09/08/2012
às 15:29 \ London CallingWon’t Get Fooled Again
O ciclista Chris Hoy é o maior atleta olímpico britânico. Dono de sete medalhas, seis delas de ouro, subiu duas vezes ao topo do pódio em Londres-2012, a última Olimpíada de sua carreira. Aos 36 anos, o supercampeão, que já tem o título de “sir”, não irá ao Rio em 2016. Antes de encerrar a carreira, porém, Hoy sonha com um último grande evento: os Jogos da Comunidade Britânica, em 2014. O motivo: a competição acontecerá em Glasgow, Escócia, a cerca de 80 quilômetros de sua cidade natal, Edimburgo. O escocês voador do Velódromo de Stratford fez história na pista, não restam dúvidas. Mas igualmente significativa foi uma posição adotada depois de seu triunfo olímpico, num momento em que vinha sendo usado de forma oportunista pela autoridade máxima do governo autônomo escocês. Alex Salmond é o primeiro-ministro da Escócia – e também o líder máximo do Partido Nacional Escocês, que defende a independência do território do Reino Unido. Salmond tentou aproveitar a popularidade de Hoy para reforçar sua campanha separatista. Antes mesmo da Olimpíada, ele vinha dizendo que estes seriam os últimos Jogos em que os escoceses defenderiam a bandeira britânica – porque até 2016, acredita ele, a independência já terá sido conquistada.
Salmond também foi ridicularizado ao propor uma torcida apenas para os escoceses em Londres, ignorando os atletas da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. Seu principal trunfo na inusitada tentativa era justamente Hoy, com sua imagem vencedora e reputação irretocável. Quando o ciclista foi escolhido para ser o porta-bandeira britânico na abertura, Salmond divulgou uma tola nota oficial parabenizando Hoy sem citar o nome da Grã-Bretanha. O ídolo, no entanto, estragou a festa do político. Hoy avisou publicamente que era “frustrante” perceber que estava sendo arrastado para uma briga ideológica contra sua vontade. E mais: deixou claro que prefere ser integrante da delegação olímpica britânica, e não apenas da escocesa. “É um grande orgulho fazer parte do time ao lado dos ingleses, galeses e norte-irlandeses. Sou escocês, sim, mas também sou britânico. E penso que uma coisa não anula a outra”, avisou, minando a desonesta estratégia de Salmond de usar o esporte para fins políticos. O prefeito Boris Johnson, um dos líderes do Partido Conservador, vibrou. “Uma das melhores coisas destes maravilhosos Jogos foi a certeza de que eles retardaram a campanha de Alex Salmond para acabar com a União.” Mais uma medalha, portanto, para a coleção de triunfos de Sir Chris.

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Won’t Get Fooled Again - The Who, Who’s Next (1971)
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Tags: chris hoy, ciclismo, escócia, grã-bretanha, olimpíada de londres 2012, reino unido, separatistas











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1 Comentário
MariadasDores
-11/08/2012 às 12:26
Algumas correções: em primeiro lugar, a Escócia não é um “território do Reino Unido”. É, sim, uma dos quatro países que fazem parte do Reino Unido. Aliás, a Escócia era um país independente até 1707. Por que nâo poderia sê-lo de novo, se o seu povo assim o desejasse?
Em segundo lugar, não é somente Alex Salmond que deseja a independência da Escócia. Uma pesquisa feita em 2011 indicou que 32% dos escoceses apoiam a independência de seu país (no ano anterior, 23% apoiavam).
Com relação a Boris Johnson, dizer o quê? Como nenhum outro político, o prefeito de Londres usou e abusou dos jogos para aumentar seu cacife político e eventualmente concorrer à liderança do Partido Conservador.