07/09/2012
às 10:46 \ Heróis Paralímpicos‘Bolt paralímpico’ agora é ídolo britânico
Em segundo lugar no quadro de medalhas, atrás apenas da China, a equipe paralímpica da Grã-Bretanha revelou na quinta-feira um novo ídolo do esporte no país. Carismático, competitivo e muito veloz, o corredor Jonnie Peacock, de 19 anos, deixou para trás Oscar Pistorius e Alan Fonteles e conquistou a medalha de ouro nos 100 metros, na categoria T43/44. Assim como na Olimpíada, a final dos 100 metros era a prova mais esperada dos Jogos Paralímpicos – e a vitória de Peacock acabou sendo vista por mais de 6 milhões de britânicos pela televisão. De acordo com o Channel 4, que transmite o evento no país-sede, foi a maior audiência dos Jogos. Peacock cravou 10s90, recorde paralímpico e segundo melhor tempo da história – só ficou acima de seu próprio recorde mundial (10s85). Por ser muito jovem e ainda ter muito a melhorar, já é apontado como um candidato a repetir o domínio de Usain Bolt nas provas paralímpicas de velocidade. Se continuar evoluindo, Peacock também terá de lidar com as constantes perguntas sobre uma possível participação nas provas convencionais, seguindo os passos de seu ídolo Oscar Pistorius. Seus tempos nos 100 metros são respeitáveis. Mas será muito difícil baixar tanto suas marcas a ponto de encarar a fortíssima concorrência dos atletas olímpicos (em especial da extraordinária seleção jamaicana liderada por Bolt).
Talvez seja melhor mesmo continuar no esporte paralímpico, atraindo a atenção de futuros atletas entre os britânicos portadores de deficiência. Jonnie Peacock teve sua perna direita amputada aos 5 anos, em decorrência de uma meningite. Neto de um ex-jogador de futebol que defendeu as cores dos arquirrivais Liverpool e Everton, sonhava em repetir a carreira do avô. Mesmo depois da amputação, ele insistia em participar das competições esportivas na escola – e sempre rejeitava tratamento especial, exigindo ser submetido às mesmas regras que todos os outros. Revelado para o atletismo por um programa de avaliação esportiva do governo britânico, Peacock começou a treinar para valer há apenas dois anos. Há alguns meses, quebrou um recorde mundial que já durava cinco anos. Depois da vitória de quinta, o velocista disse que a conquista do ouro parecia “surreal” para ele. Mas Peacock mostrou o quanto é competitivo ao lamentar não ter baixado sua marca na grande final (assista às imagens da prova no vídeo abaixo): “Não fiquei tão contente quando percebi que poderia ter corrido ainda mais rápido”, explicou o atleta, desde já um candidato à medalha nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.
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