Blogs e Colunistas

06/03/2015

às 0:45 \ Eu faço drama

‘Tá no Ar’ faz paródia de entrevista de Suzane a Gugu

Jardim Ugente entrevistou "criminosa" com exclusividade no 'Tá no Ar': disputa pela audiência fez a Globo esticar o 'BBB' nesta quinta (5)

Jardim Ugente entrevistou “criminosa” com exclusividade no ‘Tá no Ar’: disputa pela audiência fez a Globo esticar o ‘BBB’ nesta quinta (5)

“Nós trabalhamos na Globo, mas não concordamos com tudo o que ela faz”, disse o aviso surreal no começo do Tá no Ar na noite desta quinta (5). Uma dessas “coisas” poderia ser, por exemplo, esticar o BBB e mandar o programa para depois da meia-noite, para não facilitar a nova vida do Gugu na Record – mas maltratando quem espera pelo humorístico. Depois de uma interminável “espiadinha” na sequência da prova do líder, Marcius Melhem e Marcelo Adnet revelaram ser os personagens que apareceram montando a estrutura no quintal da casa – no palco com Pedro Bial, emendaram BBB no Tá no Ar.

Mas apesar da guerra de audiência, o humorístico não deixou por menos, e apresentou para os espectadores mais resistentes um de seus melhores episódios. O ponto alto foi a entrevista exclusiva de Jorge “Foca em Mim” Beviláqua (Welder Rodrigues), do quadro Jardim Urgente, com uma criminosa mirim interpretada por Giovanna Rispoli. Segundo o apresentador, ela foi presa após chocar os pais com um ato “bárbaro”: matar aula de matemática. Com todos os trejeitos da entrevista com Suzane von Richtthofen que marcou a estreia do Programa do Gugu na semana passada, a “reportagem” trouxe a revelação de que se tratou de um crime passional. “Ué, normal”, disse, com frieza. Ao ser questionada sobre “as consequências dos seus atos”, ela resumiu de maneira brilhante: “É o senhor estar aqui me explorando.”

Antes da entrevista bombástica, outro momento muito bom foi o ‘Vingança dos Famosos’, no qual Marcos Caruso, Ciça Guimarães, Regina Duarte e Fernanda Paes Leme aparecem perseguindo anônimos. Mas até a faixa musical do “Silvio’s greatest songs”, com Adnet imitando o “patrão” cantando Estoy Aquí de Shakira, foi imperdível.

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05/03/2015

às 13:27 \ Folhetinescas

7 Melgaços absurdos

No capítulo desta quinta, José Alfredo (Alexandre Nero) confronta o primogênito, José Pedro (Caio Blat): Comendador tenta desvendar a identidade de seu inimigo oculto número 1, Fabrício Melgaço (Divulgação)

No capítulo desta quinta (4) de ‘Império’, José Alfredo (Alexandre Nero) confronta o primogênito, José Pedro (Caio Blat): Comendador tenta desvendar a identidade de seu inimigo oculto número 1, Fabrício Melgaço (Divulgação)

Já escrevi aqui que em novela tudo pode acontecer e, no afã de apresentar uma solução surpreendente para determinado mistério, um autor de novela muitas vezes busca saídas estapafúrdias. Não parece ser o caso de Fabrício Melgaço, inimigo oculto número um de José Alfredo (Alexandre Nero) que o público de Império (Globo, 21h15) tenta adivinhar quem é – afinal, o oponente de um homem tão poderoso não pode ser qualquer um.

Mas e se for alguém acima de qualquer suspeita ou que não tenha motivo até então aparente para querer atazanar tanto o Comendador? A dúvida agita os últimos capítulos da novela, que termina na próxima semana. Após da divulgação da informação, pelo site oficial, de que José Pedro (Caio Blat) era o grande vilão, o autor Aguinaldo Silva contou ao blog que sairia em busca de um outro personagem para o posto – agora, o final já está escrito.

O QUANTO DRAMA! faz sete apostas improváveis porque vai que…

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04/03/2015

às 21:13 \ Maestro, uma nota

‘Ninguém vê que eu sou a mocinha!’

Samantha (Cláudia Raia) será internada num manicômio nos próximos capítulos de 'Alto Astral' (Divulgação)

Samantha (Cláudia Raia) será internada num manicômio nos próximos capítulos de ‘Alto Astral’ (Divulgação)

Com uma história central fraca e outras tramas secundárias um tanto rocambolescas demais, Alto Astral (Globo, 19h30) só empolga quando a Samantha de Cláudia Raia está em cena. Com pose de estrela e um texto com boas piadas, além de se meter em confusão por causa de seus dotes mediúnicos, a personagem costuma fazer referências divertidas à carreira da própria atriz. No capítulo desta quarta (4), chateada com os mimos que a irmã linda e malvada Kitty (Maitê Proença) vem recebendo desde que voltou do exterior, ela insistiu que não está deprimida. “É que ninguém vê que eu sou a mocinha da história”, lamentou ela, lembrando a Donatella de A Favorita (2008).

A novela de João Emanuel Carneiro fez longo suspense sobre a identidade da vilã, uma dúvida entre a personagem de Cláudia e a Flora de Patrícia Pillar.

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03/03/2015

às 14:21 \ Fotonovela

Débora Falabella quer ver o circo pegar fogo na volta de ‘As Canalhas’

Débora Falabella é a ambiciosa palhaça Julieta no primeiro episódio de 'As Canalhas', nesta terça (3) no GNT (Páprica Fotografia/Divulgação)

Débora Falabella é a ambiciosa palhaça Julieta no primeiro episódio da série ‘As Canalhas’, no ar nesta terça (3) no GNT (Páprica Fotografia/Divulgação)

Julieta, como a Massina de Fellini, quer apenas “ser palhaça e ser feliz”. Mas como o destino não anda lhe dando sopa, cega pela ambição, ela resolve que é o caso de usar de certa canalhice para fazer as coisas andarem – em resumo, ser feliz é chegar ao centro do cartaz, como principal atração do Circo Magalhães. No primeiro episódio da terceira temporada de As Canalhas, que volta ao GNT nesta terça, às 22h30, uma irreconhecível Débora Falabella quer ver o circo pegar fogo, claro que com menos bizarrice que os personagens do Freak Show de American Horror Story, mas com tanta fúria quanto.

Julietta Massina, a palhacinha (nada canalha, que fique claro) de Fellini (Divulgação)

Julietta Massina, a palhacinha (nada canalha, que fique claro) de Fellini (Divulgação)

Preocupado com o futuro da companhia, o proprietário Magalhães (Anselmo Vasconcellos) anuncia que o cartaz de divulgação terá no centro, em grande destaque, a foto da atração que tiver mais “likes”. “Hoje é tuíte, chat, chato. Temos que nos adaptar”, diz. Julieta sai, então, sabotando os colegas. Mas que quanto mais acidentes acontecem e bizarro o circo parece, mais curtidas eles conseguem nas redes sociais.

Produzida pela Migdal Filmes, com direção-geral de Vicente Amorim e roteiro de Marton Lympio, a série está entre as melhores da boa safra de ficção que o GNT vem levando ao ar nos últimos anos, num ganho valioso para o nosso mercado audiovisual. O formato traz uma personagem central em cada um dos 13 episódios, que contam histórias incomuns de mulheres que trapaceiam nas mais diversas situações – e com muito charme. A ideia central é que os “homens podem ser mais canalhas em quantidade, mas as mulheres sabem ser com muito mais qualidade”.

Além da produção bem cuidada, do roteiro lapidado e do desfecho sempre surpreendente, o programa tem o mérito de escalar atores que aparecem menos na TV aberta do que merecem e atrizes famosas para papéis desafiadores – caso de Débora, por exemplo. Na nova temporada, estarão em cena, além dela, Helena Ranaldi (Amanda), Mônica Torres (Arlete), Thaila Ayala (Danielle), Camila Amado (Esther), Julia Rabello (Fátima), Leticia Lima (Gracinha), Juliana Lohmann (Karen), Viviane Pasmanter (Lilian), Bel Kutner (Maria da Silva), Paloma Bernardi (Marta), Roberta Rodrigues (Sônia), Juliana Didone (Tatiana).

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02/03/2015

às 11:54 \ Folhetinescas

Quem merece ser Fabrício Melgaço?

Maria Marta (Lilia Cabral) e Silviano (Othon Bastos): parceiros de vida e de golpes? (Divulgação)

Maria Marta (Lilia Cabral) e Silviano (Othon Bastos): parceiros de vida e de golpes? (Divulgação)

Depois de fazer um cancioneiro com alguns ícones de sua carreira, como a “morte escada abaixo” que sempre evoca a Nazaré de Senhora do Destino, o Aguinaldo Silva vai encerrar Império (Globo, 21h15) na próxima semana de um jeito diferente. Em vez de um “quem matou?” ou “quem morreu?” ou “quem vai ficar com quem?”, a pergunta no ar é “quem é Fabrício Melgaço?”, o inimigo oculto número um do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero). Do ex-mordomo e ex-marido da ex-mulher Silviano (Othon Bastos) à antes filha preferida Maria Clara (Andreia Horta), havia muitos suspeitos na semana passada.

Até que, na tarde da última sexta (27), o site oficial da novela alardeou ter desvendado o mistério: mal o autor entregara o texto que – aparentemente – revela ser José Pedro (Caio Blat) a pedra no sapato preto do comendador, lá estava toda a história publicada, no melhor estilo “fogo amigo”. As cenas estão previstas para o capítulo desta terça (3) e prometem – até a palavra “regicida” será proferida quando o Comendador encontrar o diamante cor-de-rosa no cofre do filho.

Ao QUANTO DRAMA!, o autor Aguinaldo Silva se disse “bege” com o spoiler. “Agora fico eu aqui, com cara de tacho… E tentando achar um jeito de reverter a situação nos dois últimos capítulos que ainda falta escrever, desativando José Pedro e achando um novo Fabrício Melgaço. Tarefa quase impossível, mas enfim…”, disse ele, que ainda escreve os dois últimos capítulos, a serem exibidos nos dias 12 e 13.

Como espectadora, embora entenda a busca dos colegas pelo furo de reportagem, digo que é uma pena. O José Pedro de Caio Blat seria o Fabrício Melgaço perfeito. Quem sabe ainda não venha a ser.

O noveleiro experiente sabe que, nesses casos, não é incomum que, na tentativa de manter o suspense ao máximo, os autores apareçam com as soluções menos prováveis e, justamente por isso, menos apoteóticas. Numa dessas, a batata quente pode parar nas mãos de algum personagem que não merece tal projeção – como se, de repente, o jornaleiro ali da pracinha revelasse ser o grande vilão da história.

Com Fabrício Melgaço não pode ser assim. O homem (ou mulher) precisa ser tinhoso, para ter esticado tanto a corda com o Comendador que reinou na TV nestes últimos meses. É um posto, portanto, de merecimento. E Caio e o seu José Pedro mais do que mereciam esse posto. Mas, alto lá. E se a dita cena divulgada for falsa? E se tudo não passar de uma cortina de fumaça criada pelo autor?

Por tudo isso, as apostas do blog são poucas, ainda na espera de um Melgaço osso duro de roer:

Maria Marta (Lilia Cabral)

A Madonna da novela vem apanhando de José Alfredo com uma dignidade monárquica, porém suspeita. Como aceitar ser trocada por Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) – lembremos a cena em que a pobre imperatriz quando viu a ruiva pela primeira vez – e, agora, ver o Comendador receber a amante dentro de sua própria casa? Amor? – não pode ser. E a humilhação do teste de DNA? “Ela é uma pilantra, mas a Lilia é tão boa, que todo mundo fica com pena da Marta!”, brincou Alexandre Nero em entrevista no Domingão do Faustão. Além da personagem em si, Lilia Cabral merece pôr cartas de sangue na mesa do  urubu-rei – que, vamos fazer as contas, já enterrou duas mulheres apaixonadas para o túmulo. Enterrará uma terceira? 

José Pedro (Caio Blat): primogênito maltratado pelo pai, ele era o Fabrício Melgaço perfeito – até o site da novela divulgar a informação e o autor decidir mudar de vilão (Divulgação)

José Pedro (Caio Blat): primogênito maltratado pelo pai, ele era o Fabrício Melgaço perfeito – até o site da novela divulgar a informação e o autor decidir mudar de vilão (Divulgação)

José Pedro (Caio Blat)

Seria épico e, portanto, condizente com a estrutura imperial da novela, se o maior inimigo de José Alfredo fosse o filho rejeitado, José Pedro. Nesta reta final, o primogênito – que, vá lá, não é bom caráter – foi bastante humilhado pelo pai e quase se revela que ele é filho do mordomo. Como no caso de Lilia, Caio Blat – sempre bom, de monge a crápula –, acumulou mérito durante a novela para uma sequência matadora de embate entre pai e filho. Mesmo após a divulgação da aparente resolução do mistério pelo site oficial de Império, podemos apostar que José Pedro ainda está no páreo.

Silviano (Othon Bastos)

A vida é um clichê e a telenovela, que imita a vida, não vive sem eles. Portanto, não seria absurdo se a culpa fosse – como sempre se repete na ficção policial – do mordomo. Ainda mais um mordomo como Silviano, que é ex-marido da ex-mulher do protagonista. Está certo que, não só por isso, mas pelo ódio que o serviçal vem demonstrando sentir do Comendador nos últimos tempos, seu nome é o mais óbvio de todos – mas não deixa de ser uma solução lógica e interessante. Sem falar que Othon Bastos, maravilhoso no papel, parece ter muita lenha para queimar até a sexta-feira 13 do último capítulo.  

Josué (Roberto Birindelli)

Depois de uma série de boas, porém discretas participações em novelas, o ótimo Roberto Birindelli teve destaque à altura em Império e fez de Josué um capanga na medida certa para o Comendador. Após duzentos capítulos de dedicação deveríamos confiar nele cegamente, mas será? O que sabemos de sua vida privada? Nada. Por isso, tudo pode acontecer. Além do mais, a traição do mais fiel serviçal é outra alternativa que combina com uma novela ambientada num reino de diamantes. 

Sebastião Ferreira (Reginaldo Faria): Fabrício Melgaço pode ter saído do mundo dos mortos para atazanar José Alfredo (Alexandre Nero) (Divulgação)

Sebastião Ferreira (Reginaldo Faria): Fabrício Melgaço pode ter saído do mundo dos mortos para atazanar José Alfredo (Alexandre Nero) (Divulgação)

Sebastinão Ferreira (Reginaldo Faria)

Em novela, todo mundo sabe, até os mortos se levantam das tumbas se for preciso. Por isso, Sebastião Ferreira, o benfeitor que deu a oportunidade de ouro para o jovem José Alfredo (Chay Suede) levando-o para Roraima, pode muito bem não ter morrido e ser Fabrício Melgaço – afinal, veio dele toda a fortuna do Comendador. Um detalhe reforça a tese: em sua participação, no início da novela, Reginaldo Faria teve cabelo e bigode escurecidos. Portanto, 30 anos depois, se vivo estivesse, ele teria a aparência do ator de 77 anos – que, aliás, andou desfilando pelo Projac na semana passada.

Obs.: A Maria Joaquina que Regina Duarte interpretou na primeira fase da novela não pode ser levada em conta porque, em 1987, já era uma senhora. E mais: Regina estreia na próxima segunda (9) como a Esther de ‘Sete Vidas’. 

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01/03/2015

às 10:51 \ Folhetinescas

Aquele Rio da novela

Sophie Charlotte e a equipe de 'Babilônia' gravam nas areias do Leme, um dos cenários principais da novela da 9 que estreia no dia 16 (Divulgação)

Sophie Charlotte e a equipe de ‘Babilônia’ gravam nas areias do Leme, um dos cenários principais da novela da 9 que estreia no dia 16 (Divulgação)

Em quatro anos no Rio de Janeiro, esta paulistana aqui recebe com certa frequência amigos animados em conhecer a maravilha de cidade, que nasceu há 450 anos com vocação para cenário – e que cenário. Foi digno de nota um casal que, depois de passar uns três dias aproveitando a Prainha e o Grumari, duas belezas com tons de Caribe que estão logo ali, a 50 quilômetros do centro, insistiram em passar pelo menos um dia “nas areias de Copacabana”. Até então um tanto fria, minha amiga estampou uma expressão memorável quando pôs os olhos e os pés na areia não tão imaculada quanto aquela das cercanias do Pontal. “Agora, sim!”, suspirou. “Este é o Rio que eu vejo nas novelas!”

O diretor-geral Dennis Carvalho ensaia com os atores Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinícius) na praia do Leme:   com o Rio como uma espécie de personagem, 'Babilônia' chega com a promessa de muitas cenas externas (Divulgação)

O diretor-geral Dennis Carvalho ensaia com os atores Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinícius) na praia do Leme: com o Rio como uma espécie de personagem, ‘Babilônia’ chega com a promessa de muitas cenas externas (Divulgação)

Hollywood brasileira, bossa nova, purgatório da beleza e do caos, Hell de Janeiro – seja qual for a visão da cidade que se imagine, pode procurar, ela já terá sido espelhada numa de nossas telenovelas. Houve, obviamente, Tom Jobim, Carmem Miranda, Walt Disney e todos os fotógrafos e cineastas que, encantados com a cidade, trataram de fazê-la uma das mais filmadas do mundo. Mas há de se dar crédito especial às milhares de cenas – contemplativas ou puramente folhetinescas – que ajudaram a consolidar o “jeito carioca de ser”, algo entre o andar elegante das moças de Ipanema e os passinhos dos dançarinos das favelas.

Depois das novelas da Tupi, dos tempos em que não se faziam externas, e de uma onda de tramas nordestinas de grande sucesso da Globo, o Rio se tornou cenário natural das tramas das 9 a partir dos anos 80, logo depois que Dancin’ Days (1978) ambientou a ferveção das discotecas da época na cidade. Ali, o Rio já mereceu grande destaque. Mas foi mesmo com Água Vida (1980), que esmiuçou o estilo carioca em rede nacional por meio de externas deslumbrantes, que a cidade se tornou o cenário preferido da ficção nacional – não por acaso, o Projac, maior conjunto de estúdios da América Latina, é aqui.

Em homenagem aos 450 anos da cidade que já ambientou tantas cenas inesquecíveis da nossa teledramaturgia, QUANTO DRAMA! lembra 7 novelas carioquíssimas:

Em cena emblemática de  'Água Vida', Stella Simpson (Tonia Carreiro) e  Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

Em cena emblemática de ‘Água Viva’, Stella Simpson (Tonia Carreiro) e Sandra (Glória Pires) armam confusão na praia ao fazer topless (Divulgação)

1. Água Viva (1980)

Escrita por Gilberto Braga com colaboração de Manoel Carlos, os dois autores da nossa teledramaturgia mais reconhecidamente apaixonados pelo Rio, a novela talvez seja a mais carioca de todos os tempos. Por meio da história de dois irmãos rivais – Nelson (Reginaldo Faria) e Miguel (Raul Cortez), que disputavam Lígia (Betty Faria) –, a trama usou o quanto pôde as paisagens, modas e personagens típicos da cidade. Um estilo que, de tanto agradar, é copiado até os dias de hoje. 

Marco Aurélio (Reginaldo Faria) e a "banana" histórica de 'Vale Tudo' (1988) (Reprodução)

Marco Aurélio (Reginaldo Faria) e a “banana” histórica de ‘Vale Tudo’ (1988) (Reprodução)

2. Vale Tudo (1988)

“Olha o sanduíche natural!”, gritava a batalhadora Raquel (Regina Duarte), heroína que refazia a vida com total dignidade como vendedora ambulante nas areias cariocas, após levar um golpe da filha inescrupulosa, Maria de Fátima (Glória Pires). De maneira brilhante, os autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères resumiram o país por meio do microcosmos do seu maior cartão postal – tanto que, ao dar uma “banana” para o Cristo Redentor no desfecho da trama, o empresário picareta Marco Aurélio (Reginaldo Faria) estava, simbolicamente, afrontando o próprio Brasil. 

3. Mulheres Apaixonadas (2003)

Manoel Carlos, não é segredo para o noveleiro com memória, é um grande cronista carioca disfarçado de novelista paulistano – nascido em São Paulo, ele é, como se sabe, o morador mais célebre do Leblon. Entre tantas novelas ambientadas no bairro onde vive – no melhor estilo Tolstói de falar sobre a própria aldeia –, vale o destaque para Mulheres Apaixonadas. Além de mostrar a beleza da cidade, o autor levou para a ficção as mazelas enfrentadas pelos cariocas, como a violência urbana. A ser lembrada, por exemplo, a sequência em que os personagens Téo (Tony Ramos) e Fernanda (Vanessa Gerbelli) são atingidos por balas perdidas num tiroteio em plena luz do dia. 

4. Senhora do Destino (2004)

Primeira novela urbana e carioca Aguinaldo Silva, pernambucano radicado no Rio, após vários sucessos ambientados em pequenas cidades fictícias nordestinas, Senhora do Destino se dividia entre o charmoso Bairro Peixoto, localizado no coração de Copacabana e a baixada fliuminense, mostrando de uma só vez diversos aspectos da cidade. Vale lembrar ainda que a trama, que começava em 1968, teve uma bela sequência inicial de repressão a militantes políticos em pleno centro do Rio, episódio tirado das memórias do próprio autor. Na confusão, a protagonista Maria do Carmo (Carolina Dieckmann) tem a filha bebê, Lindalva, sequestrada pela vilã Nazaré (Adriana Esteves) e, para piorar, acaba presa. 

Ousda, 'Vidas Opostas', da Record, mostrou a vida dos marginais dos morros da cidade (Divulgação)

Ousda, ‘Vidas Opostas’, da Record, mostrou a vida dos marginais dos morros da cidade (Divulgação)

5. Vidas Opostas (2006)

Escrita por Marcílio Moraes, a novela da Record inovou ao mostrar uma história de amor em meio a uma guerra do tráfico de drogas num dos morros cariocas, na trilha do sucesso Cidade de Deus (2002). Acelerada, com a fotografia soturna que é típica da ficção policial e marcada pela participação de Marcelo Serrado como o delegado Denis Nogueira e pelo retrato detalhado dos personagens marginais, representou uma ousadia da teledramaturgia da Record, em oposição ao Rio de cartão postal que as novelas globais costumavam estampar até então. 

Caniço (Marcello Melo Jr.) e Berenice (Sharon Menezes) em 'Lado a Lado', que mostrou a formação das favelas inspirada pelo Morro da Providência (Divulgação)

Caniço (Marcello Melo Jr.) e Berenice (Sharon Menezes) na favela de ‘Lado a Lado’ (Divulgação)

6. Lado a Lado (2012)

A bela história de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, vencedora do Emmy Internacional de melhor novela, foi ambientada na virada do século 20, período pouco explorado pelas tramas de época. Por meio de dois casais de origens sociais bem diferentes – os descendentes de ex-escravos Isabel (Camila Pitanga) e Zé Maria (Lázaro Ramos), e os aristocratas Laura (Marjorie Estiano) e Edgar (Tiago Fragoso) –  mostrou a formação do Rio de Janeiro como conhecemos hoje, com o advento da República e a ocupação dos morros pelas favelas após a expulsão dos moradores de cortiços no centro da cidade. 

Suelen (Isis Valverde) e Darkson (José Loreto) em cena de 'Avenida Brasil', que mostrou a zona norte carioca por meio do fictício Divino (Divulgação)

Suelen (Isis Valverde) e Darkson (José Loreto) em cena de no bairro do Divino de ‘Avenida Brasil’(Divulgação)

7. Avenida Brasil (2012)

Uma história de vingança universal, que poderia ser ambientada em qualquer grande cidade do mundo, a novela do carioca João Emanuel Carneiro teve um personagem especial: o bairro do Divino, lugar fictício com jeito de Madureira, que deslocou o folhetim das 9 da zona sul para a zona norte, além de repassar o protagonismo dos ricos elegantes da orla para os autênticos e não tão elegantes abastados que moram para além do Túnel Rebouças. 

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27/02/2015

às 16:11 \ Entrevista

‘Os que acharem estranho vão tolerar. Já está bom’, diz Fernanda sobre papel gay em ‘Babilônia’ 

Aos 85 anos e após diversos encontros nos palcos da vida, Fernanda Montenegro e Nathália Timberg vivem o casal Teresa e Estela em 'Babilônia': "A gente se toca em cena. Mas não há, obviamente, o erotismo didatizado de que  a televisão vem abusando ultimamente", anota a atriz (Raphael Dias/Divulgação)

Aos 85 anos e após inúmeros encontros nos palcos da vida, Fernanda Montenegro e Nathália Timberg vivem o casal Teresa e Estela em ‘Babilônia’: “A gente se toca em cena. Mas não há, obviamente, o erotismo didatizado do qual a televisão vem abusando ultimamente”, anota a atriz (Raphael Dias/Divulgação)

“A sociedade às vezes tenta mudar, esconder, pessoas como eu. Não conseguem, não vão conseguir. Tenho certeza que pessoas como a Estela e como eu ainda vão mudar a sociedade”, diz Teresa, personagem de Fernanda Montenegro logo no começo de Babilônia, ainda em 2005. A novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga substituirá Império a partir de 16 de março na faixa das 9 da Globo. Por “como eu”, entenda-se homossexual e protagonista da trama mais surpreendente a novela: advogada renomada e pioneira na militância pelos direitos civis, Teresa mantém um relacionamento de mais de 30 anos com Estela, interpretada por Nathália Timberg.

Quem teve a ideia de juntar duas das mais renomadas atrizes brasileiras como um casal foi Gilberto Braga. “Ele nos conhece há mais de 50 anos, nos viu inúmeras vezes quando era crítico de teatro”, lembra Fernanda em conversa com QUANTO DRAMA!, durante a coletiva que apresentou a novela à imprensa na última quarta (25), no Projac. “Ele nos vê não como duas atrizes da mesma geração, mas que são, vocacionalmente, do palco. Temos trajetórias parecidas, as mesmas referências. Não é, portanto, um encontro de passado, mas de sobrevivência”, observa Fernanda sobre convivência com a colega – as duas têm 85 anos.

Estela (Nathália Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) caminham pela orla de mãos dadas em cena de 'Babilônia': felizes e bem-resolvidas há mais de 30 anos (Reprodução)

Estela (Nathália Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) caminham pela orla de mãos dadas em cena de ‘Babilônia’: felizes e bem-resolvidas há mais de 30 anos (Reprodução)

Estela é mãe de Beatriz, a grande vilã vivida por Glória Pires, e criou Rafael (Chay Suede), neto deixado por uma outra filha, já morta. O rapaz chama Teresa e Estela de mãe. É uma família feliz, embora a bondosa Estela não faça ideia de que Beatriz é dissimulada e, pior, assassina. “É uma bandida e a minha personagem desconfia bastante disso. Mas vai tentando escamotear os defeitos da filha da companheira”, adianta. “A relação delas é de muito cuidado, uma tentando salvar a outra dos males da vida.”

Para Fernanda, um casal de mulheres da terceira idade é um caminho natural escolhido pelos autores. “Neste tema dos duplos já foi feito de tudo na ficção – teve a descoberta da homossexualidade, a dificuldade de assumir, homem com homem, mulher com mulher, expectativa sobre beijo, sobre beijo de língua, essas coisas todas. Este é um novo caminho e mais: uma demonstração de que esses pares existem na sociedade. Apenas isso”, reflete. “O que eu vejo é que os héteros se separam cada vez mais e os gays só pensam em se casar”, diverte-se a grande dama da dramaturgia. “Para eles, é um ato de afeto e um ato político.”

Numa das cenas exibidas aos jornalistas, Teresa e Estela caminham pelo calçadão de Ipanema de mãos dadas – é uma relação feliz, bem-resolvida, sem rompantes. “As cenas não são, obviamente, de erotismo, muito menos daquele erotismo didatizado do qual a televisão vem até abusando ultimamente”, anotou ela. “Mas a gente se toca, há carinho ali.”

Segura com o papel e com a história que pretende contar, Fernanda não alimenta ilusões sobre a reação dos espectadores mais conservadores. Mas, do alto dos mais de 60 anos de carreira, não se deixa abalar. “Todo mundo já sabe que os personagens homossexuais fazem parte da sociedade e devem, por isso, estar presentes em todas as manifestações artísticas. É claro que há os mais conservadores, os religiosos, os homofóbicos, todos os que são contra. Mas os que acharem estranho vão tolerar. Já está bom assim.”

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26/02/2015

às 20:07 \ Maestro, uma nota

‘Passava o dia rezando, mas era assassina’

Passada e engomada: Cristina (Leandra Leal)  chora no ombro do irmão Elivaldo (Rafael Losso) por ter descoberto que a tia carola era uma santa do pau oco (Divulgação)

Parente é serpente: Cristina (Leandra Leal) chora no ombro do irmão Elivaldo (Rafael Losso) por ter descoberto que a tia carola era uma santa do pau oco (Divulgação)

Não é por ter sido uma personagem muito querida, que a saudosa Cora (Marjorie Estiano) levou para o túmulo o segredo do assassinato de Fernando (Eron Cordeiro), Jurema (Elizângela) e Reginaldo (Flávio Galvão). No capítulo desta quarta (25) de Império (Globo, 21h15), Cristina (Leandra Leal) descobriu que a tia matou os dois últimos para encobrir a morte do primeiro – e, de quebra, ela ainda ficou como suspeita pela morte de Jairo (Júlio Machado), morto pelo líder sem-teto inescrupuloso que queria o diamante do Comendador. “Minha tia passava o dia inteiro rezando, mas era uma assassina”, concluiu a sobrinha, uma das personagens mais honestas e batalhadoras da novela de Aguinaldo Silva. No capítulo de hoje, Cristina vai contar a história toda para o irmão, Elivaldo (Rafael Losso), descoberta quando ela foi ao quarto arrumar os pertences da tia. Ali, estava a câmera com o vídeo em que Cora aparecia ajudando Jairo a carregar o corpo de Fernando, seu ex-comparsa em falcatruas. A gravação era usada por Jurema e Reginaldo para chantageá-la. “A mulher que nos criou era uma assassina”, dirá a heroína ao irmão, no melhor estilo “parente é serpente”. Leia também: Cora e as velhas virgens Xana transforma água de coco em cerveja ‘Cora sai do caritó e morre. Mas não será esquecida’, diz Aguinaldo Silva

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25/02/2015

às 22:14 \ Entrevista

‘Não estou aqui para malhar corpinho’, diz Glória Pires sobre ‘Babilônia’

Glória Pires com o diretor-geral de 'Babilônia', Dennis Carvalho: a beleza da personagem Beatriz chamou a atenção da imprensa – mas espere para ver o que a vilã será capaz de fazer (João Miguel Jr./ Divulgação)

Glória Pires com o diretor-geral de ‘Babilônia’, Dennis Carvalho: a beleza da personagem Beatriz chamou a atenção da imprensa – mas espere para ver o que a vilã será capaz de fazer (João Miguel Jr./ Divulgação)

De todos os muitos pecados que deve cometer a partir de 16 março, quando estrear Babilônia, a luxúria certamente será o que mais trará complicações para Beatriz, a vilã chique e ambiciosa interpretada por Glória Pires. “É o ponto fraco dela”, definiu a atriz na entrevista coletiva que apresentou a nova novela das 9 à imprensa no fim da tarde desta quarta (25) no Projac, no Rio.

Uma das três protagonistas da trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, (além dela, Adriana Esteves como Inês e Camila Pitanga como Regina), Glória contou que aceitou participar da novela antes mesmo de saber qual seria o perfil da personagem. “É uma vilã diferente, que realmente me surpreendeu. Porque, à esta altura do campeonato, com 51 anos, nunca pensei que faria uma tarada sexual”, brincou ela em conversa com os repórteres. “Me sinto com o ego massageado.”

Na história, que fala da busca pelo poder e os limites da ética, Beatriz é uma bela mulher que usa a sensualidade para conseguir o que quer do noivo, o construtor Evandro (Cássio Gabus Mendes). Enquanto isso, gosta de se divertir com jovens bonitões, o que quase a levará à ruína no começo da história, ambientada em 2005. Linda e luminosa como o papel pede, a atriz foi bombardeada com perguntas sobre a aparência. Ao ser questionada se anda “malhando o corpinho”, ela disparou com bom-humor: “Bem… Eu tenho 42 anos de TV Globo… Então, acho que não esperam que eu esteja aqui malhando corpinho”, no melhor estilo da campanha #AskHerMore, que circula nos tapetes vermelhos de Hollywood pedindo que os repórteres falem mais do que vestidos com as entrevistadas nas premiações.  

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24/02/2015

às 17:12 \ Folhetinescas

Cora e as velhas virgens

Um beijo – e um cheiro? – antes de morrer: o que importa é que, para Cora (Marjorie Estiano), a noite de amor com José Alfredo (Alexandre Nero) aconteceu (Reprodução)

Um beijo – e um cheiro? – antes de morrer: o que importa é que, para Cora (Marjorie Estiano), a noite de amor com José Alfredo (Alexandre Nero) aconteceu (Reprodução)

Poucos assuntos são tão folhetinescos quanto o caminho de uma mulher, jovem ou avançada na idade, até o que se costumava chamar de “deixar de ser donzela”. Tanto se pode fantasiar sobre a iniciação sexual feminina que as novelas têm um apego especial pelas virgens, é fácil reparar. Basta rever a Márcia de O Dono do Mundo novela de 1991, em reprise no canal Viva, que gira em torno da virgindade da protagonista de Malu Mader, ou ainda lembrar do vai-não-vai da Edwiges que Carolina Dieckman interpretou em Mulheres Apaixonadas em 2003 ou, ainda, dos tremeliques da Cinira de Rosane Gofman em Tieta, de 1989.

Em Malhação, pela faixa etária do público, o início da vida sexual é tema obrigatório, e que se espalha esporadicamente pelas novelas das 6, das 7, das 9, em séries nacionais e até americanas – chama atenção nos EUA o seriado Jane, The Virgin, baseado numa novela venezuelana sobre uma jovem virgem que é inseminada e engravida por engano.

Felipe (Antonio Fagundes)  faz uma aposta pela virgindade de Márcia (Malu Mader) em 'O Dono do Mundo', de 1991 e em reprise no Viva (Divulgação)

Felipe (Antonio Fagundes) faz uma aposta pela virgindade de Márcia (Malu Mader) em ‘O Dono do Mundo’, de 1991 e em reprise no Viva (Divulgação)

Há basicamente dois tipos de virgem de novela, em geral mulheres românticas demais ou, com mais frequência, desesperadas cômicas. Cora, que passou desta para melhor no capítuo de ontem (segunda, 23) no encerramento da ótima participação de Marjorie Estiano em Império (Globo, 21h15), é diferente de todas elas. Encruada, como era conhecida em Santa Teresa, ela não tinha a virgindade em primeiro plano, mas uma obsessão que pôs toda a trama de Aguinaldo Silva para andar (como escrevi logo no começo, aqui).  

Cora fez o Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) – simples assim. Se não fosse ela armar contra o romance dele com a irmã Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli), o moço ficaria rodopiando para sempre em cenas de beijinhos na Quinta da Boa Vista. Foi a decepção amorosa, não dá para esquecer, que levou Zé a partir do Rio para o Monte Roraima, de onde ele acabou tirando a sua fortuna.

Vários motivos, como o próprio autor explicou ao blog, levaram à decisão de matar a personagem bem antes do fim da novela, em 13 de março. Foi um fim digno do realismo fantástico que trouxe Marjorie Estiano de volta ao elenco para substituir Drica Moraes e, com 32 anos, viver uma mulher de 55 (conforme informação de sua lápide). Parecia que, de fato, ela não morreria donzela,  coisa mais injusta ainda mais depois de ela levar um tiro no lugar do homem para quem ela – doida de pedra – se guardou.

Na bela cena, na cama do hospital, até um “eu te amo” Zé teria lhe dito ao pé do ouvido. Mas eis que quase ao fim do jogo apareceu a enfermeira de plantão para tirar todas as ilusões, jurando que não viu homem nenhum naquela noite. E o que importa? Que, para Cora e para os fãs da novela que ousaram torcer pelo torto casal, ela foi – ainda que não tenha sido. Pelo sim, pelo não, acabou enterrada num caixão branco, mantendo a fama. E, para finalizar, sua pureza rendeu uma melhores piadas da novela. “A Dona Cora vai conseguir um monte de homens lá no além – aqueles homens-bombas não se explodem para encontrar com as virgens lá no céu?”, bem observou Lorraine (Dani Barros). 

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