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Arquivo da categoria Diário Olímpico

27/07/2012

às 7:15 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Parque Olímpico

Ele é a mais jovem atração turística de Londres, e provavelmente será a mais visitada durante os próximos 16 dias. Construído em uma área de 200 hectares na zona leste da cidade, o Parque Olímpico de Londres é um bom exemplo de como uma região degradada da cidade pode ser transformada em um aprazível espaço público. Após os Jogos Olímpicos, algumas das instalações serão desmontadas, mas o parque permanecerá aberto à comunidade.

Durante os Jogos, porém, o espaço não é assim tão público. Por medidas de segurança, só é possível entrar no Parque Olímpico com ingressos, seja para as competições ou seja apenas para acompanhá-las em algum dos telões instalados no local. Estas entrada foram vendidas por 10 libras (33 reais) apenas para o público britânico, e esgotaram-se rapidamente. Outra atração turística é a Orbit, torre de observação de metal retorcido de 115 metros de altura, da qual se pode ter uma vista panorâmica de todo o parque. O ingresso custa 15 libras, mas para utilizá-lo é preciso também ter o bilhete de acesso ao parque.

Como diversas competições ocorrerão fora do Parque Olímpico, como ginástica artística, judô e vôlei, é possível que muitos visitantes que tenham ingressos para os Jogos deixem a cidade sem conhecê-lo. Até pouco tempo atrás, havia ainda a opção do View Tube, um observatório montado em containers ao lado do parque, de onde se tinha uma ótima vista do estádio – mas ele encerrou suas atividades em maio.

Resta, no entanto, uma última opção para quem não quer deixar Londres sem ao menos ver de perto o principal local de competições. Do enorme shopping Westfield Stratford – o maior centro de compras urbano da Europa -, é possível ter uma boa visão do Parque Olímpico. A melhor visão é do terceiro andar da loja de departamentos John Lewis, onde funciona uma das lojas oficiais de Londres 2012. De lá avista-se o Estádio Olímpico, o Centro Aquático e a Orbit. Uma opção modesta, mas gratuita e – o que é mais importante, diante da ausência de mais ingressos – disponível.

24/07/2012

às 7:23 \ Diário Olímpico

Os dez mandamentos do turista brasileiro em Londres

Elaborei a lista abaixo com base em minhas experiências nos últimos onze meses na cidade, para ilustrar algumas das diferenças culturais que os turistas brasileiros podem enfrentar em Londres. Espero que sejam úteis – e que o leitor sinta-se à vontade para deixar suas contribuições nos comentários.

1. Serás pontual

Não é mito: em Londres as pessoas são pontuais e esperam que você também seja. Pequenos atrasos são toleráveis, mas lembre-se de sempre avisar com antecedência. Se o site informa que o trem sai às 8:47, significa que ele sairá às 8:47.

2. Usarás “excuse me”, “sorry”, “please” e “thank you” à exaustão

E ouvirás bastante também. Os britânicos podem não ser o povo mais caloroso do mundo, mas são extremamente educados e prestativos. Não custa nada retribuir com um pouco de gentileza.

3. Evitarás abraçar estranhos

Achou estranho esse mandamento? Por aqui as pessoas não estão acostumadas a ter contato físico com quem não se tem intimidade. Ao ser apresentado a alguém, um aperto de mão é uma opção segura para evitar constrangimentos.

4. Tomarás cuidado com teus pertences

Não se iluda: furtos também acontecem  em Londres – smartphones são objetos bem cobiçados em pubs e casas noturnas. A diferença é a honestidade dos estabelecimentos, que colocam placas avisando que ladrões costumam agir no local.

5. Não deixarás tua mala ou mochila sozinha por aí

O perigo não é de furto, mas de dar início a uma megaoperação policial – e de ter sua bagagem detonada por precaução. Os atentados do IRA até os anos 90 e da Al Qaeda em 2005 fizeram de Londres uma cidade em constante alerta contra potenciais ameaças terroristas.

6. Andarás com protetor solar e guarda-chuva

O verão londrino é imprevisível: em dois dias, a insistente chuva e os 15°C deram lugar a um céu ensolarado e 27°C. Prepare-se para viver todas as estações do ano em um só dia (ao menos o que entendemos por estações do ano no Brasil).

7. Usarás o transporte público

Em Londres, faça como os londrinos. Use e abuse do eficiente sistema de transporte da cidade. O metrô é parte importante da cultura da cidade, e uma volta em um ônibus double decker equivale a um passeio turístico. O preço proibitivo dos táxis ajudará a convencê-lo.

8. Não tentarás usar o jeitinho brasileiro

E se tentar, mas não se surpreenda com a resposta negativa. Com raras exceções, aqui não há espaço para improviso ou quebra de regras. Em hipótese alguma tente subornar um policial em Londres. Aliás, por favor, não faça isso também no Brasil.

9. Jantarás cedo

Grande parte dos pubs e restaurantes param de servir comida às 22 horas – e não espere que os garçons passem pelas mesas avisando, ou que estejam dispostos a abrir exceções. Procure sempre saber os horários de funcionamento para evitar surpresas.

10. Não falarás barbaridades em português pelas ruas

Não se engane, há brasileiros e lusófonos por todas as partes, sejam turistas ou residentes. Portanto, não diga nada em público que você não diria no Brasil.

20/07/2012

às 9:03 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Hampstead Heath

São tantos os espaços verdes espalhados por Londres que é possível que você se depare com algum por acaso ao caminhar pela cidade. Alguns são campeões de popularidade entre turistas, como o Hyde Park (que nos Jogos receberá o triatlo e a maratona aquática) e o Regent’s Park, na região central. Mas na região norte da cidade está Hampstead Heath, um parque bem diferente dos demais – e que por isso mesmo é um dos favoritos dos londrinos nos (raros) dias em que o sol aparece.

A começar por sua topografia. Ao contrário da maior parte da cidade, que é extremamente plana, a região de Hampstead é acidentada, cheia de colinas. Em vez de grandes superfícies cobertas por grama, o parque é repleto de bosques, que dão a impressão de se que se está em outra cidade. Hampstead Heath é também uma das maiores áreas verdes de Londres, com 319 hectares (o dobro do Parque do Ibirapuera).

Nos dias de calor, é preciso enfrentar filas para nadar em um dos três lagos do parque – um feminino, um masculino e outro misto. É necessário também enfrentar a água fria, embora os britânicos não pareçam se incomodar. Mas um dos locais mais concorridos do parque é a Parliament Hill (foto acima), colina da qual se pode avistar a Catedral de St Paul e os arranha-céus da cidade. É uma das vistas mais belas de Londres.

Ao longo da história, a região ao redor de Hampstead Heath foi casa de escritores, artistas e celebridades – o bairro hoje é casa de diversos jogadores do Arsenal, por exemplo. No século 19, o parque era um dos locais preferidos dos intelectuais Karl Marx e Friedrich Engels, que moravam nos arredores. Aliás, bem próximo do parque está o Highgate Cemetery, onde está o túmulo de Marx, em cuja lápide está escrito “Workers of all lands unite” (trabalhadores de todo o mundo, uni-vos). Ironicamente, para ter acesso ao cemitério onde está enterrado o pensador comunista é preciso pagar um ingresso de 3 libras.

Hampstead Heath
Transporte: metrô Gospel Oak ou Hampsted Heath

19/07/2012

às 6:50 \ Diário Olímpico

Cor da London Eye mudará segundo “humor” de tuiteiros

A partir desta quinta-feira, uma das maiores atrações turísticas de Londres irá refletir o sentimento dos britânicos em relação aos Jogos Olímpicos – pelo menos o daqueles que utilizam o twitter. A London Eye, roda gigante de 135 metros à beira do rio Tâmisa, será acesa com cores que refletirão o teor das mensagens postadas na rede social. A London Eye ganhará a cor roxa se a maioria for negativa, verde se for neutra e amarela se for positiva.

O espetáculo é feito pela EDF, empresa de energia britânica que patrocina a London Eye e é também parceira comercial dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Para determinar o “humor” dos usuários do twitter em relação aos Jogos, um professor da Universidade de Wolverhampton e um grupo de alunos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um algorítimo que filtra e atribui valores a expressões negativas e positivas. O dicionário desenvolvido pelos pesquisadores tem 2750 termos.

O espetáculo acontecerá todos os dias às 21h, e poderá ser acompanhado ao vivo aqui.

18/07/2012

às 13:41 \ Diário Olímpico

BBC renova direitos de transmissão dos Jogos até 2020

À medida que se aproxima o início dos Jogos Olímpicos, começam a surgir as reclamações sobre a ausência de “clima olímpico” no Brasil. Com a transmissão feita com exclusividade pela Record, as notícias sobre a competição em outras emissoras – em especial a Rede Globo – têm sido escassas. Assim que os atletas entrarem em ação será inevitável o aumento do volume de notícias na emissora líder de audiência, mas nada que se compare às edições anteriores.

No Reino Unido, a história da Olimpíada está intimamente associada à BBC. A rede de TV pública britânica detém os direitos de transmissão de forma ininterrupta desde Roma 1960, embora já tenha feito a cobertura radiofônica dos Jogos de Amsterdã 1928. Diferentemente do Brasil, por exemplo, em que a Olimpíada também é transmitida por canais de TV por assinatura, a BBC não repassa os direitos a nenhum outro canal do Reino Unido.

Nesta quarta feira, a BBC anunciou ter adquirido os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos até 2020 – o que inclui também os Jogos de Inverno, em 2014 e 2018. Recentemente, havia expectativa de que a TV pudesse perder ou passar a dividir os direitos, devido a cortes em seu orçamento para eventos esportivos. A Fórmula 1, por exemplo, que sempre foi transmitida com exclusividade pelo canal, a partir deste ano passou a ser dividida com o canal fechado Sky Sports.

Se no Brasil o clima olímpico na TV anda morno, por aqui o tema é obviamente onipresente. Entre os programas da BBC dedicados à Olimpíada, dois merecem destaque. O primeiro é a comédia Twenty Twelve, série que começou a ser exibida no ano passado e está em sua segunda temporada. O enredo mostra uma equipe fictícia do comitê organizador dos Jogos de Londres 2012, que comete dezenas de trapalhadas corporativas em seu dia a dia. Curiosamente, algumas das situações da ficção acabaram acontecendo na realidade – como uma pane no relógio que faz a contagem regressiva para o início dos Jogos, em Trafalgar Square, e o fato de um ônibus com destino ao parque olímpico ter se perdido por horas.

O segundo é série “Faster Higher Stronger”, que se dedica a contar histórias dos Jogos com depoimentos de ex-atletas e especialistas e imagens de arquivo que raras vezes temos a oportunidade de ver. Até o momento foram ao ar quatro episódios, sobre as corridas dos 100m rasos e 1500m, ginástica artística e natação. No vídeo abaixo, você pode conferir um trecho do episódio sobre os 100m rasos.

17/07/2012

às 7:56 \ As estrelas de 2012, Diário Olímpico

As estrelas de 2012: Yelena Isinbayeva

Alguns atletas entram para a história ao superar certas barreiras que antes pareciam intransponíveis. O americano Jim Hines, por exemplo, foi o primeiro homem a correr os 100m rasos em menos de 10 segundos – cravou 9.95s nos Jogos da Cidade do México 1968. Por ora ainda parece impossível que alguém consiga quebrar a barreira dos 9 segundos. No salto com vara, o soviético Sergeiy Bubka foi o primeiro a passar da barreira dos 6 metros, em 1985. O recorde atual de 6,14m, estabelecido em 1994, ainda é dele.

A comparação com Bubka é inevitável quando se trata de Yelena Isinbayeva. A beleza da atleta russa a tornou um dos alvos preferidos dos fotógrafos durante as competições, mas é seu talento que a torna uma personagem digna de destaque. Basta lembrar que Isinbayeva foi a primeira – e até agora única – mulher a romper a barreira dos 5m no salto com vara, em 2005. Também é dela o atual recorde mundial de 5,06m (veja vídeo abaixo), o 28º de sua carreira.

Em seu currículo, Ysinbayeva tem dois ouros olímpicos, em Atenas 2004 e Pequim 2008, e inúmeros títulos em campeonatos mundiais e europeus. Aos 30 anos, ela chega à sua terceira Olimpíada com o status de bicampeã e recordista mundial, mas sob desconfiança por seus resultados recentes. O Mundial de Atletismo de 2009, em Berlim, foi sua primeira grande derrota, quando não conseguiu completar um salto sequer na final.

No Mundial Indoor de 2010, em Doha, Isinbayeva obteve um decepcionante quarto lugar e decidiu fazer uma pausa em sua carreira. A primeira grande competição após uma pausa de quase um ano foi o Mundial de Atletismo de Daegu, em 2011. A expectativa de que ela voltaria em alto nível foi frustrada pela inexpressiva marca de 4.65m, que lhe rendeu apenas o sexto lugar. Na ocasião, o ouro foi conquistado pela brasileira Fabiana Murer, que repetiu sua melhor marca de 4,85m.

Mas em fevereiro deste ano, Isinbayeva mostrou que as decepções das últimas temporadas não devem servir para descartá-la da briga pelo ouro em Londres. A russa estabeleceu o novo recorde mundial em pista indoor, em Estocolmo, com a marca de 5,01m. Em março, no Mundial Indoor de Istambul, Isinbayeva tornou-se novamente campeã mundial.

Isinbayeva já afirmou em entrevistas que deve disputar em Londres a última Olimpíada antes de sua aposentadoria, programada para daqui a dois anos. Não resta dúvidas de que ela é a maior atleta feminina da história do salto com vara, mas para ocupar o topo em todos os critérios do esporte ela ainda pretende alcançar uma marca: os 35 recordes mundiais obtidos por Sergey Bubka.

16/07/2012

às 9:40 \ Diário Olímpico

O que restou dos Jogos de 1948

Em uma movimentada avenida de Harringay, zona norte de Londres, há um centro de compras chamado Arena Shopping Park. Por muitas vezes passei em frente ao local, que abriga uma grande unidade do supermercado Sainsbury’s, lojas de roupas, móveis e eletrônicos. Só depois de muito tempo descobri que ali ficava a Harringay Arena, onde a seleção brasileira de basquete conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos de 1948.

Londres é uma cidade que preserva seu passado como poucas, em que edifícios modernos convivem com construções erguidas há seculos. Mas quando pouco restou das instalações esportivas para contar a história dos “Jogos da Austeridade”, os primeiros após a Segunda Guerra Mundial. Assim como a Harringay Arena, boa parte dos locais de competições já não existe.

A começar pelo estádio que recebeu a cerimônia de abertura e encerramento, as competições de atletismo, futebol, hóquei sobre a grama e hipismo. Londres havia construído o estádio de White City na primeira vez em que sediou os Jogos Olímpicos, em 1908, mas 40 anos depois ele já estava obsoleto e abandonado. A solução para 1948 foi adaptar o Empire Stadium, mais conhecido como Wembley, que havia sido construído em 1924. Anos mais tarde, o estádio entraria para a história como o local em que a Inglaterra conquistou sua primeira e única Copa do Mundo.

Mas os ingleses demonstraram um desapego incomum ao decidir demolir o antigo estádio para dar lugar ao Novo Wembley, inaugurado em 2007. O estádio em nada lembra seu predecessor (foto acima), mas pode-se dizer que será uma das poucas sedes dos Jogos de 2012 que também sediaram eventos em 1948 – receberá alguns jogos do torneio de futebol, inclusive as finais.

A largada e a chegada da maratona de 1948 também aconteceram em Wembley, mas o percurso em nada lembra o da edição atual. Em 2012, o comitê organizador escolheu um roteiro que contempla marcas icônicas do centro da cidade, como o Big Ben e a catedral St. Paul’s – um percurso pela zona leste da cidade, onde está o Estádio Olímpico, seria menos fotogênico. Em 1948, ocorreu o contrário: a organização evitou o centro da cidade, severamente bombardeado durante a Segunda Guerra. Os atletas correram pelos subúrbios da região noroeste da capital.

Ao lado do estádio está a Wembley Arena, que também passou por uma reforma completa e foi reaberta em 2006. Neste ano, o local sediará as competições de badminton e ginástica rítmica. Em 1948, recebeu natação – pela primeira vez disputada em uma arena coberta -, saltos ornamentais, pólo aquático e boxe. Outro local que receberá pela segunda vez os Jogos é o centro de exposições de Earls Court, onde será disputado o vôlei. Em 1948, o local sediou competições de boxes, ginástica, lutas e levantamento de peso.

Mas a lista para por aí. Alguns dos estádios que receberam jogos de futebol há 64 anos ainda estão na ativa, como White Hart Lane, do Tottenham, Craven Cottage, do Fulham ou Selhurst Park, do Crystal Palace – mas nenhum deses receberá partidas neste ano. O estádio de Highbury, do Arsenal, deu lugar a um condomínio residencial, embora a fachada tenha sido preservada.

Se em 2012 discute-se exaustivamente que uso terão os locais de competição após os Jogos, em 1948 o tema estava longe de estar em pauta - até porque eles não foram construídos para os Jogos Olímpicos, e sim adaptados para recebê-los em uma época de escassez de recursos. A grande exceção em termos de legado é o velódromo de Herne Hill, no sul de Londres, que ainda está em uso.

Apesar do momento de recessão enfrentado pelo Reino Unido, o país desta vez teve tempo e recursos para planejar os Jogos e o destino de seus locais de competição. Mas por mais cuidadoso que tenha sido o planejamento, é um exercício extremamente difícil prever o que restará para contar a história dos Jogos Olímpicos daqui a 64 anos.

13/07/2012

às 8:59 \ Diário Olímpico, Guia de viagem

Guia de viagem: Broadway Market

Um dos grandes objetivos de Londres com a realização dos Jogos Olímpicos é a regeneração urbana do leste da cidade. A região, historicamente a menos favorecida da capital, é uma das mais pobres do Reino Unido, o local onde vive a típica classe trabalhadora inglesa. A novela EastEnders, exibida pela BBC desde 1985, tem a região leste de Londres como cenário e ajudou a  fazê-la parte do imaginário dos britânicos.

Os Jogos Olímpicos podem entrar para a história como um grande marco para o desenvolvimento do leste de Londres, mas estão longe de ser o seu ponto de partida. A “corrida para o leste” é um processo que aconteceu gradualmente ao longo dos anos. Quando Londres ganhou o direito de sediar os Jogos, em 2005, a região já era destino de artistas, músicos, designers e afins, que buscavam aluguéis mais baratos que na região central da cidade.

Hoje, o leste de Londres é definitivamente o cartão postal mais descolado do Reino Unido, a casa das mentes mais modernas e criativas do país. Aos poucos, galerias de arte ganham a companhia de estabelecimentos que há alguns anos jamais se imaginaria ver por ali, como hotéis e restaurantes de luxo. A diversidade cultural é igualmente imensa: convivem por ali indianos, turcos, paquistaneses, bangladeshianos, caribenhos, turcos, judeus ortodoxos, gente de todo o mundo.

Quem vier a Londres para os Jogos Olímpicos muito provavelmente passará pelo leste da capital – a maioria das competições acontecerá no Parque Olímpico, em Stratford. Mas para conhecer o lado mais badalado do East End, nada melhor que uma visita ao Broadway Market, mercado localizado na rua homônima entre o Regent’s Canal e o parque London Fields.

Desde o início do século passado o local abrigava barracas de frutas e vegetais, mas foi a partir de 2004, quando a comunidade local decidiu revitalizá-lo, é que ele se consolidou como o ponto de encontro dos modernos de Londres. É possível comprar produtos orgânicos, queijos, cupcakes, camisetas, discos, roupas vintage e uma enorme variedade de produtos, além de experimentar comidas de diversas partes do mundo.

Como era de se esperar, o mercado rapidamente se transformou em uma grande atração turística. O grande movimento logo atraiu restaurantes e cafés, que se instalaram na rua e se tornaram igualmente concorridos aos sábados. Hoje, parte do público que ajudou a tornar o Broadway Market popular já torce o nariz para o local, por considerá-lo excessivamente turístico. Mas se você está em Londres justamente a passeio, não há motivos para deixar de visitá-lo.

Broadway Market
Horário: sábados, das 9h às 17h
Transporte: estação Haggerston (overground)

12/07/2012

às 9:25 \ Diário Olímpico

Arábia Saudita terá duas mulheres nos Jogos

O dia começou com um importante anúncio oficial do Comitê Olímpico Internacional (COI): pela primeira vez nos 116 anos dos Jogos Olímpicos a Arábia Saudita será representada por duas mulheres. O comitê olímpico saudita confirmou a participação de Sarah Attar (foto acima), nos 800m, e Wodjan Ali Seraj Abdulrahim Shahrkhani, no judô.

O anúncio não deixa de ser um alívio para o próprio COI, que se via pressionado por movimentos de defesa dos direitos humanos a sancionar a Arábia Saudita. A Carta Olímpica, documento que estabelece os princípios e valores do Olimpismo, condena expressamente qualquer discriminação de gênero. Qatar e Brunei, outros dois únicos países que nunca haviam enviado mulheres aos Jogos, também terão representantes em Londres 2012.

Inicialmente, havia a expectativa de que a amazona Dalma Rushdi Malhas, que treina na França, fosse a primeira representante saudita nos Jogos. Em 2010, Dalma conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Singapura. No fim do último mês, porém, a Federação Internacional de Hipismo (FEI) anunciou que Dalma não poderia disputar os Jogos de Londres 2012, devido a uma lesão de seu cavalo Caramell KS.

A notícia é sem dúvida algo a se comemorar, mas uma reportagem publicada há dez dias pela Associated Press mostra que a questão pode ser mais complexa que se imagina. Em entrevista à agência de notícias, Rawh Abdullah, que treina uma equipe de futebol feminino em Riad, disse temer os efeitos da participação de atletas sauditas nos Jogos.

Embora não exista uma lei que proíba a participação de mulheres em atividades esportivas, na prática elas são privadas desse direito desde a infância – não há aulas de educação física para meninas. As mulheres sauditas não podem frequentar estádios, alugar quadras esportivas ou tornar-se membros de clubes. A equipe treinada e capitaneada por Rawh treina em um jardim, de maneira clandestina.

Ela teme, porém, que a participação das mulheres sauditas nos Jogos possa ter um efeito contrário. Sem treinamento adequado, as atletas dificilmente terão bons resultados em Londres – o que pode servir de pretexto para uma reação negativa das autoridades sauditas, que podem acusá-las de envergonhar o país.

Rawh Abdullah conhece como ninguém a realidade de seu próprio país, e seu ponto de vista deve ser levado em conta. Fica a torcida para que a quebra do tabu não seja apenas um álibi para o COI, mas que também sirva para dar início a mudanças mais profundas na sociedade saudita.

11/07/2012

às 17:00 \ Diário Olímpico

Londres se prepara para Jogos sob chuva

Ainda era novembro quando, em minha primeira visita ao Parque Olímpico, ouvi uma afirmação ousada de Paul Deighton, chefe-executivo do comitê organizador de Londres 2012. A neblina encobria boa parte das obras, o termômetro não passava dos 10°C, mas ele garantiu que durante os Jogos teríamos “um clima adorável”.

A apenas 16 dias do início dos Jogos, parece improvável que a promessa se concretize. Reclamar do mau tempo na Inglaterra é chover no molhado, perdoem-me o trocadilho, mas o volume de chuvas das últimas semanas tem deixado os próprios britânicos surpresos. Hoje, a temperatura máxima não passa dos 17°C.

A chuva já causou problemas para os organizadores de alguns eventos recentes. Algumas partidas do torneio de tênis de Wimbledon tiveram que ser interrompidas, assim como os treinos para o Grande Prêmio de Silverstone. Nesta terça-feira, um show que aconteceria no Hyde Park teve que ser cancelado.

Com a perspectivas de que as chuvas deverão durar até o fim do mês, a organização dos Jogos já começa a se preparar para lidar com seus efeitos. Segundo reportagem do Guardian, o comitê já está avaliando as possibilidades de reagendar eventos de hóquei e vôlei de praia e já encomendou capas de chuva para distribuição aos espectadores. As competições de remo, no rio Tâmisa, de Mountain Bike e BMX também são motivo de preocupação.

Mas mesmo quem tem ingressos para as cerimônias de abertura e encerramento ou para as provas de atletismo pode ser seriamente afetado pela chuva. Apenas dois terços dos assentos do Estádio Olímpico são cobertos – a organização decidiu por não fazer a cobertura total, para não aumentar os custos. Na prática, isso significa que alguns dos assentos mais nobres do estádio – cujos ingressos custavam até 2000 libras (6300 reais) – podem acabar sendo o pior lugar para se estar em caso de chuva.

 

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