11/08/2012
às 7:29 \ Um Conto de Duas CidadesO som da Olimpíada
Era só haver uma pausa nas partidas de vôlei de praia para que os voluntários encarregados de ajeitar a areia próximo às linhas entrassem em quadra. Era a senha para que o DJ da arena colocasse a música Mr. Sandman, do quarteto The Chordettes, ou Enter Sandman, da banda Metallica, arrancando risos da plateia. Nos intervalos, um grupo de jovens com trajes (não tão) mínimos faziam performances para o público.
Na arena de basquete, a bola mal para e os alto falantes começam a tocar um repertório variado, de músicas que tocam em qualquer balada a clássicos do rock. We Will Rock You, do Queen é sem dúvida a que mais se repete – pela interação que promove com o público. Em alguns momentos, cheguei a achar que as intervenções do DJ eram frequentes e altas demais – gostaria de ouvir a opinião dos atletas a respeito. Para o público, não tenho dúvida de que é divertido.
O fato de a cultura musical inglesa ter se expandido por todo o mundo contribui para que espectadores de toda parte se identifiquem com o som das cerimônias e competições de Londres 2012. E em 2016, qual será a estratégia do Rio de Janeiro? Temos uma cultura extremamente rica e diversa, grandes nomes de nossa música, mas nenhum da envergadura de um Paul McCartney. Aliás, como ele ninguém além dos britânicos tem. Quem representaria melhor a cultura brasileira numa cerimônia de abertura? Caetano Veloso ou Ivete Sangalo? Zeca Pagodinho ou Roberto Carlos?
Da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, veio um bom exemplo de como a seleção musical pode se tornar uma questão espinhosa. Muitos sul-africanos ficaram insatisfeitos com o fato de a música oficial do torneio ter ficado a cargo da colombiana Shakira, e não de um artista africano. O álbum oficial da Copa tentava conciliar artistas internacionais e locais.
Esta muito provavelmente será a solução adotada em 2016, uma vez que nossa música ainda não tem uma estrela de brilho global. A não ser, é claro, que Michel Teló prove nos próximos quatro anos que seu sucesso internacional não era tão passageiro como se imaginava.
Tags: londres 2012, música, rio 2016











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2 Comentários
Rachel
-24/09/2012 às 14:18
Sinceramente, não acho que as Olimpíadas no Brasil têm de ter músicas famosas internacionalmente e nem estrelas de brilho global. As atrações deveriam ser as músicas de boa qualidade brasileira que não fazem tanto sucesso internacional, como as de Seu Jorge, Ana Carolina e Marisa Monte. Os Jogos são também para isso: pra que as pessoas lá fora saibam que Brasil não é só Carnaval, futebol e samba e que aqui tem, sim, muito mais do que Michel Teló.
MariadasDores
-11/08/2012 às 11:50
Uma coisa é certa: os ingleses estão usando toda e qualquer oportunidade para fazer marketing, em frente a uma audiência global, de seus produtos para exportação. Neste caso, a música.