Blogs e Colunistas

30/07/2012

às 12:48 \ London Calling

You Can’t Always Get What you Want

Tom Daley (Foto: Reuters)

O Centro Aquático do Parque Olímpico de Londres foi inaugurado no dia em que a cidade iniciou sua contagem regressiva de um ano para os Jogos. Para marcar a ocasião, o britânico Tom Daley, então com 17 anos, foi convidado a dar o salto inaugural na piscina, numa cena transmitida ao vivo para o mundo todo. Desde então, seu rosto de bom garoto ilustrou boa parte das reportagens, propagandas e campanhas que tratavam do evento. Xodó da torcida local desde que participou dos Jogos de Pequim, em 2008, quando tinha apenas 14 anos, Daley transformou uma competição que costuma ficar em segundo plano, os saltos ornamentais, numa das modalidades mais disputadas na fila pelos ingressos olímpicos. Nesta segunda-feira, ele finalmente estreou nos Jogos, na final dos saltos sincronizados, diante de um mar de bandeiras britânicas, acompanhado de Peter Waterfield. E a torcida da casa, já desanimada com as derrotas no ciclismo e na natação, e já cansada de ver o fracasso de seus atletas preferidos, teve de amargar mais uma decepção – e justamente com Daley, um queridinho do esporte britânico em busca de redenção nas piscinas de Londres.

A estreia olímpica de Daley nos saltos sincronizados, em Pequim, foi traumática. Ainda era um menino, e sentiu o peso de representar seu país nos Jogos. Não ajudou em nada o fato de seu colega de equipe, Blake Aldridge, ter atendido o celular para conversar com a mãe durante a competição. Ficaram na última colocação – e Aldridge colocou a culpa no garoto, dizendo que ele estava nervoso demais. A dupla foi desfeita, e Daley subiu de patamar. No ano seguinte à Olimpíada, foi campeão mundial nos saltos individuais da plataforma de 10 metros, o mais jovem atleta a conquistar o título. Nos últimos anos, amadureceu, ganhou massa muscular (ainda que continue aparentando menos idade do que tem) e ficou ainda mais famoso. Daley é uma espécie de Kaká britânico: é bom filho, bom aluno, participa de projetos de caridade e tem uma legião de garotas seguindo cada um de seus passos. No ano passado, perdeu o pai, de 40 anos, vítima de um tumor no cérebro. Num documentário exibido pela rede BBC a poucos dias da abertura dos Jogos, ele prometia conquistar uma medalha para honrar a memória dele. Na final dos saltos desta segunda, ele e Waterfield lideravam a briga pelo ouro até a metade da competição. Na quarta rodada, um péssimo salto fez a dupla britânica despencar para o quarto lugar, de onde não conseguiu mais sair. Daley ainda está no páreo por uma medalha, agora na competição individual. Depois do revés desta segunda, porém, terá de carregar nos ombros o peso de um país inteiro faminto por medalhas a cada vez que subir as escadas da plataforma de saltos.

 

.
.
..

You Can’t Always Get What you Want – Rolling Stones, Let it Bleed (1969)

.

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados