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phillips idowu

07/08/2012

às 14:35 \ London Calling

Immigrant Song

A Batalha de Trafalgar, em 1805, foi a mais marcante das numerosas vitórias navais do império britânico. O Almirante Nelson ganhou o confronto, perdeu a vida e virou estátua numa praça que seria construída algumas décadas depois, bem no coração de Londres – Trafalgar Square, justamente em homenagem ao triunfo militar sobre os franceses. Entre os combatentes do lado britânico estavam enormes contingentes de imigrantes, incluindo os marinheiros nascidos numa antiga colônia africana, a atual Somália. Para eles, porém, não sobraram memoriais ou honrarias. Os somalis formam uma das mais antigas e numerosas comunidades de imigrantes da Grã-Bretanha. São, também, alguns dos alvos preferidos dos grupos políticos favoráveis a um controle mais rigoroso da imigração no país. Durante esta Olimpíada, porém, o exército britânico na disputa por medalhas tem como uma de suas grandes armas um atleta nascido em Mogadíscio, criado no Djibouti e trazido a Londres apenas aos 8 anos, quando não falava uma só palavra de inglês. Mohammed Farah – que, na Inglaterra, virou “Mo” – foi campeão olímpico nos 10.000 metros rasos e tenta mais um ouro nos 5.000, cujas eliminatórias são disputadas nesta quarta. Muçulmano devoto, casado há dois anos, futuro pai de gêmeas – a mulher, grávida de oito meses, carregou o barrigão para a pista do Estádio Olímpico para abraçá-lo após a vitória espetacular de sábado – Farah foi questionado sobre se não tinha vontade de defender as cores da Somália na Olimpíada. “Olha, mate“, disse, usando uma expressão bem britânica, “o meu país é este aqui”.

Nesta terça, outro astro britânico do atletismo apareceu no Estádio Olímpico. Phillips Olaosebikan Idowu, filho de nigerianos, ex-campeão mundial do salto triplo e favorito a uma medalha em Londres, acabou saindo da disputa de forma prematura, derrotado logo nas eliminatórias. Idowu, 33 anos e vários piercings nas orelhas e no rosto, tentava se recuperar de uma lesão. Só não desistiu da prova porque é um dos ídolos do esporte britânico e uma das caras da Olimpíada, ilustrando outdoors espalhados por toda a cidade. O descendente de africanos só perde para a filha de um jamaicano no quesito exposição publicitária na capital olímpica. Jessica Ennis, rainha do heptatlo e queridinha da torcida, é o resultado do casamento de um negro caribenho com uma branca inglesa. Três protagonistas com histórias tão diversas são peças que se encaixam muito bem no roteiro destes Jogos. Na capital olímpica, convive-se o dia inteiro com indianos, paquistaneses, chineses, vietnamitas, marroquinos e, claro, brasileiros. Um entre cada oito habitantes da Grã-Bretanha é nascido em outro país – e essa proporção é ainda maior em Londres, a cidade mais cosmopolita da Europa. Como em qualquer metrópole de um país rico, ela vive entre as queixas de quem se incomoda com a presença dos estrangeiros e a certeza de que não conseguiria funcionar não fosse a mão de obra fornecida por eles. No decorrer dos Jogos, contudo, as reclamações de quem torce o nariz para o multiculturalismo da Londres atual andam sumidas. A Olimpíada, um microcosmo da glória e do drama humanos, ajudou a mostrar aos britânicos que, nas pistas como na vida, mais forte é a tropa com mais e melhores soldados.

 

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Immigrant Song - Led Zeppelin, Led Zeppelin III (1970)

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