Sexta-feira, 03 de Agosto de 2007
23/7/2007 - 28/7/2007
Sábado, 28 de Julho de 2007 | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS Alarme dos manetes | 11:39
O brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que comanda as investigações do acidente do A320 da TAM, disse que pedirá ao governo filipino o relatório das investigações do acidente com mesmo modelo do Airbus na tragédia em Congonhas. O desastre com o A320 da Philipinnes Airlines ocorreu em Março de 1998 no Aeroporto de Bacolod. Assim como no acidente com o A320 da Transasia em Tapei, a causa principal foi a posição incorreta dos manetes de potencia (alavancas de aceleração e reverso dos aviões) no pouso. Ambas as aeronaves estavam com um dos reversores da turbina inoperante. É também o que se suspeita ter acontecido com na maior tragédia aérea do Brasil que matou 200 pessoas em Congonhas. Quem desejar ler o relatório do Conselho de Segurança Aérea de Taiwan sobre o acidente com A320 da Transasia, em Taipei, Taiwan, em Outubro de 2004, poderá consultá-lo na internet. Trata-se de um documento em inglês no formato 'pdf' e pesa 4 MB. Para baixá-lo, clique aqui. Há um detalhe relevante no relatório. O Conselho de Segurança Aérea de Taiwan sugere uma melhoria no sistema que alerta o piloto quando a posição das manetes esta incorreta para o pouso. Dois segundos depois que o A320 da Transasia tocou no solo, o alarme parou de tocar. O relatório recomenda que o alarme continue em ação até o piloto colocar os manetes na posição correta. Ou seja, o manete da turbina inoperante, no ponto morto, neutro --- IDLE, em inglês. Aqui está a recomendação: "Reviewing the design of stop mode of Retard warning sounds or accommodating other warning methods to ensure that the warning will continue before the thrust levers are pulled back to Idle notch after a touchdown has affirmed." O relatório traz a resposta da Airbus. O fabricante do A320 diz ter desenvolvido um sistema de alarme especifico para quando um manete está na posição de reverso e o outro acima do ponto morto (IDLE). O alarme avisa através de mensagem no painel, toca em permanência e acende uma luz vermelha. A Airbus diz ainda que emitirá um boletim de serviço a respeito, em breve --- o relatório é de Outubro de 2004. Aqui está a resposta da Airbus: "Airbus has developed a specific warning when one throttle is set to reverse while the other is above idle. This warning generates an ECAM warning "ENG x THR LEVER ABV IDLE", a continuous repetitive chime (CRC), and lights the red master warning light. This new warning is implemented in the FWC standard "H2F3". A Service bulletin will be issued very soon on this subject." Na sexta-feira, 28 de Julho, VEJA falou com Justin Dubon, diretor do serviço de imprensa da Airbus. Foi lhe perguntado se a recomendação do Conselho de Segurança Aérea de Taiwan havia sido implementada nos A320. Dubon disse que a Airbus sempre segue as recomendações dos relatórios de investigações de acidentes. E, como de costume, afirmou estar impedido de responder perguntas específicas sobre o acidente do A320 da TAM porque há uma investigação das autoridades brasileiras em andamento. Seis dias após a tragédia em Congonhas e com conhecimento dos dados da caixa-preta, a Airbus enviou um comunicado para as companhias aéreas que utilizam o A320 relembrando os procedimentos técnicos para aterrissagem com o reversor da turbina "pinado", quer dizer. lacrado, bloqueado. Se a melhoria no sistema de alarme recomendado foi implementada, resta também saber se ele foi instalado no A320 acidentado em Congonhas. Evidentemente, o piloto de um A320 deve conhecer o funcionamento do avião e estar devidamente treinado para pilotar. A posição correta dos manetes na hora do pouso é um imperativo. No entanto, falhas humanas são responsáveis pela maioria dos acidentes aéreos. Tudo que possa ajudar a evitá-las não é nada secundário. O pasageiro não se importa que o sistema da aeronave previna o piloto de procedimentos obvios, a sua preocupação é chegar vivo ao destino. ADENDO: As turbinas de um jato expelem ar o tempo todo e SEMPRE NA MESMA DIREÇÃO em maior ou menor intensidade dependendo da posição dos manetes. Esse mecanismo empurra o avião para frente. Quando o manete é colocado na zona de reverso, as turbinas continuam expelindo o ar na mesma direção, mas palhetas bloqueiam o fluxo de ar, fazendo que com que ele vá na direção contrária. O mecanismo ajuda a frear o avião. Quando o reversor está pinado, a ação das palhetas é nula. E, mesmo com o manete na posição IDLE, a turbina continua 'soprando', embora com menor intensidade. Merece atenção o seguinte: no absoluto, não há anomalia no fato de uma turbina 'soprar' e a outra, bloquear o 'sopro". Isso pode ser, em alguns casos bem específicos, uma ação deliberada do piloto para controlar o avião. O sistema de computadores do avião entende assim. O importante é o piloto SABER que isso está acontecendo. | ||||
Quarta-feira, 25 de Julho de 2007 | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS O piloto do A320 tentou arremeter ? | 10:30
Um técnico do Escritório de Investigações e Análises para a segurança da aviação civil francesa --- BEA, na sigla em francês --- disse a VEJA que o primeiro indício que os investigadores procuram para responder a questão é a posição dos manetes de potência do avião. Se eles estiverem a fundo na hora do acidente, pode significar que o piloto tentou arremeter. A cabine de controle totalmente destruída não contitui um problema para verificação. A caixa preta registra a potência do avião o tempo todo. O certo é que o A320 acidentado em Congonhas estava a 175 km/h na hora do acidente. Ele precisava de mais pista e maior velocidade para tentar arremeter. Não é uma informação que um piloto de um A320 desconheça. Mas ainda não há dados públicos para afirmar que o piloto não tentou lutar contra as leis da física para ganhar altitude. | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS Im pe cá vel | 06:39
Editorial do jornal O Estado de São Paulo: O PRESIDENTE EM SEU REDUTO Às 20h30 de 17 de julho de 1996, um Jumbo da TWA explodiu sobre o Atlântico minutos depois de levantar vôo de Nova York. Todos os 212 passageiros e 18 tripulantes morreram. Nas caóticas horas que se seguiram, as famílias das vítimas que convergiram para o Aeroporto Kennedy reagiam com ira e desespero à falta de notícias sobre a tragédia. Levadas para um salão, viram a porta abrir-se para o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. O que se passou em seguida foi um dos momentos mais fortes dos seus oito anos na Casa Branca. Desacompanhado, ele foi de grupo em grupo, abraçando e confortando as pessoas em voz baixa. Ouviu protestos, cobranças, desabafos. Quando enfim se retirou, o ambiente era apenas de quieta resignação. Não se pode exigir de chefes de governo convencionais a naturalidade quase sobre-humana com que ele se entrosa com gente do povo, mesmo nos piores momentos, evocando o sentido original do termo grego simpatizar: sentir com. Nas situações de luto coletivo, esse talento dos chefes de governo para a comunhão produz um efeito terapêutico que não se limita aos atingidos mais de perto pelo acontecimento doloroso. Transmite, para toda a sociedade traumatizada, o sinal confortador de que o dirigente maior da nação, além de solidário no sofrimento, é alguém em cujos cuidados se pode confiar. Clinton é um caso à parte, mas agora mesmo outros governantes o imitaram - e não foi pela primeira vez. Na manhã do último domingo, um ônibus que transportava 50 peregrinos poloneses ao santuário de Notre-Dame de la Salette, perto de Grenoble, a 700 quilômetros de Paris, mergulhou num rio, matando 26 deles. Duas horas depois, ali já se encontravam o primeiro-ministro François Fillon e outros membros do governo francês. Pouco mais tarde, quando chegou ao local, o presidente da Polônia Lech Kaczynski encontrou à sua espera o colega Nicolas Sarkozy. Depois de visitar os sobreviventes hospitalizados, ele anunciou que acompanhará pessoalmente o inquérito sobre o acidente. Impossível não comparar tais condutas com o sumiço do presidente Lula depois da catástrofe de Congonhas em que morreram 199 pessoas. Principalmente porque, transmitidas as condolências em rede nacional, após 72 horas de relutância, ele tornou a submergir. Passou o fim de semana trancado na residência oficial e só voltou à tona no programa de rádio das segundas-feiras Café com o Presidente, gravado no seu gabinete. Tornou a dizer, então, o óbvio ululante sobre a impropriedade de se fazer 'julgamentos precipitados' sobre a explosão do Airbus da TAM. E, na contramão até do senso comum, considerou 'quase irresponsável' que se debatam publicamente as causas da tragédia. Hoje, o quase emudecido Lula volta à vida normal - à sua maneira, bem entendido. Viaja à noite para o Nordeste, seu reduto por excelência, para um giro por Aracaju, João Pessoa, Natal e Teresina. À época do escândalo do mensalão, o Nordeste era o pouso preferido do presidente. O pretexto, desta vez, é o lançamento de projetos do PAC, o que rende a discurseira para platéias prontas a aplaudir seja lá o que lhes diga o seu ídolo, embora, pelo retrospecto, isso não garanta futuras realizações práticas. O lançamento do PAC na Região Sul, com a presença de Lula nos três Estados da região, estava previsto para a semana passada. Compreensivelmente, foi adiado em razão do desastre da TAM - mas compreensivelmente apenas à luz do seu oportunismo - para depois de 10 de agosto, no regresso de uma viagem ao exterior. O fato é que, desde a sexta-feira que precedeu a tragédia, quando foi vaiado no Maracanã, o chefe de governo que deixou correr à solta o apagão aéreo, fiel ao princípio de que 'a gente faz quando pode, e se não pode deixa como está para ver como é que fica', parece ter dividido os brasileiros em dois grupos. De um lado, aqueles junto aos quais procura se reconfortar - certo de que lhe são gratos e não lhe negarão aplausos em quaisquer circunstâncias. De outro, aqueles que, não lhe devendo nada, o aplaudem quando julgam que merece aplausos, mas vaiam quando julgam que merece vaias, como aconteceu na abertura do Pan. Resta saber por quanto tempo Lula evitará as cidades que congregam as parcelas do povo mais críticas do seu desempenho. | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS Ok, Eduardo. | 05:08
O leitor Eduardo Silva, de Florianópolis, nos escreve porque considera inadequada a informação que o acidente aéreo do A320 em Congonhas foi o maior da América Latina. Argumenta que o caos aéreo está circunscrito à realidade brasileira. Além do mais, na Guiana, Suriname, Belize e em algumas ilhas do Caribe, o idioma predominante não é de origem latina, de onde deriva o termo cunhado no século XIX. 'América Latina é qualquer coisa menos um espaço geográfico bem definido', escreve Eduardo. Essa coluna tem apreço pela precisão e pela interatividade com o leitor. A reclamação do Eduardo não deixa ser legítima. Embora, 'o maior da América Latina' subentenda que é também o maior do Brasil, São Paulo e do Aeroporto de Congonhas --- e dá uma noção de escala ---, devido a colaboração do Eduardo, doravante vamos passar a classificar o acidente como o maior do Brasil. Agora, é bom ter cautela nas reivindicações. Para refutar uma ajuda internacional no caos aéreo brasileiro, o brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, diz: "A crise é nossa, os mortos são nossos". O problema é que na hora de assumir responsabilidades pelo caos aéreo que atormenta e mata depois de 10 meses, o papo muda. Elas nunca são 'nossas' , sempre dos outros. Bem, o brigadeiro tem um exemplo que está acima das suas estrelas, no terceiro andar do Palácio do Planalto. | ||||
Terça-feira, 24 de Julho de 2007 | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS 'Pertencíamos ao mundo da comédia, não ao da tragédia.' - Os farsantes, de Graham Greene | 10:52
O talentoso fotógrafo Marco Antonio Cavalcanti, do jornal O Globo, retratou uma cena bem brasileira. A imagem de um homem lendo numa pracinha poderia ser universal se o personagem não estivesse aguardando o seu avião decolar em frente ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A fotografia foi parar nas páginas do jornal porque se tratava de Marco Aurélio Garcia assessor especial da Presidência. Ela é curiosa porque o livro que entretinha atenção de Garcia, conhecido pelo gesto obsceno e dantesco que ele disse ser reação de indignação, era o livro Os farsantes, de Graham Greene. A cena sucede a mais uma grosseria de Garcia, desta vez dirigida ao jornalista Ruben Berta que o abordou e, precede a falta de paciência para esperar a decolagem, embarcando em um carro que um soldado da aeronáutica lhe indicou. Garcia anda em descompasso com os brasileiros. De natureza cordial, a vasta maioria do país natal do assessor do presidente Lula, não comete tantas grosserias como as dele em tão pouco tempo. Há dez meses, eles têm mostrado uma paciência ilimitada quando vão aos aeroportos, mal construídos e mal administrados com dinheiro dos seus altos impostos para tentar fazer viagens pagas antecipadamente. Qualquer brasileiro que mostrasse tanto desrespeito e prejudicasse tanto a imagem do seu empregador já estaria no olho da rua. Tem razão o Garcia quando diz: 'Eu faço o que quero.' | ||||
Segunda-feira, 23 de Julho de 2007 | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS Água e fogo | 18:46
A imagem acima é uma catástrofe natural enquanto a de baixo foi uma tragédia anunciada. Mas há outra diferença. O primeiro-ministro britânico Gordon Brown acha natural ligar para quem está sem telefone. Enquanto o presidente Lula vai se queimando enquanto toma distância da tragédia. | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS A diferença que um homem de estado faz | 16:58
A foto ao lado mostra Gordon Brown com os chefes dos bombeiros e serviço de resgates na sede da polícia de Gloucester. O primeiro-ministro britânico foi de helicóptero para coordenar as ações do governo no condado mais afetado pelas enchentes no Reino Unido. Nada mais natural. Será? O Brasil está vivendo hoje mais um dia de caos aéreo. Até as 14h, 61% dos vôos tinham sido anulados. Onde está o presidente Lula? Lula diz querer a 'compreensão do povo brasileiro para que não haja julgamento precipitado de quem quer que seja' na apuração das causas do acidente como avião da TAM. Não há nenhum brasileiro fazendo justiça com as próprias mãos. O que há, contrario a tragédia do A320 em Congonhas, é uma quantidade formidável de informações sobre o desempenho do presidente Lula durante 10 meses de caos aéreo. Esse é o julgamento que ele tem medo. | ||||
| TRAGÉDIA EM CONGONHAS Diferença de responsabilidade, dignidade e coragem | 07:45
Às 9h30 de ontem, 23 de Julho, um acidente com um ônibus que transportava 50 peregrinos poloneses matou 26 e deixou 14 feridos graves, a 80 km da cidade de Grenoble, no sul da França. O ônibus rodava a 70 km numa estrada proibida aos transportes coletivos e caminhões com mais de 8 toneladas e que não são equipados com um triplo sistema de freios. No fim da descida de Laffrey --- 8 km de extensão e 12 graus de declive ---, os freios falharam, o motorista gritou para avisar os passageiros, o ônibus não conseguiu fazer uma curva de 90 graus, rompeu uma barreira e ao cair as margens do rio Romanche, pegou fogo. A proibição de circulação na chamada 'Estrada Napoleão' --- onde passam as tropas do imperador francês na campanha da Itália --- deriva da morte de 88 passageiros em três acidentes anteriores, um na década de 40 e dois outros, em 1973 e 1975. Em pouco mais de uma hora depois do acidente, em um domingo, o primeiro-ministro francês que estava a 700 km de distancia, já estava no local. O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, voou para Grenoble onde foi recebido por Nicolas Sarkozy, o presidente da França, e dois ministros, Jean-Louis Borloo, dos Transportes e Michèlle Alliot-Marie, do Interior. Do aeroporto, eles rumaram para o local do acidente e depois de uma inspeção rápida, foram ao Hospital de La Tronche para visitar os feridos. Durante todo o dia, o primeiro-ministro da Polônia, Jaroslaw Kaczynski coordenou a assistência aos parentes das vítimas, todas de anciãos que foram visitar os santuários de Fátima, Lourdes e Notre-Dame-de-la-Salette. O governo polonês fretou um avião para levar os parentes e amigos das vitimas à França. A procuradoria da República francesa abriu um inquérito de homicídio involuntário --- havia 11 placas na estrada com o aviso da interdição de circulação para coletivos. Nicolas Sarkozy declarou que irá seguir de perto as investigações. 'Essa catástrofe não ficará sem conseqüências', disse ele. Sarkozy determinou um recenseamento dos 'pontos negros' da malha rodoviária francesa e reforço nos controles técnicos dos veículos pesados. O presidente Lula que manteve distancia vergonhosa dos parentes das vítimas da tragédia do A320 em Congonhas e tomou um chá de sumiço durante três dias, cancelou na semana passada uma visita a Porto Alegre para lançamento do PAC. Ele vai continuar longe da capital gaúcha, de onde partiu o vôo JJ 3054 da TAM. Os assessores do presidente temem que Lula possa sofrer constrangimentos com manifestações dos parentes das vitimas. Em contrapartida, o presidente inicia uma visita a quatro capitais do Nordeste, região onde sua popularidade é alta. Passa da hora de evitar a estultice que tenta persuadir que a diferença entre o Brasil e países mais industrializados resume-se a uma questão de recursos financeiros. Assim como a corrupção e o crime, políticos e governantes agem como bem entendem onde existe margem para isso. Do caso do mensalao a tragédia do A320 da TAM este espaço tornou cada dia mais amplo e mais parecido com a fazenda do Lula, onde nada se faz sem a anuência do patrao. O Brasil, seria prudente não esquecer, pertence aos brasileiros. |
Por
Antonio Ribeiro
- 15:35










