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05/08/2012

às 14:24 \ London Calling

We Are the Champions

Andy Murray (Foto: AFP)

Na primeira Olimpíada de Londres, em 1908, a Grã-Bretanha, competindo em casa, alcançou uma façanha histórica: oito medalhas de ouro conquistadas em apenas um dia. Acreditava-se que o país jamais viveria algo parecido. Desde então, a antiga potência olímpica assistiu ao crescente domínio de americanos, soviéticos e, mais recentemente, chineses. Neste fim de semana, no entanto, os britânicos, outra vez anfitriões dos Jogos, revisitaram seu passado mais glorioso no esporte. Não chegaram a igualar a marca dos seis ouros de 1908, mas chegaram perto: no sábado, foram seis, incluindo as três fantásticas vitórias no atletismo. Num período de apenas 43 minutos, o time da casa amealhou o ouro no salto em distância (com Greg Rutherford), no heptatlo (com a estrela Jessica Ennnis) e nos 10.000 metros rasos (com o fundista Mo Farah). Sebastian Coe, ex-corredor, hoje o presidente do comitê organizador dos Jogos, não teve dúvidas em classificar o momento como “a maior noite do atletismo britânico”. Horas antes, atletas do país-sede já tinham subido ao topo do pódio no ciclismo e no remo. E a série de triunfos continuou neste domingo, com destaque para a catártica vitória de Andy Murray no tênis e a antológica façanha de Ben Ainslie na vela.

Murray, escocês de 25 anos, é excelente tenista, mas tem sua carreira marcada por numerosas decepções. Tinha certa fama de azarado, de bater na trave nos momentos decisivos. Mas exorcizou seus fantasmas ao atropelar Roger Federer, sete vezes campeão de Wimbledon, por 3 sets a 0, na decisão olímpica de simples, realizada na quadra central do tradicional templo do tênis. Já Ainslie, de 35 anos, tem reputação oposta à de Murray – chegou a esta Olimpíada com três ouros consecutivos -, mas entrou no último dia de regatas da classe Finn, em Weymouth, em situação bastante delicada, perseguindo o dinamarquês Jonas Hogh-Christensen. Virou o jogo na reta final e agora é tetracampeão olímpico. Para completar o dia glorioso, transformou-se no principal medalhista olímpico do iatismo, com quatro ouros e uma prata (os brasileiros Torben Grael e Robert Scheidt, por exemplo, somam as mesmas cinco medalhas que Ainslie, mas sem tantos ouros). Com as conquistas em Wimbledon e Weymouth, os britânicos somaram 16 ouros. Seguem com chances reais em pelo menos uma dezena de provas. Não alcançarão americanos e chineses. De qualquer forma, podem fechar a terceira Olimpíada realizada em seu território num invejável terceiro lugar no quadro de medalhas.

Mais do que confirmar o efeito positivo do fator casa no quadro de medalhas, mais do que retribuir a empolgação contagiante dos torcedores locais, a campanha da equipe britânica faz justiça e ameniza um desvio na história do esporte. Os britânicos não são os melhores, mas são os primeiros – e esse é um dos melhores ingredientes da Olimpíada de Londres, a única cidade que já recebeu três edições dos Jogos. A versão moderna da prática esportiva é uma criação local, um legado dos britânicos ao mundo. A lista de modalidades originadas no país (ou organizadas e regulamentadas pela primeira vez, com base em jogos que já existiam no exterior) corresponde a boa parte do cardápio olímpico: futebol, tênis, rúgbi, remo, golfe, badminton, iatismo, hóquei, hipismo, ciclismo, boxe. Mais notável ainda é o papel de Londres no desenvolvimento desses esportes, principalmente no período vitoriano. E a tradição não está só em Wimbledon ou Wembley. O Hyde Park, no coração da cidade, é o palco do triatlo e da maratona aquática nos Jogos. Ao mergulhar em seu principal lago, conhecido como Serpentine, os nadadores olímpicos repetirão um costume iniciado em 1864. Com a rainha Vitória no trono e radicais transformações em curso na ilha, atletas amadores fundaram um clube no parque. Até hoje, todas as manhãs, inclusive no inverno, integrantes da agremiação praticam suas braçadas no parque real. Como os britânicos nos Jogos Olímpicos, os nadadores do lago do Hyde Park podem não ser os mais rápidos, mas certamente são os pioneiros.

 

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We Are the Champions - Queen, News of the World (1977)

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