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28/08/2014

às 12:22 \ Folhetinescas

5 mistérios de ‘Império’

Daniel Rocha na sala de maquiagem do Projac: médicos que atenderam o playboy João Lucas na novela não parecem ser tão bons quanto a equipe de caracterização, que vem caprichando no "efeito zumbi" (Reprodução/Instagram)

Daniel Rocha na sala de maquiagem do Projac: médicos que atenderam o playboy João Lucas na novela não parecem ser tão bons quanto a equipe de caracterização, que vem caprichando no “efeito zumbi” (Reprodução/Instagram)

Como toda trama boa, Império (Globo, 21h20) deixa certas coisas no ar. Há pouco mais de um mês da estreia, Aguinaldo Silva parece ter ainda muitas cartas na manga para operar grandes reviravoltas, além da chegada de novos personagens – Adriana Birolli, por exemplo, voltará, como sobrinha da Maria Marta que viveu na primeira fase.

O barulho que ela vai causar é uma expectativa para daqui a mês, mas já há uma boa quantidade de incógnitas para intrigar o telespectador. Veja abaixo cinco  “mistéeeerios” da novela, como diria a Dona Milú (Miriam Pires) de Tieta (1989).

1. DNA

Será que Cristina (Leandra Leal) é mesmo filha de José Alfredo (Alexandre Nero)? Como o comendador não gosta “dessa coisa de DNA”, ficou para depois a prova do principal mistério da novela.

 

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): romance pode não ser tão improvável quanto parece (Divulgação)

Xana Summer (Ailton Graça) e Naná (Viviane Araújo): romance pode não ser tão improvável quanto parece (Divulgação)

2. Preço de banana

De quanto foi o cheque de Maria Marta (Lilia Cabral) que fez Cristina desistir dos direitos de herdeira de José Alfredo? Numa estimativa, parece que foi mixaria: deu para comprar iogurte para o sobrinho, fez escova no salão da Xana (Ailton Graça) e reformou o camelódromo.

3. Walking Dead

É certo que, se tivesse curado rápido, a gente ia reclamar. Mas já não durou tempo suficiente o inchaço no olho de João Lucas (Daniel Rocha)? Na novela acontece tanta coisa, que a impressão é que foi há um ano a surra que o playboy levou de uns bandidos em Santa Teresa.

4. Vera Verão

Afinal, Xana é ou não é gay? Todo o glamour do travesti mais gente fina de Santa Teresa pode não passar de um disfarce – e neste caso, haveria espaço para um romance dele com Naná (Viviane Araújo), o que pode ser muito divertido.

Beatriz (Suzi Rego) encontra Léo (Klebber Toledo), o amante de seu marido: com esse figurino, amiga, fica difícil competir (Divulgação)

Beatriz (Suzi Rego) encontra Léo (Klebber Toledo), o amante de seu marido: com esse figurino, amiga, fica difícil competir (Divulgação)

5. Cosplay

Por que caracterizaram Suzi Rego no “estilo presidente Dilma Roussef”? O penteado e figurino de Beatriz, mulher de Cláudio Bolgari (José Mayer) é tão chocante quanto a compreensão que ela demonstra ter diante da homossexualidade reprimida do marido.

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27/08/2014

às 13:02 \ Eu faço drama

Dar ou não dar pinta, eis a questão

Leonardo (Klebber Toledo) rompe acordo com Téo Pereira (Paulo Betti) e diz que não vai entregar provas do relacionamento com Cláudio (José Mayer)

Leonardo (Klebber Toledo) rompe acordo com Téo Pereira (Paulo Betti) e diz que não vai entregar provas do relacionamento com Cláudio (José Mayer)

Todas as noites, nos sofás espalhados pelo país, os noveleiros que acompanham Império (Globo, 21h15) se dividem entre os que acham que Paulo Betti exagera na composição desmunhecada do blogueiro fofoqueiro Téo Pereira e os que sabem há mesmo gays por aí tão, digamos, performáticos quanto ele.

Os que não concordam podem, claro, argumentar que não é possível que alguém passe o dia todo destilando veneno com tamanha frescura. Mas quem disse que o que vemos na novela são as 24 horas de vida de alguém? Há que se considerar que nas cenas, Téo tem sempre uma plateia – de pelo menos uma criatura que seja, a foca-capacho Érika (Letícia Birkheuer) –, que está lá para justificar o show, sempre recheado de frases de efeito, muito bico e o dedilhar com a ponta dos dedos no teclado. O leitor deve conhecer pelo menos um tipo como esse, que parece fazer de sua existência um musical de Bibi Ferreira.

A mando de Téo Pereira (Paulo Betti), Robertão (Rômulo Neto) se aproxima de Léo (Klebber Toledo) em busca de provas contra Cláudio (José Mayer)  (Divulgação)

A mando de Téo Pereira (Paulo Betti), Robertão (Rômulo Neto) se aproxima de Léo (Klebber Toledo) em busca de provas contra Cláudio (José Mayer) (Divulgação)

A discussão em torno do personagem é pertinente não exatamente por ele ser ou não um retrato fiel de algum gay real, mas porque está inserido numa trama que se move a partir de uma dúvida moderna cruel: dar ou não dar pinta?

Neste sentido, há algo especial na composição de Téo Pereira: no que diz respeito  à homossexualidade, ele é o mais verdadeiro entre os tantos gays da novela de Aguinaldo Silva, mesmo tendo um caráter duvidoso e ser, sim, um estereótipo. A divina Xana Summer (Ailton graça) é, sem dúvida, uma heroína, mas ainda tem uma sexualidade misteriosa para o público – se bobear, é um malandro escondido sob a purpurina da cabeleireira e ainda vai ter um caso com Naná (Viviane Araújo).

Já o fofoqueiro ressentido é uma espécie de “vilão com razão” que se opõe ao “mocinho” Cláudio Bolgari. O personagem de José Mayer finge ser heterossexual, com o apoio da mulher, Beatriz (Suzi Rego) – outra que intriga os telespectadores, com sua conduta mais do que compreensiva. Discreto, Cláudio tem o refinamento que a profissão de cerimonialista exige, e mesmo tendo mantido um caso com Leonardo (Klebber Toledo) durante dez anos, diz com todas as letras que não é gay. Téo não aguenta tamanha desfaçatez, consome-se em faniquitos. Certo, vá lá, Cláudio não está. Mas a vida é assim: dá pinta e sai do armário quem quer.

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25/08/2014

às 22:35 \ Eu vejo novela

Maria Marta se apodera do hit de Porcina em ‘Império’

Dona de quê?: Depois de chorar de felicidade durante a noite, Maria Marta (Lilia Cabral) ouviu José Alfredo (Alexandre Nero) chamar pela amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) (Divulgação)

Dona de quê?: Depois de chorar de felicidade durante a noite, Maria Marta (Lilia Cabral) ouviu José Alfredo (Alexandre Nero) chamar pela amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) (Divulgação)

Sucesso como tema da Viúva Porcina (Regina Duarte) de Roque Santeiro em 1985, Dona, da dupla Sá & Guarabira, em nova versão do grupo Roupa Nova, volta a embalar um amor exagerado  numa novela das 9. No capítulo de Império exibido nesta segunda (25), a música tocou pela primeira vez para o casal Maria Marta (Lilia Cabral) e José Alfredo (Alexandre Nero), que tiveram uma noite de amor improvisada após ele chegar bêbado em casa.

Com uma letra que fala sobre uma mulher poderosa e conquistadora de corações, a canção não trouxe, entretanto, sorte para a vilã, cujo ponto fraco é o amor que sente pelo marido. Ao acordar pela manhã, ela foi obrigada a ouvi-lo balbuciar “my sweet child”, o apelido da jovem amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa). “Eu vou comer sua sweet child viva”, ameaçou ela, já especulando sobre uma eventual acne na pele da ninfeta.”Morra, que 50% da sua fortuna virá para o meu bolso”, tripudiou, quando ele disse que estava passando mal.

Depois de falar o que quis, ela ouviu o que mal poderia aguentar: o ex-marido admitiu que está apaixonado pela amante. E não cabia mais tocar Dona – o que se ouviu a seguir foi apenas um piano discreto para a melancólica Over The Rainbow.

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25/08/2014

às 14:29 \ É página virada

Lucinha e Carlão se reencontram em ‘Boogie Oogie’

Como Carlão e Lucinha, Francisco Cuoco e Betty Faria formavam o casal sensação da TV nos tempos retratados em 'Boogie Oogie' (Divulgação)

Como Carlão e Lucinha, Francisco Cuoco e Betty Faria formavam o casal sensação da TV nos tempos retratados em ‘Boogie Oogie’ (Divulgação)

Uma cena aparentemente despretensiosa, mas carregada de simbolismo foi ao ar na última quinta (21) em Boogie Oogie: a madame pra frentex Madalena tocou, por engano, a campainha da casa do personagem mais rabugento da novela, Vicente. Cheio de resmungos e com boa dose de humor, o encontro é uma homenagem do autor Rui Vilhena ao casal ícone da telenovela dos anos 70, Betty Faria e Francisco Cuoco, e a única conclusão possível é que os personagens ainda terão um romance.

Ao tocar a campainha errada, Madalena (Betty faria), conheceu Vicente (Francisco Cuoco): Lucinha e Carlão de 'Pecado Capital' mandam lembranças (Reprodução)

Ao tocar a campainha errada, Madalena (Betty faria), conheceu Vicente (Francisco Cuoco): Lucinha e Carlão de ‘Pecado Capital’ mandam lembranças (Reprodução)

A sequência remete ao casal Lucinha e Carlão de Pecado Capital, sucesso que Janete Clair escreveu em 1975 – três anos, portanto, antes do momento em que se passa Boogie Oogie. Atrevidos e charmosos, os personagens destoavam dos “namoradinhos do Brasil” que costumavam estrelar as novelas. Lucinha era uma operária ambiciosa e muito bonita, que ascendia socialmente ao se tornar modelo. Noiva de Carlão, taxista suburbano e ciumento, ela quase enlouqueceu o homem ao bater na tecla de que precisava mudar de vida, ainda mais quando se envolveu com o viúvo rico  Salviano Lisboa (Lima Duarte). Nesse contexto, embalada por Paulinho da Vila cantando que “dinheiro na mão é vendaval”, a história começava com um assalto a banco e uma mala cheia de notas esquecida no banco do táxi.

E pensar que um dos maiores sucessos da teledramaturgia nacional foi produzido às pressas. Naquele ano, a censura deixou a Globo em maus lençóis quando proibiu integralmente Roque Santeiro, de Dias Gomes, que teria Betty como Viúva Porcina e, veja que coisa, Couco como Roque. Janete correu e tirou Pecado Capital da cartola, mantendo boa parte do elenco da produção censurada. Cuoco ganhou, então, mais um grande personagem da autora de Selva de Pedra (1972), da qual ele foi o protagonista Cristiano. Mais tarde, em 1978, ela voltaria a escrever um sucesso para o seu ator preferido, o Herculano Quintanilha de O Astro.

Abaixo, antes das muitas cenas que ainda virão de Betty e Cuoco em Boogie Oogie, um momento especial de Pecado Capital: Lucinha volta para casa de carona com o bonitão Nélio Porto Rico (Dennis Carvalho) e provoca a ira de Carlão. “Volta aqui, seu bochecha mole!”, diz ele, após dar uns sopapos no oponente, que foge a mil no fusquinha.

 

22/08/2014

às 11:52 \ Folhetinescas

Os 7 acertos de ‘Império’

Entre charmoso e cafona, Alexandre Nero brilha como o protagonista José Alfredo (Divulgação)

Entre charmoso e cafona, Alexandre Nero brilha como o protagonista José Alfredo (Divulgação)

Sem rodeios: Império fez por merecer e pegou. Há um mês no ar, a trama de Aguinaldo Silva conseguiu recuperar parte da audiência na faixa das 9 e reconquistou os telespectadores que costumam se manifestar pelas redes socais. “Diante dessa unanimidade, eu me pergunto: onde foi que eu errei?”, brincou o autor, que mantém contato direto com os fãs e críticos pelo Twitter e Facebook.

Bem escrita, dirigida e interpretada, a novela não pode escapar de ser comparada a Avenida Brasil, o último grande sucesso de público e crítica da Globo. No primeiro mês, a trama de João Emanuel Carneiro marcou média de 36 pontos no Ibope. Império fecha o período com média de 34 pontos, marca ligeiramente menor, mas há que considerar que ela recebeu o horário de Em Família, de Manoel Carlos, com 30 pontos de média geral. Em 2012, vale lembrar, Avenida Brasil sucedeu Fina Estampa, também de Aguinaldo, que deixara 39 pontos de média.

É justificado, portanto, o entusiasmo que cerca a novela, uma reinvenção cuidadosa do autor, que tem muito a ver com os bons tempos de Tieta (1989) e Pedra sobre Pedra (1992). E já que está dando tudo certo, cabe falar dos sete acertos – em vez dos erros – da novela. Confira abaixo alguns pontos que fazem de Império um sucesso:

1. Trama de fases

Contar a novela em dois tempos é um recurso que vem sendo usado pelas tramas das 9 ininterruptamente desde Avenida Brasil, de 2012. Depois dela, vieram Salve Jorge, Amor à Vida, Em Família e, agora, Império. A estratégia é boa porque além de proporcionar quase um relançamento na passagem para os dias atuais, funda bases sólidas na composição dos personagens, como aconteceu agora com José Alfredo (Chay Sued/Alexandre Nero), Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli), Cora (Marjorie Estiano/Drica Moraes) e Maria Marta (Adriana Birolli/Lilia Cabral).

Maria Marta (Lilia Cabral)  dá as cartas em 'Império' (Reprodução)

Maria Marta (Lilia Cabral) dá as cartas em ‘Império’ (Reprodução)

2. Vilãs aos baldes

Um autor pode – e até deve – arriscar-se numa história sem vilão muito bem definido. Mas terá muito mais dificuldade para chegar ao coração do público. E com toda sua inspiração medieval, Império não poderia prescindir de um balde de maldades. Por isso, a novela abriu espaço para duas vilãs de grande porte: Cora (Drica Moraes), a pobre, e Maria Marta (Lilia Cabral), a milionária. Os encontros das duas são deliciosos de ver.

3. Xana Summer e Naná

Há uma galeria enorme de travestis que fizeram sucesso nas novelas. É o tipo de personagem que o público adora, quando é oportunidade para um ator mostrar seus recursos.  No caso de Xana Summer, defendido com leveza por Ailton Graça, o resultado não poderia ser melhor. E, para completar, foi muito acertada a escolha de Vivianne Araújo para companheira de cena dele, como a manicure Naná. Vale citar, ainda, as cenas dela com Juliane Popular (Cris Vianna), rainha de bateria que vive uma história inspirada no seu relacionamento com o cantor Belo. “Força amiga”, disse Naná para Juliane outro dia, diálogo entre ficção e realidade.

4. Imperador

No centro de uma trama simples, de reconhecimento de paternidade e disputa por herança, Alexandre Nero pegou o protagonista José Alfredo de jeito e consegue ser ao tempo charmoso e cafona.

5. Brokeback Mountain

Como já citei aqui, o romance entre o cerimonialista enrustido Cláudio (José Mayer) e o jovem aspirante a ator Leonardo (Klebber Toledo) é um bolero tragicômico bem temperado com a maldade do blogueiro língua-de-trapo Téo Pereira (Paulo Betti)

6. Desfrute

A novela não chega a ser das mais salientes.  Mas sabe sugerir. Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), amante de José Alfredo que vive enclausurada numa espécie de torre, dá show diário à la Victoria’s Secret. E, como é preciso agradar a todos, Robertão (Rômulo Arantes Neto) deu para se sustentar fazendo striptease em domicílio.

7. Dial

Uma trilha com músicas de respeito, e não sucessos grudentos, é um dos atalhos para cair no gosto do público. Desde a estreia, a playlist da novela só colhe elogios nas redes sociais, misturando de Beatles a Cartola.

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20/08/2014

às 15:47 \ Eu faço drama

Cheio de mimimi, mocinho prejudica ‘Boogie Oogie’

No capítulo desta quarta (20), Rafael (Marco Pigossi) dá carona a Márcia (Christiana Guinle), após saber que a enfermeira trocou Vitória (Bianca Bin) na maternidade (Divulgação)

No capítulo desta quarta (20), Rafael (Marco Pigossi) dá carona a Márcia (Christiana Guinle), após saber que a enfermeira trocou Vitória (Bianca Bin) na maternidade (Divulgação)

Em 1978 ainda não havia o termo, mas é cheia de mimimi a história de Rafael (Marco Pigossi) em Boogie Oogie. Há três semanas no ar, a novela das seis da Globo mostrou que tem como pontos fortes a boa reconstrução de época, figurinos e personagens promissores, além da deliciosa trilha sonora, mas é enfraquecida por um trio de protagonistas pouco carismáticos.

Isso nada tem a ver com atores escalados, mas com o que move os jovens personagens naqueles anos difíceis da virada para os anos 80. Vitória, interpretada por Bianca Bin, é o estereótipo da patricinha – ou, melhor, coquete – e tem a função de ser quase insuportável. Sandra (Isis Valverde), que poderia ser a heroína batalhadora, derrapou em alguns momentos decisivos, e tem argumentos fracos para suas reivindicações, como quando cobra indenização pela morte do noivo, Alex (Fernando Belo), a Fernando (Marco Ricca). Se o empresário é pai da noiva do piloto do avião que atingiu Alex, como responsabilizá-lo pelo acidente?

Alex, aliás, parecia ser o verdadeiro herói da novela, mas morreu logo no primeiro capítulo, tentando salvar o mocinho romântico, Rafael (Marco Pigossi). Confuso, o piloto é o protagonista, mas só faz lamentar uma série de infortúnios. A melancolia dele começou bem antes, quando seus pais morreram no incêndio do Edifício Joelma, em 1974 no centro de São Paulo. A tragédia o levou a morar no Rio, e o afastou de uma tal namorada, cuja lembrança ele guarda numa caixa cheia de cartas, fotos e tais.

Com esse amor todo no fundo de uma gaveta, ele começou a história prestes a ficar noivo de Bianca, a pedido de sua tia, Cristina (Fabíula Nascimento). Um dia antes do acidente,porém, deu de cara com Sandra na rua, vestida de noiva, e declarou-se apaixonado pela desconhecida: “Desista do seu casamento”, arriscou. Seria um rompante romântico adorável não tivesse ele cedido à pressão da tia. Ela vê no casamento com Bianca uma oportunidade de melhorar de vida, e exigiu que ele oficializasse o pedido de casamento porque já havia feito o carnê para a compra das alianças. Como acreditar num mocinho que cede a um argumento desse tipo?

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19/08/2014

às 20:14 \ Fotonovela

Fatinha reforça temporada ‘Malhação’

Fatinha (Juliana Paiva) aparece grávida na Ribalta e relembra os tempos de Misturama (Divulgação)

Fatinha (Juliana Paiva) aparece grávida na Ribalta e relembra os tempos de Misturama (Divulgação)

Personagem mais popular dos últimos tempos em Malhação (Globo, 17h50), Fatinha (Juliana Paiva) volta direto da temporada de 2012 para a atual, numa visita surpresa ao tiozão Nando (Léo Jaime). O pretexto é convidar o roqueiro para ser padrinho dos filhos gêmeos que ela espera – lembremos que a vilã regenerada terminou feliz ao lado de Bruno (Rodrigo Simas).

Como costumava acontecer nos seus tempos de protagonista, Fatinha cria confusão em sua passagem pela escola de artes Ribalta, onde se passa a trama atual. A personagem, também como sempre, encerrará a cena requebrando até o chão.

A atriz, que após Malhação protagonizou a novela das sete Além do Horizonte no ano passado, contou que reviu os episódios para voltar a encarnar Fatinha. “Fiquei rindo sozinha enquanto assistia. Resgatei algumas coisas, mas é importante lembrar que o tempo passou para ela. Apesar de manter a mesma energia, ela agora é mãe”, explicou.

As cenas vão ao ar em 10 de setembro.

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18/08/2014

às 14:07 \ Fotonovela

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Quanto drama, Cláudio!: cerimonialista interpretado por José Mayer tenta impedir que o amante, Leonardo (Klebber Toledo) revele o  romance (Divulgação)

Quanto drama, Cláudio!: cerimonialista interpretado por José Mayer tenta impedir que o amante, Leonardo (Klebber Toledo) revele o romance (Divulgação)

Com José Mayer como drama queen, o “segredo de Brokeback Mountain” de Império (Globo, 21h15) se desenvolve com uma janela para a tragédia e outra para a comédia. Como no filme de Ang Lee, vencerdor do Oscar de direção e roteiro adaptado em 2006, assumir-se é a questão central, carregada de muitas lágrimas, ansiedade e cobranças. Mas a presença do fofoqueiro Téo Pereira (Paulo Betti), como um vilão de desenho animado cheio de trejeitos, proporciona uma outra percepção da trama de Aguinaldo Silva – a de quanto o teatro social dos personagens é ridículo.

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Téo Pereira (Paulo Betti) expõe o lado ridículo do drama gay de Cláudio Bolgari (José Mayer) em ‘Império’ (Divulgação)

A novela discute o direito de permanecer no armário, mas o autor evita apresentar Cláudio Bolgari (José Mayer) como vítima. Ainda que ele tenha total direito de viver a vida como quiser, não deixa de parecer covarde sua atitude como quando fotografado por Érika (Letícia Birkheuer) e exposto como beijoqueiro no blog de Téo. Todo trabalhado no ressentimento, Leonardo tampouco merece a simpatia do telespectador, já que depois de dez anos como teúdo e manteúdo deu para armar vingança por meio da imprensa especializada em celebridades.

No capítulo desta segunda (18), os amantes protagonizam mais um barraco no meio-fio, quando Cláudio chega ao apartamento de Leonardo e descobre que ele trocou a fechadura. O cerimonialista tenta impedir que ele fale com a imprensa sobre o romance dos dois. Fora de controle, o jovem amante grita que foi tratado como escravo durante anos. Acuado mais uma vez, Cláudio vai embora envergonhado, quem sabe chorar no colo da esposa fiel, Beatriz (Suzy Rego).

Com um casal desse tipo, o autor não deixa outra alternativa ao telespectador senão aquele “bem-feito!” a cada alfinetada que Cláudio leva de Téo no blog – entre outros motivos, porque assumir a homossexualidade e o relacionamento de tanto tempo com Leonardo seria prova de caráter para o cerimonialista. Não é o mesmo tipo de julgamento que os atingidos pelas fofocas da vida real costumam ter? Sorte do blogueiro, que vai bater recorde de cliques.

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15/08/2014

às 15:51 \ É página virada

José Alfredo aprendeu inglês em Greenville

Oxente, my God!: JOsé como certo tipo de brasileiro, Alfredo (Alexandre Nero) usa o inglês para mostrar que subiu na vida (Divulgação)

Oxente, my God!: JOsé como certo tipo de brasileiro, Alfredo (Alexandre Nero) usa o inglês para mostrar que subiu na vida (Divulgação)

Nada se sabe do passado mais distante do comendador José Alfredo (Alexandre Nero) em Império (Globo, 21h15), além dos tempos em que ele era interpretado por Chay Suede. Mas é certeza que foi entre uma fase e outra da trama que ele aprendeu a meia dúzia de expressões em inglês do seu vocabulário cotidiano. O hábito tem a ver com sua ascensão social e também com o jeito um tanto pernóstico de demonstrá-la, como já explicou Aguinaldo Silva em seu blog.

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Daí as expressões que o empresário de origem humilde mistura ao sotaque pernambucano – xingamentos, em geral, além do apelido carinhoso da amante Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), a “sweet child”. É um charme especial do personagem, ainda mais se o noveleiro fantasiar que José Alfredo bem que poderia ter estudado em uma escola de inglês de Greenville, a cidade fictícia de A Indomanda. Na novela de 1997, também de Aguinaldo, o povo misturava sotaque nordestino com termos em inglês, herdados da colonização inglesa. O que resultava em bordões como “oxente, my God!” e “tudo all right!”, que se tornaram populares na boca da vilã Altiva (Eva Wilma).

Abaixo uma das cenas mais emblemáticas da novela, quando Altiva, seguida por um exército de beatas, tenta impedir o casamento da prostituta Dinorah (Carla Marins) com Sérgio Murilo (Cássio Gabus Mendes):

14/08/2014

às 14:24 \ Folhetinescas

As mentiras mais esfarrapadas das novelas

Cláudio (José Mayer) se desespera ao ver o post maldoso no blog de Téo Pereira (Paulo Betti), em 'Império': tudo não passou de teatro, de acordo com a lorota contada por Beatriz (Suzy Rego) a Enrico (Joaquim Lopes) (Divulgação)

Cláudio (José Mayer) se desespera ao ver o post maldoso no blog de Téo Pereira (Paulo Betti), em ‘Império’: tudo não passou de teatro, de acordo com a lorota contada por Beatriz (Suzy Rego) a Enrico (Joaquim Lopes) (Divulgação)

Tem gente que mente bem e descaradamente, gente que mente mal por ter boa índole e, a partir do capítulo de ontem de Império (Globo, 21h15), gente que mente como o casal Beatriz (Suzi Rego) e Cláudio Bolgari (José Mayer), ou seja, do jeito mais canastrão possível.

Apanhados pelo filho Enrico (Joaquim Lopes) numa agitação danada, depois de Cláudio ter um chilique por causa do último post do fofoqueiro Téo Pereira (Paulo Betti), os dois se apressaram a inventar: “Era teatro. Estávamos lembrando uma peça que encenamos quando éramos jovens”, arriscou a mãe, quem sabe pensando que falava com o Enrico de cinco anos de idade.

Os pais tentavam esconder do filho que Cláudio fora flagrado beijando Leonardo (Klebber Toledo) num meio-fio qualquer de Copacabana, após uma briga no apartamento do jovem amante. Dizer que agitação toda por causa da bomba publicada pelo blogueiro venenoso não passava de uma encenação nostálgica é, obviamente, um gracejo do autor Aguinaldo Silva. Enrico fingiu acreditar – o que fez os noveleiros questionarem sua inteligência nas redes sociais – mas não deve demorar a descobrir a verdade. Será o pior crítico da homossexualidade de Cláudio.

A sequência de Império faz lembrar que Aguinaldo Silva é bom em desculpas esfarrapadas. A melhor da história das novelas é, sem dúvida, a que Perpétua (Joana Fomm) contou para se livrar de uma situação embaraçosa em Tieta (1989). Veja abaixo uma lista com cinco das mentiras mais deslavadas da teledramaturgia:

1. “Me acuda, estou cega!”

Determinada a descobrir a identidade do amante da irmã, Tieta (Betty Faria), Perpétua acaba surpreendendo seu filho, Ricardo (Cassio Gabus Mendes), na cama dela. Petrificada, pensa um segundo, e sai gritando “Não estou vendo nada! Não sei o que houve com as minhas vistas quando abri aquela porta!”

(* a partir de 6:56)

2. “Foi um assalto!”

Vítima de uma armação de Bebel (Camila Pitanga), Olavo (Wagner Moura) é algemado na cama do Hotel Duvivier por Betina (Deborah Secco), em Paraíso Tropical (Gilberto Braga e Ricardo Linhares, 2007). Flagrado pela noiva, Alice (Guilhermina Guinle), ele tenta fazer colar a hipótese de assalto.

 

Clara (Mariana Ximenes) e Totó (Tony Ramos), em 'Passione' (2010)

Clara (Mariana Ximenes) e Totó (Tony Ramos), em ‘Passione’ (2010)

3. “Eu só quero fazer um curso de artes…”

Só mesmo a paixão mais cega pode justificar a bananice de Totó (Tony Ramos) diante das mentiras de Clara (Mariana Ximenes) em Passione (Silvio de Abreu, 2010). Para convencê-lo a assinar uma procuração que dava poderes a Fred (Reynaldo Gianecchini) sobre sua herança no Brasil, a golpista disse que precisava do aval dele na matrícula de um curso de artes em Florença. Por que desconfiar, não é mesmo?

 

 

 

Théo (Ricardo Lombardi) e a seringa da discórdia em 'Salve Jorge' (2013)

Théo (Ricardo Lombardi) e a seringa da discórdia em ‘Salve Jorge’ (2013)

4. “Eu uso para misturar uns cremes…”

A seringa de conteúdo letal que Lívia (Cláudia Raia) usava em Salve Jorge (Glória Perez, 2013) foi quase um personagem da novela, tamanha a repercussão das cenas em que foi objeto central. Quando viu a arma na bolsa da vilã e quis saber do que se tratava, Théo (Ricardo Lombardi) ouviu a segunte lorota: “Eu uso para misturar uns cremes”, disse ela, valendo-se da pele de pêssego de Claudia Raia para validar a mentira.  (Veja aqui, na cena 15)

 

 

 

 

Novela mexicana contada por Carminha (Adriana Esteves) amoleceu o coração de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil (2012) (Divulgacão)

Novela mexicana contada por Carminha (Adriana Esteves) amoleceu o coração de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil (2012) (Divulgacão)

5. “Eu fui estuprada, Tufão”

Em Avenida Brasil (2012), quando veio à tona que ela abandonara o filho Jorginho (Cauã Reymond) no lixão da Mãe Lucinda (Vera Holtz), Carminha (Adriana Esteves) invetou uma verdadeira novela mexicana para convencer Tufão (Murilo Benício) de que a vítima era ela. “Cresci sentindo o cheiro do lixo, da pobreza, da necessidade! Eu fui estuprada, Tufão! Por um motorista de ônibus… Eu era virgem… Uma menina e virgem!””, relatou, numa interpretação digna de Gabriela Spanic em A Usurpadora. (Veja aqui, na cena 26)

 

 

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