 Domingo, 08 de Julho de 2007
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Os sete quadros mais caros do mundo | 06:39
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 O Retrado de Lorenzo |
O empresário suíço Bernard Weber não deve nada a Filon de Bizâncio que listou, 200 anos antes de Cristo, as sete maravilhas da Antigüidade. Sua fundação, a New Seven Wonders, proclamou as novas sete maravilhas, no Estádio da Luz, em Lisboa. Sem entrar na pertinência da escolha, onde mais de 100 milhões pessoas votaram pela internet e pelo telefone, nunca houve sombra de dúvida de que a Grande Muralha da China ou o Taj Mahal ficariam fora da lista, conhecendo o tamanho dos seus eleitorados. Em um outro tipo de concorrência, o do mercado das artes, uma tela do mestre renascentista italiano Rafael Sanzio (1483 - 1520) foi leiloado pela Christie's de Londres, no dia 7/7/2007. O Retrato de Lorenzo de Medicis --- governante florentino do século XVI, pai da Catherine de Medicis, sobrinho do Papa Leão X e primo do rei francês François I --- foi arrematado por 37,3 milhões de dólares. É um recorde entre as obras de Rafael. O preço mais alto até então era 7,2 milhões de dólares, pagos em 1995, para a aquisição do Estudo para Cabeça e Mão de um Apóstolo, um esboço a lápis sobre papel.
O leilão do Retrato de Lorenzo de Medicis, quadro que não era visto em público desde 1968, foi grande negócio. A antiga dona, a marchand nova-iorquina Ira Spanierman, comprou o óleo dez anos antes por 325 dólares. Ou seja, 100.000 vezes menos do que o preço conseguido no leilão. Isso porque, na época da compra, a autoria da pintura ainda não era atribuída a Rafael. Por que uma tela de Rafael vale 37,3 milhões de dólares? Por que não 3,73 ou 373 milhões de dólares?
No caso do Retrato de Lorenzo, Richard Knight, diretor do departamento Grandes Mestres, da Christie's explica que a importância do artista e do personagem retratado, junto com a origem e o contexto histórico da pintura, faz dela uma das obras mais significantesde uma geração e que foi submetida a ofertas públicas. Bem, isso é parte da resposta. Há também uma relação entre o preço, por um lado e, três variáveis do outro. O tamanho do mercado para esse tipo de produto que vem a ser o nível de globalização da economia; a riqueza média das economias que formam o mercado; a distribuição de riqueza que determina a fatia de maior poder aquisitivo propensa a gastar ou investir em arte.
Tyler Cowen, autor do livro Discover Your Inner Economist --- Descubra o economista em você ---, fez algumas observações curiosas sobre como certos temas podem agregar ou reduzir valor às pinturas:
- Os quadros de paisagens com cavalos ao fundo triplicam o preço. Geralmente, a presença de elementos industriais é fator de desvalorização.
- Uma natureza morta com flores vale mais do que com frutas. Rosas estão no topo da lista e crisântemos, no fim.
- Há uma hierarquia de preços para os animais nas telas. Temas com cães de raça valem mais do que com vira-latas. Os cães da raça spaniels são mais apreciados do que os collies. Cavalos de corrida valorizam mais as telas do que cavalos puxando carroças e arados. No que respeita a caça a pássaros silvestres, as telas que mostram cenas de caçadores atirando são valiosas e, quanto mais pássaros aparecerem na composição, mais elas são caros. Detalhe: o autor deve mostrar os pássaros de frente não por trás.
- Água agrega valor só se estiver calma. Naufrágios e destroços de navios são temas extremamente impopulares entre os compradores.
- Temas circulares e ovais fazem menos sucesso nos leilões.
- Um nu feminino do século XVIII vale dez vezes mais do que se ele fosse masculino.
Nos posts abaixo, listamos os sete quadros mais caros do mundo. Ou seja, as pinturas que obtiveram as ofertas mais altas nos leilões e em vendas privadas conhecidas. Os valores foram atualizados. Está claro que se as telas dos acervos de grandes museus estivessem a venda, essas sete maravilhas valeriam menos.
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1. OS SETE QUADROS MAIS CAROS DO MUNDO No. 5, 1948 (1948): 142,7 milhões de dólares | 06:25
Autor: Jackson Pollock (1912 - 1956): Técnica: Óleo sobre chapa de compensado Medidas: 122 x 244 cm Valor original da venda: 140 milhões de dólares em 2006 Vendido por David Geffen a David Martinez. Transação privada.
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2. OS SETE QUADROS MAIS CAROS DO MUNDO Woman III (1953): 140,2 milhões de dólares | 06:18
Autor: Willem De Kooning (1904- 1997) Técnica: Óleo sobre tela Medidas: 171 x 121 cm Valor original da venda: 137,5 milhões de dólares em 2006 Vendido por David Geffen a Steven A. Cohen. Transação privada por intermédio de Larry Gagossian.
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3. OS SETE QUADROS MAIS CAROS DO MUNDO Portrait of Adele Bloch-Bauer I (1907): 137,6 milhões de dólares | 06:13
Autor: Gustav Kint (1862 - 1918) Técnica: Óleo, ouro e prata sobre tela Medidas: 138 x 138 cm Valor original da venda: 135 milhões de dólares em 2006. Vendido por Maria Altmann a Ronald Lauder (Neue Galerie). Transação privada.
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4. OS SETE QUADROS MAIS CAROS DO MUNDO Portrait du Docteur Gachet (1890): 129,7 milhões de dólares | 06:02
Autor: Vincent van Gogh (1853 - 1890) Técnica: Óleo sobre tela Medidas: 66 x 57 cm Valor original da venda: 82,5 milhões de dólares em 1990 Vendido pela família Siegfried Kramarsky a Ryoei Saito, Leilão da Christie's, Nova York.
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5. OS SETE QUADROS MAIS CAROS DO MUNDO Au Moulin de la Galette (1876): 122,8 milhões de dólares | 05:56
Autor: Auguste Renoir (1841-1919) Técnica: Óleo sobre tela Medidas: 78 x 114 cm Valor original da venda: 78,1 milhões de dólares em 1990 Vendido por Betsey Whitney a Ryoei Saito. Leilão da Christie's em Nova York.
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6. OS SETE QUADROS MAIS CAROS DO MUNDO Niño con Pipa (1905): 113,4 milhões de dólares | 05:49
Autor: Pablo Picasso (1881-1973) Técnica: Óleo sobre tela Medidas: 100 x 81,3 cm Valor original da venda: 104,2 milhões de dólares Vendido pela Fundação Greentree (Família Whitney). Leilão da Sotheby's em Nova York.
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7. OS SETE QUADROS MAIS CAROS DO MUNDO Irises (1889): 97,5 milhões de dólares | 05:42
Autor: Vincent van Gogh (1853 - 1890) Técnica: Óleo sobre tela Medidas: 71 x 93 cm Valor original da venda: 53,9 milhões de dólares em 1987 Vendido pelo filho de Joan Whitney Payson a Alan Bond. Leilão da Sotheby's em Nova York.
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 Quinta-feira, 05 de Julho de 2007
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BIOCARBURANTES Lula: Meu plano para o planeta, noves fora o caos aéreo. | 08:52
Lula participa em Bruxelas da Conferência Internacional de sobre Biocombustíveis. O presidente anuncia na Comissão européia que o Brasil vai iniciar, de forma autônoma, o processo de certificação do seu combustível produzido a partir de fontes vegetais. A medida visa criar uma espécie de selo de qualidade e salvaguarda internacional. Dito de outro modo: a cadeia produtiva dos biocombustiveis brasileiros é feita de forma sustentável, respeita os padrões de proteção ambiental e não explora a mão de obra. Isso é importante porque em mercados promissores para o etanol e biodisel emergem dúvidas --- e táticas comerciais --- sobre a produção brasileira. Elas são mais evidentes nas declarações de Peter Mandelson, o comissário de comércio da UE, que desde o fracasso das negociações do G4 sobre a Rodada Doha da OMC, vem mantendo uma marcação cerrada a Lula. Mandelson diz: 'A Europa tem que agir para evitar que um boom de biocombustíveis ameace destruir florestas tropicais para produzi-lo e não pode permitir que a mudança para os biocombustíveis se transforme em um estouro ambientalmente insustentável no mundo em desenvolvimento," A UE decidiu substituir para biocarburantes 10% do combustível fóssil que utiliza até 2010. Trata-se de uma mudança espetacular se comparada com o consumo atual de apenas 1%.
O tablóide francês Liberation ---135.000 exemplares/dia --- estampou na primeira página, foto de Lula e o título 'Meu plano para o planeta.' No interior da publicação --- esta mais para panfleto da esquerda francesa do que para diário de informação --- um arrazoado de 6.123 caracteres, assinado por Lula, expõe a pertinência do programa de biocombustíveis brasileiro como fonte alternativa de energia. O presidente escreve que o programa foi testado e aprovado no Brasil durante os últimos trinta anos. Adicionando 25% de etanol na gasolina e utilizando o álcool, o Brasil reduziu em 40% o consumo de petróleo o que depois de 2003, significa que se evitou a emissão 120 milhões de toneladas de CO2, relata Lula. Segundo o presidente, a indústria do etanol criou 1,5 milhões de empregos diretos e 4,5 milhões indiretos. 'Contrário do que alguns afirmam, os biocarburantes não ameaçam a cadeia alimentar, porque a produção só ocupa 2% das terras cultiváveis.' explica Lula. E para arrematar o ponto, Lula informa que os canaviais ficam longe da floresta amazônica. O presidente conclui que o uso do biocarburante é também uma alternativa a 'escolha injusta' imposta aos paises em desenvolvimento, a redução no ritmo de crescimento econômico para evitar o aquecimento global.
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 Quarta-feira, 04 de Julho de 2007
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TERRORISMO Doctor Jekyll and Mister Hyde | 19:21
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 O terrorista Dr. Asha e o seu alvo socorrendo outro terrorista. |
Entre os suspeitos dos atentados terroristas em Londres e Glasgow, detidos pela polícia inglesa, oito são médicos muçulmanos. Se a ligação do islamismo radical com o terrorismo tornou-se freqüente, causou espanto a revelação de que indivíduos cujo ofício tem como objetivo salvar vidas, decidirem matar de forma brutal e covarde. A medicina não forma terroristas. Há sim, casos de médicos que são terroristas. O mais notório deles é o egípcio Ayaman Al-Zawahiri, um pediatra com mestrado em cirurgia. Trata-se do braço direito do turbante mais alto da organização terrorista Al Qaeda, o engenheiro civil Osama Bin Laden.
A medicina sempre foi profissão de grande prestígio para os muçulmanos. Alguns dos mais famosos escritores e políticos do mundo árabe estudaram a disciplina. A admiração pela ciência --- e arte --- de evitar, curar e paliar doenças condiz com a benevolência cultivada pelo Islã. Ela tem também uma origem histórica, toda particular. Os estudos do persa Avicena (980-1037) e do árabe-andaluz Averoes (1126-1198) estabeleceram fundamentos para o sistema medicinal. Eles contribuíram para avanços diretos nos últimos nove séculos. A medicina deve mais ao Islã do que a qualquer outra religião e filosofia. Para o jovem muçulmano ser médico é um prolongamento da sua crença religiosa, motivo de orgulho genuíno. O exercício da medicina é uma das únicas profissões permitidas às mulheres em certos países de maioria muçulmana.
Os médicos nos paises árabes constituem uma elite influente e imagem de referência para suas comunidades, onde a taxa de graduados em universidades em relação ao total da população é baixa. Assim como outros profissionais liberais, muitas vezes, ambiciosos e com fortes convicções, o que facilita a conversão para o extremismo político, os médicos são alvos de recrutamentos dos movimentos terroristas. A Irmandade Muçulmana egípcia e o Hamas palestino estão repletos de médicos, engenheiros, geólogos e etc.
Em alguns paises árabes há um número superior de médicos do que a disponibilidade de empregos nos hospitais. Isso causa frustração, desilusão e até revolta. Segundo os islamistas radicais a pobreza é sempre fruto da aliança dos governos locais corruptos com os infiéis ocidentais. Muitos jovens médicos emigram para a Europa, onde eles sabem haver trabalho para o seu nível de qualificação. Foi o caso do iraquiano Bilal Abdulla, especialista em diabetes, um dos suspeitos dos atentados. No sistema de saúde pública britânico, quase a metade dos médicos são estrangeiros --- 128.000 em um total de 277.000. Pouco mais de 27.000 formaram-se na Índia, 2.000 no Iraque e 200, na Jordânia. Há bem pouco tempo, a falta de médicos era tanta que os profissionais estrangeiros não precisavam solicitar permissão de trabalho no Reino Unido.
A presa predileta --- e fácil --- para cair no doutrinamento islâmico é o imigrante originário de uma sociedade de costumes e padrões religiosos rígidos. Muitas vezes, ele fica perplexo com os valores das sociedades liberais do ocidente --- sente-se excluido por não compartilhar. Longe do ambiente familiar e comunitário, encontram suporte emocional no radicalismo. O sentido de solidariedade interna de um grupo e forte sentimento de identificação pode provocar a rejeição do oposto. A identidade mata. E não raras vezes, de forma brutal e covarde.
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MENSAGEM DO LEITOR Luiz Catossi, de Curitiba | 06:16
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 Luiz, eis aí, o novo transporte público da Cidade Luz. |
Olá Antonio.
Sou leitor do seu blog.
Você fez um comentário sobre os chineses mudarem da bike para o automóvel. No Brasil estamos em caminho parecido. O jovem brasileiro mal arruma um emprego, já pensa na compra do carro. Ou seja, começa a vida com endividamento. A maioria compra o automóvel para pagar em cinco anos. Um financiamento que nunca vai terminar, pois ele vai trocar de modelo logo, logo e para tal, pede extensão do prazo de pagamento da divida anterior. Aí, vai comprar seu apartamento em, sei lá, 20 anos. Aqui, o problema é a mentalidade. Os japoneses usam o trem para o transporte coletivo, acho que há mais de 20 anos. Veja você, o empenho, o investimento dos franceses para colocar a bicicleta em uso, num país que chove 111 dias por ano, quando não neva. Repare os outros países europeus. E nós? Você sabe. E o presidente do Brasil ainda quer ensiná-los sobre fome, comércio externo, negociações. Um sujeito que diz publicamente nem gostar de ler. Que pobreza de espírito! A ignorância é pior do que fome. Ele continua em estado de inanição mental ainda que de barriga cheia.
De Curitiba, um abraço.
Luiz Catossi
RESPOSTA:
Caro Luiz,
Obrigado pela mensagem.
Eu também sou seu leitor e de mensagens que chegam, diariamente, para essa coluna interativa através do e-mail aribeiro.deparis@gmail.com.
Cada comentário dos nossos leitores é importante. É um prazer constatar que desde que o DE PARIS foi ao ar, jamais recebemos sequer uma mensagem que não estivesse dentro das regras de boa convivência. Isso reforça ainda mais a nossa opção de buscar, em primeiro lugar, a informação de qualidade para leitores de nível admirável. A missão do jornalismo é informar com precisão, sem medo sem favor. Onde não há espaço para crítica, o elogio não tem valor.
De Paris, um abraço.
Antonio Ribeiro |
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 Terça-feira, 03 de Julho de 2007
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COMÉRCIO MUNDIAL Não é hora para retórica | 17:15
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O comissário europeu Peter Mandelson, o principal representante da União Européia na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio, afirmou que o momento não é para retórica, e sim para negociar. A declaração de Mandelson foi uma reação aos comentários de Lula sobre o fracasso das negociações do G4 (Brasil, Índia, UE e EUA) para a redução dos subsídios agrícolas praticados pelos paises mais industrializados em troca de menores taxas alfandegárias para produtos manufaturados nos países emergentes. Lula disse: "A União Européia falou, falou, falou, mas, na hora de apresentar a carta que estava no bolso, não apresentou. A União Européia e os Estados Unidos fizeram um acordo em que nem os EUA diminuiriam o subsídio para sua agricultura, nem a UE abriria qualquer flexibilidade nos produtos agrícolas. Queriam que nós abríssemos mão dos produtos industriais e do setor de serviços. Fizemos questão de dizer que tinha acabado aquele momento da subserviência. Nós queríamos ser tratados em pé de igualdade."
Mandelson que irá participar com Lula, quarta-feira, 4 de Julho, da Reunião de Cúpula Brasil-União Européia, em Lisboa, mostrou espanto com as declarações do presidente sobre a 'carta escondida na manga'. Mandelson disse: 'Não tenho idéia do que ele [Lula] quer dizer com isso. Os negociadores brasileiros estão muito familiarizados com o que nós fazemos, com o que estamos oferecendo, qual o nível de flexibilidade que nós podemos ter." Com o colapso de acordo entre os participantes do G4, o Brasil que vinha até agora apostando todas as fichas na Rodada Doha para ampliar o volume da exportação de seus produtos agrícolas, tenta encetar acordos bilaterais com a UE. Mandelson foi taxativo: "Qualquer um que acredite que, no caso de as negociações multilaterais falharem, a alternativa União Européia-Mercosul possa prevalecer, acabará desapontado. As pessoas têm que se dar conta de que, se as negociações multilaterais falharem, não poderão compensar o fracasso com um acordo bilateral."
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MENSAGEM DO LEITOR Carlos Ferreira da Costa, de São Carlos - SP | 07:17
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 Circo Máximo: o vale-tudo na corrida de bigas |
Caro Antonio,
São bolinhos de bacalhau não pastéis na foto que você postou. Mas o que vale é o post. Ele ficou muito bom, engraçado. A nossa imprensa não da a atenção devida a esse tipo de evento.
Abraço
Carlos Ferreira da Costa
RESPOSTA:
Caro Carlos,
Obrigado pela mensagem.
Os portugueses chamam de pastel de bacalhau o que brasileiros chamam de bolinho. Até aí, tudo bem. Seria divertido se os portugueses aproveitassem uma reunião de cúpula --- chamam de cimeira porque deriva de summit (inglês) e sommet (francês) --- para propor a majestosa ponte 25 de Abril sobre o rio Tejo como maravilha da humanidade. Provocaria igual escárnio se os franceses lançassem a candidatura da torre metálica do engenheiro Gustav Eiffel e os ingleses, o Big Ben. Mas a classe política brasileira anda imbatível no terreno da galhofa. O melhor desempenho, no particular, tem sido transformar o Senado em Circus Maximus. Embora ele não seja considerado Maravilha do Mundo Antigo, foi grande diversão.
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
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 Segunda-feira, 02 de Julho de 2007
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TONY BLAIR Nota 10 | 21:11
A última noite que a família Blair passou no 10 Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, foi dura. Tony e Cherie dormiram em um colchão velho, no chão. Os filhos passaram a noite em sacos de dormir. Isso porque o caminhão de mudanças já havia levado todos os moveis. A família pediu comida indiana em um restaurante que fazia entregas a domicílio. Para acompanhar, tomaram o conteúdo de uma garrafa de vinho branco, a última da cave. Como também não havia taças, os filhos foram buscar copos plásticos do filtro de água mineral na sala do assessor de imprensa. Não se escutou nenhuma queixa. No dia seguinte, Gordon Brown e a família ocuparam a residência. E vida segue. |
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EUROPA O Brasil será a oitava maravilha | 15:19
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 Maravilha: pasteis de bacalhau |
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Na quarta-feira, 4 de Julho, o presidente Lula desembarca em Lisboa para uma inédita reunião de Cúpula Brasil-União Européia. Enquanto o Cristo Redentor ainda não é a oitava maravilha do mundo, o Brasil irá se tornar o oitavo país a manter uma parceria estratégica com a UE. O grupo restrito de cooperação política e econômica reforçada já conta com os EUA, China, Índia, Rússia, Japão, Canadá e África do Sul. O apadrinhamento do Brasil é a primeira iniciativa de Portugal na presidência da UE, iniciada, ontem, 1 de Julho. Trata-se de uma tentativa, segundo os portugueses, de "forçar o olhar da Europa para a América Latina." As relações entre as duas partes perderam importância nos últimos anos, diante de outras preocupações da UE, como o Leste europeu, a China e outras regiões asiáticas.
A reunião de base bilateral que os portugueses chamam de cimeira, causa ciumeira nos outros países do Mercosul. Ela acontece duas semanas depois do fracasso nas negociações do G4 (Brasil, India, UE e EUA) sobre a Roda Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC) e terá a presença do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, o Alto Representante da UE para a Política Externa, Javier Solana, o primeiro-ministro da Eslovénia (futura presidência da UE), Janez Jansa. À noite, o presidente de Portugal, Cavaco e Silva, ofecerá jantar no Centro de Belém. Nicolas Sarkozy, presidente da França e o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapateiro foram convidados, mas ainda não confirmaram presença. Isso não depende da qualidade do bacalhau que eles sabem ser uma maravilha apreciada, jamais imposta pelos portugueses.
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A CIVILIZAÇÃO CONTRA A BARBÁRIE Sergio Cabral e Gordon Brown: o mesmo combate | 09:55
O nível de ansiedade que precede um encontro com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, não é o mesmo caso ele fosse o Carlos Lacerda. Pode-se de dizer o mesmo do novo primeiro-ministro britânico Gordon Brown. Embora, durante uma década, Brown foi o ministro mais importante da Grã-Bretanha, a distância que o separa de Tony Blair equivale a algo, digamos, entre John Major e Margaret Thatcher. Por sua vez, os problemas que cada governante enfrenta, mantém teimosa ordem de grandeza. A maneira como eles são tratados é a unidade de medida para o cidadão julgar por quem é governado. Não é raro, ao perceber a boa política do governo, o cidadão tornar-se um aliado. Essa cooperação no combate ao terrorismo da ideologia e do narcotráfico é capital. Sem ela não há vitória. Na ausência de informação adequada de como a batalha está sendo conduzida, há pouca chance de haver engajamento efetivo da população e pior, aumenta a munição de quem resiste.
A regularidade com que a Grã-Bretanha vem sofrendo ataques terroristas e a reação intransigente do governo tornou-se quase um fato corriqueiro ---- o que faz da atitude firme de Gordon Brown, uma previsibilidade banal. O fenômeno pode ser aferido pela serenidade do britânico tocar a vida a despeito do risco que corre. Ele assim o faz, sobretudo, porque tem ciência que o governo empenha o que pode em sua defesa. Quem pode dizer que os cariocas receberam a mesma atenção dos sucessivos governos nos últimos anos ainda que a freqüência da criminalidade no Rio de Janeiro é maior do que o terrorismo na Grã-Bretanha? Essa é boa hora de louvar a ação de Sérgio Cabral no que respeita o combate aos traficantes de droga no Complexo do Alemão --- ela é uma guerra, segundo o governador amparado pela semântica e natureza --- uma ação rara que deveria ser corriqueira. Se continuar resoluto no caminho de devolver a segurança a que o cidadão tem direito, o jovem governador sairá do Palácio Guanabara maior do que entrou. A ação do governo do Estado do Rio de Janeiro --- da civilização contra a barbárie --- é legítima e por conta, deveria ser comunicada com regularidade e transparência. A polícia britânica faz comunicados sistemáticos e convoca, ao final do dia, entrevistas coletivas aos jornalistas. Trata-se do dever de prestar contas. Enseja um belo método para manter a população aliada ao governo. As guerras mais justas podem ser perdidas se não for ganha a batalha por corações e mentes. |