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Arquivo da categoria Campanha política

30/09/2010

às 23:46 \ Campanha política

Concurso de gerente

Liberados para tratar de quaisquer temas, os candidatos contornaram cuidadosamente problemas políticos e assuntos constrangedores que vêm frequentando diariamente as manchetes dos jornais. A única alusão aos tumores da corrupção foi feita pelo riso da plateia depois que Dilma Rousseff afirmou que todas as doações recebidas pela aliança que a apoia são declaradas formalmente. Todos prometeram reconstruir um sistema de transporte cuja destruição nenhum dos quatro tentou evitar. O segundo bloco, mais uma vez, lembrou mais um concurso de gerente que a escolha do próximo presidente da República.

30/09/2010

às 23:10 \ Campanha política

Nada de novo

O bloco de aquecimento confirmou que o debate eleitoral na TV, nascido em 1960 nos Estados Unidos, é submetido no Brasil, a cada quatro anos, a tentativas de assassinato. Excetuadas as tiradas irônicas de Plínio de Arruda Sampaio, não se viu nada de novo. Repetiu-se o cortejo de promessas inviáveis, cifras inverossímeis. Dilma Rousseff, por exemplo, produziu a estreia do trilhão ao falar sobre as linhas de créditos criadas durante o governo Lula. O ponto positivo foi a redução dos atentados ao português, por enquanto tratados com gentileza por Serra, Marina e Plínio.

31/08/2010

às 7:24 \ Campanha política

Lula inventa o tutor-executivo

O Brasil começa a perceber que o chefe de governo não estava gracejando quando avisou que, como não poderia disputar a presidência pela primeira vez desde 1989, resolvera infiltrar-se na tela da urna eletrônica com o nome de Dilma Rousseff. Nos dias seguintes, Lula repetiu que seria um conselheiro de luxo da sucessora.

Recentemente, informou que, quando fosse necessário, telefonaria para o Palácio do Planalto e diria que algo estava errado. Nesta segunda-feira, a metamorfose se completou: o governante cujo mandato termina em dezembro prometeu no Rio construir mais 500 unidades de pronto atendimento até 2013.

“Um presidente que termina o mandato não deveria ficar dando palpites no que o outro faz”, recitou Lula incontáveis vezes. Sabe-se agora que a frase só vale para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. As promessas que fez no Rio sugerem que Lula, se vencer a eleição, pretende nomear-se tutor-executivo de Dilma Rousseff.

16/08/2010

às 7:16 \ Campanha política

Um coquetel explosivo

Ao transformar-se em patrono e cabo eleitoral de uma candidata à sucessão, o presidente da República agrediu a democracia e a ética. Ao colecionar punições por propaganda antecipada, agrediu a democracia, a ética e a lei. Ao decidir que os ministros devem juntar-se ostensivamente ao palanque de Dilma Rousseff, como fez agora, Lula atropela simultaneamente a democracia, a ética, a lei e o conceito de nação.

O governo existe para atender aos interesses de todos os brasileiros, não de um partido. Ministros são pagos pelos contribuintes para resolverem problemas públicos, não privados. A mistura de coisas que não podem andar juntas era, por enquanto, lastimável. O coquetel tornou-se explosivo. Cabe à Justiça impedir que seja servido.

05/08/2010

às 23:05 \ Campanha política

O primeiro debate presidencial: primeiro bloco

A maior surpresa do primeiro bloco foi o nervosismo coletivo. À exceção do tarimbado Plínio de Arruda Sampaio, todos tropeçaram em sílabas e concordâncias. Marina Silva trocou palavras, José Serra foi traído pela palidez, Dilma Rousseff não conseguiu formular uma única resposta sem estourar o prazo. Serra está mais interessado em expor as próprias idéias do que em contestar as alheias. Dilma tenta seguir um roteiro previamente estabelecido mas não consegue resistir a desvios. Até agora, ninguém se destacou do pelotão para assumir a liderança da corrida de duas horas.

16/07/2010

às 19:30 \ Campanha política

Truque perigoso

Num improviso nesta tarde em Diadema, o presidente Lula encontrou o responsável pelo atraso crônico das obras do governo federal em São Paulo: “Uma pessoa que não sei quem é”. Pela reação da plateia, todos entenderam que devem ser debitados na conta de José Serra também os exageros da burocracia e a incompetência gerencial que fazem do PAC um colosso de papel.

Mais difícil será transferir para algum adversário a culpa pela paralisia dos projetos vinculados à Copa de 2014. Difícil e perigoso: Lula discursa para a arquibancada, mas precisa convencer a cartolagem na tribuna de honra. Seu interlocutor é a FIFA, que está apenas cobrando o que o Brasil se dispôs a fazer há dois anos ─ e não fez. A entidade que controla o futebol mundial é bem menos indulgente que as plateias domésticas. E não teme bravatas.

Sejam quais forem as explicações do palanqueiro incansável, a sede da Copa do Mundo será transferida para outro país se o Brasil não cumprir o que prometeu. O presidente da FIFA se limitará a informar que a culpa foi de uma pessoa que todos sabem quem é.

 

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