05/09/2012
às 12:49 \ Heróis ParalímpicosZanardi, ouro na volta a Brands Hatch
Há dez anos, o piloto italiano Alessandro Zanardi foi entrevistado por VEJA sobre o chocante acidente em que perdeu as pernas, no dia 15 de setembro de 2001, num circuito na Alemanha (assista às imagens no vídeo abaixo). Na ocasião, ele contou que ainda não tinha ido a nenhum autódromo desde a batida e que achava que esse reencontro com a pista seria “muito difícil”. Ainda assim, ele prometia voltar – porque considerava aquele o seu mundo, e não poderia “fugir do passado”. Desde então, Zanardi não só retornou aos circuitos como também voltou a pilotar, em 2004, no Mundial de Turismo, a bordo de uma BMW. Antes disso, foi ao mesmo autódromo em que sofreu seu acidente e completou as treze voltas que faltaram na prova mais trágica de sua carreira. Usando um sistema de aceleração e frenagem com acionamento manual, ele chegou a passar dos 300 quilômetros por hora. Desde então, o italiano venceu uma corrida no campeonato de Turismo (em 2005) e completou cinco temporadas na categoria, sempre com bom desempenho. Zanardi também voltou a pilotar um Fórmula 1 em 2006, num teste para a equipe BMW Sauber. Essa não foi, porém, a maior façanha de sua recuperação. A conquista mais notável do italiano ocorreu nesta quarta-feira, de novo num autódromo – mas, desta vez, sem a ajuda de um motor.
Hoje com 45 anos, Alex Zanardi participou de sua primeira Paralimpíada, no ciclismo com as mãos. Depois de fazer sua estreia na maratona de Nova York, em 2007, o italiano gostou tanto da modalidade que passou a se dedicar mais a ela do que ao automobilismo. Em 2009, trocou de esporte de vez. Desde então, venceu as maratonas de Veneza, Roma e Nova York. E chegou a Londres como um dos favoritos nas corridas da categoria H4. Na final da prova contra o relógio, na manhã desta quarta, Zanardi conquistou a medalha de ouro, marcando um tempo de 24min50 e superando o alemão Norbert Mosandl e Oscar Sanchez. Por coincidência, o percurso da prova passava por Brands Hatch, tradicional circuito britânico, localizado nos arredores de Londres – e palco de sua primeira pole position na Fórmula 3.000, em 1991. Fanático por velocidade e viciado em competir, o incansável Zanardi sempre disse que o retorno ao esporte seria o caminho certo para se recuperar depois da tragédia. Com o ouro conquistado nesta quarta, ele conclui um longo percurso – e, ainda assim, promete seguir adiante. Em Londres, o italiano ainda disputa mais duas finais no ciclismo, na sexta e no sábado. E ninguém ficará surpreso se ele conquistar mais dois ouros para a sua coleção.
Leia mais: A entrevista exclusiva de Alessandro Zanardi a VEJA, em janeiro de 2002
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