Blogs e Colunistas

16/10/2014

às 17:23 \ Eu faço drama

Klebber Toledo será “mendigo gato” em ‘Império’

Leo (Klebber Toledo) sofrerá demais com o afastamento de Cláudio (José Mayer) (Divulgação)

Leo (Klebber Toledo) sofrerá demais com o afastamento de Cláudio (José Mayer) (Divulgação)

Muita gente torceu o nariz quando o ator Klebber Toledo evitou declarar a homossexualidade do personagem Leo nas entrevistas que precederam a estreia de Império (Globo, 21h20). “Não quero falar em rótulos para ele, prefiro dizer que é uma pessoa apaixonada”, repetia. Houve quem visse na atitude do jovem ator uma maneira de fugir da polêmica, mas a verdade começa a aparecer agora: amargurado com o fim do relacionamento com o hesitante Cláudio Bolgari (José Mayer), o aspirante a ator começa a se envolver com Amanda (Adriana Birolli), demonstrando que é, portanto, bissexual.

Rafael Nunes, o “mendigo gato de Curitiba” (Reprodução/Facebook)

Rafael Nunes, o “mendigo gato de Curitiba” (Reprodução/Facebook)

Mas a principal reviravolta na vida do personagem ainda está por vir. Segundo o autor Aguinaldo Silva divulgou em seu site, Leo ficará tão perdido após o rompimento com Cláudio que chegará a mendigar nas ruas de Copacabana. A história, de pronto, lembra a do “mendigo gato de Curitiba”, Rafael Nunes, ex-modelo que fez sucesso ao ter uma foto divulgada nas redes sociais em que aparecia maltrapilho na porta de uma igreja. De cortar o coração, como deve acontecer com Leo na novela das 9 – a diferença é que na ficção, o bonitão será resgatado das ruas pela fina e decidida Amanda de Adriana Birolli.

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15/10/2014

às 12:51 \ Fotonovela

Marjorie Estiano vai do brega ao luxo em ‘Apneia’

Marjorie é a rica e entediada Giovana no longa-metragem que estreia no dia 6: versátil, a atriz deixa a virgindade recalcada da Cora de 'Império' e beira  a devassidão no cinema (Camilla Bruzzone/Divulgação)

Marjorie é a rica e entediada Giovana no longa-metragem que estreia no dia 6: versátil, a atriz deixa a virgindade recalcada da Cora de ‘Império’ e beira a devassidão no cinema (Camilla Bruzzone/Divulgação)

“Eu gosto de um bom sexo”, diz a personagem de Marjorie Estiano. Bem que poderia ser uma das falas mais surtadas da puritana Cora de Império, que a atriz viveu na primeira fase da novela e que agora, nas mãos de Drica Moraes, tem sonhos interessantes com o “comendador” José Alfredo (Alexandre Nero) – mas não. No dia 6, a atriz estará nos cinemas como a Giovana de Apneia, longa-metragem que a leva da breguice da classe C de Santa Teresa para a alta roda paulistana – de Perpétua 2.0 ela passa a “refinada entediada à beira do precipício”, digamos assim.

Dirigido por Maurício Eça, grande nome dos videoclipes nacionais que tem no currículo o impactante e já histórico Diário de um detento (1998), dos Racionais MC’s e Admirável Chip Novo (2003), da Pitty, entre tantos outros, o filme fala sobre patricinhas que brincam de camicase madrugada adentro para sentir o sangue correndo nas veias, num antídoto à monotonia do mundo dos ricaços (veja o trailer abaixo).

Marisol Ribeiro – que, diga-se de passagem, merece papeis de mais destaque na TV – é a protagonista Chris, que sofre da apneia que dá o título, numa boa metáfora para trânsito intenso que faz entre a realidade e o sonho. O roteiro, do próprio Eça, foi escrito a partir de uma verdadeira caçada do diretor e sua equipe a perfis de mulheres jovens, ricas e um tanto exibidas nas redes sociais. Além de Marisol e Marjorie, o trio principal é formado por Thaila Ayala. “O que me motivou a escrever este roteiro foi a vontade de contar uma história contemporânea e humana, pouco explorada no nosso cinema nacional: a juventude da classe mais abastada social e economicamente”, explica o diretor. “Fizemos uma extensa pesquisa deste universo, além de uma preparação de atores, para que os personagens sejam  reais e não caricatos. Minha intenção não é rotular. Muito menos julgar os fatos vividos pelos personagens. Desejo mostrar esta realidade através do ponto de vista da Chris de uma forma mais orgânica, traduzindo sensações e intenções.”

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13/10/2014

às 16:32 \ Fotonovela

Beatriz e a fofoca que pode matar

Vítima de um mulherio histérico, Beatriz (Suzy Rêgo) sai apressada, bate e capota o carro em 'Império': críticas do público à personagem sempre estiveram nos planos do autor e agora servem de "inspiração" (Divulgação)

Vítima de um mulherio histérico, Beatriz (Suzy Rêgo) sai apressada, bate e capota o carro em ‘Império’: críticas do público à personagem sempre estiveram nos planos do autor e agora servem de “inspiração” (Divulgação)

Sempre atento ao que se comenta sobre sua Império, das padarias as redes sociais da vida, Aguinaldo Silva fará boa ponte entre realidade e ficção na novela a partir do capítulo desta segunda (13). Beatriz (Suzy Rêgo) sofrerá um grave acidente de carro após uma discussão surrealista com populares no supermercado.

A empresária será abordada por mulheres que, leitoras do blog do fofoqueiro Téo Pereira (Paulo Betti) – isso é que é inclusão digital! –, vão tomar satisfações sobre o comportamento incomum dela, que apoia a vida dupla do marido, Cláudio Bolgari (José Mayer). “Saber que é traída pelo marido com outro homem? Pessoas como você são o câncer da nossa sociedade!”, bradará o mulherio.

É, obviamente, um exagero – afinal, quem reconheceria “a mulher do cerimonialista bissexual que o Téo Pereira ‘acusa’ de ter um caso extraconjugal” no supermercado?

Mas a intenção do autor nos leva a dispensar a verossimilhança. Beatriz, como contou o próprio Aguinaldo ao Quanto Drama!, foi feita para ser criticada e também para levantar a discussão sobre o direito a intimidade. Talvez o telespectador comum esperasse ver uma esposa traída, ludibriada, mártir – uma personagem, sem dúvida, mais palatável. Mas no contexto dos Bolgari, seu apoio ao marido bissexual é coisa para dar, deliberadamente, nó na cabeça de alguns – confusão e polêmica que a trama aproveita agora, quando começa a “malhação de Judas” contra o casal. Por isso, os impropérios que vem sendo dirigidos a Cláudio e Beatriz em cena desde que veio à tona que ele manteve um caso com Leo (Klebber Toledo) são os mesmos repetidos pelo público nas redes sociais e nos grupos de discussão sobre Império.

Contra a horda de intrometidas, Beatriz usará um xingamento que é de fato desconcertante: “Medíocres e feias!”, dirá ela, pouco antes de bater e capotar o carro.

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10/10/2014

às 17:10 \ Folhetinescas

7 olhares matadores de assassinos em série

Bruno Gagliasso em cena como o Edu, de 'Dupla Identidade': debochado, ele é do tipo que escolhe o batom para a vítima (Divulgação)

Bruno Gagliasso em cena como o Edu, de ‘Dupla Identidade’: debochado, ele é do tipo que escolhe o batom para a vítima (Divulgação)

Há, basicamente e tomando por determinado ponto de vista, dois tipos de assassinos seriais na ficção: os muito assustadores, como o Hannibal Lecter de Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (2001), e os sedutores que tentam se fazer de irresistíveis, como o Edu de Bruno Gagliasso em Dupla Identidade.

Nas entrevistas que precederam a estreia do seriado da Globo (sextas, 23h30), a autora Glória Perez explicou que seu texto procurava não vitimizar o serial killer, dando espaço para que se sentisse pena dele por causa de, por exemplo, um passado difícil ou quem sabe uma orfandade. “Ele é o mal em estado puro”, disse ela. Edu não é nada confiável, já deu para entender. Mas como estamos falando de entretenimento, se é para ver o mal de tão perto que seja nos olhos azuis de Gagliasso.

Bem no papel, se não tem a piedade do telespectador, poderá com certeza contar com sua torcida – até porque do outro lado está a “ulta profissional treinada no FBI” de Luana Piovani, Vera. E se chega a ser impossível se assustar com Gagliasso – ainda mais quando o vemos chorando no palco do Domingão do Faustão, como no último domingo –, resta então incluí-lo na lista dos psicopatas sanguinários mais charmosos de todos os tempos. Aqui, um dado precioso para a investigação da doutora Vera: todo serial killer da ficção capricha nos olhares enviesados para a câmera:

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08/10/2014

às 17:14 \ Fotonovela

Ah, o cheiro do plástico bolha…

Maria Casadevall está perfeita como a maluca e esperta Lili das tirinhas: história da atriz com a série começou quando o diretor Luis Pinheiro viu o viral em que ela dançava sozinha na orla da praia (Divulgação)

Maria Casadevall está perfeita como a maluca e esperta Lili das tirinhas: história da atriz com a série começou quando o diretor Luis Pinheiro viu o viral em que ela dançava sozinha na orla da praia (Divulgação)

Melhor surpresa da nova temporada de séries nacionais, a divertida sitcom Lili, a Ex mostra nesta quarta como uma ex-mulher psicótica pode ter lá os seus benefícios. Desde que se separou de Reginaldo (Felipe Rocha), Lili (Maria Casadevall) se tornou uma incansável espiã de novas namoradas. A da vez, Mari (Nathália Rodrigues), deixa a máscara cair no terceiro episódio a (GNT, 22h30) e se mostra uma víbora. Mas quem disse que Reginaldo quer acreditar? Afinal, quem daria credibilidade a uma denúncia feita por Lili.

Baseada nas tirinhas de Caco Galhardo, a série é um acert0 de roteiro, direção e interpretação, uma vez que consegue, sem grandes recursos gráficos ou de edição, transportar de maneira suave a linguagem dos quadrinhos para a televisão. Escolhida para o papel pelo diretor Luis Pinheiro, após um vídeo viral em que aparecia dançando sozinha na orla da Barra da Tijuca, no Rio, Maria está simplesmente hilariante no papel da mulher inconformada com o fim do relacionamento – maluca de tudo mas ao mesmo inteligente e divertida. “Sabe do que eu gosto? Do cheiro do plástico bolha”, disse ela logo no primeiro episódio, excitada com a mudança para o novo lar, ao lado do apartamento do ex.

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07/10/2014

às 13:18 \ Folhetinescas

As lolitas inesquecíveis da ficção

Entre ninfeta, amante perfeita e prisioneira, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) ajudou a compor a figura do "comendador" José Alfredo (Alexandre nero). Agora, ela vai surpreender ao evoluir como mulher (Divulgação)

Entre ninfeta, amante perfeita e prisioneira, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) ajudou a compor a figura do “comendador” José Alfredo (Alexandre nero). Agora, ela vai surpreender ao evoluir como mulher (Divulgação)

Criticada no começo por ser um incentivo a isso e àquilo, a romântica Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) já não desfila mais de lingerie pela garçoniere de Jose Alfredo (Alexandre Nero) em Império (Globo, 21h15).

Na estrutura monárquica da trama de Aguinaldo Silva – na qual a joalheria Império seria um reino comandado pelo “comendador”, em meio a conspiradores, vassalos, bobos da corte e criados fofoqueiros –, a personagem primeiro ajudou a compor a figura do homem forte e tirano que sente no direito de prender uma jovem inexperiente numa torre, para estar com ela quando bem entender. É a própria cortesã predileta, que irrita a rainha má, Maria Marta (Lilia Cabral), numa onda meio medieval. Mas já faz uns dias que a moça iniciou uma mudança e, desde o capítulo de ontem (segunda, 6), está oficialmente num triângulo amoroso com João Lucas (Daniel Rocha), filho do seu “protetor”. Agora, começa uma disputa pela bela lolita ruiva. Dizem que ela até vai começar a trabalhar, o que será um bom cala-boca aos que andaram criticando o autor por incentivo à pedofilia.

Atriz e personagem são adultas e Maria Isis está ali por livre e espontânea vontade, como teúda e manteúda sinceramente apaixonada. Mas a citação à Dolores de Nabokov, a garota de 13 anos que se envolve com um cinquentão no clássico Lolita (1955) é óbvia – ainda que ninfeta de novela tenha de ser maior de idade. E, afinal, como o livro ensina, uma lolita não é feita apenas de camisolinhas e unhas do pé mal-pintadas de vermelho. A personagem se forma e acontece por meio do seu Humbert Humbert. Por isso, Isis dá um tempero ficcional interessante ao comendador. O que ele fará quando perceber que sua boneca começou a pensar? Talvez enlouqueça, como boa parte dos “tios” das novelas que sabem bem o que é conviver com esse tipo sedutor de personagem. Veja outras seis, das mais marcantes:

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Lolita, Anita. Manoel Carlos adaptou com grande sucesso em 2001 o livro Presença de Anita, de Mário Donato, numa minissérie homônima. Mel Lisboa viveu a jovem que enlouquecia Nando (José Mayer) um quarentão em busca de tranquilidade numa cidadezinha do interior de São Paulo.

 

 

 

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Em 1999, numa bela e soturna produção da Casa de Cinema de Porto Alegre de Jorge Furtado para a Globo, Ana Paula Tabalipa viveu uma garota que virava a vida de Ramiro (Paulo Betti), amigo de seus pais, pelo avesso na minissérie Luna Caliente.

 

 

 

 

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Um ano antes da marcante Presença de Anita, José Mayer deu vida a outro atormentado por uma bela jovem demais: Pedro, grosseirão charmoso por quem a ninfeta caipira Íris (Deborah Secco) era obcecada em Laços de Família, também de Manoel Carlos.

 

 

 

 

 

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03/10/2014

às 16:27 \ Eu faço drama

Edu, o serial killer, vê ‘Tom e Jerry’. Que perigo…

Por enquanto, não sabemos nada sobre a infância de Edu. Mas é certo que o psicopata assistia ao sádico 'Tom & Jerry' (Divulgação)

Por enquanto, não sabemos nada sobre a infância de Edu (Bruno Gagliasso) em ‘Dupla Identidade’. Mas é certo que o psicopata assistia ao sádico ‘Tom & Jerry’ (Divulgação)

Já pareceu coisa mais inocente em outros tempos, quem sabe até desastre à toa na vida de seres animados, mas o jogo sádico dos velhos Tom e Jerry não anda mais bem-visto nas grades dedicadas aos pequenos. No Cartoon Network,  o desenho criado em 1940 por William Hanna e Joseph Barbera já andou meio ameaçado de suspensão por ser “politicamente incorreto”. Ontem, foi a vez da Amazon e o iTunes anunciarem que, após diversas reclamações de clientes incomodados com “ofensas racistas” nos roteiros originais da série (muitas das cenas polêmicas foram cortadas há anos nas versões que vão para a TV), passarão a exibir um alerta sobre o conteúdo polêmico. A ideia é ponderar que esse tipo de injúria fez parte dos Estados Unidos dos anos 40 e que vale a exibição na íntegra – não o corte, que seria a negação.

Fica para os psicólogos a discussão profunda sobre se esse tipo de desenho pode ter influência negativa sobre a mente de uma criança. É claro que a nostalgia impede os fãs de julgarem a série com rigor, daí os protestos nas redes sociais dos que ficaram magoados com o banimento dos queridos Tom e Jerry – #chidhoodruined é uma das hashtags mais usadas. Boa coisa o desenho realmente não ensina. Mas se for capaz de um estrago ou de reforçar certa tendência, até que ponto seria?

No que depender do seriado Dupla Identidade, pode ser coisa de psicopata, como se quiçá fizesse parte da lista dos “10 mais queridos” da infância de um serial killer. Foi uma boa sacada a cena do segundo episódio, exibido na última sexta (26), que mostrou Eduardo (Bruno Gagliasso) inquieto em frente à TV, vendo Tom ser massacrado por Jerry em uma de suas intermináveis perseguições – uma piada do diretor Mauro Mendonça Filho. O gato sempre leva um sacode do rato, mas, como se sabe, nunca morre (ou uma única vez, veja abaixo). Já Edu, na representação da vida real criada por Glória Perez, acabara de matar uma mulher.

Deveria Vera (Luana Piovani) incluir Tom e Jerry nas pesquisas sobre psicopatas?

No Brasil, os episódios podem ser vistos no SBT, no Bom Dia & Cia, e no Cartoon Network.

Abaixo, três episódios bizarros de Tom & Jerry que, com certeza, Eduardo teria adorado:

Jerry bombadão

Muito antes da Lei da Palmada, Tom bate no bebê rato de Jerry, que vira um monstro musculoso apavorante:

Piuí

Fã de trens de brinquedo, Tom vira um psicopata no comando de uma maria-fumaça minúscula e tenta atropelar Jerry. Até que…

Episódio perdido

Na rua da amargura, Tom e Jerry se suicidam no mítico episódio Blue Cat Blues.

Leia também:

Sabe aquela que toca na novela?

Bruno Gagliasso vai ao topo em ‘Dupla Identidade’

 

 

02/10/2014

às 17:23 \ Eu faço drama

Sabe aquela que toca na novela?

Eu chorando pela estrada/ Mas o que que eu posso fazer?/ Trabalhar é minha sina/ Eu gosto mesmo é d'ocê

Eu chorando pela estrada/ Mas o que que eu posso fazer?/ Trabalhar é minha sina/ Eu gosto mesmo é d’ocê (Divulgação)

A gente ainda não viveu o suficiente da eternidade para poder afirmar com certeza, mas com o que se tem até aqui pode-se desconfiar de que algumas poucas canções sobreviverão para sempre. Tocantes de todos os modos e por vários motivos, quando reinterpretadas, relidas e rearranjadas lá vão passando de geração para geração – um Cole Porter aqui, um  Luiz Gonzaga ali, entre as Anittas e os Tiaguinhos com quem convivem numa boa. Jamais passam despercebidas. “Que música é essa que o Zeca Baleiro canta na novela, gente?”, é mais ou menos o que se lê no Twitter quando entram as românticas – e diárias – cenas de Cristina (Leandra Leal) e Vicente (Rafael Cardoso) em Império (Globo, 21h20).

No meio disso, há de se reconhecer que a Globo andou dando uma boa repensada nas suas trilhas, especialmente em projetos de diretores como Luiz Fernando Carvalho, José Luiz Villamarim e Rogério Gomes, que têm conseguido fisgar o público com música boa. À frente de Império, Gomes, o “Papinha”, tem uma cartela extensa de músicas para editar suas cenas, de Ed Sheeran a Cartola, e, em meio até a improváveis Information Society e Coldplay, relançou Ai que saudade d’ocê. O leitor certamente já ouviu ou cantarolou esse forró gracioso que o paraibano Vital Farias, aclamado violeiro de Taperoá, lançou em Cantoria 1, LP de 1984 em parceria histórica com Elomar, Geraldo Azevedo e Xangai. Há 30 anos ela foi registrada pela primeira vez no disco ao vivo e nunca mais deixou de ser cantada e de embalar arrasta-pés de terra batida às baladas de forró universitário.

O tema caiu bem para o casal de protagonistas da novela de Aguinaldo Silva, mocinhos raro nos últimos tempos: são jovens de excelente caráter, buscam vencer com estudo e trabalho, mas mantém a doçura bonita de ver que os excessivamente bons perdem em novelas – nada de pamonhice, em resumo. A letra fala sobre um imaginário beijo levado por meio de um beija-flor, indo de um sujeito de excelente lábia que trabalha viajando e sofre com saudade da amada. “O que é que eu posso fazer? Trabalhar é minha sina. Eu gosto mesmo é d’ocê”, diz o personagem, um sucesso sempre lembrado na voz de Fábio Jr, que a gravou em 1992 e a emplacou na trilha de Renascer (1993), para os personagens Ritinha (Isabel Fillardis) e Damião (Jackson Antunes).

Mas era a música original, na voz do recluso Vital – o músico vive em Taperoá e faz poucos shows no Sudeste – que Zeca Baleiro, o intérprete atual da música, assobiava havia 20 anos até ser convidado pela gravadora Som Livre para gravá-la. “Conheço a canção desde a gravação do Vital Farias, de quem sou fã e cujo trabalho acompanho desde o início”, contou ele ao QUANTO DRAMA!. “Já havia assoviado bastante a canção por aí, mas nunca a havia tocado. Cantei sim outras canções suas em shows, como Caso Você Case e Veja.”

Além de Fábio Jr., Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Fagner gravaram a música ou a cantaram em shows. Vale ainda contar as dezenas de aspirantes a cantores que divulgam suas versões no Youtube. A fama da música chegou a preocupar Zeca.

Como cantar de novo algo já tão cantado?

Zeca não se fez de acanhado. Seu arranjo dá uma nova amplidão à música, sofisticando-a. O narrador da letra é um sujeito simples, como costumam ser os personagens das músicas de Vital Farias. Você ouve e vê claramente um sujeito de uns 40 anos, calça de tergal e cabelo penteado para o lado com gumex. Na nova versão, esse sujeito é outro; Zeca deu a ele um violoncelo que impôs uma leve dramaticidade. Agora, esse novo viajante que sente saudade da namorada e pede carta – veja só, ainda de papel – combina bem com o belo nordestino íntegro e trabalhador de Rafael Cardoso. “E tudo o que eu sabia é que a música serviria a um par romântico. Foi isso que me fez buscar exacerbar o lirismo que há na canção”, justifica o músico. “Quando veio o convite para gravá-la, fiquei bem feliz, mas também fiquei num belo impasse, porque a música já foi muito regravada. As gravações anteriores são lindas, especialmente a da Elba”, detalha. “Mas eu tinha que buscar uma saída diferente pro arranjo, sem descaracterizá-la totalmente de sua origem “nordestina”. Tirei o acento mais regional e busquei fazer um baião “estilizado”, com piano, violoncelo e uma percussão leve”, explica ele.

Aqui, você ouve a versão de Zeca Baleiro para Ai que saudade d’ocê, acompanhado de Adriano Magoo (piano), Fernando Nunes (baixo), Jonas Moncaio (cello), Leonardo Shina (percussão). Abaixo, uma lista com as versões mais marcantes da música de Vital Farias.

Vital Farias

Qualquer canção é sempre mais especial na voz do próprio compositor, tenha ele a voz que tiver. A de Vital Farias é forte, sertaneja, de construções amplas.

Elba Ramalho

No show O Grande Encontro II, de 1997, Elba Ramalho canta com Geraldo Azevedo e Zé Ramalho

Fábio Jr.

Já em 1992, mas com umas notas meio ointentistas no “estilo Cassino do Chacrinha”,  a versão de Fábio Jr. só se rendia ao xote no refrão. Em shows, mais tarde, o cantor acabou deixando o baião rolar, e passou a cantar a música de um jeito mais solto.

Geraldo Azevedo

Vira e mexe confundido com o compositor original da música, Geraldo Azevedo tem um jeito único de interpretar a canção do amigo e parceiro.

Fábio Jr. e Elba Ramalho

Num programa especial (não datado no vídeo, infelizmente) Fábio Jr. recebe Elba, em todo o seu esplendor.

Fagner

Raimundo Fagner também se rendeu aos versos de Vital Farias, nesta apresentação ao vivo, em 2000.

Banda Scracho

Da novíssima geração, a banda Scracho fez uma versão meio reggae, com bastante delicadeza.

30/09/2014

às 13:33 \ Entrevista

‘Muitos são preconceituosos por ignorância’, diz Suzy Rêgo

Casada com Cláudio (José Mayer) por 30 anos, Beatriz aceita a bissexualidade do marido. Autor leva público a julgar personagem, expondo como o moralismo pode ser nocivo ao amor (Divulgação)

Casada com Cláudio (José Mayer) por 30 anos, Beatriz aceita a bissexualidade do marido. Autor leva público a julgar personagem, expondo como o moralismo pode ser nocivo ao amor (Divulgação)

Quem é casado e tenta ter, pelo menos, um pouco de reflexão sobre a vida a dois no seu cotidiano sabe que cada casamento tem códigos próprios – alguns os mais simplistas possíveis e outros nem tanto. Num mundo cada vez mais cheio de rótulos, variações e avanços no que diz respeito à psique humana, nada pode ser mais sem graça do que aquela união que segue monocórdia de segunda a segunda. Mas há casamentos que, ainda que envernizados pelas mais cristalizadas convenções, podem parecer chocantes para a maioria quando vistos de perto.

E se de perto ninguém é normal, como diz Caetano Veloso, o que dizer de personagens de novela que saem da cabeça fervilhante e provocativa de Aguinaldo Silva? Soa cada vez mais perturbante para alguns  – e, que fique claro, o termo é usado  aqui num sentido positivo – a conduta da Beatriz (Suzy Rêgo) da novela das 9, Império. O autor poderia ter repetido Manoel Carlos, que criara lá em 1997 o dentista Rafael (Odilon Wagner), casado e pai de dois filhos que escondia a bissexualidade da mulher, Virgínia (Ângela Vieira) em Por Amor.

Com sinais de homofobia desde o início da novela, Enrico (Joaquim Lopes) surtou ao descobrir que o pai, Cláudio (José Mayer) é bissexual: discussão que tem pautado a campanha política aparece também com destaque em 'Império' (Divulgação)

Com sinais de homofobia desde o início da novela, Enrico (Joaquim Lopes) surtou ao descobrir que o pai, Cláudio (José Mayer) é bissexual: discussão que tem pautado a campanha política aparece também com destaque em ‘Império’ (Divulgação)

Mas a sociedade evoluiu um tanto, o telespectador um bocadinho e a TV tenta se equilibrar entre a modernidade que se impõe e os guardiões da moral e dos bons costumes. Por isso, 17 anos depois, Aguinaldo criou uma esposa esclarecida que sabe das aventuras homossexuais do marido, Cláudio Bolgari (José Mayer), com quem vive há 30 anos, feliz da vida. É um passo importante na construção do retrato dos homossexuais na telenovela brasileira, ainda o produto cultural mais consumido no país. E que só gera pano para a manga porque um tal fofoqueiro de internet, Téo Pereira (Paulo Betti), acha que se assumir gay é uma obrigação. Será?

“Personagens afetados, tipos divertidos e figuras extravagantes, sempre habitaram o núcleo de humor das novelas com destaque, são clowns que invariavelmente agradam ao público. Os gays (homens e mulheres)  em sua grande maioria, eram  retratados apenas como exagerados, “fantasiados” e espalhafatosos”, analisa a atriz Suzy Rêgo em conversa por e-mail com o blog. Ela tem uma boa teoria para o sucesso dos personagens homossexuais, atualmente os de maior destaque dentro das tramas da Globo. “Há algum tempo, felizmente, as novelas mostram o que também acontece ao nosso lado, seres humanos com família, trabalho, conflitos, sonhos, problemas, dúvidas, conquistas, felicidades, objetivos, sucesso e alma. Por meio de algumas tramas é possível discutir temas polêmicos e fornecer informação, esclarecimento, reflexão e claro, diversão. E combater as intolerâncias através de uma obra de ficção. Muitas pessoas são preconceituosas por pura ignorância”.

Foi curiosa a reação do público que acompanha a novela nas redes sociais quando ficou claro que Beatriz sabia o tempo todo do romance – de dez anos – entre Cláudio e o bonitão Leonardo (Klebber Toledo). Em termos de telenovela, foi uma bomba – perfeitamente calculada pelo autor, que tem dezoito novelas no currículo. “Pensei na personagem sabendo que ela seria rejeitada, execrada, amaldiçoada… E aceitando o desafio de fazer com que as pessoas mudassem de opinião a respeito dela”, detalha o autor em conversa com QUANTO DRAMA! diretamente de Portugal, onde participa do lançamento de Império, que começa a ser exibida ali em outubro. É o que está acontecendo agora. Beatriz luta por seu homem e por sua família feito uma leoa… E os que a rejeitaram inicialmente começam a agora admirá-la. Não pense que foi fácil impor Beatriz à telespectadora padrão, que é o pavor de todas as pesquisas de opinião sobre a novela. Mas parece que eu consegui.”

É nas sutilezas que estão as grandes qualidades da novela de Aguinaldo Silva. Cláudio Bolgari ganha o público pela cumplicidade que manteve todos esses anos com Beatriz. Não é nada bonito fazer julgamento moral das pessoas da vida real, mas é algo inevitável quando estamos diante da ficção – especialmente de novelas, cujos personagens estão dando a cara a tapa praticamente todos os dias. Neste ponto, vale ressaltar o crucial da trama dos Bolgari em Império: a verdade é sempre louvável, mas até que ponto alguém é obrigado a sair do armário, assumir-se gay (ou, que seja, bissexual)?

Leia também: Os 7 tapas mais doídos das novelas

“Conheci várias Beatriz e convivo com algumas”, revela Aguinaldo. Tenho profunda admiração por essas mulheres que fazem esse tipo de escolha – se apaixonam por um homem que foge ao padrão habitual do marido e, desde que eles as queiram, decidem viver essa opção a qualquer preço. E sinto que elas são felizes. Veja bem, não estou falando das que casam sem saber e quando descobrem que os maridos gostam de homens​ levam um choque terrível (como a personagem de Ângela Vieira citada acima). A história de Beatriz é outra – ela escolheu Cláudio mesmo sabendo da (outra) opção dele.“

No começo da novela, como era de se esperar, a incógnita sobre o que unia Cláudio e Beatriz talvez tenha gerado a incompreensão sobre as atitudes da personagem. Mas mais importante do que tentar imaginar o que o casal faz entre quatro paredes – afinal, eles têm dois filhos biológicos – foi a reação homofóbica de Enrico (Joaquim Lopez) ao descobrir a bissexualidade do pai. Foi forte, e drástico. Mas, sobretudo, humano, quando você pensa na curva dramática do personagem. ”O Enrico tem exibido uma intolerância e intransigência que até os pais desconheciam, e além disso é imaturo e dissimulado profissionalmente. A outra filha, Bianca (Juliana Boller) revelou há pouco que  respeita a orientação sexual de cada um. Jovem e madura. Novela é ‘novelo’ e o nosso está bem enrolado”, pontua Suzy.

Leia também: Dar ou não dar pinta, eis a questão

O núcleo, temperado com numa medida interessante entre o humor do blogueiro rancoroso Téo Pereira e o drama da família Bolgari, que pode se desfazer diante da vida sexual do seu patriarca é assunto para conversas no Twitter, no sofá, nos salões de beleza e até mesmo nos mestrados da vida. Mas nem todos estão dispostos a pescar as sutilezas. “Encaro os comentários com muita satisfação, Beatriz Bolgari é uma personagem muito interessante, marcante, desafiadora e carismática”, observa Suzy. “Tenho recebido muitos cumprimentos pela novela e respeito a opinião das pessoas. Mas o que a grande maioria quer, na verdade, é fazer uma selfie. Simples assim.”

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29/09/2014

às 21:41 \ Maestro, uma nota

“Queria 15 latinhas pra reciclar…”

(Divulgação)

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Cada vez menos visto pelas bandas de Xerém e mais habitué de Santa Teresa, Ismael (Jonas Torres) é um catador de material reciclável  que não quer saber de 15 minutos de fama. “Eu queria é 15 latinhas para reciclar”, disse ele para Vicente (Rafael Cardoso), numa das melhores frases do capítulo desta segunda (29) de Império (GloBo, 21h20).

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