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12/04/2011

às 18:56 \ Sem categoria

Tiro no pé

O ciclo de sensatez vivido pelo Peru durante a primeira década do século 21 consolidou o regime democrático e tornou a economia muito mais musculosa. Nas eleições deste domingo, os peruanos decidiram que o segundo turno da eleição presidencial será disputado por dois candidatos que colocam em risco ambas as conquistas.

O mais votado foi Ollanta Humala, que só há alguns meses simulou afastar-se do amigo Hugo Chávez e abrandou o discurso nacionalista bolivariano. Vai enfrentar Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, preso por corrupção. Qualquer que seja o vitorioso, é improvável que as coisas melhorem. Os estragos certamente serão atribuídos ao culpado de sempre: o imperialismo ianque.

“O eleitorado resolveu escolher entre o câncer e a aids”, resumiu o escritor peruano Mario Vargas Llosa. É isso.

09/11/2010

às 18:21 \ Sem categoria

O ministro e o sofá

Confrontado com o vazamento de algumas questões do Enem-2009, o ministro da Educação, Fernando Haddad, limitou-se a trocar de gráfica. Como o marido traído da velha piada, tirou o sofá da sala.

Confrontado com a reprise do fiasco, já não há sofás a remover. Resta ao governo trocar de ministro.

27/08/2010

às 9:53 \ Sem categoria

Cumplicidade por omissão

Como recomenda o regulamento não escrito do clube bolivariano, a Venezuela saiu na frente – e abriu caminho para a imediata reprise da infâmia por um sócio dependente. A pretexto de impedir a publicação de imagens que possam ferir a sensibidade dos leitores, Hugo Chávez impôs nesta semana um mês de censura prévia aos jornais do país. Estimulada pelo parceiro e eventual patrocinador, a argentina Cristina Kirchner deu outra volta no garrote forjado para estrangular o grupo Clarín.

Incluída na Declaração dos Direitos Humanos, a liberdade de expressão precede e ampara a liberdade de imprensa. São igualmente intoleráveis quaisquer tentativas de cerceá-la – ou com proibições ostensivas, caso da Venezuela, ou com a interrupção do suprimento de papel, como se tenta na Argentina. Abusos ou delitos cometidos pela imprensa só podem ser punidos depois da publicação do texto. Abortá-lo previamente é censura. Configura um ato liberticida, e como crime deve ser tratado por todos os países democráticos.

O governo brasileiro não se manifestou sobre nenhum dos casos. Até que quebre o silêncio conveniente, é cúmplice por omissão.

12/08/2010

às 19:54 \ Sem categoria

Intervenção oportuníssima

A anistia política sempre figurou entre as mais belas tradições nacionais, e poucos países souberam utilizá-la com tanta eficácia. Foi esse o providencial escape que, ao longo da história, livrou o Brasil de inúmeros becos aparentemente sem saída. Foi assim em 1979, quando a decretação da anistia ampla, geral e irrestrita permitiu a volta dos exilados e apressou a ressurreição da democracia.

Neste começo de século, como notou Millôr Fernandes, a farra financeira promovida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça pareceu transformar em investimento o que seria uma opção ideológica — e ameaçou desmoralizar uma fórmula especialmente cara a quem valoriza a conciliação. A oportuníssima intervenção do Tribunal de Contas da União pode corrigir os desvios já ocorridos e paralisar de vez o trem da alegria. Melhor para os cofres públicos.

Os brasileiros que pagam todas as contas da gastança agradecem.

10/08/2010

às 21:55 \ Sem categoria

A entrevista ganhou do debate

As entrevistas com Dilma Rousseff e Marina Silva atestaram que os 48 minutos distribuídos por quatro candidatos pelo Jornal Nacional serão muito mais interessantes, animados e reveladores que as duas horas e meia do debate na Band que reuniu as duas concorrentes à Presidência, José Serra e Plínio de Arruda Sampaio. O debate excessivamente engessado caducou. Para ser muito mais eficaz, a TV Globo limitou-se a ressuscitar a velha receita: os entrevistadores perguntam com objetividade e procuram impedir que o entrevistado fuja da resposta.

Enquanto a Justiça eleitoral não remove as algemas que impedem saudáveis duelos entre candidatos escolhidos pelos organizadores do debate, as emissoras de TV devem adotar e aperfeiçoar a fórmula do Jornal Nacional, ampliando o tempo da conversa. Quem viu as entrevistas na Globo hoje sabe muito mais sobre Dilma e Marina do que quem só assistiu ao debate na Band.

06/08/2010

às 0:23 \ Sem categoria

O primeiro debate presidencial: quinto bloco

Nas considerações finais, Marina foi surpreendentemente insossa, Dilma foi previsivelmente confusa, Serra foi exageradamente vago e Plínio exemplarmente preciso:  “Aqui, todos se mostraram dispostos a fazer o bem e evitar o mal. Isso não quer dizer nada”. No primeiro debate na TV, não houve nada parecido com um debate.

06/08/2010

às 0:11 \ Sem categoria

O primeiro debate presidencial: quarto bloco

Entre todas as camisas-de-força que sufocam os debates eleitorais no Brasil, nenhuma parece mais asfixiante que a supressão do direito à réplica dos jornalistas que formulam perguntas. No quarto bloco, nenhum candidato ofereceu respostas claras, sólidas e abrangentes. Como a réplica ficou por conta de outro participante, ouviu-se invariavelmente um discurso sem compromisso com a pergunta e sem vínculos com a resposta.

05/08/2010

às 23:47 \ Sem categoria

O primeiro debate presidencial: terceiro bloco

Sem nada a perder, Plínio de Arruda Sampaio foi o único a formular propostas que os telespectadores entendem (entendem também que são inviáveis). Marina continua em busca de um discurso consistente. Serra e Dilma acionaram a duas vozes a usina de cifras: quantidade de cirurgias de varizes, número de tratores vendidos, capacidade da indústria naval, casas populares construídas ou por construir. O terceiro bloco foi uma procissão de estatísticas improváveis.

05/08/2010

às 23:15 \ Sem categoria

Primeiro debate presidencial: segundo bloco

Os participantes do debate repetiram truques e táticas que aceleraram o desgaste da fórmula adotada pela TV brasileira. Evitaram o confronto, fizeram perguntas a si próprios para respondê-las na réplica, despejaram números que nenhum espectador consegue assimilar. Quem ligou a TV no segundo bloco pode ter chegado ao intervalo sem descobrir que se trata de um debate. A fórmula adotada nos últimos anos deve ser urgentemente aposentada.

31/07/2010

às 10:56 \ Sem categoria

A legalização da reincidência

Em meados de 2005, o Congresso instaurou uma CPI incumbida de apurar bandalheiras ocorridas nos Correios e protagonizadas por parlamentares associados a diretores da estatal. Logo se descobriu que a empresa, incluída pelo governo na cota do PMDB, fora transformada pelos controladores em fonte de lucros ilícitos.

Passados cinco anos, a história se repete como piada de péssimo gosto. Políticos do PMDB e altos funcionários voltaram ao noticiário político-policial a bordo de um esquema corrupto novamente montado por padrinhos e afilhados. Só mudaram os nomes no elenco. Como em 2005, o PMDB cuidou da produção e da direção.

E vai continuar cuidando, informa a espantosa decisão de manter os Correios sob o controle do partido. No Brasil, o criminoso já nem se afasta do local do crime. Continua por lá, preparando o próximo.

 

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