Paris - VEJA.com
Sábado, 12 de Maio de 2007

30/4/2007 - 4/5/2007


Sexta-feira, 04 de Maio de 2007
O apocalipse segundo Ségolène Royal | 15:47

 

A três dias da eleição presidencial francesa, Nicolas Sarkozy está com quase 10 pontos porcentuais de vantagem sobre Ségolène Royal nas intenções de voto, segundo as pesquisas. Se Sarkozy conseguir converter os 54,5 % das intenções em votos, ele ultrapassará o resultado de Mitterrand em 1988 e encostará no histórico sucesso dos 55,20% do general De Gaulle, em 1965 - a surra eleitoral de Chirac contra Le Pen, em 2002, é considerada um caso atípico. A situação atual obriga Ségolène Royal a conquistar mais de 2 milhões de votos para deixar de comer poeira ultrapassando o favorito. Se ela conseguir, o feito será tão raro quanto a conquista feminina da presidência da República francesa. Não há precedente.

Se a dificuldade não parece trazer de volta a "cólera sã" da candidata durante o debate na TV, ela provoca uma estratégia socialista de última hora no mínimo curiosa. Numa declaração à emissora de rádio RTL, madame Royal disse: "Minha responsabilidade hoje é, ao mesmo tempo, alertar dos riscos que essa candidatura [Sarkozy] representa e as violências e brutalidades que elas irão provocar no país. Todo mundo sabe, mas ninguém diz, há uma espécie de tabu. Há uma tensão forte nos bairros populares." Jacques Maheas, prefeito socialista de Neuilly-sur-Marne em Seine-Saint-Denis - o departamento onde começaram os atos de vandalismo que se alastraram pela França, no fim de 2005 - faz coro com Royal, e diz: "Se Sarkozy obtiver uma vitória arrogante, haverá uma reação automática." Por "vitória arrogante" leia-se uma votação democrática maciça dos eleitores em favor Nicolas Sarkozy.

Para a noite de domingo, depois do resultado da eleição, a polícia francesa previu deslocar 79 unidades de forças móveis nos subúrbios e 43 em Paris. Isso significa 8.000 policiais das tropas de choque, o CRS, além dos 12.000 que operam normalmente durante as eleições.

Sarkozy vs. Royal perde
para Brasil vs. França
| 10:42


O debate entre Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy obteve uma audiência média de 20,064 milhões de telespectadores, mas o recorde das TVs francesas continua sendo a final da Copa do Mundo de 98, quando a França derrotou o Brasil: 23,647 milhões. Um em cada oito eleitores afirma que o debate não mudará seu voto enquanto 52% deles acreditam que Sarkozy será um bom presidente -- aumento de 3 pontos porcentuais em relação à percepção anterior ao debate. Prova de que o comportamento sereno de Sarkozy no debate foi mais estratégico do que a 'cólera sã' de Royal. O pico de audiência do debate foi quando os candidatos trataram da jornada de trabalho semanal de 35 horas. O emprego é a principal preocupação do eleitor.

Quinta-feira, 03 de Maio de 2007
Após o debate, Sarkozy amplia a vantagem | 21:10

Pesquisa TNS Sofres de intenção de voto realizada para Le Figaro, RTL e LCI:

Sarkozy - 54,5 %

Royal - 45,5 %

No momento mais tenso do debate, Royal disse estar tomada por uma 'cólera sã' ao acusar Sarkozy de 'imoralidade política.' Para justificar sua indignação, Royal afirmou que o governo no qual Sarkozy foi ministro do Interior havia suprimido 11.000 postos de especialistas para cuidar de crianças deficientes nas escolas criados pelo plano Handisol de sua autoria, quando foi ministra- delegada para Famíia, Crianças e Deficientes. A afirmação é inexata. Na época em que Royal foi ministra, as escolas francesas receberam 89.000 alunos deficientes. Muitas escolas por não estar preparadas, não acolhiam crianças deficientes. O governo de Chirac tornou obrigatória acolhida de crianças deficientes nas escolas. Hoje 160.000 beneficiam de escolarização com ajuda de equipes de educadores 'auxiliares de vida escolar (AVS), treinados para cuidar das crianças deficientes.
A bela, a fera e as 35 horas | 15:58


La belle e la bete, de
Jean Cocteau (1889 - 1963)

A França é o único país do mundo que limita a jornada de trabalho a 35 horas semanais. A lei foi criada pelos socialistas em 1998. Nenhuma questão ocupou tanto tempo no debate ontem quanto as 35 horas.

Abaixo um tradução rápida de um trecho do debate:


Nicolas Sarkozy: Foram as 35 horas que acabaram com o sistema hospitalar público francês. Essa é a realidade. Nos hospitais, são necessários mais lugares. A senhora deve nos explicar como vai aumentar a receita da Saúde. As 35 horas foram uma catástrofe para a economia francesa. Em se tratando dos hospitais públicos, elas destruíram consideravelmente sua organização. A razão é muito simples: o hospital funciona dia e noite, 7 dias por semana, 24 horas por dia. A precisão não é inútil no debate público. Ela serve para que os franceses entendam o que queremos fazer. Parece-me que, em se tratando da redução da dívida pública, a senhora não previu nenhuma medida. É seu direito. Com relação à retomada do crescimento, a situação é ainda mais interessante: a senhora não apresentou nada no que respeita à retomada do crescimento. Eu tenho um plano. O problema da França é que temos 1% a menos de crescimento do que as grandes economias no mundo. Por quê? Porque se trabalha menos aqui do que alhures. Qual é o meio para se obter esse 1% de crescimento suplementar? Respeitar o trabalho, valorizar o trabalho. Dez países na Europa vivem o pleno emprego, cinco de maneira bastante forte. Eu refiro-me à Dinamarca, à Suécia, à Irlanda, ao Reino Unido e, de certa maneira, à Espanha. Talvez isso lhe choque, madame Royal, mas nenhum deles recorreu à divisão do tempo do trabalho. Nenhum deles adotou as 35 horas. O senhor Zapatero me disse que jamais adotaria as 35 horas na Espanha. Ele não quer comprometer a competitividade das empresas. A senhora diz, e com razão, que é necessário ajudar as pequenas e médias empresas francesas. Permita-me lhe fazer uma pergunta: a senhora vai, como está previsto no programa socialista, generalizar as 35 horas? Para as pequenas e médias empresas também? Eu quero liberar as possibilidade de se trabalhar mais na França. Por que meios? Vamos encorajar as pessoas que queiram trabalhar mais, ganhar mais. Hoje tudo é feito para desencorajar a obtenção de horas extras. Eu permitirei a toda empresa facilitar as horas extras, não pagar mais encargos sobre elas. Todo assalariado que fizer horas extras, de maneira voluntária, não pagará impostos sobre elas. Quando se vive com o salário mínimo e se trabalha 50 minutos a mais por dia, isso representa 15% de aumento de salário. Existe um enorme problema de poder aquisitivo na França. O salário não é inimigo do emprego. O dinheiro das horas extras irá proporcionar aumento no poder aquisitivo. Ele vai permitir a retomada do crescimento. Duas observações. A senhora diz que é necessário criar novos empregos na esfera pública. Está certo, por que não? É simpático. Como se pagará por isto? Será preciso criar, como sugeriu François Hollande (companheiro de Royal e secretário geral do PS), uma nova contribuição social generalizada (CSG)? A senhora poderia dizer aos franceses, se a senhora for eleita, haverá uma nova CSG? É muito bonito dizer que haverá novas despesas, mas trata-se do dinheiro dos franceses, do dinheiro que implica mais encargos sociais, do dinheiro que leva a tantas empresas francesas irem se instalar no exterior. Pois é devido aos impostos e às taxas tão pesados que existe a tentação de se deslocar empresas. É preciso proteger os franceses contra isto. Se a senhora aumentar as despesas, vai aumentar os impostos. Se o fizer, vai destruir o poder aquisitivo e por conseguinte, o crescimento econômico. Não é muito inteligente. Eu me comprometi com a idéia do pleno emprego. Eu disse aos franceses que no final de cinco anos estaríamos com um índice de 5% de desemprego. Os outros países liberaram as forças de trabalho, eles não criaram as 35 horas. A senhora deveria dizer aos franceses que as 35 horas custam 17 bilhões de euros todos os anos para impedir as pessoas de trabalhar. Eu vou acabar com as aposentadorias antecipadas. Hoje são gastos 5 bilhões de euros todo ano para que cinqüentões cheios de vida, como nós dois, sejam obrigados a se aposentar. Muitos querem continuar trabalhando. Ai está uma maneira de se retomar o crescimento e de se chegar ao pleno emprego.

Ségolène Royal: Eu não disse que aumentaria o número de funcionários públicos, não deturpe as minhas palavras. Disse que manteria o mesmo número, mas que haveria um remanejamento, tirando-os dos postos onde eles são desnecessários.

Sarkozy: O que diz a senhora Royal é interessante. Trata-se de uma diferença essencial entre o projeto dela e o meu. No fundo, ela está numa lógica restrita e socialista de divisão do tempo de trabalho. O tempo de trabalho é como um bolo, segundo ela, é necessário dividi-lo. Ela nos diz que ninguém trabalhará mais de 35 horas. Assim, obrigará os outros criarem novos postos de trabalho. Em lugar nenhum do mundo existe isto. Não existe nenhum país do mundo, madame. Paises socialistas ou não. Ninguém adotou a divisão do tempo de trabalho. É um erro fenomenal. As 35 horas não criaram empregos. Elas foram responsáveis por algo ainda mais grave: o arrocho salarial. Ésta é a causa dos nossos salários serem tão baixos. Isto pesa no poder aquisitivo dos franceses. O poder aquisitivo comprometido significa menos crescimento. Eu proponho uma outra estratégia. Uma estratégia que funcionou em todo lugar. A senhora cita as democracias do norte da Europa. Pois bem, é eles fazem o que proponho. O seu amigo Tony Blair, na Inglaterra, fez assim: o trabalho de uns cria o trabalho dos outros. É por isso que o instituto Rexecode, organismo independente, destacou os projetos econômicos…

Royal: Já vimos esse filme. É o organismo do MEDEF (sindicato patronal), o senhor sabe muito bem.

Sarkozy: A senhora sabe quem o dirige? Michel Didier, um dos economistas nomeados por Lionel Jospin em 1998 para o conselho de especialistas do governo socialista. O presidente do organismo do qual a senhora acaba de falar foi nomeado por Lionel Jospin (ex-primeiro-ministro socialista). A senhora não é muito simpática com o senhor Jospin.

Royal: Isto gerou um ponto de crescimento a menos. Trata-se sim do organismo do MEDEF. O senhor Juppé (ex-primeiro-ministro da UMP) apresentava esse argumento com freqüência. Continue.

Sarkozy: Obrigado pela autorização! O meu projeto cria 230.000 empregos a mais.

Royal: Obrigado MEDEF! Continue, senhor Sarkozy!

Sarkozy: Por que a senhora acha que toda pessoa que não tem a sua opinião merece ironia e desprezo? O instituto Rexecode não é o instituto do MEDEF. E mesmo que fosse, não é porque se é empresário que não se sabe nada sobre emprego. Pelo fato de não sermos de esquerda, estamos desautorizados a falar do assunto? Eu respeito muito suas respostas. Eu não digo que elas são estúpidas. Eu tento entendê-las, tento explicar aos franceses quais são nossas diferenças. Todos os países do mundo aumentaram as possibilidades de se trabalhar mais. Na França fizeram esse sistema impressionante onde o contribuinte paga 16 bilhões de euros para financiar as 35 horas, os assalariados não têm direito ao aumento de salário que necessitam. Eu proponho duas outras medidas para se chegar ao pleno emprego. Repare, 500.000 ofertas de empregos não são preenchidas. Eu criarei um serviço público de emprego que reúne o UNEDIC e a ANPE (organismos governamentais de ajuda ao desemprego). Na concepção da republicana, não pode haver direitos sem deveres. Eu proponho que o desempregado não possa recusar mais de duas ofertas de trabalho consecutivas, desde que elas correspondam, às qualificações e à região onde ele vive. Todos os países fazem assim. Eu estive na Inglaterra, lá é extremamente interessante. Quem está desempregado é monitorado a cada 15 dias. No serviço público hoje, esse prazo é de 4 meses. Eu proponho que todo beneficiário dos rendimentos mínimos sociais seja obrigado a exercer uma atividade, qualquer que seja ela, para recuperar a dignidade e para retribuir ao estado o que o estado lhe dá. Se eu for eleito presidente da República, não haverá mais demissões por motivos econômicos sem que o empregado demitido não tenha imediatamente um contrato com o serviço público de empregos ganhando 90% do seu último salário, o que lhe permitirá encontrar outro emprego ou uma formação. Junto com o Borloo (ministro do Trabalho), nós experimentamos isto em sete frentes de empregos, 8.000 contratos foram assinados. Isto funciona. O pleno emprego, senhora Ségolène Royal, não deve ser somente para os outros. Se a senhora continuar favorável às 35 horas, gostaria que a senhora especificasse se pretende tornar essa idéia geral ou se pretende mantê-las com um mínimo permitindo às pessoas que queiram trabalhar mais ganhar mais? É uma questão que interessa muitos os franceses.

Royal: Se o senhor pensa que as 35 horas causaram tantos estragos, por que o senhor não as suprimiu durante esses 5 anos ? Porque o senhor sabe…

Sarkozy: Posso responder?

Royal: Sim, porque o senhor sabe muito bem que isso corresponde a um progresso social. O senhor sabe que as pessoas se beneficiaram do tempo livre, tempo esse que criou mais de um milhão de empregos. Cerca de 70% dessas pessoas cuidaram melhor das suas famílias. Sobretudo as mulheres, e os assalariados que tinham empregos difíceis, ao final dessas 35 horas, estavam cansados. Então, o aumento da duração do trabalho não condiz com o progresso social. Eu sou a favor da liberdade dos que queiram trabalhar mais. É possível pois, já vimos, as horas extras são possíveis.

Sarkozy: O que a senhora fará com as 35 horas, vai mantê-las?

Royal: Eu já disse. A segunda lei das 35 horas foi uma lei muito rígida. Eu sou capaz de olhar as coisas como elas são e a realidade das empresas como ela é. Eu tenho essa responsabilidade como presidente da minha região. Nós damos incentivos às empresas. Todos os dias, eu me encontro com empresários. Eu vi que a segunda lei era muito rígida. Eu disse no meu pacto presidencial que toda modificação do Código do Trabalho ocorrerá depois de uma negociação entre os interessados e não forçando quem quer que seja. O senhor viu as reações?

Sarkozy: O que quer dizer "muito rígida"? O que a senhora modificará?

Royal: Os interessados nessa questão terão que entrar em um acordo, discutir tópico por tópico. Se não houver acordo, não haverá nova lei.

Sarkozy: O que a senhora mudará? As 35 horas como um mínimo, eu não vou interferir. Eu manterei as 35 horas semanais.

Royal: O senhor tem que reconhecer. As 35 horas representam um progresso social e econômico importante. Vou lhe dar um exemplo. Eu estive recentemente numa empresa de alta tecnologia que produz quadros escolares. Esta empresa adotou 32 horas semanais. Ela aumentou sua produtividade. Ao contrário do que o senhor disse há pouco, eu falei com Zapatero e com Prodi. Estive na Suécia para ver a situação das empresas. Muitas delas, com bons desempenhos tecnológicos, têm cargas de trabalho inferiores a 35 horas.

Sarkozy: Por 32 horas eles ganham quanto ?

Royal: A mesma coisa que se trabalhassem 35 horas.

Sarkozy: Assim não se aumenta o poder aquisitivo.

Royal: Sim.

Sarkozy: No entanto, existe um problema considerável de poder aquisitivo.

Royal: Deixe as pessoas livres. Não lhes imponha trabalhar mais para ganhar mais. O senhor sabe o que é a valorização do trabalho? É um trabalho pago pelo seu justo valor. O senhor acha que é normal que um assalariado comece a carreira ganhando 980 euros e terminem…. Deixe-me terminar.

Sarkozy: O que a senhora mudará nas 35 horas, não estamos entendendo nada.

Royal: Sim, o senhor entendeu perfeitamente. Não finja que não está entendendo. Eu noto que o senhor não voltará mais às 35 horas, o senhor não as questionou. Elas não são responsáveis por todos os males da Terra, como diz também o MEDEF. Eu encontrei a presidente do MEDEF, ela me disse: "Repense as 35 horas." Ora, isto não é sério. Existem outros assuntos para se tratar. Vocês querem que revoguemos as 35 horas? Ela me disse "não". Então, aí está. Trata-se de uma conquista social importante, mas que criou dificuldades em algumas pequenas empresas pois essas medidas foram aplicadas de maneira uniforme. Nos rediscutiremos as 35 horas para sabermos de que maneira elas podem ser generalizadas e em quais setores. São os interessados que discutirão. Eu encontrei com todos eles, as organizações sindicais e patronais. Eu lhes disse que a reforma profunda do funcionamento da República seria uma reforma da democracia social. Eu gostaria que mais assalariados se sindicalizassem. Por quê? Num país como o nosso, nós temos apenas 10% dos assalariados que aderem aos sindicatos, enquanto que nos países do norte da Europa esse número é de 80%. Existe um diálogo construtivo que se cria com compromissos sociais. Era isso.

Sarkozy: Nos cargos públicos, a senhora autorizará horas extras que hoje são proibidas? Sim ou não?

Royal
: Para terminar sobre as 35 horas. Os interessados sociais e o sindicalimo, reforçado por um crédito de impostos, o cheque sindical, terão uma responsabilidade enorme. Não haverá mais leis impostas no meio social sem que haja uma discussão com os interessados nesse processo. A lei virá consolidar as discussões, trazer financiamentos necessários ou generalizar o direito ao trabalho. A resposta precisa sobre as 35 horas é: elas serão discutidas, como vários outros assuntos, na negociação entre os interessados sociais, setor por setor. Ou eles estão de acordo e as 35 horas continuam valendo, ou então eles não entram em acordo e não haverá generalização das 35 horas nas empresas em questão. Eu quero retomar o crescimento, não apenas com 2 horas adicionais que o senhor pretende exonerar, com o desemprego que isso vai ocasionar. Pois como eu disse há pouco, os patrões terão interesse em conceder essas horas extras e os empregados não poderão escolher. Será preciso um plano concreto para se conceder as horas extras. Eu prefiro que o empregador recrute um jovem ou um senhor de mais de 50 anos desempregado do que permitir horas extras exoneradas. Ou seja, mais um presente para as empresas, sem contrapartida. Nossa medida custa 5 bilhões de euros. Por outro lado, é importante ter certo distanciamento aos interesses econômicos. A verdadeira batalha é a economia do conhecimento. Eu propus investimentos maciços na inovação e na pesquisa. Os investimentos para a pesquisa diminuíram drasticamente, ao ponto de o movimento "Salvemos a pesquisa" não querer apoiar nenhum candidato. Eles acabam de declarar apoio a mim. Eles sabem a que ponto o senhor diminuiu os investimentos em pesquisa.

Sarkozy: Os franceses esperam clareza. Existe uma capacidade de ir de um assunto a outro usando de generalizações que vão…

Royal: Vamos ao fundo da questão. Cada um tem seus métodos. Eu tenho minha liberdade de expressão, o senhor tem a sua.

Sarkozy: Obrigado. Com relação às 35 horas, o que farei? Manterei as 35 horas como duração semanal mínima. Todas as horas trabalhadas além serão pagas. Além das 35 horas, significa 25% a mais do salário, além das 39 horas, quer dizer mais 50%, no setor público e no privado. Existem tantos pequenos salários no setor público, não é admissível não lhes conceder a possibilidade de horas extras. Eu desejo que elas sejam permitidas a jardineiros, aos operários que trabalham nas estradas, aos policiais. Nas pequenas aglomerações, hoje isso não é possível. Para que servem as recuperações das horas trabalhadas quando não se tem com o que pagar as férias das crianças? Para que trabalhar durante todo o mês e no final não sobrar nada. Existe um problema de poder aquisitivo. A senhora diz ter visitado empresas onde se trabalha 32 horas. Mas trata-se de salários baixos, isto não tem nada de formidável. Eu quero que os assalariados possam escolher, caso eles tenham um projeto educativo, férias, o projeto de construção de uma casa, um empréstimo bancário. Deixem eles decidirem se querem trabalhar mais. Sobre a questão do poder aquisitivo, que é central, eu proponho suprimir taxas e impostos, setor por setor.

A força da imagem, o poder das palavras | 08:07


No primeiro debate presidencial da história, entre os presidentes americanos John Kennedy e Richard Nixon, há um vasto consenso: Kennedy foi melhor. Sobretudo, pelo impacto da sua imagem na TV. Quem ouviu o debate pelo rádio, no entanto, não achou a vitória de Kennedy tão clara. Olhe a imagem de Ségolène Royal no vídeo e, depois, leia a transcrição de um trecho do debate.

Royal: 'Eu quero aumentar imediatamente as pequenas aposentadorias.'

Sarkozy: 'Como a senhora vai financiar?'

Royal: 'Eu vou criar fundos suplementares na reserva da previdência.'

Sarkozy: 'Muito bem. De onde virão os recursos?'

Royal: 'De uma taxa nos ganhos de investimento no mercado financeiro…'

Sarkozy: 'Quanto?'

Royal: 'Os parceiros sociais -- sindicatos e empresários -- irão discutir. Mas o principio está estabelecido.

Sarkozy: 'Quanto a senhora vai colocar no fundo?'

Royal: 'Eu já estabeleci o princípio.'

Sarkozy: ' Não, não, espera um pouco, isso é muito interessante. O fundo já tem 36 bilhões de euros e o estado coloca, anualmente, 6 bilhões de euros. Quando o governo socialista de Lionel Jospin criou a reserva, ele previu que ela seria de 120 bilhões de euros. O seu imposto é de mais ou menos quanto?

Royal: ' Meu imposto será do montante necessário para promover justiça social.'

Sarkozy: 'Isso é uma precisão espantosa. A senhora pode nos dar uma idéia da ordem de valor?'

Royal: 'Não, não posso.'

Sarkozy: 'É seu direito…'

Royal: 'Sim é meu direito, a retomada do crescimento econômico que promoverei permitirá cotizações suplementares.'

Sarkozy: 'A senhora vai criar um imposto sem dizer de quanto de ele será e nem a expectativa de quanto ele vai gerar?'

Royal: 'Sim, e daí?'

Sarkozy: 'Assim nós podemos ficar tranqüilos para equilibrar o déficit da previdência.'

Pesquisa: Sarkozy venceu o debate | 10:49

Segundo pesquisa do instituto OpinionWay realizada para o jornal Le Figaro e a TV LCI, 53% dos telespectadores franceses julgaram Nicolas Sarkozy o mais convincente no debate televisivo. A socialista Ségolène Royal foi a preferida de 31%, enquanto 15% dos entrevistados acharam que houve empate; 1% do eleitorado ouvido na pesquisa não se manifestou.

François Bayrou, terceiro colocado no primeiro turno com 18,57% dos votos, afirmou depois do debate que não votará em Nicolas Sarkozy. Bayrou em 'triple off', quer dizer, em uma informação três vezes confidencial, em relação ao desempenho de Royal no debate, disse: 'Ela se saiu muito bem'.


Quarta-feira, 02 de Maio de 2007
O gambito | 21:00

Reprodução de TV

Ségolène Royal ganhou o debate. Nicolas Sarkozy, o candidato favorito, ficou mais próximo da vitória na eleição presidencial. Paradoxo? Não. O primeiro objetivo de madame Royal ao chegar ao debate era se mostrar presidencial. A maior reticência dos eleitores com ela é uma questão de credibilidade: a sua capacidade de governar a França. A começar pela escolha do traje - pela primeira vez ela apareceu de negro - até ocupar o terreno em uma ofensiva permanente, contestando ponto por ponto as intervenções do adversário, Royal foi de um êxito retumbante. Aliás, em certos momentos houve claro excesso de combatividade, em especial quando acusou Sarkozy de 'imoralidade política' e mais adiante, Royal disse: 'Sim, estou encolerizada.'

A impressão ao fim do debate foi que a personalidade imperial e sua beleza física dominaram a cena. Não há registro na carreira política de Nicolas Sarkozy de uma reação tão serena diante de ataques quanto seu comportamento durante o debate. O máximo que ele se permitiu foi de lembrar a candidata socialista que um presidente da República não deve perder a calma. Entre os dois candidatos, aquele que desperta medo no eleitor tem sido Sarkozy. A vitória de madame Royal pode transformar o julgamento em uma incerteza. Se no domingo, Sarkozy ganhar a eleição, sua derrota no debate entrará para história como uma fineza da arte política.

***

Segundo o Novo Dicionário Aurélio:

gambito
[Do it. gambetto.]

Substantivo masculino.

1. Ardil para vencer o adversário.

2. Abertura de partida no xadrez, em que se sacrifica um peão para obter vantagem de posição. [Há diversas espécies de gambito, segundo o peão sacrificado.]

Sarkozy vs. Royal - O debate na TV | 12:29


A quatro dias da eleição presidencial francesa, Nicolas Sarkozy, candidato de centro-direita, e a socialista Ségolène Royal se enfrentarão em um debate na TV. O duelo, com duração de duas horas, será transmitido pelos dois principais canais franceses, TF1 e France 2 (às 16 horas no horário de Brasília). Espera-se uma audiência superior à da última final da Copa do Mundo, quando 20 milhões de franceses assistiram a sua equipe ser derrotada pelos italianos com direito a uma cena espantosa pela agressividade e falta de sangue-frio: a cabeçada do meia Zinedine Zidane no peito do zagueiro Materazzi. É pouco provável que algo semelhante aconteça dessa vez: os candidatos estarão separados por uma mesa de dois metros de comprimento (veja ilustração). No entanto, a distância nas pesquisas de intenção de voto é de apenas 4 pontos porcentuais de vantagem para Sarkozy. A situação faz do debate um momento delicado. Ele poderá determinar o aumento do avanço, a inversão das posições ou mesmo criar o suspense do empate até domingo.

O maior desafio de Royal, sentada no lado esquerdo da telinha, será persuadir da sua capacidade de governar a quinta maior potência econômica do mundo e mostrar que o seu programa não irá endividar ainda mais o estado nem acarretar aumentos de impostos -- o fato de ser mulher pouco importa aos franceses. As esquivas das questões com grandes declarações de princípios não serão o bastante para convencer os indecisos. Ainda que visto pela maioria como o candidato mais qualificado e dinâmico, Sarkozy provoca reticência quando não o medo em muitos eleitores. Para eles, o candidato é muito liberal -- nem é, nem é ofensa ---, dono de uma ambição sem limites e um risco ao equilíbrio social na França. Sarkozy conseguiu vencer o primeiro turno reunindo seu campo ideológico, a direita. Agora ele encontra dificuldade em transpô-lo para conquistar mais eleitores do centro. Seu objetivo maior no debate é convencer de que pode ser um presidente sereno cuja reformas implicam sacrifícios, mas trarão mais empregos e crescimento econômico para a França.

A arena televisiva é um estúdio de 220 metros quadrados no qual as 12 câmeras estarão atrás do cenário para não incomodar candidatos e preservar a intimidade do debate. Será proibido mostrar um candidato durante a intervenção do outro. Philippe Dèsert explica a escolha do preto e branco do cenário: 'O décor deve ser como um terno italiano, bonito e sóbrio.' O debate será mediado por dois veteranos jornalistas da TV francesa: Patrick Poivre d'Arvor (TF1) e Arlette Chabot (France 2). Os spots publicitários custarão 100.000 euros na TF1 e 28.000 na France 2. Cada candidato levará sua própria equipe de maquiadores. Royal e Sarkozy farão o quinto debate presidencial da TV francesa. O primeiro aconteceu em 1974, entre Gicard d'Estaing e François Mitterrand. Em 2002, Chirac quebrou a tradição ao se recusar a debater com Le Pen.

Sobre o debate, os candidatos disseram o seguinte:

Ségolène Royal: 'Toda minha vida política foi feita de debates, de diálogos, não fugi de nenhum. Estou pronta, por definição'.

Nicolas Sarkozy : 'Eu não preciso me preparar, faz trinta anos que me preparo'.

Debates presidenciais na TV - As frases matadoras | 13:31

1974 - Valéry Giscard d'Estaing vs. François Mitterrand

Giscard d'Estaing: 'Eu represento eleitores que são tão modestos quanto os vossos (...) Eu acho sempre chocante e ofensivo de se atribuir o monopólio do coração. O senhor não tem o monopólio do coração, senhor Mitterrand, e não fale aos franceses dessa maneira tão ofensiva aos outros".

Giscard venceu as eleições.


1981 - Valéry Giscard d'Estaing vs. François Mitterrand

François Mitterrand: 'Sete anos atrás, o senhor me acusou de ser o homem do passado. É mesmo incômodo que no intervalo o senhor se tornou o homem do passivo'.

Mitterrand venceu as eleições.


1988 - François Mitterrand vs. Jacques Chirac

Chirac: "Permita-me apenas lembrá-lo de que nesta noite eu não sou o primeiro-ministro e o senhor não é o presidente da República. Nós somos dois candidatos em igualdade que se submetem ao julgamento dos franceses, só eles contam. O senhor me permitirá então lhe chamar de senhor Mitterrand".

Mitterrand: "O senhor tem toda razão, senhor primeiro-ministro".

Mitterrand venceu as eleições.


1995 - Jacques Chirac vs. Lionel Jospin

Jospin: "Concluindo, eu gostaria de dizer, brincando mas com um fundo sério: é melhor cinco anos com Jospin do sete com Jacques Chirac".

Jacques Chirac venceu as eleições.


Abaixo, um vídeo com os melhores momentos dos debates na TV francesa. Les Grands Duels é documentário do Institut National de l'Audiovisuel.


Terça-feira, 01 de Maio de 2007
'Amemos uns aos outros.' - Ségolène Royal | 21:13


O último grande comício de Ségolène Royal, no Estádio Charléty de Paris, não foi bem uma missa campal, mas houve lances de exorcismo. Durante toda a semana, Royal bateu na mesma tecla: o candidato do centro-direita Nicolas Sarkozy representa um perigo para a paz civil na França. Segundo Royal, Sarkozy dissemina o ódio, seu governo promoverá a fratura republicana "jogando os franceses uns contra os outros." Entretanto, a socialista promete que irá promover uma França apaziguada e fraterna, "em uma palavra, sem violência". Os 30.000 simpatizantes - o comício de Sarkozy reuniu 20.000 dentro de Bercy e 10.000 fora, assistindo o evento pelos telões - ouviram madame Royal, revelar que no próximo dia 6 de maio, ela não estará enfrentando De Gaulle. A escolha será tão simples como as cores das roupas que os candidatos vestem: branco e preto. Branco era cor do terninho de Royal sobre a camiseta vermelha. A candidata socialista prometeu "reunir todas energias não importa de onde elas vierem." Royal disse "Eu escutei os candidatos da esquerda antiliberal: a vida vale mais do que os lucros. Eu escutei o ideal antiglobalização: um outro mundo é possível. Eu escutei a mensagem dos eleitores do centro e dos republicanos progressistas: nada se fará sem democracia, sem uma Europa que funcione e sobretudo sem um estado imparcial." Amanhã, dia 2 de Maio, madame Royal estará frente a frente com Mefistófeles. O debate na TV entre os dois candidatos à presidência da França será às 16h (horário de Brasília).

Le Pen vota na abstenção | 15:28

O general De Gaulle dizia que a França era um pequeno país com uma imensa responsabilidade: desempenhar o papel de grande nação. Essa crença levou o velho general ao exílio londrino enquanto boa parte dos seus compatriotas preferiram colaborar com o invasor nazista - e não só, o governo de Vichy, no caso da caçada e envio de judeus franceses aos campos da morte foi de zelo e iniciativa espantosa até para os alemães. Do outro lado do Canal da Mancha, sem um blindado, De Gaulle pelo verbo e na intransigência tornou-se líder da resistência francesa. No que diz respeito a Napoleão Bonaparte, De Gaulle disse o seguinte: "Napoleão deixou a França menor do que a encontrou, mas o grandeur não se mede assim." Essa idéia da França é toda contrária à doutrina de Jean-Marie Le Pen. O líder da extrema-direita francesa nos rompantes de nacionalismo em vistoso décor tricolor tem especial apreço pela pequenez de propósitos.

Na tradicional passeata em homenagem a Joana D'Arc - ato para contrapor as manifestações do 1º de Maio - Le Pen conclamou seu simpatizantes a não votar em Ségolène Royal nem em Nicolas Sarkozy, e se abster maciçamente na eleição presidencial do próximo domingo, 6 de Maio. Le Pen ficou em quarto lugar com 10,51% dos votos no primeiro turno, menos 9 pontos porcentuais em relação à eleição de 2002, um recuo compartilhado com todos os partidos extremistas da França. Uma vez mais, Le Pen se colocou na contramão da história. Em um país descrente com os seus políticos, sentimento expresso nos altos índices de abstenção, a participação dos franceses no primeiro turno das eleições de 2007 foi a maior desde a criação do sufrágio direto para presidente da República, em 1965. Embora o voto seja livre e não obrigatório na França, historicamente os conselhos dos políticos não são seguidos automaticamente pelos eleitores, as indicações de Le Pen a seu eleitorado aguerrido podem ser prejudiciais ao candidato favorito, Nicolas Sarkozy.

Sarkozy promete enfrentar o sindicalismo radical | 12:04


Antes do início de 250 passeatas organizadas pelos sindicatos franceses no Dia do Trabalho, a maioria contra as propostas de Nicolas Sarkozy de flexibilizar as leis trabalhistas, o candidato de centro direita deixou claro que a pressão sindical não irá modular seu programa de governo - eliminação da jornada de trabalho de 35 horas semanais, serviço mínimo nos transportes e hospitais no caso de greves. Em uma entrevista ao canal de TV France 2, Sarkozy disse: 'O calendário da democracia política não pode ser achincalhado pelo calendário sindical.' Aos líderes sindicais que ameaçam com uma onda de protestos caso Sarkozy seja eleito e aplique seu programa, o candidato disse: 'Se eles não gostam das minhas propostas, deveriam se candidatar à presidência da República. Sinto muito, mas quem decide são os franceses. Creio no diálogo social, mas vou aplicar, escrupulosamente, o meu programa de reformas. Não sou o candidato do imobilismo e do conservadorismo. A França precisa mudar, a França precisa de reformas.'

Em Marselha, os 5.000 militantes do sindicato Força Operária, responsável por greves que destronaram a supremacia do porto da cidade mediterrânea para a italiana Gênova, desfilaram no 1º de Maio a palavra de ordem: "Sarkô, Sarkô, le peuple aura ta peau' (Sarko, Sarko, o povo te escalpelará).

A França tem 64 milhões de habitantes. Os assalariados representam 22 milhões da população entre os quais, apenas 10% são sindicalizados. A maioria deles são de funcionários públicos. Proporcionalmente, a França tem menos sindicalizados do que os EUA. No entanto, apesar da pouca representatividade, o sindicalismo radical francês - ligado aos partidos de extrema-esquerda que juntos tiveram menos de 9% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial - tem uma capacidade de mobilização sem paralelo no mundo. A freqüência com que a minoria sindical muito bem arregimentada promove greves de extraordinária visibilidade, muitas vezes por razões as mais bizarras, cria a falsa impressão de que, quando ela cruza os braços, a França inteira pára - a maioria dos franceses continua trabalhando, pagando impostos pesados e se sindicalizando cada dia menos. Esse engano ganha força pelo temor em incomodar os sindicados demonstrado pelos governos franceses dos últimos 26 anos.

Não é raro, mas regra, as legislações trabalhistas francesas serem determinadas pelo grito nas ruas. As propostas do executivo e de parlamentares eleitos pela maioria dos franceses conta pouco. Tome-se o exemplo do que aconteceu o ano passado, o governo engavetou a lei do Contrato Primeiro Emprego, que havia sido aprovada pela Assembléia Nacional e pelo Senado, respaldada pelo Conselho Constitucional, promulgada pelo presidente da República e publicada no Diário Oficial. A rendição - e o calvário político do primeiro-ministro Dominique de Villepin -foi conseguida graças a nove semanas de paralisações e protestos interruptos nas ruas. Apenas 1,6% da população participou das manifestações.


Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
"Eu quero virar a página de Maio de 68 na França' - Nicolas Sarkozy | 09:05

Trecho do discurso de Nicolas Sarkozy durante o maior comício da campanha presidencial francesa, no complexo esportivo de Bercy, em Paris:

'Nós conjuramos o pior respeitando os franceses, mantendo nosso engajamento, respeitando a nossa palavra. Nós conjuramos o pior recolocando a moral na política. A palavra moral não me amedronta. A moral, depois de Maio de 68, nós não podíamos mais pronunciar. Ela tinha desaparecido do vocabulário político. Pela primeira vez depois de décadas, a moral esteve no coração de uma campanha presidencial(...)

Os herdeiros de Maio de 68 impuseram que tudo se equivalia, doravante não havia nenhuma diferença entre o bem e o mal, nenhuma diferença entre o verdadeiro e o falso, entre o belo e o feio. Eles tentaram fazer crer que o aluno equivalia ao mestre, que não se podia mais classificar. Que a vitima contava menos que o delinqüente. Não havia mais valor, hierarquia, eles conseguiram. Não sobrou mais nada, eles mesmos não eram grandes coisas (...) Eu quero virar a página de Maio de 68. Eu proponho aos franceses romper com o espírito, com os comportamentos, com as idéias de Maio de 68 (...) A ideologia de Maio de 68 será morta quando a sociedade ousar lembrar a cada cidadão os seus deveres. Nesse dia será alcançada enfim a grande reforma intelectual e moral que a França uma vez mais precisa (...)

Faltam oito dias, oito diazinhos, para criar as condições de uma reunião imensa, oito dias para construir durante os próximos cinco anos o país mais próspero do mundo. Oito dias para melhorar o poder de compra, oito dias para o emprego pleno, oito dias para o restabelecimento da autoridade. Faltam oito dias para transformar nossos sonhos em realidade. Oito dias para se erguer, oito dias para construir a esperança que a França precisa.'

Por Antonio Ribeiro - 00:23  

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