Trinta e cinco parlamentares salvaram o Senado | 20:17
Quem acredita empenhar-se em boas causas não teme as luzes dos holofotes. A rejeição do projeto de resolução que pedia a cassação do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros, aconteceu na sombra. Os senadores e senadoras que absolveram Renan Calheiros nesta primeira etapa, preferiram votar longe dos olhos de quem eles representam --- e proximos do compadrio. Seria prudente não se iludir. Não se obteve uma vitória, mas uma batida em retirada para frente. Houve uma derrota passageira da representatividade, o elo entre o cidadão e sua vontade de influenciar o destino do país.
Essa aparente hecatombe da política nacional esconde um fato alvissareiro. Trinta e cinco membros do Senado salvaram a honra da instituição. Mostram que o paciente não está em estado terminal e garantiram para si o sono tranqüilo da missão cumprida. O futuro reserva o desconforto da justificativa para quem votou contra a perda de mandato de Renan Calheiros. Inicia-se o árduo processo de mostrar que a decisão foi legítima enquanto toma-se distância de legislar sobre os problemas prementes do Brasil.
O lado da luz tem um dinamismo surpreendente, ele é capaz converter as derrotas em retubante vitória. Doravente o Brasil, meu caro leitor, não é o mesmo. Não será surpresa que tempos melhores virão.
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O Senado é reserva moral de um país. | 10:58
'Há quase 200 anos o Senado, em nome do povo brasileiro, constrói as instituições que fazem o Brasil e sua história confundir-se com a própria história do nosso País.' É assim que o Senado se apresenta na sua página na internet. Hoje o Senado vai escrever mais uma página na história do Brasil. Hoje o Senado terá oportunidade de voltar a ser o Senado que identifica-se com o Brasil ou simplesmente que confunde-se com outra coisa.
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A bala elétrica | 14:42
A invenção da arma que produz descarga elétrica foi um avanço para a defesa pessoal e um método eficaz para imobilizar o indivíduo sem causar ferimento. Ela é usada por mais de 10.000 policiais em 40 países. No entanto, ela é inofensiva além de cinco metros. A partir de Outubro, a polícia francesa será equipada com a última tecnologia nesse domínio, trata-se da bala elétrica. Esta munição do futuro é um dispositivo eletrônico que pesa 2,4 gramas, tem uma velocidade de 100 metros por segundo e um alcance de 20 metros. O impacto dos quatro dardos, situado na ponta do projétil, consegue paralisar um indivíduo durante 20 segundos. A bala elétrica chama-se XREP e foi criada pela Taser International. |
A hora de a onça beber água. | 08:26
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Os anúncios das batalhas nem sempre acontecem de forma espetacular. Uma frase singela basta. Ela pode ter o mesmo efeito do trecho da Marselhesa que conclama os cidadãos às armas e a formarem batalhões. O primeiro-ministro da França, François Fillon, disse que o projeto de reforma dos regimes especiais de aposentadoria de funcionários de estatais francesas está pronto. A medida, se adotada, atingirá, principalmente, os funcionários das empresas transportes ferroviários, metroviários e fornecimento de energia, a SNCF, RATP, EDF e Gaz de France, mas também marinheiros, tabeliões e parlamentares. Um universo de 500 000 ativos e mais de um milhão de aposentados. Fillon afirma que a reforma dispensa um texto legislativo e espera o sinal verde de Nicolas Sarkozy para colocá-la em pratica nos próximos dois meses. O ideário geral da reforma é colocar todos os funcionários públicos em pé de igualdade acabando com os privilégios. Os líderes das centrais sindicais ameaçaram de uma reação forte, "uma confrontação ampla", caso o governo decida adotar o projeto 'pela força.' Eles acreditam que a proposta de reforma nos regimes especiais de aposentadoria este ano precede uma mudança mas ampla em 2008, a que envolve todo funcionalismo público francês.
Pronto. Depois dos primeiros meses do governo Sarkozy onde aconteceram ações espetaculares do presidente, voltamos a questão essencial que atormenta a França, cujo remate pode ser catastrófico ou admirável. No livro 'L'aube le soir ou la nuit' --- A madrugada, o entardecer, ou a noite --- da dramaturga francesa Yasmina Reza sobre Nicolas Sarkozy, diz que a relação do presidente francês com o tempo é de uma inquietação perpétua invariavelmente projetada para 'o depois de amanhã'. Sarkozy diz não acreditar em lua de mel com a opinião pública nos primeiros meses de governo, mas ele quer fazer todas as reformas nos primeiros dois anos do seu mandato de cinco. Ele disse aos franceses, ontem, na Alsácia: 'Eu sei que não conseguiremos tudo, mas sei também que vocês esperam que eu tente.' |