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segurança

17/04/2012

às 15:43 \ Diário Olímpico

O primeiro barrado da festa

A história recente dos grandes eventos esportivos mostra que invasões (ou tentativas de) são mais regra do que exceção. Para ficar apenas em um exemplo mais vivo na memória dos brasileiros, basta lembrar a maratona olímpica de 2004, quando o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, que liderava a prova, foi agarrado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan.

Minutos antes da final da Copa de 2010, o espanhol Jaume Marquet i Cot, autointitulado “Jimmy Jump”, foi barrado por um segurança quando estava a poucos metros de tocar a taça FIFA. Jump, que se dedica a invadir eventos esportivos, tem um vasto currículo de invasões e até mesmo um site oficial em que relata suas peripécias, disponível em espanhol, catalão e inglês.

Sejam celebridades como Jimmy Jump ou anônimos, os invasores preocupam a organização dos Jogos de Londres. O alerta foi ligado no último dia 7, durante a tradicional regata entre as equipes de Remo de Oxford e Cambridge no Rio Tâmisa, em Londres. Trenton Oldfield, de 35 anos, conseguiu pular o bloqueio da segurança e nadar no rio, atrapalhando a competição (foto acima).

Na ocasião, o presidente do Comitê Olímpico Britânico (BOA), Colin Moynihan, expressou sua preocupação com a segurança durante os Jogos. “Basta um idiota para arruinar um evento”, disse.

No próximo dia 23, Oldfield – que disse estar protestando contra o elitismo – será julgado pela Feltham Magistrates’ Court, em Londres.

Mas caso receba uma medida cautelar que o impeça de assistir aos Jogos Olímpicos, Oldfield não poderá se orgulhar de ter sido o primeiro. Este título aparentemente pertence ao ativista Simon Moore, 29 anos, conforme relata nesta terça-feira o site do Guardian.

Moore é um dos ativistas do movimento Occupy, que passou meses acampado em frente à Catedral de St Paul. Na última semana, ele foi um dos presos em um protesto contra a construção de uma quadra de basquete temporária em Leyton Marsh, próximo ao Parque Olímpico. A medida cautelar, que o impede de se aproximar de qualquer local de evento olímpico, se estende a eventos como o Jubileu da Rainha Elizabeth II.

Os eventos que mais preocupam a organização de Londres 2012 são a maratona, triatlo, maratona aquática e ciclismo de estrada – além do percurso da tocha olímpica.

26/03/2012

às 14:13 \ Diário Olímpico

O custo da ameaça terrorista

Nesta segunda-feira, uma reportagem do jornal The Sun reacendeu o alerta sobre a possibilidade de ataques terroristas durante os Jogos de Londres. Segundo o tablóide, terroristas ligados à Al Qaeda estariam planejando utilizar cianeto (substância altamente letal) misturado a creme para mãos em um ataque por envenenamento, cujo alvo não foi especificado.

A informação foi obtida por investigadores do jornal em um fórum de internet supostamente ligado à Al Qaeda. O governo britânico não comentou a denúncia. A reputação do The Sun - recentemente envolvido em um escândalo de escutas ilegais – não é das melhores, o que faz com que notícias deste tipo sejam colocadas em perspectiva.

Mas o fato é que a segurança durante os Jogos Olímpicos é uma das maiores preocupações do comitê organizador – na foto acima, pode-se ver o treinamento de agentes que trabalharão durante o traslado da tocha olímpica. Inicialmente estimado em 282 milhões de libras, o valor total gasto com segurança dos locais dos Jogos já bateu na casa dos 535 milhões.

Outra reportagem do jornal Independent, também desta segunda-feira, revelou que o MI5 – o serviço de inteligência britânico – irá deslocar 3800 de seus agentes na investigação de potenciais ameaças terroristas. Esta é considerada a maior mobilização da história do MI5 após a Segunda Guerra Mundial.

Levando-se em conta os gastos com este tipo de operação, assim como o deslocamento de 13500 soldados britânicos, o valor total empregado na segurança da Olimpíada chegaria a 1 bilhão de libras, sendo que o orçamento total dos Jogos é de 9,3 bilhões de libras.

09/03/2012

às 13:39 \ Diário Olímpico

A flexibilidade do orçamento

A incerteza sobre o orçamento final dos Jogos Olímpicos não é exclusividade brasileira. Nesta sexta-feira, um relatório da comissão de contas públicas do Reino Unido alertou sobre o risco de que o custo final para os cofres públicos chegue a 11 bilhões de libras, frente aos 9,3 bilhões previstos atualmente.

O aumento do valor seria devido, principalmente, aos custos que o governo terá após os jogos para modificar o Parque Olímpico, que não vinham sendo contabilizados. Mas a principal crítica da comissão é em relação ao custo com a segurança do evento, que saltou de 282 para 535 milhões de libras – o número de seguranças necessários aumentou de 10000 para 23700.

O comitê organizador contesta o relatório e afirma que a conta deve ser fechada um pouco abaixo dos 9,3 bilhões divulgados. O que muitos se esquecem é que o orçamento anunciado em 2005, quando Londres venceu a concorrência por Paris para sediar os jogos, era bem menor: em torno de 3 bilhões de libras. Uma flexibilidade de fazer inveja em muitos atletas.

17/01/2012

às 9:51 \ Diário Olímpico

Loucademia de Polícia

Um passageiro encontra uma pasta perdida em um trem em Dartford, interior da Inglaterra. Para sua surpresa, o conteúdo não é trivial: os documentos, esquecidos por um policial, contém detalhes sobre o plano de segurança dos Jogos Olímpicos de 2012 – incluindo nomes e telefones de agentes da polícia.

A história mais parece um roteiro de filme – daqueles inverossímeis, que fazem alguns espectadores acharem um desrespeito à inteligência alheia. Mas a história é verdadeira, e está na capa de hoje do tabloide The Sun, a quem o passageiro entregou os documentos – provavelmente mediante o pagamento de uma generosa recompensa.

Um porta-voz da polícia de Londres confirmou que um agente perdeu uma pasta com documentos no dia 5 de janeiro deste ano, e que imediatamente reportou o ocorrido a seus superiores. Ele ainda afirmou que as informações contidas nos documentos não colocam em risco à segurança dos Jogos. Os documentos já foram devolvidos à polícia.

15/11/2011

às 7:52 \ Diário Olímpico

Reforço americano

Relógio que faz a contagem regressiva para as Olimpíadas, em Trafalgar Square

Na semana passada, escrevi sobre a obsessão por segurança que permeia o dia-a-dia dos britânicos. Mas os norte-americanos parecem não estar satisfeitos com os procedimentos adotados pelos ingleses. No último domingo, o Guardian revelou que os Estados Unidos têm manifestado preocupação com a segurança de seus atletas e oficiais. O governo norte-americano estaria disposto a enviar 1.000 agentes, sendo 500 do FBI, para proteger seus compatriotas durante os Jogos.

Ontem, o secretário de defesa britânico, Philip Hammond, veio a público afirmar que o governo britânico está preparado para disparar mísseis, se necessário, para proteger o país de ataques terroristas durante as Olimpíadas. Foi uma clara tentativa de colocar panos quentes sobre a pressão dos norte-americanos, que teriam aumentado sua preocupação após os violentos protestos na capital em agosto deste ano.

Os organizadores dos Jogos já admitiram ter errado o cálculo do pessoal necessário para garantir a segurança durante as Olimpíadas. A princípio, seriam 10.000 agentes; agora já se falam em 21.000. A empresa G4S, contratada para fazer a segurança dos jogos, pode não ter tempo hábil para recrutar e treinar mais agentes. O comitê organizador já fala em recorrer a voluntários e às forças armadas.

Mas caso seja necessário contratar mais agentes de segurança, isso não significará um estouro de orçamento: dos 9,3 bilhões de libras estimados em 2007, cerca de 2 bilhões correspondem a reservas de contingência – verbas destinadas a cobrir gastos inesperados. O erro de cálculo no número de agentes pode ser compensado pelo acerto nas obras, concluídas dentro do prazo e orçamento.

08/11/2011

às 7:00 \ Diário Olímpico

Segurança, uma paixão nacional

Primeiro-ministro David Cameron encontra-se com jovens aprendizes no Parque Olímpico

Eles estão em toda a parte: são usados por operários, policiais, bombeiros, socorristas, funcionários do metrô, motoristas, motociclistas, ciclistas, corredores… Basta uma volta pelas ruas de Londres para se perder a conta do número de coletes e jaquetas fluorescentes que se veem. Ontem mesmo avistei um grupo de crianças que passeavam por um parque, guiadas por seus professores – todas vestidas com seus coletinhos marca-texto.

Recentemente, o colunista Jon Kelly, do site da BBC, afirmou que as roupas de alta-visibilidade “simbolizam o Reino Unido dos anos 2010 do mesmo modo como as minissaias resumiam os anos 1960”. Se do ponto de vista estético elas não são das mais atraentes, certamente o são do ponto de vista da segurança – como ciclista, eu mesmo me rendi à moda.

Segurança é uma espécie de obsessão nacional que permeia a vida cotidiana britânica. Estima-se, por exemplo, que o Reino Unido tenha 1,85 milhões de câmeras de vigilância – uma para cada 32 habitantes. Portas corta-fogo, cobertores anti-fogo em cada cozinha, testes semanais de alarmes de incêndio são outros detalhes corriqueiros que revelam o excesso de zelo dos londrinos, parte deles justificados pelo trauma de dois grandes incêndios sofridos pela cidade ao longo da história.

Mas quando se tratam de eventos, tenho a impressão de que as buscas são menos ostensivas que no Brasil. No último sábado, estive em Wembley em um evento de rúgbi league. Após passar pelo controle de ingressos, instintivamente abri a jaqueta, tirei carteira e celular dos bolsos e caminhei rumo ao policial que aguardava de pé alguns metros à frente. Confuso, ele sorriu e fez sinal para que eu seguisse em frente. Sua função era revistar somente mochilas.

Semanas antes, em uma partida do Chelsea no estádio Stamford Bridge, o policial pediu apenas que eu colocasse a bolsa no chão e deixou o trabalho por conta de um cão farejador. Não houve outro tipo de revista.

Durante as Olimpíadas, no entanto, pode-se esperar um sistema de segurança bem mais rigoroso. O temor de atentados terroristas, especialmente após os ataques de julho de 2005, deve resultar em mais critério nas buscas durante os Jogos. O comitê organizador já tem recomendado aos visitantes que cheguem às instalações olímpicas com bastante antecedência e levem em conta o tempo gasto controles semelhantes aos de aeroportos, como equipamentos de raio-X e detectores de metais. Ao todo, deverão ser mais de 20.000 agentes de segurança, incluindo voluntários e até membros das forças armadas.

Na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, os equipamentos de raio-X e os milhares de agentes também estavam lá, mas muitas vezes os próprios seguranças quebravam o protocolo e abriam mão de fazer qualquer tipo de busca. Felizmente não houve nenhum tipo de incidente, mas ficou a impressão de fragilidade do sistema.

Na Olimpíada de 2012, em um país tão obcecado por segurança, o controle certamente não será apenas para inglês ver.

 

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