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Dilma Rousseff

16/09/2010

às 13:49 \ governo lula

O pecado capital do petismo

A sequência dos lances que culminaram na demissão da ministra-chefe da Casa Civil confirma um traço grotesco da política brasileira no governo Lula.  Erenice Guerra não foi demitida porque ocupou o cargo com postura incompatível com a função que exercia. Caiu porque tornou-se um incômodo à Presidência e ao partido às vésperas de uma eleição que pode selar a permanência do aparato petista no poder.

A revelação da história de Israel Guerra por VEJA não causou constrangimento ao governo. Desencadeou apenas uma mobilização partidária voltada à blindagem de Dilma Rousseff.

O próprio presidente assumiu as rédeas da espinhosa missão de afastar a candidata do caso – como se fosse possível separar a conduta de Erenice, auxiliar de fidelidade canina, da maneira como Dilma conduzia a Casa Civil. Afinou o discurso com a equipe e costurou a proteção à candidata. Não contava com a incompetência da ministra. Erenice selou seu próprio destino ao assinar nota virulenta e tola, que atacava o adversário José Serra e recolocava o escândalo na esfera eleitoral.

Tivesse submetido o texto ao crivo da Secretaria de Comunicação do governo, zelosa do favoritismo de Dilma nas pesquisas e ciente da necessidade de esfriar a temperatura do episódio, Erenice poderia ter escapado à guilhotina. Mas cometeu o pecado capital do petismo. A falha moral passou batida, mas a nota que pôs uma pedra no caminho da manutenção do poder foi castigada com rapidez exemplar.

16/08/2010

às 7:16 \ Campanha política

Um coquetel explosivo

Ao transformar-se em patrono e cabo eleitoral de uma candidata à sucessão, o presidente da República agrediu a democracia e a ética. Ao colecionar punições por propaganda antecipada, agrediu a democracia, a ética e a lei. Ao decidir que os ministros devem juntar-se ostensivamente ao palanque de Dilma Rousseff, como fez agora, Lula atropela simultaneamente a democracia, a ética, a lei e o conceito de nação.

O governo existe para atender aos interesses de todos os brasileiros, não de um partido. Ministros são pagos pelos contribuintes para resolverem problemas públicos, não privados. A mistura de coisas que não podem andar juntas era, por enquanto, lastimável. O coquetel tornou-se explosivo. Cabe à Justiça impedir que seja servido.

21/07/2010

às 21:55 \ Política externa

Simples assim

Se é que ainda existiam, quaisquer dúvidas sobre o objetivo presente de Hugo Chávez foram removidas pela reativação da ofensiva contra a Globovisión: o presidente da Venezuela pretende governar a imprensa do país. Previsivelmente, o atentado às liberdades democráticas é apresentado como um passo adiante da revolução bolivariana, decidida a colocar os meios de comunicação a serviço dos interesses populares. É o controle social da mídia com sotaque espanhol.

Há seis meses, confrontado com violência do gênero, o presidente Lula reafirmou a opção preferencial por companheiros. “Na Venezuela existe democracia em excesso”, disse. “Pelo que vi nos jornais e na TV, há liberdade de imprensa até demais”, endossou Marco Aurélio Garcia. Os fatos desta quarta-feira oferecem ao governo brasileiro uma boa chance de mudar de ideia. E convidam  a candidata Dilma Rousseff a deixar claro que é improcedente a suspeita de que flerta com algum tipo de controle da imprensa.

Basta que Lula, Garcia e Dilma digam que Hugo Chávez está errado.

07/07/2010

às 20:42 \ Programa de Governo

Uma candidata e dois equívocos

Em dezembro, confrontada com as torpezas antidemocráticas embutidas no Programa Nacional de Direitos Humanos, produzido pelo PT mas editado pela Casa Civil que chefiava, a ministra Dilma Rousseff explicou que não havia lido o que assinara. Nesta semana, reapresentada às mesmas espertezas liberticidas, agora infiltradas na primeira versão do programa de governo registrado pelo PT no Tribunal Superior Eleitoral, a candidata Dilma Rousseff explicou que não leu o que rubricou e subscreveu.

Diferentemente do que ocorre no jogo-do-bicho, o que está escrito em documentos do gênero só vale se incluir a assinatura do responsável. Depois de assinado, contudo, pouco importa se foi lido ou não por quem o chancelou: entram em vigor imediatamente. Caso chegue à Presidência, Dilma Rousseff vai avalizar leis e decretos que interferem na vida de milhões de brasileiros. Convém que se habitue a ler documentos desde já.

A candidata acredita que a imprensa está tentando “politizar o que não é politizável”. Um programa de governo resume as diretrizes que vão balizar o desempenho do próximo presidente. Dilma é que está querendo despolitizar o que é político da primeira linha ao ponto final.

 

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