07/08/2012
às 16:20 \ Um Conto de Duas CidadesOs erros da venda de ingressos
Se há uma lição que deve ser aprendida pelo Rio 2016 com os Jogos de Londres 2012 é não repetir o desastroso sistema de vendas de ingressos. Muito antes do inicio dos Jogos, boa parte da insatisfação popular com a realização da Olimpíada poderia ser atribuída ao fato de que o sistema não era exatamente transparente, e deixou muitos britânicos sem entradas. Com o início das competições, as cadeiras vazias, que deveriam ser ocupadas por convidados VIPs e patrocinadores aumentaram a fúria da opinião pública.
Nesta terça-feira, tive a oportunidade de experimentar dois dissabores relacionados à venda dos bilhetes, que são pequenos exemplos de erros da organização. Há pouco mais de um mês, havia conseguido comprar três ingressos para a primeira sessão das quartas de final do basquete masculino. Assistiria ao confronto entre o primeiro colocado do grupo A e o quarto do Grupo B e o segundo do B contra o terceiro do A. Só depois que comprei os ingressos e que me dei conta de que havia grande possibilidade de ver Estados Unidos e Brasil em ação.
O que era possível ontem se tornou realidade. Com os últimos resultados da primeira fase, meus humildes ingressos para o pior dos setores do ginásio me dariam direito a assistir a dois jogos históricos – Estados Unidos x Austrália e Brasil x Argentina. Comuniquei a meus amigos a boa noticia, voltei para casa já ansioso pela chegada da quarta-feira, quando veio a noticia que jamais esperaria ouvir: a agenda das quartas de final fora alterada. De repente, teria que me contentar com Rússia x Lituânia e França x Espanha.
Restava-me pouco além de insatisfação com a mudança, uma vez que o comité organizador deixa claro em seu site que tem direito a mudar a agenda dos eventos. Mas não deixa de ser um desrespeito ao torcedor. Eu já estaria em Londres de qualquer maneira, mas e o torcedor americano, russo ou brasileiro que viajou programando-se para assistir a uma eventual partida de seu time?
Por sorte, consegui descobrir pelo twitter duas torcedoras lituanas que estavam na mesma situação e queriam trocar seus ingressos. Marcamos um local de encontro e só quando cheguei lá me dei conta de outra trapalhada da organização: alguns dos ingressos foram impressos com tamanho e design completamente diferentes da maioria – e esse era o caso dos bilhetes. Já havia notado esse problema e tentado obter uma explicação pela assessoria de imprensa do comitê, mas não obtive resposta. Tive um imenso trabalho para convencer as lituanas de que não se tratavam de bilhetes falsos.
Do ponto de vista da organização, a venda de ingressos para os Jogos pode ter sido um sucesso, com vários bilhetes esgotados meses antes das competições. Mas não são poucos os exemplos de que Londres 2012 esqueceu-se de ter um pouco mais de cuidado com uma figura muito importante nos Jogos: o torcedor.
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