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25/07/2014

às 13:39 \ Eu faço drama

Roraima de ‘Império’ causa revolta e piada nas redes sociais

Maria Marta (Adriana Birolli) se desesperou ao saber que o marido José Alfredo (Chay Suede) levou um tiro. E sobrou para os roraimenses: "Em Roraima? Que fim de mundo!" (Reprodução)

Maria Marta (Adriana Birolli) se desesperou ao saber que o marido José Alfredo (Chay Suede) levou um tiro. E sobrou para os roraimenses: “Em Roraima? Mas isso é o fim do mundo!” (Reprodução)

“Tudo bem que levasse um tiro. Mas tinha que ser logo em Roraima?”, perguntou a altiva Maria Marta (Adriana Birolli) a um quase moribundo José Alfredo (Chay Suede) no capítulo de quinta (24) de Império (Globo, 21h15). E acabou de vez a lua de mel dos roraimenses com a novela das nove, que vem encantando com imagens do imponente Monte Roraima, que guarda o começo da saga do protagonista de Aguinaldo Silva.

Embora forte e bem defendida por Adriana Birolli, Maria Marta não é, obviamente, uma personagem simpática. Pelo contrário, é uma figura refinada e esnobe com a função de contrastar com o jeito “humildão” de José Alfredo. Daí ela dizer sem qualquer pudor que Roraima é o fim do mundo – faz parte do seu show criticar a origem do marido, nordestino meio perdido que fez fortuna no garimpo e contrabando de pedras preciosas.

Localizado na tríplice fronteira entre Brasil Venezuela e Guiana, o Monte Roraima tem 2.734 metros de altura e é praticamente um personagem da novela – mas as cenas com josé Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero) foram gravadas em Carrancas (MG) (Divulgação)

Localizado na tríplice fronteira entre Brasil Venezuela e Guiana, o Monte Roraima tem 2.734 metros de altura e é praticamente um personagem da novela – mas as cenas com josé Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero) foram gravadas em Carrancas (MG) (Divulgação)

No Twitter, os noveleiros se dividiram entre os que se divertiram com a cena e os que reprovaram a personagem. “Qual a diferença entre levar um tiro em Roraima pro resto do Brasil, kerida (sic)?”, questionou @taynae. No contexto, a diferença é que Maria Marta estava no Rio e o marido, distante da capital Boa Vista, acabou sendo cuidado por um curandeiro com cara de traficante. Mas o pessoal não quis saber – e sobrou até para a atriz. “Vá ajeitar tua sobrancelha e depois vem falar de Roraima”, lançou logo @izaxipitoski. “Só nesse capítulo Roraima foi citada como fim do mundo umas 918473792 vezes. Tá pouco ainda”, ironizou @karinafcarvalho. A hashtag #Roraima esteve entre os assuntos mais comentados na rede social, uma das muitas que a novela vem emplacando desde a estreia, na última segunda (21). Apesar das críticas, muitos elogiaram a pronúncia correta do nome do Estado – Roráima, enfatizaram os atores, como dizem os próprios roraimenses.

Reações como as da última noite são comuns quando uma cidade fora do eixo Rio-São Paulo é palco de uma trama da Globo. Há pouco tempo, em 2012, muitos paraenses se revoltaram com o jeito que a Ilha de Marajó foi retratada em Amor Eterno Amor, por exemplo. Sem falar na Goiânia de Em Família, mostrada equivocadamente como uma cidade rural. “Isso com Roraima me fez lembrar que a eterna vilã Flora em um capítulo riu de um cara que se mudaria para Manaus: “Vai morar com os jacarés”, lembrou @rodriogs, em referência a A Favorita (2008). Maria Marta, não podemos deixar de notar, lembra nesse quesito a megera suprema Odete Roitman, de Vale Tudo, novela que Gilberto Braga escreveu com Aguinaldo Silva. “Eu gosto do Brasil de longe, no cartão postal”, dizia ela (veja a cena aqui).

Como curiosidade, vale contar que os atores de Império não chegaram a pôr os pés em Roraima. As cenas em volta do túmulo de Sebastião (Reginaldo Faria), em algum ponto no alto do Monte Roraima, foram gravadas na cidade de Carrancas, Minas Gerais. A montanha real, de 2.734 metros de altura, só é acessível para escaladores experientes e não poderia receber uma equipe de filmagem. Mesmo assim, o monte marca presença nas imagens aéreas deslumbrantes e nos truques de edição da equipe do diretor Rogério Gomes, como um verdadeiro personagem da novela.

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24/07/2014

às 17:30 \ Entrevista

‘A Cora é má e realista’, diz Marjorie Estiano

Cora (Marjorie Estiano) deu nó em pingo d'água para dissuadir a irmã Eliane (Vanessa Giácomo) de fugir com José Alfredo (Chay Suede): "Fugir? Você não sabe em para que lado!", zombou a vilã (Reprodução)

Cora (Marjorie Estiano) deu nó em pingo d’água para dissuadir a irmã Eliane (Vanessa Giácomo) de fugir com José Alfredo (Chay Suede): “Fugir? Você não sabe nem para que lado!”, zombou a vilã (Reprodução)

Aguinaldo Silva proporcionou dois momentos fortes e opostos a Marjorie Estiano. Em 2007, quando ela apareceu como a ingênua Maria Paula de Duas Caras, a primeira protagonista das nove na sua carreira, foi um tanto rejeitada logo de cara, muito porque precisava parecer uma mocinha essencialmente ingênua, vítima perfeita para um golpe. Sete anos depois, é o mesmo autor que lhe proporciona a fama de novo instantânea, mas desta vez muito boa e com uma avalanche de elogios nas redes sociais, com a vilã Cora de Império (Globo, 21h15).

Já na estreia de 'Império', na última segunda (21), Cora (Marjorie Estiano) foi compara a Carminha (Adriana Esteves), a vilã diva de 'Avenida Brasil' (Reprodução)

Já na estreia de ‘Império’, na última segunda (21), Cora (Marjorie Estiano) foi comparada a Carminha (Adriana Esteves), a vilã diva de ‘Avenida Brasil’ (Reprodução)

Não foi preciso mais do que meia dúzia de cenas para que a personagem se mostrasse uma vilã da linhagem de Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), também cria de Aguinaldo. O autor, vale comparar, acertou de novo na escalação de sua megera: em Senhora do Destino (2004), foi Adriana Esteves (que não por acaso viveria a Carminha de Avenida Brasil em 2012) que moldou a Nazaré jovem, para entregar a Renata Sorrah na segunda fase da novela. Depois de Marjorie, a partir do capítulo desta quinta (24), Cora será de Drica Moraes. “Sinto, sim, um aperto no peito ao deixá-la. Mas breve ou não, grande ou pequeno, acho que a relevância de um trabalho está na transformação que ele promove em mim e no outro. E me excita quase na mesma proporção saber que vou assistir à Drica se deleitar com ela!”, diz a atriz, em conversa com QUANTO DRAMA! sobre a repercussão da personagem.

À primeira vista, Marjorie e Drica não se parecem fisicamente. Mas os telespectadores mais atentos ficarão surpresos ao ver como as atrizes conseguiram unificar o trabalho em torno da personagem. “Tivemos um workshop ministrado pelo (diretor e preparador de elenco argentino) Eduardo Milewicz, e assim tivemos a oportunidade de nos conhecer, saber e trocar ideias sobre o encaminhamento e a visão que cada uma tinha sobre a personagem e suas relações. Também buscar através de exercícios uma linha condutora subjetiva, que se reflete no corpo, no olhar. Foi um experiência bastante interessante e que resulta de forma muito concreta”, detalha a atriz.

Depois de viver a idealista e combativa Laura de Lado a Lado, novela das seis de João Ximenes Braga e Cláudia Lage que venceu o Emmy Internacional no ano passado, Marjorie vinha se dedicando ao cinema e à música. Rodou o país cantando Beatles no projeto Banco do Brasil Covers de Monique Gardemberg, lançou um single do novo disco no início do mês e participou de dois longas-metragens, Beatriz, entre a dor e o nada (Alberto Graça) e Apneia (Maurício Eça). No primeiro, aparece às voltas com um drama existencial movido a ciúme e, no segundo, mergulha no mundo de jovens ricas e imprudentes. São dois universos bem distintos do proletariado folhetinesco e oitentista de Império. “Acho que o que mais me cativa nos personagens enquanto atriz e espectadora, de uma maneira geral, é a contradição. Ver as virtudes e os defeitos deles. É o branco e o preto fazendo parte do mesmo desenho, e tudo que tem entre uma cor e outra”, observa.

A entrada de Drica Moraes em 'Império' é aguardada nas redes sociais: a Cora dos dias atuais entra em cena nesta quinta (23) (Reprodução)

A entrada de Drica Moraes em ‘Império’ é aguardada nas redes sociais: a Cora dos dias atuais entra em cena nesta quinta (23) (Reprodução)

São as nuances e a maldade que não vem de uma maluquice qualquer, mas de uma maneira de ver a vida que pode fazer algum sentido, garantiram à personagem o tipo de empatia que é preciosa para uma vilã de novela. Afinal, como condenar Cora, se impedir a fuga da romântica Eliane (Vanessa Giácomo) com o cunhado José Alfredo (Chay Suede) – nada leal com o irmão, diga-se de passagem – parece ser o mais sensato a fazer? A situação é um deleite para qualquer ator. “A Cora é muito coerente com ela mesma, e tem o respaldo do contexto. Pra mim, a maior vilania dela está em fazer as escolhas pela irmã, considerando que, seja por permissividade, vulnerabilidade, medo de tomar as próprias decisões ou não, a Eliane permitiu”, pontua Marjorie. “Se trata de uma pessoa egocêntrica, inteligente, ágil, e que tem seus afetos, seu senso de humor…sua ternura torta. A Cora é má e realista.”

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23/07/2014

às 16:38 \ Folhetinescas

Os 7 “aguinaldismos” de ‘Império’

José Alfredo (Chay Suede) leva um tiro no capítulo desta quarta (23): ganancioso, o protagonista de 'Império' sai do nada para a riqueza, uma constante na obra de Aguinaldo Silva

José Alfredo (Chay Suede) leva um tiro no capítulo desta quarta (23) de ‘Império’: ganancioso, o protagonista sai do nada para a riqueza, uma constante na obra de Aguinaldo Silva

Das tramas nordestinas ambientadas em cidades fictícias às sagas que focalizam os contrastes do país a partir do Rio de Janeiro, Aguinaldo Silva é um autor que sempre se reinventou. Jornalista desde os anos 60 e há quase 35 anos como autor de televisão, teve em suas mãos uma quantidade invejável de sucessos, resultado não só do bom texto e da imaginação fértil, mas também do dom de traduzir em folhetim o que o povo quer ver. “Certamente ninguém quer ver um filme do Bergman às nove da noite!”, brinca ele em conversa com QUANTO DRAMA!, ao falar do ritmo da narrativa de Império (Globo, 21h15), cuja estreia na última segunda (21) tem rendido muitos elogios.

Mas por mais que tenha transformado sua maneira de contar histórias, Aguinaldo tem suas marcas registradas, como todo autor com muitos anos de carreira,. Os “aguinaldismos” – ou seriam “aguinaldices”? – andam escondidos por enquanto, uma vez que Império se desenvolve como minissérie ambientada nos anos 80. Mas não tardam a aparecer, já a novela volta para os dias atuais no capítulo desta quinta (24). Confira abaixo uma lista com setes dos principais ingredientes que fazem uma novela de Aguinaldo Silva:

1. Sonho brasileiro

Aguinaldo adora os tipos humildes que dão nó em pingo d’água e conseguem enriquecer. Nem sempre a trajetória é limpa, como no caso do José Alfredo (Chay Suede/Alexandre nero) de Império, que ficará rico graças ao contrabando de diamantes. Podemos lembrar ainda da batalhadora Griselda (Lilia Cabral), de Fina Estampa (2011), da Maria do Carmo (Susana Vieira) de Senhora do Destino (2004) e o Valdomiro (José Wilker) de Suave Veneno (1999).

2. Disputas entre irmãos

A situação de irmãos brigando pela atenção e/ou herança do pai é um clássico da teledramaturgia e também representa Aguinaldo Silva. Disputas no estilo Rei Lear já temperaram o enredo de Suave Veneno (1999), Porto dos Milagres (2001) e Senhora do Destino (2004).

3. Pras cabeças!

Discreto, Aguinaldo Silva não é uma das personalidades que andam por aí nas feijoadas nas quadras cariocas. Mas adora inserir uma escola de samba em suas novelas – aproveitando, obviamente, o potencial dramaturgico e o apelo popular desse tipo de agremiação. Difícil de esquecer do hilariante Giovanni Improtta (José Wilker) de Senhora do Destino (2004), ex-bicheiro e presidente da Unidos de Vila São Miguel. Em Duas Caras (2007), Juvenal Antena era o manda-chuva da Escola de Samba Nascidos na Portelinha, entidade que se misturava com a milícia local. Desta vez, Império terá a Unidos de Santa Teresa, tocada com muito humor pelo presidente Seu Antoninho (Roberto Bonfim) e que tem como musa a passista Juliane Matos (CrisViana).

 

Amiga de Juliane (Cris Viana), a travesti Xana Summer (Ailton Graça) é uma das reservas de humor de 'Império' (Divulgação)

Amiga de Juliane (Cris Viana), a travesti Xana Summer (Ailton Graça) é uma das reservas de humor de ‘Império’ (Divulgação)

4. ‘Divo’

Depois do Crô (Marcelo Serrado), personagem de grande sucesso em Fina Estampa (2011), o autor criou mais dois gays cobertos de purpurina para Império: o travesti Xana Summer (Ailton Graça), dono de um salão de cabeleireiros em Santa Teresa, o blogueiro Téo Pereira (Paulo Betti), que vive de fazer fofoca na internet.

5. Novela paralela

O dia parece durar mais de 24 horas para o autor, uma vez que, além de escrever e coordenar a produção das cenas, ele consegue tempo para comentar sua própria novela nas redes sociais. Nos últimos anos, tornou-se uma das figuras mais provocativas e divertidas da web, um verdadeiro personagem de si mesmo.

6. Frasistas

Aguinaldo é, ele mesmo, um excelente frasista, o tipo de entrevistado que não deixa um jornalista sem título. Esse potencial é aproveitado em suas novelas, que sempre trazem personagens de língua afiada e com uma visão de mundo excêntrica ou controversa. A Maria Marta de Lilia Cabral deve cumprir esse papel em Império. Entre os mais marcantes frasistas do autor, podemos lembrar da Perpétua de Tieta (1989), o Sérgio Cabeleira (Osmar Prado), de Pedra sobre Pedra (1992), a Altiva (Eva Wilma) de A Indomada (1997) e a Gioconda (Marília Pêra) de Duas Caras (2007).

7. Musas

As novelas de Aguinaldo Silva têm sempre uma boa dose de sensualidade, um palco perfeito para musas – que, aliás, tratam de ajudar quando a audiência não está lá grande coisa. Entre as mais-mais podemos lembrar da Regininha (Maria Maya) e da “ninfa bebê” Danielle de Senhora do Destino (2004), da dançarina de pole dance Alzira (Flávia Alessandra), de Duas Caras (2007), e da cozinheira Dagmar (Cris Viana) e seus banhos no quintal em Fina Estampa (2011). Em Império, a candidata a musa é a Naná de Viviane Araújo, manicure ingênua que não percebe o quanto desconcerta os homens.

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22/07/2014

às 11:18 \ Folhetinescas

Vilã de Marjorie Estiano brilha na estreia de ‘Império’

Na estreia de 'Império', Aguinaldo Silva tratou de dar o que o público mais adora: Cora (Marjorie Estiano) uma vilã para amar odiar (Divulgação)

Na estreia de ‘Império’, Aguinaldo Silva tratou de dar o que o público mais adora: Cora (Marjorie Estiano) uma vilã para amar odiar (Divulgação)

Se faltou vilã à novela anterior, Em Família, o espaço destinado à maior megera do horário nobre foi muito bem preenchido antes que terminasse o primeiro bloco de Império, novela das nove que a Globo estreou nesta segunda (21). Interpretada de um jeito de que dá gosto de ver por Marjorie Estiano, atriz que ainda outro dia se destacou em Lado a Lado (2012), Cora não é Nazaré, não é Carminha, muito menos Tereza Cristina ou Odete Roitman. Em tão pouco tempo, mostrou ser única, comparável somente, quem sabe, à Perpétua (Joana Fomm) de Tieta (1989) – sem, é claro, o tom caricatural e as vestes de viúva.

Cora é a irmã recalcada, que vive uma relação de interdependência com a romântica Eliane (Vanessa Giácomo). Víbora suburbana, impediu, por maldade e também para não perder o teto na casa do cunhado, que a irmã fugisse com seu grande amor, José Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero). O disse-me-disse característico de folhetim – ou de “novelão”, como o autor Aguinaldo Silva vem chamando – acabou mudando o rumo do protagonista José Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero). Por causa do instinto de sobrevivência de Cora, o protagonista entrou na rota da riqueza e chegará rico ao quarto capítulo, quando a trama voltará dos anos 80 para os dias atuais. “Se isso é ser má, então eu sou”, disse ela, ao justificar que armação era a única maneira de proteger a irmã.

Chay Suede, revelado no reality Ídolos (Record) ex-integrante do grupo adolescente Rebelde, causou boa impressão como o protagonista José Alfredo, na juventude (Divulgação)

Chay Suede, revelado no reality ‘Ídolos’ (Record) e ex-integrante do grupo adolescente Rebelde (da novelinha homônima do SBT), causou boa impressão como o protagonista José Alfredo, na juventude (Divulgação)

Na segunda fase, a personagem será assumida por Drica Moraes, e o noveleiro certamente se surpreenderá com o quanto ela e Marjorie podem ser parecidas. Cora não poderia estar em mãos melhores, e a escalação repercutiu instantaneamente nas redes sociais – no Twitter, o aplauso para Cora foi geral.

Embalada por Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles na voz do cantor Dan Torres (participante do reality show Fama, de 2004), Império apresentou um primeiro capítulo promissor, com belas imagens do Monte Roraima, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, uma narrativa enxuta e um argumento que tem tudo para se tornar uma boa história. De certa forma e guardadas as diferenças entre as duas novelas, lembrou a estreia de Senhora do Destino, sucesso que Aguinaldo escreveu em 2004, e com um começo tão impactante quanto. Neste ponto, chama atenção ainda que a produção pareça um pouco diferente das novelas coloridas que o autor costuma fazer – mas não se iluda, o colorido e o tom popular virá após o prólogo.

Há que se considerar que as sagas envolvendo riqueza e disputas familiares estão longe de ser uma novidade na teledramaturgia. E é realmente interessante perceber o quanto as histórias envolvendo garimpo e pedras preciosas são caras aos autores, há décadas. Mas novela ainda é o gênero que acontece no dia a dia, de cena em cena, e no qual o bom aproveitamento dos clichês é o que separa o sucesso do fracasso. Por isso, a velha fantasia de estar cavando numa mina em algum lugar ermo do planeta e, de repente, encontrar o diamante que mudará sua vida pode, sim, transformar-se um roteiro irresistível. A senha foi dada foi Sebastião Feliciano, personagem adorável de Reginaldo Faria, que precisou durar somente um capítulo para mudar a vida de José Alfredo. Disse ele antes de morrer, num final épico: “Jogue por mim no time dos aventureiros. E ganhe!”

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18/07/2014

às 23:12 \ Folhetinescas

‘Em Família’ mata protagonista, e mesmo assim termina morna

Laerte (Gabriel Braga Nunes) levou um tiro no final de 'Em Família': personagem secundária tirou o flautista galã de circulação (Divulgação)

Laerte (Gabriel Braga Nunes) levou um tiro no final de ‘Em Família’: personagem secundária tirou o flautista galã de circulação (Divulgação)

“Desta vez, tudo vai ser diferente. Vai ter casamento!”, desejou Chica (Natália do Vale) quando, reunidas em torno da noiva, Luiza (Bruna Marquezine), as mulheres de Em Família (Globo, 21h15) lembraram da tragédia de 20 anos antes. Depois da repetição de quase tudo que ocorreu com sua mãe, Helena (Júlia Marquezine), e seu noivo, Laerte (Gabriel Braga Nunes), Luiza de fato se casou. Mas não chegou ao “felizes para sempre”: ainda a porta da igreja, Laerte teve de novo a felicidade interrompida, e levou um tiro de Lívia (Louise D’Tuani).

O final trágico chegou a ser antecipado na manhã desta sexta (18) pelo site oficial da novela, que propôs um “quem matou?” para o público, numa tentativa de criar alguma expectativa. Imerso num bizarro delírio, Laerte passou toda a cerimônia tendo flashs de memória dos tempos em que foi apaixonado pela mãe da noiva, sua prima Helena. Mas, diferentemente do que o autor Manoel Carlos fez parecer durante toda a trama, não foi a protagonista destemperada que tirou a vida do flautista, mas uma jovem pianista apaixonada e cuja maluquice pareceu coisa improvisada de uns dois ou três dias. Uma saída fria, sem grandes desdobramentos. Um final melancólico para uma novela que começou muito bem, com um argumento que poderia ter rendido bem, mas que se perdeu.

Laerte, que ensaiou virar psicopata, acabou pagando por uma bobagem sem tamanho: a incapacidade de resistir aos joguinhos de sedução – no filme de sua vida passaram uma porção de cenas dele com suas tantas mulheres. E a novela perdeu, pois a resolução da parte mais importante da trama ficou nas mãos de uma personagem sem nenhuma importância, interpretada por uma atriz que não conseguiu crescer em cena nem mesmo no momento mais decisivo. Pelo bem da coerência, Helena deveria concretizar o mau agouro que destilou por mais de 20 anos, e acabar de vez com o primo – em vez disso, deram a ela um tiro bobo, numa cena mal dirigida, levada ao ar na terça (15).

Com menos cuidado do que uma novela das nove pede, ainda mais aquela que foi proclamada como “a última de Manoel Carlos”, era de se esperar mais emoção no assassinato do protagonista. Mas a sequência foi cortada sem grande sensibilidade pela edição ruim – um mal que, aliás, prejudicou demais Em Família.

No capítulo morno demais para encerrar a dinastia das Helenas, da morte surreal do protagonista passou-se – acredite – para uma aula de salsa no Galpão Cultural. E a vida seguiu no Leblon.

Feliz com Clara (Giovanna Antonelli), Marina (Tainá Müller) deixou aquela vida de fotografar modelos nuas e passou a investir em modelos infantis. Shirley (Viviane Pasmanter) voltou a viajar pelo mundo. Depois de procurar durante toda a vida, André (Bruno Gissoni) descobriu que sua mãe biológica, a detestável Branca (Ângela Vieira) esteve perto o tempo todo – coincidências de folhetim. Surtada há tempos, Juliana (Vanessa Gerbelli) se acalmou e escolheu o malandro Jairo (Marcello Melo Jr.) como marido. O ex dela, Nando (Leonardo Medeiros), deu uma chance à secretária Isolda (Silvia Quadros). Em Paris, Luiza, já curada de todo aquele “amor imenso” que dizia sentir por Laerte, conheceu um pianista galante.

Ninguém ficou sem par e, mesmo depois de algumas dúzias de barracos, a família Fernandes terminou unida em torno de uma mesa de banquete, para comemorar o aniversário da matriarca Chica. Só para não deixar de fazer jus ao título, a mensagem é que tudo acontece mesmo em família ali. E, ao que parece, em ciclos. Na cena derradeira, Verônica (Helena Ranaldi) e Leto (Ronny Kriwat) surgiram no palco como se a vida se repetisse, quem sabe numa espécie de Matrix do Leblon. Vamos começar tudo de novo?

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17/07/2014

às 19:20 \ Eu vejo novela

Zelão vira Jon Snow em ‘Meu Pedacinho de Chão’

Você não sabe de nada, Zelão: Irandhir Santos desfila no inverno de Santa Fé (Reprodução)

Você não sabe de nada, Zelão: Irandhir Santos desfila no inverno de Santa Fé (Reprodução)

Bem diferente do que em Game of Thrones (HBO), onde é promessa há quatro temporadas, o inverno chegou sem avisar a Meu Pedacinho de Chão (Globo, 18h10). No capítulo desta quinta (17), com as bochechas vermelhas, os moradores da Vila de Santa Fé viram o conjunto de casinhas ser envolvido por uma impressionante camada de neve. Visto de longe, o povoado parece estar dentro de um globo de neve.

Jon Snow (Kit Harington): em 'Game of Thrones', o inverno "está chegando" há quatro temporadas (Divulgação)

Jon Snow (Kit Harington): em ‘Game of Thrones’, o inverno “está chegando” há quatro temporadas (Divulgação)

Além dos efeitos especiais e a fotografia um pouco mais azulada, que substituiu o dourado dos últimos tempos de outono, a moda inverno tornou a novela do diretor Luiz Fernando Carvalho ainda mais rococó. Mais linda do que nunca, a professora Juliana (Bruna Linzmeyer) estreou um gorro cheio de hortênsias e Catarina (Juliana Paes) ganhou uma verdadeira instalação de enfeites na cabeça, mas foi Zelão (Irandhir Santos) que surpreendeu: abandonou o vermelho pelo preto e desfilou pela rua com jeito Jon Snow (Kit Harington), o patrulheiro de Game of Thrones. “E o mundo ficou frio. ‘Igual que nem’ meu coração”, disse ele, meio que por telepatia, à professorinha, que anda dando bola de novo para o Dr Renato (Bruno Fagundes).

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16/07/2014

às 15:39 \ Entrevista

‘A Isolda merece o Nando’, diz a “ruiva Mad Men” de ‘Em Família’

Silvia Quadros, a Isolda de 'Em Família': "O Nando é daquele jeito não por ser banana, mas por gostar muito da Juliana. É o tipo de pessoa que, quando ama, faz qualquer coisa pelo outro”, analisa a atriz, estreante em novelas (Divulgação)

Silvia Quadros, a Isolda de ‘Em Família’: “O Nando é daquele jeito não por ser banana, mas por gostar muito da Juliana. É o tipo de pessoa que faz qualquer coisa quando ama”, analisa a atriz, estreante em novelas (Divulgação)

Isolda levou um dolorido fora no capítulo do último sábado, mas a disputa pelo coração de Nando (Leonardo Medeiros), o banana mais adorável de Em Família (Globo, 21h15) ainda não terminou. Não que as moças do Leblon de Manoel Carlos estejam disputando o advogado a tapa, nada disso. Mas, desprezado durante toda a novela por Juliana (Vanessa Gerbelli), ele se tornou de repente um bom partido, quando veio à tona a paternidade da menina Bia (Bruna Faria). A madame anda querendo deixar Jairo (Marcello Melo Jr.) para voltar com Nando, mas até o final, na próxima sexta, muita coisa ainda pode acontecer. É o que espera não só a fiel secretária Isolda, mas sua intérprete, Silvia Quadros. “Ela é a mulher certa para cuidar dele”, defende a atriz estreante em novelas, em conversa com QUANTO DRAMA!.

Silvia na cena em que Isolda tomou coragem e se declarou para Nando (Leonardo Medeiros):"Fiquei pulando de felicidade quando recebi o roteiro", lembra a atriz (Reprodução)

Silvia na cena em que Isolda tomou coragem e se declarou para Nando (Leonardo Medeiros):”Fiquei pulando de felicidade quando recebi o roteiro”, lembra a atriz (Reprodução)

Com um estilo à la Joan Holloway, a ruiva fatal que Christina Rene Hendricks interpreta na série americana Mad Men (AMC), Isolda começou com uma participação discreta, oferecendo um bombom aqui outro ali para o chefe. Depois, passou a defendê-lo com unhas e dentes quando a surtada Juliana aparecia no escritório para protagonizar um dos seus muitos barracos. De capítulo em capítulo, cresceu e apareceu em cena até ser credenciada pelo autor para um “felizes para sempre” – pelo que texto demonstrou até aqui, a final de Nando não será ao lado de Juliana. “Quando peguei o papel, era apenas isso: a secretária do Nando. Depois, eu mesma me surpreendi, porque começou a parecer que ela teria um cuidado, um interesse amoroso por ele. Claro que passei a torcer pelos dois!”, diverte-se ela, ainda na expectativa para gravar as últimas cenas.

Filha de pais portugueses, nascida em Belém (PA) e criada no Rio, Silvia estudou teatro desde a adolescência, mas se formou primeiro em Marketing antes de decidir pela carreira de atriz. Aos 29 anos, tem sua primeira chance na TV, que conseguiu por meio um teste, após preencher um cadastro no banco de atores da Globo. É um caso típico de physique du rôle, quando a aparência do ator combina perfeitamente com o personagem. “Nunca ninguém me disse nada, mas acho que estavam procurando alguém como eu, já que mantive o corte e a cor do cabelo. Aqueles óculos que a Isolda usa, por exemplo, são meus”, detalha.

Não seria o caso imaginar que o diretor Jayme Monjardim e o autor Manoel Carlos poriam uma ruiva perto de Nando apenas para, digamos, embelezar o ambiente. Mesmo assim, o crescimento da participação de Isolda foi uma surpresa para Silvia, que mal pôde acreditar quando recebeu a sequência em que a secretária tomou coragem e agarrou Nando no escritório. “Fiquei pulando sozinha em casa”, lembra. “No dia da gravação, todo mundo estúdio estava torcendo, foi muito legal.”

Isolda não é exatamente uma mulher fatal, está mais para uma sedutora hesitante. É mais um ponto a favor como par perfeito de Nando, sujeito sem o menor traquejo com as mulheres e tendência a bancar o capacho. “Ele é daquele jeito não por ser banana, mas por gostar muito da Juliana. É aquele tipo de pessoa que, quando ama, faz qualquer coisa pelo outro”, analisa Silvia, obviamente simpatizante do personagem com jeito de cachorro que caiu da mudança. “A Juliana pôs o foco nas crianças e se esqueceu dele, por isso o casamento acabou. Já a Isolda se dedica a ele. A relação dos dois é deliciosa, porque eles são meio desastrados, meio sem jeito. Eles batem óculos e tudo! Estou adorando.”

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15/07/2014

às 13:27 \ Folhetinescas

‘O Rebu’ é ótima. Mas não é novela

Angela Mahler (Patrícia Pillar) e Gilda Rezende (Cássia Kis Magro) deram um show no primeiro capítulo de 'O Rebu' e foram aplaudidas de pé nas redes sociais (Reprodução)

Angela Mahler (Patrícia Pillar) e Gilda Rezende (Cássia Kis Magro) deram um show no primeiro capítulo de ‘O Rebu’ e foram aplaudidas de pé nas redes sociais (Reprodução)

Entre todos os elogios que podem ser feitos à estreia de O Rebu, na noite desta segunda (14) na Globo, o maior é constatação de que a “nova novela das onze” não é uma novela. Pouco restou do folhetim sessentão brasileiro, que luta para se manter meramente interessante, no modelo proposto pelos autores George Moura e Sergio Goldenberg na releitura da história escrita por Bráulio Pedroso em 1974. Já revolucionária em sua época, graças à direção engajada de Walter Avancini, a trama volta a beber em fontes cinematográficas, agora sob o comando de José Luiz Villamarim.

Duda (Sophie Charlotte) canta Roberto Carlos num momento "bafônico" da festa de 'O Rebu' (Reprodução)

Duda (Sophie Charlotte) canta Roberto Carlos num momento “bafônico” da festa de ‘O Rebu’ (Reprodução)

A julgar pelo primeiro capítulo, o remake deve superar o original, o que não chega a ser surpreendente, uma vez que Bráulio foi um autor à frente de seu tempo. É evidente que a grande ideia que ele teve, de uma novela policial contada no período de 24 horas, dispõe de mais recursos para ser contada hoje em em dia, com toda a sofisticação que os convidados da ricaça Angela Mahler (Patrícia Pillar) merecem. Filmada com o que há de melhor no mercado audiovisual (o sistema 4K) numa locação suntuosa (o palácio Sans Souci, em Buenos Aires), a produção tem um elenco dos sonhos, figurinos belíssimos e trilha sonora envolvente. Ou seja: todo aquele ar folclórico e adorável – mas demodê – das novelas dos anos 70 ficou lá no século 20. Mas seu maior trunfo é, sem dúvida, a decisão da direção de contá-la em apenas 36 capítulos. A salvação das novelas é o encurtamento, não há como fugir disso. Se O Rebu é novela como a emissora anuncia, e não uma série quase diária – vai ao ar às segundas, terças, quintas e sextas –, tomara que se torne um padrão para que os bons argumentos deixem de se tornar novelas enfadonhas, esticadas além da conta.

O Rebu original, lembremos, durou longos 112 dias. Na trama concentrada em poucos personagens, não havia história para tanto tempo, e eis que, apesar do esforço da equipe, sobraram erros de continuidade. Quem acompanhou na época – não é o meu caso – conta, por exemplo, o caso divertido do pianista que tocava ao vivo na festa de Conrad Mahler (Ziembinski), mesmo o piano estando vazio em algumas cenas (pianista de plantão, Paulo César Oliveira não faltava a algumas gravações e Avancini tocava o barco sem ele). Há quem diga ainda que a novela chegava a ser chata, de tanto que se enrolou para desvendar o crime.

Desta vez, com bem menos minutos no ar para preencher, O Rebu entregou logo um dos seus grandes mistérios, sobre de quem é o cadáver boiando na piscina da mansão – Bruno (Daniel de Oliveira), ao que parece, um misterioso don juan.  Na primeira versão, a revelação foi feita no capítulo 50 – era Silvia (Bete Mendes), de cabelos curtos e vestida de homem para despistar. Em vez do didatismo usual para apresentar personagens, com aquele truque de repetir os nomes nas conversas para que até o telespectador mais desatento entenda quem é quem, a câmera de Walter Carvalho passou de uma figura a outra a perambular pela mansão, numa integração perfeita entre roteiro e edição. O ritmo deve diminuir um pouco nos próximos capítulos, mas espera-se que a trama continue ágil depois de um começo tão hipnótico.

Mesmo com Ibope de 23 pontos, abaixo das antecessoras, como informa o Radar on-line, o esmero da produção agradou aos noveleiros de plantão nas redes sociais. Os momentos mais comentados no Twitter foram a interpretação chorosa – com a ajudinha de um programa de correção de voz – de Sophia Charlotte (Duda) para Sua Estupidez de Roberto Carlos e a cena espetacular de Patrícia Pillar (Angela) e Cássia Kis Magro (Gilda) ao lado do cadáver de Bruno. Nas duas sequências, um “algo mais” entre as três – sim, entre as três – ficou no ar. Mas, não, é Bruno que está entre elas. Como o autor garantiu neste post, não há relação homossexual na novela, um traço importante da original. A insinuação lésbica deve ser, portanto, ingrediente de mistério ou mera provocação típica da alta madrugada.

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Em sessão com modista, Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) têm mais um round: azar é casar com esse homem, menina (Divulgação)

Em sessão com modista, Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) têm mais um round: azar é casar com esse homem, menina (Divulgação)

Final de novela é tempo de cair em si, como diria a Caminha. A quatro capítulos do felizes para sempre – será? – de Em Família (Globo, 21h15), Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) seguem entre tapas e beijos, a cada dia com menos paciência, de lado a lado.

Na noite desta segunda (14), o barraco foi instalado por causa do agourento vestido de noiva que a moça mandou costurar para o casamento, idêntico ao que a mãe dela, Helena (Júlia Lemmertz), usou com quando quase se casou com o mesmo noivo. O clima na família não anda dos melhores, mas mesmo assim Luiza chamou os pais para opinarem na sessão de prova com a modista. Como era de se esperar, todos foram surpreendidos com a persona non grata do noivo. A noiva tratou de se apegar à sabedoria popular: vê-la antes do casamento vai dar azar. Como se casar com Laerte não fosse, digamos, dar sopa para o azar. Toda pirracenta, avisou que vai casar de calcinha se for preciso, mas não com aquele vestido. E antes que o noveleiro tivesse tempo de reagir, gritou como se adivinhasse pensamento de quem está no sofá: “Sou mimada, sim! E muito amada pelos meus pais!”

A personagem de Bruna, a musa da Copa e atual namoradinha do Brasil, é uma autêntica “chata de Maneco”, galeria que composta por patricinhas como a Maria Eduarda (Gabriela Duarte), de Por Amor (1997), e a Doris (Regiane Alves) de Mulheres Apaixonadas (2003).

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Entre as muitas modificações promovidas pelo diretor José Luiz Villamarim na nova O Rebu, remake da lendária novela que Bráulio Pedroso escreveu em 1974, certamente o que chamará a atenção dos mais saudosos é a substituição da trilha original. Composto pela então jovem dupla de sucesso Raul Seixas e Paulo Coelho a pedido do diretor Walter Avancini, o LP da novela foi considerado um tanto demodê para embalar uma festa de ricaços nos dias atuais. O primeiro capítulo vai ao ar na noite desta segunda na Globo, às 22h25.

Com todo respeito à história do disco que lançou o hit Como Vovó Já Dizia – do “quem não tem colírio, usa óculos escuros” –, a decisão de Villamarim não é descabida. O diretor, aliás, vem de um caminho de sucessos nessa área: esteve entre os diretores de Avenida Brasil (2012), a do “oi, oi, oi”; pôs Isis Valverde para cantar – com pouca voz, mas muito charme – em O Canto da Sereia (2013); e acertou na escolha do grupo The xx para dramatizar Amores Roubados, no início do ano. Desta vez, as cenas trazem clássicos da ferveção em pista, como Bizarre Love Triangle, do New Order, e baladas elegantes e envolventes, como I Found You, do Alabama Shakes.

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De qualquer forma, vale lembrar aqui da trilha de Raul Seixas e Paulo Coelho, detalhe pitoresco de uma das novelas mais inventivas da nossa teledramaturgia. Driblando a censura aqui e ali, a trama policial contou a história de um crime – de motivação passional, como foi desvendado depois – ocorrido numa festa. Toda a ação se passa entre a noite e a manhã seguinte ao crime, e as sequências que compõem o quebra-cabeça são apresentadas sob os vários pontos de vista dos convidados. Difícil, como se pode imaginar, de executar, a produção não foi perfeita e não foi um grande sucesso, mas passou para a posteridade pela ousadia e criatividade.

Nessa toada, é histórico também o momento em que Raul Seixas chamou a atenção dos censores pela primeira vez. Dois versos de Como Vovó Já Dizia  –  “quem não tem papel dá recado pelo muro” e “quem não tem presente se conforma com o futuro”foram cortados e substituídos por “quem não tem filé come pão e osso duro” e “quem não tem visão bate a cara contra o muro”, como lembra o doutor em História Social Luiz Lima neste artigo.

Abaixo, você ouve Raul cantando ao vivo os versos originais da música. Nos comentários do vídeo, há quem diga que ele erra a letra, mas não – é a música original de O Rebu:

 

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