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15/05/2012

às 7:48 \ As estrelas de 2012, Diário Olímpico

As estrelas de 2012: Novak Djokovic

Metade da missão já estava cumprida. Ao entrar na quadra central de Wimbledon para disputar a final do mais tradicional dos Grand Slams, em 2011, Novak Djokovic sabia que ao fim do dia seria o tenista número 1 do mundo, mesmo que não vencesse Rafael Nadal. Graças a uma temporada espetacular, em que chegou a vencer 43 partidas seguidas, o sérvio já havia garantido os pontos necessários para chegar, merecidamente, ao topo do ranking da ATP.

Mas comemorar tal feito com uma derrota na final não teria o mesmo sabor. Apesar dos números incontestáveis, sua performance na grama ainda era vista com desconfiança. Por duas vezes Djokovic havia chegado às semifinais de Wimbledon, mas uma lesão no pé em 2007 e uma derrota para o checo Tomas Berdych em 2010 o privaram de disputar a final.

Pois Djokovic comeu a grama e venceu Rafael Nadal na final, por 3 sets a 1. A ordem dos fatos, aliás, não foi exatamente esta: com uma expressão de incredulidade após a vitória, o sérvio ergueu as mãos ao céu, benzeu-se, acocorou-se e comeu um tufo de grama da quadra de Wimbledon (veja o vídeo abaixo). “Eu me senti como um animal, queria saber qual era o sabor”, disse mais tarde.

Desde então, Djokovic manteve-se como o número 1 do mundo, tendo vencido mais dois Grand Slams – o US Open de 2011 e o aberto da Austrália deste ano -, além de outros torneios. No fim deste mês, ele terá a chance de vencer Roland Garros, o único grande torneio que lhe falta, antes de voltar a Wimbledon.

Mas a temporada de 2012 reserva outra oportunidade para que Nole possa saborear a grama do All England Lawn Tennis and Croquet Club. Três semanas após a final de Wimbledon, ele voltará a Londres para o torneio olímpico de tênis, que assim como nos Jogos de 1908 será disputado no local. Wimbledon é, aliás, a única sede de um Grand Slam a receber também os Jogos Olímpicos.

Assim como em outros esportes, a Olimpíada não tem a mesma importância dos demais torneios da temporada de tênis. Entre o troféu de prata de Wimbledon e a medalha de ouro olímpica, Djokovic e seus adversários seguramente escolheriam o primeiro – até porque ele vem acompanhado de um generoso prêmio, que no ano passado chegou a 1,1 milhão de libras (3,3 milhões de reais).

Mas diferentemente do futebol, por exemplo, em que o limite de idade faz com que as seleções não sejam representadas por seus melhores jogadores, o torneio olímpico de tênis terá a elite do esporte. Desde 2004, ele também conta pontos para os rankings da ATP e da WTA, o que aumenta o interesse dos jogadores. Em Pequim 2008, o torneio foi disputado em quadras de piso duro e vencido por Rafael Nadal, que bateu o chileno Fernando González na final. Djokovic ficou com o bronze, após ter sido eliminado pelo espanhol na semifinal.

Desde então o jogo do sérvio evoluiu bastante – especialmente o saque, que tornou-se mais preciso – e hoje ele já é considerado um dos jogadores mais completos da história. E Djokovic chegou a este posto sem ter uma aura de invencibilidade, galgando seu lugar entre os grandes ao vencê-los um por um. Sua irreverência e carisma também o tornam uma figura extremamente simpática ao público.

Para conquistar o ouro em Londres, Djokovic pode ter pela frente um dos grandes desafios que ainda lhe falta. Apesar de já ter enfrentado Roger Federer 24 vezes em sua carreira, com 14 vitórias para o suíço, os tenistas nunca se enfrentaram na grama. O torneio olímpico pode ser mais uma oportunidade para que o sérvio possa enfim encarar em Wimbledon um dos maiores tenistas da história, que é conhecido como “rei da grama”. Apetite para vencer, Djokovic já provou ter.

 

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