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metrô

30/05/2012

às 5:19 \ Diário Olímpico

Metroviários terão bônus durante os Jogos

A menos de 60 dias do início dos Jogos Olímpicos, Londres pode se orgulhar de ter concluído quase toda a preparação sem contratempos causados por greves. Os curtos prazos para concluir obras dessa natureza fazem com que o poder de barganha dos trabalhadores aumente, como se viu na África do Sul antes da Copa 2010 e em algumas cidades brasileiras que sediarão a Copa 2014.

Em Londres, porém, o grande temor é que ocorram greves no transporte público, que é de longe a maior fonte de preocupação dos londrinos. Diariamente são realizadas em torno de 12 milhões de viagens no sistema de transporte, dado que inclui metrô, trens e ônibus. Durante os Jogos, esperam-se 3 milhões de viagens adicionais todos os dias, a maior parte delas no metrô.

Na terça-feira, o sindicato Rail Maritime and Transport anunciou ter enfim chegado a um acordo com 10000 funcionários do metrô londrino. Os trabalhadores receberão um bônus de até 850 libras (2.600 reais), valor que pode chegar a 1.000 (3.100 reais) para os condutores. O sindicato há havia chegado a acordos com funcionários das demais linhas de trem da capital.

No entanto, a possibilidade de caos devido a greves ainda não está descartada. Cerca de 21.000 funcionários dos ônibus de Londres também reivindicam o direito a bônus, devido à carga extra de trabalho durante os Jogos, mas não obtiveram êxito nas primeiras negociações. O sindicato já sinalizou a possibilidade de paralisação caso não se chegue a um acordo.

29/03/2012

às 8:28 \ Diário Olímpico

Entre Comaneci e Phelps, uma baldeação

Para quem desembarcar em Londres pelo aeroporto de Heathrow e quiser chegar ao Parque Olímpico, a maneira mais fácil é utilizar o metrô: basta utilizar a linha Remo, Vela e Canoagem até a estação Jonny Weissmuler, trocar pela linha Esportes Aquáticos e descer na estação Michael Phelps.

Muitos visitantes chegarão à cidade de trem, pela estação Nadia Comaneci: de lá, basta tomar a linha Atletismo e fazer uma baldeação na estação Carl Lewis.

Para celebrar a chegada da Olimpíada, o sistema de metrô londrino rebatizou suas linhas e estações com nomes de atletas que se consagraram nos Jogos.

Mas não se trata de uma mudança de fato – o que evidentemente tornaria o sistema caótico: o mapa com as lendas olímpicas é apenas um produto à venda na loja da Transport for London (empresa responsável pelo transporte público na capital).

Em 2010, para celebrar o BFI London Film Festival, a empresa já havia feito um mapa que rebatizava o sistema com nomes de filmes e séries de TV – quase todos com cenas gravadas nos arredores das respectivas estações.

O mapa olímpico, que pode ser visualizado neste arquivo, contempla atletas como Emil Zatopek (West Ham), Roger Federer (Old Street), Ferenc Puskas (Wembley Central), Chris Hoy (North Greenwich), Lionel Messi (Paddington), Usain Bolt (Victoria), Nadia Comaneci (King’s Cross St Pancras), Carl Lewis (Liverpool Street) e Michael Phelps (Stratford).

Os brasileiros estão representados por Marta (Regent’s Park), Torben Grael (Holoway Road) e Robert Scheidt (Arsenal).

01/12/2011

às 7:41 \ Diário Olímpico

Está com pressa? Acorde mais cedo

O comissário da Transport for London (órgão que cuida do transporte na capital), Peter Hendy, aos poucos vai se notabilizando por suas frases espirituosas. Em outubro, ele sugeriu aos moradores de Londres que bebam um cerveja após o expediente antes de voltar para casa – tudo para evitar o tumulto no transporte público durante os Jogos.

Ontem, o recado de Hendy foi para os atletas, que terão que se deslocar entre a Vila Olímpica e os centros de treinamento situados em diversos pontos da capital. “Os atletas terão que acordar mais cedo, como fazem todos os cidadãos de Londres”, disse. O mesmo conselho foi dado aos jornalistas que cobrirão os jogos.

Durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, haverá rotas especiais de trânsito para facilitar o acesso aos locais dos jogos. Mas a Transport for London descarta a possibilidade de lançar mão de qualquer esquema para o deslocamento de atletas e jornalistas.

Quem estiver preocupado com o impacto dos jogos em suas viagens diárias já pode ter uma ideia pelo gráfico acima, que mostra os 26 pontos de maior congestionamento previstos pela TFL. É possível acessar informações detalhadas sobre cada ponto no site oficial de Londres 2012.

Também já está no ar o Spectator Journey Planner, uma ferramenta que indica a melhor opção de transporte e calcula o tempo que se leva de qualquer ponto da cidade aos locais de competição. Na verdade trata-se apenas de uma versão mais pessimista do Journey Planner do site da TFL, que oferece o mesmo serviço durante todo o ano.

Normalmente, uma viagem entre a Vila Olímpica e o Crystal Palace National Sports Centre – que será o centro de treinamento da delegação brasileira – levaria em torno de 40 minutos. Mas, segundo o Spectator Journey Planner, a mesma viagem pode levar até 2h15 durante os Jogos.

Na verdade, o próprio site alerta que o cálculo leva em conta um tempo adicional, devido ao tempo necessário para os procedimentos de segurança especiais durantes os Jogos. Mas não custa nada seguir o conselho de Hendy e acordar mais cedo.

18/11/2011

às 15:19 \ Diário Olímpico

A Olimpíada sem carro

No último sábado estive em Wembley, para assistir ao amistoso entre Inglaterra e Espanha. Foi um dia de casa cheia, com um público total de 87.189 pessoas. Tentei me lembrar da última vez em que estive em uma partida de futebol no Brasil com um público semelhante – talvez tenha sido no Mineirão, no início da década passada.

Minhas lembranças se dividem entre a atmosfera única que um público deste porte proporciona no interior do estádio e o caos provocado nos seus arredores. Era preciso sair de casa com muita antecedência e esquecer a perspectiva de regressar cedo. Normalmente levava-se mais tempo no trânsito que no estádio.

A cena que mais me impressionou no sábado foi o momento da saída. A rua que liga Wembley à estação de metrô Wembley Park – uma das duas que atendem ao estádio – estava completamente tomada pelos espectadores da partida, cuja imensa maioria utilizou transporte público para chegar ao estádio.

Todos caminhavam a passos lentos rumo à entrada da estação, onde alguns policiais controlavam a entrada para evitar tumultos. Em cerca de 20 minutos eu já estava dentro do metrô, a caminho de casa. Tentei imaginar o choque cultural que as pessoas ao meu redor sofreriam se confrontadas com a ideia de pagar 20, 30 reais a um guardador de carro.

O transporte público de Londres nem sempre é exemplo de organização, mas utilizar o carro na cidade é sinônimo de dor de cabeça. A começar pela congestion charge – um pedágio de 10 libras (aproximadamente 28 reais) para circular de segunda à sexta, das 7h às 18h na zona central da cidade. Estacionar também é um problema: quem encontrar uma vaga na rua pode ter que desembolsar até 4 libras (11 reais) por hora. Londres faz de tudo para que seus cidadãos deixem o carro em casa.

Durante as Olimpíadas, não poderia diferente. Para evitar um colapso no trânsito e alinhar os Jogos com o crescente apelo de sustentabilidade, Londres quer fazer em 2012 uma Olimpíada sem carro. Além de investir 6,5 bilhões de libras em melhorias no sistema de transporte, especialmente o acesso ao Parque Olímpico, a cidade pretende multar os motoristas que estacionarem nas vias que levam aos locais de competição.

A princípio, as multas seriam de 100 libras (280 reais) para quem fizer o pagamento no momento da autuação a até 500 libras (1400 reais) para quem tiver o veículo removido. Mas a prefeitura já considera a possibilidade de aumentar os valores, para que grupos de amigos não sucumbam à tentação de arcar com a multa e dividir o valor entre si.

01/11/2011

às 13:47 \ Diário Olímpico

Um brinde ao caos

Estação Oxford Street do Metrô de Londres (Foto: Getty Images)

Em uma viagem recente, pouco antes de me mudar para Londres, conheci um jovem casal de ingleses que viajava pela América do Sul. Tão logo o papo se enveredou pelos Jogos Olímpicos, eles trataram de demonstrar um imenso pessimismo. “Não sei se quero estar lá. O transporte na cidade já é um caos, não sei como vai funcionar durante a Olimpíada.”

O conceito de caos para ambos é certamente diferente de quem já fez uma baldeação na estação da Sé em horário de pico. O Underground londrino transporta cerca de 3,5 milhões de passageiros por dia, sobre mais de 400 km de trilhos. São Paulo recentemente atingiu 4 milhões de passageiros por dia, em pouco mais de 70 km de extensão. Desde 2008, é considerado o metrô mais superlotado do mundo.

Mas o caos paulistano não deve servir de parâmetro, e os ingleses têm certa razão em seu pessimismo. Deslocar-se de metrô nos horários de pico está longe de ser uma experiência agradável. Mesmo com os recentes investimentos de 6,5 bilhões de libras em melhorias na rede de transporte, não há motivos para crer que o deslocamento dos 5,3 milhões de visitantes esperados não provoque um enorme impacto na cidade.

Recentemente, em uma reunião na Assembleia de Londres, o comissário da Transport for London (órgão que cuida do transporte na capital), Peter Hendy, sugeriu algumas medidas para amenizar o caos no transporte público. Às empresas, pediu a flexibilização dos horários de trabalho, o uso de videoconferências e a adoção de trabalho remoto.

Aos cidadãos que não podem mudar seus horários ou trabalhar de suas casas, Hendy sugeriu que troquem o transporte público pelo uso de bicicletas ou que caminhem para o trabalho. E para os que não podem evitar o uso do metrô, um conselho inusitado: que, em vez de voltar imediatamente para casa, bebam uma cerveja após o expediente para esperar o fim do horário de pico.

(Jonas Oliveira, de Londres)

 

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