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04/01/2011

às 11:15 \ AVENIDA, FIGURAS

ROSA MAGALHÃES

O samba erudito na Vila Isabel

Por Julio Cesar de Barros


Rosa: quarenta anos de paetês

Depois de colecionar títulos pela Imperatriz Leopoldinense, Rosa Magalhães, a carnavalesca número 1 do Carnaval carioca, com 40 anos de serviços prestados ao samba e ganhadora de um prêmio Emmy, vai estrear na Vila Isabel, em 2011. 

LEIA O TEXTO COMPLETO CLICANDO ABAIXO:

Com uma passagem relâmpago pela Ilha do Governador, no Carnaval 2010, onde cumpriu o objetivo de manter a escola no grupo principal, ela aceitou em março o convite de Martinho da Vila e da direção da azul e branco para assumir o barracão da escola. No dia 1º de outubro de 2010, aconteceu no Espaço Cultural Finep, no Rio de Janeiro, o seminário O erudito encontra o povo, para discutir a revolução estética que o Salgueiro de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues capitaneou nas décadas de 60 e 70. O evento abriu o Projeto Escola de Inovação 2010. O Salgueiro foi a primeira escola a incorporar à sua equipe de montagem de Carnaval artistas ligados à Escola de Belas Artes, que levaram para as agremiações uma concepção mais erudita da montagem carnavalesca, com a utilização de novos materiais e novas técnicas de confecção de fantasias e alegorias. O resultado se viu em enredos marcantes da escola da Tijuca, como Quilombo dos Palmares (1960), Xica da Silva (1963) e Festa para um Rei Negro (1971), que lhe valeram títulos e a definiram como “uma escola diferente”. Entre os debatedores convidados (os carnavalescos Renato Lage, hoje no Salgueiro, Max Lopes, da Imperatriz, e a veterana Maria Augusta, que participou da equipe salgueirense nos anos 60), estava Rosa. Ela  aprendeu com os mestres e contribuiu para o processo carnavalesco com suas próprias inovações.


A logomarca do Carnaval 2011 da Vila Isabel: cabelo

Seguindo à risca a máxima de que a excelência está nos detalhes, Rosa Lúcia Benedetti Magalhães - artista plástica, figurinista e coreógrafa - tornou-se uma carnavalesca meticulosa, que cuida dos mínimos aspectos do acabamento de alegorias e fantasias. Seus carnavais são precisos como um ato cirúrgico, o que lhe valeu a crítica de fazer um desfile “muito técnico”, uma desculpa esfarrapada de quem não consegue acompanhar seu alto padrão de qualidade. Ela na se incomoda: “Isso é falta de assunto”, diz. Filha do acadêmico Raimundo Magalhães Júnior e da autora teatral Lúcia Benedetti, que a criaram num ambiente de cultura e liberdade, Rosa estudou no colégio Sacré-Coeur de Marie, em Copacabana, estudou música, inglês, francês e italiano, formou-se em pintura pela Escola Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro, e em cenografia pela Escola de Teatro da Uni-Rio. Foi professora de Cenografia e Indumentária da UFRJ e da Faculdade de Arquitetura Bennett. Além da parte plástica do Carnaval, ela se empenha em fazer bons roteiros. Para tanto, estudou com Doc Comparato, autor de telenovelas e seriados de TV. Ela estreou no carnaval, em 1970, no barracão do Salgueiro, ao lado de alguns dos maiores artistas do Carnaval. Compunham a equipe da escola naquele ano, os já citados Fernando Pamplona, Maria Augusta e Arlindo Rodrigues, além do então novato Joãozinho Trinta (o enredo era Festa Para Um Rei Negro, com o qual a escola foi campeã em 1971). Além do Salgueiro, Ilha e Imperatriz, Rosa trabalhou na Beija-Flor, na Portela e no Estácio. Comandando o barracão, foi campeã pelo Império Serrano em 1982 (Bumbum Praticumbum Prugurundum) e pentacampeã pela Imperatriz (Catarina de Medicis na Corte dos Tupinambôs e Tabajeres,1994; Mais Vale um Jegue que Me Carregue que Um Camelo que Me Derrube, lá no Ceará, 1995; Brasil Mostra a Sua Cara em… Theatrum Rerum Naturalium Brasiliae, 1999; Quem Descobriu o Brasil foi Seu Cabral, no Dia 22 de Abril, Dois Meses Depois do Carnaval, 2000; e Cana-caiana, Cana roxa, Cana fita, Cana preta, Amarela, Pernambuco… Quero Vê Descê o Suco, na Pancada do Ganzá, 2001). Essa experiência a levou a publicar um livro com a receita de uma boa montagem carnavalesca: Fazendo Carnaval, (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).

 
2007: “Vocês querem Bacalhau?” 

Em 2007, mostrou que sua ousadia não tem limites ao levar para a passarela Terezinhaaa, Uhuhuuu! Vocês Querem Bacalhau?, um enredo que falou do famoso pescado e homenageou o Velho Guerreiro Abelardo Barbosa, o Chacrinha. No mesmo ano, Rosa ganhou o  prêmio Emmy, o Oscar da TV americana, na categoria Figurino e Design de Estilo, por seu trabalho na cerimônia de abertura do Pan-Americanos do Rio, no qual foi responsável pela criação e supervisão de montagem da pira, concepção e confecção das alegorias e adereços e dos figurinos da festa, além da criação e supervisão de figurinos para a festa de encerramento dos jogos. Com a premiação, passou a ser membro efetivo da Academy of Television Arts and Sciences, dos Estados Unidos. Ela concorreu também na categoria Direção de Arte, Cenografia e Design Cênico. O Emmy foi um dos sete prêmios internacionais que Rosa ganhou pelo trabalho no Pan. Não há o que estranhar. Embora seja mais conhecida como fazedora de sonhos carnavalescos, Rosa tem experiência ampla na área do espetáculo.


Rosa Magalhães recebendo o prêmio Emmy

Em 1998, ela criou cenários e figurinos, além da produção, da peça O Casaco Encantado, de Lúcia Benedetti, sua mãe, no Teatro Laura Alvim, no Rio. Em 2003, ela foi responsável pelos cenários e figurinos do ballet O Grande Circo Místico, na Fundação Teatro Guaíra , em Curitiba.  Em 2001, foi responsável pela criação e supervisão de montagem da exposição Brasil 500 anos, no Museu do Convento das Mercês, em São Luís, no Maranhão. Fez ainda cenários e figurinos para o ballet Paradox, na Fundação Teatro Castro Alves, em Salvador, no ano 2000. Autora de figurinos e cenários para espetáculos teatrais, exposições e eventos como o Pan, Rosa sabe que os jurados de carnaval se sofisticaram e não se deixam levar apenas pelo efeito global do desfile, em que fantasias e alegorias são vistos como um conjunto plástico. Está ciente de que as escolas se nivelaram na tela da TV e que a diferença está nos detalhes. Ela faz fantasias que podem ser checadas com lentes de aumento, pois cada detalhe é cuidado como se fosse o abre-alas da escola. Uma única fantasia recebe apliques que envolvem quase uma dezena de padronagens diferentes, o que lhe valeu a pecha de fazer um Carnaval muito rococó. Ela não reclama. Deixa que falem. “Não sou perfeccionista, sou normal”, diz. Mentira. Rosa acredita que seu trabalho é resultado de 1% de inspiração e 99% de suor. Chavão. O mais correto seria dizer que ela dá 100% de seu talento ao qual soma 100% de seu suor. Se a superstição entra na conta, não se pode afirmar, mas o destino lhe tem sido padrinho. Sobrevivente de um incêndio num vôo Rio-Paris, ela brincou com a sorte desde cedo. Começou a dirigir aos 14 anos, pelas mãos do pai, e a fumar com a mesma idade, pelas mãos da mãe, de quem herdou uma coleção de santos para os quais reza, segundo confessou em entrevista. Só não se arriscou num terreno mais pantanoso: nunca se casou.  Ela está motivada e com muita expectativa em relação ao Carnaval que se aproxima: “As expectativas para o próximo carnaval são as melhores possíveis. Estou muito orgulhosa! Será o maior prazer trabalhar na Vila e darei meu sangue pela escola”, diz Rosa, ao se referir à empreitada na Vila Isabel, onde montará o enredo “Mitos e Histórias Entrelaçadas Pelos Fios de Cabelo”, que trata do tema desde a antiguidade até o Carnaval de Lamartine e das marchinhas. Mais uma vez a professora, carnavalesca, cenógrafa, figurinista, artista plástica e estilista Rosa Magalhães terá oportunidade de realizar o que aprendeu nos anos 70 e colocou em prática nas últimas três décadas de Carnaval.

 
Rosa com o Emmy: prêmios para o talento e o trabalho

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6 Comentários

  1. zeni pinheiro

    -

    10/11/2011 às 22:07

    GOSTARIA muito, de ter seu apoio para meu projeto 1 DESFILE DE BANDAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO,.BREVEMENTE NO YOU TUBE.
    MUSICA E ESPORTE COM REGISTRO NA BIBLIOTECA NACIONAL,DESDE 1993 SOB O NÚMERO 82 846
    NECESSITO DE PRODUTOR E PATROCINADOR,MAS NÃO TENHO MADRINHA/PADRINHO
    ZENI PINHEIRO AUTORA ZENITHOMPSON@LIVE.COM

  2. VERA LUCIA

    -

    14/07/2011 às 22:35

    ROSA, A MINHA SOBRINHA VAI FAZER 15 ANOS E ELA QUE UM BAILE DE MASCARA COMO FESTA,GOSTARIA DE SABER A ONDE EU POSSO ESTA FAZENDO GRANDE MASCARAS PARA ORNAMENTAR A FESTA E A ENTRADA.
    bJS. CONTO COM A SUA AJUDA.

  3. Corina Carneiro

    -

    13/03/2011 às 16:46

    Querida professora Rosa Magalhães,
    Parabés pela “PERFORMANCE” e beleza da Escola de Samba Vila Isabel!
    Um grande abraço, Corina Carneiro(ex-aluna da Escola de Belas Artes de 1972 a 1975)

  4. Conceição Silva

    -

    31/01/2011 às 10:19

    Bom dia!
    Sou presidente do Grêmio Recreativo Acadêmicos do Samba – Batatais, São Paulo.
    Somos fascinados pela arte da Mestra, Rosa Magalhães O GRAS estará prestando uma Homenagem a Carnavalesca com o Enredo: “A Vila oferece rosas, à Majestosa Rosa que faz a Vila Isabel!”
    Sublime criação…
    De suas mãos nascem os sonhos
    Obras pintadas na apoteose do samba
    Arte barroca, cultura popular
    Sou da Vila não posso negar

  5. marcus farias

    -

    25/01/2011 às 14:40

    Rosa, sou seu fã desde sempre.
    Fui apaixonado pela Imperatriz Leopoldinense por sua causa.
    No ano passado torci pela União da Ilha; Hoje, sou Vila Isabel de carteirinha.
    Parabéns pelo seu trabalho!
    Marcus Farias (Recife-PE)

  6. claudio cid de melo

    -

    22/09/2010 às 18:04

    ola amiga rosa! sou eu a ilma que trabalhou no seu apartamento quando dona lucia ainda estava entre nois.todo comentario que eu pudese fazer do trabalho ainda faltaria palavras … este end de email é meu e do claudio meu marido.bjs foi um prazer, me ligue se voce puder; bjs efique com deus.

 

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