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aumento do mínimo

16/02/2011

às 20:00 \ governo

Austeridade para todos

A presidente Dilma Rousseff amparou-se em argumentos sólidos e claros para impedir que o reajuste do salário mínimo ultrapassasse o limite dos R$ 545,00. Para começar, a quantia foi fixada no acordo celebrado com as centrais sindicais, e acordos existem para ser cumpridos. Mais: como acaba de anunciar um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, o governo se concederia um atestado de irresponsabilidade caso concordasse com qualquer mudança que ampliasse perigosamente o rombo já assustador da Previdência Social.

Ao enquadrar pelegos sem palavra e aliados sem compromisso com a seriedade, Dilma Rousseff também revogou a falácia segundo a qual o Executivo sempre se dá mal quando resolve bater de frente com parlamentares insatisfeitos. Todo presidente eleito nas urnas, sobretudo no início do mandato, tem cacife de sobra para induzir a maioria governista a criar juízo.

Como os políticos se concedem vantagens absurdas, como a curva dos gastos públicos atesta a vocação perdulária dos governos, a discussão sobre o valor do mínimo costuma deixar o campo da racionalidade para cair no pântano do emocionalismo insensato. Já que os ganhos dos que governam são abusivos, argumentam equivocadamente incontáveis brasileiros, por que agir com prudência só na hora de reajustar o salário mínimo?

O certo é dizer não a qualquer tipo de gastança irresponsável. O brasileiro precisa aprender que é ele quem paga todas as contas. Também precisa aprender, de uma vez por todas, a respeitar acordos, regras e leis.  A vida previsível pode ser menos emocionante. Mas também é bem menos perigosa.

 

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