Blogs e Colunistas

londres

05/09/2012

às 10:52 \ Heróis Paralímpicos

Brasileiros brilham na vitória e na derrota

Se na Olimpíada o Brasil não passa de um coadjuvante, nos Jogos Paralímpicos a delegação do país tem alguns dos grandes protagonistas da competição. Na terça-feira, por exemplo, o país conquistou sete medalhas – foi o melhor dia dos brasileiros em Londres-2012. Mais que isso: algumas das cenas mais marcantes do evento foram vividas por atletas do país. A conquista mais espetacular foi a de Daniel Dias, o principal atleta da delegação. O nadador conquistou seu terceiro ouro em Londres, nos 100 metros nado peito, na categoria SB4. Pela segunda vez nesta Paralimpíada, ele chegou ao topo do pódio batendo o recorde mundial (1m32s27, mais de 4 segundos à frente do segundo colocado). Em Pequim-2008, Daniel Dias faturou quatro ouros e uma prata, justamente nos 100 metros peito. Com seu primeiro ouro nessa prova, ele soma doze medalhas paralímpicas (nove em Pequim e três em Londres). Na quinta, Daniel Dias volta ao Centro Aquático para disputar os 50 metros nado costas da categoria S5. Se conseguir subir ao pódio, empatará com Clodoaldo Silva e Ádria Santos em número total de medalhas. Se ganhar outra, supera os dois compatriotas e passa a ser o maior medalhista paralímpico do país. Para muitos, ele conseguirá a marca com folga.

Galeria de fotos: As imagens marcantes dos Jogos Paralímpicos

Também na terça, outro nome de destaque da delegação brasileira foi notícia em Londres. A velocista Terezinha Guilhermina, 33 anos, é considerada a deficiente visual mais rápida do planeta. Bicampeã paralímpica dos 200 metros rasos, ela tentava seu primeiro ouro nos 400 metros na final disputada na terça (em Pequim-2008, foi bronze na prova). Na parte final do percurso, seu guia, Guilherme Santana, caiu. Vítima de uma deficiência congênita chamada retinose pigmentar, Terezinha tem cegueira total, mas poderia tentar completar a prova sozinha, já que havia entrado na última reta da corrida. Numa cena dramática e emocionante (na foto abaixo), a atleta se jogou na pista em solidariedade ao guia, com quem faz dupla desde o ano passado, no Mundial Paralímpico de Atletismo. Ao se levantar, buscou Santana e fez questão de cruzar a linha de chegada com ele, sob fortes aplausos. O guia, que acompanhou Terezinha na conquista das medalhas de ouro nos 100, 200 e 400 metros no Mundial do ano passado, pediu desculpas à atleta. Terezinha nem pensou em culpar Santana pela derrota. “A gente forma uma dupla”, avisou, em entrevista ao canal Sportv. “Quando vi que o Guilherme soltou a cordinha e caiu, resolvi cair junto com ele. Eu o perdôo, com certeza. Agora é pensar na minha próxima prova.” Terezinha e Santana voltam à pista do Estádio Olímpico nesta quarta, para a final dos 100 metros.

03/09/2012

às 9:47 \ Heróis Paralímpicos

Pistorius: herói olímpico, vilão paralímpico

Pistorius cumprimenta Fonteles no pódio, nesta segunda (Foto: AFP)

O velocista sul-africano Oscar Pistorius foi apenas um coadjuvante na disputa dos Jogos Olímpicos, mas poucas pessoas foram tão aplaudidas e festejadas na competição. Primeiro atleta com amputação dupla a disputar provas do atletismo olímpico, chegou a participar de uma final, no revezamento 4 x 400 metros, mas sempre dizia que os resultados obtidos no evento eram irrelevantes – o importante era realizar seu sonho de competir como um atleta comum, em igualdade de condições, apesar das críticas pelo uso de próteses supermodernas para substituir as pernas. Saiu da Olimpíada como herói. Na Paralimpíada, entretanto, o papel do sul-africano mudou de forma dramática. Grande astro dos Jogos, garoto-propaganda do esporte paralímpico e favoritíssimo à conquista de três medalhas de ouro em Londres, amargou a perda desses três títulos num intervalo de pouco mais de 20 segundos. A derrota surpreendente para o brasileiro Alan Fonteles nos 200 metros, na categoria T44, no domingo, encerrou a série invicta de Pistorius, que jamais havia sido vencido na prova. Mas ele tornou a situação ainda pior ao sair da pista, numa entrevista ao Channel 4, a rede britânica que exibe a Paralimpíada no país-sede. O velocista, que já havia reclamado do tamanho das próteses mais altas do brasileiro, não conseguiu esconder sua irritação, disse que a corrida não tinha sido justa e classificou a situação de “absolutamente ridícula”.

Na manhã desta segunda, assustado com a repercussão negativa de suas declarações, Pistorius divulgou um comunicado pedindo desculpas a Fonteles. Mas o sul-africano não recuou em seu questionamento, mostrando que seguirá contestando o resultado obtido pelo brasileiro. “Aquele era o momento do Alan e queria deixar registrado o respeito que tenho por ele. Eu gostaria de pedir desculpas pelo timing das minhas declarações, mas acredito que exista, sim, uma questão a ser discutida.” Apesar de reconhecer que errou ao colocar em dúvida a marca do brasileiro antes mesmo de sair da pista, Pistorius deu sinais claros de que insistirá no assunto – o que o próprio Comitê Paralímpico Internacional (CPI) confirmou, ao divulgar que seus dirigentes aceitaram se reunir com o sul-africano para ouvir suas queixas. O comitê já avisa, porém, que não há nada de errado com as próteses de Fonteles, indicando que não há chance alguma de alteração no resultado da prova. De acordo com o CPI, os atletas têm seus equipamentos checados antes das provas. “Todas as próteses estavam dentro do regulamento”, avisou, em nota oficial. O diretor de comunicações do comitê, Craig Spence, deu pistas de que Pistorius só será ouvido porque é o atleta mais famoso dos Jogos Paralímpicos, e não porque tem razão em suas críticas. “O comitê respeita muito o papel que Oscar teve na projeção dos esportes paralímpicos desde que estreou nos Jogos, em 2004″, disse o representante do CPI. “Aceitamos ouvi-lo em uma data futura para que ele possa levantar suas preocupações longe da emoção da competição.”

Com a estratégia, o comitê dá tempo para que Pistorius esfrie a cabeça e recue em suas posições. É uma chance para o sul-africano dispensar o papel de mau perdedor e manter um pouco de seu prestígio como astro paralímpico. Quem conhece o velocista, contudo, acredita que Pistorius não deixará o assunto de lado, ainda que se transforme numa figura odiada por seus concorrentes. A situação do sul-africano é absolutamente bizarra. Ele passou anos reivindicando seu direito de disputar a Olimpíada, sempre garantindo que as próteses não davam uma vantagem injusta na competição com os atletas não-amputados. No caminho, inspirou milhares de outros atletas paralímpicos – incluindo Alan Fonteles, de 20 anos, que disse ter em Pistorius um amigo e um ídolo (desde a prova, o sul-africano vira a cara para o brasileiro, conta ele). O desempenho do brasileiro foi, de fato, surpreendente – ele recuperou uma prova quase perdida com uma aceleração impressionante na reta final. Lado a lado com Pistorius, Fonteles tinha mesmo próteses mais altas. Mas surpreende que Pistorius esteja fazendo com o concorrente justamente o que fizeram com ele durante tantos anos. Fonteles teve as pernas amputadas em função de uma infecção, quando tinha apenas 21 dias de vida. Pistorius sofreu a amputação dupla aos 11 meses. Transformado em símbolo da superação dos portadores de deficiência no esporte, o sul-africano está, mais que nunca, sob os holofotes. Terá outros dois duelos contra Fonteles, nos 100 metros e nos 400 metros, em que decidirá como será visto pelo mundo – tanto pelo que fizer na pista como fora dela.

Fonteles supera Pistorius: final surpreendente em Londres (Foto: AFP)

13/08/2012

às 4:32 \ London Calling

There Is a Light That Never Goes Out

Quando a chama olímpica se apagou no Estádio Olímpico de Londres, na noite de domingo, a trigésima edição dos Jogos da Era Moderna chegava oficialmente ao fim. Para quem viveu a Olimpíada na capital britânica, porém, ficava claro que o protocolo da cerimônia de encerramento não significava necessariamente uma despedida. Poucas vezes na história olímpica se falou tanto em legado, tanto urbano quanto esportivo; poucas vezes se investiu tanto no futuro de uma cidade-sede, e não apenas em seu presente. Londres entrega a bandeira olímpica ao Rio de Janeiro mais forte, mais confiante, talvez até mais próspera – ainda que os efeitos econômicos de uma Olimpíada a longo prazo sejam um tema controverso.

Na região leste da cidade, a transformação só começou – é a partir de agora que o Parque Olímpico começa a ser adaptado ao uso pela população, que a vila dos atletas passa a ser preparada para seus futuros moradores, que as melhorias no sistema de transporte público passam a atender aos londrinos, e não aos visitantes. A farra foi ótima, mas o melhor está por vir. A festa de encerramento foi também um instante de curar feridas do passado. A cerimônia que fechou um dos eventos esportivos mais bem sucedidos da história transcorreu num clima leve, divertido, sem temores nem remorsos. Um ano atrás, em meio à onda de vandalismo que assolou o norte e o leste de Londres, o primeiro-ministro David Cameron falou numa sociedade que padecia de um “colapso moral”, que parecia não achar seu caminho em tempos de crise e medo.

Uma Olimpíada não resolve todos os problemas, é claro. Talvez ajude apenas a amenizar seus sintomas, a aliviar suas consequências. Seja como for, a sensação deixada pela violência do verão passado se esvaiu. Unida em torno do sucesso de sua vitoriosa equipe olímpica – que conquistou seu melhor desempenho desde os primeiros Jogos realizados em Londres, em 1908 – a Grã-Bretanha chegou a este último dia de competições num estado de espírito totalmente diferente.  Existe, de novo, orgulho de ser britânico, mesmo com todos os desafios que estão pela frente – como na Londres de 1908, ainda o centro das atenções no mundo, e como na Londres de 1948, uma metrópole que ressurgia em meio às ruínas para promover os Jogos da Austeridade. A chama está apagada no estádio. Na única cidade que já recebeu três edições dos Jogos, porém, a luz olímpica fez acender o melhor do povo britânico – e esse brilho custará a se apagar de novo.

 

.
.
.
There Is a Light That Never Goes Out - The Smiths, The Queen Is Dead (1986)

.

13/08/2012

às 4:20 \ Um Conto de Duas Cidades

O que faz uma grande Olimpíada?

Os Jogos de Sydney-2000 foram marcados por um erro da organização que beira o absurdo. Nas competições de ginástica artística, uma sequência de quedas de atletas no salto sobre a mesa causou estranhamento. Foi apenas no meio da competição que se descobriu o motivo da quantidade incomum de falhas: o aparelho havia sido posicionado 5 centímetros abaixo da altura oficial. As atletas tiveram a chance de repetir o salto, mas para algumas o prejuízo físico ou psicológico já estava consumado.

Você, leitor, lembrava-se desse episódio? Pois eu confesso que havia me esquecido completamente, até assistir há alguns dias a um programa da BBC. Foi um grave descuido que poderia e deveria ter sido evitado, mas é natural que erros aconteçam em um evento tão complexo de se organizar como os Jogos Olímpicos. A lembrança que fica na memória é que Sydney organizou uma das melhores edições de todos os tempos.

Londres-2012 passa a ser uma excelente concorrente entre as cidades-sede mais bem-sucedidas. Também houve erros da organização – como a troca da bandeira da Coreia do Norte pela Coreia do Sul, ou os assentos vazios em grande parte dos locais de competições. Mas no geral, a Olimpíada foi praticamente impecável. Os turistas se sentiram bem recebidos, o transporte público funcionou bem, as arenas ofereceram conforto mesmo sendo em boa parte temporárias. E para completar, os atletas da Grã-Bretanha tiveram uma performance fantástica, ajudando a elevar o apoio popular.

Realizar uma boa Olimpíada logo após Londres não será uma tarefa fácil para o Rio de Janeiro. A posição do Brasil no quadro de medalhas será modesta como sempre – mas isso é de certa forma esperado, e não deverá afetar o ânimo da torcida da casa e a percepção do público internacional. As instalações olímpicas também não serão problema, uma vez que provavelmente terão o mesmo nível das de Londres. Erros de organização, como os de Sydney e Londres poderão acontecer, mas não será isso o que ficará na lembrança das pessoas.

Uma grande Olimpíada também é feita de atletas, estádios, recordes, conquistas e momentos de superação. Mas para mim o que faz mesmo uma grande Olimpíada é uma grande cidade, um lugar prazeroso de se viver e visitar. É o que Barcelona, Sydney e Londres têm em comum, e que o Rio de Janeiro provavelmente não alcançará em quatro anos. A festa da torcida brasileira será inigualável, mas a maior e mais duradoura alegria seria ver o Rio de Janeiro usar a Olimpíada como o marco de transformações mais profundas, que a façam merecer de verdade a alcunha de cidade maravilhosa.

11/08/2012

às 18:45 \ London Calling

Here, There and Everywhere

Para os brasileiros, foi uma decepção do tamanho do Big Ben. A derrota para o México na decisão do torneio olímpico de futebol, neste sábado, foi um desfecho melancólico para uma campanha que prometia acabar com o jejum de ouros do Brasil na sua modalidade favorita, num esporte que é a sua cara. Ignore-se por um momento, porém, o resultado da final. Com mexicanos ou brasileiros subindo ao topo do pódio, a partida deste sábado já teria uma peso diferente na comparação com outras decisões olímpicas do futebol. Porque a Olimpíada de Londres não poderia ser encerrada sem uma celebração do esporte que, na Grã-Bretanha assim como no Brasil, é mais que só um jogo. O torneio olímpico da modalidade mais praticada do planeta não é dos mais empolgantes, todos sabem. Mas Londres, uma das capitais mundiais da bola, merecia assistir a uma finalíssima com estádio cheio (mais de 86.000 pessoas), com grandes jogadores em ação, com lances emocionantes e com um enredo surpreendente. São esses alguns dos melhores ingredientes da inigualável fórmula de sucesso do futebol – e foi em Londres que toda essa magia começou a se revelar.

A capital britânica é a cidade com maior número de estádios no mundo – só na primeira divisão, são seis equipes, todas com sede própria, incluindo o atual campeão da Europa, o Chelsea, do bairro de Fulham, no sudoeste da cidade, e um dos mais populares do país, o Arsenal, instalado em Holloway, na região norte. Fica aqui a sede da Football Association, a federação inglesa de futebol, criada em 1863 e pioneira na definição das regras do jogo. E está em Londres também, evidentemente, o colossal Estádio de Wembley, o palco do fiasco de Neymar, mas também das glórias de Messi, por exemplo – foi onde o Barcelona do supercraque argentino chegou ao auge, na final da Liga dos Campeões do ano passado, numa vitória incontestável e categórica sobre o Manchester United. Em sua encarnação mais recente, trata-se de uma arena moderna e confortável. Na história olímpica, porém, o Wembley de que todos se lembram é mesmo o velho estádio erguido em 1923 e demolido em 2003, palco principal da Olimpíada de 1948. Ele ficava exatamente no mesmo local onde hoje existe a nova arena, mas as semelhanças entre um e outro são pouquíssimas. No estádio atual estão preservadas, por exemplo, as enormes placas de pedra que registram os nomes de todos os medalhistas dos Jogos de 1948.

Foi um trabalho hercúleo remover as peças intactas antes da demolição da antiga fachada, mas os britânicos insistiram na preservação da memória do templo sagrado em que foram campeões do mundo, seu único título em Copas, em 1966. Depois da final, em 30 de julho, um 4 a 2 controverso e espetacular contra a Alemanha Ocidental, a rainha Elizabeth II entregou a taça ao capitão Bobby Moore, imortalizado numa estátua colocada bem na entrada principal do novo estádio. Uma semana depois, os Beatles lançavam Revolver, talvez seu melhor álbum. Foi um verão glorioso para os britânicos, assim como este de 2012 também vem sendo. Pode parecer estranho falar em conservação das lembranças do antigo Wembley depois de ver que os britânicos simplesmente o reduziram a pó. Mas eles tiveram seus motivos. Neste sábado, depois da derrota brasileira, um funcionário veterano perguntava aos visitantes, em sua enorme maioria estreantes em Wembley, o que eles tinham achado do estádio. Depois, contava suas recordações do antigo palco – e sem nenhuma saudade. “Quando o clima estava úmido, era um horror. Ficava um baita cheiro de urina no ar. Os banheiros eram poucos e velhos. Não dava mais.” Sobre o novo estádio, o funcionário era só elogios, e não só por causa do conforto. Ele lembrava que a história do futebol seguia sendo contada aqui, em Wembley e nos outros gramados, velhos ou novos, que se espalham pela cidade.

 

.
.
..

Here, There and Everywhere - Beatles, Revolver (1966)

.

11/08/2012

às 18:21 \ Torre de Londres

O futuro do menino de prata

Perdida mais uma vez a medalha de ouro no torneio olímpico de futebol, nas circunstâncias que todos viram pela televisão, chegou a hora de olhar para o futuro de Neymar. Depois de ter falhado na Copa América no ano passado, ele foi para a Inglaterra com seus dezessete companheiros de equipe em meio a algumas dúvidas inquietantes.

Voltaria a exibir o talento e a capacidade de desequilibrar partidas que mostrou no Santos em 2010 e 2011, ou continuaria irregular como em boa parte desta temporada? Teria dominado seu gênio impulsivo e os faniquitos de garoto mimado, resistindo às pressões em uma competição na qual para o Brasil interessava apenas o título, ou voltaria a perder a cabeça em momentos decisivos e daria razão a Maradona, que certa ocasião o chamou de “menino mal educado”? Insistiria em simular faltas ou iria para o caminho mais difícil, e eficaz, de prosseguir na jogada em direção ao gol? Com um rendimento mensal estimado em 3 milhões de reais, graças sobretudo a seus dez patrocinadores principais, teria perdido um pouco da motivação para buscar árduos desafios? E, finalmente, deixaria de lado as jogadas de efeito, o individualismo – o que levou Pelé a afirmar que ele andou jogando “mais para a torcida e para a televisão do que para o time” –, e passaria a se preocupar com sua participação coletiva?

Dias antes de embarcar para Londres, o treinador Mano Menezes, que ao assumir o cargo, há dois anos, convocou-o pela primeira vez para a seleção principal, refletia sobre essas questões. “O problema do Neymar foram os dois jogos em que enfrentou Messi”, analisou em uma conversa com VEJA, citando as partidas em que o Santos foi goleado pelo Barcelona por 4 a 0, na decisão do mundial de clubes, em dezembro, no Japão, e o Brasil perdeu para a Argentina por 4 a 3, em um amistoso disputado em junho nos Estados Unidos. Na primeira, o supercraque argentino Lionel Messi marcou dois gols. Na segunda, três. Em ambas, foi arrasador e brilhante, enquanto Neymar teve atuações discretas. “Perder, tudo bem, faz parte”, Mano continuou em sua análise. “O ponto é que ficou clara a diferença técnica que existe entre os dois no momento. Ele, que estava até sendo comparado ao Pelé, sentiu o baque.”

O que fazer dentro dessa situação? “Ele vai precisar de psicologia, de carinho, para erguer a cabeça”, respondeu o técnico. “E focar mais no futebol. Um jogador deve realizar treinamentos técnicos e coletivos, alimentar-se corretamente e repousar. Não pode se dispersar e aceitar todos os contratos de publicidade que lhe aparecem, inclusive os pequenos. As gravações de comercial são repetitivas, longas. Ele não precisa mais se submeter a certas coisas. Tem quer ser seletivo.”

Na Inglaterra, isolado nos hotéis da seleção, sem agentes e empresários ao seu redor, longe do iate avaliado em 15 milhões de reais e do assédio feminino, em companhia apenas do pai nas horas de folga, queixando-se de saudades somente de David Lucca, o filho que teve em um relacionamento passageiro e fará 1 ano este mês, a ficha de Neymar da Silva Santos Júnior enfim caiu. Percebeu que estava diante de uma oportunidade extraordinária e talvez não repetível em sua ainda curta trajetória, iniciada como profissional há três anos.

Diferentemente do que aconteceu nos mais recentes fracassos do futebol brasileiro nas Olimpíadas, em que as esperanças se concentravam nos pés de craques convocados dentro da cota de mais de 23 anos, como Rivaldo, Bebeto e Ronaldinho Gaúcho, ou com a faixa de campeão mundial, caso de Ronaldo em 1996, agora foi Neymar, aos 20 anos, o escalado para o papel de protagonista. Com seu corpo esguio de 1,74 metro (sete centímetros a mais do que Messi) e 64 quilos, não evitou o cai-cai. Foi vaiado pelos ingleses. Mas moderou nas encenações. Evitou reclamar além da conta e dominou a impulsividade. Não tomou cartão amarelo. E o fundamental: nos estádios de Cardiff, Manchester e Newcastle, empenhou-se em mostrar espírito coletivo nos cinco jogos antes da final em Wembley.

Na verdade, não tinha outro caminho: a dura e eficiente marcação dos adversários, que já conheciam o estilo e as manhas do camisa 11, diminuiu suas possibilidades de driblar, fazer firulas e tentar resolver as coisas sozinho. O resultado pôde ser medido em números. Até a triste derrota para o México por 2 a 1, em que esteve tão apagado como quase todo resto do time, havia marcado três gols – de cabeça, de falta e de pênalti – e participado diretamente de outros quatro. Ou seja, dos quinze gols assinalados pelo Brasil na fase de grupos e nos mata-matas, praticamente a metade teve seu autógrafo (a propósito, assina com caligrafia razoavelmente boa, ornamentada por alguns círculos que chegam a lembrar uma bola).

“Não sou individualista. Jogo para o time”, disse após a vitória por 3 a 0 na semifinal contra a Coreia do Sul, ao lhe pedirem que comentasse o elogio que Mano acabara de lhe fazer por sua postura em campo. Levava nas mãos duas nécessaires de grifes caras e tinha brincos de brilhante nas orelhas. Sorria feliz e confiante, como na capa da edição especial de VEJA sobre a Olimpíada de Londres, lançada no mês passado, em que envergava o chapelão de guarda real do Palácio de Buckingham, parecendo vislumbrar à sua frente o sonho de pendurar no pescoço a ambicionada comenda dourada que, de novo, transformou-se em pesadelo.

Seus desafios agora são mais uma vez enormes. Ele terá que concentrar-se no futebol e na sua carreira, vencer o trauma de perder, recuperar a autoconfiança e voltar a ser a esperança do Brasil na Copa das Confederações em 2013 e na Copa do Mundo de 2014. Apesar de tudo, o menino de prata ainda é, potencialmente, nosso maior jogador. Resta torcer para que demonstre isso na prática daqui para a frente.

10/08/2012

às 16:03 \ London Calling

Iron Man

Na primeira Olimpíada de Londres, em 1908, ele era integrante do Parlamento e apresentou um projeto de lei para estabelecer, pela primeira vez, o salário mínimo na Grã-Bretanha. Nos segundos Jogos londrinos, em 1948, era líder da oposição – mesmo depois de conduzir o país ao triunfo na II Guerra Mundial, tinha perdido a cadeira de primeiro-ministro, numa amostra de como os britânicos são implacáveis ao cobrar seus políticos. Em 2012, quase meio século depois de sua morte, apareceu só nos efeitos especiais do vídeo que uniu James Bond à rainha, na cerimônia de abertura – quando o helicóptero de Elizabeth II sobrevoou Westminster, sua estátua, colocada entre a abadia e o Big Ben, acenou para a monarca e o agente 007. Ainda hoje, porém, as marcas deixadas por Winston Churchill estão por toda a parte – na capital olímpica, no país-sede dos Jogos e no modo britânico de viver. O maior primeiro-ministro da história britânica tem sua memória preservada a uma curta caminhada do Parlamento, num museu que permite aos visitantes conhecer o enorme bunker de onde Churchill capitaneou a vitória militar britânica sobre Hitler. O local exibe relíquias do rotundo estadista – um tufo de seus cabelos ruivos, seus chapéus e gravatas-borboleta, a porta negra de 10 Downing Street dos tempos em que estava no poder – e conta, com extraordinária atenção aos detalhes, todas as passagens de sua fabulosa biografia.

VEJA na História: A vitória de Winston Churchill e da Grã-Bretanha na II Guerra Mundial

A entrada ao museu fica colada à quadra olímpica do vôlei de praia. A música alta, os biquínis diminutos e as coreografias das cheerleaders no torneio da modalidade, encerrado na noite de quinta, certamente teriam deixado o ex-primeiro-ministro intrigado. Mas essa proximidade física entre seu antigo gabinete e uma das arenas mais movimentadas destes Jogos não é o que liga Churchill à Olimpíada. O legado de sua era turbulenta e heroica é notado em muitos dos aspectos bem sucedidos da festa esportiva. O espírito de luta e união da delegação da casa, refletido na conquista de 56 medalhas até esta sexta-feira, é um deles. O pragmatismo e a praticidade do projeto olímpico, com suas excelentes (e mais baratas) arenas temporárias, são outros. Mas a imagem deixada pelo país sede depois de duas semanas de Olimpíada, com seu retumbante sucesso até aqui, certamente é o maior deles. “Fui uma cria da era Vitoriana, quando a percepção da grandeza do nosso império e nosso dever de preservá-la eram muito fortes”, explicou ele certa vez, conforme mostra um dos painéis de seu museu. A Grã-Bretanha sai dos Jogos do jeito que Churchill gostava de vê-la: brava, forte, unida e ambiciosa, uma inspiração para o resto do mundo e uma referência para o Ocidente.

 

.
.
..

Iron Man - Black Sabbath, Paranoid (1970)

.

10/08/2012

às 8:50 \ Torre de Londres

Algumas perguntas para responder

O que a Jamaica, um país de 2,7 milhões de habitantes, tem que nós não temos?

E o Quênia?

E a Grã-Bretanha, o Reino Unido, a Inglaterra, como se preferir?

O que os ingleses fazem para que o trem com saída marcada para as 10h35 parta da estação às 10h35?

Por que todos os estádios, ginásios e pistas de Londres são virtualmente impecáveis?

Mas por que a BBC, durante o dia inteiro, da manhã à noite, com raras exceções, só transmite as provas em que os britânicos estão competindo?

Por que, em qualquer evento olímpico, há sempre alguém uniformizado para ajudá-lo a encontrar o seu lugar, mesmo que para isso tenha que caminhar por longos corredores, descer uma escada, subir outra e abrir três portas, ao invés de dizer vá em frente, vire à esquerda, depois a segunda à direita e então volte a perguntar para alguém?

E por que tanta gente, de terno, gravata e nariz empinado, ou de regata, bermuda, havaiana e corpo tatuado, faz a mesma coisa na rua?

Por que nos supermercados quem quer comprar cigarro precisa pedir que um funcionário abra o armário em que ficam trancados sem que se possa vê-los, como se fossem veneno escondido, um maço de Marlboro custa o equivalente a 25 reais e é proibido fumar em praticamente qualquer lugar, até nos quartos de hotel?

Mas por que jogam tanto toco de cigarro na rua?

Por que a rede de metrô londrina tem onze linhas, 268 estações e 408 quilômetros de extensão?

Por que as crianças de até 10 anos não pagam passagem?

Mas por que há tantos ratinhos serelepes ao lado dos trilhos em certas estações, sem que ninguém pareça ligar para eles?

E por que é tão quente lá dentro?

Por que os ônibus vermelhos de dois andares são tão bons e confortáveis, embora o trânsito com frequência os torne irritantemente lerdos?

Por que há cada vez mais ciclistas nas ruas e os motoristas os respeitam, embora no ano passado tenham morrido dezesseis deles em acidentes?

Por que os pedestres sempre atravessam na faixa?

Por que todos os motoristas de táxi conhecem todas as ruas de Londres, limitam-se a falar o essencial, não reclamam do troco e agradecem se você deixar uma moeda de gorjeta?

A propósito, por que nenhum balconista faz cara feia quando se paga uma despesa de 1,76 libra com uma nota de 20?

Por que as pessoas dizem em qualquer situação “please”, “thank you” e “no problem”?

Por que elas acreditam na sua palavra?

Por que há tamanha multidão de turistas nas ruas, chineses, japoneses, coreanos, americanos, alemães, franceses, argentinos, brasileiros?

Por que fotografam tudo com o celular?

Por que eles e os próprios ingleses saem das lojas de Oxford Street carregados de sacolas que mal conseguem segurar?

Por que um grupelho de gaúchos barrigudos faz tamanha algazarra nas partidas de futebol da seleção brasileira, com bumbos estridentes e cantos desafinados, sem que lhes chamem a atenção?

Por que os hooligans desapareceram?

Por que o prefeito nunca mudou de partido?

Por que ele é popular e acabou de ganhar a reeleição, embora seja uma figura extravagante, fale besteiras sem parar e tenha tomado medidas impopulares, como aumentar as tarifas do transporte público e mantido a cobrança de pedágio urbano no centro da cidade para a circulação de carros particulares, implantada por seu antecessor, que pertence ao partido rival?

Por que a grande maioria dos súditos venera sua rainha?

Por que os jornais, incluindo os tabloides considerados sensacionalistas, que adoram escândalos e denúncias, não noticiaram durante a Olimpíada um único caso conhecido de corrupção ou de desvio de verbas públicas?

Será que isso não acontece na Inglaterra ou eles são bobos e não percebem?

Por que não somos assaltados na rua?

E não fazem arrastões nos prédios?

E não há chacinas na periferia?

Nem zumbis queimando crack na calçada?

Por que nenhum atleta britânico se queixou do vento?

E não confessou que amarelou?

E não se queixou da prata nem do bronze?

Por que apenas os americanos e chineses ganham deles em número de medalhas?

Por que há tanta gente obesa?

Inspirados pela Olimpíada, será que eles tentarão entrar em forma depois dos Jogos?

Ou continuarão devorando ovos fritos, bacon, salsicha e feijão no café da manhã?

E, enquanto andam, comendo sanduichões transbordantes de gordura e bebendo copázios de refrigerante?

Por que eles acham uma delícia fish’n’chips e cerveja quente?

Por que na National Gallery, onde se pode ver quadros de Giotto, Rafael, Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Van Gogh e Renoir, a entrada é gratuita?

E no Museu Britânico também?

O que eles fizeram para que o Rio Tâmisa, conhecido como o “Grande Fedor” no século XIX, quando as sessões do Parlamento chegaram a ser suspensas por causa do mau cheiro intolerável que exalava, fosse despoluído, virasse cenário de regatas e passasse a abrigar em suas águas 121 espécies de peixe?

Por que ele não transborda depois que chove?

Aliás, por que durante os Jogos choveu menos do que o previsto e, passado o frio do verão, tivemos nesta semana dias maravilhosos, ensolarados e com elevadíssimas temperaturas que chegaram na quinta-feira a inacreditáveis 27 graus à sombra?

Como eles conseguiram fazer uma Olimpíada como essa?

E a anterior, em 1948, mal saídos de uma guerra que os devastou?

Como construíram uma nação assim?

My God, será eles têm algum motivo para serem orgulhosos desse jeito?

08/08/2012

às 15:45 \ London Calling

Money (That’s What I Want)

A euforia olímpica dos britânicos sofreu um baque nesta quarta-feira – e não foi por causa de uma decepção nos Jogos, em que o país-sede segue fazendo ótimo papel. Pela primeira vez em quase duas semanas, a imprensa do país deslocou seu foco das pistas, quadras e piscinas do Parque Olímpico para Threadneedle Street, na sede do Banco da Inglaterra, o BC dos britânicos. Ao invés de Usain Bolt e Michael Phelps, os holofotes estavam sobre Sir Mervyn King, o governador da autoridade monetária, que revelaria novas projeções para a economia do país. E elas não foram nada animadoras: a previsão de crescimento do PIB foi rebaixada para zero. Mostrando que também foi contagiado pela vírus olímpico, King usou o exemplo dos atletas britânicos para fazer sua avaliação do cenário econômico. “Ao contrário dos atletas que tanto nos emocionaram nesses últimos dias, nossa economia ainda não recuperou sua melhor forma. Mas ela vem se curando aos poucos”, explicou, numa tentativa meio desajeitada de falar a língua do povo. “Essa recuperação será um processo longo. E é na equipe olímpica britânica que devemos nos inspirar. Esses atletas mostraram a todos a importância de um comprometimento total em busca de um objetivo que pode estar anos à frente.” Mas e o papel da Olimpíada nessa recuperação? O assunto é sempre polêmico. Para alguns economistas, sediar os Jogos é uma armadilha: são gastos exagerados que acabam jamais sendo recuperados. Para outros especialistas, uma Olimpíada pode, se bem feita, dar dinheiro a longo prazo.

É cedo para saber o que acontecerá com os britânicos. Mas a avaliação do BC local é de que o primeiro efeito benéfico dos Jogos sobre a economia será sentido já nos números do PIB do terceiro trimestre, principalmente em função dos montantes movimentados pela venda de ingressos e direitos de exibição de TV. Seja como for, a divulgação dos dados desta quarta tiraram o sorriso que estampou o rosto do primeiro-ministro David Cameron desde o primeiro dia de Olimpíada. Ele teve de interromper suas atividades de torcedor (estava na arena em que a brasileira Adriana Araújo, do boxe, disputou sua semifinal) para dar satisfações sobre a situação nebulosa da economia. Com seu estilo almofadinha e meio sem sal, disse apenas que os dados eram “decepcionantes” e que era hora de “arregaçar as mangas” para fazer o país dar a volta por cima. Coincidência ou não, quase ao mesmo tempo, o outro grande líder do Partido Conservador britânico era entrevistado por uma emissora local, e tinha de responder aos comentários cada vez mais frequentes sobre uma possível mudança de emprego. Boris Johnson, o popularíssimo e excêntrico prefeito de Londres, ainda tem quatro anos de mandato, pois acabou de ser reeleito. Diante dos tropeços da economia mesmo em tempos de bonança olímpica, cada vez mais gente acha que ele deve mudar de gabinete, passando a ocupar a residência de 10 Downing Street, em Westminster.

 

.
.
..

Money (That’s What I Want) - Beatles, With the Beatles (1963)

.

07/08/2012

às 16:20 \ Um Conto de Duas Cidades

Os erros da venda de ingressos

Se há uma lição que deve ser aprendida pelo Rio 2016 com os Jogos de Londres 2012 é não repetir o desastroso sistema de vendas de ingressos. Muito antes do inicio dos Jogos, boa parte da insatisfação popular com a realização da Olimpíada poderia ser atribuída ao fato de que o sistema não era exatamente transparente, e deixou muitos britânicos sem entradas. Com o início das competições, as cadeiras vazias, que deveriam ser ocupadas por convidados VIPs e patrocinadores aumentaram a fúria da opinião pública.

Nesta terça-feira, tive a oportunidade de experimentar dois dissabores relacionados à venda dos bilhetes, que são pequenos exemplos de erros da organização. Há pouco mais de um mês, havia conseguido comprar três ingressos para a primeira sessão das quartas de final do basquete masculino. Assistiria ao confronto entre o primeiro colocado do grupo A e o quarto do Grupo B e o segundo do B contra o terceiro do A. Só depois que comprei os ingressos e que me dei conta de que havia grande possibilidade de ver Estados Unidos e Brasil em ação.

O que era possível ontem se tornou realidade. Com os últimos resultados da primeira fase, meus humildes ingressos para o pior dos setores do ginásio me dariam direito a assistir a dois jogos históricos – Estados Unidos x Austrália e Brasil x Argentina. Comuniquei a meus amigos a boa noticia, voltei para casa já ansioso pela chegada da quarta-feira, quando veio a noticia que jamais esperaria ouvir: a agenda das quartas de final fora alterada. De repente, teria que me contentar com Rússia x Lituânia e França x Espanha.

Restava-me pouco além de insatisfação com a mudança, uma vez que o comité organizador deixa claro em seu site que tem direito a mudar a agenda dos eventos. Mas não deixa de ser um desrespeito ao torcedor. Eu já estaria em Londres de qualquer maneira, mas e o torcedor americano, russo ou brasileiro que viajou programando-se para assistir a uma eventual partida de seu time?

Por sorte, consegui descobrir pelo twitter duas torcedoras lituanas que estavam na mesma situação e queriam trocar seus ingressos. Marcamos um local de encontro e só quando cheguei lá me dei conta de outra trapalhada da organização: alguns dos ingressos foram impressos com tamanho e design completamente diferentes da maioria – e esse era o caso dos bilhetes. Já havia notado esse problema e tentado obter uma explicação pela assessoria de imprensa do comitê, mas não obtive resposta. Tive um imenso trabalho para convencer as lituanas de que não se tratavam de bilhetes falsos.

Do ponto de vista da organização, a venda de ingressos para os Jogos pode ter sido um sucesso, com vários bilhetes esgotados meses antes das competições. Mas não são poucos os exemplos de que Londres 2012 esqueceu-se de ter um pouco mais de cuidado com uma figura muito importante nos Jogos: o torcedor.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados