Discurso de posse de Nicolas Sarkozy
Neste dia em que tomo posse oficialmente da minha função de presidente da República francesa, penso na França, esse velho país que atravessou tantas provas e que sempre se levantou, sempre falou por todos e doravante tenho a pesada missão de representar aos olhos do mundo.
Penso em todos os presidentes da V República que me precederam.
Penso no general De Gaulle que salvou duas vezes a República, ele devolveu a soberania à França e ao estado, sua dignidade e autoridade.
Penso em Georges Pompidou e Valéry Giscard que, cada um a sua maneira, fizeram tanto para que a França entrasse inteira na modernidade.
Penso em François Mitterrand, que soube preservar as instituições e encarnar a alternância política em um momento onde ela se fez necessária para que a República fosse de todos os franceses.
Penso em Jacques Chirac, que durante doze anos obrou pela paz e fez raiar pelo mundo os valores universais da França. Eu penso no papel que foi dele na tomada de consciência por todos os homens da iminência do desastre ecológico e a responsabilidade de cada pelas gerações futuras.
Mas neste momento tão solene, meu pensamento vai primeiro ao povo francês que é um grande povo, dono de uma grande história e que levanta para dizer sua fé na democracia, para dizer que ele não quer mais se submeter. Penso no povo francês que sempre soube ultrapassar as provas com coragem e encontrar nele mesmo a força para transformar o mundo.
Penso com emoção nessa esperança, essa necessidade de crer em um futuro melhor que se exprimiu tão fortemente durante a campanha que acaba de se encerrar.
Penso com gravidade no mandato que o povo francês me confiou e na exigência tão forte que ele representa. Eu não tenho o direito de decepcionar.
Exigência de unir os franceses porque a França só é forte quando unida e que hoje ela precisa ser forte para relevar os desafios os quais ela confronta.
Exigência de respeitar a palavra dada e honrar as promessas porque jamais a confiança foi tão abalada, tão frágil. Exigência moral porque jamais a crise de valores foi tão profunda, porque jamais a necessidade de reencontrar os parâmetros foi tão forte.
Exigência de reabilitar os valores do trabalho, do esforço, do mérito, do respeito, porque esses valores são o fundamento da dignidade da pessoa humana e condição do progresso social.
Exigência de tolerância e abertura porque jamais a intolerância e o sectarismo foram tão destruidores, porque jamais foi tão necessário aos homens e mulheres de boa vontade colocar em comum seus talentos, suas inteligências, suas idéias para imaginar o futuro.
Exigência de mudança porque jamais o imobilismo foi tão perigoso para a França em um mundo em plena mutação onde cada um se esforça mais rápido do que os outros, onde o atraso pode ser fatal e tornar-se irrecuperável.
Exigência de segurança e proteção porque jamais foi tão necessário lutar conta o medo do futuro e contra esse sentimento de vulnerabilidade que desencoraja a iniciativa e o risco. prejudiciais
Exigência de ordem e autoridade porque nos cedemos muito a desordem e a violência, que são prejudiciais aos mais vulneráveis e aos mais humildes.
Exigência de resultado porque os franceses estão fartos que na sua vida cotidiana nada melhora, porque os franceses estão fartos que sua vida é cada dia mais pesada, sempre mais dura, porque os franceses estão fartos de sacrifícios que lhes são impostos sem nenhum resultado.
Exigência de justiça porque depois de muito tempo tantos franceses não provaram um sentimento tão forte de injustiça, nem o sentimento que os sacrifícios foram igualmente repartidos, nem direitos iguais para todos.
Exigência de romper com comportamentos do passado, o pensamento tradicional e o conformismo intelectual porque jamais os problemas a resolver foram tão inéditos.
O povo me confiou um mandato. Eu o cumprirei, Eu o cumprirei escrupulosamente, com a vontade de ser digno da confiança que me foi manifestada pelos franceses.
Eu defenderei a independência e identidade da França.
Eu velarei o respeito da autoridade do estado e sua imparcialidade.
Eu me esforçarei para construir uma República fundada nos direitos reais e uma democracia inacusável.
Eu lutarei por uma Europa que protege, pela união do Mediterrâneo e pelo desenvolvimento da África.
Eu farei da defesa dos direitos humanos e da luta contra o aquecimento global as prioridades da ação diplomática da França no mundo.
A tarefa será difícil e longa.
Cada um de vocês terá o lugar que é o seu no estado e cada cidadão aquele que é o dele na sociedade e todos têm vocação a contribuir.
Eu quero dizer que na minha convicção o serviço da França não tem campo. Há somente as boas vontades daqueles que amam seu país. Há somente competências, idéias e convicções daqueles que são animados pela paixão do interesse geral.
A todos que querem servir seu pais, eu digo que estou pronto para trabalhar junto com ele. Eu não pedirei para mudarem de convicção, trair as amizades ou esquecer sua história. Cabe a eles decidirem, em alma e consciência de homens livres, como querem servir a França.
O 6 de Maio houve uma só vitória, a da França que não quer morrer, que quer ordem, mas deseja também o movimento; quer o progresso com fraternidade; quer a eficácia, mas quer a justiça; quer a identidade, mas quer a abertura.
O 6 de Maio só teve um vencedor, o povo francês que não quer renunciar, não quer se deixar fechar no imobilismo e no conservadorismo, que não quer tampouco que decidam por ele o seu lugar e que pensem por ele.
E então, a essa França que quer continuar a viver, a esse povo que não quer renunciar, que merece nosso amor, nosso respeito, eu quero expressar minha determinação de não decepcioná-lo.
Viva a República!
Viva a França!