22/09/2012
às 16:40 \ Ponte Aérea Londres-RioTamanho não é documento

A Vila do Pan, na Zona Oeste do Rio, em março de 2012 (Foto: Alessandro Costa/Agência O Dia)
A Vila Olímpica de Pequim, em 2008, tinha cerca de 660.000 metros quadrados. A de Londres, deste ano, era bem menor, com menos de 400.000 metros quadrados. Numa prova de que tamanho não é documento, as dimensões mais modestas dos Jogos de Londres agradaram mais aos atletas. “A gente andava menos para se deslocar dos apartamentos para o refeitório, a academia e o ponto dos ônibus que levavam às arenas. A vila de Pequim era mais luxuosa. Mas a de Londres era mais aconchegante e prática. Gostei muito”, avalia o judoca Leandro Guilheiro, bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas (2004) e Pequim. “Em Londres, a gente chegava com muito mais rapidez de um ponto ao outro, foi bem melhor para os atletas”, diz o nadador Daniel Dias, que conquistou 15 medalhas, dez delas de ouro, nos Jogos Paralímpicos de Londres e Pequim.
Um bom exercício para os organizadores dos Jogos do Rio é ouvir os atletas. Com cerca de 600.000 metros quadrados, a área em que será instalada a vila do Rio está mais próxima das dimensões de Pequim do que das de Londres. Será grande, mas as distâncias podem ser encurtadas por uma distribuição inteligente das instalações nesse espaço. Uma boa ventilação nos prédios também é fundamental – e esse foi um dos pecados de Londres. “O calor nos corredores dos prédios era enorme. Nos quartos, com todas as janelas abertas, melhorava um pouco”, conta Leandro.
No Rio, serão 31 prédios de 17 andares. Espera-se, com ar condicionado. “Acho que ar condicionado é fundamental, depois cada atleta decide se liga ou não. Lá em Londres, podia estar frio na rua, e ainda assim os quartos eram quentes. Não havia nem mesmo ventiladores de teto”, lembra Daniel. Outro ponto importante para o nadador é a acessibilidade: “Alguns apartamentos podiam ser acessíveis, mas o meu não era. Para mim, não foi um problema. Mas meu companheiro de quarto é paraplégico. Embora tenha boas condições de locomoção mesmo assim, ele teria a vida facilitada se o banheiro fosse construído de forma a receber cadeirantes. Não era. Num evento desses, todos os apartamentos devem ter condições de acessibilidade”, defende. (Nas últimas imagens do projeto para 2016, divulgadas na sexta-feira, a promessa é de que todos os banheiros atenderão a portadores de deficiência.)
Pensar no que será a vila depois dos jogos também é fundamental. Os imóveis precisam ser atraentes para o consumidor, e pensados na lógica do momento do mercado imobiliário. Após os Jogos os prédios da vila se transformarão em um condomínio residencial. Em Vancouver, no Canadá, que sediou os Jogos de Inverno de 2010, a pouca atratividade do local pode provocar um prejuízo de 750 milhões de dólares à cidade. No Pan de 2007, no Rio de Janeiro, a vila foi construída em cima de um pântano na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. Surgiram crateras em volta dos prédios e há calçadas e ruas cedendo. Um enorme problema para os moradores e para a cidade.
Em Londres, a vila foi construída em Stratford, uma área antes degradada, mas que foi revitalizada. “Fica ao lado de uma estação de trem e de uma de metrô, grudada num shopping center enorme. Um local muito interessante de se morar. Não é isolado, como a vila de Atenas, que ficava no meio do nada”, analisa Leandro.
O desenho dos jogos de 2016 já deixa a certeza de que uma característica desejável não estará contemplada: não haverá metrô ou trem ao lado da Vila Olímpica do Rio. Em vez disso, o serviço de transporte da vila no Rio será o sistema de BRT, os ônibus rápidos com faixa segregada. A preocupação deixa de ser o volume de passageiros durante a competição, mas como será a vida naquele local depois de 2016.
Galeria de fotos: Novas imagens do projeto da Vila, divulgadas na sexta-feira
Tags: barra da tijuca, cob, coi, olimpíada de londres 2012, olimpíada do rio de janeiro 2016, parque olímpico, urbanismo, vila olímpica


















