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30/03/2015

às 16:44 \ Fotonovela

Marquezine se aventura na comédia em ‘I Love Paraisópolis’

Dupla dinâmica: depois de sofrer muito como a Luiza de 'Em Família', Bruna Marquezine forma dupla dinâmica com Tatá Werneck em 'I Love Paraisópolis' (Zé Paulo Cardeal/Divulgação)

Dupla dinâmica: depois de sofrer muito como a Luiza de ‘Em Família’, Bruna Marquezine forma dupla dinâmica com Tatá Werneck em ‘I Love Paraisópolis’ (Zé Paulo Cardeal/Divulgação)

Famosa por chorar com facilidade em cena desde que estreou na TV, como a pequena Salete de Mulheres Apaixonadas (2003), Bruna Marquezine fará dupla cômica com Tatá Werneck em I Love Paraisópolis, novela das 7 que substituirá Alto Astral em maio.  Na trama escrita por Alcides Nogueira e Mário Teixeira, elas são as amigas Mari e Danda, moradoras de Paraisópolis com talento especial para encontrar confusão.

Mari é a mocinha da novela, par romântico de Benjamin (Maurício Destri). Ela é moradora da favela e ele, do bairro do Morumbi – um conflito clássico do folhetim. Para atrapalhar ainda mais, a divetida heroína terá pela frente uma antagonista vivida por Maria Casadevall – Margot, noiva de Benjamin.

Caio Castro, como um motoqueiro marrento e tatuado, completa o time da ala do elenco escolhida a dedo para fazer sucesso entre os espectadores mais jovens nas redes sociais.

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28/03/2015

às 22:19 \ Folhetinescas

Globo muda abertura de ‘Babilônia’

Em vez de vermelho e do fundo soturno, abertura apresentou cores claras (Reprodução)

Em vez de vermelho e do fundo soturno, abertura apresentou cores claras (Reprodução)

Como já era esperado, a Globo começou a pôr mudanças em prática para tentar recuperar a audiência da novela das 9, em queda desde que Babilônia substituiu Império, há duas semanas. No capítulo deste sábado (28), foi ao ar uma abertura reformulada, mais clara do que a original. O título também mudou de cor – de vermelho, com fundo cinza-chumbo para amarelo, com sobre um desenho colorido. A música, Pra que chorar, de Matin’ália permanece. 

A abertura antiga de 'Babilônia', mais adequada ao clima da novela (Reprodução)

A abertura antiga de ‘Babilônia’, mais adequada ao clima da novela (Reprodução)

A fotografia escura, que ajuda a compor o clima de “salve-se quem puder” da trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, é uma das características mais criticadas da novela no Twitter. Mas uma mudança além da abertura, se ocorrer, não pode ser feita de uma hora para outra: a novela estreou com 20 capítulos gravados.

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27/03/2015

às 15:11 \ Eu vejo novela

Menos, Regina!

No capítulo desta sexta (27), Regina (Camila Pitanga) arma mais um barraco na casa de Beatriz (Glória Pires): sempre nos azeites, mocinha não inspira torcida (Divulgação)

No capítulo desta sexta (27) de ‘Babilônia’, Regina (Camila Pitanga) arma mais um barraco na casa de Beatriz (Glória Pires): sempre nos azeites, mocinha não inspira torcida (Divulgação)

Em tempos de audiência indócil, a performance da heroína Regina não tem ajudado Babilônia (Globo, 21h15) a ultrapassar as marcas dignas de novela das 7 no Ibope. Ser mocinha de novela, a gente sabe, é difícil. Mas a personagem de Camila Pitanga exerce além da conta o direito à chatice, reserva do pessoal “do bem” dos folhetins. Com uma boa trama e personagens de construção corajosa, a novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga carece de tipos carismáticos – que falta faz o Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) de Império

Sempre nos azeites, Regina não fala, grita – e, em geral, eleva os decibéis porque confunde os fatos à sua volta. A simples indicação, por exemplo, de que ela deve aguardar numa fila já é suficiente para um rosário de reclamações. Falta a ela a altivez e a elegância da Isabel que a mesma atriz interpretou em Lado a Lado (2012), uma espécie de antepassada da personagem de agora, também mulher valiosa e batalhadora. O jeito extremado da mocinha é o ponto negativo mais comentado entre os próprios fãs da novela no Twitter.

“Vai ser sempre assim entre a gente?”, perguntará Vinícius diante de mais uma desconfiança da amada, no capítulo desta sexta (27). Nada de novo. Há dez capítulos, ela repete a ladainha de que está fechada para o amor, porque sofreu no passado, tem filha para criar e não gosta de “pleiba” – impossível não pensar que Thiago Fragoso estava em missão mais divertida quando o Niko Carneirinho tentava conquistar o Félix de Amor à Vida.

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26/03/2015

às 14:52 \ Fotonovela

Meios-irmãos se beijam em ‘Sete Vidas’

Pedro (Jayme Matarazzo) beija Júlia (Isabelle Drummond) em 'Sete Vidas': com delicadeza, autora conduz história sobre meio-irmãos que se descobrem na juventude (Divulgação)

Pedro (Jayme Matarazzo) beija Júlia (Isabelle Drummond) em ‘Sete Vidas’: com delicadeza, autora conduz história sobre meios-irmãos que se descobrem na juventude (Divulgação)

A trama envolvendo os filhos de Miguel (Domingos Montagner), gerados a partir de uma doação ele fez a um banco de sêmem na juventude é das mais interessantes e delicadas. Depois de um susto inicial que passaram ao se descobrirem, Júlia (Isabelle Drummond), Pedro (Jayme Matarazzo), Laila (Maria Eduarda de Carvalho), Luís (Thiago Rodrigues) e Bernardo (Ghilherme Lobo) vêm mantendo uma bela amizade que não demora a se complicar – como se espera das relações humanas, ainda mais das folhetinescas.

Pedro e Júlia, por exemplo, tentam a todo custo esconder o “algo mais” que sentem um pelo outro. No capítulo desta quinta (26), ao saber que a meia-irmã vai foi pedida em casamento por Edgard (Fernando Belo), ele não resiste a beija. O casal, vale dizer, tem ótima química em cena – resta saber como a autora Lícia Manzo pretende conduzir a história, uma vez que neste, digamos, meio-incesto não deve haver “felizes para sempre” para os dois. Será que Miguel é mesmo o pai biológico dos mocinhos?

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25/03/2015

às 14:59 \ Folhetinescas

7 Polêmicas de Gilberto Braga

O casal sem escrúpulos Evandro (Cássio Gabus Mendes) e Beatriz (Glória Pires) estão no centro de 'Babilônia', mais uma novela polêmica de Gilberto Braga (Divulgação)

O casal sem escrúpulos Evandro (Cássio Gabus Mendes) e Beatriz (Glória Pires) estão no centro de ‘Babilônia’, mais uma novela polêmica de Gilberto Braga (Divulgação)

Como a própria arte e, e com um alcance nacional, a telenovela tem contribuição inegável na discussão dos costumes da sociedade. Neste contexto, não é exagero dizer que Gilberto Braga é o autor que mais tem desafiado o público ao longo de sua carreira de 40 anos na televisão, sem pudores na decisão de substituir alguns dos clichês folhetinescos por situações mais cruas e atuais.

Não só sua mais famosa obra, Vale Tudo, de 1988, e agora a ruidosa Babilônia, que estreou há uma semana, causaram furor entre os mais conservadores. Relembre abaixo 7 das maiores polêmicas levadas ao ar pelo autor:

Em cena emblemática de  'Água Vida', Stella Simpson (Tonia Carrero) e  Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

Em cena emblemática de ‘Água Vida’, Stella Simpson (Tonia Carrero) e Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

1. Água Viva (1980)

Todo o esplendor solar do Rio de Janeiro serviu como pano de fundo para uma história de disputa familiar em  Água Viva, que Gilberto escreveu com Manoel Carlos. Numa bela crônica da sociedade de então, entrou para a história a sequência em que Stella Simpson, personagem da diva Tônia Carrero, faz um topless na praia e causa tumulto e, ainda, a cena em que um cigarro de maconha apareceu pela primeira vez na televisão brasileira – sendo enrolado por Alfredo, personagem de Fernando Eiras. 

2. Brilhante (1981)

Como Fernanda Montenegro lembrou em entrevista a QUANTO DRAMA! no último domingo, Brilhante discutiu a aceitação da homossexualidade. A atriz era a prepotente Chica Newman, que fazia questão de não perceber a orientação sexual do filho, Inácio, uma corajosa interpretaçãod o do hoje diretor Dennis Carvalho, que vivia o auge dos tempos como galã. Depois de tentar promover uma espécie de “cura gay”, armando seu casamento com Luiza (Vera Fischer) e, depois, com a ambiciosa Leonor (Renata Sorrah), a ricaça foi obrigada a ver o filho ir embora, com seu namorado – para todos os efeitos, “amigo”.

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24/03/2015

às 16:54 \ Fotonovela

Racismo é tema de ‘Babilônia’

Regina (Camila Pitanga) dá um tapa em Inês (Adriana Esteves) e passa a ser chamada de "cabocla metida" (Divulgação)

Regina (Camila Pitanga) dá um tapa em Inês (Adriana Esteves) e passa a ser chamada de “cabocla metida” (Divulgação)

Regina (Camila Pitanga) terminou “congelada” no capítulo de ontem (segunda, 23) de Babilônia (Globo, 21h15), prestes a explodir após ouvir uma proposta indecorosa de Inês (Adriana Esteves). No capítulo desta noite, ela deve reagir com um tapa na cara da vilã, quando recusar dinheiro em troca do silêncio sobre o acidente de barco provocado por Guto (Bruno Gissoni). “Você é vizinha de valão de esgoto a céu aberto, enfia sua dignidade no valão e diz logo o seu preço, favelada!”, dirá Inês.

Filha do motorista morto por Beatriz (Glória Pires) há dez anos, Regina passará a cruzar com frequência o caminho da dupla do mal. E por ser uma pedra no sapato delas, receberá um apelido racista de Inês: “Cabocla” metida – é o novo “é culpa da Rita”, que a Carminha de Avenida Brasil (2012) costumava dizer.

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Twitter: @patvillalba

23/03/2015

às 18:52 \ Maestro, uma nota

‘Nós temos duas mães’

Laila (Maria Eduarda de Carvalho): filha de Miguel (Domingos Montagner), ela foi criada por duas mães (Divulgação)

Laila (Maria Eduarda de Carvalho): filha de Miguel (Domingos Montagner), ela foi criada por duas mães (Divulgação)

Em meio à polêmica e organização de boicote por parte de líderes evangélicos a Babilônia, a nova novela das seis da Globo, Sete Vidas começou a apresentar nesta segunda (23) a história de mais uma família moderna. Os gêmeos Laila (Maria Eduarda de Carvalho) e Luís (Thiago Rodrigues) são mais dois filhos biológicos do protagonista Miguel (Domingos Montagner), gerados por meio de fetilização in vitro. A mãe biológica, a brasileira Esther (Regina Duarte), vivia com uma americana em Los Angeles (EUA). “Elas são sapatas”, explicou a super sincera Laila.

A novela de Lícia Manzo conta a boa história dos filhos de Miguel, navegador famoso que, na juventude, foi doador de um banco de sêmem.

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22/03/2015

às 12:01 \ Entrevista

‘É uma caça às bruxas’, diz Fernanda Montenegro sobre boicote a ‘Babilônia’

Fernanda Montenegro e Nathália Timberg contam a longa história de amor de Teresa e Estela em 'Babilônia': "Até agora não fizemos e não vamos fazer nada que ultrapasse a lisura", espanta-se Fernanda diante da polêmica (Divulgação)

Fernanda Montenegro e Nathália Timberg contam a longa história de amor de Teresa e Estela em ‘Babilônia’: “Até agora não fizemos e não vamos fazer nada que ultrapasse a lisura”, espanta-se Fernanda diante da polêmica (Divulgação)

Na abertura de uma longa conversa ao telefone na manhã deste sábado (21), Fernanda Montenegro cita versos do poeta dos escravos. “Enfrentando mares revoltos, como diria Castro Alves”, diz, ao explicar como vem se sentindo desde a estreia de Babilônia, há uma semana. Na trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, ela é Teresa, uma das mais respeitadas advogadas do país que vive uma relação de quase 40 anos com Estela, papel de Nathália Timberg.

Após uma cena de um beijo apaixonado, logo no primeiro capítulo, o trabalho das atrizes de 85 anos se tornou o principal alvo de uma campanha que prega o boicote à novela, articulada pela Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira. Na quinta (19), a Frente Parlamentar Evangélica divulgou uma nota de repúdio a Fernanda e Nathália. O texto, assinado pelo deputado João Campos (PSDB-GO) acusa a novela de trazer “de forma impositiva, para quase toda a sociedade brasileira, o modismo denominado por eles de ‘outra forma de amar’, contrariando nossos costumes, usos e tradições”.

“Não esperávamos essa reação. A situação toda do país está muito extremada, na discussão política e sobre comportamento”, espanta-se Fernanda. “Todos temos o direito de se posicionar. Não tiro o direito de ninguém. O problema é a radicalização desse pensar e no que ele pode se transformar. É caça as bruxas, de todos os lados.”

Na trama envolvente, crua e ambientada num Rio de Janeiro babilônico no qual a cobiça dá as cartas, Teresa e Estela são o exemplo de sabedoria, cidadania e honestidade, em oposiçã a personagens de caráter duvidoso, como o corrupto Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira). Numa cena do primeiro capítulo, ainda na fase passada em 2005, Teresa foi convocada pela escola de Rafael, neto de Estela, que andava contando aos coleguinhas sobre suas duas mães. “A cena já estava gravada quando, uma semana antes, um menino foi morto pelos amigos da escola por ser adotado por um casal gay”, pontua a atriz, em referência ao caso ocorrido no início do mês em Ferraz de Vasconcelos (SP). “Não vi ninguém escandalizado, não vi ninguém contestar e buscar culpados para a formação daquelas crianças, que mataram um colega de escola. E vão se escandalizar com o beijo casto de duas atrizes experimentadas de quase cem anos de idade?”, questiona a atriz do alto dos seus 60 anos de carreira em conversa com QUANTO DRAMA!:

Antes da estreia de Babilônia, a senhora disse que “os que acharem estranho vão tolerar”. A campanha contra a novela lhe surpreendeu?

Sim. A situação toda esta muito radicalizada na política, no comportamento. Tudo está muito extremado, e as coisas estão se radicalizando de uma forma muito desesperada. A reação ao beijo é moral, e a cena é julgada com a verdade divina, absoluta. Todos temos o direito de se posicionar. O problema é a radicalização desse pensar e no que ele pode se transformar. Não pertenço aos exércitos que estão se formando por aí. Não precisamos desses exércitos. É uma caça às bruxas o que estão propondo, de todos os lados.

Os defensores da novela comparam a tentativa de boicote com a censura imposta pela ditadura militar. A senhora concorda?

Não, é diferente. Naquela época, nós tinhamos duas posturas. A adesão ou a rejeição a uma postura de comportamento herdada da contracultura e dos movimentos de 68. As coisas eram mais claras e menos pulverizadas. Hoje em dia, a gente tem muitos caminhos. Temos a internet, o que é maravilhoso, porque cada um pode ir lá se posicionar. Mas, ao mesmo tempo, o embate é muito mais diversificado.

Antes de Teresa e Estela, outros personagens homossexuais apareceram se beijando em cena. A senhora acha que a idade das personagens contribuiu para o choque?

Pode ser. Sinceramente, não sei o que deu nesse fenômeno de revisão do comportamento. Até agora não fizemos e não vamos fazer nada que ultrapasse a lisura. Nada. E são duas personagens que ainda não se apresentaram totalmente. Ainda vai ser mostrado a vida dura que elas tiveram, até chegarem a esse encontro de vida comum. O beijo que está dando essa confusão toda é um beijo casto, amoroso, sem desafio erótico ou didática. É uma demonstração de carinho. Por isso, digo que não tenho capacidade de analisar esse momento. Percebo que temos problemas muito mais graves. O país está enfrentando uma crise bastante vívida e sentida, e tem gente disposta a se voltar contra o beijo de duas atrizes de quase cem anos de idade dado dentro de uma relação sacramentada pela vida afora.

Meme junta duas das muitas faces de Fernanda Montenegro: Graças a Deus eu posso ir de Nossa Senhora à Teresa", diz ela (Reprodução)

Meme junta duas das muitas faces de Fernanda Montenegro: Graças a Deus eu posso ir de Nossa Senhora à Teresa”, diz ela (Reprodução)

Pela história de vida das senhoras, era de se esperar que as personagens fossem respeitadas. Mas, pelo contrário, os insatisfeitos com a novela lamentam que duas atrizes deste porte tenham sido escaladas para os papéis. 

Mas a Globo não me colocou ali, não fui obrigada a ser a Teresa. Não sou uma escrava de ninguém. Estou fazendo o papel com todo meu empenho, adesão e entendimento humano da causa, que é a da pessoa que quer viver sua natureza sem disfarce. Essas personagens são um esclarecimento aos mais bloqueados de razão. É claro que aceitei o papel por isso. Graças a Deus eu posso ir de Nossa Senhora à Teresa. Há um toque desse aí pela internet, já viu?

Sim, é muito bom! Talvez Teresa e Estela incomodem justamente por serem exemplos de vida e honradez.

São mulheres que alcançaram uma idade em que as coisas são avaliadas de uma maneira até contemplativa. As energias brutais e destemperadas que fazem parte da juventude vão embora, e no fim da vida a gente reavalia tudo. Não sei como não entendem que a união das duas é o lado sadio da novela. Contar a história delas é um ato de coragem dos três autores, do elenco e de uma produção com tanta qualidade artística e técnica. A gente está só fazendo o trabalho da gente. A resposta é o próprio fazer. A ação é mais importante do que ficar falastrando. Já que estamos todos na Bíblia, digo que mesmo o sopro divino foi uma ação.

Como a senhora vê o espaço dos personagens homossexuais nas novelas?

Já faz tempo que a telenovela se apropria do tema da aceitação dos homossexuais. Veja, há 34 anos eu fiz Brilhante (de Gilberto Braga). Dennis Carvalho (diretor-geral de ‘Babilônia’) fazia meu filho, que tinha um caso gay e a mãe nunca percebia. No fim da novela, ele vai embora com seu namorado – estamos falando de 1981. A homossexualidade sempre esteve presente nas novelas da Globo. E esteve presente na vida real também, não é mesmo? Hoje em dia existe o casamento, a lei permite que casais homossexuais adotem crianças. Está aí, para todo mundo ver. Estou inventando isso? Não! Por isso, vai haver um casamento sim das duas senhorinhas da novela, que estão juntas há 40 anos. É algo extremamente delicado e amoroso. Jamais teve a intenção de ser algo agressivo.  

Se os homossexuais já estão inseridos há tempos nas novelas, o que ‘Babilônia’ tem de diferente?

Ela não tem aqueles panos quentes do folhetim, que impedem que se chegue ao fundo do poço. Essa novela resolveu ir até o fundo do poço. Não é a primeira que uma novela fala de ambição, , mau-caratismo, corrupção e é povoada pelos vendilhões que a gente conhece bem. A diferença é que esta conseguiu fugir do folhetim, do melado, o máximo possível. Até hoje não vi nenhuma novela que tivesse essa limpeza de dramaturgia, que eliminasse as gorduras do folhetim. Não sei se é melhor ou pior, mas como audácia de dramaturgia, é o máximo.

A senhora acha que o resultado no Ibope pode levar a mudanças na trama?

Sempre vejo a vida pela minha vivência no teatro. E toda novela que começa é como uma peça de teatro. A segunda semana pode ser melhor do que a primeira e a terceira melhor do que a segunda. Estamos na primeira semana, imagine. Uma mudança seria uma decisão da direção da emissora. Eu sou uma intérprete, e estou agindo de acordo com o que os autores me propuseram, fazendo o que está dentro da minha vocação de atriz. Se não tivessem me chamado e eu lesse esse roteiro, eu teria me oferecido. De qualquer forma, mesmo que a novela mudasse, uma coisa é irreversível: o que foi apresentado até aqui já faz parte da história e da cultura e dos movimentos políticos do país. 

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20/03/2015

às 14:38 \ Folhetinescas

Amor em ‘Babilônia’ choca mais do que ódio em ‘Império’

Estela (Natália Htimberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de 'Babilônia': demonstração contundente de afeto, trabalho das atrizes é irretocável (Reprodução)

Estela (Natália Timberg) e Tereza (Fernanda Montenegro) se beijam na estreia de ‘Babilônia’: demonstração contundente de afeto, trabalho das atrizes é irretocável (Reprodução)

“Os que acharem estranho vão tolerar”, me disse Fernanda Montenegro há duas semanas, falando do romance que sua personagem, a advogada Teresa viveria com a Estela de Natália Timberg em Babilônia (Globo, 21h20), de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga que estrearia dali a alguns dias. Novela no ar, logo no primeiro bloco as duas atrizes, ambas de 85 anos, beijaram-se apaixonadamente, mais do que os noveleiros poderiam esperar, depois dos selinhos doces de Niko e Félix, de Amor à Vida, e Clara e Marina de Em Família.

Fernanda Montenegro também não escapa da zoeira da internet: meme lembra a Nossa Senhora de 'O Auto da Compadecida' (Reprodução)

Fernanda Montenegro também não escapa da zoeira da internet: meme lembra a Nossa Senhora de ‘O Auto da Compadecida’ (Reprodução)

Em poucas horas, uma acalorada discussão tomou as redes sociais, até então dividida entre os críticos e defensores do governo Dilma Rousseff. Logo ficaria claro que Fernanda estava errada: muitos não estão tolerando.

Num primeiro momento, os que aplaudiram a cena tentaram diminuir sua intensidade, uma ideia de que o beijo homossexual na televisão deve ser recebido com naturalidade. Houve também, como sempre, os que se escandalizaram com a polêmica em si – é o pessoal do bordão-conselho “vão ler um livro!”. E houve, claro, os que viram na representação de uma história de amor o sinal de que o apocalipse se aproxima. A incitá-los, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, que divulgou nesta quinta (19) uma nota de repúdio a Fernanda e Natália. A Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira faz uma campanha pelo boicote nas redes sociais. A novela estreou com 33 pontos e chegou a cair a uma média de 27 pontos nesta quinta (19), segundo dados do Ibope em São Paulo.

Muitos dirão que a nota não deixa de ser uma forma de expressão. Mas é de se espantar como parte do país consome a ficção de maneira torta, a ponto de sair curtindo e compartilhando iniciativas de parlamentares que se ocupam de um programa de televisão. E por que, afinal, se ocupar de uma história de amor? Por que o José Alfredo (Caio Blat) de Império não chocou mais do que o beijaço de Teresa e Estela quando matou o pai com um tiro nas costas, na última sexta (13)?

A discussão é de desanimar qualquer um. Cá estamos nós dizendo o óbvio: que o controle remoto soberano – só não vale mudar para as entrevistas com assassinos pop stars do Gugu na Record. Mas diante da discussão que só cresce a cada capítulo, é preciso anotar que veio das duas atrizes veteranas o mais contundente e sincero carinho homossexual já apresentado na ficção nacional. Elas se beijaram com verdade, impossível não notar. Fernanda e Natália são amigas há 60 anos, por isso parecem tão à vontade em cena. É um trabalho lindo e, sim, provocador, como a arte deve ser. Não foi pensado para passar em branco, nem poderia.

Embora por enquanto muito dedicadas a falar da própria relação, Teresa e Estela são uma das poucas reservas de integridade da novela. Em Babilônia, o mal da ganância, reforçado pela corrupção, está vencendo – há duas vilãs e uma mocinha. Lembremos que, antes dela, Império terminou com um filho matando um pai por dinheiro e rancor. Mas o pessoal por aí deu para encasquetar com as lésbicas da novela, que estão ali para mostrar que a vida vale a pena – não só pelas personagens, mas pelo exemplo pessoal das duas atrizes. O que não vale é a campanha de ódio que chega a assustar ao invocar a Babel da Bíblia, o exagero e o ataque rasteiro.

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18/03/2015

às 16:49 \ Entrevista

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Marcos Palmeira entra em 'Babilônia' como Aderbal Pimenta, prefeito de uma cidade do interior que finge ser humilde e honesto (Divulgação)

Marcos Palmeira entra em ‘Babilônia’ como Aderbal Pimenta, prefeito de uma cidade do interior que finge ser humilde e honesto (Reprodução)

Além de beijar boa parte dos homens que cruzam o seu caminho em Babilônia (Globo, 21h15), Beatriz (Glória Pires) tratará de tentar beneficiar a construtora do marido, Evandro (Cassio Gabus Mendes), de um clássico esquema de desvio de dinheiro de obras públicas. Presidente da Souza Rangel, a vilã vai se aliar em breve ao pitoresco Aderbal Pimenta, prefeito recém-eleito de Jatobá, cidade fictícia do interior fluminense. “Ele acaba de se tornar prefeito, mas está determinado a se tornar governador”, explica o ator Marcos Palmeira em entrevista a QUANTO DRAMA!.

A questão é o plano de poder do prefeito envolve dinheiro, muito dinheiro. E é a bucólica Jatobá, claro, que vai pagar a conta. Beatriz fica particularmente interessada numa licitação para a construção de uma rodoviária e fará de tudo para que a Souza Rangel consiga o contrato, usando a “muy amiga” Inês (Adriana Esteves) como intermediária.

“Quando a gente pensa que a ficção chegou ao limite, a realidade dá um jeito de ir além. Neste caso, quando o assunto é corrupção, digo que é infelizmente para o país”, observou Palmeira, quando questionado sobre a natureza do novo personagem e sua, não por acaso, atualidade. “Mas eu acho que se em 1988, o Marco Aurélio (Reginaldo Faria, em Vale Tudo) deu uma banana para o país, desta vez gente como o Aderbal deve ser punida.”

Conservador e defensor da moral e dos bons costumes, o político vive uma vida dupla que chega a ser cômica. Na vida pública, é um morador modesto de Jatobá, dono de um carro velho. Na vida privada, bem difernete, é dono de um apartamento de luxo na Barra da Tijuca, na capital, e tem um carro importado na garagem. Para todos os efeitos, entretanto, é honesto. “Não sei quanto ele pretende roubar, mas posso dizer que ele é bastante ambicioso. E não se pode assinar embaixo de nada do que ele diz”, brincou o ator.

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