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Arquivo da categoria Guia de viagem

27/07/2012

às 7:15 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Parque Olímpico

Ele é a mais jovem atração turística de Londres, e provavelmente será a mais visitada durante os próximos 16 dias. Construído em uma área de 200 hectares na zona leste da cidade, o Parque Olímpico de Londres é um bom exemplo de como uma região degradada da cidade pode ser transformada em um aprazível espaço público. Após os Jogos Olímpicos, algumas das instalações serão desmontadas, mas o parque permanecerá aberto à comunidade.

Durante os Jogos, porém, o espaço não é assim tão público. Por medidas de segurança, só é possível entrar no Parque Olímpico com ingressos, seja para as competições ou seja apenas para acompanhá-las em algum dos telões instalados no local. Estas entrada foram vendidas por 10 libras (33 reais) apenas para o público britânico, e esgotaram-se rapidamente. Outra atração turística é a Orbit, torre de observação de metal retorcido de 115 metros de altura, da qual se pode ter uma vista panorâmica de todo o parque. O ingresso custa 15 libras, mas para utilizá-lo é preciso também ter o bilhete de acesso ao parque.

Como diversas competições ocorrerão fora do Parque Olímpico, como ginástica artística, judô e vôlei, é possível que muitos visitantes que tenham ingressos para os Jogos deixem a cidade sem conhecê-lo. Até pouco tempo atrás, havia ainda a opção do View Tube, um observatório montado em containers ao lado do parque, de onde se tinha uma ótima vista do estádio – mas ele encerrou suas atividades em maio.

Resta, no entanto, uma última opção para quem não quer deixar Londres sem ao menos ver de perto o principal local de competições. Do enorme shopping Westfield Stratford – o maior centro de compras urbano da Europa -, é possível ter uma boa visão do Parque Olímpico. A melhor visão é do terceiro andar da loja de departamentos John Lewis, onde funciona uma das lojas oficiais de Londres 2012. De lá avista-se o Estádio Olímpico, o Centro Aquático e a Orbit. Uma opção modesta, mas gratuita e – o que é mais importante, diante da ausência de mais ingressos – disponível.

20/07/2012

às 9:03 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Hampstead Heath

São tantos os espaços verdes espalhados por Londres que é possível que você se depare com algum por acaso ao caminhar pela cidade. Alguns são campeões de popularidade entre turistas, como o Hyde Park (que nos Jogos receberá o triatlo e a maratona aquática) e o Regent’s Park, na região central. Mas na região norte da cidade está Hampstead Heath, um parque bem diferente dos demais – e que por isso mesmo é um dos favoritos dos londrinos nos (raros) dias em que o sol aparece.

A começar por sua topografia. Ao contrário da maior parte da cidade, que é extremamente plana, a região de Hampstead é acidentada, cheia de colinas. Em vez de grandes superfícies cobertas por grama, o parque é repleto de bosques, que dão a impressão de se que se está em outra cidade. Hampstead Heath é também uma das maiores áreas verdes de Londres, com 319 hectares (o dobro do Parque do Ibirapuera).

Nos dias de calor, é preciso enfrentar filas para nadar em um dos três lagos do parque – um feminino, um masculino e outro misto. É necessário também enfrentar a água fria, embora os britânicos não pareçam se incomodar. Mas um dos locais mais concorridos do parque é a Parliament Hill (foto acima), colina da qual se pode avistar a Catedral de St Paul e os arranha-céus da cidade. É uma das vistas mais belas de Londres.

Ao longo da história, a região ao redor de Hampstead Heath foi casa de escritores, artistas e celebridades – o bairro hoje é casa de diversos jogadores do Arsenal, por exemplo. No século 19, o parque era um dos locais preferidos dos intelectuais Karl Marx e Friedrich Engels, que moravam nos arredores. Aliás, bem próximo do parque está o Highgate Cemetery, onde está o túmulo de Marx, em cuja lápide está escrito “Workers of all lands unite” (trabalhadores de todo o mundo, uni-vos). Ironicamente, para ter acesso ao cemitério onde está enterrado o pensador comunista é preciso pagar um ingresso de 3 libras.

Hampstead Heath
Transporte: metrô Gospel Oak ou Hampsted Heath

13/07/2012

às 8:59 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Broadway Market

Um dos grandes objetivos de Londres com a realização dos Jogos Olímpicos é a regeneração urbana do leste da cidade. A região, historicamente a menos favorecida da capital, é uma das mais pobres do Reino Unido, o local onde vive a típica classe trabalhadora inglesa. A novela EastEnders, exibida pela BBC desde 1985, tem a região leste de Londres como cenário e ajudou a  fazê-la parte do imaginário dos britânicos.

Os Jogos Olímpicos podem entrar para a história como um grande marco para o desenvolvimento do leste de Londres, mas estão longe de ser o seu ponto de partida. A “corrida para o leste” é um processo que aconteceu gradualmente ao longo dos anos. Quando Londres ganhou o direito de sediar os Jogos, em 2005, a região já era destino de artistas, músicos, designers e afins, que buscavam aluguéis mais baratos que na região central da cidade.

Hoje, o leste de Londres é definitivamente o cartão postal mais descolado do Reino Unido, a casa das mentes mais modernas e criativas do país. Aos poucos, galerias de arte ganham a companhia de estabelecimentos que há alguns anos jamais se imaginaria ver por ali, como hotéis e restaurantes de luxo. A diversidade cultural é igualmente imensa: convivem por ali indianos, turcos, paquistaneses, bangladeshianos, caribenhos, turcos, judeus ortodoxos, gente de todo o mundo.

Quem vier a Londres para os Jogos Olímpicos muito provavelmente passará pelo leste da capital – a maioria das competições acontecerá no Parque Olímpico, em Stratford. Mas para conhecer o lado mais badalado do East End, nada melhor que uma visita ao Broadway Market, mercado localizado na rua homônima entre o Regent’s Canal e o parque London Fields.

Desde o início do século passado o local abrigava barracas de frutas e vegetais, mas foi a partir de 2004, quando a comunidade local decidiu revitalizá-lo, é que ele se consolidou como o ponto de encontro dos modernos de Londres. É possível comprar produtos orgânicos, queijos, cupcakes, camisetas, discos, roupas vintage e uma enorme variedade de produtos, além de experimentar comidas de diversas partes do mundo.

Como era de se esperar, o mercado rapidamente se transformou em uma grande atração turística. O grande movimento logo atraiu restaurantes e cafés, que se instalaram na rua e se tornaram igualmente concorridos aos sábados. Hoje, parte do público que ajudou a tornar o Broadway Market popular já torce o nariz para o local, por considerá-lo excessivamente turístico. Mas se você está em Londres justamente a passeio, não há motivos para deixar de visitá-lo.

Broadway Market
Horário: sábados, das 9h às 17h
Transporte: estação Haggerston (overground)

06/07/2012

às 3:47 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Wembley

Para quem é fã de futebol, Londres é uma cidade única em termos de opções para assistir a partidas. Na próxima temporada da Premier League, Londres será representada por nada menos que seis clubes – Arsenal, Chelsea, Fulham, Queens Park Rangers, Tottenham e West Ham. A segunda divisão terá Charlton Athletic, Crystal Palace e Millwall. A terceira, Brentford e Leyton Orient.

A lista poderia seguir pelas demais divisões do futebol inglês – são cerca de 40 clubes nas oito primeiras. As opções não são muitas apenas em quantidade, mas também na diversidade do tipo de experiência que oferecem. Pode-se assistir a uma partida no Emirates Stadium, do Arsenal, um dos estádios mais modernos do mundo, ou em Brisbane Road, a acanhada casa do Leyton Orient.

Quem pretende visitar a cidade durante os Jogos Olímpicos não terá a oportunidade de assistir a partidas dos clubes locais, que só voltarão das férias em agosto. Nesse intervalo, porém, é possível fazer visitas guiadas à maioria dos estádios. Neste verão, por exemplo, o tour de Stamford Bridge é uma boa opção para quem quiser ver de perto a taça da Liga dos Campeões, conquistada recentemente pelo Chelsea.

Mas se você tiver que escolher um estádio para visitar em Londres, não pense duas vezes antes de optar por Wembley. Inaugurado em 2007, o estádio nada tem a ver com o original, demolido em 2003. O antigo Wembley havia sido construído em 1924 e foi sede de momentos históricos do esporte, como a Olimpíada de 1948 e a final da Copa do Mundo de 1966, vencida pela Inglaterra.

O novo Wembley impressiona não apenas pelo seu tamanho, mas pelo conforto com que abriga 90000 pessoas. O estádio também conta com requintes tecnológicos, como o teto retrátil que se desloca para permitir maior incidência da luz do sol sobre o gramado. O que não significa que a construção de Wembley não tenha tido seus contratempos – como atraso nas obras e estouro de orçamento.

Casa da seleção inglesa e sede de algumas finais de campeonatos de futebol e rugby, Wembley estará fechado para visitas entre 21 de julho e 14 de agosto para receber o torneio de futebol olímpico. Quem chegar à cidade um pouco antes dos Jogos ou estender sua visita pode conhecer o estádio de pontos de vista diferentes, como o vestiário, a sala de imprensa e o camarote real. Mas ainda há a opção de conhecer Wembley por uma perspectiva mais convencional: o torneio de futebol é um dos raros eventos olímpicos para o qual ainda há ingressos disponíveis.

Visita guiada a Wembley
Horários: 10h à 16h, de hora em hora.
Ingressos:
Adultos: £16
Menores de 16 e maiores de 60 anos: £9
Crianças menores de 5 anos: gratuito

29/06/2012

às 14:36 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Wimbledon

Nos últimos dias você provavelmente deve ter visto alguma imagem de Wimbledon, o tradicional torneio de tênis que acontece em Londres todos os anos desde 1877. As arquibancadas estão invariavelmente cheias, embora os ingressos não sejam exatamente uma pechincha. Para assistir a uma partida na quadra central, pagam-se no mínimo 44 libras (142 reais). Um bilhete para a final não sai por menos de 120 libras (390 reais).

Mas conseguir um ingresso para o Grand Slam também dá trabalho, tanto para os interessados quanto para os funcionários dos correios. Sob o pretexto de querer em sua plateia apenas aficionados por tênis, o All England Club, sede do torneio, faz de tudo para dificultar a aquisição dos bilhetes.

Primeiro, é preciso enviar um envelope ao clube, solicitando uma ficha de cadastro. A ficha é então enviada à casa do pretendente, que deve preenchê-la e colocá-la novamente nos correios até 31 de dezembro do ano anterior ao torneio. Após um sorteio, os felizardos recebem – também por carta – uma oferta para comprar ingressos em determinadas datas. Alguns bilhetes são colocados à venda no dia dos jogos, mas é preciso encarar uma fila que começa na noite anterior.

Neste ano, os fãs de tênis terão uma segunda chance no torneio dos Jogos Olímpicos, que assim como em 1908 será disputado no All England Club. A venda de ingressos para os Jogos pode até ter sido feita de maneira mais moderna, o que não significa que tenha sido mais fácil. Muita gente acabou frustrada por não conseguir entradas.

Mas há ainda uma outra oportunidade de conhecer Wimbledon. Entre abril e dezembro, é possível fazer uma visita guiada ao All England Club, que inclui as principais quadras e instalações do local. Com o ingresso também é possível visitar o museu, repleto de troféus, raquetes, roupas e outros objetos usados por tenistas que jogaram por lá nos 135 anos de existência do torneio. Atualmente, há uma exposição temporária sobre a história do tênis nos Jogos Olímpicos.

Quem vier a Londres no período da Olimpíada, porém, só poderá fazer a visita guiada caso decida ficar um pouco mais na cidade. As visitas foram interrompidas no dia 18 de junho, uma semana antes do torneio de Wimbledon, e só serão retomadas no dia 19 de agosto, uma semana após os Jogos.

O tour não deixa também de ser um atalho para quem ainda sonha em assistir a uma partida no All England Club: em vez de ter que trocar correspondências para ter a chance de comprar um ingresso, basta solicitar uma ficha, preenchê-la e entregá-la no balcão.

All England Club – Wimbledon
Horários:
De hora em hora, entre 10h30 e 15h30. Em alguns períodos do ano, a cada meia hora (checar site).
Ingressos:
Adultos: £20
Crianças: £12,50
Estudantes e maiores de 60 anos: £17

15/06/2012

às 18:51 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Tower Bridge

Talvez seja a corruptela mais comummente cometida por quem visita Londres: ao ver a imponente ponte suspensa sobre o rio Tâmisa, não são poucos os que a chamam de London Bridge. Na verdade, este é o nome da ponte vizinha, de onde frequentemente é fotografada a Tower Bridge – este sim, seu nome correto.

O erro é mais que perdoável. Afinal, a Tower Bridge é de longe a mais bela das pontes sobre o Tâmisa e um dos símbolos facilmente reconhecíveis de Londres. Situada ao lado da Tower of London, uma das atrações mais populares da cidade, a ponte também parada obrigatória para turistas.

A ponte é também um marco importante para um dos eventos esportivos mais importantes da cidade – a Maratona de Londres, que neste ano teve 37500 participantes. Ao atravessar a ponte, os corredores completam exatamente a metade dos 42,195 quilômetros da prova. Durante os Jogos Olímpicos, porém, o circuito será diferente. A organização optou por um percurso mais “fotogênico”, diferente da tradicional maratona disputada na capital. Os atletas que buscarão o ouro olímpico não cruzarão a Tower Bridge, mas passarão próximo a ela em três das quatro voltas do circuito.

O estilo arquitetônico da Tower Bridge transmite a ideia de que ela está entre as mais antigas da capital, mas na verdade ela foi erguida entre 1886 e 1894, para ligar os distritos de Southwark e Tower Hamlets. A ponte é ao mesmo tempo suspensa (sustentada por cabos) e basculante, uma vez que se abre para a passagem de embarcações. O mecanismo era movido por máquinas a vapor até 1976, quando foi substituído por um sistema hidráulico.

A Tower Bridge possui também uma passagem elevada, feita para que os pedestres pudessem atravessá-la mesmo quando a ponte estivesse erguida. Em 1910, porém, decidiu-se pelo seu fechamento, devido à baixa utilização – a maioria das pessoas preferia esperar que a ponte baixasse novamente a ter que subir suas escadas. Hoje, a passagem tornou-se um espaço que recebe exibições. O local é também parte da Tower Bridge Exhibition, tour que inclui informações sobre a história da ponte – o preço de 8 libras não é convidativo, o que o torna pouco popular.

A ponte pode ser erguida 24 horas por dia, durante todo o ano. O serviço é gratuito, mas os donos de embarcações com altura superior a 9 metros devem solicitá-lo com antecedência. Quem quiser combinar sua visita à Tower Bridge com o momento em que ela se abre pode consultar seu site, onde há uma agenda com todos os horários programados.

Tower Bridge Exhibition
Horário: 10h às 18h (abril a setembro); 9h30 às 17h30 (outubro a março)
Ingressos:
Adultos: £8
Crianças de 5 a 15 anos: £3,40
Crianças menores de 5 anos: gratuito

08/06/2012

às 7:06 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Borough Market

Londres sempre foi um dos destinos preferidos por turistas de todo o mundo, mas por muito tempo levou a (merecida) fama de ter uma culinária sofrível. Comparada a suas vizinhas europeias, a cozinha britânica nunca foi exatamente um primor de sabor ou sofisticação.

Hoje, pode-se dizer que esta pecha é parte do passado. Em Londres come-se muito bem, obrigado. A cidade já conta com mais de 40 restaurantes estrelados do renomado Guia Michelin, ainda que a maioria não seja especializada em pratos típicos britânicos.

Aliás, o que é um prato típico britânico? O Reino Unido incorporou à sua cozinha elementos das mais diversas culturas que hoje formam o país. O curry indiano é hoje tão tipicamente londrino quanto uma porção de “fish and chips”. Nas madrugadas, jovens fazem fila em lanchonetes turcas que servem “doner kebab” (o que conhecemos no Brasil como churrasco grego). Nas prateleiras de supermercados, há ampla oferta de comida congelada tailandesa, malaia, mexicana.

Diante de tantas opções, às vezes fica difícil escolher o que experimentar. Por isso, se tivesse que recomendar ao leitor amante da gastronomia um único lugar não seria um restaurante, mas um mercado de rua: o Borough Market. É a mais antiga atração do gênero na cidade, ocupando o mesmo local desde o século 13.

Situado ao lado da estação London Bridge do metrô, o mercado se tornou uma das atrações turísticas mais disputadas de Londres, especialmente aos sábados. Há uma enorme oferta de ingredientes de todos os tipos – frutas, verduras, carnes, queijos, temperos. Os preços nem sempre são camaradas, mas a qualidade é indiscutível – e vários comerciantes oferecem amostras grátis de seus produtos.

Mas o Borough Market não é apenas uma boa opção para quem procura bons ingredientes. O mercado também tem barracas com comidas das mais diversas origens. De empanadas argentinas a sanduíche de chorizo espanhol, de massa italiana a falafel árabe, de salsicha alemã a raclete suíça. Pessoalmente, acho que só falta uma barraca de pastéis de feira para representar o Brasil.

A boa notícia para quem vem à cidade durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos é que o Borough Market estará aberto diariamente. Com o grande número de turistas na cidade, é bom chegar cedo para evitar as filas – e com bastante fome, para poder experimentar um pouco de cada iguaria.

Borough Market
Horário: quintas, das11h às 17h, sextas, das 12h às 18h e sábados, das 8h às 17h
Durantes os Jogos Olímpicos e Paralímpicos: domingo à sexta, das 10 às 17h; sábados, das 8h às 17h

01/06/2012

às 8:18 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Trafalgar Square

O Chelsea havia acabado de vencer o Bayern Munique em uma emocionante final da Liga dos Campeões e conquistado o título mais importante de sua história. Assisti à partida com um grupo de amigos em um pub na zona norte de Londres, região onde predominam as torcidas de Arsenal e Tottenham – logo, não havia sinal de festa nas ruas. Um dos amigos sugeriu que nos dirigíssemos ao local da cidade onde certamente haveria alguma comemoração: Trafalgar Square.

Para nossa decepção, não havia sequer uma camisa azul na praça. A festa na verdade acontecia nas ruas da zona oeste de Londres, nos pubs próximos do estádio Stamford Bridge – onde no dia seguinte os jogadores desfilariam com o troféu. O amigo que havia assegurado que Trafalgar Square estaria lotada virou alvo de piadas.

Mas o palpite não foi necessariamente ruim. O fato de termos encontrado Trafalgar Square vazia deveria depor contra a torcida do Chelsea, não contra a praça. É ela o coração da cidade, o local em que londrinos e turistas se encontram para manifestações, comemorações ou simplesmente para aproveitar um dia de sol na região central.

A praça começou a ser construída em 1820 e foi concluída em 1845. O projeto é assinado por Charles Barry, mesmo arquiteto responsável pelo Palácio de Westiminster e o Big Ben. O nome da praça faz referência à Batalha de Trafalgar, uma das mais decisivas vitórias dos ingleses durante as Guerras Napoleônicas.

É preciso estar atento para não deixar escapar os inúmeros elementos que a compõe. O mais fácil de ser notado é a Coluna de Nelson, erguida em homenagem ao almirante Horatio Nelson, que comandou os britânicos na vitória em Trafalgar. A coluna de granito tem 51,6 metros de altura e abriga uma estátua do almirante em seu topo. A base é decorada com quatro painéis de bronze, que ilustram a batalha, e cercada por quatro enormes leões de bronze, muito populares entre os turistas.

Há ainda duas fontes e quatro plintos construídos para abrigar estátuas. Um deles permaneceu vazio até recentemente, quando esculturas passaram a se revezar no local. Em 2010, uma réplica do navio HMS Victory, usado pelo almirante Nelson na batalha de Trafalgar, foi exposta dentro de uma garrafa de vidro. Em fevereiro deste ano, foi substituída por uma escultura de um garoto em um cavalinho de balanço.

Além de ser um ponto turístico, Trafalgar Square também congrega outras atrações. Ao seu redor estão edifícios como a a Igreja de St. Martin-in-the-Fields e o Admiralty Arch, além dos museus National Gallery e a National Portrait Gallery – ambos com entrada gratuita. O Palácio de Buckingham também fica bem próximo dali.

Trafalgar Square têm uma relação próxima com a Olimpíada de 2012. Foi lá que os londrinos se reuniram para acompanhar, em julho de 2005, a eleição da cidade como sede olímpica. Em março de 2011, a praça ganhou um relógio de 6,5 metros que faz a contagem regressiva para o início dos Jogos.

Em julho do ano passado, a praça recebeu novamente a celebração oficial dos 365 dias para a cerimônia de abertura. Durante os Jogos, ela também terá um papel importante, como parte do percurso da maratona olímpica. Dali também pode-se caminhar até Horse Guards Parade, onde acontecerão as competições de vôlei de praia.

Entre 29 de agosto e 9 de setembro, a praça também receberá um telão onde serão transmitidas as competições dos Jogos Paralímpicos. Mas não seria surpreendente se bem antes disso os londrinos se reunissem espontaneamente em Trafalgar Square, para celebrar uma eventual vitória do time da Grã-Bretanha no torneio de futebol. Afinal, espera-se que a equipe nacional tenha um pouco mais de popularidade que o Chelsea.

25/05/2012

às 10:36 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Big Ben

Você não sente que está de fato em Londres até o momento em que avista o Big Ben. Tal qual a Torre Eiffel em Paris ou o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, o relógio à beira do Rio Tâmisa é o ícone mais marcante da capital inglesa. É a imagem que estampa cartões postais e capas de guias de viagem, a foto sem a qual os turistas não voltam para casa.

No último dia dos Jogos Olímpicos, 12 de agosto, o relógio aparecerá em destaque nas transmissões da maratona, que tem a região central de Londres como percurso. A imagem do Big Ben seguramente será repetida à exaustão bem antes disso, quando os primeiros atletas começarem a desembarcar em Londres.

Mas poucas pessoas podem dizer que viram de fato o Big Ben: o nome é originalmente o apelido dado ao sino de 13 toneladas da torre. Há diferentes teorias sobre o surgimento do nome; a mais aceita é de que se trata de uma homenagem a Benjamin Hall, parlamentar encarregado pelas obras de construção da torre. O uso popular consagrou Big Ben como forma de se referir à torre, ao relógio ou ao sino – cujos nomes oficiais são Clock Tower, Great Clock e Great Bell.

Após um incêndio que destruiu quase todo o antigo Palácio de Westminster, em 1834, o novo edifício em estilo gótico – do qual faz parte a Clock Tower – começou a ser construído em 1840. O palácio abriga as duas câmaras do parlamento britânico: a House of Commons, formada por membros eleitos democraticamente, e a House of Lords, formada por membros da igreja anglicana e da nobreza britânica.

Cidadãos britânicos e estrangeiros têm direito a assistir gratuitamente às seções do parlamento, desde que estejam dispostos a enfrentar fila. A entrada é sujeita à disponibilidade de lugares, e em algumas seções os britânicos têm preferência. Aos sábados e durante o verão , o parlamento oferece uma visita guiada ao palácio, por 15 libras.

De segunda à sexta, há ainda um tour gratuito pela torre, em que os visitantes sobem 334 degraus. Além da ver a cidade de uma altura de 62 metros, é possível conhecer o interior do relógio e a sala que abriga seus mecanismos. A visita, porém, é limitada a cidadãos britânicos.

Recentemente, o parlamento inglês recebeu uma proposta de que se mude o nome da Clock Tower para Elizabeth Tower, em homenagem ao Jubileu de Diamante da rainha. Por mais admiração que possa ter de seus súditos, é improvável que a própria Elizabeth II deixe de se referir ao maior símbolo de Londres como simplesmente Big Ben.

Parlamento britânico
Sábados, das 9h15 às 16h30
Diariamente entre 27 /7 e 1/9 e entre 19/9 e 6/10
Ingressos:
Adultos: £15
Crianças de 5 a 15 anos: £6
Menores de 5 anos: gratuito
Estudantes e maiores de 60 anos: £10

18/05/2012

às 14:41 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Catedral de St Paul

Era o 114º dia seguido em que o exército alemão bombardeava Londres. No dia 29 de dezembro de 1940, enquanto a cidade ardia em chamas, o fotógrafo Herbert Mason subiu no topo do edifício do jornal Daily Mail e registrou a cena: entre a fumaça, reluzia o domo da Catedral de St Paul.

A foto estampou a capa do jornal dois dias depois e se tornou uma das mais célebres imagens da Segunda Guerra Mundial. Durante o confronto, a catedral tornou-se um símbolo da resistência inglesa. O então primeiro ministro britânico, Winston Churchill, teria pedido que todos os esforços fossem direcionados para proteger St Paul: se a catedral viesse abaixo, com ela viria a autoestima dos britânicos.

A Catedral de St Paul sobreviveu à guerra sem grandes danos, apesar de ter sido atingida por duas bombas. Construída entre 1675 e 1710, a igreja é na verdade a a quinta a ocupar o local desde o ano 604 – sua antecessora foi destruída no Grande Incêndio de Londres, em 1666.

A igreja é a obra-prima do arquiteto Christopher Wren, que também foi o responsável pelo projeto de diversos edifícios e igrejas construídos após o incêndio que devastou a cidade. Com 111 metros de altura e o segundo maior domo do mundo, menor apenas que o da Basílica de São Pedro, em Roma, St Paul é um dos elementos mais marcantes da paisagem londrina.

É possível avistar o domo de diversos pontos da cidade – e não é por acaso: a vista da catedral é protegida por lei. Não se podem construir edifícios que a impeçam de ser vista de determinados pontos da cidade, como Alexandra Palace, Parliament Hill e Richmond Park. Até 1962, ela era o edifício mais alto de Londres.

Ao longo dos anos, a igreja foi palco de importantes acontecimentos, especialmente ligados à família real. Em 1981, recebeu o casamento de Charles e Diana; em 2002, a celebração de ação de graças ao jubileu de ouro da Rainha Elizabeth II. No dia 5 de junho deste ano, receberá novamente a rainha, que desta vez comemora seu jubileu de diamante.

Em outubro do ano passado, as escadarias da igreja foram tomadas por manifestantes do movimento Occupy London, que seriam removidos pela polícia em fevereiro deste ano. Durante o período, o movimento tornou-se uma espécie de atração turística, mas a Catedral não se beneficiou do fato: fechada para visitas por questões de segurança, calcula-se que St Paul tenha acumulado um prejuízo diário de 20000 libras (60000 reais).

O valor é explicado pelas 15 libras (45 reais) cobradas pela entrada entre segundas e sábados – aos domingos, a igreja está aberta apenas para celebrações. O ingresso dá direito a um guia multimídia e acesso à cripta, onde estão enterrados heróis nacionais, como o almirante Horatio Nelson e o Duque de Wellington, e o próprio arquiteto da catedral, Christopher Wren.

O bilhete também permite ao visitante subir aos três níveis do domo. Para chegar ao primeiro, chamado Whispering Gallery, são 259 degraus. O nome vem do fato de que um sussurro feito contra a parede pode ser ouvido do outro lado do domo, graças à sua acústica. Para chegar ao segundo nível, a Stone Gallery, são 378 degraus.

O ponto alto da visita, com o perdão do inevitável trocadilho, é a Golden Gallery. Para alcançar os 85 metros de altura são necessários nada menos que 528 degraus. Mas o esforço é compensado por uma das mais belas e completas vistas de Londres, de onde só se sente falta, por motivos óbvios, de um dos grandes marcos da paisagem londrina: o próprio domo de St Paul.

St Paul’s Cathedral
Horário: segunda a sábado, das 8h30 às 16h
Domingos: aberta apenas para celebrações
Entrada:
Adultos: £15
Estudantes e maiores de 65 anos: £14
Crianças (6 a 17 anos): £6
Bilhete familiar (dois adultos e duas crianças): £36

 

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