21/03/2013
às 12:32 \ Câmara dos DeputadosO dilema de Feliciano
O clima crescente de que é insustentável a situação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) à Frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) se deve, em grande parte, à presença de ruidosos manifestantes dentro da Câmara dos Deputados. Os sucessivos protestos parecem influenciar a opinião dos parlamentares sobre o caso.
Alguns deputados, entretanto, criticam a atuação do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), nos episódios. Caberia a ele determinar que a segurança impedisse a entrada de manifestantes nas reuniões da comissão. Mas Alves quer ver Feliciano fora da presidência da comissão.
A presença de militantes organizados é comum na Câmara: normalmente, esses grupos são barrados antes de se aproximar do salão verde, que dá acesso ao plenário. Nas salas das comissões, eles podem assistir às sessões se permanecerem em silêncio. Mas a regra tem sido desrespeitada.
Nas duas últimas quarta-feiras – como aconteceu na primeira tentativa de eleger Feliciano, há três semanas –, militantes contra o deputado chegaram cedo e ocuparam a sala da comissão. Aos gritos, eles inviabilizaram a realização das reuniões. A segurança chegou depois, apenas para impedir que mais pessoas entrassem no espaço, já superlotado. Marco Feliciano, temendo mais exposição negativa, não mandou retirar os manifestantes. Resultado: quando um parlamentar evangélico – ou Jair Bolsonaro – tentava falar, tinha a voz abafada pelos protestos.
Feliciano, agora, se vê em uma situação complexa: se continua permitindo a presença dos barulhentos manifestantes, não consegue manter a comissão funcionando. Se pede que a segurança remova os militantes da sala, pode ser taxado de autoritário e aumentar a repercussão negativa de sua atuação. Na última quarta, não por acaso, os manifestantes provocavam o presidente da comissão a ordenar a retirada deles.
(Gabriel Castro, de Brasília)
Tags: Câmara dos Deputados, cdh, henrique alves, jair bolsonaro, Marco Feliciano




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