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grã-bretanha

12/11/2012

às 8:05 \ Ponte Aérea Londres-Rio

Ainda à espera de uma estrela no atletismo

O lendário Joaquim Cruz hoje revela atletas... nos EUA (Foto: Gilberto Tadday)

O lendário Joaquim Cruz hoje revela atletas... nos EUA (Foto: Gilberto Tadday)

Com 47 provas – 24 masculinas e 23 femininas -, o atletismo é a modalidade que mais medalhas distribui em uma edição de Jogos Olímpicos: 141, entre ouros, pratas e bronzes. Em Londres, elas foram divididas por 33 países. O Brasil não conquistou nenhuma. Um mau sinal para quem que vai sediar os próximos Jogos, em 2016. O atletismo, afinal, é a estrela máxima de uma Olimpíada. É na hora de ver os corredores mais rápidos, os saltadores que chegam mais longe ou mais alto e os lançadores mais fortes que o mundo prende a respiração. E as marcas de atletas individuais expõem para o mundo esforços coletivos no desenvolvimento de modalidades e na lapidação de talentos olímpicos.

Em Londres, a notável Jessica Ennis e o incansável Mo Farah, estrelas máximas do atletismo britânico, monopolizaram todos os outdoors e capas de jornais. Ela, a garota de ouro no heptatlo; ele, nascido na Somália, filho de pai inglês com mãe somali, com sua dupla vitória olímpica, nos 5.000 metros e nos 10.000 metros. Os dois levaram os ingleses no Estádio Olímpico às lágrimas e aos gritos, e acabaram contagiando os amantes de esporte de todas as nacionalidades. A Inglaterra ainda conquistou um quarto ouro no salto em distância, com Greg Rutherford, uma prata nos 400m, com Christine Ohuruogu, e um bronze no salto em altura, com Robert Grabarz.

Seis medalhas, o suficiente para alegrar os britânicos e para deixar o país atrás apenas dos Estados Unidos, da Rússia e da Jamaica, potências do atletismo. O torcedor brasileiro – assim como patrocinadores – se perguntam: quem será a alegria da torcida brasileira nos Jogos do Rio, daqui a quatro anos?

“Embora não tenha conquistado medalha em Londres 2012, o atletismo brasileiro tem uma tradição de presença no pódio olímpico. A modalidade integra a expectativa de conquista de medalhas no Rio 2016. Neste momento estamos em discussões com a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) sobre o plano estratégico para o próximo ciclo, quando poderemos identificar mais claramente a capacidade e o potencial de evolução de resultados olímpicos da modalidade”, diz o superintendente-executivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire.

O dirigente se refere às 14 medalhas conquistadas pelo atletismo brasileiro entre os Jogos de Helsinque (1952) e Pequim (2008), incluindo os dois ouros de Adhemar Ferreira da Silva (1952 e 1956) no salto triplo, o de Joaquim Cruz (1984) nos 800 metros e o de Maurren Higa Maggi (2008) no salto em distância. Apesar do histórico, faltam perspectivas. Maurren mostrou em Londres que seu tempo passou. O revezamento 4 x 100 metros masculino, que chegou a conquistar o bronze em Atlanta (1996) e a prata em Sydney (2000), dessa vez não chegou à final. Também não apareceu nenhum jovem que chamasse a atenção, em nenhuma prova.

“Não temos um programa organizado para identificar atletas no Brasil. Não temos treinadores capacitados. Não temos base nas escolas. O COB tem as Olimpíadas Escolares, que é um bom programa. Mas elas deveriam ser o final de um processo de base. Primeiro deveriam ser oferecidos os esportes nas escolas, com estrutura e calendário organizado, para dali serem selecionados atletas bem treinados e talentosos para disputarem as Olimpíadas Escolares. O Brasil não tem isso”, avalia Joaquim Cruz, há sete anos funcionário do Comitê Olímpico Americano (USOC), como membro da comissão técnica do atletismo olímpico e paralímpico (relembre, no vídeo abaixo, sua vitória olímpica em Los Angeles).

A grande maioria das escolas brasileiras sequer possui um espaço para a prática da educação física. Entre as que têm, a maior parte conta apenas com uma quadra, onde basicamente se joga futsal, vôlei e handebol. Para Joaquim, isso precisa mudar já se o país quer reverter esse quadro no atletismo. “Tenho uma sobrinha que tem cinco filhos e uma que tem seis. Nenhum dos 11 pratica esporte em suas escolas. Se a criança não recebe educação esportiva, como vai ter oportunidades de descobrir se é um talento? Temos que dar novas oportunidades para a nova geração. Para 2016, temos que continuar a trabalhar com os atletas que foram em Londres e investir em alguns juvenis, porque não há mais tempo de achar um talento e prepará-lo. Mas há tempo para 2020 e daí para frente”, acredita o medalhista olímpico.

Marcus Vinícius Freire concorda que há uma deficiência na base. “Há vários ‘países’ dentro do Brasil, com estruturas, características e biótipos diferentes de atletas em cada região. Portanto, sabemos que não é fácil integrar em um mesmo projeto todas essas necessidades de treinamento e competição das mais diferentes provas do atletismo. Necessitamos certamente ampliar a base de entrada de novos praticantes da modalidade, e através de uma estrutura consistente de treinadores e equipamentos, e identificar e trabalhar um maior número de potenciais atletas para esse esporte”, afirma.

Uma mudança já vai acontecer, a partir de 1º de janeiro: depois de 25 anos seguidos, Roberto Gesta de Melo deixa o comando da CBAt. No entanto, quem assume é José Antonio Martins Fernandes, candidato único e com apoio total do atual mandatário. É esperar para ver o que o novo presidente conseguirá fazer até 2016.

13/08/2012

às 4:32 \ London Calling

There Is a Light That Never Goes Out

Quando a chama olímpica se apagou no Estádio Olímpico de Londres, na noite de domingo, a trigésima edição dos Jogos da Era Moderna chegava oficialmente ao fim. Para quem viveu a Olimpíada na capital britânica, porém, ficava claro que o protocolo da cerimônia de encerramento não significava necessariamente uma despedida. Poucas vezes na história olímpica se falou tanto em legado, tanto urbano quanto esportivo; poucas vezes se investiu tanto no futuro de uma cidade-sede, e não apenas em seu presente. Londres entrega a bandeira olímpica ao Rio de Janeiro mais forte, mais confiante, talvez até mais próspera – ainda que os efeitos econômicos de uma Olimpíada a longo prazo sejam um tema controverso.

Na região leste da cidade, a transformação só começou – é a partir de agora que o Parque Olímpico começa a ser adaptado ao uso pela população, que a vila dos atletas passa a ser preparada para seus futuros moradores, que as melhorias no sistema de transporte público passam a atender aos londrinos, e não aos visitantes. A farra foi ótima, mas o melhor está por vir. A festa de encerramento foi também um instante de curar feridas do passado. A cerimônia que fechou um dos eventos esportivos mais bem sucedidos da história transcorreu num clima leve, divertido, sem temores nem remorsos. Um ano atrás, em meio à onda de vandalismo que assolou o norte e o leste de Londres, o primeiro-ministro David Cameron falou numa sociedade que padecia de um “colapso moral”, que parecia não achar seu caminho em tempos de crise e medo.

Uma Olimpíada não resolve todos os problemas, é claro. Talvez ajude apenas a amenizar seus sintomas, a aliviar suas consequências. Seja como for, a sensação deixada pela violência do verão passado se esvaiu. Unida em torno do sucesso de sua vitoriosa equipe olímpica – que conquistou seu melhor desempenho desde os primeiros Jogos realizados em Londres, em 1908 – a Grã-Bretanha chegou a este último dia de competições num estado de espírito totalmente diferente.  Existe, de novo, orgulho de ser britânico, mesmo com todos os desafios que estão pela frente – como na Londres de 1908, ainda o centro das atenções no mundo, e como na Londres de 1948, uma metrópole que ressurgia em meio às ruínas para promover os Jogos da Austeridade. A chama está apagada no estádio. Na única cidade que já recebeu três edições dos Jogos, porém, a luz olímpica fez acender o melhor do povo britânico – e esse brilho custará a se apagar de novo.

 

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There Is a Light That Never Goes Out - The Smiths, The Queen Is Dead (1986)

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13/08/2012

às 4:20 \ Um Conto de Duas Cidades

O que faz uma grande Olimpíada?

Os Jogos de Sydney-2000 foram marcados por um erro da organização que beira o absurdo. Nas competições de ginástica artística, uma sequência de quedas de atletas no salto sobre a mesa causou estranhamento. Foi apenas no meio da competição que se descobriu o motivo da quantidade incomum de falhas: o aparelho havia sido posicionado 5 centímetros abaixo da altura oficial. As atletas tiveram a chance de repetir o salto, mas para algumas o prejuízo físico ou psicológico já estava consumado.

Você, leitor, lembrava-se desse episódio? Pois eu confesso que havia me esquecido completamente, até assistir há alguns dias a um programa da BBC. Foi um grave descuido que poderia e deveria ter sido evitado, mas é natural que erros aconteçam em um evento tão complexo de se organizar como os Jogos Olímpicos. A lembrança que fica na memória é que Sydney organizou uma das melhores edições de todos os tempos.

Londres-2012 passa a ser uma excelente concorrente entre as cidades-sede mais bem-sucedidas. Também houve erros da organização – como a troca da bandeira da Coreia do Norte pela Coreia do Sul, ou os assentos vazios em grande parte dos locais de competições. Mas no geral, a Olimpíada foi praticamente impecável. Os turistas se sentiram bem recebidos, o transporte público funcionou bem, as arenas ofereceram conforto mesmo sendo em boa parte temporárias. E para completar, os atletas da Grã-Bretanha tiveram uma performance fantástica, ajudando a elevar o apoio popular.

Realizar uma boa Olimpíada logo após Londres não será uma tarefa fácil para o Rio de Janeiro. A posição do Brasil no quadro de medalhas será modesta como sempre – mas isso é de certa forma esperado, e não deverá afetar o ânimo da torcida da casa e a percepção do público internacional. As instalações olímpicas também não serão problema, uma vez que provavelmente terão o mesmo nível das de Londres. Erros de organização, como os de Sydney e Londres poderão acontecer, mas não será isso o que ficará na lembrança das pessoas.

Uma grande Olimpíada também é feita de atletas, estádios, recordes, conquistas e momentos de superação. Mas para mim o que faz mesmo uma grande Olimpíada é uma grande cidade, um lugar prazeroso de se viver e visitar. É o que Barcelona, Sydney e Londres têm em comum, e que o Rio de Janeiro provavelmente não alcançará em quatro anos. A festa da torcida brasileira será inigualável, mas a maior e mais duradoura alegria seria ver o Rio de Janeiro usar a Olimpíada como o marco de transformações mais profundas, que a façam merecer de verdade a alcunha de cidade maravilhosa.

11/08/2012

às 18:45 \ London Calling

Here, There and Everywhere

Para os brasileiros, foi uma decepção do tamanho do Big Ben. A derrota para o México na decisão do torneio olímpico de futebol, neste sábado, foi um desfecho melancólico para uma campanha que prometia acabar com o jejum de ouros do Brasil na sua modalidade favorita, num esporte que é a sua cara. Ignore-se por um momento, porém, o resultado da final. Com mexicanos ou brasileiros subindo ao topo do pódio, a partida deste sábado já teria uma peso diferente na comparação com outras decisões olímpicas do futebol. Porque a Olimpíada de Londres não poderia ser encerrada sem uma celebração do esporte que, na Grã-Bretanha assim como no Brasil, é mais que só um jogo. O torneio olímpico da modalidade mais praticada do planeta não é dos mais empolgantes, todos sabem. Mas Londres, uma das capitais mundiais da bola, merecia assistir a uma finalíssima com estádio cheio (mais de 86.000 pessoas), com grandes jogadores em ação, com lances emocionantes e com um enredo surpreendente. São esses alguns dos melhores ingredientes da inigualável fórmula de sucesso do futebol – e foi em Londres que toda essa magia começou a se revelar.

A capital britânica é a cidade com maior número de estádios no mundo – só na primeira divisão, são seis equipes, todas com sede própria, incluindo o atual campeão da Europa, o Chelsea, do bairro de Fulham, no sudoeste da cidade, e um dos mais populares do país, o Arsenal, instalado em Holloway, na região norte. Fica aqui a sede da Football Association, a federação inglesa de futebol, criada em 1863 e pioneira na definição das regras do jogo. E está em Londres também, evidentemente, o colossal Estádio de Wembley, o palco do fiasco de Neymar, mas também das glórias de Messi, por exemplo – foi onde o Barcelona do supercraque argentino chegou ao auge, na final da Liga dos Campeões do ano passado, numa vitória incontestável e categórica sobre o Manchester United. Em sua encarnação mais recente, trata-se de uma arena moderna e confortável. Na história olímpica, porém, o Wembley de que todos se lembram é mesmo o velho estádio erguido em 1923 e demolido em 2003, palco principal da Olimpíada de 1948. Ele ficava exatamente no mesmo local onde hoje existe a nova arena, mas as semelhanças entre um e outro são pouquíssimas. No estádio atual estão preservadas, por exemplo, as enormes placas de pedra que registram os nomes de todos os medalhistas dos Jogos de 1948.

Foi um trabalho hercúleo remover as peças intactas antes da demolição da antiga fachada, mas os britânicos insistiram na preservação da memória do templo sagrado em que foram campeões do mundo, seu único título em Copas, em 1966. Depois da final, em 30 de julho, um 4 a 2 controverso e espetacular contra a Alemanha Ocidental, a rainha Elizabeth II entregou a taça ao capitão Bobby Moore, imortalizado numa estátua colocada bem na entrada principal do novo estádio. Uma semana depois, os Beatles lançavam Revolver, talvez seu melhor álbum. Foi um verão glorioso para os britânicos, assim como este de 2012 também vem sendo. Pode parecer estranho falar em conservação das lembranças do antigo Wembley depois de ver que os britânicos simplesmente o reduziram a pó. Mas eles tiveram seus motivos. Neste sábado, depois da derrota brasileira, um funcionário veterano perguntava aos visitantes, em sua enorme maioria estreantes em Wembley, o que eles tinham achado do estádio. Depois, contava suas recordações do antigo palco – e sem nenhuma saudade. “Quando o clima estava úmido, era um horror. Ficava um baita cheiro de urina no ar. Os banheiros eram poucos e velhos. Não dava mais.” Sobre o novo estádio, o funcionário era só elogios, e não só por causa do conforto. Ele lembrava que a história do futebol seguia sendo contada aqui, em Wembley e nos outros gramados, velhos ou novos, que se espalham pela cidade.

 

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Here, There and Everywhere - Beatles, Revolver (1966)

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10/08/2012

às 16:03 \ London Calling

Iron Man

Na primeira Olimpíada de Londres, em 1908, ele era integrante do Parlamento e apresentou um projeto de lei para estabelecer, pela primeira vez, o salário mínimo na Grã-Bretanha. Nos segundos Jogos londrinos, em 1948, era líder da oposição – mesmo depois de conduzir o país ao triunfo na II Guerra Mundial, tinha perdido a cadeira de primeiro-ministro, numa amostra de como os britânicos são implacáveis ao cobrar seus políticos. Em 2012, quase meio século depois de sua morte, apareceu só nos efeitos especiais do vídeo que uniu James Bond à rainha, na cerimônia de abertura – quando o helicóptero de Elizabeth II sobrevoou Westminster, sua estátua, colocada entre a abadia e o Big Ben, acenou para a monarca e o agente 007. Ainda hoje, porém, as marcas deixadas por Winston Churchill estão por toda a parte – na capital olímpica, no país-sede dos Jogos e no modo britânico de viver. O maior primeiro-ministro da história britânica tem sua memória preservada a uma curta caminhada do Parlamento, num museu que permite aos visitantes conhecer o enorme bunker de onde Churchill capitaneou a vitória militar britânica sobre Hitler. O local exibe relíquias do rotundo estadista – um tufo de seus cabelos ruivos, seus chapéus e gravatas-borboleta, a porta negra de 10 Downing Street dos tempos em que estava no poder – e conta, com extraordinária atenção aos detalhes, todas as passagens de sua fabulosa biografia.

VEJA na História: A vitória de Winston Churchill e da Grã-Bretanha na II Guerra Mundial

A entrada ao museu fica colada à quadra olímpica do vôlei de praia. A música alta, os biquínis diminutos e as coreografias das cheerleaders no torneio da modalidade, encerrado na noite de quinta, certamente teriam deixado o ex-primeiro-ministro intrigado. Mas essa proximidade física entre seu antigo gabinete e uma das arenas mais movimentadas destes Jogos não é o que liga Churchill à Olimpíada. O legado de sua era turbulenta e heroica é notado em muitos dos aspectos bem sucedidos da festa esportiva. O espírito de luta e união da delegação da casa, refletido na conquista de 56 medalhas até esta sexta-feira, é um deles. O pragmatismo e a praticidade do projeto olímpico, com suas excelentes (e mais baratas) arenas temporárias, são outros. Mas a imagem deixada pelo país sede depois de duas semanas de Olimpíada, com seu retumbante sucesso até aqui, certamente é o maior deles. “Fui uma cria da era Vitoriana, quando a percepção da grandeza do nosso império e nosso dever de preservá-la eram muito fortes”, explicou ele certa vez, conforme mostra um dos painéis de seu museu. A Grã-Bretanha sai dos Jogos do jeito que Churchill gostava de vê-la: brava, forte, unida e ambiciosa, uma inspiração para o resto do mundo e uma referência para o Ocidente.

 

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Iron Man - Black Sabbath, Paranoid (1970)

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10/08/2012

às 8:50 \ Torre de Londres

Algumas perguntas para responder

O que a Jamaica, um país de 2,7 milhões de habitantes, tem que nós não temos?

E o Quênia?

E a Grã-Bretanha, o Reino Unido, a Inglaterra, como se preferir?

O que os ingleses fazem para que o trem com saída marcada para as 10h35 parta da estação às 10h35?

Por que todos os estádios, ginásios e pistas de Londres são virtualmente impecáveis?

Mas por que a BBC, durante o dia inteiro, da manhã à noite, com raras exceções, só transmite as provas em que os britânicos estão competindo?

Por que, em qualquer evento olímpico, há sempre alguém uniformizado para ajudá-lo a encontrar o seu lugar, mesmo que para isso tenha que caminhar por longos corredores, descer uma escada, subir outra e abrir três portas, ao invés de dizer vá em frente, vire à esquerda, depois a segunda à direita e então volte a perguntar para alguém?

E por que tanta gente, de terno, gravata e nariz empinado, ou de regata, bermuda, havaiana e corpo tatuado, faz a mesma coisa na rua?

Por que nos supermercados quem quer comprar cigarro precisa pedir que um funcionário abra o armário em que ficam trancados sem que se possa vê-los, como se fossem veneno escondido, um maço de Marlboro custa o equivalente a 25 reais e é proibido fumar em praticamente qualquer lugar, até nos quartos de hotel?

Mas por que jogam tanto toco de cigarro na rua?

Por que a rede de metrô londrina tem onze linhas, 268 estações e 408 quilômetros de extensão?

Por que as crianças de até 10 anos não pagam passagem?

Mas por que há tantos ratinhos serelepes ao lado dos trilhos em certas estações, sem que ninguém pareça ligar para eles?

E por que é tão quente lá dentro?

Por que os ônibus vermelhos de dois andares são tão bons e confortáveis, embora o trânsito com frequência os torne irritantemente lerdos?

Por que há cada vez mais ciclistas nas ruas e os motoristas os respeitam, embora no ano passado tenham morrido dezesseis deles em acidentes?

Por que os pedestres sempre atravessam na faixa?

Por que todos os motoristas de táxi conhecem todas as ruas de Londres, limitam-se a falar o essencial, não reclamam do troco e agradecem se você deixar uma moeda de gorjeta?

A propósito, por que nenhum balconista faz cara feia quando se paga uma despesa de 1,76 libra com uma nota de 20?

Por que as pessoas dizem em qualquer situação “please”, “thank you” e “no problem”?

Por que elas acreditam na sua palavra?

Por que há tamanha multidão de turistas nas ruas, chineses, japoneses, coreanos, americanos, alemães, franceses, argentinos, brasileiros?

Por que fotografam tudo com o celular?

Por que eles e os próprios ingleses saem das lojas de Oxford Street carregados de sacolas que mal conseguem segurar?

Por que um grupelho de gaúchos barrigudos faz tamanha algazarra nas partidas de futebol da seleção brasileira, com bumbos estridentes e cantos desafinados, sem que lhes chamem a atenção?

Por que os hooligans desapareceram?

Por que o prefeito nunca mudou de partido?

Por que ele é popular e acabou de ganhar a reeleição, embora seja uma figura extravagante, fale besteiras sem parar e tenha tomado medidas impopulares, como aumentar as tarifas do transporte público e mantido a cobrança de pedágio urbano no centro da cidade para a circulação de carros particulares, implantada por seu antecessor, que pertence ao partido rival?

Por que a grande maioria dos súditos venera sua rainha?

Por que os jornais, incluindo os tabloides considerados sensacionalistas, que adoram escândalos e denúncias, não noticiaram durante a Olimpíada um único caso conhecido de corrupção ou de desvio de verbas públicas?

Será que isso não acontece na Inglaterra ou eles são bobos e não percebem?

Por que não somos assaltados na rua?

E não fazem arrastões nos prédios?

E não há chacinas na periferia?

Nem zumbis queimando crack na calçada?

Por que nenhum atleta britânico se queixou do vento?

E não confessou que amarelou?

E não se queixou da prata nem do bronze?

Por que apenas os americanos e chineses ganham deles em número de medalhas?

Por que há tanta gente obesa?

Inspirados pela Olimpíada, será que eles tentarão entrar em forma depois dos Jogos?

Ou continuarão devorando ovos fritos, bacon, salsicha e feijão no café da manhã?

E, enquanto andam, comendo sanduichões transbordantes de gordura e bebendo copázios de refrigerante?

Por que eles acham uma delícia fish’n’chips e cerveja quente?

Por que na National Gallery, onde se pode ver quadros de Giotto, Rafael, Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Van Gogh e Renoir, a entrada é gratuita?

E no Museu Britânico também?

O que eles fizeram para que o Rio Tâmisa, conhecido como o “Grande Fedor” no século XIX, quando as sessões do Parlamento chegaram a ser suspensas por causa do mau cheiro intolerável que exalava, fosse despoluído, virasse cenário de regatas e passasse a abrigar em suas águas 121 espécies de peixe?

Por que ele não transborda depois que chove?

Aliás, por que durante os Jogos choveu menos do que o previsto e, passado o frio do verão, tivemos nesta semana dias maravilhosos, ensolarados e com elevadíssimas temperaturas que chegaram na quinta-feira a inacreditáveis 27 graus à sombra?

Como eles conseguiram fazer uma Olimpíada como essa?

E a anterior, em 1948, mal saídos de uma guerra que os devastou?

Como construíram uma nação assim?

My God, será eles têm algum motivo para serem orgulhosos desse jeito?

09/08/2012

às 15:29 \ London Calling

Won’t Get Fooled Again

O ciclista Chris Hoy é o maior atleta olímpico britânico. Dono de sete medalhas, seis delas de ouro, subiu duas vezes ao topo do pódio em Londres-2012, a última Olimpíada de sua carreira. Aos 36 anos, o supercampeão, que já tem o título de “sir”, não irá ao Rio em 2016. Antes de encerrar a carreira, porém, Hoy sonha com um último grande evento: os Jogos da Comunidade Britânica, em 2014. O motivo: a competição acontecerá em Glasgow, Escócia, a cerca de 80 quilômetros de sua cidade natal, Edimburgo. O escocês voador do Velódromo de Stratford fez história na pista, não restam dúvidas. Mas igualmente significativa foi uma posição adotada depois de seu triunfo olímpico, num momento em que vinha sendo usado de forma oportunista pela autoridade máxima do governo autônomo escocês. Alex Salmond é o primeiro-ministro da Escócia – e também o líder máximo do Partido Nacional Escocês, que defende a independência do território do Reino Unido. Salmond tentou aproveitar a popularidade de Hoy para reforçar sua campanha separatista. Antes mesmo da Olimpíada, ele vinha dizendo que estes seriam os últimos Jogos em que os escoceses defenderiam a bandeira britânica – porque até 2016, acredita ele, a independência já terá sido conquistada.

Salmond também foi ridicularizado ao propor uma torcida apenas para os escoceses em Londres, ignorando os atletas da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. Seu principal trunfo na inusitada tentativa era justamente Hoy, com sua imagem vencedora e reputação irretocável. Quando o ciclista foi escolhido para ser o porta-bandeira britânico na abertura, Salmond divulgou uma tola nota oficial parabenizando Hoy sem citar o nome da Grã-Bretanha. O ídolo, no entanto, estragou a festa do político. Hoy avisou publicamente que era “frustrante” perceber que estava sendo arrastado para uma briga ideológica contra sua vontade. E mais: deixou claro que prefere ser integrante da delegação olímpica britânica, e não apenas da escocesa. “É um grande orgulho fazer parte do time ao lado dos ingleses, galeses e norte-irlandeses. Sou escocês, sim, mas também sou britânico. E penso que uma coisa não anula a outra”, avisou, minando a desonesta estratégia de Salmond de usar o esporte para fins políticos. O prefeito Boris Johnson, um dos líderes do Partido Conservador, vibrou. “Uma das melhores coisas destes maravilhosos Jogos foi a certeza de que eles retardaram a campanha de Alex Salmond para acabar com a União.” Mais uma medalha, portanto, para a coleção de triunfos de Sir Chris.

 

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Won’t Get Fooled Again - The Who, Who’s Next (1971)

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08/08/2012

às 15:45 \ London Calling

Money (That’s What I Want)

A euforia olímpica dos britânicos sofreu um baque nesta quarta-feira – e não foi por causa de uma decepção nos Jogos, em que o país-sede segue fazendo ótimo papel. Pela primeira vez em quase duas semanas, a imprensa do país deslocou seu foco das pistas, quadras e piscinas do Parque Olímpico para Threadneedle Street, na sede do Banco da Inglaterra, o BC dos britânicos. Ao invés de Usain Bolt e Michael Phelps, os holofotes estavam sobre Sir Mervyn King, o governador da autoridade monetária, que revelaria novas projeções para a economia do país. E elas não foram nada animadoras: a previsão de crescimento do PIB foi rebaixada para zero. Mostrando que também foi contagiado pela vírus olímpico, King usou o exemplo dos atletas britânicos para fazer sua avaliação do cenário econômico. “Ao contrário dos atletas que tanto nos emocionaram nesses últimos dias, nossa economia ainda não recuperou sua melhor forma. Mas ela vem se curando aos poucos”, explicou, numa tentativa meio desajeitada de falar a língua do povo. “Essa recuperação será um processo longo. E é na equipe olímpica britânica que devemos nos inspirar. Esses atletas mostraram a todos a importância de um comprometimento total em busca de um objetivo que pode estar anos à frente.” Mas e o papel da Olimpíada nessa recuperação? O assunto é sempre polêmico. Para alguns economistas, sediar os Jogos é uma armadilha: são gastos exagerados que acabam jamais sendo recuperados. Para outros especialistas, uma Olimpíada pode, se bem feita, dar dinheiro a longo prazo.

É cedo para saber o que acontecerá com os britânicos. Mas a avaliação do BC local é de que o primeiro efeito benéfico dos Jogos sobre a economia será sentido já nos números do PIB do terceiro trimestre, principalmente em função dos montantes movimentados pela venda de ingressos e direitos de exibição de TV. Seja como for, a divulgação dos dados desta quarta tiraram o sorriso que estampou o rosto do primeiro-ministro David Cameron desde o primeiro dia de Olimpíada. Ele teve de interromper suas atividades de torcedor (estava na arena em que a brasileira Adriana Araújo, do boxe, disputou sua semifinal) para dar satisfações sobre a situação nebulosa da economia. Com seu estilo almofadinha e meio sem sal, disse apenas que os dados eram “decepcionantes” e que era hora de “arregaçar as mangas” para fazer o país dar a volta por cima. Coincidência ou não, quase ao mesmo tempo, o outro grande líder do Partido Conservador britânico era entrevistado por uma emissora local, e tinha de responder aos comentários cada vez mais frequentes sobre uma possível mudança de emprego. Boris Johnson, o popularíssimo e excêntrico prefeito de Londres, ainda tem quatro anos de mandato, pois acabou de ser reeleito. Diante dos tropeços da economia mesmo em tempos de bonança olímpica, cada vez mais gente acha que ele deve mudar de gabinete, passando a ocupar a residência de 10 Downing Street, em Westminster.

 

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Money (That’s What I Want) - Beatles, With the Beatles (1963)

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07/08/2012

às 14:35 \ London Calling

Immigrant Song

A Batalha de Trafalgar, em 1805, foi a mais marcante das numerosas vitórias navais do império britânico. O Almirante Nelson ganhou o confronto, perdeu a vida e virou estátua numa praça que seria construída algumas décadas depois, bem no coração de Londres – Trafalgar Square, justamente em homenagem ao triunfo militar sobre os franceses. Entre os combatentes do lado britânico estavam enormes contingentes de imigrantes, incluindo os marinheiros nascidos numa antiga colônia africana, a atual Somália. Para eles, porém, não sobraram memoriais ou honrarias. Os somalis formam uma das mais antigas e numerosas comunidades de imigrantes da Grã-Bretanha. São, também, alguns dos alvos preferidos dos grupos políticos favoráveis a um controle mais rigoroso da imigração no país. Durante esta Olimpíada, porém, o exército britânico na disputa por medalhas tem como uma de suas grandes armas um atleta nascido em Mogadíscio, criado no Djibouti e trazido a Londres apenas aos 8 anos, quando não falava uma só palavra de inglês. Mohammed Farah – que, na Inglaterra, virou “Mo” – foi campeão olímpico nos 10.000 metros rasos e tenta mais um ouro nos 5.000, cujas eliminatórias são disputadas nesta quarta. Muçulmano devoto, casado há dois anos, futuro pai de gêmeas – a mulher, grávida de oito meses, carregou o barrigão para a pista do Estádio Olímpico para abraçá-lo após a vitória espetacular de sábado – Farah foi questionado sobre se não tinha vontade de defender as cores da Somália na Olimpíada. “Olha, mate“, disse, usando uma expressão bem britânica, “o meu país é este aqui”.

Nesta terça, outro astro britânico do atletismo apareceu no Estádio Olímpico. Phillips Olaosebikan Idowu, filho de nigerianos, ex-campeão mundial do salto triplo e favorito a uma medalha em Londres, acabou saindo da disputa de forma prematura, derrotado logo nas eliminatórias. Idowu, 33 anos e vários piercings nas orelhas e no rosto, tentava se recuperar de uma lesão. Só não desistiu da prova porque é um dos ídolos do esporte britânico e uma das caras da Olimpíada, ilustrando outdoors espalhados por toda a cidade. O descendente de africanos só perde para a filha de um jamaicano no quesito exposição publicitária na capital olímpica. Jessica Ennis, rainha do heptatlo e queridinha da torcida, é o resultado do casamento de um negro caribenho com uma branca inglesa. Três protagonistas com histórias tão diversas são peças que se encaixam muito bem no roteiro destes Jogos. Na capital olímpica, convive-se o dia inteiro com indianos, paquistaneses, chineses, vietnamitas, marroquinos e, claro, brasileiros. Um entre cada oito habitantes da Grã-Bretanha é nascido em outro país – e essa proporção é ainda maior em Londres, a cidade mais cosmopolita da Europa. Como em qualquer metrópole de um país rico, ela vive entre as queixas de quem se incomoda com a presença dos estrangeiros e a certeza de que não conseguiria funcionar não fosse a mão de obra fornecida por eles. No decorrer dos Jogos, contudo, as reclamações de quem torce o nariz para o multiculturalismo da Londres atual andam sumidas. A Olimpíada, um microcosmo da glória e do drama humanos, ajudou a mostrar aos britânicos que, nas pistas como na vida, mais forte é a tropa com mais e melhores soldados.

 

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Immigrant Song - Led Zeppelin, Led Zeppelin III (1970)

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05/08/2012

às 14:24 \ London Calling

We Are the Champions

Andy Murray (Foto: AFP)

Na primeira Olimpíada de Londres, em 1908, a Grã-Bretanha, competindo em casa, alcançou uma façanha histórica: oito medalhas de ouro conquistadas em apenas um dia. Acreditava-se que o país jamais viveria algo parecido. Desde então, a antiga potência olímpica assistiu ao crescente domínio de americanos, soviéticos e, mais recentemente, chineses. Neste fim de semana, no entanto, os britânicos, outra vez anfitriões dos Jogos, revisitaram seu passado mais glorioso no esporte. Não chegaram a igualar a marca dos seis ouros de 1908, mas chegaram perto: no sábado, foram seis, incluindo as três fantásticas vitórias no atletismo. Num período de apenas 43 minutos, o time da casa amealhou o ouro no salto em distância (com Greg Rutherford), no heptatlo (com a estrela Jessica Ennnis) e nos 10.000 metros rasos (com o fundista Mo Farah). Sebastian Coe, ex-corredor, hoje o presidente do comitê organizador dos Jogos, não teve dúvidas em classificar o momento como “a maior noite do atletismo britânico”. Horas antes, atletas do país-sede já tinham subido ao topo do pódio no ciclismo e no remo. E a série de triunfos continuou neste domingo, com destaque para a catártica vitória de Andy Murray no tênis e a antológica façanha de Ben Ainslie na vela.

Murray, escocês de 25 anos, é excelente tenista, mas tem sua carreira marcada por numerosas decepções. Tinha certa fama de azarado, de bater na trave nos momentos decisivos. Mas exorcizou seus fantasmas ao atropelar Roger Federer, sete vezes campeão de Wimbledon, por 3 sets a 0, na decisão olímpica de simples, realizada na quadra central do tradicional templo do tênis. Já Ainslie, de 35 anos, tem reputação oposta à de Murray – chegou a esta Olimpíada com três ouros consecutivos -, mas entrou no último dia de regatas da classe Finn, em Weymouth, em situação bastante delicada, perseguindo o dinamarquês Jonas Hogh-Christensen. Virou o jogo na reta final e agora é tetracampeão olímpico. Para completar o dia glorioso, transformou-se no principal medalhista olímpico do iatismo, com quatro ouros e uma prata (os brasileiros Torben Grael e Robert Scheidt, por exemplo, somam as mesmas cinco medalhas que Ainslie, mas sem tantos ouros). Com as conquistas em Wimbledon e Weymouth, os britânicos somaram 16 ouros. Seguem com chances reais em pelo menos uma dezena de provas. Não alcançarão americanos e chineses. De qualquer forma, podem fechar a terceira Olimpíada realizada em seu território num invejável terceiro lugar no quadro de medalhas.

Mais do que confirmar o efeito positivo do fator casa no quadro de medalhas, mais do que retribuir a empolgação contagiante dos torcedores locais, a campanha da equipe britânica faz justiça e ameniza um desvio na história do esporte. Os britânicos não são os melhores, mas são os primeiros – e esse é um dos melhores ingredientes da Olimpíada de Londres, a única cidade que já recebeu três edições dos Jogos. A versão moderna da prática esportiva é uma criação local, um legado dos britânicos ao mundo. A lista de modalidades originadas no país (ou organizadas e regulamentadas pela primeira vez, com base em jogos que já existiam no exterior) corresponde a boa parte do cardápio olímpico: futebol, tênis, rúgbi, remo, golfe, badminton, iatismo, hóquei, hipismo, ciclismo, boxe. Mais notável ainda é o papel de Londres no desenvolvimento desses esportes, principalmente no período vitoriano. E a tradição não está só em Wimbledon ou Wembley. O Hyde Park, no coração da cidade, é o palco do triatlo e da maratona aquática nos Jogos. Ao mergulhar em seu principal lago, conhecido como Serpentine, os nadadores olímpicos repetirão um costume iniciado em 1864. Com a rainha Vitória no trono e radicais transformações em curso na ilha, atletas amadores fundaram um clube no parque. Até hoje, todas as manhãs, inclusive no inverno, integrantes da agremiação praticam suas braçadas no parque real. Como os britânicos nos Jogos Olímpicos, os nadadores do lago do Hyde Park podem não ser os mais rápidos, mas certamente são os pioneiros.

 

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We Are the Champions - Queen, News of the World (1977)

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