7/5/2007 - 13/5/2007
Domingo, 13 de Maio de 2007 | ||||
O Norte da bússola | 12:45
A reportagem de capa da revista VEJA desta semana é A Verdade de Bento XVI. A edição do semanário britânico The Economist pergunta como a história irá julgar o primeiro-ministro Tony Blair. A edição européia da revista Time tem como principal assunto as conseqüências para as economias do continente, americana e mundial com a chegada ao poder de Nicolas Sarkozy, novo presidente da França, e de Gordon Brown, o substituto de Blair. O que esses quatro personagens que representam a linha de frente do pensamento europeu têm em comum? Em uma palavra: o pragmatismo. Nenhum deles tem uma posição pessoal e outra pública, nenhum tergiversa sobre princípios sólidos. É o Norte. | ||||
Sábado, 12 de Maio de 2007 | ||||
Na edição de VEJA - Sarkozy é igual a ele mesmo | 18:09
O novo presidente da França ganhou as eleições sem esconder que é de direita. Falta agora endireitar o país. Por Antonio Ribeiro Célebres por revoluções, os franceses forjaram no último quarto de século a imagem de povo avesso a reformas em um país de economia morosa. Eles acabam de virar mais uma página de sua longa história. Na mais velha democracia da Europa continental, onde o voto não é obrigatório e a abstenção nas eleições se tornou símbolo da descrença nos políticos, quase nove entre dez eleitores foram às urnas eleger seu novo presidente. A escolha emergiu da disputa entre duas vertentes cuja denominação nasceu quando parlamentares franceses escolheram de que lado iriam sentar-se na Assembléia Nacional: a esquerda e a direita. O presidente, eleito com um número de votos superior ao de qualquer outro postulante desde 1965, quando o sufrágio universal direto se tornou o modo de escrutínio - o que lhe confere legitimidade inédita -, é Nicolas Sarkozy. | ||||
Quinta-feira, 10 de Maio de 2007 | ||||
Agora é a sua vez | 15:00
O primeiro-ministro britânico Tony Blair e o presidente eleito da França, Nicolas Sarkozy, irão se encontrar amanhã em Paris. Blair pretende persuadi-lo de que as reformas nas instituições da União Européia são limitadas. Sarkozy pretende propor um tratado simplificado para substituir o projeto de Constituição Européia, depois que franceses e holandeses votaram "não" no referendo de 2005. | ||||
Quarta-feira, 09 de Maio de 2007 | ||||
| Royal sim, fatal não | 16:06
Enquanto as rotativas da gráfica lançavam tinta sobre o papel, produziu-se uma reviravolta. Nicolas reconciliou-se com Cécilia. O editor do livro, convocado às pressas ao Ministério do Interior, teve uma conversa a portas fechadas com Sarkozy, no gabinete do ministro. Resultado: em vez de irem às livrarias, pilhas e pilhas do livro Cécilia entre le Coeur et la Raison foram recicladas e viraram papelão. Alain Genestar, diretor de redação da Paris Match, foi demitido. O dono da revista, Arnaud Lagardère, é amigo de Sarkozy. | ||||
| Nova missão para Tony Blair | 15:53
No ano passado o mais religioso dos primeiros-ministros britânicos desde o inicio do século XX, segundo seu biógrafo Mick Temple, encontrou-se com Bento XVI para discutir meios eficazes pelos quais a voz dos moderados de cada fé tenha destaque. Cristão, Blair já era um entusiasta leitor do Corão muito antes dos ataques terroristas às Torres Gêmeas em Nova York. Ele diz: 'A maioria dos cristãos tem grande surpresa com a descoberta no Corão de Jesus reverenciado como profeta. Muitos judeus e muçulmanos são completamente ignorantes do rico legado de Abraão que nós dividimos.' Em uma entrevista em março de 2006, Blair foi confrontado com a questão da sua aliança com George Bush na invasão do Iraque, ele foi sucinto: 'Deus me julgará.' | ||||
Aos navegantes | 15:43
Caro leitor, Antonio Ribeiro | ||||
Terça-feira, 08 de Maio de 2007 | ||||
2007, na França | 20:23
Os principais sindicados de estudantes franceses UNEF e UNL tomaram distância dos vandalismos - marginais - contra os bens públicos e privados em protesto contra a eleição de Sarkozy. "Não há nenhuma razão de contestar essa vitória eleitoral, convocar assembléias gerais nas universidades ou manifestações que tenham como objetivo protestar contra a vitória de Sarkozy", disse Bruno Julliard, presidente da UNEF e líder das manifestações contra o Contrato Primeiro Emprego, no ano passado. "Esses movimentos são contraproducentes e arriscam mostrar os jovens como anti-republicanos", completou. | ||||
O liberalismo segundo Saint-Etienne ou a "revolução Sarkô" | 17:22
Autor do livro L'État efficace (O Estado Eficaz), Christian Saint-Etienne é um dos mais brilhantes economistas franceses da nova geração. Comentarista freqüente das TVs, revistas, jornais franceses, Saint-Etienne sentou para conversar com VEJA on-line no Lutécia, um bistrô da Ilha de Saint Louis, entre as margens direita e esquerda do rio Sena, no centro de Paris. No final de um papo delicioso, Saint-Etienne tomou a caderneta desse signatário e desenhou um gráfico resumindo parte da conversa. Segundo Saint-Etienne, o liberalismo tem dois eixos. O eixo horizontal (x) vai do estatismo à não interferência do governo no mercado. Enquanto o outro, vertical (y), começa no igualitarismo total e vai até a recompensa do esforço individual. Dito de outro modo: a valorização moral do sucesso, redução fiscal nos ganhos e no patrimônio. No esquema de Saint-Etienne, Nicolas Sarkozy aparece no canto superior esquerdo. Os EUA e a Inglaterra se posicionam no canto superior direito, sendo que o país de Tony Blair está mais à direita. A "revolução Sarko" - grafada em vermelho - promete passar da parte inferior do gráfico, onde está o tradicional "debate francês" para a superior, não da esquerda para direita. O "debate francês" dos últimos 25 anos tem sido uma linha diagonal na parte inferior à esquerda do gráfico. Em cima dessa linha - ela começa no comunismo e vai até o encontro dos eixos x e y -, o economista marcou as posições de políticos franceses. Em uma ordem crescente, eles são: José Bové, François Mitterrand, Ségolène Royal e Jacques Chirac. | ||||
Sarkozy superstar na mira dos paparazzi | 09:10
Se depender dos paparazzi, o presidente eleito da França, Nicolas Sarkozy não terá sossego. Desde que sua vitória foi anunciada, um batalhão de caçadores de imagem - nem todos que usam máquina fotográfica são fotógrafos - seguiram Sarkozy até o restaurante Fouquet's, na Avenida dos Champs Elysées, onde ele jantou com sua mulher Cecília, o velho roqueiro Johnny Halliday e o ator Jean Reno. Na manhã de ontem, ao sair do hotel, de blazer, jeans e mocassins de camurça preto, Sarkozy despistou os jornalistas. Durante todo o dia se especulava onde o presidente eleito iria descansar. Houve a hipótese que ele iria para a casa do ator francês Christian Clavier, na Córsega, a belíssima ilhota mediterrânea onde nasceu Napoleão Bonaparte. Nada disso. As autoridades maltesas do aeroporto internacional de La Valette informam que o presidente eleito havia pousado na ilha a bordo de um jatinho particular, Falcon 900 EX, às 14h (horário local). | ||||
Segunda-feira, 07 de Maio de 2007 | ||||
Questão de proporção | 19:28
A Direção Geral da Polícia Nacional (DGPN) divulgou novos números do vandalismo após as eleições francesas: 730 veículos incendiados, 592 detenções e 78 policiais feridos. São números impressionantes? São. O vandalismo ao bem público para demonstrar desagrado contra um presidente eleito que ainda nada fez, e só pelo que ele representa, é coisa feia. Levando-se em conta o processo democrático - 85% dos eleitores inscritos votaram em um país onde o voto não é obrigatório e o índice de abstenção tem sido alto -, é pior ainda. Se 730 carros queimados forem colocados ao lado de 18 milhões de votos, tem-se a noção da proporção entre a vontade democrática e o vandalismo. | ||||
| Tony Blair aos franceses, naturalmente, em francês | 13:32 Trechos:
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As edições históricas das revistas semanais | 12:15
Le Point e L'Express, duas das principais revistas semanais da França, chegam às bancas hoje com edições histórias sobre o novo presidente Nicolas Sarkozy. Crime A nova estrela da cena política francesa é um xerife. O filme começa em 1975 durante a convenção do maior partido de direita do país. Junto à escada que conduz ao palanque, o presidente da França, Jacques Chirac, na época primeiro-ministro, determinava o tempo dos discursos de seus correligionários. Um mocinho de 20 anos aproximou-se e parou diante do cacique político. Chirac espetou-lhe o peito com o dedo indicador: "Você é Nicolas Sarkozy? Suba, tem só cinco minutos para falar". O pequeno Nicolas, filho de imigrantes húngaros, desobedeceu, falou vinte minutos. Arrebatou a platéia. Hoje, o rapaz de barba rala é homem feito, político popular e todo-poderoso. Sarkozy ocupa o Ministério do Interior, que na França equivale à cadeira de "tira número 1" da polícia. Em recente aparição na televisão, o ministro admitiu a mais de 6 milhões de telespectadores que, ao barbear-se, "vê no espelho a imagem do próximo presidente da República". | ||||
| Reparem bem: a melena não sofreu ação da água oxigenada | 10:28
A vitória eleitoral de Sarkozy é tão autentica -- e bela -- quanto a simpatizante, na Praça da Concórdia. Os protestos que seguiram a eleição presidencial francesa -- 367 carros incendiados e 270 pessoas detidas -- foram marginais. Embora isso possa assustar os incautos, todo fim de semana 140 carros são incendiados na França. As manifestações de rua são um esporte nacional. Os franceses dormem há quatro décadas com duas convicções. A de que depois da noite virá o dia e a de que, com ele, haverá uma manifestação nas ruas de Paris. Ontem, os autores dos protestos gritavam : 'Sarkô, Sarkô, o povo vai te arrancar o couro'. Bem, é preciso entender o que a turma do barulho entende por povo. Sarkozy obteve 18.983.408 votos enquanto madame Royal recebeu 16.790.611. A França tem 64 milhões de habitantes. Os manifestantes não passaram de 500. | ||||
Um três por quatro do novo presidente | 08:27
Eleito, o primeiro traço notável do novo presidente da França é sua timidez quando a euforia lhe cerca. Ele não está acostumado com isso. Nicolas Sarkozy sente-se mais a vontade nas disputas, golpeando, atacando, defendendo-se com vigor. Em um segundo instante, é visível seu pequeno talhe em permanente luta para conter a imensa emoção do momento. Diante de 30.000 simpatizantes que comemoravam sua vitória na Praça da Concórdia, Sarkozy tentou por cinco vezes começar seu discurso com o tradicional 'Meus queridos amigos'. Os aplausos o emudeceram. Ele hesitava, buscava na dezena de artistas ao seu lado no palco -- escolados em situações análogas -- uma espécie de 'o que eu faço?'. Se durante o debate na TV com Ségolène Royal os franceses surpreenderam-se com a serenidade de Sarkozy, na festa da vitória na Concórdia, eles viram, pela primeira vez, um sorriso tão amplo e espontâneo no rosto do seu novo presidente. Não durou muito para que ar grave voltasse a tomar conta do pequeno Nicolas, aos pés do obelisco egípcio, troféu da campanha africana de Napoleão Bonaparte. Sarkozy disse: 'Eu tenho noção do peso que doravante está nos meus ombros.' Foi o anúncio de uma nova batalha que se desenha no horizonte -- arrancar a França do marasmo. Ela não será menos árdua do que os trinta anos de luta política para forjar o seu o comandante. O mais curioso é que a maior resistência vem dos compatriotas de Sarkozy -- a parcela mais radical dos 47% de eleitores que votaram contra ele. Ela não se opõe à vitória, mas à estratégia e aos meios escolhidos pelo novo presidente para vencer. Desde seu primeiro discurso Sarkozy clama por 'uma só França,' a pedra fundamental de uma ponte de assombroso vão livre para atingir a margem oposta. Será interessante observar essa formidável empreitada cujo sucesso ou débâcle irá transpor as fronteiras da França. |



















