CARLOS ALBERTO CAETANO
Um cardeal do samba

Carlos Alberto Caetano, o Carlão do Peruche (Foto: Marcio Carrasco)
Por Julio Cesar de Barros
Neste sábado, 11, Carlão do Peruche, um dos baluartes do samba paulistano, completa seus 80 anos elegante como um mestre-sala, serelepe como quem tomou suco de quiabo e mais ativo do que nunca. Carlos Alberto Caetano nasceu no dia 11 de setembro de 1930, na rua Pirineus, 76, entre a Santa Cecília, os Campos Elíseos e a Barra Funda, redutos do velho samba da paulicéia. Mas seu DNA de samba é da Lavapés, a mais antiga escola de samba paulistana ainda em funcionamento. Criada na Baixada do Glicério em 1937, a escola ainda participa do carnaval paulistano, desfilando pelo grupo III. Foi lá que Carlão tomou verdadeiro gosto pelo negócio, liderou sambistas ainda adolescente e de onde saiu em 1955, num racha provocado por divergências com a diretoria, para formar sua própria agremiação, a Escola de Samba Unidos do Peruche, fundada em 1956 no bairro da Casa Verde.

Com Caroline Bittencourt, atual rainha da bateria da escola
A primeira escola pela qual Carlão desfilou foi a Flor do Bosque, do Bosque da Saúde. Depois, a Lavapés, em seguida o Peruche, que logo no primeiro ano ganhou o desfile do terceiro grupo (3ª categoria). Passou dois anos no segundo grupo e em 1959 a agremiação chegou ao grupo principal, onde foi campeã pela primeira vez em 1961. No concurso realizado nos anos 60 no bairro da Lapa, a escola foi tricampeã de 1965 a 1967, seguindo-se quatro vice-campeonatos, de 1968 a 1971. De lá para cá a escola não venceu mais o grupo principal e chegou a ser rebaixada algumas vezes, voltando sempre no ano seguinte, com a conquista do campeonato ou do vice-campeonato no Grupo de Acesso.
Carlão é considerado um dos cardeais do samba de São Paulo, tendo participado do processo de oficialização do carnaval de rua, em 1968, durante a prefeitura de Faria Lima, ao lado de Inocêncio Mulata, da Camisa Verde e Branco, de Pé Rachado, da Vai-Vai, de Dona Eunice, da Lavapés, de Xangô, da Unidos de Vila Maria, de Mala, da Acadêmicos do Tatuapé, de Alberto Alves, o Nenê de Vila Matilde, de Rômulo, do cordão Fio de Ouro, de Sinval, da Império do Cambuci, de Zézinho, do Morro da Casa Verde e outros dirigentes de escolas, blocos e cordões da cidade. Participou da fundação da Associação das Escolas de Samba, no final dos anos 60, e de sua sucessora, a União das Escolas de Samba Paulistanas, em 1973. Nos anos 80, Carlão se afastou das obrigações burocráticas e passou a cumprir funções protocolares da agremiação. Foi eleito Cidadão Samba, em 2000, foi condecorado Embaixador Mestre do Samba de São Paulo e eleito presidente do Conselho Diretor da Associação Independente Cultural da Velha Guarda do Samba do Estado de São Paulo. Hoje, comanda a Velha Guarda da escola, uma criação sua para abrigar os sambistas da antiga que ainda querem desfilar no sambódromo.

Unidos do Peruche: orgulho de Carlão (Foto: André Lessa/AE)
Carlos Alberto Caetano foi um dos mais destacados cartolas do samba paulistano, mas começou como ritmista, ensinou muita gente a bater no couro. É grande partideiro, com talento para improvisar versos pitorescos (“Que enterro vagaroso/Foi um caso muito sério/ O defunto se invocou/ E foi a pé pro cemitério”) e compor refrões inusitados, como este, na linha do ão: “Não, não, não, não/ No rabo do macaco ninguém põe a mão/ Não (não não), não (não não), não/ No rabo do macaco ninguém põe a mão”. É dele boa parte dos sambas de quadra e de exaltação à escola (“Quem é você para falar mal do Peruche/ Escola da paz e do amor/ Escola que Jesus abençoou/ Eu vou lhe pedir o favor/ De tratar o meu Peruche com amor”). Carlão é também um salgueirense honorário. Nos anos 70 tirou férias forçadas em Sampa e desfilou pela escola carioca, na qual pelas mãos do sambista Jorge Cardoso fez amigos entre o povo da antiga. É de sua autoria um dos melhores – e pouco conhecidos – sambas em homenagem à escola da Tijuca (“Não repare nessa melodia/ A ti oferecida/ Salgueiro és minha escola querida”). Alto, esguio, aparentando muito menos anos de vida do que os 80 que completa agora, é generoso com os mais novos e os recém chegados. Homem de vida regrada, Carlão nunca se envolveu com vícios, não bebe mais que um copo de cerveja para fazer companhia a algum amigo. Razão pela qual mantém uma forma física privilegiada nessa altura da vida.
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1 Comentário
Marcio Carrasco
-10/11/2010 às 14:32
um dos retratos que eu mais gosto, obrigado pelos créditos!
forte abraço