05/09/2012
às 10:52 \ Heróis ParalímpicosBrasileiros brilham na vitória e na derrota
Se na Olimpíada o Brasil não passa de um coadjuvante, nos Jogos Paralímpicos a delegação do país tem alguns dos grandes protagonistas da competição. Na terça-feira, por exemplo, o país conquistou sete medalhas – foi o melhor dia dos brasileiros em Londres-2012. Mais que isso: algumas das cenas mais marcantes do evento foram vividas por atletas do país. A conquista mais espetacular foi a de Daniel Dias, o principal atleta da delegação. O nadador conquistou seu terceiro ouro em Londres, nos 100 metros nado peito, na categoria SB4. Pela segunda vez nesta Paralimpíada, ele chegou ao topo do pódio batendo o recorde mundial (1m32s27, mais de 4 segundos à frente do segundo colocado). Em Pequim-2008, Daniel Dias faturou quatro ouros e uma prata, justamente nos 100 metros peito. Com seu primeiro ouro nessa prova, ele soma doze medalhas paralímpicas (nove em Pequim e três em Londres). Na quinta, Daniel Dias volta ao Centro Aquático para disputar os 50 metros nado costas da categoria S5. Se conseguir subir ao pódio, empatará com Clodoaldo Silva e Ádria Santos em número total de medalhas. Se ganhar outra, supera os dois compatriotas e passa a ser o maior medalhista paralímpico do país. Para muitos, ele conseguirá a marca com folga.
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Também na terça, outro nome de destaque da delegação brasileira foi notícia em Londres. A velocista Terezinha Guilhermina, 33 anos, é considerada a deficiente visual mais rápida do planeta. Bicampeã paralímpica dos 200 metros rasos, ela tentava seu primeiro ouro nos 400 metros na final disputada na terça (em Pequim-2008, foi bronze na prova). Na parte final do percurso, seu guia, Guilherme Santana, caiu. Vítima de uma deficiência congênita chamada retinose pigmentar, Terezinha tem cegueira total, mas poderia tentar completar a prova sozinha, já que havia entrado na última reta da corrida. Numa cena dramática e emocionante (na foto abaixo), a atleta se jogou na pista em solidariedade ao guia, com quem faz dupla desde o ano passado, no Mundial Paralímpico de Atletismo. Ao se levantar, buscou Santana e fez questão de cruzar a linha de chegada com ele, sob fortes aplausos. O guia, que acompanhou Terezinha na conquista das medalhas de ouro nos 100, 200 e 400 metros no Mundial do ano passado, pediu desculpas à atleta. Terezinha nem pensou em culpar Santana pela derrota. “A gente forma uma dupla”, avisou, em entrevista ao canal Sportv. “Quando vi que o Guilherme soltou a cordinha e caiu, resolvi cair junto com ele. Eu o perdôo, com certeza. Agora é pensar na minha próxima prova.” Terezinha e Santana voltam à pista do Estádio Olímpico nesta quarta, para a final dos 100 metros.
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