alguns dos seus mais memoráveis papeis, como o José Inocêncio de Renascer (1993), o Bruno Mezenga de O Rei do Gado (1996) e o Gumercindo de Terra Nostra (1999). “Sempre foi um prazer fazer as novelas do Benedito e os personagens dele, que são muito bem montados dramaturgicamente. E tem ainda a dobradinha com o Luiz, que me dirigiu em Renascer, O Rei do Gado, Esperança (2002). Então, não poderia deixar de estar nesta. É, digamos, uma participação afetiva.”

Fagundes com o filho Bruno, que estreia em novelas como o Doutor Renato: "Eu babo, mas não interfiro" (Divulgação)

Fagundes com o filho Bruno, que estreia em novelas como o Doutor Renato: “Eu babo, mas não interfiro” (Divulgação)

Foi surpreendente ver seu nome no elenco de Meu Pedacinho de Chão, tão pouco tempo depois Amor à Vida. Ficou em dúvida sobre fazer a novela?

Não, ao contrário! A Globo não queria que eu fizesse e fui lá brigar com eles dizendo “pô, estão me proibindo de trabalhar?”. Daí, deixaram.

Por causa do descanso da imagem?

Não, porque realmente estou trabalhando muito. Fiz Gabriela, depois Amor à Vida agora estou emendando aqui, então, até precisaria de uma folga, mas como a peça (Tribos) está fazendo sucesso, não vou ter férias. E já que não vou ter férias, então encaçapa tudo de uma vez (risos).

Foi complicado deixar o Doutor César e, dias depois, encarnar o Giácomo?

Não, imagina… Não é macumba…. Ninguém fica com o personagem incorporado. Você deixa o personagem no momento em que pára de fazer.  Graças a Deus, né? Eu já fiz mais de 200, ia ser uma loucura, já pensou?

Gostou da repercussão do último capítulo de Amor à Vida?

Ah, foi merecida! Foi uma felicidade muito grande, não só para nós, eu e o Mateus, mas também para o Walcyr (Carrasco), que acertou muito em encerrar a novela com aquela cena e para o Maurinho (Mendonça Filho, diretor), que fez um trabalho belíssimo. Deu tudo certo.

Você é um ator muito ligado ao teatro, apesar de muito presente também na TV. Meu Pedacinho de Chão me parece a união das duas coisas.

É, o que tem aqui que é muito gostoso para todo mundo é o processo de composição. As novelas geralmente se passam na zona sul do Rio ou em São Paulo, você sempre de terno e gravata, não tem muito o que fazer – a não ser que dê sorte de pegar um Félix. Senão, seu trabalho pode cair num contínuo mais conhecido. Aqui, não, todos do elenco estão compondo personagens. Acho que isso vai chamar a atenção do público.

Tipos como o Giácomo, então, são seus preferidos?

Ah, eu gosto…. É uma coisa que a gente perdeu ao longo dos anos. Só em português não é jogar – em inglês é “to play”, em francês é “à  jouer”, “jugar” em espanhol. E em português é “interpretar” – que coisa mais chata! Você está jogando com o público. Esse é o grande prazer da profissão, jogar, brincar. E essa novela tem isso. Tenho certeza de que o público vai brincar com a gente.

E quais são os dramas do Giácomo?

Acho que ele não tem drama não, ele é muito engraçado, um personagem muito gostoso. É um italiano, todo extrovertido. Acho que drama, drama mesmo, não vai ter na novela. É uma fábula, as crianças vão enlouquecer. Essa novela é bacana também porque inclui a criança, o que é uma coisa rara. Porque, em geral, ou a gente faz diretamente para a criança ou esquece a criança. Mas tenho certeza de que aqui o adulto vai se divertir muito também.

Com Mateus Solano (Félix), na cena final de 'Amor à Vida': "Repercussão merecida" (Reprodução)

Com Mateus Solano (Félix), na cena final de ‘Amor à Vida’: “Repercussão merecida” (Reprodução)

A comédia foi determinante para que você aceitasse o papel? Já ouvi você lamentar que quase não faz humor.

Não reclamo, não. Só gostaria de ter feito mais comédia. É uma delícia, mas não é fácil. A coisa mais difícil é fazer comédia – fazer bem. Exige de você um conhecimento de dramaturgia, de tempo, é preciso que você tenha humor. A comédia exige muito mais do ator do que o drama.

Depois de uma boa parceria com o Bruno no teatro, ele estará na mesma novela que você. Como é essa experiência?

Sou eu que estou trabalhando com ele, porque quando vim ele já estava. O Luiz já tinha feito um teste com ele, depois de vê-lo no teatro. Depois é que eu fui chamado. Foi até uma surpresa para ele. Ele tem 25 anos mas tem muita experiência, fez muito teatro. A gente acompanha, claro, o trabalho um do outro, como acompanho dos amigos, mas não tem nada especial. Eu babo, mas não interfiro.

Você parece mais magro. Tinha engordado para viver o César?

Pois é, meu peso normal é 85 quilos, mas eu estava com 101. Mas não engordei para o César, não. Engordei de falta de vergonha na cara mesmo…

Leia também:

 ’Meu Pedacinho de Chão’ põe novela na era da fantasia

‘Meu Pedacinho de Chão’ é o Brasil, diz Luiz Fernando Carvalho

‘Não tenho paciência para ciúme’, diz Juliana Paes

Galãs herdeiros estreiam em ‘Meu Pedacinho de Chão’

 

 

03/04/2014

às 12:47 \ Folhetinescas

‘Meu Pedacinho de Chão’ põe novela na era da fantasia

Na nova novela das seis, o herói Zelão (Irandhir Santos) monta um cavalo de madeira animado graças a horas e horas de pós-produção (Divulgação)

Na nova novela das seis, o herói Zelão (Irandhir Santos) monta um cavalo de madeira animado graças a horas e horas de pós-produção (Divulgação)

Demorou um tanto, mas a telenovela entrará, enfim, na onda da fantasia forjada por efeitos especiais dignos de cinema, um dos filões mais rentáveis da televisão americana desde 2011, quando estrearam Game of Thrones (HBO) e Once Upon a Time (ABC). Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, numa releitura da obra que  Benedito Ruy Barbosa escreveu em 1971, Meu Pedacinho de Chão começa nesta segunda (7) na faixa das 18h da Globo com alta dose lúdica e a intenção de encantar crianças e adultos com seu “mundo algodão doce”.

Juliana (Bruna Linzmeyer): professorinha encantada vive num mundo de algodão doce que pretende encantar crianças e adultos (Divulgação)

Juliana (Bruna Linzmeyer): professorinha com jeito de boneca, ela vive num mundo de algodão doce que pretende encantar crianças e adultos (Divulgação)

Como em produções do gênero, seja no esquemão americano ou na nossa bem mais modesta indústria audiovisual, o esforço da equipe da novela é imenso. O curioso das obras de fantasia é que, apesar dos animais e criaturas fantásticas, o objetivo é tornar tudo o mais verossímil possível. Na criação da Vila de Santa Fé, por exemplo, ergueu-se no Projac uma cidade quase de verdade, com 28 edificações que permitem tomadas internas e que, portanto, praticamente dispensam as filmagens em estúdio.

Só há dois cenários fixos para a novela, algo impensável para as produções convencionais, cujas equipes se desdobram para montar e desmontar diariamente dezenas de ambientes. “A estrutura tradicional da novela oprime o processo criativo”, sentencia Luiz Fernando, que encomendou ao artista plástico Raimundo Rodriguez uma cidade cenográfica que pudesse ser filmada por todos os lados, e nos mínimos detalhes. Para se ter uma ideia do capricho, os jardins de Santa Fé têm mais de 120 mil flores de papel, coladas uma a uma, e as árvores, altíssimas, foram recobertas com enormes mantas de crochê.

Mas apesar do ambiente rural, Meu Pedacinho de Chão não terá animais de verdade. Se Game of Thrones tem dragões e lobos gigantes, a novela das seis será povoada por cavalos e vacas de madeira, como peças de um carrossel, além de um gracioso galo de telhado aparentemente de lata. Todos se mexem, claro, graças a horas e horas de pós-produção. “Não faço distinção entre minissérie, novela das seis ou das nove”, observa o diretor, afastado das novelas desde Esperança (2002) e, neste período, dedicado a projetos de menor duração, como Hoje É Dia de Maria (2005) e Alexandre e Outros Heróis (2013). “Mas, para mim e acho que também para a televisão, uma novela como essa é um refresco, um cruzamento de gêneros – tem drama, romance, comédia, tragédia e até faroeste.”

Leia também:

‘Meu Pedacinho de Chão’ é o Brasil, diz Luiz Fernando Carvalho

‘Não tenho paciência para ciúme’, diz Juliana Paes

Galãs herdeiros estreiam em ‘Meu Pedacinho de Chão’

01/04/2014

às 10:28 \ Bastidores

Nicette Bruno volta para encerrar ‘Joia Rara’

Depois de um tempo em Portugal, Santinha (Nicette Bruno) volta ao Rio para continuar atormentando o genro, Arlindo (Marcos Caruso) (Divulgação)

Depois de um tempo em Portugal, Santinha (Nicette Bruno) volta ao Rio para continuar atormentando o genro, Arlindo (Marcos Caruso) (Divulgação)

Em meio à tristeza da morte de Paulo Goulart, no último dia 13, as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes, com grande sensibilidade, encontram uma saída mais do que bem-humorada para justificar a ausência de Nicette Bruno nos últimos capítulos de Joia Rara (Globo, 18h20). Sogra das mais impertinentes, Santinha, deu um refresco ao genro, Arlindo (Marcos Caruso) e voltou de repente para Portugal – quem sabe na companhia de um senhor distinto. “Tomara que não volte nunca mais!”, disse Arlindo na ocasião, aliviado.

Mas depois de 60 anos vivendo um casamento feliz nas coxias de teatro e bastidores da TV com o grande ator, Nicette faz questão de voltar à cena, para encerrar a novela, nesta sexta (4), em clima de festa e teatro de revista – certamente, é o que Paulo gostaria de ver. Para desespero de Arlindo, que ainda tenta reconquistar Miquelina (Rosi Campos) depois de meia dúzia de deslizes cometidos durante a novela, Santinha, a “serpente em tamancas”, voltará do além-mar para assistir ao último show do cabaré Pacheco Leão.

Leia também:

E até Helena se irritou com a pesquisa do Ipea

Um ano de novelas mais curtas. Ainda bem

Juliana leva ‘Em Família’ a um mergulho na classe C

Cauã Reymond reedita o ‘mito José Mayer’

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados